16 dezembro 2010

há dias...

há dias
em que tudo o que quero
é dizer-te que te amo

é sentir a tua boca,
a tua língua...


há dias
em que tudo o que quero
é sentar-me no teu sexo
enquanto me enlaças...

é sentir o teu corpo,
as tuas mãos
que afagam os meus seios...


há dias
em que és tudo o que eu quero

O João aprova #2



O que eu aprovo aqui é, claramente, o prazer de conduzir. Sou favorável ao prazer da condução!

Para Maiores de Idade

A Sentidos e Sensações - Associação de Promoção e Educação para a Saúde é uma Associação sem fins lucrativos que "visa promover a saúde física e mental, sexual e reprodutiva (...)".
Esta associação criou um audiolivro no âmbito de um "projecto que visa promover comportamentos saudáveis ao nível da informação sobre sexualidade e envelhecimento adequada às necessidades em saúde sexual desta população; e promover o reconhecimento e a aceitação da sexualidade como uma componente de todo o ciclo de vida".
O audiolivro «para maiores de idade» está disponível gratuitamente aqui.
Um forte aplauso!

Primitive


Blaze Starr, famosa stripper, dança a música dos The Groupies

15 dezembro 2010

A posta que foi bom para ti também


Uma amiga arranjava o espaço, eu e um parceiro tratávamos da instalação eléctrica. Bola de espelhos, sequencial, psicadélicas, sirene e, last but not least, uma lâmpada de luz negra que foi um achado pessoal.
Era isso mais o som, sempre um problema, e as mães das amigas, ossos duros de roer.
Mas depois de instalada a festa no espaço, uma sala vazia antes e depois de horas bem vividas, tudo ganhava magia e em pouco tempo, mesmo sem abusar da cerveja, o grupo adolescente isolava-se do resto do mundo num tempo que era só nosso e onde (quase) tudo podia acontecer e ninguém permitia que acontecesse mal algum.

O respeito impunha-se pela amizade que nascia e crescia sem abalos de monta, mesmo os mais atrevidos lá fora adoptavam a prudência como conselheira e avançavam com pezinhos de lã, às vezes resultava e outras vezes ficavam a ver a sorte dos outros quando abriam os olhos a meio de um slow. Sem invejas ou ciumes, os sentimentos de posse não faziam sentido num tempo em que acordávamos acelerados com medo que o dia não bastasse para tudo quanto nos apetecia viver e vivíamos a correr, em busca do pretexto seguinte para aprendermos a ser crescidos, primeiro uns beijos na boca, depois as mãos à solta pelas peles ansiosas de sensações, mas ainda imunes a todos os estragos que depois descobrimos isso acabaria por implicar.
E depois a vida a impor outros caminhos, outros interesses que prenunciavam o surgimento das obrigações inerentes a quem já podia tirar a carta de condução. E depois a vida a tornar menos simples as emoções, a complicar quase tudo aquilo que nos parecia eterno ao som dos Ramones ou das sequências intermináveis de música para dançarmos encostados, para ficarmos emparelhados com a nossa aposta para a ocasião.
Às vezes sim e outras vezes não. Mas sem embaraços ou arrependimentos, sem tristezas ou mais do que ligeiras desilusões, equívocos que sorvíamos por entre o brilho especial de um olhar que não queria afinal dizer atracção mas apenas a vontade de prender a atenção de alguém, de conversar as coisas já feitas e as muitas mais que havia por fazer.
Sem outro sentimento que não aquela proximidade que nos arrastava cidade fora ou mesmo aos arredores para sermos meninas e meninos na fronteira que delimitava uma época de transição, à procura dos nossos limites, de glórias, de anseios, de desejo, de carinho, de sinais que desmentissem o medo de que a borbulha nascida com a manhã não nos tornasse ainda mais feios e desinteressantes do que nos sentíamos quando o corpo parecia desorientado, sem saber como crescer, e os pelos pioneiros da barba tão temida quanto ansiada brotavam na cara como outros cobriam aos poucos as zonas mais privadas que aquele tempo abria ao nosso apelo explorador a surgir.
O sexo apetecido e (a promessa d)o amor a seguir, na bebedeira da emoção.
Às vezes sim e outras vezes não.

O Renascer de Júlia

O nervoso miudinho faz-lhe tremer as pernas torneadas e bonitas como a uma criança virgem. As mãos dele percorrem a sua pele, ora com suaves e sensuais massagens, ora com firmes ímpetos. Pequenas alterações de ritmo induzem suspiros; fazem-na entreabrir os lábios carnudos, firmes, agora incertos a tentarem balbuciar palavras coerentes. Os olhos fecham e as pálpebras cerram apurando ainda mais os restantes sentidos.
De um movimento forte, repentino mas cuidadoso, ele gira o seu corpo; deixa-lhe o rosto a olhar as estrelas e uma total desprotecção consentida estampada no seu físico nu.
Um físico que Júlia estava habituada a ter de roupas caídas - nunca despido como se vê agora.
Mensagem de paixão resulta da linguagem dos seus corpos. Até no derradeiro deleite onde ele observa um sorriso inconsciente num rosto terno de olhos que descansam e reproduzem as mais belas imagens íntimas de si para si. As mãos tocam, os lábios nos lábios, a língua no êxtase do momento; a criar momentos; a fazer amor.

Quase fantasma

Eu tenho algo que quase me dói. Tenho. Que quase me falta, que quase me afasta, é quase uma voz baixa que eu quase ouço. Quase um ruído que, por vezes, quase escapa através do silêncio. Quase um esquecimento, quase uma memória, quase dói. Quase um grito ou uma existência ténue, quase nostalgia, quase saudade, um quase ser que quase nem é. Um quadro negro quase apagado tem quase palavras, quase se lê. Quase tu... Tenho. Não. Nem isso. Quase tenho.


A cura do lesbianismo

É desta que a São vai casar e conhecer membro viril a afundar-se-lhe nas entranhas.



Do Facebook

14 dezembro 2010

é mais uma... vá, é mais um encontro que faz parte do ciclo sobre o amor e a sexualidade


desta feita o tema é o amor platónico. ahhh! havia tanto a dizer sobre isso. o amor ideal. ahhh! o amor pela ideia do amor presente nas 'ssoas.
mas por vezes o amor não é platónico. é plUtónico. e ainda que plutão não seja «tão enorme» quanto o Platãozito, há que lhe reconhecer quadraturas e quicôncios e umas coisas que ando a aprender nas aulas de astrologia. um dia destes conto-vos. combinado?

Coisas de gaja

Tenho um amigo que diz que gosta muito de sair comigo porque as mulheres voltam a olhar para ele.
(Claro que isto é ele a ser um falso modesto, porque é giro que se farta e pode dizer estas coisas)

Tenho a dizer ao gajedo que olha para o P. quando saímos juntos, pensando que está a catrapiscar um tipo comprometido, que:
1.º: ele não é comprometido (lalalalalalaaaa!);
2.º : se ele fosse comprometido, estavam a fazer um papelão, ó galdérias dum raio, a fazer-se ao piso a um fulano que leva outra ao lado, sim senhoras...;
3.º: se ele fosse comprometido comigo, não olhavam para ele duas vezes, que à segunda já tinham o olhinho inchado e não viam a mais de meio palma de distância;
4.º: se ele fosse comprometido comigo (que não é, pelo que estão à vontadinha) e vos devolvesse o olhar de forma não inocente, deixava de ser comprometido e V.as Ex.as ganhavam um compincha para vos emprestar (para porem no olhinho à Belenenses) o gelo com que tenta que o inchaço nos queixos diminua;
5.º: é graças a comportamentos desses, caras meninas, que se diz que as gajas são umas cabras umas para as outras (os gajos fazem o mesmo, mas entendem-se entre eles e, no fim, acabam aos abraços e a beber uns finos, cagando para vocês);
6.º: eu, que sou arraçada de gajo, quando apanho um gajo acompanhado (mesmo que por uma amiga, sei eu lá bem qual é a natureza da relação de um gajo acompanhado por uma gaja) a galar-me, apetece-me ir ter com a gaja que está com ele (amiga ou não) ao WC (sim, ela está no WC ou no bar, este tipo de gajo só olha para as outras quando não tem a madame por perto) e denunciá-lo, incitando-a subliminarmente a dar-lhe cabo dos queixos ou das vistas, conforme os gostos.

E é tudo o que tenho a dizer sobre o assunto.
Mais soco, menos soco.

Águas

Deixo que a noite caia sobre a terra;
que a profunda lucidez se evada:
quero escuridão.

Adormeço na baía
quando os barcos
já se fizeram ao mar.

Se, acaso, acordar
pergunto onde estou.
Não obterei resposta.

Não estou:
talvez tenha estado
navegando as águas geladas
da solidão.

Aí:
regresso à Vida!

Poesia de Paula Raposo

As Caldas da Rainha e a oportunidade... perdida?

Vocês sabem que eu sou confreira da Confraria do Príapo, desde a sua fundação (isto está mal escrito, não está?!) em 8 de Maio de 2009.
Recentemente, o professor José Nascimento, que presidiu à Confraria do Príapo, escreveu o artigo «De Braços Abertos – Garrafa das Caldas » para a «Gazeta das Caldas»:
"Caldas da Rainha é terra de invulgar e distinta riqueza cultural. (...)Apesar das dificuldades e insuficiências, a terra das termas e da cerâmica procura adaptar-se à evolução dos tempos e encontrar novos rumos, conjugando as oportunidades proporcionadas pela modernidade com os elementos mais ricos da tradição herdada. Entre estes, a “Garrafa das Caldas” e toda a cerâmica burlesca de natureza sexual é, sem dúvida, a mais famosa, mesmo não sendo a de maior valor cultural.
Sendo óbvio o cariz sexual e paródico desta cerâmica, entretanto alargada a outros materiais, já não é tão consensual o seu carácter erótico, ou até mesmo pornográfico. Tal dever-se-á ao facto de não ser clara a definição destes conceitos, nem rigorosa a sua utilização corrente, permitindo todo o tipo de interpretações. Entendo este défice conceptual e representação polémica como uma oportunidade para o debate e o esclarecimento. Na verdade, esta notória tradição das Caldas da Rainha carece de estudo e investigação apropriados, designadamente sobre as suas origens, natureza, características, objectivos e evolução, merecendo maior atenção por parte das entidades autárquicas, académicas e associativas do concelho. A 1ª Mostra Erótica-Paródica das Caldas da Rainha, realizada há cerca de um ano pela Confraria do Príapo, deu uma importante contribuição para esse desiderato.
Uma breve passagem pelos dicionários diz-nos que o erótico se refere à expressão sexual do amor ou do prazer, quando afirmada de forma sensual, artística ou simplesmente significativa, por vezes até ilícita e libertina, tendo em vista excitar ou satisfazer a libido. Por sua vez, o pornográfico cobre um leque alargado de manifestações sexuais, desde as coincidentes com o erótico até às propositadamente explícitas e obscenas, com fraco ou nulo mérito artístico, em grau que atinja o pudor, a moral ou os costumes, causando um intenso desejo sexual ou uma forte repulsa (ou ambos, ocorrendo então uma dissonância cognitiva). Como se vê, estas definições não são claramente delimitadas e, também por isso, não merecem generalizada concordância.
Parece-me que a representação fálica da “Garrafa das Caldas”, intencionalmente caricatural, tem cabimento na intersecção das duas categorias, com objectivos mais de paródia e provocação, do que de excitação ou satisfação sexual. Naturalmente que o resultado final dependerá da interpretação artística do objecto fálico ou afim, do contexto ou situação social em concreto e, decisivamente, do significado que lhe for atribuído por cada pessoa. De facto, nem toda a gente tem o mesmo sentido de humor e a mesma relação de cumplicidade ou conflito com o sexo. O essencial, numa sociedade livre e tolerante, é que as diferentes sensibilidades sejam acomodadas, de forma adequada e na medida do possível, permitindo a realização dos legítimos desejos e preferências de cada um. Afinal, a sociedade é isso mesmo, um mosaico de personalidades, valores e estilos de vida.
A “Garrafa das Caldas” é o símbolo de uma tradição que merece ser defendida e apoiada. Dela podem beneficiar muito mais a cidade e o concelho, os artistas, os artesãos, os comerciantes e a população em geral. Além da reputação que possui e do interesse que desperta na opinião pública nacional e internacional, esta tradição pode proporcionar o desenvolvimento de uma economia interessante, geradora de postos de trabalho e bem-estar social. Por aquilo que me é dado ver, a generalidade dos caldenses tem orgulho e apoia este seu património histórico, sobrando aqueles que, por razões que só eles verdadeiramente conhecem, se lhe opõem ou o desprezam. A esses, gostaria apenas de dizer que, em matéria de obscenidade, é muito mais reprovável o comportamento elitista, arrogante e hipócrita de alguns, do que a representação grotesca de um dom da natureza, ao qual devemos a nossa existência e com o qual lidamos todos os dias, com maior ou menor benevolência."
O Paulo Moura, outro confrade, deixou lá um comentário:
"Caro confrade professor José Nascimento,
Partilho da sua preocupação mas receio que a «classificação» da louça erótica das Caldas como sendo paródica é perigosamente redutora.
Espero dentro de algum tempo ter concluído o estudo «Religião e culto fálico na região Oeste», do meu amigo Carlos Almeida, para que possamos entender as origens pré-históricas e as vicissitudes por que os rituais de fertilidade passaram ao longo dos séculos, com especial destaque para a «guerra santa» feita pela igreja católica.
As Caldas – e toda a região Oeste – têm uma envolvência há milhares de anos considerada mágica. As águas curativas das termas… Fátima…
O falo das Caldas não é paródico. Essa componente paródica é muito recente (poucas dezenas de anos) e, em minha opinião, tem a ver com uma forma inteligente que os artesãos das Caldas adoptaram e mantêm para conseguir fazer passar o seu artesanato pelas malhas da Censura (antes do 25 de Abril) e da censura social que se mantém nos nossos dias.
Também por isso, sempre defendi que se deveria mostrar, nas Caldas da Rainha, que os rituais de fertilidade e a arte/artesanato eróticos existem desde há milénios e em todas as partes do mundo. Isso só valorizaria ainda mais os méritos da «louça das Caldas». Mas receio que a Confraria do Príapo, assim como a Câmara Municipal das Caldas da Rainha, optem por uma solução mais «caseira».
A minha colecção, muito provavelmente, irá para outra cidade. Tenho pena."

Que pai nunca enganou um filho?


Webcedário no Facebook

13 dezembro 2010

A posta que nunca, ou mesmo depois


Palavras finais deixadas por dizer no caminho interrompido sem uma despedida sequer, agora sem sentido algum.
Quem de dois tira um com a certeza de que depois ainda sobra metade para completar um todo que restar viável entre as cinzas da desilusão.
A vida continua enquanto o coração não parar de bater, congelado, pela exposição ao frio que entra por todo o lado, pelas feridas abertas no interior (que a fachada está sempre um primor), apenas mais uma facada para encaixar com a dignidade possível, a aparência sofrível de um orgulho que se tenta preservar por detrás de uma história diferente para contar a quem afinal nem interessam os pormenores.
Palavras finais quando acabam os amores ou outro tipo de ligações daquelas que pressuponham emoções ainda que sejam fingidas, para que não fiquem defraudadas as ilusões criadas por quem arrisque apostar.
Quem de um tira dois com a ideia de que resolve com essa panaceia um problema que mal consegue identificar, mais fácil deixar cair tudo aquilo que não se compreenda, simplificar ao máximo uma vida que no mínimo é sobrevivida porque a realidade passa o tempo a fugir pelos atalhos da verdade que se quer encobrir e esse aspecto dificulta a secagem de um verniz que é quanto baste para se parecer feliz como um sorriso insistente, talvez, presumidamente, traduz.
Palavras finais no escuro, com falta de luz nos cantos onde jazem escondidos os tempos mal investidos ao longo de um caminho que termina de forma abrupta, arrumadas na prateleira das coisas esquecidas, a única maneira de as impedir de poderem um dia servir de peso na consciência, o preço da arrogância de quem se acredita capaz de moldar alguma espécie de paz que possa viabilizar uma nova tentativa frustrada à partida pela falta de vontade de mudar tudo aquilo que se possa revelar prejudicial no futuro que se impõe tal e qual o padrão pré-definido, com o final planeado por inerência na mais do que provável ausência de qualquer tipo de esforço ou de fé.
Palavras finais, deixadas por dizer até ao dia em que passou tempo demais para serem ditas com o efeito desejado, o preço a pagar ignorado porque a factura só chegará amanhã ou depois.
Quando apenas restar a palavra jamais.

Capítulo

Abri o livro, quis reler o último capítulo;
Já tinha acabado de o ler, mas... antes de passar ao próximo, quis recordar as mais marcantes passagens da degustação dessas linhas.
Longo, sinuoso e preponderante no desenrolar do restante enredo, capítulo rico de memórias horrivelmente belas.
Belas na vivência, mágoas da memória.
Ferem...
Fui ler algumas passagens antes de passar ao próximo; Quis memórias vivas para compreender o restante texto; preferia não as ter e começar o seguinte como se de um novo livro se tratasse... ou não.
Quis apenas guardar em gotas salgadas as memórias do último capítulo.

PenetraSões


Klaxons 'Twin Flames' from Trim Editing on Vimeo.

Há uns coraçõezinhos mai'lindos que outros


Crica para veres o coração em todo o seu esplendor

O mundo ao léu



HenriCartoon

12 dezembro 2010

"Palavras leva-as o ventre"

"Palavras leva-as o ventre", que o vento,
esse tonto inteiro, foi namorar a madrugada;
só ele me levará completa, abandonada,
como um ponteiro abandona um momento
ao tempo de um relógio de corda.

"Palavras leva-as o ventre"; eu escuto
e das tuas ouvi um poema, nada
mais simples,a frase assim nascida
do ventre é tão filha do teu peito
que é como eu, só pelo ventre levada.


(Poema para o João Moreira de Sá, pai da frase "Palavras leva-as o ventre". Daqui Umbilical nasceu o poema. Muito obrigada, João! )

«Sétimo Céu» - por Rui Felício


O 61º Festival de Cannes exibiu o filme Sétimo Céu, do alemão Andreas Dresen que me fez reflectir sobre o amor.
De que tanto falamos, sem porém nunca o conseguirmos entender completamente. Ninguém se pode gabar de nunca ter amado. As paixões da adolescência que brotaram de nós, sem explicação, explodindo como verdadeiros vulcões, cortando-nos a vontade de comer, de estudar, de pensar noutras coisas para além daquele intenso desejo que nos despertou os sentidos, que nos fez bater descompassadamente o coração.
Quantas dessas paixões nos levaram a fazer sinceras juras de eterno amor, de antes desejar a morte à perda do ente amado? Quem de nós nunca disse que aquele era o amor para toda a vida? Mas depois, quantas dessas juras não quebrámos quando o entusiasmo inicial arrefeceu? Com a mesma convicção e facilidade com que antes as fizéramos? Ainda jovens, mas mais maduros, estabelecemos uma relação conjugal e convencemo-nos igualmente que ela, essa sim, seria para o resto da vida. Os frutos dessa relação, os nossos filhos, eram a prova da estabilidade, a prova do verdadeiro e tranquilo amor. Julgámos então ter apreendido o verdadeiro significado desse complexo sentimento. O tempo ia correndo, a idade avançando, a beleza física que proporcionava a atracção ia desaparecendo. A vida vivida em comum durante décadas provava-nos, aparentemente, que o amor é muito mais que o fogacho irreprimível da paixão.
Não! Não havia dúvidas! Na nossa sobranceira e sábia maturidade, achámos que finalmente tínhamos percebido que o amor era a interacção de sensibilidades, de compromissos, de estabilidade, de sedimentação de rotinas de vida. É certo que uma ou outra vez sentimos a tentação, a atracção por outra pessoa, mas racional e pragmaticamente achávamos que isso não passava de mero e condenável desejo carnal, que rapidamente se desvaneceria no conforto e na intimidade do lar onde, aí sim, pairava o verdadeiro amor. E afastávamos a tentação, dizendo para nós próprios que essas coisas são próprias dos jovens. Não acontecem aos mais velhos e experientes, calejados pela vida. E com idade para terem juízo...
Este filme mostra que não é assim... Só a nossa presunção nos leva a pensar que o amor não está sempre latente, que a qualquer momento pode romper a crosta protectora que construímos à nossa volta em obediência às convenções que nos regem. Este filme mostra como uma mulher quase sexagenária, mãe de família, sem qualquer razão para questionar o seu casamento de mais de 30 anos, subitamente, sem que nada o fizesse prever, se apaixonou por um homem de mais de 70 anos. Vivendo com ele momentos de intensa felicidade, de verdadeira paixão, ambos fazendo amor como se fossem adolescentes, sem vergonha dos seus corpos já velhos. Antes descobrindo neles a beleza e o fulgor da juventude. O amor é realmente eterno.
E não é apanágio da juventude. Mas continuo sem o saber explicar. E sem compreender porque está tanto tempo adormecido e, num ápice, se pode revelar em toda a sua pujança.

Rui Felício
Blog «Encontro de Gerações»

«Depois de Tudo»

Ficção de Rafael Saar - 2008 - 12 min

Com Ney Matogrosso e Nildo Parente

Ney Matogrosso e Nildo Parente. O que eles mais querem é estar juntos e um dia basta para esperarem pelo próximo.



Link directo para o filme aqui.

Há coisas que não lembram ao diabo

crica para visitares a página John & John de d!o

11 dezembro 2010

A Morte do Brilho

Um destes dias,
quando tentava lembrar-me de mim,
percebi;
Percebi que sepultei o meu brilho algures e,
esqueci.
Foi nesse dia que encontrei a morte em mim.
Procuro desesperadamente o lugar onde o escondi...
Malditos sentidos apagados!
Quero renascer, aquecer e brilhar.
O brilho e Eu morremos em mim;
e um dia, até em Ti irei apagar-me.

Eu gosto de passarinhas

Foto: Shark

Espuma

Que me marque
uma vaga branca de espuma
e o mar deixe o verde odor
da maresia.
Que me lembres
os passos na areia
e as conchas
me ensinem
o que não sei.
Desejo navegar
e perder-me em cada porto
que não encontro.

Poesia de Paula Raposo

É à vontade do freguês


Recompensa


1 página

oglaf.com

10 dezembro 2010

Duo MainTenanT

Nicolas Besnard e Ludivine Furnon (medalha de prata em Paris no 31º «Festival Mondial du Cirque de Demain»), que já fizeram parte do Cirque du Soleil, em actuação ao vivo no programa de televisão «Benissimo» em 2010.

Terça-Feira (Outubro)

Quando escrevo, acredito. Dói-me pois essa incapacidade que agora averiguo, essa venda molhada de silogismos, seca de fé, insultar o oximoro tomando-o por volubilidade, e eu que morro assim quando me inscrevo na ternura fria, na paixão serena, na bradicardia emocionada. Ainda penso no que ficou para trás, vou muitas vezes espreitar só para ver se vive; nunca sei o que faria se me chamasse, até para mim sou imprevisível, eu hei-de perguntar a alguém se sabe o que eu haveria de fazer. Afinal tenho medo de tudo mas não tenho medo de mim e talvez devesse ter. Tenho coisas feias aqui dentro, coisas que nem sempre tento ou sei matar. Acontece alguma coisa bonita e eu logo a vejo a tornar-se feia e sou eu que feia me torno. De bom grado eu diria a alguém que já não sou quem sou faz algum tempo e que me procuro aqui, não sei o que resultará de mim mas as minhas linhas estão um pouco de luto por quem as ajudou a gatinhar. Chegarei a Outubro onde tudo vai mudar, eu sempre soube disso, quem comigo aqui estiver que chegue a Outubro comigo pois é de lá que partirei e só levo comigo quem lá estiver. Eu já sei que sou mesmo estranha, estranhar-me-ia agora se não fosse mas esta felicidade nostálgica é assim, é aquela que nasceu da dor, de todas as dores que acarinho e guardo, as dores são coisa viva e entristecem sem ternura. De boa vontade largaria tudo se sentisse que poderia fazer algo de muito bom mas depois de sentir tudo completo, logo me iria embora e toda a gente que encontro se quer completar. Não me aprendes se me prendes mas podes fazer a cama que eu também queria aprender a encostar-me só um bocadinho sem pousar. De duas respostas paradoxais que precisem de coexistência procurarei o oximoro encerrado na felicidade trágica, na explosão serena, é a resposta terceira que me encontra e me resolve e quando escrevo, acredito; uma resposta estagna a questão, várias são movimento.

Como dormir bem em qualquer lugar

Relógio de bolso Gousset

Mais um relógio que se junta agora aos que tenho na minha colecção.



09 dezembro 2010

Ponto G - Um ponto final na sua interrogação


Já há uns tempos falei aqui de um dos mais populares mitos urbanos, o célebre Ponto G. Na altura não vinha nada a propósito, tal como agora, mas dada a importância que a malta acaba sempre por atribuir a estas coisas da anatomia e do seu manancial recreativo entendi por bem repescar o assunto.
Até porque de política não percebo nada. E de sexo também não, como esta posta ajudará a confirmar.
Do Ponto G salta à vista o facto de se tratar de uma zona específica do corpo (e da mente, arriscaria eu) de uma mulher que funciona, diz-se, como uma espécie de lado on de um interruptor. Ou seja, um tipo dá com aquilo sem querer e a parceira transita de icebergue a vulcão num abrir e fechar de olhos, sendo garantido o prazer absoluto à fêmea em causa. Pura mitologia, portanto.
Todavia, a fé neste mecanismo miraculoso que tantas horas tem ocupado aos mais crentes e laboriosos (tão escassos que correm o risco, eles próprios, de se tornarem tão utópicos como o mito de que vos falo - falo não no sentido erecto da expressão) terá pois um efeito quase imediato na, digamos, predisposição da proprietária desse território mais procurado do que o petróleo no Beato.
Naturalmente, alguns machos da espécie parecem quase obcecados com a descoberta desse santo graal da coisa e concentram boa parte do seu empenho na busca incessante do tal ponto G ao ponto, passe a redundância, de se esgotarem nesse esgravatar sendo essa uma das explicações possíveis para que a duração média de um acto sexual se cifre nos três minutos (subsequentes às três horas entretidas na exploração que mais parece uma procura de unicórnios).
Por outro lado, a estatística associada ao ponto G não favorece os mais fervorosos. De acordo com a informação disponível, e apesar de existirem até diagramas que localizam o dito ponto num local específico no interior da dita cuja - alvo de contestação por parte de quem acha que isso seria fácil demais e por quem até não se importa nada com os esforços dedicados a tal causa, o ponto G não está sempre localizado no mesmo local em cada pessoa. Pior ainda, estamos a falar de uma pessoa do sexo feminino e aí as variáveis tendem para o infinito, como qualquer matemático de pacotilha consegue calcular.
Existe ainda uma corrente que defende uma proliferação de pontos G por todo o corpo, bastando apenas certificar-se o explorador de que nenhum centímetro quadrado fica por sondar nessa demanda pelo botão mágico que transforma qualquer amante num sucesso sem precedentes (estou a rir mas é dos nervos, não levem a mal). Os mais cépticos, no entanto, contestam essa abordagem por considerarem tratar-se de uma versão oportunista (nada feminina, nesse caso) destinada apenas a funcionar como uma espécie de cenoura pendurada diante dos, digamos, menos clarividentes.
Alguns estudiosos deste tema fascinante, nomeadamente os mais dados ao trabalho de campo, reclamaram para si os louros da descoberta deste tão prodigioso eldorado do sexo, embora nunca faltem as vozes oponentes que os acusam de se fiarem em demasia nas manifestações exteriores de satisfação cuja fiabilidade se sabe hoje (como ontem já se sabia) ser sobremaneira questionável.
E se os mais veteranos escarnecem os que ainda se dão a tais trabalhos de pesquisa do que a sua experiência de vida lhes ensina não passar de uma metáfora ou pouco mais, já os mais novos, a geração playstation, provavelmente desistirão do ponto G no momento em que se aperceberem de que nunca irão dispor de um comando à distância para a sua activação.

Digam lá que isto é pornografia! Vá, digam!




Paradoxo


Será que um machadinho chega para um rabão?

Relógio oferecido pelo OrCa ao Nelo

"Em homenagem ao Nelo que, com tanto gajo nu, há-de-se meter ali nas horas"


Crica para alternar entre analógico e digital.

08 dezembro 2010

Tatuagens





«A tatuagem voluntaria tem egualmente sido restringida pela influencia benefica da civilização, encontrando-se, na Europa, quasi sómente nas classes inferiores e sobretudo nos criminosos.»
p. 23
«Emblemas amorosos e eroticos. - O erotismo esprime-se nos nossos tatuados por (...) mulheres nuas de formas rotundas (...) phallus de varias dimensões ou tendo um rosto na glande (...).
Por vezes a phantasia dá a mão á obscenidade produzindo desenhos como o da Est. XXI.
p. 118/119
BASTOS, Alvaro Teixeira
A tatuagem nos criminosos: estudo feito no posto anthropometrico da cadeia da relação
Porto: Typ. Arthur José de Souza, 1903

Porque se eu não souber

E se eu não souber amar-te com palavras
(lindas, certas, raras,
meu amor)
o que hei-de eu fazer?
Diz-me (por favor)
terás tu medo
ou saberás que desde cedo
comecei a aprender
a amar-te em cada gesto
e com o olhar em cada momento
que te vejo acontecer;
porque se eu não souber amar-te com palavras
(todas as que sei que esperas,
meu amor)
como poderá ser?
Diz-me (por favor)
Deixa que te conte um segredo
- eu, que de amor nada entendo -
talvez, então, me reste entender
como amar-te em cada passo
em cada toque, espaço, traço
em tudo o que eu tente ser.
E se eu não souber amar-te com palavras,
talvez tenha de me dar por elas.

Memento

Por vezes procuro no interior de um sorriso a real forma do estar e do sentir.
Olho e contemplo aquilo que o provoca, miragem de felicidade longa, oásis num deserto.
Os momentos jubilados pela carne que toca, soltam suspiros de saudade nas horas de ausência física.
É como olhar a chuva a cair lá fora, protegido pelo tecto da varanda enquanto o fumo do cigarro se mistura com o condensar do calor interior.
O calor sai do corpo e anseio novamente aquecê-lo.
Guardo-o.
Volto a repetir na esperança de nunca sair desta espiral.

É preciso ler bem os perfis no Facebook



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De vez em quando aparecem lá coisas conão são publicadas aqui.
E já somos quase 900.

07 dezembro 2010

O João aprova #1

Começo hoje uma série (porque serão vários, mas se será longa como um falo africano, ou curta, como um falo asiático, é algo que desconheço, ainda) de pequenos posts onde aqui apresento coisas de que gosto. Coisas que me dão, digamos, um certo prazer. Possivelmente nem sempre pelas razões mais óbvias, e garanto-vos que não necessariamente de coisas que eu tenha vivido pessoalmente, ou sequer visto em primeira mão. Como, aliás, ficará patente já a seguir. Aviso, ainda, que não serei nesta série tão literário quanto noutras ocasiões. Poderá acontecer, mas quando acontecer será a excepção, não a regra.
Comecemos.

Aprovo isto!
Não se trata de uma apologia ao sexo anal, prática que - oh clamor! - nunca experimentei. Fruto da combinação entre a ideia nunca me ter seduzido, e nunca ter seduzido as mulheres que comigo se cruzaram. Chego a pensar, até, que não preciso nada da Sodomia para juntar aos meus já suficientes pecados e pecadilhos. :)
Aprovo esta imagem porque me parece absolutamente deliciosa. A sério. Notem. Está um vergalho enfiado naquele rabo e no entanto a menina tem um arzinho que intersecta suavemente a junção do inocente com o maroto. Como se não se passasse nada. Há toda uma aura de extrema compostura nesta imagem que contrasta fortemente com a penetração anal. A roupa não é alheia ao efeito. Goste-se ou não se goste, aquela blusa compostinha e aqueles sapatos que denotam algum cuidado, adicionam a tudo quanto escrevi antes. Oh sim, eu aprovo esta imagem.

Sinto-te

Sinto-te.

Deixo que nasça mais uma flor
uma pétala
uma fugaz ilusão de ti.

Sinto-te - dizes-me.

Acaricio-te a ternura da tua voz
estamos tão longe
às vezes quase perto:
sinto-te.
Digo-te.

Poesia de Paula Raposo

Optimista.

Ameixa ? Ameixa? Só pode ter sido feito por uma mulher demasiado optimista.
Fosse por um homem e seria "bacalhau na brasa" o aroma.

Empresa alemã cria chupa-chupa em forma de vagina

Farta dos comuns chupa-chupas existentes no mercado, uma empresa alemã decidiu inovar atribuindo ao doce um formato, no mínimo, bizarro: em forma de vagina.

A coisa promete...




Webcedário no Facebook

06 dezembro 2010

Edito estrelas

Se porventura calhar ler num livro a seguinte frase atribuída a uma personagem do sexo feminino: estás a foder-me imenso o juízo, dás-me cabo da mona - não parta imediatamente do princípio de que o éme de mona é um erro tipográfico.

Asas Negras - A Filha do Rei

Agora que o ser de asas negras surgiu, e a invocação de almas tornou-se possível na Janela e fora dela, começa a desenhar-se a vontade de relembrar, renascer e recuperar a espada de Teseu e com ela cumprir o que está por cumprir.
Um dia, quando içar as velas brancas a meu Pai, com a filha do Rei pela mão, a espada terá o seu derradeiro significado.
E na união do ternário com o quaternário, a espada desembainhará descartando a prudência e assumindo o que dela há muito se aguarda. Jamais esquecerei a troca das velas. O ser de asas negras nunca o permitirá.

Quando o telefone toca


Oiçam todos oiçam

Homer Simpson fotografado sem maquilhagem!

Com maquilhagem:

Sem maquilhagem:

05 dezembro 2010

O desmentido



HenriCartoon

«Obsessão» - por Rui Felício


Rodrigo era um homem educado, bem vestido, simpático.
Tinha a obsessão da leitura. Fossem jornais, revistas, livros, ou até um simples folheto publicitário. Não desperdiçava nenhum momento disponível para ler o que tivesse à mão, estivesse a andar de metro, a caminhar na avenida, a almoçar, a jantar, a tomar a bica, sentado no sofá, na sanita, deitado na cama, em qualquer lugar.
Na hora do almoço, comia rapidamente uma sandes e enfiava-se na Biblioteca do Campo Grande para devorar mais umas páginas de algum livro que andasse ali a ler.
Foi justamente nessa biblioteca que começou a ler as “ Mil Posições do Kamasutra “, um livro grosso que lhe daria para muito tempo de leitura. A Luisa, empregada da biblioteca, começou a simpatizar com ele e a habituar-se à sua presença diária. Reparou que o Rodrigo, depois de ler e reler aquele livro por duas vezes ao longo dos últimos dias, estava de novo a reiniciar a sua leitura, demorando-se mais tempo nesta ou naquela página que lhe suscitaria, por certo, algum especial interesse.
A Luisa já não disfarçava o fascínio que o Rodrigo exercia sobre ela e começou a imaginar-se sozinha com ele a experimentarem juntos, as posições que o livro ensinava. O desejo dela crescia de dia para dia até que, incapaz de o esconder por mais tempo, encheu-se de coragem, dirigiu-se ao Rodrigo e convidou-o para jantar em sua casa.
Prometeu-lhe que levaria o livro que ele andava a ler.
Combinaram encontrar-se em casa da Luisa, ali para os lados de Benfica, na noite do dia seguinte.
À hora combinada o Rodrigo bateu à porta, a Luisa mandou-o entrar para a sala onde já estava a mesa posta com duas velas e uma garrafa de espumante envolta em gelo.
Com um sorriso educado, o Rodrigo perguntou-lhe se tinha trazido o livro e ela entregou-lho, dirigindo-se depois à cozinha para ir buscar o jantar esmeradamente já preparado.
Durante o jantar, o Rodrigo passou o tempo a ler. Por uma questão de educação, ia respondendo laconicamente, à Luisa, com monossílabos e meios sorrisos.
No fim, ela pegou-lhe na mão e arrastou-o docemente para a cama, ajudando-o a despir-se enquanto ele continuava com a leitura.
Deitaram-se, abraçou-o por trás, beijou-o de leve no pescoço e nas costas, insinuando o seu corpo contra o dele.
Louca de desejo, sussurrou-lhe ao ouvido que já estava toda molhada.
O Rodrigo, com o livro numa das mãos, estendeu o braço, afastou-lhe suavemente as cuecas e passou os dedos no sexo molhado da Luisa.
Voltou à leitura e, pouco depois, estendeu de novo o braço para trás repetindo o toque dos dedos na rachinha inchada da Luisa, fazendo-a estremecer, aumentando-lhe o desejo intenso que a consumia. A seguir, regressava à leitura...
A Luisa disse-lhe, com a voz rouca e a respiração ofegante:
- Meu amor, não pares! Porque paraste?
O Rodrigo virou a cara, olhou-a intrigado e articulou:
- Parei? Parei o quê? Não te entendo!
E a Luisa:
- Paraste de me acariciar, querido! Continua!
- Eu?! Não te estava acariciar! Estava apenas a molhar os dedos para virar as páginas do livro...

Rui Felício
Blog «Encontro de Gerações»

Dos segredos

São mãos quebradas
e unidas sem dedos
meus receios teus medos
mas caem separadas
agora veste-me de cortinas
tecidas de enredos
nas janelas são páginas
de medos teus nossos segredos
aqui as escondo rimadas
em sonhos meus teus anseios
eu chamei-lhes devaneios
tu chamaste-lhes madrugadas.


A posta morna e montes de dominical


Só por uma vez (e foi há tanto tempo que poderia começar esta posta com "era uma vez") caí na asneira de me apaixonar por uma daquelas moças que se declaram completamente desvinculadas da sua paixão anterior mas um gajo até consegue ler nas entrelinhas da insistente negação o despeito ou o desgosto por a dita relação não ter resultado.
Bom, se calhar até aconteceu por mais do que uma vez. Mas todos/as sabemos o quanto a maioria das pessoas sem pila são hábeis em fazer como as bisnagas vira-bicos (sim, também já há muito não existem nos carnavais adolescentes), apontando a boca para o lado do desprezo enquanto o olhar, virado para o lado oposto, se delicia com tudo o que podem absorver acerca dos alegados ex com enorme, porquanto bem disfarçada, sofreguidão.
Isto a propósito de hoje em dia eu me desviar mais depressa desse tipo de pessoa sem pila do que se pira da água fria um gato acabadinho de escaldar.
Nada de bom se pode encontrar no futuro de uma relação cujo presente (toma e embrulha) se constrói nesta óptica da picardia para (re)estimular o alvo que ainda não está assim tão passado e nos transforma por inerência numa espécie híbrida de prémio de consolação com genes de isco para possessivos e gananciosos.
Aprendi essa lição, e acho que até já falei nisso por estas bandas, quando me deixei embalar na canção da coitadinha que o meu ex até me batia e eu odeio-o e agora preciso imenso de colo e de amor para compensar e investi tempo e emoção à toa numa rapariga que acabaria, para meu espanto - era muito novinho na altura, por me trocar precisamente pelo tal bruto que a agredia e me deixou com um desgosto tão grande que levei algumas quarenta e oito horas a apaixonar-me outra vez.
Bom, não foram bem quarenta e oito horas porque logo nesse dia dramático uma amiga próxima foi generosa ao ponto de me acolher no seu regaço para evitar algum trauma que pudesse dar-me cabo do vigor, mas dá para perceberem que uma pessoa fica mesmo abalada com este tipo de experiência tão chocante quanto instrutiva acerca do modus operandi da maioria (enfatizo esta quantificação para não tomarem a coisa por uma generalização) das moças incapazes de deixarem cair o homem da sua vida enquanto não surge em cena o mais adequado para lhe tomar a posição.
Claro que a moral da história não implica que não tenha já incorrido na mesma asneira e não possa vir um dia a tropeçar de novo em cenário similar. Contudo, vestirei nesse caso a pele da vítima de um logro por parte de uma qualquer artista de variedades (por norma variam imenso também nos humores e nos namorados de substituição - uma espécie de assistência em viagem da paixão - que as rebocam emocionalmente até ao dia em que se sentem capazes de nadar de novo nas águas passadas onde supostamente quase estiveram para se afogar).
Nem todas as boas actrizes (e igualmente muita boas, às vezes) pisam um palco a sério e não faltam as que reservam esse talento para se travestirem em sessões privadas para o único imbecil disponível na platéia, sempre sob o olhar de esguelha do tal ex postiço que sempre arranja forma de espreitar a actuação às escondidas no camarote ou no ponto menos iluminado do balcão.
Sim, um gajo também acaba sempre por encontrar refúgio por entre os escombros de uma relação mal sucedida quando percebe que participou afinal de uma competição inquinada pela batota das negações por conveniência. Aliás, é essa a maior das portas pequenas por onde se sai de um filme assim.
Mas fiquem com a certeza de que nessas películas de segunda mais vale abandonar a sala antes mesmo de surgir na tela a palavra fim.

África e os seus segredos...

crica para visitares a página John & John de d!o

04 dezembro 2010

As batotas da Playboy


Está por estes dias a decorrer na Christie's o «The Year of the Rabbit», um leilão de objectos relacionados com a revista Playboy, que inclui algumas fotos originais dos posters centrais das playmates, anotadas com correcções a fazer com PhotoShop: mamilos mais destacados e erectos (em casos excepcionais tinham que ser "suavizados"), curvas das nádegas mais... curvas, nenhum pêlo, nenhuma veia visível, redução dos poros, emagrecimento geral... e por aí fora, sendo a palavra "kill" muito usada ("kill stretch lines" ou "kill veins", por exemplo).
Como referem na página jezebel.com, "a mensagem é clara: mesmo com uma genética abençoada, depois de cirurgias plásticas e dietas, iluminação adequada, um fotógrafo profissional e dúzias de fotografias, até uma mulher de fantasia não consegue ser suficientemente fantástica".
Um caminho manifestamente errado.

Como sou amiguinha, aqui têm três exemplos em tamanho grande para poderem apreciar... as anotações (basta cricar em cada uma das imagens):

Asas Negras

No passado já viste aquele lugar, por entre a porta de vidro vedada. Agora, na sala que se te colocou a envolver, portas de vidro existem onde vês apenas espelhos e relutas em chegar até ao que a transparência te mostra. As portas abrem. E só de olhos fechados. Tudo o que está à vista é menos relevante, menos profundo, pouco ou nada será útil para as criaturas que pairam.
Se agora, de asas negras alguém te muniu, repousa do que te subtrai o essencial e olha as almas que da Janela olham por ti numa invocação nocturna de tranquilidade eterna.

Ruindo

Rio serena
Um dia virás
Indo em mim.

Poesia de Paula Raposo

Há sempre malta a cuscar


Heterogéneo


1 página

oglaf.com

Os reis vão nus



HenriCartoon

03 dezembro 2010

Das tais coisas

Há coisas assim.
Que não avisam, antes de nos abalroarem.
Que nos agarram ao chão que teimámos em abandonar, aventureiros esporádicos.
Que nos fazem mudar de rumo e recusar explicações.
Que nos fazem crescer (nunca mais pára, isto do crescimento?) e andar em frente.
(Sem perder muito tempo, que o tempo é do mais precioso que temos.)

Há coisas assim.
Coisas várias, coisas muitas, que se atropelam, a ver qual delas faz mais mossa.
(Se nós deixássemos.)
Coisas das tais.
Que encafuo no tal canto da minha memória que guarda as coisas de que não me apetece lembrar.
Até ver.

Conto dos pequenos

Hoje não posso responder a ninguém. O homem no meio da sala fala demasiado alto e atordoa a multidão. Tantos eus aqui comigo, tantos. Esta é a imagem da minha confusão. A verdade encontra-me sempre incapaz de acreditar e, ao mesmo tempo, incapaz de me mover como uma céptica. Não me movo. O homem deita-me. Adormeço e acordo deitada, o homem em cima de mim tenta observar a multidão; de vez em quando, estica o braço e pega, meigo, tão meigo, num dos pequenos eus e vai pousá-lo, cuidadosamente, separado da multidão. Dá-lhe um pequeno beijo e pede-lhe que não volte a entrar, que não será bem vindo, que não cabe na perfeição, que está tudo muito melhor assim, que só mais um ou dois como ele e as grades poderão cerrar-se à minha volta e dar-lhe a maravilha da tranquilidade perante mim: não mais causarei dor! Os pequenos eus rodeiam-me, tristes, estáticos, confusos; abrem muito os olhos partidos, muito, muito, até ao tamanho deles, até ao tamanho do vazio aqui. São apenas pequenas crianças perdidas, nem a mãe os soube guardar. Olham o homem pequeno - agora tão pequeno, mais pequeno que eles - do tamanho da cobardia. Vou salvá-los a todos, alguns perdem pedaços, já se calou o homem, já nem vejo o homem, mas eles salvam-me a mim. Esperarei quem enfrente e aceite os meus eus, tal como eu, porque eles não se podem separar de mim sem que eu deixe de ser porque eu quero pouco, tão pouco, quem me queira por quem eu nem sequer sou. Hoje não posso responder a ninguém, estou a falar comigo, como sempre, em paz.

Cucu


Não! O gajo não está sorridente por "atacar" por trás a mulher nua,
Olhem bem para ela.

Monges de Cluny

Figura em barro pintado, de 1927, com 39 cm de altura.
Tem um furo em cima e um arame que deveria ser para servir de candeeiro.
A maltinha que veio ao Visita-a-Funda nos dias 21 e 27 de Novembro já viu esta peça na minha colecção.






02 dezembro 2010

Edito estrelas

Lá por os pelos se agruparem no púbis não podemos chamar-lhes um grupelho.
Da mesma forma, enfiar na boca um tubo de papel em branco não transforma esse papel numa brochura.


Há um mês: a mesma situação, dois tipos de jornalismo

Vejam este video. Isto ter-se-á passado no passado dia 2 de Novembro, terça-feira, na Rua de Santa Catarina, no Porto.
A seguir leiam a notícia no «Correio da Manhã».
Por fim leiam a notícia no «Jornal de Notícias».

«Cona de cavalete» - por Bartolomeu

Namorei uma Jugoslava que tinha cona de cavalete...
Foi um daqueles namoros estranhos, mais um desafio que um namoro. Diziam-me os meus amigos na altura que eu não era capaz de comer a gaja...
Pfhhh... é só querer, respondi-lhes.
Apostaram, apostei e lá fui para o campo de batalha, uma discoteca em Lagos. Pensei que a Jugoslava caísse imediatamente, rendida ao charme e ao tesão de um latino todo bronzeado, cabelo à surfista e um ar ligeiramente atlético.
Tá bem... chora, Xico...
Já suava as estopinhas, já lhe tinha oferecido uma grade de cervejola e a alva menina, fresquinha que nem cachucho na lota, não me dava mais que uns sorrisos, enquanto os meus amigos iam apreciando a minha não-evolução e rindo a bandeiras despregadas.
Percebi que, com aqueles anormais em cima, não ia conseguir concretizar aquilo que, começando por uma aposta, se tinha transformado em defesa da honra.
Convidei então a menina para passear na praia, pouco certo de que aceitaria a minha proposta claramente insidiosa.
Aceitou!
Ufano, marialva, saí olhando de ladecos os meus amigos, exibindo um ar triunfador, de "el matador". Só faltou o disc-jockey meter um paso doble na vitrola.
E lá fomos, rumo à praia Don'Ana, já a sentir nos beiços, por antecipação, o sabor exótico de uma conaça Jugoslava.
Era de cavalete.
Sabeis o que é uma cona de cavalete?
Eu explico-lhes, gentinha inguenurante.
Uma cona de cavalete é aquela em que o osso púbico, apresenta uma morfologia proeminente, ou excessivamente proeminente, sobretudo se a revesti-lo se encontrar uma camada generosa de músculo.
A primeira reação de macho que apalpa uma cona de cavalete, sem retirar previamente as camadas de tecido que a cobrem, é: "Foda-se, pá... já foste enganado... afinal a Jugoslava é um Jugoslavo!"
Mas depois... como a curiosidade não se fica pela primeira sensação, tentas não demonstrar surpresa e, assim como quem não quer a coisa, voltas a passear os dedos pelo "local do crime" e, ainda sem certezas firmadas, começas a ceder a hipóteses.
Até que, mansamente, confirmas com um suspiro de franco alívio: "foda-se, caralho, afinal é cona, inchada, mas cona!" E mergulhas de cabeça, como se o mundo for acabar dali a meia hora.
Fodido, fodido... é que no dia seguinte, um gajo ainda anda com um dor no baixo ventre, que até tem dificuldade em andar.
Por isso, aqui fica o meu conselho, dirigido a todos aqueles que ainda não se aventuraram numa cona de cavalete: fodam-nas de toda a maneira, menos à missionário!
Inda dizem que este berlogue não presta serviço púbico...
Bartolomeu
____________________________________
Não se pode dar tópicos a esta malta que descobre cada coisa...
watermeloncolya: "Parece um déjà vu sem lagos e sem praia, mas infelizmente há muitos anos atrás saiu-me uma dessas «conas de cavalete» (Bartolomeu, agradeço desde já a informação do real nome da coisa) e afirmo que não são nada, mas mesmo nada agradáveis as dores que se ficam durante e depois do acto. Devido à minha ignorância do nome, apelidei a menina de «cona de osso». Portanto, tenho que lhe pedir desculpas e chamar a coisa pelo nome."
Fin: "Também há a «cona de alçapão», quando um dos lábios é notoriamente maior do que o outro e o encobre."
Bartolomeu: "Mas aquelas que a gente curte mesmo, Fin... são «as d'alçaxouriço»... que têm as duas bordas tão volumosas que, quando um gajo olha para baixo, até se assusta, porque julga que ficou decepado..."

Da relação entre o voto e o orgasmo

O mau gosto incomoda-me.
Faz-me espécie (não perco uma oportunidade para utilizar esta expressão).
E quando o mau gosto é levado ao extremo de ser utilizado numa campanha que pretende mobilizar os jovens a exercer o direito de voto, chamando-os directamente de idiotas (ou subliminarmente, admito, se os ditos estiverem muito distraídos), chego a sentir-me violenta.
Lido com gente acabada de chegar à maioridade diariamente. Conheço-lhes o sentido crítico, as preocupações, alguns gostos e, certamente, o modo como se sentem motivados.
E vão-me desculpar, senhores da Catalunha mas colocar uma (jovem) senhora a (simular) viver um orgasmo (tão longe da deliciosa Meg Ryan, em When Harry Meets Sally) enquanto insere o boletim de voto na urna não é só descabido. Chega a ser pornográfico.

O que tem a sensação de cumprir um dever cívico que ver com um orgasmo?
Nada, meus senhores.
Mas é, ainda assim, uma sensação bestial.
E acredite-se ou não, os miúdos de 18 anos têm capacidade para perceber isso, ó palermas catalães!!

01 dezembro 2010

Pérolas do Google Maps - A pilinha do Herman-Giest Stadium

Via Facebook, através do José Castanheira, chega-nos (mais) esta pérola do Google que constitui como que uma espécie de misto da evocação dos geóglifos de Nazca, no Peru, com o despudorado e intumescido gigante inglês de Cerne Abbas.

Trata-se de um geóglifo, que vai buscar a sua inspiração nos ancestrais cultos da fertilidade, embora com toque distinto de dinamismo, realizado no relvado de um estádio de futebol americano da povoação de Hazleton na Pennsilvanya , no Nordeste dos EUA.

Não acreditam? Então pesquisem "Herman-Giest Stadium, Hazleton, Luzerne, Pennsylvania, United States" no Google Maps e vejam as imagens de satélite ou, em alternativa, cliquem directamente na imagem.
________________________________________
O Bartolomeu está lá e faz-nos o relato:
"No noticiário das 5, surgiu a alarmante notícia: O Mayor da Penis Sylvânia, assim como o presidente do estádio Hazleton, estão alarmados com o número de mulheres que estão a saltar nuas, de paraquedas, sobre o relvado, permanecendo assim durante longos períodos de tempo.
Agentes da CIA, em parceria com especialistas informáticos, estão a chegar à conclusão que esta súbita vaga de paraquedistas-nuas se deve a um post colocado num blog português, conhecido pelo blog-pucalhoto.
Dinga-Linga-Lão... notícia de última hora dá conta de um estranho para-quedista, que se lançou também nu sobre o relvado, mas com a pressa esqueceu-se de colocar o para-quedas. Segundo a equipa de médicos que se encontra no local, o para-quedista-surpresa aterrou de peida... aberta, pelo que já lhe foram retirados 5 kg de erva dos catrafolhos, estando a equipa médica que o assiste a pensar mandar levar ao local uma manada de vacas charolesas, por forma a acelerar o processo de retirada da erva.
A equipa de reportagem, que faz a cobertura, no local, deste insólito acontecimento, soube neste momento que o para-quedista-nu é de nacionalidade portuguesa e o seu nome é... tcharammmm... NELO!"

Ternário Sobre Quaternário

As palavras, arma gentil que envergo através dos 7 mares sinuosos, juntas em linhas de promessa, interpretam o espírito sobre a matéria. O navio que embala, protege e dá confiança é o próprio porto seguro que te segura a mão. A palavra é minha mas as linhas são desenhadas e o lápis não conheço. O papel é o mundo do qual se vêem as estrelas como fenómenos cósmicos e os acentos e pontuações, as criaturas que pairam e merecem ser bem colocadas nos locais que lhes estão destinados.

Turbilhão

Despiu o vestido e era o tempo, sou do teu sonho, vem cá para eu te respirar e as estrelas giram lá fora, andam à beira do precipício, vem cá para eu te empurrar, deita-te na minha cama, estou na janela, sou do mundo, sou do vento, fecho os olhos e estou a olhar, a olhar, a olhar, vem cá para eu te matar, e a ternura tem medo mas eu não, arrasto-o até ao teu corpo, se o agarras como uma almofada ainda o vais calar, e os dias que passam por nós, as coisas espreitam o pensamento mas não deixo o pensamento espreitar as coisas e se ele espreitar eu vou arrancá-lo pelos dedos nas ancas, pela testa já fria no baixo-ventre, o cabelo ainda por apanhar, espero-te e não sei passar; despiu o vestido e era o tempo, deito-me e as costas já nuas, escreve-me do amor e das paredes que não se afastam, escreve-me do que não queres escrever, fala-me das pontes e montanhas e muralhas e do céu que nem nos avisa, escreve-me na pele e nas mãos de papel, se te encontro entre páginas não sei onde estás, nunca mais quero nenhum surdo, nunca mais quero nenhum mudo, prometi, mas um dia ainda nos invento cegos, deito-me e dou-te a mão e nós ainda vamos saltar.

Isto não é apenas uma dança de varão. É acrobacia, bailado, Arte