14 junho 2019

«Quais as diferenças entre prostitutas, “sugar babies”, acompanhantes de luxo e “call girls”?» - Cláudia de Marchi

Eu que, em minha participação anterior no mesmo programa, dei minha opinião sobre o que entendo por prostituta, garota de programa e acompanhante de luxo, fiquei vexada em opinar claramente na frente das gurias que lá estavam, então preferi ouvi-las enquanto tentava conter aquela cara blasé que, ao que vi posteriormente, eu não consegui disfarçar.


Quem me conhece sabe que diferencio as profissionais do sexo por 3 quesitos: 1- exposição a riscos; 2- seletividade de parceiros; 3- elegância e discrição.
Prostitutas se expõem a mais riscos, estão em esquinas, em prostíbulos, em postos de gasolina, em estradas, enfim, em regiões mais perigosas, não escolhem com quem se “relacionam” profissionalmente e nem priorizam a discrição em suas roupas e atitudes.
Garotas de programa não distam muito das prostitutas, mas preferem expor-se em vídeos na rede, em sites, no Twitter, em bares, em lobbys de hotel, em boates e etc.. Não costumam selecionar seus parceiros, tem o dinheiro como foco, seja por necessidade ou frivolidade, logo, não se importam com “rotatividade” e também não fazem grande gerenciamento de riscos, tampouco dão muita atenção à arte de vestir-se com discrição: preferem mostrar seus atributos físicos em roupas curtas, decotadas e justas.
Acompanhantes de luxo, por definição, tem um plus, afinal são “de luxo”. O plus seria a seletividade, o zelo pela própria segurança, o fazer o que desejam com quem lhes desperta real interesse e, consequentemente, não ter grande “rotatividade” de parceiros. Priorizam o “passar despercebida” em qualquer lugar, para não expor a si e aos homens com os quais se relacionam. São mulheres mais letradas, cultas, inteligentes e chiques que tem mais do que a beleza para oferecer. Também costumam ser mais “caras”, como tudo que é, de fato, de luxo no mundo!
Ocorre que 99% das prostitutas e “GPs” se denominam acompanhantes de luxo e, no frigir dos ovos, essa distinção, que é de minha autoria, não tem efeitos práticos.
Vejam bem: antes de fazer essa distinção na televisão, eu já havia feito no meu site e blog, assim como nas entrevistas que dei e em meus livros. Ela é pessoal minha e não tem como objetivo diminuir uma ou outra mulher, apenas constata a realidade da vida e conduta de cada categoria.
Ademais, no caso da aprovação da PL Gabriela Leite (que apesar de não ser do meu completo agrado está passando da hora de ser discutida pela sociedade e legisladores), por exemplo, haverá dois tipos de profissionais: as autônomas e as que trabalham em casas de prostituição ou coletivamente em cooperativa.
Bem, para simplificar o texto, doravante passarei a chamar as prostitutas, as garotas de programa e as acompanhantes de luxo de putas, pois é como o pessoal raivoso adora chamar-me no intuito de me diminuir, logo, tal palavra tornou-se, para mim, um símbolo de “quando for falar mal de mim exagera, pois eu gosto de causar impacto!”.
Sabe qual é a forte e gritante distinção entre as putas, as sugar babies e as call girls? As predileções, os gostos. Vamos lá:
A maioria das sugar babies, por ignorância ou preconceito, adora dizer que não é “puta”, que não “vende” o corpo, que “não” faz sexo e nem tem clientes, afinal as “babies” tem “dads”, “sugar dads” para ser específica (essa terminologia me dá náusea, vou ali tomar um antiemético e já volto).
(... Voltei...) De fato o escopo dessas garotas não é gozar e ganhar dinheiro, como o meu. Elas querem ser “cuidadas”, ganhar presentes caros, patrocínio e dar e receber carinho dos seus papais. Vamos “aportuguesar” a expressão, né?! Elas são “bebês doces” querendo um “papai doce” que lhes sustente. Em troca elas devotam ao seu papai, que teoricamente seria apenas um por “patrocínio”, a sua atenção e o seu carinho. Sexo? Pode ocorrer ou não.
Elas são como esposas interesseiras: nem sempre transam, mas querem um homem para pagar suas contas e luxos, assim como dar-lhes presentes diversos.
Enfim, gostos não se discutem!
Ao contrário do que se vê em muitos casamentos tradicionais que existem por aí, pelo menos nessas relações de patrocínio (“relações sugar”) há honestidade. O homem sabe exatamente o que a mulher quer e vice e versa.
Apesar de muitas “sugar babies” odiarem ser chamadas ou vistas como prostitutas, no meu ponto de vista, a troca de qualquer coisa por dinheiro é prostituição.
A profissão, na sociedade capitalista, é prostituição!
Eu, enquanto professora universitária que lecionava mais de 8 matérias num semestre, acordava cedo, dormia tarde e estudava muito para ganhar o meu parco dinheiro, estava vendendo minha mão de obra para alguém (uma instituição de ensino superior milionária) que podia pagá-la!
Sacou?! A venda de algo por dinheiro a meu ver é prostituição, ainda que esse “algo” não seja sexo.
De toda forma, o sexo não é o escopo das “bebês” que procuram um “papai” rico para lhes bancar (não estou usando as expressões em inglês, pois elas só fazem “glamourizar” o que não tem muito glamour.)
Por outro lado, as “call girls” estão atrás de um computador, ganhando dinheiro para masturbarem-se, exibirem-se e conversarem com toda sorte de homens que, vulgarmente falando, vão terminar “tocando uma punheta” na “frente” delas que estarão lá, gemendo e “adorando” a situação. (Ou não!)
Algumas se encontram tête-à-tête com alguns deles, outras não.
Algumas têm encontros remunerados fora da internet, outras não.
Mas, tal qual a puta elas vendem o seu tempo. Pode acontecer tudo ou nada na virtualidade, em que pese saibamos que a maioria dos homens que as “procuram” estão carentes, não tem traquejo social e desejam se masturbar, ou seja, gozar ao fim do “papo”.
A diferença delas para as prostitutas está no gosto, pois enquanto elas preferem exibir-se, as segundas preferem ser tocadas e tocar para ganhar seu dinheirinho.
As boas putas, ao contrário das “sugar babies” servem como namoradas fogosas, pois o sexo vem em primeiro lugar, enquanto estas agem como esposas interesseiras, pois a grana, o carinho e a amizade são as suas “prioridades”.
Repito: há gosto pra tudo nesse mundo!
Eu, por exemplo, jamais seria uma call girl ou “sugar baby”.
Dentre todos estes universos tão criticados pelas mulheres de ofícios tradicionais está outro nicho: o das atrizes pornô.
Em minha humilde opinião a única diferença entre atrizes pornô não declaradamente prostitutas e essas é que as segundas não gravam as suas transas para vender. Sim, só isso. Atrizes pornô estão fazendo sexo por dinheiro enquanto alguém grava e depois vende. É uma espécie de “prostituição” retratada em vídeo onde nem sempre elas sentem prazer, mormente o “encenam”.
Filme é outra coisa que eu também não faria! Ou melhor, talvez até fizesse se o roteiro fosse escrito por mim e o dinheiro, no mínimo, mudasse a minha vida, porque sopesando o que pagam (e já me ofereceram), eu prefiro passar “aperto”.
Sou contra a pornografia tradicional, mas tenho ótimas ideias para o seu aprimoramento (e não, não estou falando de “pornô feminista” que seguidamente se consubstancia em “pegação” lésbica)!
Enfim, tenho zero interesse em ver meu ilustre desempenho sexual conhecido por qualquer tipo de homem, por bolsominions, por neo-nazistas, por qualquer misógino punheteiro que vive atrás de um computador, pelos ex-colegas do meu pai, pelos amigos dele, pelos meus ex-colegas, pelos meus conhecidos, pelos meus parentes, pelos meus ex-namorados, noivo e marido (afinal, nem sempre eu fui tão bem resolvida, solta e liberta na cama!) e etc..
Bem, eis a minha diferenciação entre prostitutas, “sugar babies”, acompanhantes de luxo e call girls, “passando” pelas atrizes de pornô.
Finalizo esse texto com a frase de Simone de Beauvoir que sintetiza o que eu quis dizer ao me referir que a venda de tudo é prostituição, inclusive a do tempo, da atenção e do trabalho:
“Entre as que se vendem pela prostituição e as que se vendem pelo casamento a única diferença consiste no preço e na duração do contrato.“
Para diferenciar as putas das demais profissionais citadas no post, use a mesma frase com alterações. Exemplifico:
1- Entre as que se vendem pela prostituição e as que se vendem pela promessa de “patrocínio”, presentes caros e afeto, as únicas diferenças consistem na forma da remuneração, na execução e na duração do “contrato”.
2- Entre as que se vendem pela prostituição e as que vendem a exposição do seu corpo, conversa e masturbação, as únicas diferenças consistem na forma de pagamento e na execução do “contrato”.
3- Entre as que se vendem pela prostituição e as que vendem a sua “atuação” num filme pornográfico, as únicas diferenças consistem no preço, na execução, duração e divulgação do “contrato”.
Assim como existiram negros alemães odiando judeus alemães na Alemanha nazista, a gente vê muita atriz pornô, call girl e sugar babies menosprezando as putas em geral, afinal, a ignorância, a arrogância e a perfídia humanas são incalculáveis!
O tabu circundando o sexo pago em pleno 2019, enquanto ainda se incentiva e até se “glorifica” casamento e gravidez “por” interesse, é abjeto! É o retrato da hipocrisia de uma sociedade doente.
Não é à toa que eu prefiro gatos a pessoas!
Exceto se a “pessoa” for bonita, inteligente, boa de beijo, de pegada e portadora de falo, nesse caso eu prefiro a pessoa, desde que o nosso contato tenha hora pra acabar e eu lucre financeiramente ao final.
Gostos, meus amigo!
Gostos não se discutem, gostos se respeitam.

Simone Steffani - acompanhante de alto luxo!

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