Já vos falei nas taras mais "diferentes" com que fui confrontada.
Hoje quero-vos falar de algo mais soft: os fetiches.
Os fetiches são desejos diferentes do habitual mas mais comuns e menos bizarros que as taras.
Vou começar por descrevê-los por ordem decrescente de pedidos:
- Chuva dourada - é uma constante.Não passa uma semana sem que me perguntem ao telefone se o faço. A primeira vez que o fiz foi complicado... para já, não sabia o que era; depois disso esclarecido, estive uma hora a beber água e mais água e, quando preciso de ir fazer xixi, não posso; tenho que aguentar até o cliente chegar. Felizmente não demorou muito mais... mas primeiro ele queria beijos, apalpanços, sexo oral e até penetração... aguentei-me até ao sexo oral, após o que lhe disse que, se me penetrasse, eu fazia xixi na hora. Ele então não quis, deitou-se no chão onde eu já tinha posto lençóis e toalhas, de barriga para cima, mandou-me abrir as pernas e ficar meio agachada de pé, por cima dele e virada para ele e com a minha c*na bem perto da cara dele. Começou a masturbar-se e pediu para eu fazer o mesmo, começou a acelerar e grita-me agora!... Finalmente aliviei a bexiga! E ele bebeu quase tudo, enquanto se vinha abundantemente...
- Sodomização - é também das fantasias mais pedidas. Basicamente, o homem gosta de ser penetrado, mas não por outro homem; quer uma mulher que acrescenta um sexo de homem falso a enrab*-lo sem dó nem piedade... E olhem que os vibradores de cintura costumam ser bem avantajados!... Estes clientes têm orgasmos fortes, brutais e mais longos que o habitual. Sei que há quem ache que este fetiche representa no fundo um desejo homossexual em homens que são homofóbicos... Eu pessoalmente não concordo... Talvez por gostar de sexo anal e essa parte da anatomia ser igual no homem e na mulher (com mais ou menos pêlos ;) e saber que é uma zona com muitas terminações nervosas; compreendo que ambos possam retirar prazer deste tipo de relação sexual.
- Botão de rosa - não é incomum perguntarem se faço... Desculpem se ofendo alguém mas... que nojo!!! Como é que um homem que eu não conheço espera que eu lhe lamba, beije e sugue o ânus?... Aqui está um fetiche que eu não faço... esqueçam... se me quiserem fazer, é com o cliente, agora eu fazer... fora de questão!
- Virem-se na cara - é bastante comum homens que, depois de perguntarem se eu faço oral até ao fim sem preservativo e eu responder que não (pois não faço mesmo!) pedirem para se virem na minha cara... Claro que respondo que não mas fico a pensar como é que, não fazendo eu oral até ao fim sem protecção, esperem que eu aceda a este desejo... o perigo de transmissão de DST´S para mim continuaria a ser enorme! Será que estes homens não pensam, ou como o risco seria só meu, são tão egoistas que não querem saber?....
Bem, deixo-vos aqui o inicio deste relato.
Tenho muito mais para vos contar mas fica para o próximo capítulo...
Vão passando...
Beijocas.
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
26 junho 2012
Coito interrompido ou coito... ininterrupto?
Há cerca de 47 milhões de anos, a quietude das águas de um lago, situado naquilo que hoje é a Alemanha, achou-se perturbada pela agitação frenética proporcionada por vários casais de tartarugas envolvidos num verdadeiro regabofe reprodutivo. Infelizmente, a actividade da prática do amor, por parte destes simpáticos e dedicados répteis, viria a ser cruelmente interrompida quando um verdadeiro cataclismo se abateu sobre eles, liquidando no acto todos os seres vivos das redondezas.
Hoje, milhões e milhões de cópulas depois, perdão, milhões de anos depois, o testemunho silencioso daquele momento veio à luz do dia em Messel, não muito longe de Frankfurt, na forma de nove casais de tartarugas que ficaram autenticamente feitos num oito.
Ora é exactamente aqui que surge a minha dúvida: como se deve rotular o drama destas apaixonadas e eternizadas tartarugas? Coito interrompido ou coito ininterrupto?
Hoje, milhões e milhões de cópulas depois, perdão, milhões de anos depois, o testemunho silencioso daquele momento veio à luz do dia em Messel, não muito longe de Frankfurt, na forma de nove casais de tartarugas que ficaram autenticamente feitos num oito.
Ora é exactamente aqui que surge a minha dúvida: como se deve rotular o drama destas apaixonadas e eternizadas tartarugas? Coito interrompido ou coito ininterrupto?
Notícia original: Público
As Sessenta Virgens
Deus estava a fazer a barba. Desde há séculos (literalmente) que todas as manhãs acordava dorido e angustiado e chateado com a vida e ainda por cima despeitado com o Seu mau hálito. Frequentemente sofria de insónias.
Nunca Lhe tinha passado pela cabeça que tudo acabaria assim quando, alguns milénios atrás, tinha aceitado aquela missão na Agência Intergaláctica de Amas para Planetas.
É certo que Lhe tinham dito que a Terra era um planeta "classe zero" e que Ele teria que contemporizar com todos os credos e crenças dos seres que aí habitavam. Na altura tinha pensado na missão como um desafio. Hoje em dia, a pior coisa era ter que fingir que não existia quando se cruzava com algum ateu pretensioso, lá em baixo no Céu.
"Toque, toque" - um querubim batia à janela.
- O que é? Não pode esperar? - ralhou Deus enquanto abria uma fresta.
- Deus, o mártir muçulmano que chegou ontem está a ter problemas com as virgens - informou o querubim.
"Os muçulmanos, sempre os muçulmanos" - pensou Deus para com os seus botões. "Esses gajos mais a parvoíce das sessenta virgens". Como é que era suposto esperar que Ele arranjasse sessenta para cada mártir se achar uma já era difícil. Por Ele podiam ir todos para o Inferno, se ao menos o Inferno existisse. Século após século, Ele tinha-se preocupado, e preocupado, e perdido uma eternidade de noites (literalmente) a pensar como havia de contornar a escassez de virgens. Hoje em dia dava dez a cada mártir quando chegavam e mais uma de vez em quando até que eles perdessem a conta.
- Vá lá Deus, o que é que eu faço - insistiu o querubim.
"Essa era outra. Ele tinha sempre que saber o que fazer. E toda a gente O chamava Deus quando o Seu nome verdadeiro era Henrique."
- Ok, Ok, Eu vou ver se ainda tenho algum - respondeu Deus ao querubim.
Deus continuou a fazer a barba, enquanto o querubim se afastava rapidamente levando consigo o milagroso comprimido azul, Viagra, para dar ao mártir.
ovo.cósmico
http://alogicasubjacente.blogspot.pt/
Nunca Lhe tinha passado pela cabeça que tudo acabaria assim quando, alguns milénios atrás, tinha aceitado aquela missão na Agência Intergaláctica de Amas para Planetas.
É certo que Lhe tinham dito que a Terra era um planeta "classe zero" e que Ele teria que contemporizar com todos os credos e crenças dos seres que aí habitavam. Na altura tinha pensado na missão como um desafio. Hoje em dia, a pior coisa era ter que fingir que não existia quando se cruzava com algum ateu pretensioso, lá em baixo no Céu.
"Toque, toque" - um querubim batia à janela.
- O que é? Não pode esperar? - ralhou Deus enquanto abria uma fresta.
- Deus, o mártir muçulmano que chegou ontem está a ter problemas com as virgens - informou o querubim.
"Os muçulmanos, sempre os muçulmanos" - pensou Deus para com os seus botões. "Esses gajos mais a parvoíce das sessenta virgens". Como é que era suposto esperar que Ele arranjasse sessenta para cada mártir se achar uma já era difícil. Por Ele podiam ir todos para o Inferno, se ao menos o Inferno existisse. Século após século, Ele tinha-se preocupado, e preocupado, e perdido uma eternidade de noites (literalmente) a pensar como havia de contornar a escassez de virgens. Hoje em dia dava dez a cada mártir quando chegavam e mais uma de vez em quando até que eles perdessem a conta.
- Vá lá Deus, o que é que eu faço - insistiu o querubim.
"Essa era outra. Ele tinha sempre que saber o que fazer. E toda a gente O chamava Deus quando o Seu nome verdadeiro era Henrique."
- Ok, Ok, Eu vou ver se ainda tenho algum - respondeu Deus ao querubim.
Deus continuou a fazer a barba, enquanto o querubim se afastava rapidamente levando consigo o milagroso comprimido azul, Viagra, para dar ao mártir.
ovo.cósmico
http://alogicasubjacente.blogspot.pt/
25 junho 2012
«respostas a perguntas inexistentes (203)» - bagaço amarelo

Merda de microondas. Acabei de queimar a língua. Todas as manhãs é a mesma coisa: ou aqueço demasiadamente o leite ou tenho que o beber frio. Dantes, quando o punha num fervedor de metal e o aquecia no fogão a gás, nunca falhava. Sabia exactamente qual a temperatura a que estava só de olhar para ele. Agora, com o microondas, é todas as manhãs um stress. O que eu não percebo em mim, é porque é que tendo o fogão a gás mesmo ao lado do microondas, insisto em usar este último todas as manhãs.
Há mais coisas que eu não percebo em mim. Todas as manhãs, todos os dias, todos os meses, todos os anos. Por exemplo, saber que a Primavera gosta de entrar pelas janelas da minha casa e, mesmo assim, nunca as abrir mal a vejo do outro lado dos vidros. Vejo-lhe a luz, não lhe sinto cheiro.
Movimento-me assim, num colete de hábitos que tem como único objectivo fazer com que o tempo passe por mim sem que eu passe por ele, até ao segundo exacto em que me dou conta disso mesmo. Por exemplo, de que a pessoa que eu Amo e que está ali ao meu lado, não é apenas uma sombra de todos os dias, de quem me vou despedindo todas as manhãs para depois cumprimentar à noite com um beijo na boca sem sabor.
São dez horas e dezasseis minutos dum dia qualquer primaveril. Raspo três vezes um fósforo na respectiva caixa para acender um dos bicos do fogão. Faz-se fogo, faz-se luz. Aqueço o leite enquanto abro as janelas de casa e corro para a porta para beijar de novo a minha companheira. Mais prolongadamente, desta vez, e com um "Amo-te!" à mistura. A minha vida é uma das coisas que eu não percebo em mim.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Qualidades
É difícil achar alguém que goste de ti, imagina de alguma qualidade em especial?

Eh! Espera aí!...
Capinaremos.com
Eh! Espera aí!...
Capinaremos.com
24 junho 2012
Gustavo
A inundação começou com o seu sorriso de olhos cúmplices, avolumou-se com os gostos comuns por letras e imagens e as suas histórias cheias de descobertas nas rotinas citadinas a impregnar a minha alma de mata-borrão e foi às apalpadelas na cheia que me pareceu natural como a minha sede que após diversas tentativas de localização ele me sentasse na rocha do aparador da entrada e então ao mesmo nível, fizesse canoagem nos meus rápidos vaginais que nunca fui moça de ficar quieta.
Mas adiante que além das diárias mãos dadas também recordo os primeiros raios de sol a enfeitarem o quarto como serpentinas em cada manhã que me arrebitavam para a festa de lhe beijar cada milímetro desde as ramelas ao Everest privativo. E os finais da tarde na banheira onde largávamos as canseiras do dia para emergirmos na comunicação dos corpos, no morse de tocar os pontos de cada vértebra do pescoço e coluna em escala descendente fazendo a electricidade estática que torna urgente entrar no sistema. E a moleza do final da digestão do jantar que nos aninhava no sofá numa sôfrega sobremesa de sucção mútua que me encavalitava nas suas ancas, mãos esborrachadas nas suas nádegas, num trote seguro até ao galope final emitido em onomatopeias.
Nem me incomodava a tampa da sanita sempre levantada, um pormenor de somenos perante a sua perfeição a bailar a casa de aspirador na mão e gostava que tivesse durado o resto dos dias da minha vida.
«O Lacerda» - por Rui Felício

Era o funcionário mais estranho que conheci. Quantos anos teria? Trinta? Quarenta? Mais?
Magríssimo, esquelético mesmo, as faces encovadas de onde lhe sobressaiam as maças do rosto, quase a romper a pele macilenta. O cabelo preto de azeviche, empastado de brilhantina barata, parecia colado à cabeça. As orelhas de abano pareciam ter sido cosidas com agulha ferrugenta dos dois lados da cabeça, prontas a despegarem-se ao menor sopro de vento.Como numa lúgrube cruzeta, adejavam as roupas muito largas, de tons pretos ou cinzentos.
Falava pausadamente para disfarçar a gaguez. Lia e relia a papelada que os alunos lhe entregavam na secretaria do liceu para se matricularem, pagarem as propinas ou requererem exames, na demanda ínfrene de descortinar algum formulário incompleto ou mal preenchido.
Quando descobria algum erro, adoptava uma postura vencedora,altaneira, que o seu metro e sessenta empinado pelo tacão alto dos sapatos de fivela lhe permitia, e vociferava lentamente, em voz pastosa, fitando o aluno por trás dos seus óculos de aros grossos de imitação de tartaruga:
- Olha lá rapazote, aqui no Liceu não se admitem analfabetos. Vai para um colégio qualquer e volta cá só quando já souberes preencher os papéis.
Puxava a manga de alpaca para o cotovelo, engordurada de meses a fio sem ser lavada e pegava nos papéis do aluno que se seguia na fila.
Mas que homem era aquele, quem era de facto o burocrata a debater-se imundo na camisa de forças do rígido normativo da secretaria, humilhado às escondidas pela rapaziada? Será que acalentava algum sonho? Qualquer homem os tem. E ele? Tinha algum? Ou alimentava-se apenas da autoridade efémera sobre os alunos que as regras do liceu lhe conferiam? Bastar-lhe-ia comer o pó dos processos escolares que enchiam as paredes e as secretárias?
Não! Viemos a saber que não!
Figura caricatural, dentro do esqueleto que lhe furava a camisa passajada, o coração do Lacerda também amava.
Também sonhava! Aquela mulher de lábios grossos, carnudos, de pernas roliças, seios fartos a saltarem pelo decote da blusa às flores, a quase rebentarem os botões de osso de javali que a cingiam ao corpo, trazia-o ensandecido. Fora a única mulher que conhecera em toda a sua vida que não se ria dele, que lhe sorria meiga, que o escutava atenta, que lhe sussurrava palavras de amor e que gemia nos seus braços esqueléticos, na penumbra do quarto daquele primeiro andar onde todos os dias se ia encontrar com ela.
Ultimamente, o Lacerda pedia por vezes dinheiro emprestado aos colegas, porque aquele amor louco lhe estava a esgotar as economias. Nem parecia o mesmo! A partir do meio da tarde, ansiava que os ponteiros do relógio ganhassem maior velocidade, para sair do trabalho, encharcar-se em perfume reles que empestava tudo à sua volta, apanhar o eléctrico na Alameda e depois apear-se em andamento perto da Praça 8 de Maio.
Era vê-lo então a embrenhar-se nas vielas da Baixa, chocalhando os ossos, em passo estugado, os tacões de pau de cinco centímetros já descambados, a baterem ritmados na calçada. Chegado, subia dois a dois os estreitos degraus de madeira carunchosa até ao primeiro andar.
Recobrava o fôlego, abria os braços em direcção à sua amada, deixava antever os dentes amarelos num arremedo de sorriso, num esgar cadavérico e articulava melancolicamente, disfarçando a gaguez:
- Meu amor! Vamos?
- A Carmen, assim era o seu nome, espanhola de Cáceres que imigrara há um bom par de anos para trabalhar em Coimbra, sorria-lhe, passava-lhe a mão pelo cabelo oleoso e levava-o pela mão ossuda, como a um menino, para o quarto daquele nº 13 da Rua Direita…
Rui Felício
Blog Encontro de Gerações

Disconnecting people
Ricardo - Vida e obra de mim mesmo
(crica na imagem para abrir aumentada numa nova janela)
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