31 agosto 2011

Fruta 1 - Esta é a nossa fruta!

Photobucket

Patrícia Mamona desclassificada




A desilusão provocada pela desqualificação desta atleta sobe exponencialmente em função do aumento exagerado das naturais expectativas que são criadas por uma pessoa com tal nome.

Sentença

Lamento
mas faz tempo que já sei
tu nunca hás-de beijar o meu ombro
tu nunca hás-de afagar o meu cabelo
Porque, esse dia em que o fizesses, ao chegar
significaria que este meu amor que tenho
aqui, agora
este que me beija o ombro
este que me afaga o cabelo
já aqui não estaria
e, se esse dia chegasse,
eu não quereria existir
e, se por alguma tragédia medonha, macabra,
se por algum castigo impiedoso dos Deuses
eu continuasse a existir
ainda assim
não permitiria que mais ninguém
afagasse o meu cabelo
beijasse o meu ombro
não permitiria
que algum dia espantassem
o que sobra dele, do meu amor,
ainda que tudo o que sobre
de um amor eterno
seja a mais triste solidão.
Por isso, nunca mais me digas
que, um dia, ainda hás-de beijar o meu ombro
nunca mais me digas
que, um dia, ainda hás-de afagar o meu cabelo
porque eu ouço as tuas palavras doces
como a mais terrível, a mais cruel sentença,
o mais horrível destino
que alguém me poderia desejar.

Como desenhar uma mulher em 2 passos


Adaptação minha desta ideia do Capinaremos.com

26 agosto 2011

Legs


Foto: Shark

Neste querer...

Neste querer, tanto a alma quer
que nos desalma e vai
que nos desalma e sai
de nós e vai aprender a viver
sai e vai beijar onde nos doer
foge-nos das pernas nuas e doridas
foge-nos das mãos frias e cansadas
foge, se a pele nos quer endurecer.
Neste querer, da alma faz-se mulher
e alma menina que, assim, também sou
fugida do corpo meu que não me abraçou
tenho abraços que não obrigam a crescer
basta ser, deixam-me ser
e as nossas almas, pela doçura tocadas,
consertam mãos e pernas quebradas
não deixam a nossa pele morrer.

Carinha laroca


Booty dance from Cyril Helnwein on Vimeo.

25 agosto 2011

Ponto de vista

Encontraram-se numa rua de Lisboa. Cumprimentaram-se e foram tomar café. Falaram disto e daquilo. Da curiosidade de se encontrarem e de se verem de vez em quando, por acaso. Riram-se de episódios passados do tempo em que trabalharam juntos. Era tarde e foram jantar.
Jantaram, conversaram e decidiram ir beber um copo.
No passeio à porta do restaurante, enquanto decidiam onde e como ir, António pôs um ar sério e perguntou, coçando a barba de três dias que lhe emoldurava a face:
– Posso dizer-te uma coisa?
António fez a pergunta olhando em frente e manteve-se assim. Alice fixou-se no perfil dele; estranhou-lhe o tom e o olhar perdido mas abanou afirmativamente a cabeça em resposta, ainda que sem grande convicção, pois, para mais, tinha a certeza que ele não a estava a ver.
– Podes – acabou por verbalizar Alice, continuando a estudar-lhe o recém-adquirido e inesperado perfil seráfico. A mulher aguardou ainda mais um momento para que ele dissesse o que queria dizer ou para que, pelo menos, se virasse para ela mas como nada aconteceu disse, ainda com um sorriso na voz: – Podes, desde que seja qualquer coisa boa.
Alice viu-lhe as pálpebras semicerrarem por um instante, como se ele estivesse a analisar a conformação entre o que lhe queria dizer e o pedido dela, e, sem saber porquê, não gostou.
– Não sei – confessou António, virando-se para ela. Os olhares cruzaram-se e Alice não conseguiu evitar franzir o sobrolho. António explicou: – Há coisas que nós não sabemos se as outras pessoas gostam de ouvir, apesar de nós termos de as dizer.
– Se tens de dizer deixa de ser importante a minha vontade, não é? – disse Alice, desconfortável.
António voltou a olhar em frente. Alice procurou ver o que ele estava a ver.
– Sim – anuiu António. – Se eu acho que tenho mesmo de o dizer nem te devia perguntar nada. Dizia-o e pronto.
– Diz.
– Para que me interessa andar atrás de ti se depois não dou o último passo na tua direcção? – perguntou António, em tom declamatório.
– O quê?
– Para que me interessa andar atrás de ti se depois não dou o último passo na tua direcção? – repetiu António.
– Tu é que sabes. – Respondeu Alice, surpreendida, sem saber do que estavam a falar. – Andas atrás de mim?
– Ando – reconheceu António, ainda olhando em frente. – Ás vezes procuro-te nos sítios por onde andas, ainda que normalmente não te veja.
– Isso não é normal. – Não havia censura na voz dela mas também não havia espanto, o que a espantou.
– Pois não. Mas passo lá, dou voltas que não precisava, invento caminhos para cruzar as ruas em que te podia encontrar…
– Mas procuras-me ou passas?
– Passo à tua procura.
Ele olhou para ela, os olhares cruzaram-se e ambos os mantiveram.
– Mas não paras? Não ficas à minha espera? Não me procuras ver?
– Não, não e nim. – António acompanhou a resposta com um sorriso, que se esbateu por si quando concluiu: – Procuro ver-te mas na verdade não te procuro para te ver.
– Isso é tudo muito estranho. Não é normal, pois não? Tens consciência disso?
– Tenho.
– Mas às vezes encontramo-nos.
– Sim.
– Ah… Mas não é por acaso…
– Não, não é por acaso, é porque eu procuro cruzar-me contigo…
– Ah…
– E procuro-te no facebook e em blogues.
– Porquê?
António cerrou os lábios e arqueou as sobrancelhas.
– Isso é que é o pior.
– O quê?
– A resposta ao porquê – disse ele. Ela ficou a olhar para ele, interpelando-o com uma expressão quase cómica de triste perplexidade e desencanto. Ele continuou sério e solene como se o que dissesse fizesse sentido: – Porque eu não sei bem… – hesitou. – Porque eu não sei porquê – corrigiu. – Não sei mesmo, nem bem nem mal – concluiu.
– Tu és um mar de dúvidas e incertezas, não és? – perguntou ela, omitindo o “continuas” que pensou que a frase devia ter.
– Nem sempre. – António encolheu os ombros com um sorriso agarotado e disse: – Hoje dei o passo em frente.
Ela abanou a cabeça, pensou por um momento e lançou-lhe:
– Vamos ser francos e directos um com o outro?
Ele concordou de pronto:
– Sim.
– E definitivos?
Ele cerrou os lábios numa expressão convicta e empenhada e anuiu com a cabeça:
– E definitivos.
Ela deu-lhe um beijo na face, agradeceu o jantar, disse-lhe adeus e foi-se embora.
Ele ficou em silêncio a vê-la afastar-se, contemplando embevecido o seu andar, congeminando razões e ocupações que a levavam a despedir-se assim, certo que a coisa correra bem.

O amor é cego

Mas não é burro.



Cupido é gay e vai te transformar também.

Capinaremos.com

Alguém por aí pratica ioga? Eu gostava...


Sophia Santi in Naked Yoga [trailer] from CafeGlow on Vimeo.

Em cima dela




24 agosto 2011

De pau feito

É fácil de adivinhar a razão do enorme sucesso do Pinóquio entre as raparigas de várias gerações.

Inventei...

Inventei
o teu beijo no meu ombro,
sim, eu ainda procuro
memórias que não inventei
da tua mão no meu cabelo.
No teu colo sosseguei
e inventei,
e da minha casa fiz castelo,
sim, inventei uma verdade
para enganar esta saudade,
um corpo molhado de pesadelo
que no teu rosto acalmei.
Inventei-te
num sussurro de peito aberto,
num suspiro intenso, nu, descoberto,
e canoas nos meus olhos
inventaram mar nos teus dedos,
mas não veio a onda e chorei.
Inventei-te,
e tanto que te esperei,
meu amor, que já nem sei
se apenas te inventei.

Minetesão

23 agosto 2011

Ashley Bulgari ensina como se joga (e, no meu caso, como se vê jogar) com a Xbox


desnuda jugando a la Xbox por alrincon_com

Axiomas avulsos

Uma das razões que leva os homens a comprar sexo é que eles preferem sexo sem romance, coisa que as mulheres, de um modo geral, não estão dispostas a proporcionar-lhes gratuitamente.

Uma das razões que leva as mulheres a comprar sexo é que elas preferem sexo com romance, coisa que os homens, de um modo geral, não estão dispostos a proporcionar-lhes gratuitamente.

Em tempos de crise, se calhar valia a pena pensar nisto… é que se a malta arranjasse maneira de se entender, era mesmo uma grande poupança…

Gargalhada

Confunde-se a gargalhada
com a inevitabilidade
premente
de te reforçar
as palavras:
esforço sem sucesso,
tomada a voz
pelo calor exausto
do sexo do dia antes
de hoje.
Adormeço por fim,
tomando a tua boca
em 12 graus e meio
de saudades!

Poesia de Paula Raposo

Colecção «Afrodisíaco» da Revigrés

A Revigrés criou esta série de decorações sobre grés porcelânico... e são peças deliciosas da minha colecção.



19 agosto 2011

Frescura estival


Foto: Shark

Banho-Maria (II)

Se ainda tenho o meu amor
é no eco das palavras
sussurradas,
ampliei-as no meu peito.

Se ainda tenho o meu amor
é no ninho das madrugadas
passadas,
enganei-as no meu leito.

Se ainda tenho o meu amor
é no segredo das carícias
abandonadas
recolho-as quando me deito.

Ao menos, meu amor
esse beijo será eterno;
esse, subi-o ao céu
e não o desço ao inferno.
O resto que se perdeu,
como o calor no Inverno,
era um milagre tão terno
que nos esqueceu.

E foi por isso que chorei
e, mesmo assim, foi muito pouco
talvez o grito fosse demasiado rouco
ou talvez a lágrima sulcada de espanto
tudo se perdeu no pranto,
e eu não te alcancei.

Se ainda tenho o meu amor
é nas ilusões perfeitas,
vendadas,
entrancei-as no meu cabelo.

Se ainda tenho o meu amor
é nas pernas despidas,
enroladas
na doçura aguda, cruel, do teu novelo.

Uma arma em riste exige prevenção.

Em tempo de Verão deve ter-se sempre a arma em condições. Para isso aqui ficam alguns cuidados a ter para que se esteja pronto a disparar.
"O soldado guardar-se há de tomar banho depois de ter comido; não usará de mulher, pelo menos nas primeiras três horas
(...)
As mulheres matriculadas oferecem mais segurança do que aquelas que o não são Pág. 36 e 37)"


Tatiana Delgado fez uma cirurgia plástica para ter os lábios vaginais mais compactos


Tatiana Delgado se opera los labios vaginales por alrincon_com

18 agosto 2011

Coabitação e um gato

Deitada na cama, Ana terminou o primeiro parágrafo da página 214 do livro que estava a ler e marcou-o com o indicador direito. Conferiu as horas no seu relógio de pulso, vinte e cinco para as dez, e decidiu que eram horas de parar de ler. Tacteou a cama com a mão esquerda à procura do marcador, que estava parcialmente debaixo da sua nádega esquerda, virou-se um pouco para o lado contrário e tirou-o. Abriu e fechou o livro, depois de deixar o marcador entre as páginas onde antes estivera o indicador, e pousou-o na cama, com a intenção de voltar a ler quando se deitasse – estava a gostar. Afagou o gato deitado ao seu lado, que arqueou as costas para melhor sentir a mão da dona, e levantou-se. Olhou para o computador portátil, ligado mas em modo de suspensão, que estava numa mesinha preta ao lado da cama, confirmou as horas no relógio da mesa-de-cabeceira, 21:34 e tornou a olhar para o computador, hesitando entre conferir os e-mails e o facebook ou ir comer imediatamente. Na dúvida, rodou a cabeça e olhou para o gato como se lhe pedisse ajuda para tomar uma decisão. O animal percebendo o olhar da dona, saltou prontamente da cama para o chão e dirigiu-se à porta encostada, transmitindo claramente os seus desejos. Ana sorriu, achava que mais do que desejos o gato transmitia ordens. Olhou para o computador como se se justificasse à máquina, apagou a luz do candeeiro e seguiu o animal. “Tens razão, já são mais do que horas de comermos”, transmitiu-lhe telepaticamente quando abriu a porta do quarto e o deixou passar.
O gato correu para a sala e ela olhou para aí de esguelha, sem ver mais do que a televisão acesa na Fox. “Como é que ele vivia antes de haver tantos canais? De haver séries e filmes a toda a hora?”, pensou Ana referindo-se ao marido, de quem se esqueceu imediatamente quando o gato a ultrapassou vindo da sala mas já sem correr. A mulher achou graça aos passos decididos e à cauda empertigada do animal, como se ele fizesse questão que ela o visse e a obrigasse a segui-lo, e ficou a pensar no descaramento aristocrático do animal e na sua sorte por ter comer já feito e até quem o servisse, ao contrário dela que não fazia ideia do que ia preparar e comer ou pior, deu um risinho que não passou de um suspiro, sem saber sequer se tinha alguma coisa em condições para preparar.
Inventariando mentalmente o conteúdo do seu lado do frigorífico, sem deixar de seguir a cauda do gato, Ana foi apanhada de surpresa quando viu os pés do marido junto ao fogão quando o animal se enroscou neles. Parou na ombreira da porta, puxando instintivamente para trás o pé direito que já estava dentro da cozinha.
– Ah… Estás aí? – soltou Ana sem querer, incomodada pela presença do marido e pela ligeireza interesseira do gato; afinal estivera a ler para lá da hora de jantar para não se cruzarem e tinha vindo naquele momento principalmente por causa do gato.
O marido não lhe respondeu, não a ouviu ou fez que não a ouviu. Ela hesitou, voltou-se para trás mas olhou para o relógio e rodou sobre os calcanhares voltando-se de novo para o interior da cozinha, ainda sem entrar. Suspirou e esboçou um sorriso enfastiado na direcção do marido, que se voltara para ela sem expressão.
Alexandre, o marido, sem largar o cabo da frigideira, onde fritava dois ovos mexidos com um tomate e uma pequena cebola cortados em quartos, um dente de alho esmagado e folhas de orégãos frescos e pimenta preta, que agarrava com a mão esquerda, nem a espátula de madeira com que mexia o cozinhado, alternou, por segundos, o olhar entre os ovos e a mulher que parecia ter de vencer um campo de forças que ele emanava para entrar na mesma divisão da casa.
– Ainda não jantaste? – questionou Ana, sem se mexer nem disfarçar a censura que lhe moldava o tom, servindo-se de uma pergunta de resposta óbvia para esconder o aborrecimento de ver o gato enrolar-se nas pernas dele pedindo-lhe descaradamente mimo e comida, não necessariamente por essa ordem, e o facto de não ter voltado para trás enquanto tinha podido fazê-lo em silêncio.
Ana e Alexandre, casados, sem filhos mas com um gato, um sacaninha que parece ter verdadeiro e consciente prazer em provocá-los sempre que os apanha juntos, vivem num apartamento pequeno, com dois quartos, uma sala, uma cozinha, uma dispensa e uma casa de banho, que agora parece ter encolhido e em que eles parecem esbarrar continuamente um com o outro, apesar de não se quererem ver, como se a casa se voltasse contra eles e os quisesse levar ao confronto e ao fim do último dever conjugal que ainda cumprem: a coabitação.
Alexandre tornou a olhar para a mulher, baixando ostensivamente o olhar para os pés dela que não se moviam. Não conseguiu evitar um sorriso mas, quando se apercebeu que não o conseguiria esconder, virou-se para o fogão, evitando que Ana o visse. Então, apagou o lume, retirou a frigideira para um bico frio, baixou-se para afagar o gato ganhando tempo e perguntou com ar de quem não ouviu bem a pergunta da mulher:
– Se eu já jantei?
O casal olhou-se com ar sério, ela em pé junto à ombreira da porta, ele agachado ainda a fazer festas ao gato. Ana manteve a pergunta deixando descair a cabeça e proferindo um sim sumido. O marido olhava-a calado como se esperasse qualquer coisa. O gato parecia rir-se para ela, ainda que ela estivesse certa e segura que o gato não se ria para si mas de si, o pérfido.
– Sim, ainda não jantaste? – reforçou Ana, comprimindo o silêncio que a enervava.
– Já – mentiu Alexandre, passando uma última vez a mão pela cabeça do gato, antes de se levantar e se virar para o fogão, agarrar a pega da frigideira e completar a mentira em tom neutro: – Estava a fazer estes ovos para ti.
Ana, que recomeçara a andar lentamente, procurando, sem conseguir, desviar os olhos do gato, falhou um passo, o que ele percebeu pelo som dos chinelos no chão da cozinha. Alexandre sorriu e, satisfeito, imaginou-lhe a expressão surpreendida.
– Ainda não jantaste, pois não? – perguntou o homem, prolongando a farsa.
Ela aproximou-se do fogão e ficou ao lado dele, observando os ovos mexidos. Há muito tempo que não estavam tão próximos um do outro. O gato roçou-se na perna direita de Ana e na perna esquerda de Alexandre.
– Tem bom aspecto – reconheceu Ana, a quem a súbita visão da comida cozinhada, pronta a ser servida e a comer agravou a sensação de fome e vazio no estômago.
Entediado, faminto e desesperado, o gato esticou a cauda na horizontal e entrelaçou-se caprichosamente entre as pernas de ambos, levando-os a sorrir um para o outro, agoniando-o de tal maneira que, se pudesse, o gato lhes retraçava as pernas todas até chegar aos ossos e fazer um mar de sangue no chão da cozinha.

Pepsi Max - «Monster Truck»

Prazer ao ar livre

17 agosto 2011

postalinho de férias...


Sempre que passo por Vila do Bispo, no Algarve, nunca deixo de ir a um restaurantezinho simpático onde se podem comer dos melhores percebes (em inglês, understands, como sabeis) da região.

Imortalizadas no frontespício do edifício as figuras dos petiscos que por lá podemos degustar, é com enlevo que vos assinalo a segunda a contar da esquerda, que simboliza, como é evidente, um valentíssimo percebe, percebem? - Provavelmente apanhado nas Caldas da Rainha...

A posta red bull


Vontade de voar. De subir sem parar até ao ponto do céu onde nem passam os aviões, estratosfera ou ainda mais, sem fôlego perante a imagem azul do nosso espaço comum.
Vontade de me elevar até onde o mundo pare de respirar, mesmo antes do espaço que as estrelas enfeitam de luz. Lá em cima, bem alto, lá em cima onde não existe o som, na fronteira entre o espaço que sonhei um dia conhecer e falhei e um outro espaço no qual concretizei os desejos que me inspiraram os beijos teus.
A realidade tangível na ponta dos meus dedos e as asas dos meus medos que partiram quando o amor se impôs sem apelo nem agravo e com ele esta vontade de voar, de subir sem parar, dentro de ti, até ao ponto do espaço, o ponto no tempo, em que uma estrela explodiu, o teu orgasmo, e o espaço negro e vazio se iluminou em todas as cores que o universo conseguiu inventar.
O brilho nesse olhar que me sorri quando aproximo de ti a mão que passeia nesse rosto que o destino escolheu para me encantar, algures no céu onde dizem morar os divinos artesãos que moldam com as suas mãos as mais perfeitas criaturas, tão belas, tão puras, que só os eleitos conseguem entender únicas e especiais.
Vontade de amar, cada vez mais. De sentir sem parar a emoção. De poder passear a minha mão na aura da terra e depois aterrar para lhe poder tocar a pele, a tua, a pele que sentiu, e nascerem flores como sinais indisfarçáveis de um imenso arrepio.

Cronologia da pele (Pálido corpo)

Sim, estou pálida. Na pele e nos olhos,
a palidez dos envelhecidos nos minutos,
uma década perdida em qualquer hora.
Sim, preciso dos teus braços, agora,
agora, quando nada nos trago de novo
e tudo o que trago está ainda mais vivo.
Digo que estou bem, mas o olhar implora
que o vás recolher do chão lá fora.
Digo que estou bem mas, no rosto, o medo
desvela em palidez o meu segredo:
Abraça-me, a minha pele é prematura,
tudo menos eu findou demasiado cedo,
mas tu abraças-me, dás o flanco à ternura,
abraças-me e a pele é somente madura.

Modo Imperativo


O teu corpo é um parêntesis recto
erecto
que pontuo ao sabor da minha
boca
Brinco com o lume que separo por
vírgulas
e percorro cada esquina sem
reticências ...
É o nosso acordo ortografado
onde as consoantes são
mudas
e as vogais se precipitam
em ditongos de
prazer
Não há lugar para interrogações
apenas preâmbulos e
imperativos

Finalmente chega o calorzinho!

16 agosto 2011

Como dançar tango, salsa e merengue





Intervais

Escrevia eu há uns dias em comentário: “É que os "intervalos" fazem tanta falta ao sexo como os espaços e vírgulas fazem a um texto. É o momento de, a par da recuperação da "fome" e do fôlego, rir, descontrair, comunicar, trocar ideias, aferir preferências, e traçar o plano de ataque para o assalto seguinte... não vá uma pessoa, no calor no momento, esquecer-se de alguma coisa importante... (Acho que vou escrever um post sobre isto…) “

E pronto. Aqui estou. O raio é a extensão do tema, e esta minha paixão pela síntese… De maneira que, atacando à cajadada pelo menos uma dúzia de coelhos de uma só vez, alertando para trilemas, quadilemas, obstáculos, acordos, disputas, etc., demonstrando por A+B que a tradição já não é o que era, e o que devam ser regras elementares de respeito, humor, e bom senso, entendi por bem abordar a questão simulando uma sessão abreviada de três assaltos protagonizada por um casal de leões muito brincalhões. Note-se que, como qualquer pessoa poderá depreender, é um exemplo apenas, isto é, um “prato” improvisado para o efeito, entre um conjunto inumerável de ingredientes e de receitas possíveis, a determinar em função do momento e dos gostos dos respectivos intervenientes.

1º Assalto
- Então, e o que é que queres fazer? A mim apetece-me começar por lamber-te…
- Ooohhhhhhhh… Apetecia-me mais que me fodesses a boca… e ir batendo uma um bocadinho… para aquecer…
- Mas és sempre tu a escolher primeiro?? Afinal quem é que manda aqui?? Está bem, vá… não quero que te falte nada… Então vai lá chupar, que eu já te fodo…
(meia hora depois…)
- Estou doido para entrar por ti adentro…
- Ooohhhhhhhh… Só mais um bocadinho… Vá, só mais um bocadinho… só mais uma vez… está a saber-me tão bem… E também me podias pôr o dedo na cona, assim como eu gosto… Mas não vale fazer batota! Que não me quero vir! Essa coisa do “vem-te”, “vem-te”, tem que acabar!! Está aqui uma mulher à beirinha a fazer de tudo para se aguentar… não vale “empurrar”, hein?
(um quarto de hora depois…)
- Estou doido para entrar por ti adentro…
- Oh, pá! Mas eu estou morta. Vim-me tanto... Eu avisei-te!! Não valia “empurrar”!! Tu abusas!! Agora o melhor é fazer um intervalo…
- Está bem, querida. Mas na próxima volta mando eu e tu ficas caladinha…

Meia hora depois: 2º Assalto
- Então e agora começamos por onde?
- Bem… eu por mim repetia, mas num modelo mais abreviado para saltar à fase seguinte, o que achas?
- Tens uma lábia, tu! Mas está bem… eu adoro foder-te a boca…
(meia hora depois…)
- Fode-me! Fode-me! Que já não aguento mais…
(meia hora depois…)
- O que queres, querida? Queres que levante os bracinhos um bocadinho? Mas queres-te vir?
- Não. Não. Vir-me não! É só porque me apetece… E não vale fazer batota, está bem?
(um quarto de hora depois…)
- Intervalo? Que achas?
- Pois… é melhor…Custa um bocadinho sair daqui… mas é melhor, senão ainda morremos… ahahahahaha

Meia hora depois: 3º Assalto
- Adoro quando me acordas com a cona na boca…
- Ainda bem… porque eu ainda não descobri outra maneira de te despertar… ahahahahaha
- És terrível! O tesão que tu me dás! Já viste como já me puseste a picha tesa?
- Pois… já vi… e até estava a pensar aproveitar para abusar um bocadinho… pode ser?
- Claro, minha querida. Usa. Abusa. Que depois vou eu abusar de ti…
- Então agora vou eu para cima foder-te, agarrar-te pelos cabelos e dar-te beijos… Posso?
- Tu podes tudo. Eu fico quietinho. Sou todo teu. Fazes de conta que sou o teu brinquedo…
(meia hora depois…)
- Estás toda suada… Já pensaste como te queres vir?
- Oh, pá… não sei… Já há tanto tempo que não me venho a bater uma enquanto me esfrego na tua boca… tenho saudades… Mas não. Acho que não resisto ao clássico…
- Então queres que te foda…
- Pois… E tu? Como te queres vir?
- Bem… a mim apetecia-me uma mamada daquelas “pequeninas”…
- Está a apetecer-te um duplo, é? ahahahahaha
- E também me podias pôr a cona na boca…
- Lá estás tu a inventar! Na mamada mando eu, e tu estás quietinho! Mas afinal quem é que manda aqui?? Dou-te a cona à boca se quiser, se me der jeito, se me apetecer, estamos entendidos?? :)
(Posto isto, espero que toda a gente tenha compreendido a importância e a função da pausa…)

Das notas

Das tuas notas faço um poema
e do poema escancaro
as portas de mim;
posso entender-me
- enquanto eu -,
na voz que de ti emana.
Os sons ultrapassam-me
e eu deleito-me no teu corpo.
Se me cantares, mais uma vez,
eu sei que te terei
para sempre.

Poesia de Paula Raposo

A vaca decorada da minha colecção


15 agosto 2011

Edito Estrelas - Do Léxico Porno (Tomo I)

Um dos termos a que achei mais piada de entre os vários que a pornografia inventou é aquele que se aplica a mulheres maduras, quarentonas e cinquentonas: MILF.
A MILF é aquela mulher com o perfil típico das fantasias teenagers, a tia do amigo, a mãe do amigo, a professora de História ou a cabeleireira do bairro, boa como o milho e com o ar experiente que tanto alicia os mais sedentos de aprendizagem.
Contudo, a MILF também é uma aposta certeira para os que não tendo tanto para aprender gostam da aplicação prática dos conhecimentos adquiridos, do intercâmbio de sabedoria que, regra geral, só uma mulher menos jovem faculta.
Mas acima de tudo a MILF é uma gaja boa e essas, como é do domínio comum, reúnem com facilidade o consenso de quem aprecia a fruta.
Neste caso não é de fruta verde que se trata. A MILF (Mother I´d Like to Fuck – em tradução ligeira pode dizer-se que é uma progenitora a quem gostaríamos de convidar para um jantar com ceia e pequeno-almoço incluídos) não é necessariamente uma mãe mas tem idade para o ser e isso implica a experiência de vida, a quilometragem que desenvolve os atributos mais chamativos desse segmento com direito a sigla própria, o que por si só diz bem da relevância do papel das MILF na indústria cinematográfica mais naturista e, acrescento eu, na vida da pessoa comum com pila.
Da MILF espera-se o equipamento de série habitual, eventualmente com as marcas do desgaste que o tempo provoca no material circulante (embora a analogia com o sector automóvel seja desmentida, por exemplo, pelo facto de na MILF preferirmos os pneus carecas), marcas essas que são rapidamente descartadas em face da desenvoltura com que a MILF tradicional ataca o problema.
E não há problema algum quando tudo se simplifica por via do saber de experiência feito que uma MILF, por norma, ostenta. Ela sabe o que quer, como quer, quando quer.
E quer imenso, o que a torna num dos alvos mais apetecíveis para quem acima de tudo pretende um desempenho fora do alcance das TEENs (que abordarei noutra ocasião, mas adianto tratar-se de uma designação um bocado chunga e a roçar o pedófilo para as jovens adultas com mais pinta de pitinhas).

Ocaso

Um travo de ti num qualquer tapete
ou chão em que o meu corpo se deite,
eu procuro-te em qualquer amante
que o meu corpo contenha e aceite
e não encontro sequer atenuante,
nada sinto que a memória não rejeite
se estão em mim, sinto-me ausente,
se não estão, tudo em mim te sente;

Vem! Vem! Vem! Não faças caso
de mais vidas que estejam por viver
de mais almas que estejam por apreender,
aceito e submeto-te o meu ocaso,
aceita e entrega-me o teu cansaço,
pendura-o em mim e, passo a passo,
será casaco no meu peito - teu espaço
mangas compridas para melhor te aquecer.

A dança do varão - uma lição


EMBED-Hot Asian Chick Falls Off a Stripper Pole - Watch more free videos

Crises no relacionamento


Alexandre Affonso - nadaver.com

14 agosto 2011

As 10 maiores pérolas do cinema brasileiro

Peça em relevo de Rui Vasquez para a Revigrés

Mais um azulejo muito bonito da minha colecção.

Tradução de viver

Dizem-me que eu já vivia
antes de ti
que, antes de ti,
já me viram ser
e, por isso, posso viver
depois de ti
como antes vivia
antes de ti
mas não, eu não vivia
como podem dizer
que eu vivia
como podem dizer
se, antes de ti,
eu nem sabia
o que é viver?
Viver-te é ser
Dizem que eu já vivia
que já me viram ser
mas como poderia
nunca poderia
dizer que vivia
e que voltarei a viver
se viver-te é ser
e viver e não ser
é uma morte sem morrer.

"Era para ajudar na subida, senhor doutor!"

crica para visitares a página John & John de d!o

13 agosto 2011

Flower Power



Foto: Shark


Estás sozinha num campo deserto onde de repente começa a chover e cada gota é a semente de uma flor das muitas que crescem agora em teu redor e mesmo sob os teus pés.
Estás sozinha mas olhas para cima e vês a razão desse aguaceiro no teu coração, alado pelo amor que lhe é dado por ti, em cada olhar, em cada beijar de lábios molhados de pétalas e cabelos com o mesmo cheiro das flores que te envolvem agora num abraço forte que te dou.

Êxtase

Um olhar, ternura,
um beijo, línguas,
adrenalina.
Madrugada, gritos,
silêncios, poema,
êxtase.
Entoamos a canção
do sempre querer,
soletramos o que não sabemos:
entendemos o princípio
deixado para o fim.

Poesia de Paula Raposo

Quem não gosta de gelados ponha o dedo (ou algo similar) no ar


Joya Nestle from Gravity on Vimeo.

Revista Miriam - número sobre o namoro (1962 - 2ª edição)

Miriam - publicação mensal de orientação religiosa e órgão do culto de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Número sobre o tema do namoro.

Só um excertozinho, das 112 páginas:
"O sentido sagrado do amor no namoro e no matrimónio não pode ser colocado em subir pelas escadas do templo, entre grupos de fotógrafos, com um vestido rico e de muita cauda - insulto muitas vezes ao amor e ao pobre."
Um dos artigos tem como título "Uma palavra estrangeira - «o Flirt»" em que se conclui que "não basta, portanto, suprimir a palavra, é preciso banir também o costume estrangeiro que a introduziu."

12 agosto 2011

Tragédia na Praia do Meco

A vítima, um nudista brincalhão que se tinha deitado na areia depois de um mergulho, resolveu brincar com a sua companheira meio mouca e muito distraída e quando lhe disse querida, toma lá que é um croquete ela terá percebido querida, come lá que é muito crocante.

O Tapete

Foi uma cena de filme: dois indivíduos param o automóvel, abrem a mala, tiram com algum esforço um grande tapete enrolado e atado com uma corda em volta, que parecia embrulhar qualquer coisa com a forma de um corpo, e lançam-no, com inesperado à vontade, às águas acastanhadas do Tejo. Fizeram-no com tal descontracção que quem viu a operação – atletas de fim de tarde, namorados de principio de noite e velhos babosos interessados em ver as atletas e as namoradas (e um que via os atletas e os namorados) – ficou espantado mas sem acreditar verdadeiramente no que via.
E, quando os dois homens se meteram no carro e se afastaram calmamente, os mais esclarecidos e os menos distraídos com as atletas que continuavam a correr e com as namoradas que continuavam a passear – o que apreciava os atletas e os namorados não pensou em nada, ou melhor, censurou os homens por deitarem fora um tapete com tão bom aspecto e uma corda nova – procuraram câmaras de filmar e tomaram atenção para ouvir um “corta” gritado. Só que nada aconteceu, ou melhor, aconteceu o que tinha de acontecer da forma mais prosaica que seria imaginável: o tapete afundou-se e desapareceu, os homens sorriram a quem os olhava e seguiram sem deixar rasto, matrícula ou algo que ajudasse à sua identificação e os atletas continuaram a correr, os namorados a namorar e os velhos (alguns não eram assim tão velhos) continuaram a tomar atenção aos corpos em que estavam interessados.
Para variar, a polícia chegou um pouco depois, o que causou um certo burburinho e expectativa entre os presentes, reconheça-se, mas o agente vinha buscar um dos velhos que, sem mostrar os genitais, se masturbava e gritava palavras de incentivo quando as corredoras passavam – as palavras eram de incentivo ao seu acto e não aos dotes atléticos das corredoras, o que, provavelmente, provocava os indignados telefonemas anónimos efectuados por vozes ofegantes para a policia – e, por isso, o burburinho e as expectativas esmoreceram e desapareceram logo que o agente em vez de se dirigir ao rio se dirigiu, como habitualmente, ao velho indecente.
– Ó Artur, pá, sabes bem que tenho uma grave micose na virilha – resmungou o idoso, justificando-se sem tirar a mão direita de dentro das calças quando o agente o abordou.
O agente riu-se e, agarrando-o cuidadosamente pelo braço esquerdo, disse-lhe:
– Vamos lá embora, senhor Anselmo.
O velho levantou-se e, após um longo suspiro, murmurou:
– Estava quase, pá. Quase! Hoje é que era…
– Mas porque é que você grita, homem?
– É mais forte do que eu – reconheceu o velho onanista encolhendo os ombros. O agente sorriu, condescendente. Picado pelo sorriso, o velho ergueu o braço e num gesto largo que abarcava todos os mirones resmungou injustiçado: – E eles?!
– Eles não gritam – informou lacónico o agente, abrindo a porta do pendura do veículo com o dístico de “Escola Segura” para o velhote entrar.
O velho aceitou a resposta, que sabia ser verdadeira, pediu ao agente que o deixasse em casa e contou-lhe a estranha história de dois tipos que levavam um tapete na mala do carro e que, sem mais, o tiraram do carro com esforço, porque o tapete estava pesado e parecia enrolar qualquer coisa, e depois o deitaram ao rio mas o agente – tal como vocês – não acreditou.

C'um Carvalho... ou dois!


A malta da Tuna Meliches é danada para a brincadeira!

Lighthouse Brewing: A celebrar raparigas a tocarem-se sensualmente umas às outras desde 1998

11 agosto 2011

Pornografia

Decidi escrever sobre este tema, não só por se tratar de um assunto deveras interessante para os fãs do cinema para adultos, mas também porque sempre me ensinaram a falar apenas sobre aquilo de que percebo. Há diversas observações a fazer acerca deste tão complexo tema, das quais escolho, para começar então, os títulos dos filmes para adultos. Acho que todos já se aperceberam que enquanto os filmes dramáticos ou cómicos têm sempre títulos desinteressantes e secos (ironia), os títulos dos filmes para adultos são sempre de colar qualquer um à capa, já para não falar da forte curiosidade que despertam em nós de os assistir. Em contraposição ao “Pianista”, temos, por exemplo, o “Canalizador”, onde o canalizador vai a casa da rapariga para lhe tratar dos canos, mas se por um lado desentope um deles, acaba por entupir mais qualquer coisa antes de se vir embora. De forma semelhante, da mesma maneira que temos o “A Vida É Bela”, temos também o “A Vida Da Bela”, onde esta leva, vamos lá, uma bela vida. Há também os célebres casos dos filmes que ficaram para a história como o “A Casa Ficou Blanca”, o “Menino de Pau Duro”, “O Rei Porcalhão” e “O Padrasto”.

Outra coisa a salientar nos filmes para adultos (para além das que já se salientam nos mesmos), são os nomes das actrizes. Faz parte da alínea c) do artigo 13º do protocolo dos Actores Crescidos, o facto de todas as actrizes terem que ter um nome começado pela letra K. Seja ele “Kassandra”, “Karina”, “Katia Vanessa” ou “Karmen”, tem, obrigatoriamente, que começar pela letra K.

Partindo para outro aspecto da indústria (uma vez que “partir” e “rebentar” são palavras-chave dentro da mesma), parto então agora para a história de um filme destes, propriamente dita. Há três tipos de filmes pornográficos: há aquele em que há uma turma de sete ou oito alunos, em que uma das alunas é rebelde, usa saias ao xadrez, curtinhas e justas às coxas, camisa branca, semi-transparente, sem deixar espaço para os mamilos respirarem, sem soutien e cuequinha de fio-dental, onde o professor a faz ficar na sala, depois da aula, a dar-lhe uma lição porque ela se portou mal; há aquele em que a cheerleader vem mais cedo do treino para o balneário, toda transpirada, e o professor de Educação Física, por acaso, estava lá à procura de qualquer coisa que deixou cair; e há aquele que começa com uma música de Jazz Fusão, enquanto uma latina toma banho na cabina de duche, de salto alto e porta aberta, enquanto esfrega, com água, a mesma parte do corpo repetidamente até escamar. Há, também, que questionar o facto de os actores comunicarem entre eles as deixas para entrarem em cena. Como é que será que o actor sabe o momento em que tem que entrar em cena? Será que eles combinam um código entre eles? Do género, ela passar o polegar três vezes seguidas no mamilo esquerdo e ele pensar “Ok, é agora”? E depois o pormenor do salto alto no duche! Eu preciso de usar o tapete de banho antes que escorregue e mande um tralho, mas esta menina, só para mostrar quem manda ali, não só toma banho sem tapete como também o faz com tacões de quinze centímetros em cada pé.
E da mesma maneira que eles têm que decorar os sinais para entrarem em cena, têm que decorar o texto do guião, que é complicadíssimo, também.

Para finalizar, queria só fazer a distinção entre um homem e uma mulher enquanto vêem pornografia. Enquanto o homem está mais atento a olhar para as maminhas da actriz, a namorada dele está mais preocupada na decoração do cenário, e a questionar-se se o sofá onde os actores se encontram foi adquirido no Ikea, e se ficará bem na sala dela.

vintage lesbians

fonte: tumblr

Devia...

Devia ter-te agarrado bem,
bem no meio das minhas coxas,
fincado os pés nas tuas costas.
Devia ter parado esse teu vai-vem,
esse erotismo triste,
triste,
sulcado de um eminente ir,
ficavas num eterno vem,
num constante vir.
Devia...

Teste rapidíssimo de Língua Portuguesa

Achas que dominas a Língua Portuguesa?
Então faz este

(ficheiro em PowerPoint)

Para quem não tem PowerPoint, deixo aqui a versão em PDF (Acrobat Reader)

10 agosto 2011

E que tal cada galho no seu macaco?

Como já devem ter percebido por alguns dos meus desabafos sou uma pila sensível e delicada, para além de hirta e firme quando toca a reunir.
Ora aqui há dias ouvi o coiso agarrado a mim a rir e tentei perceber do que falava, pois para além dos predicados acima também sou, como as melhores pilas, dotada de um refinado sentido de humor.
De resto, ainda ontem no urinol de um restaurante uma pila me contava que abraçou a carreira de palhaça porque sempre que as coisas agarradas às passarinhas a olhavam desatavam a rir e foi assim que a tal pila, nada curta de vistas, percebeu a sua verdadeira vocação e agora conta anedotas a todas as pilas que encontra. E eu, olhando para a minorca, percebi a piada toda da situação.
Por isso tentei perceber de que tratava a galhofa entre os coisos e com franqueza não lhes achei piada nenhuma, pois estavam alegremente a debater onde é que teria sido melhor nascer-lhes uma piroca, como se houvesse sítio melhor do que o real e, pior ainda, como se fossemos nós a nascer neles e não o contrário.
No meio da risota, a maioria defendia que na testa é que era bom, mas outros até se atreviam a sugerir as mãos ou os pés! As mãos ou os pés? Então e a pila andava aí a pisar tudo quanto é porcaria e (aí até dava jeito a algumas, coitadas) a ganhar calo? Ou a mexer em coisas sujas como o dinheiro e outras porcarias em que os coisos agarrados a nós chafurdam?
Às tantas chegou a vez do meu apêndice dar a sua opinião. E não é que o cabrão afirmou a pés juntos que bom era mesmo ter a piroca no queixo? Como se fosse uma barbicha badalo?
Como é possível que um coiso a quem tenho dado tantas alegrias onde estou possa achar que eu estaria melhor à vista de todos, ao pendurão como um chispe?

Pois eu acho é que o coiso agarrado a mim de cuja boca só saem disparates, essa verrugona, ficava melhor atarrachado aos tomates. Ou enfiado pela carola numa...

(Agora, com a fúria, varreu-se-me.)

No supermercado São?

Qual liberdade, marionetas?

Livres?
Nem os animais são livres!
Só é livre quem
não tem estômago.
Enquanto o nosso corpo
gradear a vida
para a manter dentro de nós
para que o coração
continue a palpitar
para que o sangue
continue a fluir nas veias
a vida há-de vingar-se
por a fazermos prisioneira
por a usarmos para animar
a nossa pobre carne
e continuará
a fazer de nós
escravos da nossa própria fome.

Filipa VaconEros ensina a fazer um cupcake bem feminino

09 agosto 2011

«Meus olhos rasgam-se nus em ti.
Nu plácido desta página, o teu olhar é um incêndio que procura arder nas minhas savanas!...»


Luisa Demétrio Raposo

Há gajos que apenas têm um par de tomates no cérebro e uma pila a palpitar no peito enquanto o coração lhes bate nas cuecas. - by Charlie


- Padre, conheci-o na Tierra del Fuego, alí mesmo ao pé do Estreito de Magalhães. Ele é tão sedutor que cativa qualquer mulher num piscar de olhos ... aconteceu comigo e com centenas de lorpas e nos próximos anos, até ficar senil, caduco e impotente, acontecerá certamente com outras tantas, espalhadas pelos cinco continentes. Este Homo Erectus, à solta no mundo globalizado, é um perigo.
- Interessante, tive um paroquiano que apresentava a mesma sintomatologia mas o caso presente parece-me mais uma vítima da globalização. Provavelmente é viciado em Marketing Geográfico Estratégico e colecciona mapas com bandeirinhas. Simultaneamente, mantém-se em laboração contínua e faz pesquisa para escrever as memórias, subordinadas ao tema “TripAdvisor Global Fucking Genesis. É obra de Satanás ... esse homem orgasma-se a snifar planisférios.
- Mas eu sou católica e entendo a poligamia, travestida de poliamor, sem mútuo consentimento, uma situação abominável quando existe afecto, amor e partilha. No entanto, confesso que é simultaneamente um precedente motivador na medida em que todas NÓS, que lhe passámos pelas mãos, sonhávamos ser as eleitas, conscientes que teríamos as competências necessárias para contrariar o que está previamente estabelecido naquele cérebro compulsivo e diria até, patológico.
- Em suma, a mensagem que ele pretende transmitir às “potenciais clientes” é que largou a “fast food” para se dedicar exclusivamente ao prazer gourmet de degustar uma mulher única, inteligente e completa como a menina. Mas sabe que, mesmo com uma dieta eficaz, há sempre a tentação dos demónios proteicos, comercializados pelas multinacionais da indústria alimentar.
- Padre, se eu quisesse consultoria de culinária, em vez de me confessar, assistia a um workshop do Chakall.
- Minha querida, segundo as antigas escrituras, qualquer mulher ou homem pode ser vítima ou predador. Pelo que sei, no caso presente, ele passou de predador a vítima pois a estratégia de clandestinidade foi completamente desconstruída pelos atropelamentos e tropeções nos objectivos. Deus Nosso Senhor é grande e omnipresente...
- Embora possa soar paradoxal ou fatalista, a única garantia de um final feliz para um GRANDE amor, é interiorizar que o móbil do nosso desejo e admiração, sempre teve, tem e terá a covardia de ter despertado simultaneamente o amor em várias mulheres, sem nunca ter tido a intenção de amá-las. Estamos perante um aldrabão profissional, hábil desconstrutor da lógica emocional e malabarista das palavras que nos fode o corpo e a alma.
- Parece-me mais um caso de fé ... metaforicamente, podemos compará-lo aos feriados católicos. No ano em curso, há três ou quatro que são fixas e as restantes são móveis, consoante o calendário gregoriano.
- É um doente mental, até teve duas hérnias inguinais...
- Vê? Não era homem para si ... a menina vende saúde e ele não passa dum genérico rasca, fabricado num laboratório artesanal dos PALOP. A esta hora, está de quarentena com uma hérnia penial, um aneurisma na língua e míldio nos tomates. Para ser comido, só com grandes doses de sulfatagem, por se tornar um perigo para a saúde púbica.

Ancas

Gosto dos teus braços
caídos sobre mim,
das tuas pernas
enjaulando as minhas ancas;
gosto de ti, assim:
quando sem palavras,
enterras a tua vida
no ondear subtil de mim.
Aí, o horizonte - ainda -
é azul.

Poesia de Paula Raposo

Príapo, sempre satisfeito!

Esta é uma das peças mais seguras da minha colecção, mesmo sendo em barro.

08 agosto 2011

A posta nas decisões marginais


Descobriram meia dúzia de armas, provavelmente pertencentes a um filho emigrado, em casa de uma sexagenária e o juiz entendeu aplicar-lhe prisão preventiva.
O autor confesso de andar a fotografar miúdas nuas entre os oito e os doze anos de idade, alunas da escola onde o bandalho era o porteiro, e que possivelmente terá abusado de algumas crianças foi igualmente apanhado e o juiz aplicou a prisão domiciliária.
Se a medida em causa é uma espécie de bitola do grau de gravidade da violação da lei e for consensual que é melhor estar preso na própria casa do que numa penitenciária qualquer é fácil perceber que para os tribunais é mais ameaçadora para a sociedade uma sexagenária com armas em casa, mesmo não sabendo sequer como usá-las, do que um badalhoco que não hesita em usar a sua, a função de porteiro numa escola, para se aproveitar de crianças no deleite bizarro de qualquer porco com sérias perturbações mentais.
Aqui parece-me existir uma dúvida no ar: ou a pedofilia não é uma doença e os bandalhos devem ser encarcerados, sem excepções, para protecção das crianças ou, antes pelo contrário, estamos perante um problema de saúde pública e a pessoa doente deve ser de imediato confinada a um hospital psiquiátrico.
Por outro lado existe também a dúvida acerca da regulação da balança que a Justiça deve simbolizar, pois o peso parece pender de forma sistemática para o lado oposto daquele que o senso comum da população aponta.
Não gosto da ideia de a minha vizinha do segundo ter o guarda-fatos atulhado de espingardas, admito. E gostaria que os agentes da autoridade lhe confiscassem tal mercadoria para segurança de todos, embora seja inadmissível para mim vê-la presa por guardar pertences de outrem, sobretudo de um filho a quem custa sempre dizer não e no caso concreto até pode estar em causa o instinto maternal de evitar complicações legais à sua cria.
Contudo, a ideia de ter um vizinho qualquer, pedófilo assumido, “aprisionado” na sua fracção do mesmo condomínio onde mora a minha filha é simplesmente insuportável e só fico a torcer para que se tal acontecer ninguém me identifique o canalha.
A opinião de um cidadão vale o que vale, mas esta é a minha.
A Justiça em Portugal parece estar a viver um período de desnorte que se reflecte na própria conduta pessoal de alguns juízes e de aspirantes à função mas se faz sentir de forma estrondosa nesta divergência crescente entre as decisões dos magistrados e a sensibilidade da população que ali representam.
E qualquer defensor do Estado de Direito não pode, a menos que se queira enganar a si próprio, fazer de conta que não sabe que ao desacerto e à brandura excessiva da Justiça acaba por corresponder um aumento exponencial da probabilidade de se multiplicarem os casos de justiça pelas próprias mãos que, mais do que pela sede de vingança, nascem pela necessidade de percepção de segurança para a qual as decisões estapafúrdias e desadequadas constituem uma das mais concretas ameaças.

Placebo de paixão

E eis que vejo
que a lado nenhum pertenço,
sem nada meu, apenas este desejo
sempre demasiado intenso,
esta fome de saudade murcha.
Saudade de quê? Saudade de quem?
Não tem alguém, não perde ninguém,
não pinta, só mancha.
E eis que vejo e prevejo
o vazio imenso em mim a crescer,
pois que tanto me despejo
que nada me pode encher,
esta febre de vontade queima.
Vontade de quê? Vontade de quem?
Não aquece ninguém? Não aquece alguém,
não arde, só chama.
E eis que me vejo
lasciva, um corpo de mão em mão.
Amantes? Um cortejo,
são placebo da tua paixão.

Quem disse que a Matemática não é nada erótica?

A divina proporção, ou razão de ouro, caracteriza uma relação de dimensões que provoca uma sensação de agrado e equilíbrio.
Foi frequentemente utilizada na arte, em particular no Renascimento.
É definida algebricamente como:


Aqui está um belo exemplo desta relação:


(esta imagem em ponto grande)

Fonte: The United Persons
E para tarados pela Matemática, como o engenheiro Lourencinho, que me enviou isto: Metamath Proof Explorer

"Os sacrifícios não vão ser suaves"



HenriCartoon

07 agosto 2011

Consulta no ginecologista

Corpo de madeira

Eu não posso escrever poemas
eu não escrevo poemas
só algumas meras linhas
com algumas, umas poucas, rimas
que formam um corpo inerte
apenas um corpo inerte
como um Geppetto que, por amor,
(só por amor)
molda o seu Pinóquio de fria madeira
e triste, sozinho, espera
que lhe chegue a vida, o calor,
pediu-os, à noite, a uma estrela cadente.
Mais, eu nem sequer posso pedir
vida para o corpo das minhas linhas
não é coisa que se peça, o vosso sentir
ou bem que sentem, ou bem que não sentem
os olhos do peito alheio nunca mentem
e o corpo do meu boneco de madeira,
frio, sem vida, espera
entrar, pelos olhos, num peito
apenas dessa maneira
será vivo e poema completo
o filho destas mãos de Geppetto.

«Nem tudo o que parece é» - por Rui Felício


O Calado, o Estrela, o Serginho e eu, já estávamos em Mira há uns dias no Parque de Campismo, naquele Agosto de 1964. Num casarão da vila pernoitava um grupo de jovens francesas com quem já tínhamos travado conhecimento e que às vezes vinham até à nossa tenda ao final do dia, para conversar, beber uns copos e ouvir umas violadas que o Calado e o Estrela tocavam a acompanhar fados de Coimbra.
Era o prenúncio, o início de futuros namoricos de verão em que a praia de Mira era fértil na época de veraneio.
Na tenda ao lado, que dela parecia fazer sua residência habitual, estava um sujeito carrancudo e triste, talvez dos seus quarenta anos, que nos cumprimentava pela manhã, quase de fugida e com quem nunca chegámos a estabelecer nenhuma aproximação ou contacto mais chegado. Fosse pela sua idade ou pela sua patente timidez, as conversas entre nós resumiam-se aos protocolares bons dias ou boas noites de manhã e ao anoitecer.
De soslaio, às vezes reparávamos como ele nos observava quando as francesas abancavam à entrada da nossa tenda, denotando um ar de pena, ou se calhar de inveja, por não ter a seu lado, como nós tínhamos, uma daquelas miúdas joviais, bem dispostas e bonitas.
No silêncio de certa madrugada, o Calado acordou-nos, fazendo-nos sinal com o dedo junto ao nariz, para não fazermos barulho e escutarmos os ruídos que vinham de dentro da tenda do nosso estranho vizinho.
Ouvíamos a voz cava e rouca sussurrada do homem, em gemidos e palavras ininteligíveis , e, para nosso espanto, uma voz feminina corresponder-lhe com sons guturais, entrecortados por repetidas exclamações de “Je t’aime” e “mon amour”.
Olhámos espantados uns para os outros em silêncio. Nem queríamos acreditar que aquele homem desinteressante, algo antipático e excessivamente tímido e envergonhado estivesse com uma miúda francesa na tenda, aparentemente a fazerem amor! Para mais, naquela época, em que passar além de uns fugazes beijos era quase inconcebível!
A verdade é que o que estávamos a ouvir era indubitavelmente a voz grossa e cheia do homem, que aliás já bem conhecíamos, e a delicada, doce e inconfundível voz feminina de uma mulher jovem. Francesa, por certo, a avaliar pelas interjeições que por vezes conseguíamos identificar.
Ficámos de atalaia até ao alvorecer. Queríamos ver a miúda sair da tenda. Mas qual quê!
O homem saiu, deu-nos os bons dias e foi à sua vida. Quando ele desapareceu por entre o arvoredo, espreitámos e não havia nenhuma mulher dentro da tenda!
Viemos a saber dias mais tarde que o homem actuava em festas de aldeia.
Era ventríloquo e engendrou aquela teatrice para nos fazer crer que também ele era capaz de engatar uma miúda...

Rui Felicio
Blog Encontro de Gerações