
O casaco do uniforme militarizado estava nas costas da cadeira e ele cofiava o cabelinho de um milímetro de altura enquanto desfiava o rosário de ter de lhe tocar a ele uma coisa daquelas, a ele que nunca gostara de pretos desde os tempos da escola da Damaia e teve logo de ir meter-se com uma brasileira. Branca, claro mas brasileira que só porque encontra um gajo mais giro o deixa logo apeado, a ele um defensor da monogamia quanto mais não seja por causa das doenças. Isto está que não se pode e nem sei como será no futuro.
Levou a mão à face para conferir a pele escanhoada, puxou de um cigarro e virou-se directamente para a minha bica lhe ler o futuro, quiçá nas borras e lá tive de responder que pelo que ouvira, o futuro só podia ser como um penso higiénico, branquinho e absorvente mas pelo meu ponto tão cheio de coisas putrefactas e fétidas que o mais ecológico seria reciclá-lo.









