12 janeiro 2015

«pensamentos catatónicos (317)» - bagaço amarelo

Estou a pôr a roupa a secar. Do outro lado da rua uma mulher fuma um cigarro e olha para um gato preto que costuma andar por ali.
Tenho um método para pendurar a roupa um bocado estranho. Começo sempre pelas peças maiores. Sei que o trabalho é o mesmo, mas o monte de roupa que falta pendurar parece mais pequeno quando começo pelas peças maiores. Se pendurar duas toalhas de banho, por exemplo, o tamanho do monte diminui num instante. Além disso é uma questão estética, gosto que as peças maiores fiquem atrás e as mais pequenas à frente. As meias, por exemplo, ficam sempre no primeiro arame do meu estendal a contar da rua.
Cada peça leva sempre duas molas, seja grande ou pequena, com excepção precisamente das meias, que levam uma mola por par. É que as organizo por pares logo quando as ponho a secar. Assim, quando as apanho, dobro-as no mesmo instante e poupo o trabalho de as andar a escolher entre o monte da roupa seca mais tarde. É também por isso que as penduro em último lugar. É mais fácil separá-las quando já não há mais roupa nenhuma misturada.
O gato está a aproveitar o que parecem ser os primeiros raios de sol nesta semana. A mulher também. Sempre que olho para ela, ela está a olhar para o gato. Suponho que talvez olhe para mim de vez em quando, quando estou de costas a pendurar a roupa. Eu não fumo, mas se fumasse também o estaria provavelmente a fazer neste momento.
Hoje sei que tenho duas coisas estranhas na vida. Pelo menos duas, digo. Uma é a forma como penso quando penduro a roupa, outra é a minha relação com a minha vizinha da frente. Ainda há bocado me cruzei com ela no café e fingi que não a conhecia, o que ela também fez comigo. Agora estamos aqui os dois a fingir que o outro não existe.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Sonhos...

Crica para veres toda a história
Aventuras da verdadeira cabra


1 página

11 janeiro 2015

«Espelho Torcido» - Porta-Curtas

Sinopse: "Espelho Torcido" é um grito de desabafo de uma jovem mulher que vê seu corpo ser considerado "fora dos padrões" de beleza. O filme contesta a definição de um corpo belo mostrando que o sublime se encontra até em corpos considerados esteticamente feios. A obra é uma busca pela autoaceitação da cineasta em relação a seu próprio corpo.

Postalinho da Estrada Nacional número 1

"Ia eu a entrar na Mealhada quando vi este aviso. Achei curioso, haver uma casta... à venda...


... mas afinal era casta... nha!"
Paulo M.


Será poligamia?

Se a escrita também é paixão, quem escreva em simultâneo duas biografias está a praticar poligamia?...


E não deve ser só nos dias 13...

Acho que a minha pila devia ser canonizada. Pelo menos já meti mais gajas de joelhos que qualquer peregrinação a Fátima.

Patife
@FF_Patife no Twitter

10 janeiro 2015

«Papai e mamãe» - Porta dos Fundos

«Matemática (sempre presente...)» - por Rui Felício


Rodrigo, o marido da Vanessa, é bom rapaz mas vive nas nuvens. Obcecado pela matemática, parece pairar fora deste mundo, enquanto o seu cérebro fervilha com cálculos e mais cálculos.
Chegou a casa, olhou a mulher de relance, enquanto com os olhos em alvo calculava mentalmente o seno e o co-seno de tudo o que observava.
A Vanessa, recostada no sofá, resolveu ajudá-lo abrindo ligeiramente o ângulo na direcção da tangente do seu olhar. Viu-o levantar a hipotenusa a partir do seu ângulo recto.
Foi então que finalmente o Rodrigo descobriu a solução. Agora ele estava certo de que o logaritmo de dois é um quarto!

Rui Felício
Blog Encontro de Gerações
Blog Escrito e Lido

Mulher sentada no bacio

Outra estatueta de Álvaro José, das Caldas da Rainha.
Tal como «a mosca», é uma peça feita por enchimento (molde) revelando um extraordinário domínio desta técnica pelo autor. Álvaro José Mendes (falecido em 2006) herdara em 1946 a olaria do seu avô, à data existente na Rua 15 de Maio, nas Caldas da Rainha.
Outra peça das Caldas... da minha colecção.

Visita a página da colecção no Facebook (e, já agora, também a minha página pessoal)




Um sábado qualquer... - «Passado»



Um sábado qualquer...

09 janeiro 2015

«El Clítoris» - Jesusa Rodriguez e Liliana Felipe

Tamanha ferramenta...


Li no olhar do técnico a satisfação mal contida de quem se surpreende por às vezes cumprir a função, mesmo com uma ferramenta pequenita.

Sharkinho
@sharkinho no Twitter

«Fala-me de amor» - João

"Duas cadeiras sem braços. Nua, despida de tudo, sentada em frente a mim numa das cadeiras. Eu, frente a ti, despido também, de tudo, talvez até de mais do que tu, os dois muito perto e as tuas pernas por cima das minhas. Sentei-te com a cona sobre um vibrador ligado. Vendei-te os olhos para que te concentrasses na escuridão onde apenas existia eu e a minha voz, e a tua cona a vibrar. Diz-me, diz-me depressa, antes que te venhas, porque razão me amas. Quero ouvir-te. Segurei-te o cabelo, num jogo de domínio, mas deixei-te as mãos soltas para me tocares. Atiraste os teus braços aos meus ombros, as mãos à minha nuca, e quebraste o silêncio apenas dominado por um ligeiro zumbido do pequeno vibrador, falando, a princípio, com um discurso quente e ritmado. Amo-te porque me aqueces, porque me seguras. Amo-te porque me procuras sempre mais fundo, porque penetras os meus olhos. Amo-te porque cuidas de mim ao mesmo tempo que me desconcertas, porque queres queb… porque queres quebrar as minhas defesas par… para me segurar e não deixar cair. Amo-te p… hmm… am… amo-te porque me fazes sentir impor..tante, amo-te porque nos rimos muito juuun ahhhhai… juntos. Ammmo-te porque mme,,,. ahh rr….. me fodes tão bem… e eu puxo mais o teu cabelo, e tu esperneias, agitas-te violentamente na cadeira e levantas-te depressa porque não aguentas mais o vibrador na cona, porque te vieste, porque já não consegues falar coerentemente, e lanças-te sobre mim, sentas-te sobre mim, sobre o meu caralho, e ofegante tentas dizer-me que não importa porque me amas, “porque sou tua, porque tu és meu”."
João
Geografia das Curvas