01 outubro 2012

«respostas a perguntas inexistentes (211)» - bagaço amarelo

dedos

Comecei-lhe pelos dedos. Tem piada, sempre que penso numa mulher qualquer, a primeira parte do corpo que me vem à cabeça é a face. Depois podem ser as pernas, os seios, as mãos ou o rabo, mas a primeira é sempre a face. A face é o bilhete de identidade de cada uma delas. Só na Rita é que são sempre os dedos.
Já não a via há anos, mas quando ouvi inesperadamente a voz dela do outro lado do telefone imaginei-lhe imediatamente os dedos, magros e delicados como quando passávamos todos os fins de tarde na esplanada da praia. Era aí, entre algumas cervejas e refrescos, que eles tocavam em tudo como se tudo fosse frágil, e folheavam o jornal como se as suas folhas fossem de gelatina. Líamos os diários praticamente todos e depois ficávamos à conversa até as palavras se cansarem dentro de nós, normalmente já pela noite dentro.
Tinha conhecido a Rita precisamente por causa dum jornal. Num comboio urbano entre Porto e Aveiro onde viajei ao lado dela. Ela dobrou o Diário de Notícias depois de o ler e pousou-o sobre a saia, eu pedi-lho emprestado. Tinha uma notícia sobre o aumento de divórcios em Portugal que eu queria ler e acabámos os dois a falar sobre o tema. Ficámos a saber que éramos os dois recém-divorciados. Ela tinha saído de Braga sem direcção para desanuviar a cabeça (palavras dela), e agora estávamos ali os dois, tão distantes quanto próximos, a esticar o tempo entre os transeuntes apressados na estação de comboio de Aveiro. Foi o primeiro fim de tarde que passámos na praia.
Lembro-me de a achar forte, tão forte que estranhei ela caber dentro daquele corpo tão pequeno. Por outro lado, à medida que me fui apaixonando por ela comecei a perceber que o meu corpo era demasiado grande para a minha fragilidade. Ela queria distância de tudo o que era homem (palavras dela), e eu nem sequer sabia bem o que queria (palavras dela também).
No último dia ninguém leu jornais. Acho que amuámos os dois, ou melhor, amuei eu e ela retribuiu. Tinha passado a tarde entre banhos no mar e pequenos sonos na toalha. Num desses sonos senti os dedos dela a caminharem pelas minhas costas, como os dedos das Páginas Amarelas.

- Tens que perceber uma coisa. Tu estás triste com a tua separação, eu estou zangada com a minha. - disse.

Acho que foi a primeira vez que me ri por esses tempos. Levantei-me para dar um último mergulho e nesse mesmo fim de tarde fui levá-la ao comboio. Foi há quase seis anos e entretanto nunca mais a vi. Hoje telefonou-me e comecei-lhe pelos dedos.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Na fronteira do perigo

Estás ao volante, parado no semáforo, e atravessa a estrada uma mulher vistosa, com tudo aquilo que gostas de apreciar numa mulher, mas atinges o limite da tua visão periférica e estás quase a virar os olhos para dentro mas a pessoa a teu lado, no lugar do pendura, também deu por ela e está a olhar para ti.
E a pessoa ao teu lado é a tua sogra.

Borboletas no estômago

Uma história de amor.



Belíssimo.

Capinaremos.com

30 setembro 2012

«Tight - Bree Olson's all-girl porn star rock band»

«Tight» é uma banda rock feminina composta por estrelas porno.
Página oficial da banda... apertadinha.


Tight TV Series Trailer from Shaun Donnelly on Vimeo.

vamos com calma...


Raim on Facebook

Escolhi apaixonar-me por ti


À saída da primeira matiné, tropecei nos degraus e antes de aterrar de cu no chão ainda bati com a biqueira dos sapatos nos teus joelhos, desmanchando-te a resma de jornais e revistas que trazias debaixo do braço numas esvoaçantes borboletas que embateram nos vidros da porta do átrio e me serviram de espelho para te adivinhar as formas das nádegas que o casacão escondia. Convidei-te para um café e quiseste também uma água lisa que bebias em golinhos para aclarar a tua voz meiga e modulada como se fosses um locutor de rádio.

Éramos mais dois náufragos da vida da grande cidade e antes da terceira sessão, girámos a bússola para o norte do sexo, esse anti-depressivo militante, trocando o imaginário da tela por travelings das nossas peles e beijos sôfregos em grande plano. Retive a audácia de me deixares sentar sobre o teu peito para cantar ao microfone com aqueles gestos e torções arrebatados enquanto afundavas o nariz num negrume de caracóis.

São apenas retalhos dos sentidos mas antes que a morte ponha uma pedra sobre o assunto e nos redija o epitáfio de que fomos tudo menos aquilo que queríamos fazer, quero afirmar-te que escolhi apaixonar-me por ti e podemos continuar a grunhir ao ritmo do ranger das madeiras e do colchão, a fazer eco da escolha acertada do aproveitamento de cada dia.


Os vários tipos de 69, por Alfredo Moreirinhas

Na minha página no Facebook (que atingiu 400 "gostos"), divulgo o que é publicado aqui e, além disso, eu e outra malta da fundiSão publicamos outras coisas.
A propósito da «taça em bronze com 69 entre duas mulheres» da minha colecção, o Alfredo Moreirinhas esclareceu:
"Esse é que é o verdadeiro 69... porque homem e mulher é: 6-9 
E, já agora, "homem" com "homem" é 6=9
Atenção que eu vou registar a patente do 6-9 e do 6=9 ..."

"Querido, eu queria ir às compras..."



Via fecskelaszlo

29 setembro 2012

As duas louras falam de Copa do Mundo, macumba, artesanato e peitos!

«pensamentos catatónicos (274)» - bagaço amarelo

Desde que acordei até à hora do almoço tive um dia mais ou menos cinzento. Andei sozinho pela cidade à procura de nada, a olhar para algumas montras tristes. Acabei por tomar um café sem sabor numa pastelaria da baixa e voltar para casa sem vontade de fazer o almoço. Foi uma manhã sem gosto, pode-se dizer. Não sei porquê.
Gosto de gostar, passe a redundância. Às vezes é como se a vida, infelizmente, não me desse a possibilidade de gostar de coisas suficientes para ser feliz. Pelo menos é isso que sinto e acho que é essa é a grande arma do facebook: poder gostar de um ror de coisas com um simples click. Abro a página inicial e em dez minutos já gostei mais vezes do que no resto da semana. É uma sensação efémera de prazer, mas ainda assim funciona.
Na verdade, aquilo de que o facebook se apercebeu a tempo é de que todos sofremos um défice no verbo gostar. Por um lado, sentimo-nos permanentemente insatisfeitos com as poucas coisas de que realmente gostamos, por outro, não nos chega a quantidade de vezes de que somos gostados. O facebook tornou o verbo gostar uma questão administrativa. Até podemos estar a mentir, mas fica lá carimbado que gostamos de qualquer coisa.
Não estou a dizer mal do facebook. Hoje, por exemplo, já gostei de uma mão cheia de coisas de que já nem lembro quais foram, tudo para compensar a falta de coisas que tive para gostar de manhã. Soube-me bem gostar delas, assim como me soube bem saber que há mais pessoas que ficaram a saber que eu gostei. Gostei disso, pronto. Às vezes é o que se tem. Mais nada.
O meu telemóvel tocou há bocadinho. Vi um número que não conhecia e demorei a atender. Era uma mulher muito simpática a representar uma rede de supermercados, a propósito duma reclamação que lá deixei a semana passada. Explicou-me o que se tinha passado e acabou por me dizer que espera que eu lá volte. Que gosta muito de me ter como cliente, concluiu.
Lá está o cabrão do verbo gostar, pensei. Serve para tudo e mais alguma coisa. Fiz imediatamente uma chamada, a quem de direito, para lhe dizer que a Amo. Senti-me melhor. Amar é um luxo, gostar pode ser um lixo. E eu gosto de Amar.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Isqueiro com duas mulheres, com malandrice

Isqueiro metálico da marca «Penguin», que comprei  para a minha colecção.
Tem em cada face uma mulher. Abrindo a tampa do isqueiro e invertendo-o, numa das faces vê-se a mulher da cintura para baixo, com uma perna dobrada e a tocar-se com a mão na vagina. Na outra face, vê-se a outra mulher de cócoras, da cintura para baixo.



Um sábado qualquer... - «Decepções»



Um sábado qualquer...

28 setembro 2012

«Homens, escutar é preciso!» - João

"Seduzir uma mulher é uma arte exigente, e se o é, não é apenas porque as mulheres se fazem conduzir em demasiados tons de cinzento para homens que se querem pragmáticos, mas também porque é exercício difícil esse, o de calcular a dose correcta de ingredientes para evitar cair no buraco da amizade. O buraco da amizade é um sumidouro, um ralo, um abismo que suga os incautos e lhes veda o acesso aos recônditos húmidos. Um homem que queira seduzir uma mulher para com ela conhecer as sensações da carne, não pode, jamais, tornar-se seu amigo antes de lá chegar. É que, embora as mulheres precisem de homens seus amigos, esse estado não pode preceder o do erotismo. Primeiro sejamos apenas gajos atraentes – cada um do seu modo conforme as suas limitações -, e só depois, um pouco depois, amigos.
As mulheres não têm muita queda para se apaixonar pelos seus amigos. Nós homens, aqueles que nunca foram cabrões, sabem bem que são os cabrões que as levam na juventude. Os que são mais atentos, mais amigos, são mais sozinhos. Só mais tarde na vida das mulheres é que os bons homens são valorizados. Antes, não.
Mas a minha ideia ao iniciar este texto não é perder-me em considerandos sobre aquilo que move as mulheres na juventude, quando procuram sensações mais arrepiantes. A minha ideia é, sem prejuízo para a introdução que parecia levar num outro sentido, falar aos homens sobre aquilo que é preciso fornecer às mulheres ao longo da vida, depois da sedução inicial. Se outrora escrevi para as mulheres sobre aquilo que os homens procuram – uma amiga, uma mãe, uma puta -, hoje escrevo aos homens sobre aquilo que eu sinto que as mulheres precisam. E se me preparo para partilhar com os homens, os da minha matilha, camaradas de trincheira, é porque leio sinais naquilo que elas comigo partilham que eu julgo importante passar-vos, para que vivamos todos um pouco melhor.
As mulheres precisarão, sim, de bom sexo. As mulheres precisarão, sim, de homens que as ajudem nas tarefas rotineiras que a nós afastam mas delas nunca fogem. As mulheres precisarão, sim, de um cabrão amigo, uns dias mais cabrão, outros mais amigo. Mas as mulheres precisarão, sempre, de um homem que converse com elas. Leiam-me bem, por favor: que conversem! Conversar. Ouvir, interpretar, formular ideias, responder. Demonstrar interesse. Melhor, ter efectivo interesse, não apenas procurar demonstrar uma coisa vaga, fingida. As mulheres precisam desesperadamente de quem as oiça, de quem queira ouvir os seus problemas, os seus sofrimentos, as ideias que lhes surgem durante o dia. As coisas que fizeram e as que querem vir a fazer. Connosco. Ou não. As mulheres precisam ser escutadas sem sentirem que o homem que as escuta está, naquele momento, apenas a pensar fazer com elas o pino.
Fazer isto de que vos falo, ouvir as nossas mulheres, não nos coloca perante o perigo do buraco da amizade de que vos falei antes. É, isso sim, uma necessidade para garantirmos que as nossas mulheres continuam nossas durante muitos anos, admitindo que é esse o nosso desejo. Durante a sedução, a conversa é outra. Mas numa relação já estabelecida, negar conversar com as nossas mulheres e delas ser amigo (na justa medida), é empurrá-las para outros homens que as escutem com atenção, com o perigo acrescido de que as mulheres quando derivam, dificilmente voltam.
Escutar é preciso, e escutem-me também vós, homens, porque eu não tenho disponibilidade para conversar com todas as mulheres. Falta-me tempo, e algumas das mulheres podem ser as vossas. Pensem nisso."

João
Geografia das Curvas