05 outubro 2011

Escrita Num Local {em} Rosa

"Existe, a Floresta Negra, onde o teu denso granizo ousas vibrar;
Na Arte de um fogo... voa-me o pensar raso onde, de toque em toque na Floresta Negra, onde o teu denso granizo costuma acordar. Dentro, no {meu} lugar aniquilado ao teu retrato, em mim compacto.

Loucamente!...

Os lábios deslumbrados, amadurecem presos na boca. No limbo que em mim estala, nos entrelaçando as cúpulas. Abertas, entre a Vagina e o teu grande Livro.
O Pénis!
Onde escrevo os despertares que rasgam a membrana, num Mar Teso, que aberto é pequeno e se torna Coroação na {minha} aberta. Amadurecendo o som dos {meus} lábios quentes, os sussurros dos {meus} ventos, num céu em lume aceso!
AH, {meu} amor, como me custa escrever desse momento selvagem em que nós os dois submissos, descemos pelo ar... cegamente...
o Sal na tua boca... aniquilando o doce nos {meus} laivos... em lugares meus onde um dia a pele se rasgou e uma Vagina deu rosto ao girar de uma Rosa. Doce. Escarlate. Sob um céu fatal que em ti se enrola... e onde tudo flutua, debaixo, unicamente, onde as {minhas} palavras são pronunciadas, de forma a te lamberem, embriagadas, pelo alerta dos plurais carnais, num fluxo e refluxo elementar, numa rediviva sexual, onde sorvo o teu mármore, sofregamente...!"

* ao Jota, que me leva a Arte todos os dias, num bom dia, no acordar feliz ao seu lado.

Luisa Demétrio Raposo

Fruta 15 - Fruta de estufa

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[Foto: Petrus, 2010, Gym Time II]

Hope lingerie - o errado e o certo em três lições da Gisele Bundchen

Esta campanha causou uma grande polémica no Brasil por ser sexista. Abençoada falta de espírito de humor!





"Com esta mulher... vime"

Crica para veres toda a história
Mulher-vime


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oglaf.com

04 outubro 2011

Ricardo Esteves - Fim do Mundo

Fogo lento

Continuo a tentar
morder o vento
porque enquanto tento
continuo a tentar
Inspiro e hei-de levar-to
aqui dentro, hei-de voar
com ele, deixar-te entrar
em mim, como fogo lento
Continuo a tentar
porque enquanto tento
eu até invento
que te deixo entrar.

Ilusionista

Não pensei que fosse cedo,
nem tarde:
nunca julguei que houvesse
pressa em chegar,
pressa em partir.
Calculei que o meu tempo
seria o teu,
enganando-me - mais uma vez -
nas linhas do teu sorriso.
Ilusionista do amor:
fizeste-o e mais nada.

Poesia de Paula Raposo

Aqui está o segundo video de apresentação da minha colecção

Muito obrigada mais uma vez, Miss Joana Well, Luís Gaspar, Joana Moura e Bill Evans!
E já está na forja mais um video com um poema do Jorge Castro (OrCa)... e depois ainda outro, com um texto também dele. Todos pela voz de ouro do Luís Gaspar.

«Carícias ao nosso olhar» - a funda São from São Rosas on Vimeo.


O primeiro video ainda pode ser visto aqui.

03 outubro 2011

Fruta 14 - Meu sonho azul...

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[Foto daqui]

Ó Luís de Matos, aposto que não consegues fazer isto!



Via Clube Sexy Hot

O Perceve de que Falo, Umbelina...

Após o episódio de Aveiro posto em post, cumpre-me dizer algumas palavras a propósito.
O mais importante de tudo foi o que a Umbelina conseguiu: desassossegar! Desassossegar que neste contexto se casa com o sentido esotérico que Pessoa utilizou e que significa "despertar, acordar, revelar", muito mais do que propriamente "incomodar". Mas este incomodar foi quiçá algo de cuja importância irei agora dar corpo de texto.
O culto do Falo era muito importante no nosso território, principalmente em toda a orla marítima. E as nascentes mágicas da região de Óbidos desempenhavam um papel fulcral neste culto.
As análises científicas feitas às águas dessas nascentes demonstraram o que há milénios os povos por cá sabiam: aquelas águas tinham, entre outras propriedades curativas, a particularidade de tratarem as situações de infertilidade e de potenciarem a libido dos seus frequentadores.
A Cristianização utilizou a técnica da tenaz para fazer tábua rasa de todos os cultos fálicos, substituindo o Falo pelo Deus Pai, restando apenas aqui e ali algumas referências no léxico comum e na gastronomia, como por exemplo as caralhotas e os doces de são Gonçalo, entre outros semelhantes na faixa litoral oeste do país, onde destaco a distinção feita a Santo Antão, que é chamado de São Chouriço...
A técnica da religião dominante é simples: nas primeiras fases da Cristianização, Cristo é apenas mais um entre os muitos Deuses. Os cultos "pagãos" são tolerados e, durante algum tempo - gerações inteiras, por vezes - estes misturam-se na iconografia Cristã e, assim, ainda são visíveis em inúmeros testemunhos imortalizados em pedra lavrada e que escaparam às ondas purificadoras que de vez em quando assomam a Humanidade.
A pouco e pouco, com muito trabalho de púlpito e aproveitando as situações, um a um, os deuses antigos vão cedendo lugar aos santos. De forma geral, quando se estuda a vida dos santos descobre-se como os locais de culto dedicados a eles substituem santuários desses antigos deuses e as propriedades deles são absorvidas pela nova referência, a nova santidade. Não nos devemos espantar com a enorme quantidade de santos surgidos na Idade Média, pois foi nessa época que foi travada a maior e mais importante tarefa de absorção dos cultos ancestrais e a diabolização de outros.
O culto fálico foi um destes. Embora tenha persistido em alguns locais da Europa até ao século XIX, em praticamente todos os locais este foi extinto e os seus seguidores perseguidos.
O sexo foi despromovido e relegado ao mundo do pecado e do impuro. Embora na linguagem se continue a utilizar o "caralho" como muleta e partícula enfática - e isto de forma inconsciente, sem propósito intencional - a exibição do símbolo do Falo, outrora considerado como sendo um elemento de bom augúrio, passou a ser visto como ofensivo e atentado ao pudor.
Contudo, o culto fálico não morreu - nem morrerá, obviamente - mantendo-se com toda a força na nossa psicologia colectiva.
O facto da exibição deste no mercado em Aveiro ter incomodado tanto demonstra o tremendo poder da sua imagética e o incómodo mais não é do que o fazer vir ao cimo e o descompactar de um mundo de valores naturais e eternos que chocam com todo um outro conjunto de valores com que a corrente religiosa dominante tentou nivelar o sentir e o viver colectivo: uma sociedade supostamente assexuada, onde os nascimentos seriam produto do pecado e cada criança uma alma perdida e condenada às eternas fogueiras dos infernos, antes do sacramento do baptismo. Este mal estar perante o sexo, algo tão natural e maravilhoso, está presente em muitas camadas da população e neste particular é de dar os parabéns aos que ao longo dos séculos tão bem conseguiram dominar pelo medo.
No entanto, por nos ser incontornável, por sermos nascido do sexo, e de ser esta a nossa condição enquanto homens e mulheres, o seu culto irá encontrar de novo o seu lugar. De uma forma natural, como naturais são os Menires que por toda a costa marcavam esta terra de magia, a Terrea Ophiussa...

Charlie - blog Cartas sem valor
(autor de um estudo em preparação sobre a religião e o culto fálico na região Oeste)