15 junho 2006

arte digital



para visitar aqui

MULHER

Ela vive, respira, sorri e se­gue...
no ca­minho
cujo fim não se adivinha,
talvez por não se saber,
talvez por ninguém querer!
Mas segue,
que é essa a função de ser
defi­nição eterna das coisas,
enquanto houver uma sombra
sem terra negra por cima ...
e após haver uma sombra
com terra negra por cima!

Ela ouve os segredos sem som
na carne do Universo
e canta a fonte da Vida ...
e bebe a imensidão dos abismos…
e cala a percepção das palavras adultas,
para sorrir a maré na boca das crianças…
e dá,
e recebe a dádiva...
e oferece a aceitação !

Ela respira o orvalho das pétalas viçosas,
nem que seja cruel a presença do espinho !...

Ela, a eterna dan­çarina do efémero
de Vinícius,
que já de luso e universal classicismo
dói e não se sente ! ...
Ela, a eternamente não-dimensionada,
dos cabelos longos ou negros,
crespos ou ruivos,
curtos ou lisos!

Ela,
o poe­ma infinito da sua nudez sublime
que se perpetua adentro qualquer roupa,
com qualquer forma e quaisquer palavras ...
por quaisquer palavras!

Ela, a desenhadora de visões
que obriga à existência
de pá­ginas bidimensionadas que jor­nais
dão de si,
ou de moda,
ou por novidade fútil
no segundo prato da refeição material
de cada Ele linear ...
Ela é quem Faz,
Ela é quem Gera ...
Ela é quem É ! ...

Ela,
a própria capacidade
espiritual definível
de encar­nação
em essência Mónada,
etopeia do inconfessável,
a quem se dá o que se tem,
porque só assim se tem,
na reci­procidade do Mútuo ...

Ela, razão da reprodução,
semi-razão da Vida,
é Grande,
é Bela,
é Real
é Importante…
porque ela é Amor …
É MULHER !

Pedro Laranjeira

...


Sentido ornamental satisfatório;
Chegou, vai ficar... partirá.

Geni-nomotético veno-coagulatório;
Passou, vai secar... voltará.

Anti-disgenésico, também, paranormal;
proibição formal!

- Eis aqui, ao nível social,
a definição vocabular de menstrual.


Pedro Laranjeira

14 junho 2006

Miau....







Ilustração de Olivia de Berardinis

O miau é meu mesmo...

O Charlie ficou em pulgas:
"Quero a gata assanhada
de unha fina em procissão
Pelo dorso a passear
A morder e arranhar
O lado de dentro do coração.

Começar toda despida
Avançar pelos caminhos
Subindo pela descida
Descendo até à vida
Que desperta devagarinho

E muito calmamente
De carmins em evolução
nos lábios doces a semente
espreitando do membro quente
Ansiando a penetração.

- Aguarda ainda mais um pouco
Espera a minha humidade
Queres entrar já, oh meu louco
Mas ainda é muito pouco
Para a minha ferocidade.

E mordendo avança em rios
De vermelho pela pele
Não são unhas, são navios
todo meu controlo fugiu
Não existo, sou só ela

E pulando-me para cima
Escorrega-me na Verdade
Afunda-me no seu poema
e no arranhar que me queima
Toda a alma em eternidade"

O Pedro Laranjeira não troca uma gata pela dona:
"por muito que a gata mie
num ronrom de quem consola...
eu preferia mil vezes
o miauzinho da Lola..."

O Nelo também acha que é gato... digo, gente:
"E u méu cu tem algum mal
Oh çeu Pedro Tangerina?
Só a gata lá do Xarle
E o rom rom, çeu Laranjal
Lhe meressem eça estima?

Çaberá voça Xelénçea
Que o Nelo fash todos us pratos
Com çaber e passiência.
Tem melhor a consiênsia
De como um home quer o trato

Comessa a coiza como a gata
Arranhando pelo dorso,
Asdepois çegue a bravata
E já tesu em vez de rata
Dá-lhe furo de mais goso.

E comu gosam eles melhér!
Veim-se com um tezão na pisha
Que nam é gata calquer
Que me veim açim dezer
çer melhor que eu, uma bisha

Perque çendo éu munto home
Çei do que um home gosta
E quande éu um home come
Fica-lhe sassiado a fome
E eu bisha, bem desposta....

(hihihihi Ai melhér. As gaijas agora... upa, upa... matom o Nelo hihihi)"

Para Browsers FireFox, apenas.

É dificil dissociar o Popeye e os seus espinafres de quem sou hoje. Eu e uma geração inteira. Por isso a pertinência desta BD que encontrei. Mas há lá na Seiren mais... é darem uma vista de olhos. Fica aqui ainda uma outra pequena imagem sugestiva...

Ah, Espinafres do Caralho!

CISTERNA da Gotinha


Budweiser: Colónia de Nudistas

A Moda no Campeonato de Futebol 2006.

Bonecas atrevidas.

O
amarelo é a cor da Primavera.

Já vos disse que adooooooooro comprar lingerie?...

... e que a Agent Provocateur é uma das minhas (muitas) marcas preferidas?
Pois tomem lá as mais recentes notícias dessa marca:

Knickers Forever
nº 17

Publicidade simples e eficaz


Corta-me!

Mestres da BD erótica - por Serge




(crica nas imagens para as aumentar)
Hoje o Serge, do blog «Dessinées», apresenta-nos Jean-Charles KRAEHN, argumentista e desenhador francês, nascido em 1955. É autor de séries como «Les Aigles décapitées», «Gil St André», «Le Ruistre» e «Le Triangle secret».

crica para visitares a página John & John de d!o

13 junho 2006

Em que estará ela a pensar?!




Gerhardt Thompson

Pequenos grandes prazeres


foto: Lee Stranahan

Há coisas que não se explicam…
Há emoções que despertam todos os sentidos…

Sentir a textura lisa, quase uniforme
Apoderar-me de toda a sua envolvência
De uma só vez
Com uma só mão
Pressentir, reconhecer a pele suave e apetitosa
Lamber vagarosamente a plenitude daquele fruto
Acompanhar com a língua os movimentos vigorosos da mão
Morder muito suavemente
Envolver toda a boca num riacho de contrastes frios e quentes
Sentir um arrepio na pele causado pelo ácido aveludado que escorre
Pelos lábios ávidos
Pela mão perseverante

É incrível a sensação que se pode ter ao saborear uma simples maçã.

Mad
____________________
Ao OrCa, este mimo da Mad sugeriu-lhe a síndrome do louva-a-deus:
pudera eu ser maçã
de ser assim pressentido
pendente de árvore louçã
em suave colo caído

e depois saboreado
por doces lábios carmim
ah que bom ser degustado
quando se é comido assim...

a mancha

“Ó mãe, tem de se rir assim?”, queixava-se ele, resignado. A mãe ria-se. A nora chorava, envergonhada. O enteado sorria apalermado. E o pai, bem bebido, dormia. A mãe abraçou-o ternamente e a avó embevecida sentiu os olhos embaciarem. O avô babava-se e batia com a mão no braço do sofá, encostado à perna da cadeira do compadre que o olhava, mas não via. “Ó mãe, porra!”, o encontrão que a mulher lhe dera deu-lhe alento e firmeza, “Cale-se!”, mas a mãe só o abraçou com mais força. Ele soltou-se e pediu “Por favor”, e viu a mulher bater com a porta da cozinha. A mãe baixou os olhos, cravou-os no filho e numa gargalhada explicou “És mesmo como o teu pai que Deus tem,” o enteado olhava-lhe a mancha à volta da braguilha e a avó adormecera, “um triste ejaculador precoce!”