22 abril 2010

O mistério do discóbolo sem disco

Mais uma peça de P. Leroux (ou melhor, neste caso é um par de peças), com 19 cm de altura e 1Kg, na minha colecção.
O que fará um discóbolo que, mesmo sem o disco, se mantém naquela posição?!
A resposta encontra-se quando se junta o discóbolo sem disco a um cavalinho... satisfeito:



21 abril 2010

Amor soprado

Naquele campo de trigo conseguia seguir o vento com o olhar, conseguia perceber-lhe o vaguear pelas espigas.
Ali acompanhava as danças sob a luz do sol que nasceu anunciado pelos sopros do céu numa esplendorosa alvorada, testemunha convocada pelo acaso para a plateia de um espectáculo privativo, para observar de tão perto a beleza de um dia no seu parto alaranjado, o escuro da noite rasgado pelos primeiros raios no horizonte para lá da barreira que as serras desenhavam para lhe esconder a magia.
Mas esta irrompia por detrás, com toda a força que o sol é capaz de exibir quando chega a hora de expulsar a madrugada para outro lado qualquer, longe daquele campo de trigo onde conseguia apreciar o vento a dançar sobre as espigas pintadas pelas cores emanadas a leste, de onde o dia se agitava numa brisa que se desenhava de forma suave no solo que nesse momento sentiu como fazendo parte de si. Ou o contrário, com os seus pés a criarem um contacto que julgava imaginário, raízes de energia, com a terra que o recebia como mais uma árvore para alimentar, e percebeu que a brisa começava a acariciar-lhe os cabelos que abanavam como pequenos galhos, como pétalas de flores, como se o vento tivesse amores para consumar enquanto decorria a celebração do calor que já se fazia sentir, com o sol a espreitar por cima dos picos mais altos que o faziam sorrir com a pose que não se coadunava com a pequenez relativa, uma pose altiva desmascarada pela grandeza do astro-rei.
E o vento passeava pelo jardim do palácio improvisado, o mundo inteiro concentrado naquele campo de trigo onde a testemunha involuntária o conseguia seguir, gravando na memória sensações inesquecíveis que acrescentaria com o amor que fazia agora no chão com a companheira de emoção naquele dia em que o vento, enciumado, tentou em vão destapar com o despeito soprado sobre o trigo que os escondeu, quem olhava para outro lado e nesse momento, nesse pedaço de tempo, já não o seguiu.

Não percebi bem. Como é mesmo, Figo?

Quanto ao duelo que está a marcar a actualidade, entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, Luís Figo admitiu que desfruta mais a ver o pequeno génio argentino. “São jogadores distintos, depende do estado de forma de cada um. Mas sem dúvida que para mim é um prazer ver Messi jogar, é como ter um orgasmo, é um prazer incrível”, disse Figo.
Figo, queres usar figuras de estilo, não é? Mas espera, olha lá bem para isto...





E agora centra a tua atenção nisto:



E pronto. Agora diz-me lá porque é que me parece que a figura de estilo não soa muito bem. Esta só pode ser uma das metáforas mais mal metidas de sempre. Há tantas maneiras de pegar nisto, que até fico cansado só de pensar. E, fundamentalmente, fico muito, muito longe desse tal prazer incrível quando vejo Messi. Mas isso sou eu, que sou esquisito.

(os mais curiosos, procurem no Google por imagens com o nome da Helen, que encontram coisas giras)

Vera: conto da "prostituta renitente"

Sorriu aos rios que subiam. Nada soube até então, como eles. Talvez ainda nada soubesse. Mas sabia que, se eles não sabiam sequer se desciam ou subiam, também poderia não o saber. Era pequena, infinitamente pequena e ignorante; era ainda mais pequena que o rio, talvez tão pequena como a folha embrulhada na corrente. Uma folha que pensava. Demasiado pequena e embrulhada na corrente do rio para ver o todo. Para ver o caminho. Para ver o mar. Para ver o mundo, as margens, a floresta. Ah! Mas podia imaginar. Mas podia virar-se. Mas podia deslizar mais rápido se mergulhasse mais na corrente ou deslizar mais devagar ao ficar mais à tona. Podia chegar-se mais à margem. Podia, afinal, tantas coisas e todas com alguma influência no percurso e no fim. Muita influência? Pouca? O que interessa? Bastava saber-se. E mergulhou mais no rio de perguntas para deslizar mais rápido na corrente.

Ricky Martin promove digressão e mostra mensagens como tatuagens

20 abril 2010

O melhor da minha colecção...

... é tudo aquilo que me faz recordar um bom momento, uma história curiosa e, como diz uma rapariga que eu conheço, "o bolo em cima da cereja" são os gestos de amizade.
A minha colecção tem um pouco/muito disto tudo.
E, a partir de agora, tem uma caixa feita pelo Raim com os seus desenhos originais (a lápis) para o «diciOrdinário ilusTarado» e outros "para encher a caixa", como me explicou o Raim quando ma ofereceu.


A Caixa.



O conteúdo.



Alguns dos muitos desenhos.



«Já deu o que tinha a dar»


E este, que divulgamos pela primeira vez, quando adivinhávamos que algo estava mal na editora do «diciOrdinário ilusTarado» (Via Occidentalis, que pouco tempo depois entraria em falência) quando o seu gerente, Júlio Sequeira, não respondia às nossas tentativas de contacto:


Encomendinha da funda São para a Via Occidentalis.

O meu quadro


Nesse dia imenso de sol
Havia uma clareira
De esperança no meu olhar
E nas tuas mãos
O nervosismo da despedida.

Regressei porque quis,
Ao azul do quadro
Espetado sem querer
Naquela parede,
Trazendo o imenso brilho
Do sol e o olhar
De verde esperança,
Como sempre.

Nesse dia de sol
Havia um outro brilho
Nas tuas mãos de despedida.

Havia eu. Só eu.

E...talvez o azul do quadro
Espetado naquela parede,
Sem querer.

Foto e poesia de Paula Raposo

Leonor: conto de pedra

Cair. Sabes cair? Onde cais? Não te deixo cair no chão. Não deixo. Não deixo. Não deixo. Mas, cais no meu colo, cais no meu colo; só cais no meu colo - não cais em mim. E caíste tantas vezes só no meu colo que o resto de mim é uma rede dormente. E se eu arrancar o meu colo? Já não sei se vou tentar, já não sei como fazer, já nem sei como olhar. Olhos de colo, mãos de colo, tudo quente, tudo sem. Tudo vazio a perder traços de uma pedra que abraça o meu corpo. Não devia estar aqui; não enquanto te emprestas à pedra; não enquanto a pedra me empresta uma nudez fria. E quando as pedras caiem? E quando as pedras rasgam o chão? E quando o chão é o meu colo, sabes cair? Não.


Lápis lazuli


3 páginas - basta cricares em "next page" a partir da página inicial acima

oglaf.com

19 abril 2010

A festa da flor



HenriCartoon

Mais fome de ti


Ninguém escreveu ainda as palavras que consigam traduzir o que sinto por ti.

Sim, por ti.
Porque é que me olhas com esse sorriso malandro?
Por quem havia de ser?
Por quem mais sinto sede e fome, como se tivesse caminhado sedenta e faminta durante um tempo que me pareceu uma eternidade?
Sim, aos olhos dos deuses esse tempo não durou mais do que um instante. Mas para mim traduziu-se na eternidade. Num «para sempre», vivido aqui e agora.
O instante só faz sentido quando recordo o primeiro olhar com o qual me provocaste um arrepio na espinha, como se o mundo fizesse «pausa» e nada mais acontecesse em parte alguma.
Nesse momento, nesse preciso momento e instante, e agora (mais do que nunca) senti (e sinto) que um vazio no meu ser encontrava algo que o completa. Havia uma fome de amor (em mim) que encontrou (em ti) o espaço e o tempo certos. Diria mesmo, perfeitos.
Mais que perfeitos. Mais fome (e sede) de ti.
Por isso, hoje sento-me à máquina para te escrever e acalmar a sede e a fome. Guardo a esperança secreta da minha escrita ser (por ti) surpreendida e o meu pescoço (por ti) seja beijado.
Ninguém escreveu ainda as palavras que consigam traduzir o que sinto por ti.
Excepto eu.

Projecto Olhar a Palavra
Texto de Joana Sousa
Fotografia de João Paca

Marionetas

Quebram os espelhos que as fizeram mulheres demasiado cedo. Tranças desmanchadas por reflexos. Tranças cortadas por cacos... Mas as imagens, agora aos pedacinhos, devolvem bocadinhos das meninas. Sem tranças. De cabelos apanhados ao alto pela firmeza aparente das mãos. Guardam, bem escondido, o laço das bonecas com que já não podem brincar. Ficou o armário vazio e a vontade silenciosa de o encher de fantoches.

À primeira vista

Um olhar cristalino, um sentimento genuíno daqueles que julgamos perdidos quando a infância se despede.
Um olhar que nos impede de ignorar a mensagem por detrás, aquilo que a alma é capaz de revelar quando se permite espelhada sem reservas no lago tranquilo das emoções serenadas pelo tempo seu amante.
Um olhar que não se revela distante numa pose encenada, não se camufla numa visão mascarada por falsos pretextos, fracos contextos ou qualquer outra distracção desnecessária.
Um olhar que espelha uma memória conservada da emoção menos filtrada pelo processo de erosão que não acontece no coração (que só entende a liberdade) mas apenas na mente que reinventa a realidade ao sabor de caprichos do tempo que arrasta como uma brisa aleatória os detritos de uma história rabiscada numa folha de rascunho condicionada por meros factores circunstanciais.
Um desejo sem estímulos artificiais contido num beijo clandestino, apressado, que sela um pacto firmado no devir da confiança que um olhar pleno de esperança jamais consegue ocultar.

Escravas sexuais


Alexandre Affonso - nadaver.com

18 abril 2010

Macho


Antes de te saber
pensei-te precipício,
abismo insondável
de uma vaga alterosa;
pensei-te macho
-puro ainda-
feito de magia
e reencontros.

Pensei-te longe,
sempre tão longe,
tudo antes de te saber.

Foto e poesia de Paula Raposo

Alda: conto difícil

Sentamo-nos, uma vez mais, nesta fracção de segundo onde moras. Sim, há espaço para os dois neste instante; mas é só neste instante que nós cabemos. É no momento que somos, colados a saliva num tiquetaque dentro de um envelope remetido para mais tarde ou nunca mais. Eu sei que é difícil; que o entardecer mais perfeito é o mais breve; que o envelope se enche de trivialidades que nos fazem transbordar; que eu não sou quem não sou. Eu sei que, tantas vezes, um anzol rasga até romper, sem retirar das águas o peixe ferido. E sei que, ainda assim, esse é o anzol piedoso. Eu sei. É difícil. Mas é infinitamente mais difícil, para mim, estar sem ti. Para ti é mais fácil.

«D&G Perfume Anthology» - Cores diferentes para diferentes estados de espírito



E as gravações do anúncio:

Coisa nunca vista!


crica para visitares a página John & John de d!o

17 abril 2010

Ora! Ide-vos...

Aqui jaz o amor romântico - reza a minha campa. Deixo-vos, oh tristes
criaturinhas, a minha última imagem, a que me mereceram; sim,
essa, a universal, o dedo que orgulhosamente vos estico.
Fodei-vos,
imitadores de terceira categoria, fodei-vos vós que nem vos sabeis
desgraçar patética e honradamente como qualquer amor que se preze
exige.
Fodei-vos, vós que percorreis os jardins da ponderação e que
deitais fora, como quem deita fora um par de calças usado, o bom do
amor impossível e suas vicissitudes febris, tresloucadas, de peça única por um
moderno par de jeans de ganga, fabricado aos milhares, exactamente
igual amorzinho-que-vem-a-calhar ou
amor-não-lá-muito-conveniente-vamos-dar-apenas-umas-quecas-ao-fim-de-semana-que-´tá-na-moda.
Fodei-vos, vós que não tendes conhecimento da ânsia enfurecida e
estupidificante que faz qualquer amante - que faça justiça a essa
designação - morrer de marasmo longe da amada criatura.
Fodeis-vos, vós
que perante o amor não ficais convencidos que conseguis beber os
mares e rasgar os céus se for isso que torna um novo encontro possível.
Fodeis-vos mais as vossas análises de carreira, estatuto, opinião
familiar e outras contas de somar essas e outras parvoíces semelhantes.
Fodeis-vos,
vós que sois capazes de fazer todas essas somas e, ainda assim,
permaneceis convencidos que amais até ao tutano. Tédio até ao tutano,
é o que sois. Barris que envelhecem de grande pança, sem nada de
realmente muito emocionante para relatar.
Fodei-vos, seus incapazes de
uma boa "desgraçadelazita", de um trambolhão que fractura costelas já em
pandemónio e que ainda ajuda - apesar das lesões que causa - o coração a mexer
mais livre, mais forte, mais perdido.
Fodei-vos, seus
pseudo-românticos da estabilidade e do politicamente correcto.
Fodei-vos, vós que sois a vergonha de Romeu e Julieta - neste século
não se fará história, nem no amor, nem na política, nem na economia,
nem sequer nas vossas cuecas - este é o século dos
palhaços-sempre-com-a-mesma-máscara-de-ponderação-insonsa-a-dormir-em-pé. Pois, Romeu e Julieta que
dão-quecas-confortáveis-às-escondidas-que-fugir-aborrece-o-papá-e-a-mamã,
não me quer parecer que façam nada de muito notável em qualquer outro
capítulo se nem a força visceral do amor os move; casam com o
semelhante mais próximo, se casar não for muito inconveniente a nível
fiscal, compram casa e carro, talvez tenham um filho ou dois se der
jeito, engordam e envelhecem. E sentem que lhes falta algo. Sempre o
vazio, sempre a semi-infelicidade inexplicável, sempre o "vai-se
andando", o "estou mais ou menos".
Pois, fodei-vos todos, seus
parolos macambuzios da cantiguinha amorosa da juke-box. Fodei-vos de "moeda" entalada na vossa "ranhura"! Ide-vos! E tu? Sim, tu... Tu também!!!

IBIZA FUCKING ISLAND



Tres dibujos más de la serie Ibiza fucking island (2006)
Lápiz sobre papel Gvarro esbozos
Formato DIN A4
Inéditos
Click en las imágenes para ampliar

Orgasmos dos pés

16 abril 2010

Adelaide(s): conto dos actos

Existo aqui. Sem gritos. Sem mim. Vejo televisão. A rapariga de longos caracóis percorre a sequência de cenas que a leva a um acto irreversível. Não! Impeçam-na, impeçam-na, impeçam-na... Impeçam-me...

Aqui


Sei de ti aqui
porque te sinto
e me beijas;
abraças e me deixas
o teu cheiro
nos lençóis.
Deixas-me a nuvem
do teu orgasmo
no silêncio sem silêncio,
no grito e no espasmo;
deixas-me
a luz do momento
numa palavra
enlouquecida
entre o vento e a calmaria.
O estupor
e a felicidade,
que o sonho não me deixe
nem se desfaça
e a nuvem permaneça
em mim.

Foto e poesia de Paula Raposo

Faz-me um bico

O pedido expresso no título desta posta tanto podia provir de um pássaro como de um lápis. Mas como os pássaros não falam e os lápis nem piam, alguém tratou de verbalizar essa necessidade que, se nas aves implica uma complicada cirurgia plástica veterinária nos lápis apenas requer o uso de um pequeno objecto cuja utilização, só por si, já implica um sentido figurado que por associação de ideias pode muito bem ter dado origem à conotação brejeira de uma frase aparentemente tão desprovida de malícia.
Há quem chame ao objecto em causa um afia e quem prefira, antes pelo contrário, designá-lo por afiadeira. Esta opção pelo feminino, não sendo a que utilizo no meu dia-a-dia, parece aplicar-se que nem uma luva ao tal sentido figurado que a introdução do lápis no orifício que o irá afiar possa suscitar nas mentes mais brincalhonas. Como a minha, de resto, onde um mais um são dois e de preferência a fazerem coisas porreiras em equipa.
Contudo, e por muito que a técnica da rosca seja um must na manipulação, por exemplo, do dito lápis, continua complicada a explicação para a carga terrível que uma expressão como a do título da posta carrega sempre que alguém a profere.
Não, não é fácil uma pessoa virar-se para a colega do escritório e servir de porta-voz para um lápis em aflição...
Tudo isto porque o português enquanto língua muito traiçoeira presta-se a apropriações indevidas, a deturpações do sentido de frases tão simples como a que serve de mote para este exercício boçal (sim, o cê está devidamente cedilhado...) que vos proponho nesta ocasião.
Não sendo uma grande questão da humanidade em geral ou mesmo da porção que fala português (no Brasil, por exemplo, fazer um bico jamais quererá dizer outra coisa que não aguçar uma ponta e se pedirmos tal coisa a uma alemã a tradução literal fará de imediato com que ela deite a mão ao estojo), faz parte dos pequenos dramas do quotidiano oral deste nosso espaço lusitano onde apreciamos tanto o chuto para canto implícito nestas fintas a que recorremos para não chamar os bois pelos nomes.
Mas, e só para concluir esta posta com uma moral da história qualquer, por mais retorcidas que sejam as mentes que deturpam as expressões para lhes alterar o propósito, as palavras têm um significado e um bico será sempre uma coisa que pica e um broche, por exemplo, será sempre e acima de tudo um alfinete de peito.

Elas Não Compreendem!



Capinaremos.com

15 abril 2010

Postalinho de Madrid enviado pelo Bruno

"Olá São,

Publicidade para ti, acabadinha de chegar de Madrid.

bjs
Bruno"


De gatas...


Não faz mal...

Não faz mal porque a lua que pertence ao céu
também dorme nas águas de um lago
que lhe adormece o reflexo de um só trago
onde toda uma noite adormeceu.

Não faz mal porque a lua que pertence ao céu
também sabe dormir em qualquer estrada
tão negra e só; quando se sente espelhada
oferece-se com o reflexo que ali adormeceu.

Por isso, não faz mal se esse sonho que aconteceu
implora peito e nos fez sair das nossas casas
exige corpo e nos sacudiu das nossas camas
porque até a lua - vê! - quer dormir fora do céu.

Por isso, não faz mal se essa paixão nos rendeu
se nos fez perdermo-nos das nossas vidas
se nos fez perder paredes seguras e conhecidas;
até a lua, na estrada, no lago, se perdeu do céu.

Faz-me um bico a martelo

O Katano, sempre atento, perguntou-me: "Esta é das tuas...?"


É das minhas... mas copiada sem autorização minha e feita a martelo.
É um sentimento contraditório, ver algo feito por nós ser copiado. O d!o, holandês criador dos John & John, dizia-me isto: "copiarem algo meu é sinal que gostaram".
Enfim... se alguém quiser uma t-shirt «Faz-me um bico» original, com um lápis verdadeiro preso à t-shirt com um fio e um alfinete de ama, ainda tenho algumas que podem ser encomendadas aqui.

14 abril 2010

Imunidade celibatária



HenriCartoon

Tenho estado a pensar

Se a igreja católica vê a pedofilia como um assunto a ser tratado em família, então ainda é mais grave: é incesto!

Alta fodificação

A generalidade das emissões de televisão que nos entram olhos dentro são ainda de definição comum, o que em Portugal equivale a dizer que as imagens têm 576 linhas horizontais interlaçadas, ao ritmo de 25 imagens por segundo, o que serve para enganar o nosso cérebro fazendo-o pensar estar a ver algo com movimento. Naturalmente, 576 linhas horizontais interlaçadas, com o desenvolvimento da tecnologia são coisa pouca, deixam muita coisa de fora, que não se consegue ver. E aquilo que há para ver, como já antes escrevi, precisa de mais espaço.
O mercado está, agora, inundado por televisores LCD (ou Plasma) que permitem ver televisão com a qualidade a que os nossos olhos já estavam habituados nos monitores de computador. Convém lembrar que mesmo resoluções de computador modestas, como a clássica 1024x768, têm mais qualidade do que aquilo que a televisão nos exibe em formato standard. Na alta definição passámos, então, a encontrar coisas como 720p, 1080i e 1080p. Estes números referem-se ao número de linhas horizontais, o que nas tecnologias mais actuais é, para todos os efeitos, equivalente a dizer o número de linhas de pixeis horizontais, sendo o 720p correspondente a uma resolução de 1280x720 (0,9Mpixel, em aspecto 16:9), e o 1080i/p equivalente a resoluções 1920x1080 (2,1Mpixel, em aspecto 16:10). Embora não seja esse o propósito deste texto (aliás, o propósito só mais abaixo), uma palavra sobre o "i" e o "p": a letra "i" designa um modo de video interlaçado, e é uma herança das televisões antigas, CRT, e tinha como objectivo transmitir melhor qualidade sem consumo adicional de largura de banda. Para esse propósito, uma imagem de 25 frames por segundo era, na verdade, composta por 50 quadros desfasados, de tal modo que o primeiro conjunto de quadros desenhava linhas impares e o segundo, as linhas pares, completando a imagem. Já o "p" denota um modo de video progressivo, em que a imagem é desenhada progressivamente numa única passagem.

Quando passeamos em superfícies comerciais, onde se vendem televisões, é agora rotineiro ver imagens de jardins floridos ou objectos em movimento, e, claro, mulheres bonitas. O objectivo desses videos promocionais é mostrar ao potencial comprador aquilo que se consegue fazer com televisões de alta definição. Um aviso ao mais distraído: não basta a televisão ser de alta definição. É, obviamente, necessário que o conteúdo também tenha qualidade. Arrisco dizer que, em determinadas circunstâncias, uma mesma imagem em definição standard (as tais de 576 linhas, também usadas nos DVD) pode até ter pior aspecto numa televisão de alta definição do que numa mais antiga, porque as televisões 720/1080 tenderão a mostrar mais os defeitos, precisamente por terem maior detalhe. Filtros da própria televisão podem amenizar esses efeitos.

Uma pessoa pode ficar satisfeita por ver futebol com alta definição, pode ficar feliz por conseguir ver melhor todos os grãos de pólen das flores nos jardins, mas aquilo que se deseja, mesmo, é gajas. A tecnologia serve para ver gajas. E ontem tive a oportunidade de ver, pela primeira vez, uma cena de pornografia em esplendoroso 1920x1080p. Não, tem, comparação, com, nada. Digo-vos. Todos os sinais apelativos estão lá, mas também lá estão as estrias, a celulite, as imperfeições. Mas, then again, também lá estão os lábios luzidios (os de cima), e húmidos com detalhe (os outros). E pronto, o propósito deste texto é esse, o de vos dizer que ver pornografia em alta definição (tão alta quanto é possível no momento) é muito, muito à frente. Escolhi uma imagem ilustrativa. Terão de a clicar para ver em todo o tamanho e peço desculpa pela pixelização que fiz em pontos estratégicos, mas é por causa das crianças. ;-) Digamos que a menina deixou cair parte do gelado que estava a comer e... tal. E esta imagem não é uma fotografia, que essas já estamos habituados a ver com muitos megapixeis. Isto é uma frame do filme. E todo ele tem esta nitidez. Isto paga-se, claro. São quase 8GB de ficheiro. Ah pois.

Depois

Guardo um bocadinho para depois
parto-o do teu sono de corpo macio
divido-te os sonhos em dois
dou-te metade do meu silêncio.
Guardo um bocadinho para depois
para não sentir a tua ausência
sente-a a gaveta da minha fantasia
na página rasgada de um livro de heróis.
Guardo um bocadinho para depois
bocadinhos mansos de estrelas ao sol
dormem e esperam no meu céu de lençol
de peito a sonhar-se despido por girassóis.

E agora, que já não sabemos ser dois
o que guardo eu para depois?
Mostro-te o peito já queimado do sol
dos teus dedos nus nas minhas fantasias
magoado pelo frio do lençol
em lugar do teu corpo, nas tuas ausências.
Guardei um bocadinho de ti para depois
já gasto no ventre cheio de tanto silêncio
as pernas envolvem um convés já vazio
já nem naufrago resta para guardar depois,
na onda das ancas um toque de olhar macio
um colo que se alaga e te guarda para depois.

É a vez de Natália Bonnaud Nunes...

... ter a sua poesia erótica lida por aquela vozinha de ouro do Luis Gaspar.
É o

nº 48 da Poesia Erótica do Estúdio Raposa

Os cinco poemas que o Luisito escolheu serão brevemente publicados no livro «Chaves, fechaduras, sinos e outros simbolos», na Palimage Editores.
Pessoalmente, não classificaria esta poesia como erótica. Talvez apenas, "de raspão", o poema «Música». Mas essa é uma das características que tornam o erotismo uma delícia: depende de cada um de nós... e de cada momento...

Preservar a harmonia na relação com o simples apertar de um botão

As coisas azedaram entre os membros do casal, o último ramo de flores foi totalmente ineficaz, o makeup sex não é opção e paira já no ar a ameaça da inoportuna intervenção dos sogros como se de capacetes azuis se tratassem? Não desesperem!
Nesta imagem que a Paulinha há uns tempos me fez chegar por e-mail, propõe-se uma solução que promete eficácia total com o máximo de simplicidade. Segundo as instruções que chegaram em anexo ao aparelho, basta apontar à menina e pronto! Paz instantânea.

Leia atentamente as instruções do aparelho e em caso de dúvida ou persistência dos sintomas de crise, consulte um conselheiro ou um advogado.

13 abril 2010

Regressa a ti

Regressa, não deixes que se despeça de ti a pessoa que foste, a pessoa que és para lá das conjunturas e circunstâncias. Olha para dentro e recua no tempo para encontrares a pessoa que falta, adiciona à pessoa que ambiciona ser mais e melhor, acrescenta uma forma de sentir o amor que não queres perdida pelas vielas para onde a vida tentou empurrar, a pessoa que foste, a pessoa que és na essência, recupera a consciência e abandona esse torpor.
Regressa, vasculha o interior dessa alma inquieta e filtra enquanto desperta do sono apenas aquilo que te faça sentir mais feliz. Descarta tudo o que se diz e pega fogo às memórias malditas, incendeia as lembranças proscritas e redescobre-te no meio desse calor. Aprende a dar valor ao que verdadeiramente te interessa, não deixes que se despeça de ti a pessoa que foste, a pessoa que és para lá das contingências, de infelizes coincidências cujo preço já pagaste com o pouco que recebeste em troca de tanto que tens para oferecer.
Regressa, que o tempo está a passar depressa e essa tua viagem é de ida e volta.
E não deixes mais à solta essa pessoa que te fugiu, acredita que com o tempo aprendeu, neste presente mais perto do coração, o teu futuro mais certo.
A tua própria lição.

Beijo fatal


O beijo que anseio
é mesmo este - o teu - tão puro;
claro, transparente de ti.

Esse beijo quase me mata
- transcendente - fulminando-me.
É o beijo perdido
que me perturba, enlouquece
e me lança no abismo.

Beija-me enquanto inventas
o subterfúgio da fuga.

Foto e poesia de Paula Raposo

Abismos (By: Anzio Lìthica)

Atracção pelo abismo onde moras
morro na água, em cada reflexo
e mais morro se não me afogas
o abismo é um lugar sem nexo.
Mas quem ainda quer, tremendo,
esse nexo em todas as coisas
se sem a atracção, só vai morrendo
morrerei, mas de braços nas tuas costas.
Quem quem assim não sabe a morte
nesse abismo, não tem sabor a turbilhão
dou-te o peito, eu não invejarei tal sorte
e morrerei, assim mesmo, sem coração.




A Espadamorte


1 página

oglaf.com

12 abril 2010

Te quiero



HenriCartoon

O clítoris e a masturbação na rádio?! Pecado, dizem alguns!

Foi criado um Grupo no Facebook a que eu aderi - «O clítoris na RDP - apoio à crónica de Raquel Freire na rubrica Este Tempo»:
"A dezasseis de Março de 2010, na sua crónica semanal na Antena 1, Raquel Freire atreveu-se a falar do clítoris e disse a palavra masturbação duas vezes. Mas há a escuta e há a audição selectiva. E as notícias lá vêm dizer que há queixas ao provedor por causa da hora a que a crónica «sobre a masturbação feminina» foi transmitida. Quem gosta de cantos escuros manifestou-se. Agora é a vez dos que gostam de janelas abertas fazerem o mesmo.
Escrevamos ao provedor da RDP em defesa da nossa liberdade de ouvintes e de uma sociedade mais saudável na sua relação com o sexo e na sua capacidade de se exprimir. O clítoris também tem direito às ondas hertzianas!
As mensagens devem ser deixadas aqui:

http://ww1.rtp.pt/wportal/grupo/provedor_ouvinte/contactos.php"

Deixei uma mensagem ao provedor do cliente da RTP:
"Se querem uma sociedade saudável, tratem o sexo com naturalidade.
Pornográficas são a guerra, as ofensas pessoais, a violência, destruição da auto-estima, a corrupção, a intolerância, a hipocrisia, o terrorismo, a injustiça, o racismo,... não a sexualidade.
Tenho muita ...pena das pessoas que olham para o sexo como pecado. Considero-as doentes. Devem tratar-se... mas não tentem contagiar-me!"

Lê a informação sobre o caso na página do Provedor do Ouvinte. E a notícia no «Correio da Manhã».

«Terapia matrimonial induzida» pela Kikas

A propósito de pesquisa feita a casais com mais do que o 9º ano, o Santoninho falou-nos dos "casais que vão almoçar fora ao domingo e passam duas horas no restaurante sem se falarem".
A Kikas deu a solução:
"Mas nós quando assistimos a cenas dessas em restaurantes, temos uma obrigação «pedagógica» de resolver o assunto e incentivar os casais ao diálogo.
Há uns tempos atrás, estava eu numa esplanada com uma amiga e assistimos incomodadas a uma «cena muda» entre um casal. Ele lia «A Bola», ela bebericava um refresco de uma mixórdia qualquer e fumava cigarro atrás de cigarro. Duas horas após, e profundamente intrigadas com aquele tipo de relacionamento, resolvemos fazer «marcação cerrada» ao dito cujo. Quando a madame topou que «A Bola» deixou de ser prioritária, arregalou os olhos, arrumou o SG filtro na mala D&G de contrafacção e começou a falar. Passou um minuto e ei-los apressados a caminho do seu Audi A4, dialogando entusiasticamente. De certeza que há meses não tinham uma conversa tão estimulante.
Chama-se a isto terapia matrimonial induzida!"

Sofia (By: Anzio Lìthica)

Sofia
mora na estrada pasmada
na esquina da nostalgia
na casa construída em escada
na porta, o nome Sofia.
Um lance, um milímetro por dia
Sofia, em sua escalada,
perdeu-se enquanto subia
em cada lance que trepava
descobria que trepava por nada
Sofia subia e logo descia
a cada nada onde chegava.
Sofia
viveu na rua esmagada
na vila tragédia da ironia
na casa nunca habitada
sem porta, o nome Sofia.

Lingerie Football League

Papagaio azarado


Alexandre Affonso - nadaver.com

divulgando um poeta brasileiro: Glauco Mattoso

Vítima de glaucoma, cegou. E descobriu o seu nome artístico pela ironia cruenta. Há mais de trinta anos que vai fazendo poemas... Aqui vos deixo um, da sua antologia Poesia Digesta, de 1974 a 2004:

Soneto 192 Flatulento

O peido, mais que o arroto, inspira o riso
gostoso, desbragado, gargalhado,
da parte de quem pode ter peidado
enquanto os outros fazem mau juízo.

Com base no meu caso é que analiso,
pois, mesmo estando a sós, enclausurado,
gargalho após os gases ter soltado
e aspiro meu fedor, feito um Narciso.

Me ponho a imaginar a reacção
de alguém afeito a normas de etiqueta
colhido de surpresa ante o rojão...

Meu sonho era peidar fumaça preta
na mesa de um banquete, para então
deixar que a gargalhada me acometa...

11 abril 2010

John & John numa tira com animação


crica para visitares a página John & John de d!o

Espera para ver...

John - "Aposto que tu tens alguma coisa a ver com o facto de eu, de repente, ter mamas."
John - "Talvez... mas acho que sei uma maneira de nos vermos livres delas. Deixa-me só apertá-las... assim..."
John - "Que diabo é que tu estás a fazer?!"

Querer


Querer: é um verbo demasiado forte;
gostar ou desejar: é mais suave.

Eu, hoje, gostaria de te ter aqui;
desejaria abraçar-te,
deixar-me levar nesse entusiasmo
(que sempre pões no que fazes)
no gosto frutado de um sonho
ou no desejo premente de sexo.

Gostaria de te mimar,
desejaria querer-te,
gostaria de te saber presente,
desejaria um beijo.

Não quereria amar-te.


Foto e poesia de Paula Raposo

Silvia: conto da cegueira

Dá-me a mão. Vês-me noite, amor. Está no tracejado que te sublinha o olhar - quando me olhas, contornas-me o vulto a lápis de mundo. Depois, quando fica muito escuro - como ficou - sente-se o mundo parar. Foi a tristeza intermitente que entrou pelos ouvidos - ensurdece! -, colou os lábios - emudece! - e sublinhou o olhar pelo lado de dentro - cega!. É quando essa surdez de ti escorre que a minha voz adormece porque as palavras acordam estanques - emudeço. É quando essa mudez te habita que não te respondo; ouço uma voz parecida com a tua, uma voz que diz coisas, coisas que eu não entendo - mas eu bem sei que tens os lábios colados; é uma coreografia de movimentos desengonçados - os meus -, pesados do pasmo, os braços na cabeça, as mãos nos ouvidos, largaste a minha - ensurdeço. Mas não ceguei, meu amor; ainda não ceguei. Pois que chames o escuro, se achas que a cegueira te poupa que eu, meu amor, eu chamo a tua imagem, ela contorna-me os olhos e poupa-me da cegueira.

«Inferno - Film Clip 2» - Henri-Georges Clouzot

Uma prendinha da Eva Brava:

10 abril 2010

Sorri porque estás

Observa desse teu canto isolado, desse teu canto sossegado onde te recolhes para cuidar de quem mais te interessa. Vê e orgulha-te do que deixaste como rasto, recorda o seu rosto no tempo em que não pensavas sequer em poderes um dia observá-lo a envelhecer.
Sorri porque sabes como é irrelevante essa transformação, essa etapa de uma mera transição para onde te encontras agora. E sabes porque não te foste embora, percorres o espaço, invisível, numa dimensão impossível de explicar. Sabes porque estás, embora reprimas a custo a intervenção quando tudo em ti apela a que tentes secar uma lágrima ou influenciar de alguma forma o rumo dos acontecimentos que sintas menos bons.
Sorri, pois sabes interpretar o amor num olhar e acreditas, porque és, que isso é tudo quanto uma alma precisa para descobrir o caminho para a luz.
E para alguém ser feliz.

2010

Afecto? Terceira porta à esquerda. Sexo? Segundo andar, terceiro corredor, porta vermelha; antes de se deitar com a sua boneca respectiva, dirija-se ao balcão e indique as posições que pretende à recepcionista. Amor? Preencha o formulário; na parte final, descreva como o pretende num mínimo de duas linhas e num máximo de seis; sente-se no sofá e aguarde a sua vez. Paixão? Profunda? Desça à sub-cave número dois, inspire e expire profunda e rapidamente ao longo da descida. Amizade? Suba ao telhado e aguarde a sua vez junto aos restantes ingénuos. Poema para pôr ao peito? Fique aqui, não se mova; a Tragédia virá brevemente ajudá-lo. Ego para remendar? É na fila que dá a volta ao quarteirão. Beijos e abraços e outras coisas simples? Dirija-se a uma das marionetas em qualquer canto da repartição. Pedidos especiais são sujeitos a análise prévia, utilize o e-mail que consta do formulário número quatro. Não danifique as semi-pessoas que o vão assistir. Identifique o que pretende antes de se dirigir à repartição. Não nos responsabilizamos por mentiras que conte a si próprio. Não nos responsabilizamos por mentiras que nos conte. As infracções serão severamente punidas com coimas elevadas. Se ainda existir uma pessoa dentro de si, sugerimos que salte do telhado; sentir-se-á muito melhor junto dos outros assim que quebrar e matar a alma.

«Vajazzling» - a nova moda

«Romance com 3 gramas» - BD por Mikkymixx



Mikkymixx
Carnets Pornographiques

09 abril 2010

«Não sei se confie em ti» - pela Ana Andrade

"A bem dizer, mal te pus a vista em cima no último meio ano.
Tinhas muito que fazer noutras paragens, aposto, sempre foste um rapaz muito ocupado.
Tenho medo de amores de Verão que arrefecem com o tempo e não julgues que é por me andares a rondar há uma semana que vou cair na tua esparrela. Já me enganaste muitas vezes, já me deixaste à espera outras tantas e uma gaja pode não nascer ensinada mas aprende com as cabeçadas que dá. Ou julgas que não sei que, nas tuas inexplicadas ausências, andavas a aquecer outros corpos?! Bem sei que não temos um compromisso para a vida mas, que diabo!, gosto de te ter por perto, não minto.
Para já, estou a testar-te. A ver se, desta vez, vieste para ficar. Só depois te me entrego, ainda que saiba que, mais mês menos mês, terei de encarar nova despedida.
Por isso, ó sol d'um raio, vê lá se te decides, sim?!
AnAndrade"
Uma excelente Câimbra Mental

Escolha Múltipla

"És parvo!" lembras-te? Foste tu que me disseste e eu respondi qualquer coisa no mesmo tom e a conversa descambou e parvos fomos os dois. Mas eu fiquei a pensar naquilo, nas tuas razões, nas minhas razões e no fundamento da minha qualificação. Aquela frase, tão simples, tão banal, tão pouco atentatória, tornou-se um pesadelo, um estigma, uma dor permanente. Uma dor permanentemente a crescer.
"És parvo!"
"Parvo porquê?"
E eu passava os dias em auto-análise, a censurar os meus gestos, a condenar as minhas palavras.
"És parvo!"
"Parvo porquê?"
E o pior é que nunca mais nos falámos, nunca esclarecemos um episódio menor que cresceu e que, pelo menos eu, já nem consigo identificar, e que no fim nos matou. A nós, vê tu bem, a nós!... E eu amava-te tanto…
"És parvo!" e, se calhar, tinhas razão. Sou parvo. Mesmo parvo.
Só pode.
É porque só pode ter sido isso ou o álcool que me levou a comer a tua prima.

Tango


Dança nos olhos,
um tango;
a sensualidade orgástica
de um desejo premente.

Dança no corpo,
um encontro (reencontro)
e o sexo urge;
o tango dança nos olhos
de quem o vibra no corpo;
de quem o sente e dança o tango
no arrepio da paixão.

Foto e poesia de Paula Raposo

Fluir

Olho-te assim e és Deus
o teu ventre tem céus
rasgados por braços da madrugada
uma noite interminável, desalmada:
tu deitaste-te na sua mão;
e eu bem ouvi o teu segredo
e eu bem sei porque tens medo
e eu bem sei que agarras o coração
para não mais o perderes
mas, meu amor, se misturares
esse teu medo no meu
o meu coração dilui-se no teu
e quando sangrares
eu também já me rasguei
para tu me circulares
não sangras em vão.
Cada lágrima que tu chorares
eu retenho nos meus olhos
abraço-te e engulo cem choros
eles dilatam-me no peito
meu amor, para tu me entrares
pelo ventre já aberto.

Diamantes são para sempre



Capinaremos.com

08 abril 2010

Se ele pudesse

Numa tirada rápida, com uma inflexão de discurso sem preparo, eis que ele lhe diz que, se pudesse, a fodia. "Como?", isso mesmo. "Se pudesse, fodia-te", e depois de uma pausa ligeira, que serve para centrar bem os olhares, insiste, "e bem. Ias gostar". Era isso que lhe queria dizer, que se pudesse a fodia bem. Mais do que muito, bem. Era preciso. Para livrar os corpos do feitiço, para sacudir os desejos profanos. Havia tempo que isso era sonhado, havia muita carne entumescida pela ideia, e era urgente fazer algo a esse propósito.

"Sabes", prosseguiu, "se te fodesse ia deitar-me atrás de ti, como tu dizes que gostas. Ias sentir-te dominada. Segurava-te pelos pulsos atrás das costas e encostava-me a ti quase ao ponto de te penetrar". Por aquela altura, lambiam-se os lábios. Admitia que a adrenalina lhe tivesse deixado a pele mais seca e a garganta mais necessitada de água, porque palavras, nenhumas, e o modo como procurava humedecer os lábios diziam-lhe que estava a crescer nela a excitação causada por um filme cujo final ela desejava muito. Mas reagiu então perguntando-lhe "e mais?". E mais? Brincaria com ela por algum tempo. Tocando a pele arrepiada sem pressas, absorvendo esses odores que dão côr à química, que unem ou afastam pessoas sem lógica aparente, humedecendo os dedos nos seus espaços mais quentes, preparando caminho. "E?", e depois, triunfando, derrubando todas as barreiras, se ainda as houvesse, entraria nela. Se eu pudesse, dizia ele, eras fodida nesse momento. Quando já estivesses a desesperar. A pingar.

"Apetece-me muito", disse ela. Virou-se de costas para ele, despiu célere a fina blusa e as calças desportivas de algodão muito fino, largas, que, descobriu ele então, eram a única roupa que lhe cobria o corpo. Afastando um pouco as pernas, e mais ainda os braços, encostou-se à parede mais próxima insinuando as suas redondas nádegas, e olhando discretamente sobre o ombro disse-lhe de novo, "apetece-me muito, se puderes".

Anóxia simples

O olhar sufocado
não se esqueceu
não se esqueceu de te inspirar;
mas então
esqueceu quase tudo
ficou surdo
e ficou mudo
e até o ar perdeu
ao respirar
pelo coração
que se encheu
e não quis esvaziar.
Tenho medo
tenho medo de me lembrar
de te expirar
e ofegar o mundo
Meu amor, sufocar
é perder-te no meu ar.

Postalinho da Lady.bug


"Já cá canta! o DiciOrdinário do blog mai' erótico da minha blogosfera, onde faço questão de participar com alguns posts catitas e fundos. Sempre muito (pro)fundos.
E com dedicatória especial da Sãozita e Raim e Gotinha! Ai que alegria imensa!
Ora bem... e agora escolher uma prateleira para ele? Junto dos dicionários da Porto Editora? Junto da Alice no País das Maravilhas? Hummm... ou perto dos livros de marketing e inovação? Lado a lado com a Crítica da Razão Pura pode ser atrevido demais!
Lady.bug"

Tens as mesmas dúvidas da Bertrand e da FNAC, que põem o livro respectivamente nas secções de «Sexualidade» e «Saúde e Bem Estar».

Comprem, meninas e meninos, comprem, o diciOrdinário ilusTarado! Vai da frente ao outro lado! Comprem, meninas e meninos, comprem...

Fodida na boca

07 abril 2010

Ética para uma prostituta

Na eventualidade das duas únicas respostas que se possam dar a determinado problema serem péssimas, a questão coloca-se em como escolher a menos má. O que é do mau o menos mau? Refiro-me especificamente ao dilema que experimento quando sou contactada por mulheres determinadas e decididas a enveredar por este caminho. Não falo das que estão hesitantes, falo das que tomaram a decisão e já ultrapassaram as hesitações, ponderações, etc... Contactam-me, nessa fase, para saber como entrar, como fazer: portas, segredos, procedimentos... Eu não quero apontar portas de entrada a ninguém, isso faz-me sentir péssima, terrível. Eu não quero explicar a ninguém o que tem de fazer, como e onde, para se prostituir; sinto-me responsável e culpada. E se eu não explicar? Eu sei que quem quer acaba por fazer. Nesse caso, acabará por fazer, sem saber quase nada e contando apenas com a sorte. Quando ninguém nos guia e não sabemos onde estão os buracos, podemos cair neles. Mas eu não quero. Eu não quero explicar casas, independentes, valores, sites, sítios, clientes... Mas se não explicar... E agora?