13 fevereiro 2011

Carta ao Viajante (VI)

Alguma coisa encontrou e até já descobriu o que pode ser. A incolumidade é para os outros, de tão saciados que estão já nem respiram mais que ar; nós, os eternos incompletos, respiramos até a fome, nesta coisa tão evidente, sempre à espreita (parece-me que lhe chamamos vazio, parece-me que o casamos com angústia), nem que tenha que sufocar, nem que tenha de correr; voltaremos com o que contar.
A tapeçaria é suave, maravilhosa e ninguém vê ou precisa de se interrogar sobre o estado da parede que cobre ou sequer se parede existe; assim é a ilusão, tão plena na sua parede; de viagem em viagem destapamos-lhe mais um milímetro, por vezes dois, contemplamos os buracos, o sujo, a humidade, cada imperfeição perscrutada com a surpresa de um coleccionador de borboletas ou de um vendedor de detalhes; antes a imperfeição que a cegueira, antes o conhecimento que a felicidade nas superfícies, a parede sou eu, a parede és tu. É esta minha capacidade de sorrir, sorrir, sorrir, que me avisa do tanto que ainda não sei, qual tola ignorante da crueldade da vida, e é tanto o que não sei que nunca o saberei inteiro; vai-me sobrar sempre sorriso que me lembre que há mais caminho a fazer. Só há derrota na paragem; em cada ferida hei-de confirmar quanta pele me sobra e lançar-me à próxima, é a viagem dos loucos, furiosos, fora de si, dentro de si, chegarei a lado nenhum mas, quando me deitar, levarei uma vida cheia atrás; se choro quando falho, chorei mais quando não tentei, voltaremos com o que contar.

«Cenas do quotidiano» - por Rui Felício


Baixote, atarracado, o nariz vermelho, avinhado, ocupa-lhe dois terços do rosto e os minúsculos olhos ficam escondidos por trás das sobrancelhas grisalhas, fartas e despenteadas. Perna curta, o colarinho aberto mal envolve o pescoço gordo que lhe encima o tronco desproporcionado. A barriga proeminente escorrega-lhe por cima do coçado cinto de cabedal apertado no último furo.
Tem uma antiquada loja de louças na Av. de Roma que herdou do seu pai. Deve vender uma ou duas peças por dia, cuja receita mal lhe dá para pagar a renda. Mas não faz mal, diz ele. Com paciência, chegará o dia em que receberá um balúrdio pelo trespasse a algum Banco. Que o local é bom e bem posicionado, a dois passos da estação Roma do Metropolitano...
À falta de clientela, o Filipe passa os dias no passeio, encostado à já polida ombreira de cantaria, mirando o constante vai vem dos passantes, cumprimentando uns, cortando na casaca de outros.
Nisto, uma senhora alta, na casa dos quarenta e poucos, elegante, ar aristocrático, meneando sensualmente as ancas num andar firme e resoluto, passa em frente à loja, desprendendo uma fragrância provocante. O rosto irrepreensivelmente maquilhado, os lábios carnudos, escarlates, o vestido fino desenhando os contornos das coxas, um decote generoso, completavam a imagem de uma mulher de sonho.
Comia-te toda! – rosnou o Filipe...
A esbelta senhora deu mais uns passos, estacou, virou-se, mediu com desdém o atarracado Filipe e, antes de prosseguir o seu caminho, disse-lhe:
- Com esse físico?! Coitado! Tinhas um enfarte só nas provas...
O Filipe virou-se para mim e disse-me: - Já viste esta puta?
Não sei se é ou não é. Sei que chegou para ti, foi o que me ocorreu dizer-lhe.
Sempre detestei piropos ordinários...

Rui Felício
Blog Encontro de Gerações

Como "pescar" um Americano

Prostituta revela táctica para fisgar um Americano
(extracto de «O que farei com esta espada» de João César Monteiro)

O Lucky Luke era um amador

crica para visitares a página John & John de d!o

12 fevereiro 2011

O Astro Nu Sonho



A poesia escapa-se, como um nervo pelas massas.
Sinto o ar, o espaço, nas falangestas, tenso.
Vazado num sol.
Que... Queima...
O Astro!
Nudez explodindo.
Nu mastro!...
As minhas noites são gritos, que não se ouvem.
Sentem-se nas margens da página onde o Astro se incendeia, entrando pelas fendas das minhas palavras, batendo, rebentando nos seus seios desordenados.
Nos seus buracos.
Nus matos, onde a escuridão é vida.
Água agreste.
Numa pancada salgada.

Este silêncio

Quando o silêncio
é a ardente
perturbadora
do meu sentimento,
morro mais um pouco
pela voz que não oiço,
pelo abraço que não sinto.

Poesia de Paula Raposo

Edito Estrelas

O facto de a Justiça deste país andar toda fodida não implica que lhe chamemos Justiça Copular.

Amigas do peito...



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11 fevereiro 2011

Momento cultural patrocinado pelo Carlos Car(v)alho

ÁLIBIS

Um amigo meu que é tipógrafo, diz que leva sempre um exemplar do jornal onde trabalha «para mostrar em casa à mulher que esteve a trabalhar durante o dia».

Um pescador, que conheço, também costuma passar pelo mercado, não para se gabar das suas façanhas, mas para a mulher não desconfiar de que não foi à pesca.

Um calceteiro, com quem falei há tempos, confessou-me que leva diariamente uma dor de rins para casa a fim de a mulher lhe não fazer cenas de ciúmes.

Aquele provador de vinhos, que encontrei, explicou-me também que nunca lavava os dentes antes da mulher ter a certeza do volume do trabalho que diariamente o avassala.

Outro que tal, era aquele noticiarista que antes de ler as notícias ao microfone, dizia: «Olá, querida!».

Não há dúvida que há mulheres ciumentas e maridos que não querem problemas em casa. Penso, no entanto, que os homens abusam.
Os casos que citei são bons exemplos de homens felizes. O seu trabalho faculta-lhes o álibi que as respectivas mulheres exigem.

Agora, se vocês são meus amigos, digam-me: acham francamente, que a minha mulher vai acreditar que levei todo o dia para escrever isto?

(Joaquim Letria, in “Histórias para ler e deitar fora”)

Das metades

Não existe perfeição ou garantia das suas maravilhas; se os Deuses são perfeitos, não existem na Terra; o seu mais próximo, o semi-Deus, é - contudo - um semi-homem e não me parece que alguém queira mesmo um que é só metade. E o humano que caminha ao lado nem é perfeito, nem é Deus, mas se em nada for semi, é amá-lo por inteiro que amor não existe pela metade.

Pénis animado ensina as crianças a mover as mãos de forma a obterem satisfação sexual, até à ejaculação

A MADR enviou-nos este video produzido pelo governo da Bélgica para as crianças, que está a gerar polémica por ensinar as crianças em idade escolar a masturbarem-se. O vídeo está a ser transmitido nas escolas, inserido no programa de educação sexual infantil.

Os fantasmas perseguem-nos... mesmo que não lhes liguemos nenhuma


Noite da vergonha


oglaf.com

10 fevereiro 2011

A História da Itália em três imagens

(recebidinho agora mesmo por e-mail)

Memórias da Praça



Passou mais uma vez pela praça.
Seria naquele dia talvez a quarta ou quinta vez, não o sabia ao certo, mas isso também pouco ou nada importava. O importante era sentir o penetrar do seu corpo por aquele espaço, sentir por momentos a vertigem das aves sobre a sua cabeça quando cruzava o centro do empedrado e com um único relance enchia num voo de olhar todo o vazio ao seu redor, até ao ponto onde as pedras postas no chão mudavam de sentido, subindo na vertical, fazendo paredes delimitadas por aberturas, portas, janelas, varandas. Respiradouros por onde os cheiros dos seus mundos interiores comunicavam com o espaço comum que ele agora atravessava.
Agora a luz da tarde começara já a cair e o sol, a incidir de forma oblíqua, expunha de forma crua como as nossas memórias se guardam no que é belo e eterno. Quase todas as paredes mostravam estragos da invernia. Bocados de tinta danificada expunham vestígios da trama dos tijolos ao mesmo tempo que os verdes de musgo tingiam aqui e ali os recantos mais abrigados das construções. O próprio chão, pesasse embora o sol magnífico de todo aquele dia, cheirava a humidade e, nalguns sitios, como junto às sarjetas, a mofo e a coisas estragadas.
Parou mais uma vez sob aquela janela. Não tinha noção de há quanto tempo tinha sido mas o cheiro dela continuava tão fortemente implantado nas suas narinas como se a tivesse mesmo ali junto a ele.
Perante si correrram rapidamente as cenas que agora o faziam sentir a angústia de não ter com quem repartir a doçura que a sua saliva segregava. As esperas de dias, as mensagens de olhar, o ir e vir, e finalmente o primeiro encontro. Lembrou-se de como tinha sido e a intensa alegria que os dois tinham partilhado. Nem sempre isso acontece nos primeiros encontros mas no seu caso particular...
Naquela ocasião, tinham-se aproximado de imediato mal ela aparecera cá em baixo. Saíra subrepticiamente, à socapa, pois nem é preciso dizer que os quartos de sentinela lhe tinham criado problemas com os seus em casa.
Assim, sem mais demoras e eufóricos, tinham seguido juntos pela rua do centro da praça até ao pequeno jardim que ele conhecia desde a mais tenra idade e que ainda há pouco, quando ele ali estivera, alguém estava a regar. Durante o percurso, desejosos um do outro, tocavam-se, aproximavam as bocas sôfregas e pelo facto de ser então já noite, o calor dos corpos transmitia-lhes a mesma sensação de conforto e envolvimento que ele agora sentia olhando para cima, quente de sol e de memórias, agora elas já todas relva no jardim que servira de cama aos seus desejos....
Um ruido familiar fê-lo voltar-se para trás e de imediato as memórias se volatilizaram. Era a sua amiga, o sua maior amiga. Por um instante engoliu o amargo. Fora por ela que tinha abandonado aquele amor no exacto dia a seguir ao seu primeiro encontro quando ela mudara de cidade. Porque é que trocamos tantas vezes o amor pela amizade? - Interrogava-se agora mudamente, como tantas vezes tinha feito, quando estava zangado com ela, mas acabando por regressar sempre e sempre, como algo predeterminado e a que inexplicavelmente não podia fugir.
Agora já estava próxima e ele ensaiou um esboço de sorriso que ela respondeu com uns traços de rosto franzido e voz de enfado:
- Onde tens andado? Procurei-te por toda a parte! Vá, que temos de ir embora.-
E dizendo isto tirou do bolso e prendeu com firmeza o fecho na trela...

desejo

hoje
fechei os olhos e desejei
desejei-te
desejei-me nos teus braços
no teu corpo
no calor da tua boca

E se uma filha tua quiser ser prostituta?

Lembras-te deste texto da Miss Joana Well sobre a prostituição?
"(...) De uma forma muito simples, esta é a correlação e a página onde se vão escrever os próximos meses: menos dinheiro nos bolsos diminui o número de clientes, menos dinheiro nos bolsos e há mais mulheres que decidem prostituir-se. (...) E isto não vai acontecer num qualquer mundo à parte, é cada vez mais o habitual a prostituta ser a vizinha do lado, a prima, a irmã, a namorada, a esposa."
Nos comentários gerou-se uma discussão muito interessante:
Laura: "(...) devo confessar-te que embora o facto de alguém poder e querer ter relações com diferentes companheiros sexuais não me choque já fazê-lo por dinheiro entristece-me!
Shark: "(A actividade dela não é redutora. A ideia até é precisamente a oposta...)"
Laura: "É sincero isso que diz?! Acha mesmo que a prostituição como actividade não é redutora?! Pois olhe, eu tenho 3 filhas e se uma delas me viesse um dia dizer «Mãe eu sou (ou quero ser) prostituta» eu não ia dar saltos de alegria nem ia incentivá-la de qualquer forma que fosse! Também não iria nunca virar-lhe as costas! NUNCA! Mas esse seria certamente um dos dias mais tristes de toda a minha vida, senão mesmo o mais triste! E olhe que já vivi alguns que não desejo a ninguém! E você, como reagiria?!
Shark: "Reagiria como me compete: sem julgar seja quem for, depois de me certificar tratar-se de uma opção consciente e não forçada. Há alternativas?"
Laura: "Alternativas a quê? À reacção ou à profissão? Na minha visão do mundo e do amor, filha minha sê-lo-á sempre, onde quer que esteja e o que quer que faça, por muito que isso me possa doer! Amar para mim é aceitar o outro como ele é! Por isso não teria outra alternativa senão a de respeitar a sua escolha! Aí estamos de acordo! Quanto à prostituição como profissão as alternativas existem, assim exista liberdade de escolha!
Concluí pois que é o facto de a considerar redutora enquanto actividade profissional que o leva a discordar (...) Mas o que eu quis dizer é que para mim uma mulher que olha para um homem qualquer (mesmo que até aí desconhecido) e se diz (dizendo-lhe depois) apeteces-me, quero-te e vai com ele para a cama. É uma mulher livre! Já uma mulher que olha para um homem (ou mulher, claro) que nada nela desperta (mesmo que não chegue a sentir repulsa) e se diz lá terá de ser (porque vai dar para a renda ou para aquele saco LV) dizendo-lhe depois, «vamos para a cama, é X e com devaneios Y», não é uma mulher livre! É uma mulher que não escuta o seu corpo, antes o amordaça, o ignora e o reduz a moeda de troca!"
shark: "(...) quando aqui reajo à expressão «redutora» falo no encolhimento das pilas. E por isso comentei em tom jocoso e pensei que alguém perceberia que se subentende que a actividade da Miss é mais «alargadora» nessa perspectiva."
Pois... mas a pergunta mantém-se: E se uma filha tua quiser ser prostituta?

Achados de baú: Nus

Mamã Obama



HenriCartoon

09 fevereiro 2011

Quem murcha são as rosas

Nunca percebi aquela mariquice de dizerem que tou murcho quando (nas raras ocasiões em que) permaneço em repouso. Murcho? Mas que conversa é essa? Sou alguma flor?
A malta não tem cuidado nenhum com a terminologia, isso é que é. E eu, falo que não fala, tenho que me aguentar à bronca com todo o tipo de expressões que me achincalham, não bastando já a superficialidade com que me avaliam pelo tamanho enquanto entram numa de que os homens não se medem aos palmos...
Acho que não há respeito nenhum pelas pilas e isso é revoltante porque dão uma no cravo e outra na ferradura, por um lado os gajos agarrados a nós fartam-se de louvar o "seu" desempenho (que afinal é o nosso, que eles só atrapalham) e olham para nós cheios de vaidade das "suas" proezas e por outro tratam-nos como um pedaço de carne pendurada sem utilidade alguma (o que até pode ser verdade noutros casos, tenho ouvido queixas aqui e além, mas não me diz respeito).

Eu sei que pareço uma pila refilona, sempre a protestar e assim. Mas ponham-se no meu lugar e digam lá se não tenho razão...

Reconhecer a Felicidade

Encontrando a minha felicidade na tua, não me apodero do teu Ser, antes ofereço-me à edificação do teu bem estar, ao complemento de ti e ao alcance da tua plenitude.
E se ser feliz poderia ser sonhar e realizar, explodir esse sentimento é despertar no outro toda a grandeza latente, por surgir e exultar nesse espaço as nossas emoções.
Isso é felicidade, isso é Amor, isso é perdermo-nos no outro e encontrarmo-nos em nós.
Um coração engrandecido e nobre não reconhece a felicidade através de si próprio, apenas porque falta-lhe a felicidade de todos os corações que o rodeiam. E assim, será alguém suficientemente feliz e capaz do reconhecimento dessa emoção?

Inspirar (viver) para expirar (escrever) e assim respiro (existo e sou)

Não acredito que a escrita nos queira dedicados por inteiro, depois nada tínhamos para escrever. Acredito, sim, que aos momentos a que nos chama, nos leva inteiros, pelos braços e pernas, pelo ar ou pelo chão; deixa-nos viver para nos cobrar a vida por letras; quer-nos dedicados à vida para ter o que nos cobrar. É como inspirar (viver) para expirar (escrever) e assim respiro (existo e sou). Falo pouco de mim, costumo perguntar-me mais, porque sei pouco de quem sou, de mim só sei como estou, às vezes nem bem sei onde, é um qualquer caminho que sobe, não sei a altura, não sei quanto falta, posso estar em qualquer medida de espaço e tempo. Sei que gostava que as palavras dessem a volta ao Mundo, uma espécie de abraço, mas não sei quantas linhas ainda terei que escrever para somar esses quilómetros todos, sei que as estou a escrever e que as estou a viver e que as que vivo me serão cobradas no papel, um amante exigente que todos os dias me entrega a outros braços para aprender novos beijos que lhe possa dar.

Afinal havia outro...



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08 fevereiro 2011

ConVite EscanCaradaMente Aberto a Todos!



Ler nas linhas, comboio nas mãos

Não está aqui. Ausente. A cabeça num ombro, o cheiro que há-de saber, o braço pelas costas; quando está no lugar certo é assim que se sente o braço e o corpo, como se estivesse arrumado na gaveta dele. Deve estar feliz e não está aqui. Logo volta, pode ser que conte tudo, pode ser que conte nada e ainda assim em incontáveis pontuações.
Não está aqui. Mas onde está? Talvez em segredo numa mão da história de dedos incertos por escrever, linhas nas palmas, dias na pele. Talvez não saiba onde está mas há-de saber, promete, há-de saber. Eu que nem sei de mim, prometo aqui voltar; sem precisar de descobrir, respiro e não me descubro respirar, é aqui que sei sempre onde estou.
Onde estás? O joelho perdido, o pulso abandonado gagueja e pode ser que até aprenda a cantar, ou não; tudo menos a mudez da indecisão, o comboio passa e até se podia saltar, cada pé fora do chão e pode ser assim, pode ser que seja mesmo assim, sem saber bem como é, mas há-de saber, diz que há-de saber.
Não está aqui. Ausente. Foi procurar um bocadinho de si um bocadinho.

Nada

Num momento falas-me
de amor,
noutro ignoras-me:
o amor não é ser ausente,
é manter o presente
como se não fugisse;
como se as palavras
pudessem continuar
a ser as de amor.

Mais de resto, ainda
existe - só - nada:
nada não é amor.

Poesia de Paula Raposo

«Ecstacy in Indian Temple Sculpture Khajuraho»


Nas suas viagens pelo mundo, a Daisy e o Alfredo Moreirinhas visitam locais que eu só conheço de ler e de ouvir falar (e alguns sítios, nem mesmo isso).
Ofereceram-me um livro com 20 postais de esculturas do templo de Khajuraho, na Índia.
Obrigada, Daisi e Alfredo! Fica tão bem na minha colecção...

Berlusconi - A vida é um bordel



HenriCartoon

07 fevereiro 2011

Noite de estreia

Nunca me esquecerei desse dia.
Repousava encostado à virilha esquerda quando senti a presença de uma mão, algo que estranhei pois não havia soado o aviso de rotina para a função que até então que me cabia cumprir.
Estranhei ainda mais quando os dedos se enrolaram em meu redor e começaram a subir e a descer de uma forma inusitada e eu já de cabeça bem levantada, satisfeito com aquela inovação.

Foi de facto uma sensação inédita que senti como uma revelação, adivinhando na hora um futuro promissor que surgia no horizonte (o dele, que trago agarrado) tão erecto como um pelourinho ou o monumento que encima o Parque Eduardo VII.
A mão não parava e eu nem sabia do que gostava mais naquela atenção que me permitia descobrir novos caminhos e antever extraordinárias aplicações.

Apanhei um cagaço quando de repente senti uma cena diferente a brotar de mim, algo que os meus inseparáveis amigos (que enviaram aquilo no preciso instante em que me estava a saber melhor, apanhando-me distraído) cuidariam de me explicar mais tarde na utilidade e na razão de ser.

Sei que descobri um novo e apetecível prazer, que se manteria sobretudo quando a mão, pouco tempo depois, se prestou a uma excelente troca. E desde esse dia memorável estou tantas vezes em sentido que até parece que entrei para tropa.

Inteligência masculina

Neologismos

Terei que inventar palavras para imprimir força às emoções que te quero dar.
Aquelas que nos ensinaram estão gastas, usadas, sem nada de novo trazer à nossa Casa.
Intento algo diferente, aquilo que Ser Humano algum jamais sentiu ou te endereçou.
"Amor" não basta;
"Ternura" é comum;
"Carinho"? Palavra vaga.
Todas as demais que proferimos não fazem jus ao que te quero; ao que nos queremos.
Irei inventar novas palavras, sim;
o nosso dicionário será enriquecido;
sapiência de sentidos traduzida em prosa;
a nossa língua viverá entre os dois peitos onde explodem estas emoções - hoje - indescritíveis.

toujours cette histoire de taille - Évelyne Louvre-Blondeau



le blog d'Évelyne Louvre-Blondeau

06 fevereiro 2011

Paixões



A paixão pode ser um adorno
e nós os seus dedos anelares,
semi-preciosos, enterrados
bem fundo nas carnes;
as rotundas intermináveis
as vagabundas indomáveis
oscilam em movimentos
e tempos bem ritmados,
sabem que são dádivas,
pacientes e ávidas,
das espirais contra a letargia;
eu nunca desmentiria
sequer uma sombra do anelar,
sequer por mil anos,
de manhãs sem arestas...


Bryan Ferry - «You Can Dance»

«Subitamente ao acordar» - por Rui Felício


Está em minha casa desde há quinze dias...
Quando acordo e acendo a luz, ela ignora o frio, abre a caixa onde guarda as pinturas e os cremes e começa a maquilhar-se, a pentear-se. Parece que receia que eu a veja descomposta.
Ainda meio ensonado, vejo-a sorrir para mim, entreabrindo aquela boca bonita. Mesmo com este frio, veste-se com uma lingerie finíssima azul celeste, transparente, que me deixa entrever, por baixo, o corpo esbelto, bem desenhado.
Sentada em frente ao espelho da cómoda do quarto, passa o baton vermelho cereja nos lábios, com uma precisão milimétrica.
Com maestria, revira as pestanas e engrossa-as com rímel. Vou correndo o olhar pela pele lisa das suas costas, pela curva côncava da cintura, pelos longos cabelos louros encaracoladas caídos ao longo do corpo.
Ainda deitado na cama, observo-a a pintar as pálpebras com um pó esverdeado que lhe realça os lindos olhos azul marinho.
Lentamente, pega na escova e corre-a pelo cabelo sedoso, demoradamente. De vez em quando, suspira suavemente.
Volta a sorrir-me, deixa-me indeciso...
Mas não! Já estou atrasado.
Levanto-me, visto o roupão e dirijo-me para a casa de banho. Ouço-a desejar-me um bom dia, numa voz gutural que parece vir das suas entranhas.
Não lhe respondo.
E desligo o interruptor daquela linda boneca automática, a pilhas, que são activadas pela luz e que eu comprei para oferecer à minha neta quando ela cá vier.

Rui Felício
Blog Encontro de Gerações

A pancada de Paulo Sérgio



HenriCartoon

Ser social... e sociável

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05 fevereiro 2011

«Lírica para queimar» de Galo Porno (Rodrigo Coelho dos Santos) - extractos dos Volumes IX e XI


A Daisy e o Alfredo Moreirinhas passeavam na Guarda e viram "numa feira uma banca que toda a malta contornava. Parecia que o homem tinha lepra". Ambos os livros têm gatafunhos que é suposto serem dedicatórias à Daisi.
Um excerto dos extractos do vol. IX (pág. 39):
"quando pequenos bebemos muito leite para grandes o ejacularmos, assim dos homens nascem obras cândidas e gordas enquanto das mulheres obras gordas e cândidas também; assim do homem o falo é o símbolo enquanto da mulher o mamilo erecto. a ambrósia da vida o leite da fecundação traz prosperidade e saúde aos deuses que se tornam humanos no orgasmo; e sempre que uma criatura geme espumante de prazer uma ejaculação se celebra como fonte do ser vivo"
E um excerto dos extractos do vol. XI (pág. 39):
"Logo me lembrou o peito minha amada ponderando o modo como lhe havia isto de dizer: bombom, fui a um bailarico e vi o pessoal dançar. O João e o Ramón atacaram separando um casal de fêmeas e unindo cada parte a si até ao final duma esplêndida sequência sem paragem dos grandes êxitos de Emanuel, seguida mais tarde duma de Quim Barreiros: chupa a Teresa, rapaziada, e nós pimba, aquela que houve de dar o nome ao estilo de música portuguesa pop-pular, digna unicamente de ser cantada à noite por um mariolas sob uma tempestade de labregos mijões com cheiro a cerveja esporrada".
Obrigada, Daisi e Alfredo Moreirinhas, por mais estes dois miminhos para a minha colecção.

Jardim

No acoitar pleno da noite
vislumbro um eco:
já não é saudade,
é só uma flor
desabrochada
de um jardim
outrora meu.

Poesia de Paula Raposo

Será que assim haverá quem compre cigarros electrónicos?...

Assumir...



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04 fevereiro 2011

Postalinhos fresquinhos do Eros Porto

A nossa sexóloga favorita, Vânia Beliz, está por estes dias na feira Eros Porto 2011.
E mandou-nos estas fotos da Feira, tiradas pelo André C. (um excelente fotógrafo, diga-se, que se fosse eu as fotografias ficavam todas tremidas):










A Vânia Beliz (à direita, para quem sobe) com a Ana Monte Real (à esquerda, para quem continua a subir) e a Carla Cox (deve soar mal, alguém dizer-lhe "I love Cox").



Tomem lá, meninas não lésbicas, antes que peçam o livro de reclamações. Também há lá machos.

Agridoce

Encostou-a à parede e levantou-lhe a saia, fincando os dedos nas nádegas generosas. Sem parar de a beijar na nuca, no cabelo e no rosto, desapertou as calças e deixou-as cair pelas pernas, uma urgência, e começou a fazer pressão com o seu corpo no dela para que o percebesse pronto e capaz.

Apenas desviou para o lado a parte das cuecas que lhe atrapalhavam a rota e seguiu o seu caminho, por dentro, até onde nada mais havia para percorrer.
Pressionada contra a parede ela nada mais podia fazer, nem queria, do que deixar-se ficar ali a sentir-se mulher à sua maneira que era a de se entregar por completo quando confiava.
E ele bem se mostrava merecedor, um perfeito conhecedor que se revelava num apurado sentido das proporções, firme mas gentil, forte mas meigo o bastante para que ela se quisesse impotente para o travar nas suas investidas.

Tic... Tac... Tic... Tac...


O tempo tem manchas, não passa sem nódoa, sem cheiro,
quanto mais ele me beija, mais se enrugam os meus lábios...
Mas, se não me beija, apenas fico de olhos vazios,
olhos sem calor de Agosto ou frio de Janeiro...
Beija-me, Tempo, somos mais que retratos fugidios,
mais que pretos e brancos, somos cores, calores, frios...


Devia haver sempre sobressalentes!


A cidade imaculada


2 páginas (clicar em "next page")

oglaf.com

03 fevereiro 2011

«O Afrodisíaco dinheiro e as castrações bolsistas» - por Charlie

Vocês sabem que eu detesto pornografia, que é o que mais por aí há. E a especulação financeira é do que mais pornográfico existe.
O nosso Charlie reflecte sobre isso no blog «Persuacção - a força dos argumentos». Aqui vos deixo um excerto e a recomendação que leiam o texto na totalidade:

"No mesmo instante em que os homens inventaram a abstracção do dinheiro, criaram também a projecção do seu poder fálico consubstanciado através do mecanismo da sublimação que consiste na posse substantiva e real desse meio.
(...) O dinheiro, a sua posse, transpõe para o possuidor duas sensações opostas. A primeira é a afrodisíaca sensação de plenipotência. No entanto, o seu poder esgota-se no mesmo instante em que ele cumpre a função para a qual foi criado, e o desconforto deixado pela sua escassez, qual ressaca, é a segunda e remanescente.
Temos aqui, neste binómio, bem expressa a própria função do Falo: potente enquanto erecto, esgotando o seu poder no instante da troca. O dinheiro é sem dúvida de sexo masculino."

Leiam e comentem... ou aqui.

«Fábulas Cibernéticas» da Kikas



"Conheceram-se num desses chats da moda e resolveram marcar um interface num cybercenter, acabando, como é óbvio, conectados num trapézio sem rede.
Patati para ali, patuá para acolá e à distância de uns bytes, a miúda já fazia downloads utilizando o hardware do hotmale.come.
Antes da transferência de ficheiros, nem se lembrou se tinha firewall instalada ... upssss, tarde demais para fazer escape.
Mas o hotmale.come, tal como indica o nome, é um comilão insaciável e utilizava várias ISP’s simultaneamente ... banda larga fixa, banda larga móvel, dial up quando viajava para a parvalheira, cabo, satélite intercontinental e Emea fibra.
Mais tarde descobriu que, mesmo virtualmente, qualquer um pode transformar-se num reles Trojan Horse travestido de Sapo adsl. Acabaram-se os uploads, encaixotou-o mais as agregadoras de feeds RSS e mandou-o para o byte que o pariu, tratar o vírus no Bill Gaitas Microsoft Shit Center.
Hasta la Windows Vista, baby!"
Kikas

Cuequismo

69 em cima dela

02 fevereiro 2011

Pelas ancas

Deitou-a de lado, levantando-lhe uma perna, e começou a passear-lho sem pressas pela periferia daquilo que pretendia comer. Devagar, acabou aos poucos por entrar enquanto lhe observava as mudanças de expressão e a via bonita como sempre acontecia quando ela se oferecia ao seu olhar.

Degustou-a com os outros sentidos também, deliciado, absolutamente encantado com o privilégio que representava aquele momento que era só seu. E dela, que se contorcia como uma gata e cravava as unhas na almofada com que tentava abafar os gritos que precisava dar quando o sentia forçar mais e mais o seu corpo em plena levitação.

Mal tocava com os pés no chão quando ele a dobrava e depois a agarrava pelas ancas e literalmente a pendurava em si.

Dia Mundial das Zonas Húmidas


Apresentamos duas imagens para reforçar esta divulgação, porque hoje é o Dia Mundial das Zonas Húmidas!

"...Em 2011, o material de divulgação preparado para as comemorações do Dia Mundial das Zonas Húmidas, que se comemora a 2 de Fevereiro, chama a atenção para a necessidade duma visão integrada de toda as "Zonas"..., quando se pretende gerir as que respeitam às zonas húmidas, daí o tema deste ano ser “Por esta "bacia"... abaixo, as zonas húmidas ligam-nos uns aos outros.”



Carlos Car(v)alho
Blog Tuna Meliches

Rascunho Negro

Ele encontrou a desambiguação do ser e do estar numa só matéria humana de sobressalto pelo caminho que lhe traçaram.
Caminha solitário sobre as pedras rubras, do sangue que lhe cai das veias pela permeabilidade que não esconde.
Não disfarça...
O seu corpo é transparente, a alma invisível, as veias secaram e o coração assume a cor de uma castanha por verter todo o vermelho que bombeava.
Ainda assim, vive.
Ou vai andando apenas, pelos socalcos, tropeçando, deambulando torso e ébrio a cada passo que tenta.
Pára.
Contempla o céu negro, sem estrelas, procurando que qualquer coisa lhe faça sentido, através daqueles olhos macilentos e pobres... de alma e vida.

Das coisas "pequenas"

Uma vez disseste-me que escrevesse das coisas que vejo na rua, pequenos movimentos de pernas, redondos passos de mãos, as pessoas que passam mais ou menos do que são nas ruas àquela hora, a pedra que dorme no chão e as esquinas que segredam atrás da mãe que leva os filhos de volta a casa enquanto sonha com a juventude e o amante imaginário espreita à espera da loucura que não chega porque o tédio mata mas nunca se divorcia da lucidez, o homem que atravessa a estrada a correr em fuga da coragem porque nunca mais quer enfrentar as somas dos talões do supermercado e o dia e noite só de horas a fio, as chaminés que cantam as fomes emocionadas para cada estômago quente e triste, comer para amanhã acordar noutro dia de igual manhã e talvez sejam felizes nos intervalos das coisas ou nas recordações de coisas que só agora percebem felizes, um menino de joelhos negros joga um jogo que tem gatos amarelos a miar aflitos, são tantas coisas nas mãos pequeninas de cada garoto, um mundo inteiro entre dedos de sorrir, eu ainda quero um pijama macio e um beijo. Não percebi porque me disseste; alguma vez eu escrevi outra coisa que não das pedras e almas que me atravessam a estrada das palmas, pernas feitas de pontas de dedos?

Vírgula



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01 fevereiro 2011

“A geometria da picha” ou “Os falos deles e os delas”

Por mais instrumentos de medida que se tirem da cartola, ninguém se entende quanto a isto da “geometria da picha”, mesmo porque “a coisa” depende muito do ângulo. (Os ângulos rectos, por exemplo, são muito apreciados… mas depois também há os obtusos, os agudos, e as pichas vistas de esguelha…).

Aqui há tempos a propósito do post “As 10 melhores pilas do mundo”, da autoria de um ilustre Tubarão, e de uma alusão ao “tamanho de senhora”, escrevi um comentário no “a funda São” que acho que vale a pena retomar:

"Tamanho de senhora"?? Há tempos quis comprar um berbequim, aconselhei-me supostamente com um especialista, e o gajo vendeu-me um de senhora. Não gostei nada da brincadeira!! (Custou 100€. Vendo por 50€ em estado novo!) Já com a pá de trolha sucedeu o contrário... só havia modelos masculinos... comprei... saíram-me as contas furadas... e lá tive que ir em busca duma segunda via "tamanho de senhora".
Bom. A pila... se não funciona não tem graça. O tamanho não é tudo, nem de longe nem de perto (pronto! talvez de longe...), mas tudo o que é demais, é moléstia, tanto para cima como para baixo. Depois, há a forma, cheiro, sabor... e, claro, a "coisa" com pernas e olhos a que vem atarraxada também tem a sua importância... não fosse isso mais valeria ir escolhê-la a gosto a uma loja. Coisa, aliás, que, numa perspectiva prática, qualquer senhor poderá fazer se não estiver satisfeito com a ferramenta que possui. O problema está na troca de prazer. De onde, concluindo, a pila que merece a taça seja, a meu ver, a que tem maior potencial de troca. O restante, haja inteligência e criatividade, é negociável”.

Na verdade, do ângulo em que me encontro, de mera observadora e conhecedora apenas na perspectiva de utilizador, dentro do que seja uma “geometria normal” e “medidas padrão”, parece-me que o mais importante numa picha é mesmo o cérebro. Pois! Uma picha modelo aprende a falar vários idiomas e a conhecer e a apreciar o som da flauta do encantador que melhor a tira da cesta e ainda é capaz de pensar com mais de três artérias a funcionar, e compreender perfeitamente as leis elementares do mercado de trocas de prazer: saber dar e saber receber. Nesta perspectiva, tem havido quanto a mim um erro nos instrumentos de medida utilizados para aferir a geometria mais favorável de uma picha. Réguas e fitas métricas com medidas de comprimento e perímetro em centímetros é mais coisa para elevar egos de rapazes do que para fazer gozar meninas… a minha sugestão, dada a complexidade do problema, é que se passe a utilizar um SIMP (Sistema Internacional de Medidas de Picha) incluindo graus (para ângulos de preferência de noventa para cima) e quilómetros por hora.

Enganos

Confundir o amor com a necessidade de amar é como afogares-te na sede quando estás em frente ao mar: se caíres na tentação do desejo de beber, mais depressa vais secar, mais depressa poderás morrer ou seco viver uma vida inteira; o sal entra nos olhos e o que te queima e arde é apenas a cegueira.

Rasga-me

Rasga-me os sentidos
quando o nosso grito
ecoa uníssono
e as paredes vibram
no oportuno desenlance;
O punhal escondido
diz bem da tua condição
e, então:
rasga-me só mais uma vez.

Poesia de Paula Raposo

Cerveja «L'Alsacienne sans culottes»

A Daisy e o Alfredo Moreirinhas já me tinham oferecido esta base para copos. Agora ofereceram-me a garrafa. E depois a malta admira-se que eu ande sempre toda molhadinha...





Não sei porquê, adoro esta Alsaciana...

31 janeiro 2011

Poliamorismos machões

É mais descarado o poliamoroso que traz outra mulher para casa para que as duas se possam revezar na satisfação dos seus desejos ou o que traz outro homem para casa no sentido de repartirem as tarefas mais pesadas, nomeadamente aturá-la?

Não a Mim, Domine

Não, é apenas uma ligeira melancolia nostálgica dos momentos em que os sentidos se trocaram. Acções jazidas. Não a mim Domine, não a mim, mas em Teu nome pela felicidade de alguém a quem me resumi. Em quem me resumi. Em palavras, em silêncio.
Cavalgo em estreito caminho de espinhos em permanente desvio, olhando para trás e vendo a Luz à frente. Salto as barreiras que me colocas aguentando o corcel erguido e agora a caminhar, aproximando-me do clarão cada vez mais apagado.
O rodopio em torno de mim traça sulcos na terra que piso. Perfeitas trincheiras solitárias de complexo acesso que sequer a visão chega.
Túneis de sentido único que outrora imperfeitos, deixam entrar brisas frescas augurando luzes de alegria do lado de lá.