... E a barba, está bem assim?... Não use calças muito justas, veja lá o que aconteceu às castanhas embrulhadas em jornal!...
Pois, não sei... Se um dia se legaliza por cá a prostituição, vem de lá a ASAE e vai ser um deus-nos-acuda...
tal como ao medronho e à bola de Berlim levada à praia
imporá a ASAE bitola no comprimento da saia?
ou p'r'ajudar à função num desses dias da treta
a ASAE dirá que não ao bater de uma punheta?
cerceia a ASAE qual vírus três gritinhos espremidos
três ais darás três suspiros que mais não são permitidos
e dia virá por certo que decreto assertivo
limitará ao esperto a cor do preservativo
pois quem nos garantirá que só porque um gato mia
não vem a ASAE de alvará acabar co’a sodomia?
não se estranhe então por fim que normalizem o ardor
a régua esquadro algo assim que vá da fundura à dor
por entre a boa e o mau ninguém meterá colher
seja de inox ou de pau se a grande ASAE não quiser
julgo bem que p’ra nos ter bem atadinhos dos pulsos
definirá p’ra foder sacudidelas e impulsos
com tanto regulamento tão paternal e correcto
há-de haver voz de jumento pondo o sexo a decreto
seios traseiros e pilas tudo normal e a preceito
não há lugar p’ra larilas nem p’ra coisas de outro jeito
nem se inventem outras formas pois haja ASAE que garante
tudo estar dentro das normas…não há é já quem a levante
que tudo isto é consumo diz o povo consumido
consumado neste rumo de ser mal pago e… comido.
imporá a ASAE bitola no comprimento da saia?
ou p'r'ajudar à função num desses dias da treta
a ASAE dirá que não ao bater de uma punheta?
cerceia a ASAE qual vírus três gritinhos espremidos
três ais darás três suspiros que mais não são permitidos
e dia virá por certo que decreto assertivo
limitará ao esperto a cor do preservativo
pois quem nos garantirá que só porque um gato mia
não vem a ASAE de alvará acabar co’a sodomia?
não se estranhe então por fim que normalizem o ardor
a régua esquadro algo assim que vá da fundura à dor
por entre a boa e o mau ninguém meterá colher
seja de inox ou de pau se a grande ASAE não quiser
julgo bem que p’ra nos ter bem atadinhos dos pulsos
definirá p’ra foder sacudidelas e impulsos
com tanto regulamento tão paternal e correcto
há-de haver voz de jumento pondo o sexo a decreto
seios traseiros e pilas tudo normal e a preceito
não há lugar p’ra larilas nem p’ra coisas de outro jeito
nem se inventem outras formas pois haja ASAE que garante
tudo estar dentro das normas…não há é já quem a levante
que tudo isto é consumo diz o povo consumido
consumado neste rumo de ser mal pago e… comido.

ilustração do Raim - visita o blog do Raim






"Nos inícios dos anos 80 em Aveiro, o Cine-teatro Aveirense, agora elevado à categoria de local para exibição de peles e pseudo-sensibilidades artísticas, exibia à meia-noite de sábado sessões de cinema porno. A vossa padeira andava pelos vinte anos e morava mesmo ao lado, e um dos seus passatempos preferidos era ir para a janela assistir ao movimento espontâneo dos apreciadores. Em mais nenhuma ocasião se via (e ouvia) tanta Famel Zundapp e Casal Boss junta, parecia uma convenção. Surgiam em hordas de todos os subúrbios desconhecidos, na maioria dos casos homens sozinhos mas também alguns casais, elas no lugar do pendura. Invariavelmente, os últimos a chegar já não arranjavam bilhete porque os 900 lugares não eram suficientes para todos os fãs do género e lá vinham eles de volta à motorizada largando audíveis “foda-ses” de frustração. Já depois do filme começar e reposto algum sossego, havia lugar à segunda parte do espectáculo: Passava o camião do lixo da Câmara pela estreita rua inundada de motas e os trabalhadores vinham à frente, batedores improvisados, desviando veículos para permitir a passagem. Ouvia-se “um, dois, três… vai!” e por vezes até um ou outro carro era desviado em peso. Mais tarde acabava o filme. A inspiração acumulada durante a sessão obrigava os pequenos motores de 50cc a arrancar de súbito e mais estridentes do que antes. Vistos de cima, pareciam um enxame de zangões em fúria. Até que o último desaparecia e a rua estreita voltava a dormir pachorrentamente até à manhã seguinte. Só nessa altura eu ia dormir, depois de apreciar e me divertir com todos os detalhes.

