Estudo de Byung.Chul Han, Antropos, Relógio D´Água, Lisboa, 1ª edição, 2014, 64 páginas.
Para Byung-Chul Han, um dos traços característicos da sociedade ocidental é a agonia de Eros. O eu narcísico tende a fazer dos outros um seu prolongamento e a esperar que o amor seja, antes de mais, algo de agradável. As raízes deste fenómeno mergulham na sociedade atual. A conceção neoliberal de liberdade manifesta-se sob o imperativo de que cada qual deve ser livre. Mas trata-se de uma liberdade paradoxal, pois é uma espécie de servidão voluntária em que cada um é o seu próprio empresário e trabalhador em busca de êxito. Desse modo, o neoliberalismo, com o seu encorajamento dos impulsos narcísicos do enriquecimento, gera uma sociedade de depressão e de cansaço. As fronteiras, as diferenças e as distâncias esbateram-se e já não estimulam a fantasia que engendra o outro, um dos elementos necessários ao Eros. O capitalismo elimina a alteridade para submeter tudo ao consumo e à exposição como mercadoria, intensificando o pornográfico. A expe- riência erótica tende a desaparecer. Para Han, a atual crise da arte e da literatura pode atribuir-se em grande parte a esta diluição do outro. Para o filósofo germano-coreano, só o amor é capaz de infletir a perspetiva do eu, de fazer surgir o mundo do ponto de vista do outro, da diferença.
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