Passei pela feira de artesanato da Mealhada na véspera do (último?) feriado do Corpo de Deus.
E encontrei por lá trabalhos em madeira muito interessantes e variados, no espaço «Art & Pau» do sr. José Santos, das Covas Altas (Porto de Mós). E encontrei várias peças que gostaria de trazer para a minha colecção.
Comprei duas, que o Sr. José Santos me explicou serem troncos de zambujeiro, uma oliveira brava que existe na serra de Aire. Curioso foi chegar a casa e ver que, na Wikipédia, apontam esta planta como sendo "uma espécie endémica da ilha da Madeira, característica do Zambujal. Esta planta aparece também na ilha do Porto Santo e nas ilhas Desertas". E na serra de Aire, aprendi eu com o Sr. José Santos.
A primeira piç... peça, um caralho de pernas cruzadas:
A segunda peça, uma senhora com um acessório que o sr. José Santos me fez o favor de explicar como se enfiava ("têm que estar virados para baixo [os tomates]") e que tinha uma "posição de descanso" [meter o... acessório no meio das pernas da senhora]:
12 junho 2012
11 junho 2012
Pele
Foto: Jacek Pomykalski
Entrego a mais sensível de todas as partes do meu corpo. Ali onde gosto que te percas. Onde todos os meus sentidos se cruzam. Os teus dedos e os teus lábios fundem-se no arrepio da minha pele e naquele momento deixo de existir como corpo mostrando-me em alma. Descobriste-a sem mapa. Encontraste-a quando te deixaste levar apenas pelo desejo e pela vontade. Ali te peço que mores durante os instantes que queiras. Onde não escondo nada e … sou toda tua.
«três segundos» - bagaço amarelo

- Escolhe! - Ela também sorriu.
Foi assim que nos sentámos na sala, de frente um para o outro, depois de uma noite em que percorremos praticamente todos os bares e tascos da cidade, para ter finalmente algum tempo a sós. O chá dela a fumegar e o gelo do meu uísque Bushmills a derreter lentamente. De certa forma, era o perfeito culminar daquela primeira noite a dois, porque o que eu tinha sentido era mesmo isso: que ela era quente e que eu era frio.
Aliás, foi essa a razão principal para mudarmos tantas vezes de bar. Ela queria estar sempre num onde se pudesse dançar, eu queria um onde pudesse estar sentado a conversar. Nunca o assumimos, mas fomos abdicando das nossas preferências em prol da cara de tédio do outro. Duas pessoas podem viver assim uma noite ou duas, mas não podem viver uma vida. Pelo menos foi o que eu pensei naquele momento e apeteceu-me chorar pela primeira vez.
- Tens música?
- É só escolher. - respondi com o mesmo orgulho disfarçado com que tinha exibido a minha pequena colecção de chá, enquanto apontei para os dois armários repletos de discos compactos, discos de vinil e até cassetes.
Ela desistiu. Provavelmente pensou que, depois daquela noite, não conseguiria encontrar uma só música de que gostasse. Seria como encontrar uma agulha num palheiro. E eu, para não criar ainda uma distância maior, fingi-me despercebido ao olhar indiferente dela para a minha colecção de música
Passei a concentrar-me apenas no essencial, que era o momento presente e que, para mim, consegui calcular em cerca de três segundos. Cada três segundos que passavam era uma oportunidade conseguida ou desperdiçada relativamente ao grande objectivo dessa noite: dormir com ela, abraçá-la ou tocar-lhe. Qualquer coisa.
Ela deu o primeiro gole no chá ao mesmo tempo que eu acabei o meu uísque. Ao dobrar-se para pousar a chávena no chão, através do decote em bico, consegui ver-lhe os seios que pareciam querer saltar do sutiã apertado. Quando se endireitou de novo no sofá, já eu tinha engolido todos os cadáveres das pedras de gelo que tinham sobrado do meu copo, sinal evidente de impaciência.
Levantei-me e pus-me a olhar pela janela, como se ao tirar dali o meu olhar pudesse também expulsar esse estado de ansiedade. Lá fora, a solidão própria da noite povoara as ruas que horas antes percorrêramos de bar em bar. Eu e ela. Senti-a aproximar-se e pôr o braço à volta da minha cintura e retribuí, naturalmente, com o meu braço a envolver-lhe os ombros. Pousei, finalmente, o meu copo cansado de estar vazio. Finalmente, o futuro transformara-se em presente, com o mesmo doce nervosismo intermitente dum dos candeeiros da rua. Medi os ciclos dessa intermitência e do abraço da Magda. Três segundos, é quanto tem o presente.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
10 junho 2012
Umbigo de quebrar proibições
O Rossio era o centro de Lisboa e os nossos catorze anos o umbigo de quebrar proibições. Éramos oito, tudo aos pares como convinha para uma correcta iniciação no mundo do adultos, dispostos a avançar pelos Restauradores para entrar de peito feito no Condes aproveitando a classificação abaixo dos dezoito daquele filme que entrava na categoria dos que os nossos pais tinham corrido a ver após o 25 de Abril.
Previamente acordámos uma distribuição dos lugares na fila, um macho e uma fêmea alternadamente, calhando-me do lado esquerdo o meu louro e ainda a sala não tinha escurecido completamente já a sua mão me desabotoava o botão da camisa para estender os seus dedos sobre as minhas mamas e catapultá-las para fora dos elásticos do soutien a fim de lhe encher a palma com cócegas de mamilo a espevitar-se. E aproveitando o tempo dos anúncios que enchiam ainda o grande ecrã virámos as caras um para o outro para um encontrão de bocas húmidas e línguas feitas esfregonas do céu da boca e zonas adjacentes.
Nos primeiros minutos colámos os olhos à película ansiosos pela descoberta das imagens animadas que as revistas não proporcionavam mantendo as mãos numa rotina automática de elevador no sexo do outro e vimos gajas, gajas e mamas, gajas emplumadas e em reduzidos trajes brilhantes, mamas às bolinhas ou aos losangos pelo efeito das luzes, gajas rodopiando em varões aos quais encostavam as mamas e gajos completamente vestidos nos bastidores a controlar os apetrechos técnicos do espectáculo. E cientes que o Crazy Horse de Paris não era o almejado corpo a corpo contentámo-nos com os nossos em beijos e amassos protegidos pelo escurinho do cinema.
Dom mágico
Ricardo - Vida e obra de mim mesmo
(crica na imagem para abrir aumentada numa nova janela)
09 junho 2012
«respostas a perguntas inexistentes (201)» - bagaço amarelo

Uma vez sentei-me contigo num banco de jardim e o mundo fechou-se. Deixou de se fazer ouvir e até de se fazer ver. Lembro-me que, muito de vez em quando, uma leve brisa fazia mexer as folhas das árvores, que nesse movimento agitavam a já fraca luz do Sol. Era o vento a segredar-me que ainda havia vida para além de nós. E eu sorria-lhe a pensar que não.
Talvez tenha sido a primeira vez que me senti apaixonado por ti, porque foi de certeza a primeira que o meu corpo começou a desobedecer à vontade de abraçar alguém. Eu queria abraçar-te mesmo, mas o meu braço nunca me obedeceu. Com a vida, aprendi que é assim que o Amor se faz notar, com o corpo a estancar de forma violenta toda a vontade de quem Ama.
Eu e tu nunca falámos de Amor. Nem do nosso, que não chegou a sê-lo, nem do de qualquer outra pessoa. Falámos, muito provavelmente, de todos os temas possíveis menos desse, o que não terá sido uma coincidência. Assim como, aliás, nunca foi uma coincidência passarmo-nos a sentar um ao lado do outro todos os fins de tarde a partir desse dia. Só hoje, com quarenta anos, é que percebo isso.
De todos os temas abordados entre nós, perdi a conta às vezes que te menti, sempre para te impressionar. Uma vez perguntaste-me se eu já tinha andado de avião e eu contei-te todas as viagens que consegui imaginar. À Noruega, ao Brasil, à Itália e ao Canadá. Contei-te histórias que não eram minhas, mas que tinha ouvido algures em conversas de outros. Acho que acreditaste sempre. Não sei...
Sei que houve uma tarde em que adormeceste no meu ombro e eu petrifiquei durante mais de duas horas, tanto para não te acordar como para prolongar essa rara sensação de te ter para além do verbo. Fechaste o olhos e eu fiquei a ouvir-te respirar. Só isso.
Já não te vejo há mais de vinte anos, nem sequer sei se te lembras de mim. Sei que hoje à tarde, entre a multidão agitada na estação de comboios, pareceu-me ver-te a passar por mim, depois de saíres exactamente do mesmo comboio que eu ia apanhar. Parei por uns breves momentos e virei-me para trás, esbracejei entre uma interminável maré de pessoas para conseguir chegar até ti e, quando finalmente te alcancei, vi que não eras tu.
Foi assim que fiquei a saber que gostava de te ver de novo.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Ratos de computador
Par de ratos de computador com mulheres em lingerie vermelha cujos seios são os botões do rato. Um dos ratos tem uma camisola amarela em tecido, amovível, com a bandeira e a palavra Brasil.
08 junho 2012
Sorriso com sardas
As palavras
queimavam-lhe a garganta, tal como as lágrimas lhe faziam arder os olhos.
Calou-se. Primeiro engoliu tudo o que tinha para lhe dizer e calou-se. Depois,
secou as lágrimas com as costas das mãos. Enfrentou a dor e a vergonha de tanto
lhe doer e cerrou os dentes e os lábios. Engoliu em seco. Tornou a engolir em
seco. Mordeu o lábio inferior e suspirou profundamente. A infelicidade de ser
quem era naquele momento infiltrava-se por todos os poros e contaminava-lhe
corpo e alma. Doía-lhe. Doía-lhe fisicamente. Sentia arrepios de frio e
tremores por todo o corpo. Sorriu. Fez um esforço e sorriu. Enfrentou a pena
que sentia de si, o seu corpo que vacilava e parecia quer desmoronar-se e o seu
ser mais profundo que queria abandonar-se à dor, à inacção, ao desalento e
sorriu. Um sorriso forçado, que não passava dos lábios, mas um sorriso.
– Sabe, bem – disse
ela, com o sotaque meloso que o derretia desde o primeiro momento em que a
conhecera, mostrando-lhe um sorriso complacente, quase maternal, que lhe
iluminava o rosto, os olhos, as sardas. – As coisas quando não acontecem é
porque não têm de acontecer.
Ele, o bem,
esqueceu-se do sorriso, que desapareceu sem deixar rasto, e mostrou em todo o
seu esplendor o desgosto que o dominava.
– Eu não acredito no
destino – declarou António, que dissera chamar-se Luís. – O destino somos nós que
o fazemos, Luísa.
– Heloísa – emendou
a mulher, ainda com sotaque mas já sem mel. Não costumava enganar-se nos
clientes que abordava mas, naquele caso, parecia-lhe, enganara-se redondamente
e perdera vinte minutos como figurante numa encenação manhosa de uma peça muito
vista.
– E podemos ser
felizes, Heloísa – insistiu Luís enquanto António. – De certeza que podemos
chegar a um entendimento, afinal estamos a falar de vinte euros de diferença.
Podemos rachar…
– Você assim não
racha nada, cara.
– Eu subo dez e você
baixa dez e…
– Somos felizes? – A
mulher levantou-se.
– Sim – disse o António
que falava pelo Luís. – Adoro o teu sorriso com sardas, já te disse?
– Eu só sou feliz
quando me pagam o meu preço e sim, já me tinhas dito, há vinte minutos atrás.
Tanto o Luís como o
António ficaram embasbacados a olhar para a mulher que, de repente, em pé, perdera
o sotaque e seguira sem um adeus embrenhando-se na pequena multidão de homens e
mulheres que deambulavam pela sala, eles com cervejas ou copos de whisky na mão,
caçadores prestes a ser caçados, e elas com sorrisos e gestos encantadores ou
sexualmente explícitos dando ar de presas submissas ou rebeldes, mas todas com
ar de quem tem mais do que fazer do que andar por ali a patinhar.
07 junho 2012
«Do meu ponto de picha» - Patife

Patife
Blog «fode, fode, patife»
06 junho 2012
«coisas que fascinam (142)» - bagaço amarelo

Hoje acordei de manhã para lavar a louça acumulada há dias no balcão da cozinha, aspirar o pêlo dos gatos acumulado nos cantos da casa, passar a esfregona sobre a sujidade acumulada nos chão cerâmico da cozinha e da casa de banho e, por fim, passar a ferro a roupa acumulada no quarto. Os dias acumulam-se uns sobre os outros, em prazer e dor. O prazer de não fazer nada e a dor de saber que se terá que fazer tudo duma vez, um dia qualquer.
Já fui diferente, isto é, já fui daqueles que não deixam acumular nada e têm sempre a vida vestida a rigor. Lavava a louça logo a seguir ao almoço ou ao jantar, não tinha gatos e aspirava a casa duas ou três vezes por semana e, por fim, passava a roupa a ferro mal a tirava da corda. Não acumulava nada nos meus dias, nem sequer um Amor que fosse.
Há uma certa paixão na desordem da vida que não quero voltar a perder, porque ela é um pilar essencial da minha capacidade de me apaixonar. Hoje mesmo, sorri ao lavar o fundo duma série de copos que ainda cheiravam a vinho, porque recordei os bons momentos em que os bebi ao jantar com uma amiga. Recordei também Cabo Verde, ao procurar a cidade do Mindelo no mapa da t-shirt que a Raquel me ofereceu durante as férias que lá fizemos. Depois escolhi uma banda sonora para passar a roupa a ferro: Buraka Som Sistema para as t-shirts, Cesária Évora para as calças e para as toalhas, Mayra Andrade para roupa interior.
Com o tempo apercebi-me que os dias que se acumulam sobre a minha casa são apenas a minha vida. Deixo-a acumular-se devagar, percebendo-lhe cada hora, cada minuto, cada segundo. E nela, nessa acumulação, percebo que nada do que ali se amontoou foi em vão. Nada é para ser esfregado logo a seguir à sua existência. Limpei hoje, para que nos próximos dias possa renovar essa lenta acumulação de quem está apaixonado, prolongando-a.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Hardcore 1º escalão
Mais uma obra, mais uma história.
A long time ago in a galaxy far, far away...
Há muito tempo atrás eu fazia parte de uma juventude artística da Figueira da Foz e era regularmente convidado para exposições colectivas. Num desses eventos o tema era o cinema e coincidia com o "falecido" Festival de Cinema" apresentado no Casino. A ideia era homenagear o cinema EM TODAS AS SUAS VERTENTES. foi este o desafio proposto aos participantes da respectiva exposição. O Mário Silva foi ao seu largo espólio e logo descobriu uma obra que se identificava com o proposto. O Zé Penicheiro, fez um novo quadro. E eu, irreverente e provocador (era muito novo na altura... andava pelos vinte e picos...) resolvi que a minha homenagem seria dedicada ao cinema Hardcore do qual eu era fã incondicional. Daí o aparecimento desta magnifica obra, que foi tão notada pelo funcionário responsável pela montagem da exposição que mereceu como prémio o sitio mais recôndito da sala. Só faltou estar coberta por um lençol. A mim deu-me um gozo enorme fazê-la e também de ver as tentativas do pessoal da organização, do desvio das pessoas no dia da inauguração para que não a vissem. Bom ela aqui está. e já deu origem a outra um bocadito maior e a cores...
Digam vocês de vossa justiça.
05 junho 2012
Eva portuguesa - «A minha primeira vez com dois homens»
Foi um desastre!
Não que tenha acontecido algo de desagradável, mas pura e simplesmente não funcionou para o propósito...
Recebi um telefonema do tal meu amigo com quem tinha estado com outra mulher.
Já foi há uns anos, ainda eu não imaginava vir a fazer isso por dinheiro...
Bom, nesse telefonema, o meu amigo, a que darei o nome de X, pergunta-me se quero experimentar algo diferente. E eu, aborrecida com a monotonia da minha vida, pensei logo em acrescentar uma pitada de sal.
Fui ter ao hotel onde ele estava hospedado, vestindo apenas uma lingerie com uma gabardine por cima e rezando pelo caminho para não ter um furo ou algo do género ;)
A nossa intimidade - minha e do X - ainda hoje é enorme, adoramos estar um com outro, de uma forma até assexuada, dado o nosso grau de amizade. É a ele que eu telefono quando me sinto só ou tenho algum problema.
Abraços, beijinhos, bebida, pôr a conversa em dia e chega uma altura em que eu lhe pergunto qual é a novidade que ele tem preparada para mim.
Serve-me um uísque e pede-me para confiar nele, algo que sempre fiz e farei, seja em que situação for.
Nesta altura já ele estava nu e eu em lingerie.
Venda-me os olhos, despe-me e deixa-me à espera...
Eu, sem saber o que estava a acontecer mas ouvindo uma respiração pesada muito perto de mim... começo a ficar excitada...
Sinto um líquido ser derramado sobre mim e lambido por uma língua ávida... começo a sentir o meu clítoris latejar de desejo... a respiração dele a ficar ofegante... sou lambida, chupada, bebida até rebentar numa boca que esperava beber de mim...
Não tires a venda, diz o X. Obedeço.
Oiço bater à porta do quarto e alguém entrar.
Oiço uma voz de homem pedir desculpa pelo atraso (eu já tinha chegado há mais de três horas) e exclamar: que rica coninha!
Sinto os meus mamilos a serem sugados, como se alguém esperasse que deles saísse leite... depois gentilmente trincados...
Enquanto isso, sinto um sexo duro junto da minha boca a pedir para entrar, para ser também ele lambido, chupado, abocanhado, até dele sim, jorrar leite que é direccionado para as minhas mamas...
Estou novamente a latejar de desejo e a preparar-me para o segundo ataque, quando sinto uma língua gelada, áspera a tentar explorar a minha vagina... Blag! Encolho-me de desagrado e nojo, tentando fugir daquele pedaço de carne que transforma em gelo todo o fogo que me consumia segundos antes.
Tiro a venda e faço sinal ao X, o que é suficiente para ele despachar o convidado.
Desculpa, digo-lhe eu.
Não sejas tonta, responde o X.
O que importa é sentirmo-nos os dois bem.
Além do mais, tu já marcaste um golo e eu também, diz, rindo-se. Quem se lixou foi ele...!
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
Não que tenha acontecido algo de desagradável, mas pura e simplesmente não funcionou para o propósito...
Recebi um telefonema do tal meu amigo com quem tinha estado com outra mulher.
Já foi há uns anos, ainda eu não imaginava vir a fazer isso por dinheiro...
Bom, nesse telefonema, o meu amigo, a que darei o nome de X, pergunta-me se quero experimentar algo diferente. E eu, aborrecida com a monotonia da minha vida, pensei logo em acrescentar uma pitada de sal.
Fui ter ao hotel onde ele estava hospedado, vestindo apenas uma lingerie com uma gabardine por cima e rezando pelo caminho para não ter um furo ou algo do género ;)
A nossa intimidade - minha e do X - ainda hoje é enorme, adoramos estar um com outro, de uma forma até assexuada, dado o nosso grau de amizade. É a ele que eu telefono quando me sinto só ou tenho algum problema.
Abraços, beijinhos, bebida, pôr a conversa em dia e chega uma altura em que eu lhe pergunto qual é a novidade que ele tem preparada para mim.
Serve-me um uísque e pede-me para confiar nele, algo que sempre fiz e farei, seja em que situação for.
Nesta altura já ele estava nu e eu em lingerie.
Venda-me os olhos, despe-me e deixa-me à espera...
Eu, sem saber o que estava a acontecer mas ouvindo uma respiração pesada muito perto de mim... começo a ficar excitada...
Sinto um líquido ser derramado sobre mim e lambido por uma língua ávida... começo a sentir o meu clítoris latejar de desejo... a respiração dele a ficar ofegante... sou lambida, chupada, bebida até rebentar numa boca que esperava beber de mim...
Não tires a venda, diz o X. Obedeço.
Oiço bater à porta do quarto e alguém entrar.
Oiço uma voz de homem pedir desculpa pelo atraso (eu já tinha chegado há mais de três horas) e exclamar: que rica coninha!
Sinto os meus mamilos a serem sugados, como se alguém esperasse que deles saísse leite... depois gentilmente trincados...
Enquanto isso, sinto um sexo duro junto da minha boca a pedir para entrar, para ser também ele lambido, chupado, abocanhado, até dele sim, jorrar leite que é direccionado para as minhas mamas...
Estou novamente a latejar de desejo e a preparar-me para o segundo ataque, quando sinto uma língua gelada, áspera a tentar explorar a minha vagina... Blag! Encolho-me de desagrado e nojo, tentando fugir daquele pedaço de carne que transforma em gelo todo o fogo que me consumia segundos antes.
Tiro a venda e faço sinal ao X, o que é suficiente para ele despachar o convidado.
Desculpa, digo-lhe eu.
Não sejas tonta, responde o X.
O que importa é sentirmo-nos os dois bem.
Além do mais, tu já marcaste um golo e eu também, diz, rindo-se. Quem se lixou foi ele...!
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
Marioneta antiga articulada, em madeira
Veio de França. Os cabelos parecem ser verdadeiros... o trabalho é de uma minúcia impressionante... tem cerca de 50cm de comprimento (sem os fios)... mas... por que motivo esta marioneta está na minha colecção?!
Eis o motivo: um dos fios, comandados pela cruzeta, expõe um falo em madeira, que está numa bolsinha à frente do personagem.
Seria interessante saber em que foi utilizada esta marioneta tão curiosa...



Eis o motivo: um dos fios, comandados pela cruzeta, expõe um falo em madeira, que está numa bolsinha à frente do personagem.

Seria interessante saber em que foi utilizada esta marioneta tão curiosa...
04 junho 2012
«totoloto» - bagaço amarelo

Foi assim que a vi fechar a porta de casa, sem conseguir combinar nenhum encontro com ela para o dia seguinte. Nem para a semana seguinte ou outro dia qualquer. Fui descendo os cinco andares do prédio dela pelas escadas, para que esse processo de me distanciar fosse o mais lento possível, repetindo no meu pensamento a sua última frase:
- Não vou combinar nada contigo nem quero que me telefones. Se gostarmos um doutro mesmo, de certeza que nos tornamos a ver um dia destes.
Depois beijámo-nos e ela fechou a porta.
Já me aconteceu muitas vezes, esta coisa de me zangar com o que uma mulher diz para depois acabar por lhe dar razão. O dia seguinte passei-o sozinho, com um copo de uísque ensonado como única companhia, e um livro do Haruki Murakami que não consegui começar a ler. Tinha saudades do corpo dela, dos lábios dela, da voz dela, do café dela. Enfim, de tudo dela menos, talvez, dela própria. Como um todo.
Amar é difícil, ser homem também. É que as mulheres são melhores nesta coisa de ficarmos sós. Corre-lhes no sangue o desejo duma solidão pontual. Nos homens não, e depois parecem cães abandonados. É preciso aprender. Estar só também é algo que se aprende.
Encontrei a Sónia duas semanas depois, mais coisa menos coisa, na fila duma papelaria para registar o totoloto. Perguntou-me como é que eu estava e eu abanei os ombros. Depois desejou-me sorte no jogo e eu abanei novamente os ombros. Não sabia o que lhe dizer. Segredou-me ao ouvido, enquanto arrumava os papelinhos na carteira, que eu lhe devia ter telefonado.
- Mas... tu é que disseste... - levantei a voz.
- Eu disse, mas tu não tinhas que me obedecer. - respondeu e sorriu.
Beijou-me, e o beijo dela ficou-me preso na face como um insecto irrequieto enquanto a vi sair da loja sem olhar para trás. Registei o meu boletim e pensei que a vida é mesmo assim. Às vezes acerta-se, outras não. Pelo menos aprendi a ficar sozinho.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
03 junho 2012
Lapidado

Era amigo de amigos meus e assustou-me logo aquela sua indumentária de fatinho, mesmo que talhado em bom corte, mais o guardanapo de seda pendurado no pescocito. Até quando usava vestuário desportivo aquele marmelo aparentava a formalidade de quem se tinha vestido de acordo com as indicações fornecidas no convite. Nem sei mesmo como conseguia ter sempre as faces impecavelmente barbeadas como se não lhe nascessem pêlos todos os dias ou isso fosse uma intimidade indigna de ser vista. Ainda por cima, aquele gajo era de Direito, o curso que imediatamente associo a lobotomia, logo abaixo do floreado económico de Gestão. Como se isto tudo não bastasse, para compor o ramalhete, aquela alminha apenas bebia cerveja para nos acompanhar, deixando-a morrer morna que era um dó de alma e apenas fumava das nossas baforadas.
Vá se lá saber porquê, insistia em comunicar comigo. Teimava em me interromper a qualquer hora do dia para me transmitir uma sensação que tinha tido, por exemplo, ao ver um Ferrari na rua, como se fosse mais importante a comunicação das emoções do que os objectos em si. Eu pagava-lhe da mesma moeda, telefonando-lhe às tantas da noite para falar de coisas comezinhas e ele alimentava a conversa como se não precisasse de dormir ou não tivesse quinhentos dvd's para ver. Até começou a arriscar a asneira de me dar anéis ou pulseiras que não uso, com o intuito irónico de me ver sorrir no rasgar da prenda, entalada entre o agradecimento e o protesto.
Somando dois e dois, bem lapidadozinhos, percebi que gargalhava mais com ele do que com qualquer outra pessoa e que ao contrário do material corrente que por aí circula em barda, aquele gajo era capaz de amar como se isso não fosse uma velharia absurda digna de museu. Corri a ligar-lhe e no final da tarde, na esquina do ponto de encontro, pulei para beijá-lo, esborrachando-lhe os lábios, esfregando-lhe o cabelo, esmifrando-lhe as orelhas, tacteando-lhe o pescoço, puxando-lhe as nádegas contra o centro das minhas ancas e recuperando o fôlego disse-lhe: Gasta-me!Vá se lá saber porquê, insistia em comunicar comigo. Teimava em me interromper a qualquer hora do dia para me transmitir uma sensação que tinha tido, por exemplo, ao ver um Ferrari na rua, como se fosse mais importante a comunicação das emoções do que os objectos em si. Eu pagava-lhe da mesma moeda, telefonando-lhe às tantas da noite para falar de coisas comezinhas e ele alimentava a conversa como se não precisasse de dormir ou não tivesse quinhentos dvd's para ver. Até começou a arriscar a asneira de me dar anéis ou pulseiras que não uso, com o intuito irónico de me ver sorrir no rasgar da prenda, entalada entre o agradecimento e o protesto.
[Foto © Emanuel Oliveira, 2008, Lolita]
02 junho 2012
«conversa 1892» - bagaço amarelo

Eu - Acho muito bem. Sou pelo Serviço Nacional de Saúde...
Ela - Eu também defendo a saúde pública, mas só em caso de doença. Agora para uma gaja pôr umas mamas maiores é que não.
Eu - Eu cá acho bem. Até porque quando uma mulher põe umas mamas novas está a contribuir, não só para ela própria se sentir melhor, mas também para que muitas outras pessoas sejam mais felizes.
Ela - Muitas outras pessoas?! Mas tu achas que as mulheres vão todas para a cama com muitas pessoas?
Eu - Não estou a falar de ir para a cama, estou falar só da parte visual da coisa.
Ela - Não acredito no que estás a dizer.
Eu - Porquê?
Ela - Mas tu passas a vida a olhar para as mamas das gajas?
Eu - Não foi isso que eu disse.
Ela - Acho que talvez pudéssemos gastar dinheiro público a aumentar o cérebro de alguns homens...
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
«Mulher viola», acrílico sobre tela, Janine Dupont, Canadá, 2001
Um dos 66 quadros da minha colecção que não estão expostos, até 5 de Junho, no Recordatório Rainha Santa Isabel, em Santa Clara (Coimbra).
01 junho 2012
Pandora
Ela olhou-o, impávida, e concluiu:
– Tenho pena.
Surpreendido pela reacção ou pela falta dela, ele permaneceu calado.
Ela encolheu os ombros ostensivamente, semicerrou os olhos e iniciou outra conversa ainda que parecesse a continuação da anterior, em que ele lhe tinha confessado que a traíra antes de acabar a relação.
– Tenho pena por ti, que não sabes o que queres. – Ele abanou a cabeça para expressar discordância. Ela sinalizou a indiferença com uma careta e continuou: – Que me trais e que te trais da mesma forma. Que mentes e que te mentes. Que dizes que não queres saber de mim quando, mais do querer saber de mim, o que podia ser compreensível, o que queres é magoar-me.
– Eu não te quero magoar – barafustou ele – e não quero saber de ti. Quero que faças a tua vida e me esqueças, porque eu já me esqueci de ti.
– Esqueceste-te.
– De quê?
– De te esqueceres de mim.
– Isso é de uma música.
– Que seja. O que é eu ganhei por me confirmares que me traíste?
– Tu?!
– Ah! Afinal tens razão: não queres saber de mim para nada. Magoares-me ou não é-te completamente indiferente.
– Nada disso. Não eras tu que dizias que querias saber a verdade, por mais dolorosa que fosse?
– Era mas já não te digo a ti. Estás fechado. És uma caixa fechada, o que lá está é porque eu acho que merece ser guardado, seja bom ou mau, mas não pretendo pôr mais nada lá dentro e, se puder, nem quero ter razões para tirar coisas da caixa ou mudá-las de sítio. Estás fechado. Não me digas nada de novo. Se te queres justificar ou se te der uma crise de remorsos, não me procures. Não me contes. Nunca te esqueças que me esqueceste. É um favor que nos fazes.
31 maio 2012
«Nunca percas um "O" com Durex Play O»
Campanha da Durex, com imagens de mulheres em momentos de prazer, que levaram vários britânicos a apresentar queixa:
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