25 setembro 2016

«coisas que fascinam (212)» - bagaço amarelo

agasalho

A temperatura média baixou. De vez em quando chove, ainda que raramente, e o vento passeia devagar pelas ruas da cidade. Não tem nome, porque não cabe em nenhuma outra, mas é esta a minha estação preferida. Uma mistura de Outono e de Primavera. É a minha preferida porque, apesar do Sol, as pessoas precisam de agasalho.
Um abraço também é isso: um agasalho. Se não o for, não chega a ser um abraço. E passeei-me com o vento que me parecia tão só. Fui para onde ele ia sem sequer lhe perguntar porquê. Desde o dia anterior que uma frase não me saía da cabeça. "Devias ter cuidado. Estás a ficar demasiado búlgaro!". Foi uma mulher que ma disse, já eu me tinha despedido. Tomámos café e eu informei-a que precisava ficar sozinho o resto do dia. Antes de me afastar, ela atirou-a como se fosse uma lança qualquer. Uma frase pode ser uma lança? Pode.
O recreio duma escola que eu me habituara a ver deserto estava agora cheio de vida. Algumas crianças corriam e gritavam numa brincadeira que me pareceu sem sentido, outras jogavam futebol com uma bola barata e duas raparigas analisavam as raízes duma árvore que deve estar ali há mais de cinquenta anos. Curvaram-se e depois gritaram. Era um bicho qualquer que as assustou. Vi-as abraçarem-se enquanto o grito se apagava lentamente. Agasalharam-se uma à outra, concluí.
Não sei quanto tempo fiquei ali, a olhar para o pátio da escola através das grades, prisioneiro das minhas memórias de há quarenta anos atrás noutra escola, mas com os mesmos gritos sem sentido e as mesmas bolas baratas. Sei que o vento ficou comigo e percebeu-me. Somos todos tão o mesmo.
Dentro de um carro vermelho escuro, um puto qualquer fitava-me curioso não sei há quanto tempo. Fechei a mão em punho e estiquei apenas o dedo polegar. Fixe! Ele respondeu-me com um gesto igual, riu-se e escondeu-se no banco de trás.
O Chucky's Coffee House é o melhor sítio da cidade para tomar café ou, no mínimo, aquele que é mais parecido com um café português. Descobri-o num abraço há uns meses atrás durante uma visita que tive. Foi lá que o vento me levou sem eu pedir. Costuma ser assim. Quando não tenho destino, agasalho-me na memória dum abraço.
A frase foi-se.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

PI 100% algodão

Maitena - Condição feminina 46



24 setembro 2016

«Se não posso dizer não, não posso dizer sim»

Projecto KnowNo



Postalinho DP


«Conceito de beleza» - por Rui Felício

Nas últimas décadas, tem vindo a ser recuperado o conceito de beleza helénica, de linhas equilibradas, simétricas, suaves, expurgadas de imperfeições.
«Mulher, cupido e pombas»
Óleo sobre tela de autor anónimo
Colecção de arte erótica «a funda São»
As mulheres eram apresentadas de seios pequenos, erectos, nariz atilado, lábios cheios, cabelo tratado.
Os homens, de cabelo encaracolado, olhos profundos, peitorais firmes, musculados, ventre liso e pénis pequeno.
Pelo meio dos séculos, o conceito de beleza passou por variados padrões. Todos se lembram das matronas anafadas da Renascença ou das macilentas mulheres da época romântica.
Ou dos homens rudes, guerreiros, mal lavados dos tempos da Reconquista Cristã.
Ou mesmo dos efeminados cavalheiros do séc XVIII, de cabelos empoeirados e finas pernas envoltas em apertadas meias de seda.
O belo e o feio são conceitos, são modas.
Mas, transversal a todas as épocas é o conceito imutável de que a beleza resulta mais daquilo que se é, do que daquilo que se aparenta ser.

Rui Felício
Blog Encontro de Gerações
Blog Escrito e Lido

Sim, sim... oh... sim...



Eu sei que sexo não é a resposta. Aliás, sexo é a pergunta. “Sim” é que é a resposta.

Patife
@FF_Patife no Twitter

22 setembro 2016

Postalinho do Algarve

"Entrada permitida só aos pares!"
A. Vicentezão


«Volteiiiiiiiiiiiiii, linda, levíssima e solta!» - Cláudia de Marchi

Volteiiii!

Acabei de atender um cliente extremamente bonito e gostoso! Fizemos de tudo um pouco, nossa! Coisa boa! Não poderei mais atender ninguém em casa hoje. Meu lençol está literalmente molhado.

Ele finalizou na minha boca! Daí eu estava aqui com meus botões pensando, até os meus 29 anos nenhum homem tinha gozado na minha boca. Meus namorados e marido, nenhum! Eu sempre gostei, mas quando a gente é novinha tem vergonha de pedir né!?

“Ele vai achar que eu sou puta...”. A gente é meio boba quando é nova né!? E ainda cruza com uns homens pudicos e sexualmente egoístas, daí dá um, no máximo dois orgasmos por transa e se masturba o resto do tempo. Acho que gozei no mínimo 25 vezes agora com meu colega advogado lindo e habilidoso que acabei de atender. “Colega” não né?! Não sou mais advogada.

E, sinceramente, estou tão realizada que acho que não volto mais nem depois de velha. Definitivamente quero fazer isso, estudar e, depois dos 50 eu vejo o que faço. Era depois dos 45 né?! Mas a coisa está tão animante e boa que estou aumentando a vida “útil” da Simone.

Com minha genética privilegiada eu vou longe e, por que não, uns retoques estéticos quando for necessário?! Agora fico só com meus creminhos e suplementos.
Eu sou boa na minha “triagem” de clientes como cortesã. Estou, pela primeira vez na vida, acreditando na sorte! E tendo muita, muita, muita mesmo, mas, confesso, sou bastante desconfiada e astuciosa, não caio em qualquer cilada não. Segurança, acima de tudo.

Hoje comentava com meu amigo e cliente que atendi de manha sobre algumas perguntas non sense que ouço. “Você não acredita mais no amor?”, por exemplo. Gente, eu acredito no amor! Eu sou amor por mim, pela vida, pelo mundo, pelas pessoas e dou amor a cada cliente que acolho. Vocês é que estão equivocados sobre o que é o amor.

Vocês confundem “ter a companhia de alguém” com amor! Eu não quero ter alguém pra me completar ou fazer-me companhia, porque, finalmente e no auge da minha maturidade, eu me basto! É uma escolha racional e emocional e não significa que eu não creia no amor. Eu não quero, isto sim, um homem ao meu lado.

Enfim, eu não descreio do amor eu só creio convictamente que eu não preciso de ninguém para dormir ao meu lado e para eu chamar de “meu”. Eu sou minha e eu me basto. Simples e objetivamente.

Bem gente, vou tomar banho e lavar os cabelos, pois estou completamente descabelada!
Beijinhos para os meninos e um abraço para as meninas!

Simone Steffani - acompanhante de alto luxo!