31 dezembro 2011

Será em 2012 que teremos boas notícias para a nossa colecção de arte erótica?

ABSINTOS [Dois Pénis Empinados]

(...) um pénis epavoa ranhuras de um ânus colecionado em incensos purulentos. Um par de sombras em círculos engomados no silêncio dos pintelhos nus onde cios estelares entram e auscultam a vagina dum chão delirante. Os moinhos cordilheiros em falésias transformam as confidências excêntricas e antecipados da insaciável mutabilidade de um cativeiro epidérmico onde tridimensionalmente ambos os desvãos balançam em transições destemidas...

as mãos em gomos fundeiam a cabeça e os anseios abocanham nas palavras o litoral fertilizado das mós giratórias do desembarcadouro.

invertidos, os pólos espiam o mais indule dos lancinantes pensares. Os lábios imponentes do Pénis em brasa na demarcação embalada. Ilimitada. Incandescente. Rastejante. Magnetizado. Aborígene como todos os Pénis são, quando iluminados na cordoagem fatídica de um pénis forquilhador num rio aceso nas alfaias exaltadas da erótica Vagina. Aos pares os dois misturam insubordinações vigilantes no cavalgar amplexo que emancipa os sexos negros batedores que libertam as circunferências das madrugadas silenciosas no sémen líquido em gemas libidinosas que escorrem sobre a gravidade de um lençol pêndulo.

orgíaca eterna de um tesão fresco nas espirais das púbis negras onde ascendem rizomas reservadas ao corrimento interno das ereções migratórias de um Pénis inexpremivelmente encastoado sobre ogivas pontilhistas e incessantes...

Absinto, seguidamente o tempo viúvo do espaço fluvial das nómadas e multiplicadores rugidos extintos no sémen fascicular das nádegas colas em álamos perseguidas e abotoadas...

Absintos, gigantescos nas florestas pubianas num do outro nu outro manuscrito lastro onde eclodem mordeduras e miragens...! (...)

Luisa Demétrio Raposo

Visita guiada ao motel mais exótico do Brasil

«Ai, muito me tarda o meu cu na Guarda»

Já vos tinha aqui falado desta pequena estatueta «cu da Guarda», da autoria de Daniel Martins, artista da Guarda e que o David Caetano me ofereceu no 16º Encontra-a-Funda.
Aqui, deixo-vos uma visão dos quatro lados da peça, que está agora na minha colecção... virada para Espanha, como convém:




Postalinho de um moliceiro de Aveiro

"Olá São, já conheces esta imagem?!
Um abraço!
Paula de C."

30 dezembro 2011

Márcia, farta dos silêncios dos últimos dias, sentou-se no sofá ao lado de António e interpelou-o mais uma vez, agora directamente sem rodeios nem meias palavras, fê-lo numa difícil conjugação de sentimentos com modos ásperos e ar aborrecido mas num tom compreensivo e disponível:
– Mas afinal o que se passa contigo, Tó?
António olhou-a de relance, engoliu em seco, encolheu os ombros e sussurrou apático: – Nada – voltando a fixar-se na televisão na esperança que a conversa não chegasse a arrancar.
– Nada?! – O semblante de Márcia endureceu mas, após o “nada” dito num tom mais consentâneo com as faíscas no olhar, a voz voltou a ser macia e agradável: – Tu não falas, não dizes nada. Andas a cair pelos cantos com cara de enterro. – A mulher ajeitou-se no sofá, virando-se mais para ele, e pousou a mão na sua perna esquerda, levando a que ele tornasse a olhá-la e que os olhares se cruzassem. Ela aproveitou: – O que se passa, António? É comigo?... É connosco?
Ele apreciou-lhe os olhos que chispavam dando ao castanho-amendoado ainda mais fogo e cor, reparou no ligeiro arquear das sobrancelhas que lhe dava um ar tristonho mas suplicante e nas pequenas rugas nas comissuras dos lábios que só surgiam quando ela estava tensa e séria. António parecia inocentemente embevecido quando se fixou nos lábios carnudos sem serem grossos e esqueceu as comissuras ou o arquear das sobrancelhas. Ela sentiu o olhar e sorriu. António, que adorava sentir-lhe os lábios e o que ela lhe fazia com eles, temeu que ela percebesse a volúpia no seu olhar e baixou os olhos que, “ó martírio!”, ficaram presos no decote dela. Adorava o que ela lhe fazia com as mamas. “Grisolete”, pensou António, sem saber como se escrevia ou sequer se o termo realmente existia e engoliu um sorriso por suspeitar que, se o mostrasse, o teria de explicar.
– Não, Márcia, não é nada contigo – disse António a meia voz, olhando para a janela da sala. – Nem connosco.
Márcia gostou do tom contido da resposta e do olhar esgazeado que ele lançou para a rua, apertou-lhe a perna com os dedos como se lhe quisesse transmitir força e depois acariciou-lhe o joelho.
António esperava que a mão lhe subisse pela perna. Adorava o que ela lhe fazia com as mãos. Esqueceu o decote, as mamas e a grisolete que, concluíra com mágoa, estava fora de questão e, até, os lábios, mas, sentindo a mão no joelho, pensou em tirar imediatamente as calças, que era o que lhe apetecia; só não o fez por julgar que era prematuro e, provavelmente, contraproducente. “Tenho de ter paciência,” pensou. “O joelho é um mero apeadeiro”, e riu para si.
– Mas, então, o que se passa? – insistiu Márcia, sem afastar a mão do joelho, sentindo que ele não ia continuar a falar.
– No outro dia percebi uma coisa – disse António, sério e compenetrado, ainda que não conseguisse deixar de pensar porque é que ela não lhe largava o joelho e não lhe subia pela perna acima. – Uma coisa em que nunca tinha pensado antes e de que só me apercebi há dias – continuou ele lentamente, fixando-se na mão dela que tentava puxar telepaticamente mais para cima, sem sucesso. Frustrado, esqueceu-se do que estava a dizer e calou-se.
Márcia suportou o silêncio enquanto conseguiu; percebeu que o estava a fazer muito para além do habitual mas quis respeitar-lhe o ritmo. Não o queria apressar ou pressionar. Esperava uma confissão dorida ou a exposição de qualquer coisa séria que o atormentava e, sabia-o por experiência própria, era necessário que a pessoa que se expõe possa fazê-lo nas suas condições, nos seus termos, seguindo os seus próprios ritmos e sentimentos.
Continuaram calados: ele a olhar para a mão, ela a olhar para ele.
– E? – Lançou Márcia num murmúrio respeitoso, na dúvida entre o temor de que o momento tivesse passado e o medo de estar a ser precipitada.
Alheio às dúvidas de Márcia, António dividido entre a decepção dos seus malogrados esforços telepáticos e a enumeração fantasiosa das virtualidades que um poder desses podia ter para melhorar a sua vida sexual que o “E?” subitamente interrompeu, respondeu sem pensar, num tom ressentido e com expressão naturalmente aparvalhada: – E, o quê?
Márcia tomou o tom e o ar de António como a resposta à sua precipitação: ele precisava de mais tempo. “Os homens são assim”, pensou. “Precisam sempre de mais tempo.”
– E… – Márcia falava com ar compungido como se pedisse desculpa. “Coitados!” – O que é que percebeste no outro dia?
– Ah! – António esquecera-se mas relembrou-se e anunciou tristemente: – No outro dia é que percebi que já ninguém me pergunta o que quero ser quando for grande.

Fruta 54 - melhor que 1, só 2

Photobucket

Como remover a censura das manchas de pixels


Anunci Naturisme from Projecte NUCAT on Vimeo.

É multifunção

E quem não gosta?



Tão bom dormir nesses travesseiros.

Capinaremos.com

29 dezembro 2011

O Sexo Pornográfico da Guerra

Há alguns meses, recebi um convite da revista «The Printed Blog Portugal» para escrever um artigo para o nº 3 da revista, tendo a guerra como tema.
Escrevi um texto e enviei uma versão com 2.000 caracteres (limite que definiram), juntamente com uma ilustração.
Como esse nº 3 nunca mais sai, deixo-vos aqui o meu texto, na versão completa:

O sexo pode ser pornográfico?!
Pode! Não devia... mas pode.
Sendo a guerra uma das maiores obscenidades, frequentemente usa a sexualidade como arma, tornando-a assim indecente, repugnante, suja e vergonhosa.
Desde o início da humanidade que existem o estupro e a subjugação sexual. Nas primeiras “tribos” da pré-história, eram os líderes que mantinham relações sexuais com a maioria das mulheres do grupo. E os jovens de pequenas tribos só podiam procriar quando “conquistavam” fêmeas de outras tribos em batalhas.
Durante as primeiras civilizações na Grécia, Roma e Egipto, o estupro passou a ser visto como um direito dos guerreiros, um “prémio de guerra”. E esta ideia só começou a ser condenada no século XIX.
Vejamos (apenas alguns) exemplos de guerras e massacres em que a violação é usada como arma: na Primeira Guerra Mundial, os soldados alemães utilizaram o estupro para impor terror às populações locais; na Guerra Civil espanhola, os nacionalistas pintavam nos muros: “Morreremos talvez, mas as vossas mulheres darão nascimento a crianças fascistas”; em 1937, cerca de 20 mil mulheres foram estupradas e mutiladas em Nanking, no início da ocupação japonesa na China; na Segunda Guerra Mundial, houve violência sexual nos campos de concentração... e quando ocorreu a tomada de Berlim pelos soviéticos em 1945, estima-se que entre 20 e 100 mil mulheres teriam sido violadas; no Vietname, segundo testemunho de veteranos, o estupro de vietnamitas era “procedimento operacional padrão”; em 1971, na Guerra da Independência do Bangladesh, terão sido violadas entre 250 mil e 400 mil mulheres; na luta pela independência de Moçambique, em meados dos anos 70, mutilações e violências sexuais cometidas pelos guerrilheiros aterrorizaram a população civil; durante as ditaduras militares na América Latina, nas décadas de 70 e 80, o estupro era uma das práticas de tortura sistemática e as agressões sexuais não se restringiam às mulheres pois também homens, militantes de esquerda, foram metodicamente estuprados e até castrados; na Indonésia, soldados mobilizados em Timor violaram as mulheres diante dos seus maridos e dos seus filhos; durante a invasão do Kuwait pelo Iraque, em 1990, calcula-se que mais de 5 mil kuwaitianas tenham sido violadas; no Ruanda houve, pela primeira vez, uma condenação internacional pelo crime de genocídio e a violência sexual foi reconhecida como um dos actos desse crime; na Guerra dos Balcãs, teve-se pela primeira vez conhecimento de um projecto estatal incentivando o estupro em “campos de violação” como forma de “limpeza étnica”; no Iraque, houve estupro de mulheres muçulmanas por soldados e mercenários norte-americanos, abafado pelos media; na Nigéria, outras mulheres sofreram o mesmo massacre, em nome da Jihad; na Libéria, as agressões sexuais do tempo da guerra civil iniciada em 1989 são ainda praticadas; na Serra Leoa, soldados do governo e rebeldes têm raptado e escravizado sexualmente mulheres e meninas, estimando-se que cerca de 80% delas contraem doenças sexualmente transmitidas…
Para evitar estupros em massa, é frequente criarem-se prostíbulos nos territórios ocupados. Já os exércitos romanos eram acompanhados de grupos de prostitutas. Com a proliferação de doenças venéreas apareceram, para as prevenir e combater, novos fármacos e a generalização do uso do preservativo. Diz-se por aí que as bonecas insufláveis foram um projecto de Hitler, em 1941, para proteger as suas tropas das doenças sexualmente transmissíveis que se disseminavam nos bordéis e para evitar a “mistura de raças”. A fábrica onde seriam produzidas essas bonecas ficaria situada em Dresden, cidade que foi bombardeada pelos aliados.
Muitas das agressões sexuais são silenciadas. E as próprias vítimas inibem-se de as revelar, por vergonha e medo.
Mas, em cenários de guerra, a sexualidade é afectada também indirectamente: casamentos forçados, troca de favores sexuais por protecção ou para sobrevivência, aumento das relações fugazes e de gravidezes não programadas,…
Como vêem a guerra, usando como uma das suas armas o sexo, torna-o pornográfico. E defender a sexualidade da sua utilização abusiva é uma causa pela qual vale a pena lutar. Mas...

... guerra?! O que a malta quer é... Paz! Paz! Paz!

São Rosas
Blog «a funda São»

Fontes: documentos consultados na internet e alguns dos 1.700 livros que fazem parte da minha colecção de arte erótica.

Frases do Ricardo Esteves - humidade sindical



ejamart - "Há agora uns higrómetros muito bons, que detectam a origem da humidade..."
São Rosas - "Os melhores higrómetros provocam-na..."
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Julia, Olga, Yana e Anne promovem uma marca russa de bicicletas

O "O" corado




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27 dezembro 2011

Eva portuguesa - «A rejeição dói»

"Sei que defendo (e mantenho) a postura de que não me importo que me condenem pelo que faço, pois na hora de pagar as contas ninguém me ajuda.
Bem... isto é verdade e não é...
A verdade é que a rejeição dói!
Dói quando somos rejeitados por quem nos é próximo; e também dói quando o somos por alguém que nem conhecemos!
Em última análise, todos gostamos e precisamos que nos compreendam e gostem de nós...Gostamos que a nossa família nos ame, que os nossos amigos nos aceitem, que a senhora do supermercado mostre alegria por nos ver; que o senhor da farmácia nos cumprimente com entusiasmo; e até que o taxista que vimos agora e que provavelmente nunca mais encontraremos, simpatize connosco e nos trate amavelmente...
E, por muito que tentemos enterrar isto bem no fundo de nós, a rejeição fosse por quem fosse, já nos magoou... quando éramos pequenos e o primo mais velho nos achava uns «catraios» e uns chatos e não queria estar connosco; quando queríamos brincar na escola mas os nossos amiguinhos já tinham um grupo ao qual não pertencíamos; quando a rapariga mais cool não nos convidava para a sua festa de anos; quando aquele rapaz de quem todas gostavam fingia que não ouvia quando tentávamos falar com ele...
Ninguém gosta de ir no seu bairro e ouvir cochichos à sua passagem... ninguém quer entrar no elevador e os vizinhos virarem a cara...
Esta é a verdade!...
Nós queremos e precisamos de agradar e ser agradados.
Nós queremos e precisamos que gostem de nós.
Nós queremos e precisamos que sintam a nossa falta.
Nós queremos e precisamos que falem de nós com simpatia, alegria e carinho.
E, se assim não fosse, porquê a necessidade deste blog?...
Porque eu preciso que vocês me conheçam melhor, me aceitem, me compreendam... no fundo isto também é uma forma de tentar fazer com que gostem de mim...
... Porque ser posta de parte magoa...
... Porque a rejeição dói... muito!..."
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

Mamas grandes dão mesmo muita arrumação



Frases do Ricardo Esteves - com esta está no papo



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A trabalheira que me deu conseguir este copo de leite da vaquinha...

... da Ritzenhoff, que estava esgotado. Como é possível?! Parece que dá leite que nunca mais acaba...
A minha colecção não passa sede.

26 dezembro 2011

«conversa 1863» - bagaço amarelo

Ela - É estranho, divorciei-me mas sinto-me no auge das minhas capacidades sexuais.
Eu - É natural, tens trinta e três anos. A maior parte das mulheres começa a ser melhor na cama a partir dos trinta, mais coisa menos coisa. O divórcio não tem nada a ver com isso.
Ela - Achas mesmo?
Eu - Acho, mas é só uma opinião e vale o que vale...
Ela - Às tantas até me divorciei por causa disso mesmo.
Eu - Disso mesmo?
Ela - Sim, acho que tinha uma vida sexual frustrada, assim sem grande prazer. Agora que me sinto mais preparada não posso continuar com o mesmo namorado de sempre...
Eu - Ele não tem culpa nenhuma de ter começado a namorar contigo muito antes dos trinta...
Ela - Pois não... mas tem culpa de ter agido como um cavalo quando a mim não me apetecia nada ir para a cama com ele.

bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Carina, praticante de naturismo na «Colina do sol», no sul do Brasil


Carina, ecstasy of existence from Projecte NUCAT on Vimeo.

Vénus subaquática



Via Underwater Passion

Atletismo não é tão legal

Pelo menos o masculino.





SANTO CRISTO!

Capinaremos.com

25 dezembro 2011

«Silent Night Rave» - música de Natal (nada tradicional)

O espírito do Natal

Crica para veres toda a história
Saturnália


1 página

oglaf.com

Fruta de Natal

O Pai Natal nu existe!


Nada como este clássico do Raim (que tem estado em mudanças mas um dia destes aparece, porque "o Raim também nu existe") para comemorar o espírito do dia. Oh! Oh! Oh!

Esta e outras t-shirts exclusivas d'a funda São estão disponíveis aqui.

O Pai Natal e a bengala de açúcar


copyright www.TundraComics.com

24 dezembro 2011

Isto sim, é uma árvore na tal!



Via Watermeloncolya

«conversa 1866» - bagaço amarelo

Ela - O Natal é bom é para as crianças, pelo menos aquelas que acreditam no Pai Natal.
Eu - Também acho.
Ela - Se ele existisse mesmo é que era fixe... com esta crise!
Eu - Sim, se me desse um bacalhau e uma garrafa de Porto, ficava-lhe grato.
Ela - Ah! Não estava a falar dessa crise. Estava a falar da minha crise.
Eu - Qual?
Ela - O que eu pedia ao Pai Natal era uma noite de sexo.
Eu - Ah!
Ela - E tu?
Eu - Por essa ordem de ideias não lhe pedia nada, a não ser que ficasse bem longe de mim.
Ela - És sempre o mesmo.

bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Buon Natale a tutte le ragazze (Bom Natal a todas as raparigas)

Postalinho Na Tal...

"Toma lá, Sãozita, com votos de boas festas aqui da minha terrinha."
Chupista

«No presépio» - Álvaro Cartoon



José Pinto Carneiro - Argumento / Alvaro - Desenho

23 dezembro 2011

O Cometa

Vera entrou em casa, viu as chaves de Manuel dentro do cinzeiro em cima do móvel da entrada e gritou enquanto caminhava à procura dele:
– Um planeta. Um planeta!
Manuel, sentado em frente ao portátil pousado na mesa da cozinha, viu Vera entrar, lançar a mala para cima da mesa e, em silêncio, ouviu-a repetir num sussurro sentido:
– Um planeta!
O homem coçou a sobrancelha esquerda num tique nervoso e permaneceu sentado e calado à espera da explicação para os três planetas que Vera lançara desde que entrara em casa.
Vera abriu a mala e procurou, no meio do caos e da matéria negra que se concentrava aí dentro, o seu telemóvel.
Manuel passou as pontas dos dedos da mão direita pelo queixo, suspeitava saber do que estava ela à procura e de onde lhe provinha a fúria mas permaneceu calado e expectante, tendo confirmado as suas suspeitas quando ela lhe mostrou o telemóvel como se o objecto fosse, só por si, uma acusação incontestável. Manuel só não conseguia perceber de onde vinham os planetas.
– Sabes o que é isto? – Perguntou Vera agitando o telemóvel. Manuel anuiu com a cabeça. Vera continuou: – E para que serve? – Manuel repetiu o gesto. Vera acrescentou com desprezo: – Bem me parecia que era só por não me quereres ligar.
Manuel juntou as mãos em cima da mesa e entrelaçou os dedos.
– Nem uma mensagem, foda-se! – Recriminou Vera, largando o telemóvel em cima da mesa ao lado da mala. – Nem um miserável sms…
Manuel pensava numa desculpa que, na realidade, nem lhe apetecia dar. “Não me apetecia falar e sms é para meninas.” Manuel riu para dentro: “Ou para enviar a meninas.”
– Não dizes nada?! – Vera esperara por uma das desculpas esfarrapadas com que o companheiro a costumava brindar e que a enfureciam mas, ao mesmo tempo, a divertiam; a ausência de desculpa era uma novidade para a qual não estava preparada. Puxou uma cadeira e sentou-se, olhando-o fixamente como se, assim, lhe conseguisse arrancar uma resposta.
Manuel esperou, olhou para os dedos que movia sem separar as mãos, e esperou que ela voltasse a mexer no telemóvel. Nervosa, Vera desviou o olhar e tocou no telemóvel, fazendo-o girar. Deixou-o parar por si e agarrou-o. Sem levantar os olhos das mãos, Manuel sorriu. Fechou o sorriso e perguntou:
– E o planeta? O que era o planeta?
Vera uniu as mãos com o telemóvel lá dentro. Sérgio dava-lhe valor, mimava-a. Ligava-lhe para lhe dizer que se lembrara de si por coisas insignificantes e mandava-lhe mensagens dúbias com segundos e terceiros sentidos que a faziam corar e rir como uma adolescente. “E, no entanto, é este parvo que me tem. Que me come.” Sérgio era um satélite. Uma lua que girava em torno de si. “Um planeta. Eu sou um planeta…”
– E tu pensas que és o sol – concluiu Vera, sem mais explicações.
– Eu penso que sou o sol?
– Sim, pensas – concordou Vera – mas não és.
– E o planeta, és tu?
– Sou.
– E eu sou o sol – Manuel sorriu luminosamente; sentia-se assim.
– Não – atalhou Vera, com cortante secura –, não és.
O sorriso de Manuel extinguiu-se. Vera estudou-lhe o rosto, invulgarmente tenso, e sentiu uma estranha leveza, um bizarro e surpreendente bem-estar. O telemóvel vibrava-lhe nas mãos sinalizando a recepção de um sms.
– És um cometa – disse Vera a sorrir. – Um cometa brilhante, que nos alegra as noites e nos assombra os dias… – Vera sentia cócegas nas palmas das mãos e sorria – mas que se vai. – Manuel olhava-a em silêncio com ar estranho, algo alucinado. O telemóvel parou de vibrar. Vera concluiu, sem contemplações mas ainda tranquila: – Um cometa que brilha como o sol e que nos engana e que depois nos maravilha…
– Que nos alegra as noites e assombra os dias – repetiu Manuel que gostara da frase.
– Sim mas que se vai e no fim deixa apenas um rasto que se vê durante algum tempo mas depois se perde e se esquece…
– Até que volta.
– Tu não és dos que volta.

Fruta 52 - pôr do sol patrocinado pelo patrão

Photobucket

[Foto: Gregory Prescott, Isaac]

Truque para convencer os homens


Check out these boobs! from nienaut on Vimeo.

Argumento convincente

Convencer um homem a fazer alguma coisa não é tão difícil assim.




Na verdade é muito fácil, quando se tem peitos.

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20 dezembro 2011

Eva portuguesa - «Caçada!»

"São muitas as vezes em que me perguntam se não tenho receio de ser «caçada»; de alguém do meu mundo real descobrir esta minha outra vida...
Ora bem, à partida a minha resposta é sempre Não. Não, porque também ninguém me pergunta se tenho comida em casa ou dinheiro para pôr na mesa... ninguém se dispõe a ajudar quando preciso... ninguém me convida para eu ter sítio onde dormir com o meu filhote... ninguém me questiona se tenho dinheiro suficiente para sobreviver... e sobretudo para sustentar o meu menino.
Após a invariável pergunta de «já arranjaste trabalho?» e a resposta negativa de minha parte, a resposta é: «pois... está difícil!...»
A minha vontade é rir-me na cara destes falsos preocupados e gritar-lhes: Onde é que vocês pensam que eu tenho ido buscar dinheiro para me sustentar e a uma criança?! Idiotas!
E confesso que racionalmente é isso que penso. E até hoje também era isso que sentia... Até hoje, porque hoje fui «caçada» por aquele que é o meu melhor amigo há 20 anos... e fiquei... muuuuuito sem graça!...
Senti-me exposta, falsa, uma fraude!...
E atenção que estamos a falar de uma pessoa que me conhece muito bem,que não é uma falsa moralista e que eu sei que jamais me prejudicaria!...
Não nasceu em mim um sentimento de receio mas sim de vergonha!
Hoje foi a primeira vez que senti vergonha daquilo que faço...
Hoje senti culpa...
Mas depois... ele envia um sms à Eva em que diz: «Cada dia que passa admiro mais a mulher extraordinária que és!»...
E assim, de repente, percebi que, pelo menos neste caso, até foi bom ser «caçada»... relembrei o verdadeiro significado e valor da palavra amizade... e amei ainda mais este Homem que, sendo uma pessoa bem sucedida e pai de família, conhecendo-me desde pequena, compreendeu, sem eu lhe ter explicado o porquê da Eva, o valor e veracidade da mulher que está por detrás dela...
A esse enorme amigo dedico este artigo «caçada»."
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

«Oh, my God!» - uma comédia sobre a cura da histeria e a invenção dos vibradores

Frases do Ricardo Esteves - amor em apneia



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«Cancioneiro do Bairro-Alto» - uma pérola literária de 1864


O título completo é «Cancioneiro do Bairro-Alto - collecção de chistosas poesias de um autor patusco offerecidas a certas meninas que fazem certas coisas» e tem como local de publicação Cadiz (decerto inventado) e a data de 1864.
E como soube eu da existência deste livro? A «Apenas Livros» publicou-o agora, em edição facsímile (reprodução exacta da edição original). E está à venda por apenas € 10. Muito bem empregues, digo eu.
O meu exemplar já está na minha colecção... e vai servir certamente de base a futuros encontros d'a funda São.
Deixo-vos um comentário do nosso Jorge Castro, que também já tem este «Cancioneiro»:

"É coisa de ir às lágrimas: 146 páginas do melhorio (em contraponto ao piorio).
A temática poderá, talvez, apresentar-se, logo no preâmbulo, através da seguinte quadra:


De caralhos lambões adorno a lyra,
Que a musa bregeira aqui me inspira;
E que sejam meus versos galhofeiros
Delícia do putedo e dos bregeiros


Ocorreu-me que este poderia ser um prato forte do próximo encontro d'A Funda.
No encontro poderia ser obrigatório (mais ou menos, claro) cada um dizer um poema do livro, à vez, e em esquema de távola redonda, pelo que poucos ou nenhuns se poderiam furtar.
Que me dizes?
Jorge Castro"

Que haveria eu de dizer? Vamos nessa!

19 dezembro 2011

«conversa 1860» - bagaço amarelo

Ela - Foste a Marrocos este ano, não foste?
Eu - Fui...
Ela - Estiveste em algum minete?
Eu - Em algum minete?!
Ela - Sim, aquelas torres das mesquitas... disseram-me que não se pode ir a nenhuma.
Eu - Talvez queiras dizer minarete...
Ela - É isso, vai dar tudo ao mesmo.
Eu - Pois... o problema é que não vai.
Ela - Não vai?
Eu - Não... não sabes o que é um minete?
Ela - É o quê?
Eu - Tecnicamente é passar a língua no clitóris e nos lábios vaginais duma mulher...
Ela - Ah! Caraças...
Eu - O que foi?
Ela - Já sei porque é o meu amigo muçulmano com quem falei sobre isto se estava a rir...

bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Doritos - anúncio do Super Bowl 2011

Brinquedo


Não me posso esquecer de colocar este na carta ao Pai Natal.

Conspiração universal

Às vezes você acha que está com sorte.




Até ter a certeza de que isso não existe pra você.

Capinaremos.com

18 dezembro 2011

Solução para os dois se divertirem



Les Carnets Pornographiques

Chilly Gonzales - «You Can Dance»

«E o espírito de Natal 2011 já fez a primeira vítima!» - Didas

A análise da Didas ao azar do Comandante da Polícia Municipal de Coimbra, que quis desejar um bom Natal aos funcionários da autarquia de Coimbra mas enganou-se no anexo que colocou no mail:

"Ora vamos lá pôr os pontos nos "is" ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Coimbra que obrigou o comandante da polícia municipal a pedir a suspensão por ter enviado a todos os trabalhadores (desculpem se ofendi alguém), durante a hora de serviço, uma mensagem de Natal com conteúdo erótico.
1. Já sabemos quem mandou a mensagem. Agora a malta quer saber quem se chibou às televisões. Se foi o presidente himself é porque já andava com vontade de fazer a folha ao comandante, por isso tinha mesmo que ser; se foi outro gajo qualquer o mais certo é tê-lo feito por inveja ao ordenado de boss da polícia, muito mais convidativo a um natal feliz que o de operacional.
2. A malta também quer saber se quem se chibou às televisões o fez ou não dentro da hora de serviço.
3. A malta (pelo menos aqui na padaria) não percebeu o conteúdo erótico da mensagem. As gajas seminuas (foi o que ouvimos dizer na reportagem) parecem saídas do catálogo do Centroxogo no carnaval, o que é mais de fugir do que erótico. A mensagem propriamente dita é do mais sério. Vejam bem, o homem deseja a todos os colegas, para 2012, "relações sexuais incríveis"! Não deseja pinadas, nem cambalhotas, nem quecas. Deseja "relações sexuais", assim mesmo com linguagem de médico. "A senhora tem que usar esta pomada antes de ter relações sexuais", por exemplo, querem coisa menos erótica do que isto?
4. A ser suspenso, o bacano devê-lo-ia ter sido por razões bem diversas. A saber:
4 a) Por ter feito um PPS. Isso sim, é criminoso. Se for um daqueles em que as letrinhas vão aparecendo uma de cada vez já merece no mínimo pena de prisão efectiva, e se tiver anjinhos com glitter ou ursinhos agarrados a corações XL (o que desconhecemos) é pena máxima - 25 anos. Se no final disser que deverá ser reencaminhado para dez pessoas para provar que se é amigo do mandante é pena máxima e 50 chibatadas.
4 b) Por ter desejado "que trabalhes muito". Há pessoas que não reagem bem a esse tipo de provocação e até são capazes de se sentir mal e ter qualquer coisa má.
4 c) Por ter desejado que "te paguem bem". A seguir ao conselho que o nosso primeiro nos deu hoje para pouparmos é a peça de humor negro mais enjoativa que ouvimos nos últimos anos e deve ter posto a maralha toda a pensar "Vai mas é gozar o c..."!



Moral da história, meus amigos: Deixem-se dessas m*rdas de postais de Natal e concentrem-se em não serem apanhados na curva."
Didas
blog «Farinha Amparo»
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A pedido de várias famílias (unipessoais), aqui está o PowerPoint sacrílego.

Kama Sutra - mais um jogo de cartas na minha colecção

Até sempre, John & John!

crica para visitares a página John & John de d!o


Eu e John & John, foi mais que amor à primeira vista: foi sexo ao primeiro olho.
O seu autor, o holandês d!o, foi sempre um cavalheiro: autorizou-me a publicar tudo aqui.
E, um dia, autorizou-me até a usar dois desenhos seus para t-shirts d'a funda São:




Contrapartida para estes miminhos? Apenas quis que lhe enviasse alguns exemplos de artesanato erótico de Portugal, o que eu fiz há um ano.
O livrinho «John & John - part 2» faz parte da minha colecção, com uma dedicatória que me deixa toda molhadinha:



Depois de 799 historinhas de banda desenhada do John & John, mais de 480 das quais traduzi e publiquei aqui n'a funda São, o seu autor, d!o, pediu-lhes para fazerem uma pausa. Definitiva ou não, nem ele sabe. Mas vamos ter saudades.