09 março 2014

Homem novo


Sentei-me logo à frente dela no comboio que aquilo não era coisa que se visse todos os dias ali.Tudo roupa de marca. Chapéu e casaco da Burberrys e mala Fulda. A trincar uma maçã verde, madura mas daquelas verdes granny qualquer coisa que as gajas comem porque causa da mania das dietas. Talvez por isso fosse franzina. Bonitinha mas franzininha que devia ter pouca carne por um onde um gajo agarrar. Mas como se costuma dizer que a cavalo dado não se olha o dente deixei-me ali estar a arregalar o olho.

E não é que a gaja, gaja de dinheiro está bom de ver, me dirigiu a palavra. Primeiro a queixar-se dos dentes e depois de enfiada desatou a contar-me onde trabalhava, onde tinha estudado e mais não sei quantas coisas da sua vida que até me deixou embatucado como se fosse eu a trincar a maçã. Chegou ao ponto de me contar que sofria de uns ataques de ansiedade perante o meu ar atento e sossegado mesmo que aspirasse a consolá-la com um bracinho no ombro ou qualquer coisa mais descida na minha anatonomia que embora tenha sentimentos, que os tenho, perante uma gaja só me lembra de as levar para a cama como se isso fosse obrigatório e é uma ideia que não me deixa a cabeça enquanto elas não me saiem da frente.

Era uma moça fina que as suas mãos lisinhas não davam lugar a engano que aquelas nunca tinham lavado sequer uma loiça de pequeno-almoço. Mais a mais que nelas sobressaiam dois anéis espetados embora não tivesse aliança mas sim um relógio dourado no pulso cuja marca não tive tempo de perceber e ali tão desprotegida, enchia-me de vontade de lhe fazer companhia e dar protecção em todos os bons sentidos que a palavra possa ter.

Passados vinte minutos era a minha paragem e como ela não podia visualizar o interior da minha cabeça estendi-lhe a mão de forma cavalheiresca para me despedir perante alguma aflição dela que ainda perguntou se eu não ia até ao fim e eu lamentei a impossibilidade dizendo apenas que era aquela a minha paragem embora a mil à hora estivesse a anotar na minha cabeça qual era aquela carruagem para amanhã apanhar aquele mesmo comboio e já que não era o meu dia de ir buscar os miúdos para os levar para casa poder ir com ela até ao fim.

Auto-ratarato por Katya Clover


07 março 2014

«The withdrawal from conversation/return to the oceanic: the weight of the breast» - 20 mulheres tocam bateria em topless - 2002


"The withdrawal from conversation/return to the oceanic: the weight of the breast. Twenty women play the drums topless." 2002 from John Russell on Vimeo.

Aguarelas de Dan Gluibizzi





Dan Gluibizzi - «Long Happy summer» (2014) e «Six Happy Couples» (2012)

Via Bernard Perroud

Dilema policial

Deve ser frustrante ter um bastão tão grande e não poder usá-lo.

A origem da perspectiva - Stéphane Lallemand e Albrecht Dürer


Stéphane Lallemand. A origem da perspectiva. 2007. 95 x 180 cm


Albrecht Dürer (1472 – 1528) Der Zeichner des liegenden Weibes (Os signatários da mulher deitada?). Xilogravura (de “Underweysung der messung…”, Nuremberg, 3ª edição, 1538)

Via mon ami Bernard Perroud

"Onde raio se meteu o meu leãozinho de peluche?!"



Via Danish Principle

06 março 2014

Coitadito do Petter Hegre, que tanto trabalhou no México...


"Viva Mexico" Behind the scenes with Petter Hegre from Hegre-Art on Vimeo.

Belicismos

Para além da preocupação demonstrada pelos homens em relação ao tamanho do pénis, existe uma, mais esconsa e menos publicitada, mas não menos absorvente: a força com que é projectado o esperma.
Diz-me a minha vasta experiência que esta condicionante masculina não tem variantes múltiplas. Os tons cinza nesta paisagem a preto e branco, são escassos.
Pelas minhas mãos passaram orgasmos masculinos que me fizeram pensar que, se não tivesse cuidado, ficaria com estalactites em todos os compartimentos. A força, o ímpeto, o impulso, a pujança e a energia com que era expulso o esperma humilhavam qualquer fonte luminosa com ambições de chafariz. Outros tive em que o espesso líquido quente e encorpado, escorria lento pelo corpo do pénis, depois de um primeiro jacto de potência pouco significativa. Acredito que se torna mais interessante um disparo, abundante e de longo alcance. Todas as mulheres se consideram responsáveis pela quantidade e robustez da lava deste vulcão. No entanto, há fogos de artifício, elevados ao céu com a energia de foguetões da NASA, que não possuem a qualidade e o estranho e despudorado brilho do prazer do fogo preso. O deslizar lento e compacto, denso e grosso da massa leitosa que um pénis faz surgir enquanto lateja nas mãos de quem o manipula, pode ser bem mais sugestivo e capaz de despoletar manobras inolvidáveis que aproveitam esta quase seráfica forma de culminar um orgasmo.
É em nós que reside a capacidade de rentabilizar o modo como os machos se consomem na inconsciência de um orgasmo.
Não importa muito o ângulo e o alcance do míssil. O que interessa é sempre a arma que o dispara.