24 junho 2012

Gustavo


A inundação começou com o seu sorriso de olhos cúmplices, avolumou-se com os gostos comuns por letras e imagens e as suas histórias cheias de descobertas nas rotinas citadinas a impregnar a minha alma de mata-borrão e foi às apalpadelas na cheia que me pareceu natural como a minha sede que após diversas tentativas de localização ele me sentasse na rocha do aparador da entrada e então ao mesmo nível, fizesse canoagem nos meus rápidos vaginais que nunca fui moça de ficar quieta.

Mas adiante que além das diárias mãos dadas também recordo os primeiros raios de sol a enfeitarem o quarto como serpentinas em cada manhã que me arrebitavam para a festa de lhe beijar cada milímetro desde as ramelas ao Everest privativo. E os finais da tarde na banheira onde largávamos as canseiras do dia para emergirmos na comunicação dos corpos, no morse de tocar os pontos de cada vértebra do pescoço e coluna em escala descendente fazendo a electricidade estática que torna urgente entrar no sistema. E a moleza do final da digestão do jantar que nos aninhava no sofá numa sôfrega sobremesa de sucção mútua que me encavalitava nas suas ancas, mãos esborrachadas nas suas nádegas, num trote seguro até ao galope final emitido em onomatopeias.

Nem me incomodava a tampa da sanita sempre levantada, um pormenor de somenos perante a sua perfeição a bailar a casa de aspirador na mão e gostava que tivesse durado o resto dos dias da minha vida.

«O Lacerda» - por Rui Felício


Era o funcionário mais estranho que conheci. Quantos anos teria? Trinta? Quarenta? Mais?
Magríssimo, esquelético mesmo, as faces encovadas de onde lhe sobressaiam as maças do rosto, quase a romper a pele macilenta. O cabelo preto de azeviche, empastado de brilhantina barata, parecia colado à cabeça. As orelhas de abano pareciam ter sido cosidas com agulha ferrugenta dos dois lados da cabeça, prontas a despegarem-se ao menor sopro de vento.Como numa lúgrube cruzeta, adejavam as roupas muito largas, de tons pretos ou cinzentos.
Falava pausadamente para disfarçar a gaguez. Lia e relia a papelada que os alunos lhe entregavam na secretaria do liceu para se matricularem, pagarem as propinas ou requererem exames, na demanda ínfrene de descortinar algum formulário incompleto ou mal preenchido.
Quando descobria algum erro, adoptava uma postura vencedora,altaneira, que o seu metro e sessenta empinado pelo tacão alto dos sapatos de fivela lhe permitia, e vociferava lentamente, em voz pastosa, fitando o aluno por trás dos seus óculos de aros grossos de imitação de tartaruga:
- Olha lá rapazote, aqui no Liceu não se admitem analfabetos. Vai para um colégio qualquer e volta cá só quando já souberes preencher os papéis.
Puxava a manga de alpaca para o cotovelo, engordurada de meses a fio sem ser lavada e pegava nos papéis do aluno que se seguia na fila.

Mas que homem era aquele, quem era de facto o burocrata a debater-se imundo na camisa de forças do rígido normativo da secretaria, humilhado às escondidas pela rapaziada? Será que acalentava algum sonho? Qualquer homem os tem. E ele? Tinha algum? Ou alimentava-se apenas da autoridade efémera sobre os alunos que as regras do liceu lhe conferiam? Bastar-lhe-ia comer o pó dos processos escolares que enchiam as paredes e as secretárias?
Não! Viemos a saber que não!
Figura caricatural, dentro do esqueleto que lhe furava a camisa passajada, o coração do Lacerda também amava.
Também sonhava! Aquela mulher de lábios grossos, carnudos, de pernas roliças, seios fartos a saltarem pelo decote da blusa às flores, a quase rebentarem os botões de osso de javali que a cingiam ao corpo, trazia-o ensandecido. Fora a única mulher que conhecera em toda a sua vida que não se ria dele, que lhe sorria meiga, que o escutava atenta, que lhe sussurrava palavras de amor e que gemia nos seus braços esqueléticos, na penumbra do quarto daquele primeiro andar onde todos os dias se ia encontrar com ela.
Ultimamente, o Lacerda pedia por vezes dinheiro emprestado aos colegas, porque aquele amor louco lhe estava a esgotar as economias. Nem parecia o mesmo! A partir do meio da tarde, ansiava que os ponteiros do relógio ganhassem maior velocidade, para sair do trabalho, encharcar-se em perfume reles que empestava tudo à sua volta, apanhar o eléctrico na Alameda e depois apear-se em andamento perto da Praça 8 de Maio.
Era vê-lo então a embrenhar-se nas vielas da Baixa, chocalhando os ossos, em passo estugado, os tacões de pau de cinco centímetros já descambados, a baterem ritmados na calçada. Chegado, subia dois a dois os estreitos degraus de madeira carunchosa até ao primeiro andar.
Recobrava o fôlego, abria os braços em direcção à sua amada, deixava antever os dentes amarelos num arremedo de sorriso, num esgar cadavérico e articulava melancolicamente, disfarçando a gaguez:
- Meu amor! Vamos?
- A Carmen, assim era o seu nome, espanhola de Cáceres que imigrara há um bom par de anos para trabalhar em Coimbra, sorria-lhe, passava-lhe a mão pelo cabelo oleoso e levava-o pela mão ossuda, como a um menino, para o quarto daquele nº 13 da Rua Direita…

Rui Felício
Blog Encontro de Gerações

Disconnecting people



Ricardo - Vida e obra de mim mesmo
(crica na imagem para abrir aumentada numa nova janela)

23 junho 2012

Homens, aprendam a instalar uma ventoinha de tecto

«conversa 1895» - bagaço amarelo

Ela - Gostava que te tivesses apaixonado por mim, pelo menos uma vez na vida.
Eu - Para quê? Já falámos sobre isso...
Ela - Pois já.
Eu - Somos bons amigos, acho eu, e se tu nunca te apaixonaste por mim, não percebo porque é que raio quererias que eu me apaixonasse por ti.
Ela - Para te fazer sofrer um bocadinho. Só isso.
Eu - Para me fazer sofrer?!
Ela - Sim, tenho esta sensação estúpida de que nunca ninguém sofreu por mim.
Eu - Estás bem?
Ela - Sempre que um homem se apaixonou por mim, eu apaixonei-me por ele. Sou uma fácil...
Eu - Não sabes se algum homem sofreu por ti em silêncio...
Ela - Pois não, mas queria tanto saber.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Gravuras do livro «Égarements de Julie», de 1949

Três das 21 gravuras que ilustraram o livro.
Litografias sobre Vélin de Rénage (folha A4 - imagem: 16,5x13,5cm)
A partir de agora, na minha colecção.




Um sábado qualquer... - «Tetris»





Um sábado qualquer...

22 junho 2012

Banho aos checos




HenriCartoon

Burras ou não burras, catarro e Frusteka

Depois do sucesso destas duas louras a falarem de amizade, boleias e hemorróidas, eis que elas regressam...

O azul do mar

Nunca foste capaz de te esquecer, pois não?
Não. Nunca ultrapassei o que me fizeste.
E nunca foste feliz?
… Fui. Sim, fui… Cheguei a ser.
Comigo?
Contigo.
Mas estávamos condenados. Condenados desde o principio.
Provavelmente. Vendo as coisas hoje, estávamos.
Achas que a culpa foi minha?
Quando se ama não há culpas.
Achas?!
Não, na realidade, não. Só na política portuguesa é que não há culpas, em tudo o resto há. Ainda que possam ser repartidas.
Eu amava-te, isso é verdade. E o que fiz, fi-lo por amor.
Eu sei. Sempre soube.
Mas nunca esqueceste.
Mas tentei. A sério que tentei.
E amaste-me?
… Sim...
Tens de pensar?
Em quê?
Se me amaste. Hesitaste. Não estavas a pensar?
Estava mas, pensando bem, não precisava.
Claro que não. Estamos a ser absolutamente sinceros, foi o que combinámos.
Não precisamos de pensar.
Pois.
Na verdade, acho que nunca te amei. Gostei de ti e quis amar-te mas nunca te amei, porque, mesmo nos momentos que gostava de ti e queria gostar de ti ainda mais e esquecer o que me fizeste, tinha de estar a pensar em querer esquecer… Acho… Acho que se alguma vez te tivesse realmente amado tinha esquecido o que me fizeste e nunca consegui… Desculpa.
Não tens de me pedir desculpa. Eu tive-te. Quis ter-te e tive-te. E não te peço desculpa.
Eu sei.
Sabes?
Sei, sempre tive consciência disso, mas…
Mas?
Dava-me conforto que alguém me quisesse e que, ainda por cima, me quisesse assim. O teu amor psicótico era o alimento da minha auto-estima desequilibrada.
Desculpa?!
O teu amor psicótico era o alimento da minha auto-estima desequilibrada.
Já tinhas pensado nessa frase?
Já.
E era por isso que me traías?
Por pensar na frase?
Não! Por causa do meu amor psicótico e da tua auto-estima desequilibrada.
Acho que sim. Também porque não era feliz… Mas sim, principalmente, porque ora estava de rastos ora estava no topo do mundo e porque queria demonstrar e perceber que podia haver quem gostasse de mim sem seres tu. E tu?
Eu?
Sim, tu. Traías-me porquê?
Eu… Eu… Acho que pelas mesmas razões que tu: queria que gostassem de mim, de estar comigo. Queria provar que era capaz e que, apesar de ti, havia quem me quisesse. Queria pensar que era livre. Que podia viver sem ti. Deixar de te amar. Libertar-me de ti. Ser outra pessoa.
És?
Hoje?
Sim. Sou. E tu?
Também. Estou diferente.
E, no entanto, estamos aqui.
Estamos só a tomar café.
Pois estamos...
A tomar café…

Anticoncepcional 100% seguro


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Meninas WTF

21 junho 2012

O Euro 2012 como devia ser!

O Sexy Soccer foi realizado pela quarta vez em Berlim. Doze gajas jogaram um amistoso entre a Alemanha e a Dinamarca, antecipando o duelo oficial das equipas no Euro 2012 (em 17 de Junho). Elas usaram apenas um pequeno short e as camisas foram pintadas nas suas mamocas nuas. A equipa alemã foi treinada pela maior actriz erótica do país, Vivian Schmitt, e a ex-Big Brother Annina Ucatis comandou a dinamarquesa. O mesmo evento aconteceu durante os campeonatos do Mundo de 2006 e 2010, e no Euro 2008.
Checa (é hoje! É hoje!) aqui:

«Bocantónio Gedeão» - Patife

Este fim-de-semana aviei uma professora de filosofia que garantiu a pés juntos, e depois a pernas abertas, que a superior prestação do meu nabo dava azo a desmedidas considerações filosóficas. E depois ainda aventou umas quantas ideias mirabolantes sobre o imperativo categórico que é o Pacheco mas eu já só queria era dormir para descansar da maratona de sete horas de pinada. Por isso, adormeci a pensar que se o Bocage e o António Gedeão fossem um só, podiam ter criado uma obra poética categórica no panorama literário português ainda mais célebre que a Pedra Filosofal. E se o Bocage e o António Gedeão fossem um só teriam certamente criado coisinhas poéticas lindas assim:

Nabo Filosofal

Elas não sabem que o tesão
é uma constante da picha
tão comilona e decidida
que come uma chona qualquer,
como essa chona pardacenta
em que entro com grande avanço,
como um furacão nada manso
sem grandes sobressaltos,
numa gaja de saltos altos
em que as mamas se agitam,
como essas vozes que gritam
em pinadas de alegria.

Elas não sabem que o nabo
é hino, é espuma, é fermento,
bicho estouvado e sedento,
de focinho pontiagudo,
que espeta através de tudo
num perpétuo movimento.

Elas não sabem que o mastro
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
nabo erecto, imperial,
pináculo nabal,
contraponto, sinfonia,
em chona troiana ou grega faz magia,
que pina como malabarista,
vai ao fundo num instante,
bacamarte sempre errante
para o trepar só uma alpinista.

Elas não sabem, nem sonham,
que o tesão comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o nabo pula e avia
com fúria atrevida
entre as pernas de uma vadia.


Patife
Blog «fode, fode, patife»

Fruta 89 - Azul abençoado

Concreto



20 junho 2012

Aprendam a fazer bolas de sabão grandes!

«conversa 1894» - bagaço amarelo

(no café)

Ela - Está ali um passarinho pequenino.
Eu - Onde?
Ela - Ali, junto àquela árvore, do lado de lá do vidro.
Eu - É um pardal. Os pardais são pequeninos.
Ela - Mas aquele é pequenino mesmo e deve andar à procura da mãe. Devíamos ajudá-lo.
Eu - Eu não sei quem é a mãe dele, por isso não o posso ajudar.
Ela - Que falta de...
Eu - Falta de quê?!
Ela - De sensibilidade, de disponibilidade. De tudo.
Eu - Queres que eu interrompa a leitura do jornal para ir procurar a mãe dum pardal?!
Ela - Pelo menos podíamos pegar-lhe, porque parece que ele nem sequer consegue voar.
Eu - Não és tu que adoras gatos?! Daqui a pouco, se ele não consegue voar, serve de lanche a um gato qualquer. É bem empregue.
Ela - Às vezes consegues ser mesmo horrível.
Eu - Mesmo horrível?! Só porque estou a ler o Público e não me apetece sair daqui para ir apanhar um pássaro ao qual nem saberia bem o que fazer?
Ela - Sim.
Eu - Pronto, está bem. Sou horrível.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

fui ali ao país de nuestros hermanos


 e não tendo tido tempo de visitar o Museu Erótico (distraí-me com coisas muito gaudi) tive oportunidade de ler o El País e descobrir estas maravilhas nos classificados. PRICELESS, mira! 
 

e ainda toquei na cabecinha (salvo seja) do senhor Gaudi, que fazia coisas fálicas como quem come sardinhas em noite de Santo António!



Gaudi, Barcelona-mas, tá? e até breve!


Você não passou desapercebido

Alguém sempre te assistiu, quando praticava suas perversidades.




Sinta-se constrangido.

Capinaremos.com

19 junho 2012

Genial! Tim Minchin - «If I Didn't Have You» (legendado em Português)

Eva portuguesa - «O regresso»

Voltei!
Regressei ao trabalho após uma "recauchutagem" na parte do meu corpo que me entristecia.
Estive um mês parada. Um mês de cirurgia, dores e recuperação. Um investimento. Em mim, na minha auto-estima, no meu trabalho como Escort.
Fotos novas, num novo site: Mariana Rodrigues no Apartado X.
E agora a esperança do retorno...
A expectativa de que a minha nova e melhorada aparência seja devidamente apreciada pelos meus clientes... e que me traga mais...
O reconhecimento da minha constante procura de agradar, de melhorar o que está menos bem... de me aperfeiçoar... por e para os clientes.
O receio de que não tenha valido a pena... de que o retorno económico não justifique o investimento... de não agradar...
Sim, eu sei, se melhorei e no íntimo continuo a mesma, então não há o que recear...
Mas existem momentos de insegurança... existem receios... dúvidas... fantasmas...
Por exemplo, hoje estou a trabalhar desde as 18h, mas ainda não tive sequer uma marcação...
Sim, podem estar na praia... ou em família... ou não saberem... mas... mas...
Este é o meu regresso!
Tem tudo para ser um sucesso... mas...
É um regresso tímido mas orgulhoso, positivo mas com receios, atrevido mas com medos, crente mas nervoso...
Sei que vou agradar... sinto que a minha vida profissional (e automaticamente a pessoal) vai melhorar. Sei que tudo fiz para melhorar e agradar, e por isso serei recompensada... é a lei cósmica... nada pode dar errado, pois não?...
Este não só é um regresso, é o regresso!
O regresso da Eva, que agora também tem o nome de Mariana Rodrigues.
O regresso da mulher que luta e que, com o seu esforço, vence.
O regresso da mãe que sozinha sustenta o seu filho.
O regresso da Acompanhante que tudo faz para agradar aos seus homens, para os fazer felizes...
Será que eles me vão fazer feliz a mim?...
Será que sentiram a minha falta?...
Será que vão festejar o meu regresso?...


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

Te amo!





Meninas WTF

«Levantamento de peso»

Estatueta em metal da autoria do Xico Nico (de Peniche).
Oferta do cunhado do meu irmão, um meu amigo... de Peniche.




18 junho 2012

O naturismo usado para... vender presunto

«respostas a perguntas inexistentes (202)» - bagaço amarelo

mergulho no mar

Eu costumava passar as tardes na esplanada a beber cervejas e a tentar pôr em dia a leitura. Era essa, aliás, a maior vantagem das férias. De vez em quando ela perguntava-me qual era a história do livro que eu estava a ler, mas eu nunca lhe conseguia responder. Nunca li um livro por causa da história em si, embora ela também me interesse, mas sim por causa daquilo que é indizível e que só quem está a ler é que consegue perceber.
Expliquei-lhe isto, numa das vezes em que fechei as páginas para poder saborear melhor a cerveja, e ela pediu-me para lhe explicar ainda melhor. Não tinha percebido. Para ela, o mais importante de qualquer livro era sempre a história, aquela que se pode resumir depois num vigésimo da duração do tempo que demorou a ser lida. Para mim, o mais importante é sempre saborear cada momento de cada personagem de cada romance. Perceber as suas reacções ao que vai acontecendo e ver ali aquilo que porventura também há em mim. Ou não, claro.
Continuou sem perceber e riu-se. Um riso que, em abono da verdade, me desiludiu. Bebi duma vez toda a cerveja que ainda estava no copo, guardei o livro no saco onde ainda estava a toalha de praia, tão seca e limpa como no princípio das férias, e encostei-me para a frente com os cotovelos em cima da mesa, de forma a aproximar-me o mais possível. Reparei que a pele dela já era um moreno tapete de sal e de Sol, e que ela estava ainda mais bonita do que quando eu a conhecera, um mês antes, e me apaixonara perdidamente. Expliquei-lhe melhor.

- Se continuarmos os dois assim, a história das nossas férias será que eu as passei todas nesta esplanada a beber cerveja e a ler, enquanto tu as passaste a tomar banho na água gelada e agitada do mar, a apanhar Sol sozinha na areia e, de vez em quando, a vir aqui beber uma cerveja comigo nos momentos em que eu interrompia a leitura para desfrutar da tua presença. Essa história, a mim, não me interessa nada.
- Não?! - perguntou ela finalmente interessada no que eu lhe dizia.
- Não. A mim o que me interessará é que, à medida que ia bebendo, ia ficando também mais interessado nos livros que lia, e mais feliz, mas que essa felicidade nunca foi maior do aquela que sentia nos breves momentos em que vinhas fazer-me companhia. Mais ainda, interessa-me também que cada vez que te sentia ir embora, ficava com uma profunda sensação de tristeza apenas pela efémera distância física que crescia entre nós.

Ela não se riu. Só sorriu. Deu-me a mão esquerda, agarrou no meu saco com a direita e puxou-me para a areia.

- Também sinto essa tristeza momentânea, por isso agora vens comigo para a praia. É justo?

Era justo. Foi nesse fim de tarde que dei o meu primeiro mergulho no mar e acho nunca nenhum me soube tão bem.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

O risco de ser homossexual em todo o mundo


Infografia da revista «Visão» de 17 de Maio de 2012

Colegas de cela

Aquele momento no qual você está preso e faz amizades na cadeia mesmo.



Quem nunca?

Capinaremos.com

17 junho 2012

Pedro Laranjeira fala de Naturismo

Pedro Laranjeira no programa "Dispo-me em público", de Fátima Lopes, na SIC, em 2009 (mas sempre actual)

A omissão


Não importam os copos de plásticos a bordejarem-nos os pés para atapetar o Bairro porque a malta está mesmo ali para descontrair à força de vapores etílicos e dar aso ao instinto de comer outro ou outra da mesma espécie conforme o gosto.

Pelo canto do olho o gajo já tinha galado os cus de todas as gajas do grupo e entre mil e uma piadas sobre a faculdade e a falta de trabalho estava agora na inspecção demorada dos parapeitos com mais ou menos carne à mostra consoante fossem adeptas da ticharte a recortar cada centímetro das formas e a mostrar a cor das alças do sutiã ou das túnicas linha império a alçarem as mamas para um enorme decote que as descobre.

Com mais uma cerveja ele começou a gorgolejar ridente que procurava a mulher da sua vida e a mexer nos cabelos da fauna presente até se deter em mim a repetir se já me tinha dito que era gira, muita gira num rebolar das sílabas como marcação de deixa. O gajo era um pão alto e magro com um rabiosque direitinho e escorreito e tão intensamente moreno que até lembrava o Matthew Fox que ninguém em seu perfeito juízo se recusaria a papar não fosse ter interiorizado dos meus paizinhos a tendência para ponderar que ali ao vivo numa farra não lhe lia os erros ortográficos nem as sms com abreviaturas e capas.

Mas como para dar uma voltinha mais não podia exigir puxei-lhe as orelhas para junto da minha boca e perguntei ao meu para não haver equívocos nem omissões se queria cá vir para despejar o vergalho ou se era mais alguma coisinha.


[Foto © Marta Ferreira, 2007,
Unidos pelo sentimento]

«Geometria variável» - por Rui Felício


Sempre foi muito namoradeiro...
Já assim era no Porto onde nascera e vivera até à adolescência, e de igual modo continuou em Coimbra para onde foi morar por ordem do pai que o queria afastar da noite e da borga portuense. Na esperança de o ver assentar e dedicar-se aos estudos. Não era com certeza por acaso que Coimbra era conhecida como a cidade dos estudantes. A cidade onde se estuda…
Hospedou-se no Bairro, lugar pacato de gente humilde e trabalhadora.
Mas o Carlos já trazia a escola tripeira das noites da Foz e da Ribeira, entranhada na alma e no corpo, e rapidamente descobriu que, embora mais pequena, a cidade estava inundada de garotas giras, de espírito livre, que a sua visão de lince ia descobrindo, registando, frechando-as com golpes certeiros do seu olhar romântico e sorriso cativante.
Ao fim de pouco tempo já namorava uma colega do Alexandre Herculano, paredes meias com o São Pedro para onde ele carregava os livros diariamente. Era a Clara, linda rapariga a quem uma imperceptível cicatriz no queixo dava uma beleza invulgar, exótica, sensual.
No fim das aulas, o Carlos acompanhava-a até à Av. Dias da Silva onde ela morava e depois descia os Loios a correr até ao Calhabé.
Não tardou muito que começasse também a namorar a Ângela, que se perdeu de amores por ele num baile do Futebol Clube do Calhabé. Como ela morava na Casa Branca e estudava no Liceu Infanta D. Maria, perto do Estádio, o Carlos conseguia, sem grande risco, repartir-se pelas duas namoradas, dado que elas frequentavam zonas diferentes da cidade.
Alguns amigos avisavam-no que era melhor não manter aquela situação dúplice porque era perigosa e ele podia vir a dar-se mal com isso.
O Carlos era muito senhor do seu nariz e, quando o tentavam aconselhar, respondia com alguma rispidez e sarcasmo:
- Oh pá! Elas são como as rectas paralelas! Por mais que se prolonguem nunca se encontram! Pelo menos é isso que nos ensinam nas aulas de Geometria, não é?…
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Certa noite, abriu com grande pompa uma discoteca nova, moderna, a primeira digna desse nome na cidade de Coimbra. Ficava ali ao fundo das escadas monumentais e encheu-se de estudantes na sua inauguração. O Carlos não podia faltar e lá foi, mais uns amigos do Bairro, beber um copo, ver o ambiente e fumar uma cigarrada.
De súbito, viu a Clara dirigir-se a ele, a abrir caminho por entre a multidão, acotovelando aqui, empurrando acolá. Sorriu-lhe, deu-lhe um beijo, pegou-lhe na mão e explicou:
- Tinha-te dito que não vinha cá, mas o meu irmão insistiu tanto que vim com ele. Tão bom estarmos juntos!
O Carlos afivelou o seu sorriso de galã, mas que se desvaneceu pouco depois tornando-se progressivamente num riso amarelo.
Do fundo da sala, a Ângela acenava-lhe. Veio a correr até junto dele, dizendo-lhe que sabia que ele viria e quis fazer-lhe uma surpresa, vindo com mais umas colegas à inauguração.
- Estás feliz por me veres?
Foi então que a Clara e a Ângela se fitaram e perceberam tudo. Ambas desapareceram, furiosas, cada uma para seu lado, remoendo entre dentes ameaças e vinganças contra ele.
O Carlos recuperou-se a custo, acalmou e afirmou imperturbável para os amigos que o rodeavam:
- Aquilo que nos ensinam nas aulas de geometria está completamente errado! Ao contrário do que nos dizem, as rectas paralelas podem encontrar-se sim! Aliás, consta nos manuais que se encontram no infinito!
- E o nome desta discoteca, como vocês sabem, é esse mesmo: Infinito.

Rui Felício
Blog Encontro de Gerações

Vinho?!



Ricardo - Vida e obra de mim mesmo
(crica na imagem para abrir aumentada numa nova janela)

16 junho 2012

Homens, aprendam a arrefecer um motor de carro sobreaquecido

«coisas que fascinam (143)» - bagaço amarelo

Entrei no comboio em Aveiro em direcção ao Porto, com o objectivo de sair em Espinho. Todos os dias de manhã faço o mesmo. Praticamente de directa, adormeci na terceira ou quarta página do livro que trago comigo. Em Espinho acordei com alguém a abanar-me o ombro. Era uma mulher que eu desconhecia totalmente.

- Vi-o a dormir e sei que costuma sair aqui! - disse.

Agradeci-lhe, atarantado, e saí. Já me tinham acordado várias vezes em paragens terminais, mas nunca numa a meio do trajecto. É fascinante.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Filme de uma ilustração de livro francês de humor

Desenho de Gürsel para o livro «Les blagues coquines».
Este é o filme (em acetato) para impressão.


Um sábado qualquer... - «Revolta»




Um sábado qualquer...

15 junho 2012

FOX Movies - anúncio na Índia

Mundo

Ele viu-a a caminhar lentamente como se tivesse esquecido para onde ia e ficou logo impressionado. Gostou do que viu e do que sentiu. Sorriu. Parou e ficou a vê-la seguir num passo lento mas certo, sem hesitações, nem paragens, como se caminhasse no seu próprio mundo. Enquanto a viu, ela caminhou sem olhar para onde quer que fosse e a cadência lenta com que o fazia fê-lo pensar em alguém que mais do que procurar o caminho se procura a si própria. Reforçou o sorriso pois já tinha bebido e achou graça à ideia de ver uma mulher caminhar uns segundos e achar que ela ia no seu mundo e, ao mesmo tempo, estava à procura de si (si ela, não ele, esclareceu, ainda que tivesse mais graça, pensou, se ela andasse de facto à sua procura, dele, não dela). Também pode ir ter com alguém, conjecturou quando a viu desaparecer duas esquinas mais à frente, mas se for não está como muita vontade. Mais valia vir ter comigo. Riram-se (ele e o álcool).
Na dúvida se não a devia ter abordado, seguiu, ele sim perdido mas não de si, do sítio para onde ir, e tornou a cruzar-se com ela. Andamos perdidos nos mesmos caminhos, eu sabendo-o mas sem os saber, tu sabendo-os mas sem o saber. Deixou-se de trocadilhos etílicos e concentrou-se na esperança que ela fosse para o mesmo sítio que ele. Forçava pensamentos positivos e seguia-a como se pudesse encaminha-la para onde ia, ainda que não soubesse como lá chegar. Riu-se baixinho da figura de idiota que estava a fazer e perdeu-a, enquanto se censurava por não lhe pedir ajuda. Ela conhecia as ruas e ajudava-o a encontrar. Ele queria conhece-la e ajudá-la a encontrar-se mas, quando se decidiu, já não a via. Disse palavrões e entrou num bar, saiu. Não era ali.
Ligou o telemóvel e perguntou o nome do bar. Disse onde estava e seguiu as instruções que lhe iam dando. Cruzou-se com ela e sorriu-lhe mas seguiu as instruções que recebia e continuou. As ruas estreitas do bairro histórico não estavam vazias e, além deles, havia mais gente em trânsito. Achou que ela não o viu. Que ela nunca o viu.
Chegou. O bar estava cheio e a festa animada mas ficou na rua. Esperava tornar a vê-la e decidira falar-lhe. Impreterivelmente. Bebeu e não bebeu mais. Conversou e, por fim, entrou mas mesmo quando estava lá dentro estava lá fora a palmilhar as ruas, a seguir uma gabardina comprida, uns saltos altos vermelhos e uma estranha peruca berrante que ela levava.
Nunca mais a tornou a ver mas gostava. Muito. Gostava de a ver e de lhe falar. De tornar a sentir o que sentiu quando a viu e de poder conhecer o seu mundo.

Cada um, é para onde está virado...


Sinceridade WTF




Meninas WTF

14 junho 2012

Duas loiras falam de amizade, boleias e hemorróidas

«A chucha na chota» - Patife

Diziam dela que metia sempre férias próximo dos feriados para fazer pontes. Não é preciso muito mais para me criar um objectivo de vida. Desde esse longínquo dia que fiquei com esse desejo secreto que levei como uma autêntica missão a cumprir: Ela fazer ponte para me fazer a ponta. Recentemente atingi este feito digno de registo que festejei com ponta e circunstância. Mas como era para cumprir um objectivo, acabou por ser só um chucha na chota e não explorei muito mais a coisa. Como a tenho em boa conta, pela magnificente brochada dada, voltei a vê-la para a ter em boa cona. Estava vistosa como nunca. Na verdade ela sempre deu nas vistas, mas toda a gente sabia que ela também dava nas pichas. Armou-se em cara e quis ir ao cinema que isto não era assim e que não era só eu estalar os dedos e estas coisas do género que elas só dizem para se sentirem bem consigo próprias, quando na verdade já devia haver uma cascata a emergir na lassidão daquelas bordas. Ainda estavam a passar os trailers quando lhe enfio a mão pelo vestido acima. Virei-a gentilmente de lado e avancei com o Pacheco lá para os arrabaldes da chona. Ainda nem o título tinha passado no ecrã e já estávamos a sair para casa dela para eu lhe escarafunchar a greta. No final, estando eu entretido a gabar a forma como lhe enxovalhei a pachacha, ela travou-me o discurso e quis ficar com os louros da pranchada. Não me importei, pois na verdade prefiro ficar com as louras.

Patife
Blog «fode, fode, patife»

Fruta 88 - Pranchada

Aqueles dias




Alexandre Affonso - nadaver.com

13 junho 2012

O pior pesadelo para um homem: adormecer com a namorada na cama... e acordar com a sogra

«conversa 1893» - bagaço amarelo

Ele - Estou com dúvidas sobre a minha relação.
Eu - Que dúvidas?
Ele - Nem sei explicar bem, mas acho que gosto mais da minha mulher do que ela de mim.
Eu - Algumas mulheres são peritas em fazer-nos sentir isso mesmo.
Ele - Eu ontem disse-lhe, a ver se ela me dava um sinal qualquer de que gosta de mim, que não me sinto bem na relação por causa disso. Ainda fiquei pior.
Eu - Ficaste pior porquê?
Ele- Ela respondeu-me que provavelmente é verdade, que eu gosto mais dela do que ela de mim.
Eu - Ela disse isso?
Ele - Disse... o que é que achas que eu faça? Eu acho que só posso tentar gostar menos dela, mas quanto mais tento gostar menos dela, mais gosto.
Eu - Ser homem é fodido...
Ele - Pois é...


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Estar de tromba.


Viking da fruta


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Sedução


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oglaf.com

12 junho 2012

Rosinha - «Tenho um Andar Novo»



OrCa - "Tenho cá para mim que a chave do apartamento do namorado desta há-de ser uma chave de fendas..."

Eva portuguesa - «A minha segunda vez com dois homens:o paraíso dos sentidos»

Eram 16h quando o X me liga. Estou em Lisboa. Queres ir jantar?
Claro! - respondi, já antecipando uma noite de surpresas e prazer.
E não me enganei...
Queres que leve um amigo?
Humm, respondo, meio na dúvida, lembrando-me da minha outra experiência.
Não te preocupes, diz o X, é um miúdo novo, bem formado, mulato, meiguinho. E vamos jantar os três para vocês se conhecerem, beber um copo e depois, se não quiseres, ficamos só nós.
Concordei, sentindo já um arrepio de prazer e excitação.
Fui ter com o X ao hotel indicado, após o que fomos a um restaurante altamente sugestivo: Afrodite.
Já lá estava o outro amigo. Gostei da pinta dele. Algures entre o tímido e o atrevido ;)
Entre aquelas iguarias com nomes altamente sugestivos, aquele ambiente intimista e sensual, fomos os três jogando um jogo de sedução, desejos velados, promessas por (não) cumprir...
Embalados pelo ambiente, pela música, pela bebida e pela luxúria, seguimos para o hotel do X.
Ao entrarmos no quarto já os tinha os dois a apalparem-me, mãos a percorrerem o meu corpo, qual polvo a tomar conta de mim...
Sinto beijos, de 1, de outro, dos 2 em simultâneo; beijos sedentos, loucos, perdidos, enquanto a roupa me ía sendo retirada...
Ardo de desejo quando sinto uma língua conhecedora no meu sexo, a saboreá-lo, explorá-lo; enquanto um membro rígido entra na minha boca exigindo ser lambido, chupado, sugado...
Sinto bocas e línguas percorrerem todos os recantos do meu corpo, levando-me à loucura mesmo antes da penetração.
O X deita-se e eu monto-me em cima dele, cavalgando até ao infinito, enquanto o outro se masturbava bem perto de mim... cheguei ao segundo orgasmo rapidamente...
Nisto, o outro sodomiza-me gentilmente e eu estou ali, duplamente penetrada, a receber estocadas ora meigas ora mais fortes, enquanto que ao ouvido me são ditas palavras ora amorosas ora obscenas...
Sinto-me perdida... perdida de prazer, de tesão, de exaustão...
A dupla penetração torna-se agora extremamente intensa, os cheiros misturam-se, os suores confundem-se e, mais uma vez, perco-me naqueles segundos de paraíso, em que expludo, saindo de mim para a mim tornar... Sou seguida pelos meus companheiros, que satisfeitos saem de mim.
Penso que acaba ali aquela aventura, mas engano-me
Deitamo-nos os três na cama, comigo no meio e começo a receber festinhas e miminhos... não sei de qual deles, nem me interessa... estou esgotada de prazer... recebo uma massagem relaxante, que me faz adormecer...
Quando acordo na manhã seguinte, já nenhum dos dois lá está.
Tenho um recado do X na bandeja do pequeno-almoço, a dizer: dormias tão bem que parecias um anjo... Não te quis acordar. Toma este pequeno almoço para repores as energias ;) A noite de ontem foi mágica... Temos que repetir em breve...
Sorri ao recordar...


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

Sex Shop da Carolla

Dona Acomevânia em ~le Sex Shop…






Meninas WTF

shiny...