Há muitos anos, era parte de mim a lua pendurada no teu corpo. Tu ias e vinhas na noite, num tropel que nem os cavalos do sonho conseguiam acompanhar. Nada era realidade a vestir-me o corpo e apenas o medo penteava os meus cabelos.
Tu seguias imune aos meus apelos, orgulhoso e falsamente convencido de que a estrada do luar era só tua. Agarrada a ténues esperanças, abri-te os braços vezes sem conta, na vã tentativa de que eles fossem abrigo e casulo, fossem caminho e cama de amores lunares. Mas a teia dos segredos a palpitar nos olhos, sempre nos enredou e os lobos a morderem a pele numa luciferina sedução, foram sempre vencedores.
Hoje os dedos doem-me quando toco o luar e me tento demorar na pele do teu corpo.
É em quarto minguante que a lua te recorta, suspirando maresias insensatas e insuspeitas. Nada consigo ouvir, os sons enclausurados num outro universo, nada consigo ver, cega pelas mentiras embrulhadas em papel colorido. E as palavras que poderia dizer ou gritar, calo-as porque perdi as asas de gaivota ao cruzar o último céu.
Com o teu lado escuro tentas agarrar-me num abraço luarento, os olhos postos, não em mim, mas na feiticeira iluminada numa gritante noite azul.
Mas algo se recolhe em segredo, refugiando-se dos gestos gastos e mínimos. Não tenho mais desejos grávidos de ti porque os isentaste de mim.
Agora, só desejo guardar aquele lugar mágico , inviolado e secreto que nunca corrompeste.
Toma para ti o que com esqueléticas razões julgaste ser teu. Deixa-me apenas o mundo da lua.
Margarida Piloto Garcia
Ouçam este texto na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
05 maio 2014
«conversa 2068» - bagaço amarelo

Eu - Uma ou duas horas por dia?!
Ela - Sim, em vez do dia todo.
Eu - Ah!
Ela - Se eu soubesse o que sei hoje, nunca tinha casado. Ficava namorada dele a vida toda, mas cada um na sua casa.
Eu - Compreendo perfeitamente.
Ela - Compreendes?
Eu - Sim. Duas pessoas, quando vivem juntas a vida inteira acabam por se cansar, por muito que gostem uma da outra.
Ela - Pois é... e quando não gostam muito, como é o meu caso, ainda é pior.
Eu - Então... não gostas muito dele e querias ficar namorada dele mesmo que cada um vivesse na sua casa?!
Ela - Queria. Não gosto muito dele, mas sei que ele é requisitado por muito gajedo e não o quero dar a ninguém...
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
04 maio 2014
Rendez-vous
La Défense exibia junto ao novo Arco do Triunfo um formigueiro de fatos com gravata que se individualizavam quer pelo formato ou número de brincos expostos quer pelos cabelos em rabo de cavalo, espetados ou coloridos em tons de azul, vermelho ou verde alface, situação que me divertia como se fosse uma figurante de um filme de Fellini e deixei-me ficar encostada à entrada da FNAC.
Até que ele surgiu todo em ganga, essa bendita urdidura que lhe realçava os contornos dos materiais não expostos, com uns óculos escuros a proteger-lhe o mel dos olhos, num passo certo e apressado tal e qual o Brad Pitt e corri para ele como se os pés subitamente leves tivessem asinhas. E o seu salut Marie foi pegar-me ao colo fazendo-me rodar a saia como um carrocel e as minhas pernas numa coreografia que buscava o amparo das suas ancas para se entrelaçarem impelindo a minha boca a descair no seu pescoço em beijos sugados poro a poro.
Por isso, antes que a claquete batesse o final do tempo de cena fugimos daquele local formatado numa engenharia cinzenta para dar azo ao triunfo do instinto com os corpos em arco.
Até que ele surgiu todo em ganga, essa bendita urdidura que lhe realçava os contornos dos materiais não expostos, com uns óculos escuros a proteger-lhe o mel dos olhos, num passo certo e apressado tal e qual o Brad Pitt e corri para ele como se os pés subitamente leves tivessem asinhas. E o seu salut Marie foi pegar-me ao colo fazendo-me rodar a saia como um carrocel e as minhas pernas numa coreografia que buscava o amparo das suas ancas para se entrelaçarem impelindo a minha boca a descair no seu pescoço em beijos sugados poro a poro.
Por isso, antes que a claquete batesse o final do tempo de cena fugimos daquele local formatado numa engenharia cinzenta para dar azo ao triunfo do instinto com os corpos em arco.
Postalinho de Santiago (2)
"Coisas que se encontram ao longo do Caminho Português do Interior para Santiago de Compostela"
Antonino S.
Antonino S.
03 maio 2014
«O estorvo dos testículos» - por Triângulo Felpudo
A propósito do post «Les boules (III)» da Camille, sobre as bolas que - ora bolas - participam mas não entram, o Triângulo Felpudo pinou:
"Simbologias, virilidades e biologias à parte, os quicos são uma realidade que o cérebro masculino mecanicamente ignora. E com razão. Não se entende essa opção do Alfa e do Ómega em dotar-nos de dois penduricalhos no hemisfério sul. Não havia solução mais elegante? Ninguém se interessa por eles; essa é a verdade. Há tarados por mamas, rabos, conas cor-de-rosinha, vergalhos arbóreos. Mas nunca ouvi nenhuma gaja, ou paneleiro do mesmo sexo, dizer que se pelava por um helénico par de tomates. São os primos inconvenientes cuja presença toleramos nos almoços de família.
- Colhões: porquê? - será a minha primeira frase, caso um dia me encontre diante do Criador."
"Simbologias, virilidades e biologias à parte, os quicos são uma realidade que o cérebro masculino mecanicamente ignora. E com razão. Não se entende essa opção do Alfa e do Ómega em dotar-nos de dois penduricalhos no hemisfério sul. Não havia solução mais elegante? Ninguém se interessa por eles; essa é a verdade. Há tarados por mamas, rabos, conas cor-de-rosinha, vergalhos arbóreos. Mas nunca ouvi nenhuma gaja, ou paneleiro do mesmo sexo, dizer que se pelava por um helénico par de tomates. São os primos inconvenientes cuja presença toleramos nos almoços de família.
- Colhões: porquê? - será a minha primeira frase, caso um dia me encontre diante do Criador."
Homem e mulher - arte precolombiana
Dois alfinetes em metal banhado a ouro, baseados na lenda de Eldorado.
Fazem parte da minha colecção.
Visita a página da colecção no Facebook (e, já agora, também a minha página pessoal)
Fazem parte da minha colecção.
Visita a página da colecção no Facebook (e, já agora, também a minha página pessoal)
Por esse ele não esperava
Vai ter que liberar o brioco, Gênio.
02 maio 2014
«Regresso à poesia» - Patife

Se te comparo a um dia de tesão,
Desfaço-me num cansaço ameno
Espalhamos as roupas pelo chão,
Pelas ruas, pelos vales, pelo feno.
A toda a hora cresce o falo em demasia
Enfim, é essa a minha natureza;
Se quiseres só me tens por um dia,
Na constante mutação da picha tesa.
Mas na cama o tesão será eterno,
E de todas as maneiras pinarás;
Faço da minha picha o teu inferno:
Comendo-te pela frente e por detrás.
E quando eu precisar de me entreter,
Minhas mãos profanas te farão foder.
Patife
Blog «fode, fode, patife»
A Mamãe também ode, "aliada a Bocage e a Shakespeare":
"Quando eu precisar me entreter,
Olho-te pelo buraco da fechadura,
Sempre menino,
Assim é que vejo o amor:
A passar os dias com a pica dura.
Sou e sempre serei
Teu anjo pornográfico.
É a minha natureza:
Gozar, gozar, gozar...
De todas formas e maneiras,
E mostrar a São Rosas,
O que é ter a pila tesa."
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