18 janeiro 2012

Carreira Paralela

Começo outra vez a pensar seriamente na possibilidade de me prostituir. É sempre a mesma história, quando fico mais de um mês sem sexo! Não é que eu tenha dificuldade em arranjar alguém…o problema é que ao chegarmos a uma certa idade e quando temos uma certa experiência, já não nos satisfazemos com qualquer coisa e se é para ter qualquer coisa, mais vale ir para casa sozinha – pelo menos a sós, sei com que qualidade posso contar e, felizmente, o sexo comigo própria é sempre fantástico! Quando passo mais de um mês a fazer amor sozinha, começo a ficar com cãibras nas mãos só de pensar que vou ter de me masturbar…outra vez! E o fantasma da tendinite começa a vir à superfície. Sim, sim, tenho uma bela colecção de apetrechos que fazem tudo e mais alguma coisa mas nenhum imita a sensação suave dos meus dedos húmidos com a minha saliva e, para me provar (coisa que adoro fazer!), não há nada como provar-me dos meus próprios dedos; era só o que me faltava, andar agora a lamber vibradores!
Estou assim neste estado agora e por isso é que nem tenho escrito. Em tempos de seca, falta-me a inspiração. Estou a precisar de umas belas trancadas para ficar outra vez com gosto e inspiração para a vida!
Sei que se me prostituísse, o sexo não seria garantidamente bom… mas pelo menos seria uma oportunidade de libertar esta energia e, no mínimo, abusar um bocadinho de alguém, ser bruta, dar uns tabefes, espremer uns mamilos ou uns testículos até que gemam de dor; talvez algemar um tipo a uma cadeira e chicoteá-lo, masturbar-me com o meu sexo quase encostado ao nariz dele sem deixar que ele me prove e finalmente montá-lo, virada de costas para ele, sem deixar que ele me toque com as suas mãos. É o que me apetece fazer em tempos de seca; abusar de alguma pobre vítima, arrancar-lhe o meu prazer. Será que voa, se eu puser um anunciozito num jornal a dizer algo como “acompanhante de luxo… para quando lhe apetecer que doa para além da carteira”?

A Confraria do Príapo ganhou um logótipo e criou um troféu


Toda a gente sabe que sou - com muito prazer e orgulho - confreira da Confraria do Príapo.
Recentemente, a Confraria teve a óptima ideia de abrir um concurso para a criação de um logótipo e de um troféu.
Pedro Regadas (marguis) venceu o Concurso para o logótipo.


Paulo Óscar (zebra) venceu o Concurso para o Troféu, com o «Falo Sempre-em-pé». Acho-o genial, pela ideia, pela técnica, pelo humor e pelo seu forte simbolismo. A representação escolhida para o sexo masculino (o cilindro com o topo semiesférico) é muito próxima do lingam, o símbolo fálico de Shiva, um deus Hindu. E, tal como a base do lingam representa yoni, a vagina, também nesta peça a taça que forma a base mostra que a criação se dá com a união do masculino e feminino. Uma forma feliz de mostrar a universalidade do erotismo.
Quem me dera ter este troféu na minha colecção. Talvez um dia eu o mereça...
Entretanto, como a Confraria do Príapo é um tema importante e que já mereceu vários textos n'a funda São, criei uma etiqueta para a Confraria, para facilitar pesquisas.

Fruta 62 - Depilado

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[Diana Bodea, 2011, gliding1]

LMFAO - «Sexy and I Know It»

A isto é que se chama "fazer a corte"

17 janeiro 2012

Eva portuguesa - «Doente»

"Aconteceu o que eu tanto temia! Fiquei doente!
Sofri uma lesão nas costas que me vai obrigar a 15 dias de repouso. Ou seja, 15 dias sem trabalhar...ou seja, 15 dias sem fazer nem ganhar dinheiro...
E agora, pergunto eu? Que faço para pagar as contas? Como faço?....
Fisicamente, estou de facto temporariamente incapacitada.
Psicologicamente, estou mortificada...
Não bastavam já as dores físicas, ainda tenho que me preocupar com a questão monetária...
Dói-me tudo: o corpo e a alma!
Tenho o carro para mandar arranjar, para ser reinspeccionado, senão não pode circular...
Dia 1 tenho o colégio do pequenito para pagar...
E dia 8 a renda das duas casas...
Fora o resto...
E agora... alguém me diz o que fazer?....
Não tenho família...
Os amigos... bom, não creio que haja alguém disposto a emprestar tamanha quantia...
E assim, são 5h da manhã e eu não consigo dormir...
Porque dou voltas a tentar encontrar uma solução que teima em não aparecer... e cada volta magoa-me a alma e faz-me doer o corpo...
E, de cada vez que o meu filhote me vê deitar uma lágrima que não consigo conter e me pergunta «Dói-te muito, mamã?» eu penso na inocência e preocupação daquela pequena maravilha que atribui as lágrimas à dor física e respondo, abraçando-o com cuidado: «Não, querido, com um beijinho teu vou ficar boa num instante!» e aí acredito que de alguma forma a solução há-de aparecer..."
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

Pelos olhos adentro

Agora que se preparam para transformar o velho Odeon noutra coisa qualquer, em que sala portuguesa poderemos assistir ao primeiro porno em 3D?

Frases do Ricardo Esteves - a propósito...



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Copo de Michel Canetti (2010) para a Ritzenhoff


Copo de cerveja da colecção de 2010 da Ritzenhoff.
Uma bonita dama de copas, espadas, ouros e paus.


Um brinde, para que me dê sorte para encontrar uma parceria para a minha colecção!

O novo pacote laboral



HenriCartoon

16 janeiro 2012

«o bosão de Higgs» - bagaço amarelo

Hoje um homem passou por uma mulher. Quer dizer, passou por muitas pessoas na rua, num centro comercial, à porta da escola onde esperou o filho para almoçar e no gigantesco edifício onde vai fazendo intervalos na vida para trabalhar. Passou por muitas pessoas, mas agora que se afastou do mundo para poder jantar a sós com a luz da lua, e enquanto vai bebericando vinho dum copo embaciado, só se lembra duma mulher. Uma que não o olhou de frente mas talvez tenha olhado de lado, tão sorrateiramente como ele queria ter feito e não fez.
Pensando bem, talvez até tenha sido melhor assim. Ele também nunca olha nos olhos das mulheres que lhe interessam, pelo menos à primeira. Não tem coragem. Contou a história ao melhor amigo, pelo telefone, enquanto a água para o arroz branco ia fervendo, e ele não percebeu como é que uma mulher que apenas passou por ele lhe pode interessar tanto. Mas interessa, por isso é que se lembra dela e não das outras mais de mil pessoas que passaram por ele.
O Amor também tem um Bosão de Higss, uma partícula elementar à sua existência. Pode ser o olhar, por exemplo. Tudo começa à escala mais pequena possível deste mundo, até um grande Amor. E se um dia destes passar por ela de novo, talvez os seus olhos se evitem como o voo de duas moscas tontas para depois chocarem finalmente um no outro. Foi assim que se apaixonou a última vez e depois surgiram mais choques em cadeia: o dos lábios, o das mãos e o do corpo. Do corpo todo.
Hoje um homem passou por uma mulher e agora não consegue sentir o sabor do sal da comida. Nem sequer tem muita fome. Dá mais um gole no copo de vinho. Talvez um dia destes...

bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

E ainda há quem se admire que eu seja lésbica!

Fruta 61 - Camisinha húmida

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(Reynaldo Gianecchini)

O dilema da princesa

15 janeiro 2012

O banho do Homem e da Mulher

Pilómetro?

«Presídio» - por Rui Felício


Latagão, sentia-se agrilhoado dentro do casaco acabado de estrear, que o alfaiate Sr. Melo lhe tinha feito, depois de ter virado um fato com anos de uso no corpo franzino do seu pai. Ia conhecer Lisboa finalmente! O Arnaldo embarcou, ansioso, na Estação Velha, no Flecha de Prata que o levaria à capital, pela linha do Oeste.
Depois de uma viagem de mais de sete horas, os solavancos do comboio prateado, o chiar dos rodados nas mudanças de agulha, a súbita escuridão exterior, o acender das ténues luzes das lanternas amareladas que alumiavam a carruagem , assinalavam a entrada no túnel percorrido em marcha lenta até desembocar na claridade da gare do Rossio.
Sentiu as costuras do casaco darem de si, quando se esticou para recolher a mala de cartão acomodada na rede junto ao tecto da carruagem e saiu. Na plataforma, esperava-o o seu tio que morava em Algés em casa de quem iria passar uns dias.
A praça do Rossio, as ruas da baixa, a estátua de D. José no Terreiro do Paço pouco o impressionaram. Também em Coimbra já tinha visto coisas semelhantes, e até mais bonitas, na Portagem, na Praça Velha, na Praça 8 de Maio, na Rua da Sofia...
Donde ele não conseguia desprender os olhos era do mar à boca do Tejo. Já o tinha visto uma vez em Mira, quando foi para lá acampar nas férias. Aquela vastidão a perder de vista deixava-lhe sempre um nó na garganta, uma sensação de incompreensão pela lonjura que nele se escondia.
Foi num desses longos momentos de contemplação no areal da Cruz Quebrada, que se sobressaltou com um inesperado toque no ombro.
Voltou-se e deu de caras com o doce sorriso de uma rapariga de belos olhos negros que não se despegavam dos seus.
- Nunca o tinha visto por aqui, disse-lhe ela numa voz suave e triste.
- Não sou de Lisboa, estou aqui apenas alguns dias de férias, respondeu-lhe o Arnaldo.
- Veio ver o seu pai?, perguntou-lhe a rapariga. Eu venho aqui todos os dias ver o meu.
Ao ar intrigado do Arnaldo, que ali não via ninguém além deles os dois, ela explicou, apontando com o queixo para o Presídio da Trafaria, do outro lado do rio:
- O meu pai está ali. É sargento, preso político.
O Arnaldo abraçou-a com ternura.
Só conheceu o pai dela, muitos anos mais tarde, depois da Revolução, a quem foram mostrar, quando o libertaram, o neto já com nove anos e que nunca tinha visto o avô.

Rui Felício
Blog Encontro de Gerações

Mamoca e cigarro

Candeeiro eléctrico em acrílico decorado.
Um dos candeeiros que iluminam a minha colecção...

13 janeiro 2012

KamaFutre



HenriCartoon

pequena memória hídrica do Sr. Foder

{ Pau arqueja, negro, entre os braços ressaltados na devassidão. Girando. Levo-a deste mundo e depois do grito na volta, nus braços a ferver, furiosos, entre a visão, abraso-me na cara, dela, expelida.}

Alucinei-me!

...a noite sussurra água. Pelos meandros da Vagina profunda, tão profunda que se cai metido dentro, sempre!
Sinto o Inferno entre a porta e Deus, faiscando na púrpura rosa de carne em torno da estaca, nadando em istmos. Estacada a estacada. Istmos. Pura carne em rosa, acesa pelos arrepios hipnóticos, onde a seiva encrespa o meu Sr. Foder.

Toda a fogueira, nela, anda, anfíbia e expulsa o meu dia em automatismos. No sexo banhado, a exaltação da mente em se tornar o acto de vagar a magnífica bebida íntima, sempiterna, infusa na cabeça, contra estas imagens, macias de cópula a cópula, uma e outra vez suadas a peso, freme!...

"No fundo da boca violenta onde se vergam todos os laços humanos em heras rápidas e fortes.

O orgasmo é onde a minha voz rebenta por um gargalo de sangue, por vezes sob um outro sangue abismado e é tudo quanto me cega."

A veia secreta, o torsão enraizado no tecido redondo onde o ar se enche todo numa escoada, jorrando dentro da cratera cheia de esperma na auréola, toda alagada em desordem. Em fôlego. Obliquamente. Absoluto!...
Repousando a Fénix em fruta aberta na arquitectura, soturna e abrupta, às portas de um delírio que marcha em terra inspiradora, suspensa num corpo que se fecha em alta e profunda eternidade.

Alui-se-me pelo orvalho a dentro na última estação visceral...
... a boca sai da boca, da pele com pele e deixa as ancas devagar e sobre elas todo o mosto martelado...
Talvez eu volte...!

Luisa Demétrio Raposo


Bissexualidades

Fruta 60 - Cavar sentado

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[Foto: Gregory Prescott, Jason]

«O belo (negro) adormecido» - arte de Brígida Manuel

A Brígida Manuel já me tinha oferecido vários miminhos para a minha colecção: a palheta coberta, a companhia da palheta coberta e a almamofada (espanholada).
Pois agora a Brígida Manuel resolveu surpreender-me de novo, desta vez com este belo (negro) adormecido:

"Ai, que isto de passar o dia todo com o pavio aceso também cansa..."



"... e nem sempre, quando venho para a caminha, é para dormir..."


"... mas desta vez tem que ser."


"Boa noite!"

Só para heterossexuais



HenriCartoon

12 janeiro 2012

O Estúdio Raposa tem estado em erupção

O nosso amigo Luís Gaspar (da voz de ouro que deu um brilho especial aos videos de apresentação da minha colecção) tem publicado por estes dias uma grande qualidade (e quantidade) de leituras suas de poemas de vários autores, na página Poetas do Estúdio Raposa.
São tantos os poetas e os poemas que só indo lá se pode apreciar devidamente. Sugiro aqui só alguns exemplos de como excelentes poemas podem ficar ainda mais deliciosos lidos por quem sabe:

Otília Martel – “Momentos”
Otília Martel – “Volúpia”
Otília Martel – “Como dizer-te”
Otília Martel – “Cálida”
António Ramos Rosa – “Momento”
António Ramos Rosa – “Aqui mereço-te”
António Ramos Rosa – “Não posso adiar o amor…”
António Lobo Antunes – “Bolero do coronel sensível que fez amor em Monsanto”
Álvares de Azevedo – “Ai, Jesus!
Alexandre O’Neill – “Há palavras que nos beijam”
Alexandre O’Neill – “Sei os teus seios”
Baudelaire – “Hino à Beleza”
Eugénio de Andrade – “Procuro-te”
Casimiro de Brito – “Escrevo com o teu sexo”
Casimiro de Brito – “Amo-te porque…”
Casimiro de Brito – “Acordo”
George Brassens – “O malandro arrependido”
Pedro Barroso – “O sexo comanda a vida”
Carlos Drummond de Andrade – “Os amantes…”
António Botto – “Se duvidas que o teu corpo”
António Botto – “Beijemo-nos, apenas…”
Antero de Quental – “Dá-me pois olhos e lábios…”
António Franco Alexandre – “1”
Florbela Espanca – “Se tu viesses ver-me, hoje, à tardinha”
Gustave Flaubert – “Ele estava de joelhos…”
Pablo Neruda – “Abelha branca”
Pablo Neruda – “Corpo de mulher”
Luís Pinto – “Paráfrase”
Judith Teixeira – “Outonais”
António Patrício – “Tenho saudades do teu corpo”
E. M. de Melo e Castro – “De repente”
Claudia Marczak – “O sexo é sagrado”
... e por aí fora... digo, dentro!

Frases do Ricardo Esteves - Arf! Arf!



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quero...

o teu beijo
o teu abraço
o teu corpo no meu...

c&a
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O Charlie ode em resposta:

"sim quero
ser noz e nave
no teu mar inferno
doce de sal,
morte e terno
sem meio termo"

rais parta o amor - um pUgrama da Joana Azevedo



«Todas as terças, às 23h, na Rádio Comercial, Rais Parta o Amor. Um programa de autor relativamente apaixonado.
   
03 de Janeiro: Beijo  
10 de Janeiro: Sedução   
17 de Janeiro: Rejeição   
24 de Janeiro: Paixão   
31 de Janeiro: Sexo   
07 de Fevereiro: Amor   
14 de Fevereiro: Best of - Rais Parta o Amor»


a não perder, 'ssoas que a fundam na São. e no Amor, poi'claro!  
________________________________

Aqui têm os podcasts das emissões: Rádio Comercial - Rais parta o amor

Manual de como conseguir um encontro

É tiro e queda.



Cuidado para não atrair pessoas indesejadas.

Capinaremos.com

11 janeiro 2012

O julgamento

Com um finar de martelo culminou a sentença que, em voz monocórdica e olhando para ele como se fosse transparente, ditara. As últimas frases, ou melhor, os últimos parágrafos haviam-lhe soado em surdina, de tal forma o desfecho previsível e desfavorável se ia compondo como resultado do julgamento onde todas as testemunhas, uma após outra, tinham colaborado para o desmontar do seu argumento de defesa. Um leve burburinho elevou-se discretamente na sala enquanto os papéis se guardavam nas pastas e vozes imperceptíveis se trocavam entre os agentes de justiça.
Rodando o corpo para trás, de forma a ficar bem de frente para cada uma delas, fitou as testemunhas, uma após outra. Em vão procurou os seus olhares que preventivamente se distraíam pela sala, chão, tecto, adereços e outros olhares, evitando de forma ostensiva o seu.
Agora que o momento passara, distendendo a tensão,  com alívio para uns mas com a morte na alma para ele, via nitidamente em cada um dos rostos a personificação dos sete pecados capitais.
A gula, pensou ele, ao olhar para um dos que, sabendo a verdade, tinham alterado os factos de forma a comprometê-lo. Fácil de comprar, pensou: bastaria uma boa jantarada ou duas ou uma saída à noite. Depois olhou para o outro, por sinal ainda aparentado. Magro, de óculos finos e fato austero era a imagem da avareza. Este teria sido quiçá o mais fácil de comprar. Uma leve sugestão de despesa extra se o caso tivesse tido um desfecho a seu favor, acrescentado talvez de alguma vantagem se fosse condenado.
Depois olhou para ela, a invejosa. Desde criança que fora assim. Essa também não seria difícil de convencer, estava convencida à partida. Desde que eu ficasse mal, mesmo que ela não beneficiasse coisa alguma.
Passou depois o olhar para outra. A ira: uma pessoa má. Não tinha amigos, de tal forma era rancoroso, incapaz de perdoar a mínima falha alheia. Sempre disposto a desenterrar antigos diferendos, mesmo que estes não tivessem qualquer importância ou que esta se tivesse esgotado pelo passar do tempo. Sim! Com este teria sido também muito fácil, pois nos encontros e rodas de amigos há já muito acontecidos, ele levara-o a melhor nos argumentos, coisa que o aborrecera profundamente e tinha levado a afastar-se.
A seguinte era a soberba em pessoa. Pensou um pouco mais demorado como teria sido possível comprar aquela testemunha, convencê-la a dizer algo que sabia não ter acontecido, mas depois fez-se-lhe luz. Também aqui a palavra aplicada no registo certo teria espoletado a característica-chave da sua personalidade. Algo do tipo: "ele anda a denegrir o teu trabalho, diz isto ou aquilo". Sendo artista e extrovertido e não cabendo em si pela falta de humildade, uma frase teria bastado, o resto seria questão de cozinhado.
De propósito saltou o sexto pecado, guardando-o para o fim, enquanto se deteve no elemento que personificava a preguiça. Detestava-o e dissera-lhe isso mesmo por mais de uma vez. Incapaz de dar uma ajuda a alguém, ficava a olhar, aparentemente alheio, sempre que alguma colaboração lhe era pedida. Mesmo se alguém estivesse aflito a precisar de uma mão, jamais se disponibilizara a dar uma ajuda. Ele sabia que  nunca poderia ter estado naquele sítio, pois vira-o entrar para casa dela, cruzara-se com todos eles, os anteriores, quando tinha ido ter com ela, essa que de propósito guardara para o fim: a luxúria. Meu Deus! Como ela era fogo na cama. De todas as vezes que subira aquelas escadas ele, agora condenado, cumprimentara-o, ao preguiçoso, com uma tirada jocosa, ao que ele ruminava algo vago do tipo: "vai-te lixar"... mas ela… ela... Meu Deus! - repetiu de novo dizendo-o inconscientemente em voz alta. Veio-lhe à memória, como se fosse um só momento, todos os instantes, desde o abrir da porta, dos lábios sôfregos e mãos infinitas e dos seus corpos a explodir e morrer um no outro e, ainda, a efervescente forma como se tinham conhecido… mas agora?...
Condenado a vinte e cinco anos, a indemnizar com a incontornável perda de bens por falta de recursos suficientes, ia perder, além de todos os meios de fortuna, toda a vida social e profissional. Os amigos, até mesmo os mais verdadeiros, iriam um após outro rareando as visitas até ficar completamente entregue a si mesmo, à sua revolta e solidão. A família, pouca e distante, fora a primeira a afastar-se.
Mas porquê? - interrogava-se uma e outra vez…
Um coração acelerado e alimentado pela angústia e revolta surda não lhe davam outra resposta que não as gotas de suor frio que lhe humedeciam a testa.
Naquele momento, em que todo o céu desabara sobre si, confuso e demasiado próximo dos acontecimentos, não conseguia descortinar uma razão válida ou um motivo, por mais leve que fosse, para que tivesse sido condenado por um crime que não cometera. Sem dúvida que algumas implicações circunstanciais o poderiam ter indiciado, mas bastaria a palavra honesta das testemunhas para que ficasse de forma cabal inocentado. No entanto…
Fechou os olhos e, por uns momentos, reviveu o fogo da paixão dessa cujo testemunho fora determinante para a sua condenação. Luxúria, luxúria! Paixão... e depois... Deu-se conta como passava da sensação de agrado para a desolação e a raiva impotente e como o suor lhe empapava desconfortavelmente as axilas e lhe escorria pelo couro cabeludo até ao colarinho e como, mais abaixo, uma impressão de molhado denunciava as virilhas invadindo igualmente as roupas íntimas pelo fluido orgânico; suor e mais suor a juntar ao calor intenso que o tomava.
Um abanar do corpo fê-lo querer abrir os olhos, em natural reacção, mas surpreendentemente reparou como não conseguia. Seriam os funcionários da presidiária, talvez, diligentes em dar corpo à decisão judicial, mas a luz apagara-se, sentia-se ainda mais confuso e debalde tentara dizer uma simples palavra.
- Acorde! - ouviu ele distante enquanto esperava que os guardas o levassem para o cumprimento da pena. Apenas um -“Ãhn? “- atordoado lhe saiu como vaga resposta.
- Acorde, está na hora de tomar os medicamentos. Esteve toda a noite com febre alta e pesadelos... - ouviu ele agora, já de olhos abertos para aquela voz feminina, que momentos antes estivera sem a farda de enfermeira a incendiar-lhe os sonhos...
- Fartou-se de falar, senhor Dr. Juiz...

Fruta 59- Plano B

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«pensamentos catatónicos (266)» - bagaço amarelo

Um dos poucos pedidos que não vale a pena fazer é que alguém se apaixone por nós. Ninguém se apaixona por ninguém a pedido. Se calhar até era bom que fosse assim, mas não é. Foi uma mulher que me explicou isto, uma vez durante um café daqueles que se tomam em pé a olhar para o relógio, e embora eu já o soubesse (sabemos todos), ouvi-a como se fosse uma revelação. Há coisas que sabemos mas não praticamos até que alguém nos diga para o fazer. É como se sozinhos não quiséssemos acreditar que é assim.
O pior é que crescemos a pedir. É natural numa criança pedir sempre o objecto do seu desejo. Depois, quando chegamos a adultos, percebemos que o pedido mais importante de todos não pode ser satisfeito. Pior, se temos que o pedir já é mau sinal. O pior sinal de todos. Ela pousou a chávena, deixou moedas em cima do balcão para pagar os dois cafés e deu-me um beijo com a palma da mão, beijando-a primeiro e acariciando-me depois. Até à próxima, disse.
Nunca percebi como é que ela sabia que eu lhe ia pedir para se apaixonar por mim...

bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Homens e mulheres aos saltos

Os homens, quando saltam, fazem esta figura:


As mulheres fazem esta:


Wow funniest posts

10 janeiro 2012

O bode "fechava os olhos e punha a cabeça no meu ombro" - disse Amândio Inácio à LUSA

Isto afinal ainda tem mais o que se lhe diga...


Eva portuguesa - «Um dia na vida de uma Acompanhante»

"São 7h30m quando o despertador toca. Levanto-me e vou acordar o meu pequenito, que me abraça e diz: «Adoro-te, mamã!».Sorrio. O dia começou feliz.
Depois dos cereais para ele e do batido proteico para mim, lavar os dentes e seguir.
São 8h45m quando deixo o meu menino no colégio e o beijo, mas que foge ao meu abraço, «pois os colegas estão a ver». Torno a sorrir. O meu bebé está a ficar um homenzinho!
Passado 15 minutos estou no ginásio, não sem antes ter passado pelo sítio do costume para beber um café e comprar o jornal.
São 60 minutos de cardiofitness desgastante, diria até mortal, na tentativa de «abater os pneuzinhos». A esta deliciosa tortura seguem-se 15 minutos de abdominais e finalizo com os alongamentos.
Saio meio morta, dorida, mas ao mesmo tempo a sentir-me enérgica e positiva.
Arranco para o meu «ninho de amor» para começar o dia de trabalho.
Ainda no carro ligo o telemóvel de serviço e vejo as sms e tentativas de contacto.
Quando estas são escassas ou até mesmo inexistentes, começo a ficar preocupada... mau sinal...
Chegando ao apartamento, tomo banho, visto uma lingerie bem sexy e, quando estou a maquilhar-me, oiço o telefone tocar: «Queria saber condições». Respondo e esclareço. «Depois torno a ligar»,oiço do outro lado. Mau...
Ponho perfume e acendo as velas, uma das quais com um pedido ao meu Santo de me trazer clientes e dinheiro... este ritual anima-me!
Entretenho-me a ver televisão e, quando olho para o relógio e vejo 14h começo mesmo a ficar preocupada... ainda nenhuma marcação... e o telefone só tocou 4 vezes...
Nervosa, fumo um cigarro.
Quando me preparo para comer qualquer coisa, surge a primeira marcação! «Podes-me atender daqui a 15 minutos?».«Claro», respondo eu!
E, após o cliente sair, tento convencer-me que o dia vai melhorar...
16h e mais nada... vou à net, aqui ao Blog, ao Fórum, ao meu msn...
18h e tudo parado... Agora sim, estou em pânico! Tenho o site para pagar... e tudo o resto... estou fechada neste apartamento há 9h... estou a ir abaixo...
19h10m - toca o telefone. Marcação para as 19h30m - não posso, tenho que ir buscar o meu filho.
19h15m - oiço novamente o telefone. Marcação para as 20h - não posso....tenho que acabar por hoje.
19h23m - marcação para as 21h!
Furiosa, frustrada e angustiada, desligo o telefone e sinto que o universo está a gozar comigo!
Ajeito o apartamento, pego na mala e nas chaves e vou buscar o meu filho.
Pelo caminho vou fazendo contas à vida, resmungando e amaldiçoando a minha pouca sorte, tentando convencer-me que amanhã será melhor...
E quando o meu filhote me vê e me salta para o colo, quase derrubando-me, pois já não é assim tão pequeno e me beija e abraça... aí tenho a certeza que o amanhã será bem melhor...
E quando o vou deitar e ele me pergunta «Mamã, quando vamos ter um carro melhor?» (o meu trambolho tem 20 anos e muitos problemas!) eu respondo-lhe: «Vamos juntar dinheiro e, se tudo correr bem, teremos um ainda este ano».
E ele adormece a sonhar com o novo carro e eu sinto-me com forças para acreditar que vou ser capaz...
E sabem que mais?...Ainda não consegui juntar dinheiro suficiente para trocar de carro mas, no meio destes dias vazios e solitários, surgem outros com trabalho, dinheiro e esperança...
Obrigada a vocês, que contribuem para isso!"
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

O que a malta realmente espera de um reality show da TVI...

"Por esta altura já se percebeu com bastante clareza aquilo que as pessoas esperam de um reality show da TVI. Não vale a pena contornar a questão com desculpas esfarrapadas, manipulações mediáticas ou conversas apinhadas com tantas conotações sexuais que nem se percebe o seu real sentido. As pessoas querem ver sexo. Querem ver foda, como se dizia antigamente. Querem ver símios libidinosos amestrados a copular, cobertos de fluidos corporais, felácios a torto e a direito, bolas chinesas, buttplugs e a ocasional asfixia auto-erótica. E se as passagens de ano de toda a gente tiverem que ser arruinadas por um reality show, que seja uma majestosa apoteose com orgias entre concorrentes e público, duplas penetrações com anões e palhaços e uma apresentadora multitalentosa que além de esplendida capacidade comunicacional consegue atingir uma garrafa com uma bola de ping pong a 25 metros, sem usar as mãos…"

(Cliquem que isto tem uma imagem que sugere um ambiente orgiástico)

Frases do Ricardo Esteves - por falar nisso...



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Assim se vai enriquecendo (e aquecendo, no caso) uma colecção de arte erótica

Recebi um e-mail há poucas semanas com um ficheiro PowerPoint. Não costumo abrir este tipo de ficheiros mas o tema deste despertou-me a curiosidade. Era sobre roupa de inverno... e pelo meio apareciam lá estes calções em lã:


Pois a minha amiga Celestita Rafael (não confundir com Rafael, que é o marido dela) pôs agulhas à obra e na passagem de ano tive esta prendinha maravilhosa para a minha colecção:


Como diz o povo, "às pilinhas que têm amigos nem arrefecem os umbigos".
E o ejamart odeu-nos: "A propósito desta obra prima de tricô, aqui vai a minha modesta homenagem:

Tricota-me uma calcinha
de lã, que seja quentinha,
com uma bolsa avantajada,
para sempre ter aprontada
aquela parte que é minha,
e que quando está sozinha
sente um frio de estremecer
e só lhe dá para encolher
se não tem nenhum carinho.
Nem que seja com um dedinho
de outra mão que não a minha
começa logo a crescer
e do frio a renascer.
Penso logo em coisa quente
e peço de modo urgente
àquela mão que está ali:
Pões-me a fazer chichi?"

09 janeiro 2012

«conversa 1868» - bagaço amarelo

Ela - O que é tu gostavas mesmo que acontecesse em 2012?
Eu - Acho que gostava de assistir a uma mudança política para a esquerda que pusesse um fim definitivo à pobreza e à miséria. E tu?
Ela - Bem... com essa resposta até perdi a vontade de dizer...
Eu - Vá lá, diz lá...
Ela - Eu estava a pensar que gostava que me crescessem as mamas um bocadinho.

bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Documentário sobre a prostituição em Cuba



Comentário do ejamart que, no espírito deste blog, também defende causas:
"Às vezes dá-me para escrever mais a sério. Não sei (não consegui entender com atenção), qual foi o espirito do responsável pela reportagem, se foi de âmbito sóciólogico-político, e de denúncia de uma situação de degradação económica, ou mais de "voyeur" e já agora aproveitar o que podia das oportunidades surgidas.
Todos sabemos que há prostituições e prostituições, mas aquelas são nitidamente do género estritamente económico e de subsistência, e com uma camada de oportunistas e chulos em órbita que só vêm contribuir para desgastar ainda mais a imagem do "socialismo" cubano e da sua falência.
Parafraseando a São Rosas, eu não consigo "entusiasmar-me" a olhar para aquelas apresentações de mamas e cus de umas miúdas, jovens mães, que o fazem só para dar de comer aos filhos (segundo dizem...). Acho aquilo verdadeiramente pornográfico, e nada erótico..."
O Charlie também comenta:
"Pois eu, que conheci Cuba ainda no tempo do Fulgêncio Baptista, (sim, que já sou muito vivido, eufemismo para velho) e que a conheço agora devo dizer em abono da verdade que, para o peditório da qualificação ou desqualificação em torno de opções políticas, já dei!
É abusivo atribuir ao socialismo de Cuba a prostituição, como seria abusivo atribuir a mesma coisa ao anterior ditador. Curioso como antes Cuba era o Casino-bordel dos Americanos a viver na zona de Miami, a uma meia hora de avião. «Chics for free», era o lema. Putas por dez cêntimos. Eu vi no tempo do Baptista miúdos a mergulharem na água por moedinhas de um cêntimo que os turistas lhes atiravam e, quanto a putas, ali mais acima há as de Macau e, dos tempos de hoje, há as de Londres, de Paris, de Lisboa, desde o Ritz até às do tipo «Intendente» e, neste particular, as coisas continuam e hão-de continuar, independentemente das opções e correntes políticas. Por isso acho abusiva a colagem da prostituição em Cuba ao regime actual, do mesmo modo que acho indecente o aliviar e até promoção turística em torno do mesmo tema levados a cabo aquando do regime do Fulgêncio Baptista. Prostituição é Prostituição e ponto."
E o OrCa também: "Nada de novo no que respeita à prostituição. Uma manifestação mais da «globalização» que a importância do dinheiro sempre gerou. E, numa perspectiva eminentemente masculina, circunscrevendo-me à transcendência da queca, estou em crer que uma fabulosa queca proporcionada por uma profissional grandemente competente ainda assim ficará a anos-luz de uma outra queca dada... apenas porque sim, porque está muito a apetecer a ambas as partes envolvidas. Se calhar estou enganado, ou tive sorte na vida...
Tirando isso, as pobres cubanas, as pobres tailandesas ou as pobres portuguesas que têm de se prostituir não me parece que sejam distinguíveis entre si. E a miséria humana que está por trás de cada uma destas mulheres, confesso que sempre me tirou todo o entusiasmo. E eu que gosto tanto de mulheres...!
Enfim, com o comentário anterior longe de mim dar uma de moralizador. Mas o facto é que, mal o dinheiro interfere na acção, lá se me vai a ponta. Enfim, cada um é como é. E espera-se que cada um seja feliz, coisa que não me parece transparecer no olhar de cada uma das personagens do documentário."

As Caldas Russas



via Watermeloncolya

Há momentos em que ser cavalheiro é uma estupidez



 «Chuva de verão»
arte de Corrado Ficarelli