18 agosto 2014

Luís Gaspar lê «Dentro de mim» de Olavo Bilac


Vive dentro de mim, como num rio,
Uma linda mulher, esquiva e rara,
Num borbulhar de argênteos flocos, lara
De cabeleira de ouro e corpo frio.
Entre as ninféias a namoro e espio
E ela, do espelho móbil da onda clara,
Com os verdes olhos húmidos me encara,
E oferece-me o seio alvo e macio.
Precipito-me, no ímpeto de esposo,
Na desesperação da glória suma,
Para a estreitar, louco de orgulho e gozo.
Mas nos meus braços a ilusão se esfuma
E a mãe-d’água, exalando um ai piedoso,
Desfaz-se em mortas pérolas de espuma.

Olavo Bilac
Ouçam este texto na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

«respostas a perguntas inexistentes (276)» - bagaço amarelo

Só os homens é que sabem Amar.

O meu vizinho do lado era um tipo forte, de poucas palavras e muita acção. Trabalhava na distribuição de fruta e acordava todos os dias por volta das cinco da manhã. Eu simpatizava com ele, apesar de nunca termos tido um contacto muito próximo. Cumprimentava-me sempre, mesmo quando estava visivelmente mal disposto.
No apartamento à frente também só vivia uma pessoa. Era uma mulher igualmente de poucas palavras, mas que preferia virar a cara a dizer "bom dia" quando nos cruzávamos na escada do prédio.
Um dia descobri que eram marido e mulher, mas que tinham decidido viver tão perto e tão longe um do outro quanto possível. Por isso é que eram vizinhos, apesar de partilharem a cama regularmente. Foi ele que mo disse, numa noite em que ambos nos deixámos estar para além da hora no café da frente.

- As mulheres não sabem Amar. Só sabem ser Amadas! - concluiu ao pousar o último copo de vinho.

Já não vivo naquele edifício e nunca mais vi aquela gente. Mesmo assim nunca mais a esqueci, principalmente por causa desta frase, que terá sido a última que ele me disse para além do "bom dia" ou "boa tarde" habituais.
Se hoje passasse por ele, explicar-lhe-ia que na altura era apenas um jovem adulto e não percebi onde ele queria chegar, mas a vida ensinou-me muita coisa e hoje percebo. O tempo dá-nos destas certezas. Só os homens é que sabem Amar.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Métodos de dormir em dupla

Que delícia, cara.




Capinaremos.com

17 agosto 2014

«Rejeitado por ser diferente»

Bryan Wilmoth cresceu numa casa muito conservadora e quando o seu pai descobriu a sua orientação sexual, expulsou-o de casa e impediu-o de contactar os seus familiares durante vários anos. Neste filme animado, Bryan conta a sua história e como fez para se reencontrar com os seus irmãos.


Rejeitado por ser diferente por EvelFatalis

Postalinho «on the rocks»





«Senta-te na minha boca» - João

"Tu estás sentada mesmo em frente a mim, de joelhos, e eu de pernas afastadas para melhor me chegar a ti, seguro-te o cabelo atrás da cabeça, firme, com a mão esquerda, e exerço um ligeira pressão que te limita, que te obriga a alguma tensão no pescoço. Temos os nossos olhos praticamente ao mesmo nível. A minha outra mão segura-te a nuca. Estamos despidos. De tudo. Seguro-te, e digo-te, numa voz tranquila mas determinada, que te vais sentar na minha boca. Ouviste? Eu vou deitar-me aqui, e tu vais sentar a tua cona em cima da minha boca, e eu vou como que abraçar-te as coxas, ou repousar as mãos na tua anca, admito até que, a espaços, alcance os teus seios. Mas o importante é que a tua cona vai estar na minha boca, e eu vou beber de ti, vou percorrer todos os milímetros do teu corpo mais secreto, vou saciar-me, ficar com o teu cheiro marcado na minha pele, vou degustar-te. Seguro ainda o teu cabelo e a tua nuca enquanto termino de to dizer, e leio alguma surpresa no teu olhar, e prossigo, vais vir-te na minha língua, quando o teu corpo entrar num ritmo frenético de um orgasmo, quando eu finalmente te deixar vir depois de altos e baixos, vais massacrar-me o rosto, vou ficar dorido, vais deixar-me as orelhas vermelhas, vais lançar os braços ao ar, nem vais saber o que fazer com eles, se te apoias na minha bacia atirando-te para trás, se te apoias na parede próxima, se puxas os teus cabelos ou pior que isso, os meus, que são poucos. Vir-te-ás na minha boca. E vais gostar. E eu vou gostar também. É assim que vai ser. Não tens palavras que me digas, nem grande latitude para menear, assentindo com a cabeça, mas percebo que a ideia te agrada, porque mordes o lábio. E percebo que a ideia te agrada sobretudo porque quando finalmente ajeitas o corpo e a tua cona toca os meus lábios e a minha língua, é um oceano de prazer que sinto, sou invadido por um néctar inconfundível. Tu estás feliz e eu também. E as promessas cumprem-se. Começam as hostilidades, entre as tuas coxas consigo ouvir-te repetir o meu nome por entre gemidos, e já sabes onde isto vai parar."
João
Geografia das Curvas

Fodera ou geografia das férias

Fodera é a palavra italiana para designar fronha ou uma marca americana de guitarras eléctricas.
Esta é uma informação útil se nestas férias se aventurar pelas costas do Mediterrâneo.

Se quiser chegar à Córsega não se enfronhe mas ate uma fita na testa, para lá não lhe escorrer o suor e, com mestria, toque guitarra.

Primeira reunião mensal dos viciados em sexo



Renan Lima
Dentro da Caveira

13 agosto 2014

As Hiper Mulheres


As Hiper Mulheres from LA REVOLUCION ES AHORA! on Vimeo.

«coisas que fascinam (170)» - bagaço amarelo

As mulheres têm a mania de dizer, num estranho tom acusatório, que os homens não conseguem manter um compromisso de Amor, que abandonam uma mulher por outra com uma facilidade enorme porque não sabem Amar. Nada disso é verdade. A verdade é que o Amor não pode ser um compromisso.
Nenhum homem aceita um Amor que não seja o maior de todos, o que vai sendo cada vez mais difícil de conseguir com a idade. Depois de um Amor grande, nenhum consegue interessar-se por um Amor médio. Nem é má vontade, é apenas uma impossibilidade.
As relações curtas são legítimas e necessárias, mas não são Amor. São remendos à solidão.
O problema de muitos homens é que as mulheres aceitam remendos como se fossem Amor. Por um lado porque não gostam da definição de remendo, por outro por serem mais inteligentes. É que assim existe uma grande probabilidade de Amarem menos do que são Amadas. Numa relação desequilibrada, é sempre fodido Amar mais do que se é Amado.
Um homem pensa sempre que se o seu Amor terminar não conseguirá ter outro, pelo menos tão cedo. É que os Amores grandes não andam por aí pela rua à mão de semear. Já os remendos, felizmente, sim. Quando não se Ama ninguém, os remendos são uma questão de sobrevivência.
Eu vivo um Amor grande nos tempos que correm, o maior de todos. Ando a aproveitar para viver o mais possível. A sobrevivência é só para quem sabe.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

A Nu




«Eu avisei-te» - João

"Vou avançar para a tua cona, estou a avisar-te! Leva-me a sério, olha que não brinco, e vou directo. E tu animas-te, enquanto os nossos braços se misturam a arrancar roupa, e eu já rebento em mim e tu já pingas por mim e estamos a unir os nossos esforços da melhor maneira possível para um fim comum que é o de não se conseguir dizer muito bem onde começa o corpo de um e acaba o do outro, e de haver suspiros e toda a natureza de sons primários de prazer emitidos junto ao ouvido um do outro, e outras vezes nem tanto, depende das posições em que nos entregarmos à foda, esta foda valente que nos trata da saúde e mata a fome, esta fome pá, esta fome, e eu que te tinha dito, que te ia à cona, que a queria comigo depressa, e tu a recuar, e a zangar os joelhos um com o outro, a deixá-los distantes, para que do meu caralho até ti não fosse um passo, não fosse nada, fosse só deslizar, e afinal eu vou, sim, mas avanço entre as tuas coxas, beijando e lambendo, deliciando-me com o teu sabor antes de qualquer outra coisa que nos ocupasse. E tu a pensar que é diferente este gajo. E é mesmo. Mas eu tinha avisado, e era justo, porque me havias dito que depois de te provar, não quereria outra coisa. E foder-te não era provar-te. Era parte de provar-te. Provar-te era sentir o teu sumo na minha língua, entender os sabores que te fazem entrar pelo nariz como garras que não soltam. Provar-te é foda gourmet, é comer e dar-te de comer como nunca antes e nunca depois. E tu a pensar que este gajo é diferente. E eu a provar-te. E depois, afinal, havia razão. Depois de provar-te, e sobre a diferença. E esses joelhos zangados, e essa cona à minha espera, e o meu caralho a voar em ti, e os nossos olhos, e palavras sem grande nexo, apetecer dizer foda-se pá que é isto? Que caralho pá, e a foda, esta foda pá, esta foda… foda-se se fosse só esta foda nem era preciso provar-te nem ser um gajo diferente."
João
Geografia das Curvas

12 agosto 2014

Postalinho da Serra

"Foto que um dos meus monitores tirou numa das nossas caminhadas na Serra da Estrela"
Cláudia A. A.


Robin Williams - «cunnilingus»

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Branquinha de Neve apanhada a comer a maçã


«costumava vestir-te do lado avesso da pele.» - Susana Duarte

costumava vestir-te do lado avesso da pele.
trazer-te comigo, era trazer-te em mim,
costurado por dentro, alinhavado
nas margens do corpo.
vestia-te,

e sabia-me parte da tua própria pele.
tinhas a forma obcordata das folhas
raras, e as vestes verdes
da primavera.
olhava-te,

e sabia que me vestias de ti. era do lado
avesso da pele, onde te sabia
carne, fruto, e eternidade.
vestia-te,

e o mundo residia nesse limbo de pele.

Susana Duarte
Blog Terra de Encanto

Lote de 11 ímanes de frigorífico

Alguns dos ímanes de frigorífico da minha colecção.

Visita a página da colecção no Facebook (e, já agora, também a minha página pessoal)

11 agosto 2014

«Desgraça» - PornHub


PornHub "ALL YOU NEED IS A CONNECTION" from max sherman on Vimeo.

«conversa 2093» - bagaço amarelo





Ela - Gostas de caracóis?
Eu - Sim, com cerveja vão bem, especialmente no Verão. Só não percebo a que propósito é que me estás a perguntar isso. Estavas a falar do teu...
Ela (interrompendo-me) - Do meu cabelo. Exactamente!
Eu - Ah!


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Dinossauros só se fodem

Tão, tão triste.


http://capinaremos.com/files/2014/05/dinossauro.jpg

Capinaremos.com

10 agosto 2014

Banda Kaçamba - «Saia e Bicicletinha»

"Ela sai de saia de bicicletinha
Uma mão vai no guidom e a outra tapando a calcinha

Dá um arrepio quando ela sai pedalando
Mas tem uma mão na frente que tá sempre atrapalhando
Acho que ela tem medo do periquito voar
Por isso que ela não para de tapar

Eu não aguento mais
Essa situação
Vamo liberar geral
Vamo tirar essa mão
Bota a saia e vem pra rua
Na sua bicicletinha
Eu quero ver a cor da sua calcinha"

Luís Gaspar lê um excerto de «A casa do incesto» de Anaïs Nin


Escrito em 1949, este pequeno livro (conto) gira em torno de Sabina, personagem que reaparecerá nos romances da escritora, por exemplo “Uma Espia na Casa do Amor”. Sabina é inspirada em June Miller, segunda mulher de Henry Miller, e que inspirou a este último a sua Mona, personagem de, entre outros, “Trópico de Câncer” e “Sexus”.
Esta enigmática mulher, corrupta e obscura em Miller, é, em Anaïs Nin uma heroína, autêntica beauty queen descrita e vivida com toda a beleza e sensibilidade.
(Do blogue, Camel & Coca Cola)


A minha primeira visão da terra foi através da água. Pertenço à raça de homens e mulheres que olham todas as coisas através desta cortina de mar e os meus olhos são a cor da água.
Olhava com olhos de camaleão a face mutável do mundo e considerava anonimamente o meu ser incompleto.
Lembro o meu primeiro nascimento na água. À minha volta a transparência sulfurosa e os meus ossos moviam-se como se fossem de borracha. Oscilo e flutuo nas pontas sem ossos dos meus pés atenta aos sons distantes, sons para além do alcance de ouvidos humanos, vejo coisas que são para além do alcance dos olhos. Nasço cheia das memórias dos sinos da Atlântida. Sempre à espera de sons perdidos e à procura de perdidas cores, permanecendo para sempre no limiar como alguém perturbado por recordações, corto o ar a passo largo com largos golpes de barbatana e nado através de quartos sem paredes. Expulsadas de um paraíso de ausência de som, catedrais ondulam à passagem de um corpo, como música sem som.
Esta Atlântida só podia ser novamente encontrada à noite pelo caminho do sonho. Logo que o sono cobria a rígida cidade nova e a rigidez do novo mundo, abriam-se os portais mais pesados deslizando em gonzos oleados e entrava-se na ausência de voz que pertence ao sonho. Era o terror e a alegria de homicídios conseguidos em silêncio, um silêncio de calhas e de escovas. O lençol de água cobrindo tudo e abafando a voz. E um monstro trouxe-me, por acaso, à superfície.
Perdida dentro das cores da Atlântida, cores que vão dar a outras e se misturam sem fronteiras. Peixes feitos de veludo, de organdi com dentes de rendas, feitos de tafetá, recamados de lantejoulas, peixes de seda e penas e plumas, com flancos lacados e olhos de cristal de rocha, peixes de couro curtido com olhos de groselha, olhos como o branco de um ovo. Flores palpitando-lhes nas hastes como corações de mar. Nenhum deles sentindo o seu próprio peso, o cavalo marinho movendo-se como uma pena…
Era como um longo bocejo. Eu amava a facilidade e a cegueira e as mansas viagens na água transportando-nos através de obstáculos. A água estava ali para nos transportar como um abraço gigante; havia sempre a água para nos repousar, e que nos transmitia as vidas e os amores, as palavras e os pensamentos.
Eu dormia muito abaixo do nível das tempestades. Movia-me dentro da cor e da música como dentro de um diamante-mar. Não havia correntes de pensamentos, apenas a carícia-fluxo-desejo misturando-se, tocando, afastando, vagueando — no abismo infinito da paz.
Não me lembro de ali estar frio, nem calor. Nenhuma dor provocada pelo frio ou pelo calor. A temperatura do sono, sem febre e sem arrepio. Não me lembro de ter tido fome. Era-se alimentado através de poros invisíveis. Não me lembro de ter chorado.
Sentia apenas a carícia de mover-me — de passar para um outro corpo — absorvida e perdida dentro da carne de outrem, embalada pelo ritmo da água, pela lenta palpitação dos sentidos, pelo deslizar de seda.
Amando sem consciência, movendo-me sem esforço, numa corrente branda de água e de desejo, respirando num êxtase de dissolução.
Acordei de madrugada, atirada para uma rocha, esqueleto de um barco sufocado nas suas próprias velas.
(Tradução de Isabel Hub Faria – Edição, Assírio & Alvim)

Ouçam este texto na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

Ensopado de borreguinho


O grupo entremeado de machos e fêmeas lá discutia à mesa do borrego assado com batatinhas no seu molho a última cornada do Pinho que o espetou no sossego berardiano, uma faena carnuda com muitos bandarilhas de piadolas.

E de tanto puxar aquele naco lá rabejámos para comer gajos e gajas. Um houve que se enxofrou com tal canibalismo que como o João Pedro Pais ele defendia que ninguém é de ninguém e dava o seu corpo ao sacrifício de quem com ele partilhava o seu como um altar de amor qualquer que fosse a duração e o orgasmo. E eu que até o queria comer e tantas vezes o sonhara nuzinho em pêlo mas obviamente sem uma maçã na boca mas com os seus tomates na minha mão saltei pelo verbo comer como acto de paixão e de prazer equitativo fosse na mesa ou na cama ou em qualquer sítio aprazível para o efeito.

Que cá na minha, mais do que destruir é absorver o outro inteirinho, nos mais ínfimos pormenores e deixá-lo intacto sem estragar nada. Qualquer coisa primitiva como as tribos que comiam o conteúdo das cabeças dos inimigos para guardarem a sabedoria deles mas neste caso sem o matar a não ser pela simulação de morte que fazemos no clímax. Que esta coisa animal do desejo torna-se mais humana por também querermos comer os miolos e fazer do amor o querer comer o outro até às tripas.


[Foto © Henri Cartier Bresson, México, 1934]

Mais poderes = Mais problemas



Renan Lima
Dentro da Caveira

06 agosto 2014

«BABAR» - Part Company


BABAR - Part Company from Ramón Ayala on Vimeo.

«conversa 2091» - bagaço amarelo




Ela - Diz-me uma coisa: existem homens altos com o pénis pequeno e homens baixos com o pénis grande?
Eu - Sei lá!
Ela - Caramba! Precisava de saber...
Eu - Porque é que raio queres saber isso?
Ela - Ontem bebi uns copos a mais e contei umas histórias ao jantar...
Eu - E?!
Ela - E espero que sejam verosímeis...


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

A Nu





«Desta maré que te trouxe» - João

"Quando a maré cheia me cobriu, eu estava deitado na areia, queimado do Sol, incomodado na pele, e a princípio foi um choque sentir toda aquela água sobre mim. Mas a água trouxe-te, e vi-me com o teu corpo deitado sobre o meu, os teus joelhos de cada lado, apoiados na areia, as minhas mãos nas tuas coxas – as tuas coxas, como as quero -, o teu cabelo cobrindo-me a cara e os olhos nos olhos, e depois um beijo, e palavras que as marés não levam, não arrastam. As tuas mãos, os teus dedos, tocavam-me a face, cruzavam os meus ralos cabelos, e eram bálsamo derramado sobre mim, expressão da doçura, da tua doçura, que o mar esconde entre as cristas e cavas, e só marinheiros de um mar muito especial, só marinheiros de um corpo teu, conseguem ver, podem sentir, rogam provar. Mas a maré que te trouxe, levou-te. Escavou a areia sob os nossos corpos, e quando a maré está lá longe, fogem as cristas e as cavas, e volto a ressequir a pele ao Sol, arremessado sobre um espraiado de grãos grossos que marcam e arranham, a meio caminho entre a humidade da água que se foi e a secura de uma duna deserta. E enquanto me contorço, esticando o braço que transporta a mão até agarrar a areia e segurar conchas de animais que viveram e partiram, escuto o crepitar da rebentação longínqua e fixo o olhar na Lua que surge ao final da tarde, desafiando o reflexo do Sol, e de novo me deito sobre as costas magoadas, à espera de ser lavado pelas águas, com os teus joelhos de cada lado do meu corpo, e a tua bacia sobre a minha, ondulando, de cabelos pendendo sobre o meu rosto ou a boca junto ao ouvido, dizendo-me as coisas que dizes, fazendo esquecer as dores das costas, as dores dos ombros, adoçicando a minha alma com as tuas palavras de açúcar e risos de garota, que fazem finalmente repousar este marinheiro forçado, coberto de sal e sangue."
João
Geografia das Curvas

05 agosto 2014

Homens e mulheres no local de trabalho... coexistência nada pacífica


Olivia Cote Vous Les Femmes - Harcelement por vivrenu-tv

«mulher,» - Susana Duarte

dançarás, mulher, uma dança
feita de corpos desejantes,
metáforas dançantes
e feitiçaria.

dançarás, mulher,
sobre os escombros da paixão,
corpos-metáfora
da solidão.

dançarás, feiticeira,
onde os corpos são nada,
e o nada são luzes
ou gárgulas de rocha
levantadas sobre os corpos.

dançarás, mulher,
a dança luzente de estarmos

sós.

Susana Duarte
Blog Terra de Encanto

Lote de 26 isqueiros

Isqueiros da minha colecção... para manter a chama acesa...

Visita a página da colecção no Facebook (e, já agora, também a minha página pessoal)

04 agosto 2014

Cofidis - «Os homens só pensam em sexo»

«uma estátua de pedra» - bagaço amarelo

Lembro-me da caixa de fósforos em cima da toalha vermelha. Não parecia verdadeiramente uma caixa de fósforos. As superfícies ásperas ainda estavam intactas e ladeavam a reprodução de uma pintura naif. Era uma paisagem com um rio e algumas casas coloridas. Assim à primeira vista, podia tratar-se de um objecto de decoração e não de uma caixinha de fósforos.

- Que gira! - disse eu enquanto a observava com a ponta dos meus dedos.

Foi nesse dia que percebi que tinha uma espécie de sexto sentido relativamente a um aspecto muito particular dela. Ainda ia a subir a escada que dava para o terceiro andar onde ela vivia quando tive um calafrio. Cheguei a pensar voltar para trás e desaparecer, mas já tinha tocado à campainha para ela me abrir a porta do prédio. O intercomunicador do edifício tinha-se mantido mudo e o som da fechadura a soltar-se soou-me de uma forma particularmente agressiva. Ela estava com vontade de descarregar uma fúria qualquer em alguém.

- É apenas uma caixa de fósforos. Não tem nada de giro! - respondeu.

Mantive o silêncio. Sentei-me no sofá tentando não fazer ruído nem sequer com o a sola dos sapatos que pareciam querer irritar-me quando tocavam no flutuante da sala. Fiquei a vê-la do lado de fora da varanda, através do cortinado branco como se fosse uma sombra chinesa. Era tão bonita! Mesmo quando fumava cigarros nervosos e se transformava numa sombra era bonita.
Depois entrou e tornou a revelar as cores que lhe davam vida. O vestido vermelho e levemente decotado, o pescoço fino e frágil, o cabelo frisado da cor de mel e uma tatuagem em miniatura que vivia num dos seus braços como um insecto adormecido. Era uma mosca.

- Não trouxeste vinho? - Perguntou
- Pensei que tínhamos combinado jantar fora... - arrisquei.
- Mas não vamos. Não me apetece sair de casa e aqui sinto que não há espaço suficiente para os dois, muito sinceramente.

Levantei-me e dei-lhe um abraço a que ela não correspondeu. Foi a primeira vez na minha vida, aliás, que abracei uma estátua. Dura, de braços caídos e endurecidos, ficou assim enquanto desfiz o nó dos meus braços à volta dela e me afastei lentamente. Vesti o casaco e saí sem uma palavra. Foi nesse momento, graças ao cravo que estava preso ao bolso exterior daquela peça de roupa, que retomei a consciência que era a noite de 24 de Abril.
Foi nessa noite que conheci aquele que é ainda hoje um dos meus melhores amigos. Um homem de esquerda que me viu ao balcão de um bar a tentar afogar violentamente o meu dia num copo de uísque. Aproximou-se e deu-me um cravo novo, como que sugerindo que o meu estava amarrotado. E estava. Era o cravo e era eu, amarrotados pelo simples facto de me sentir apaixonado por uma estátua de pedra.
Contei-lhe a pequena história da minha noite. Às vezes é mais fácil despejar tudo num estranho do que num amigo de todos os dias. Existe a probabilidade de nunca mais o vermos e do nosso desabafo desaparecer com ele, da mesma forma que desaparece um vulto quando vira uma esquina no fundo duma rua. A coisa não durou muito tempo, mas terminou com o meu uísque bebido num só gole.

- Precisava de conseguir não me apaixonar. Era só isso! - pousei o copo.
- As pessoas que não se apaixonam não fazem revoluções. - respondeu.

Levantei os olhos para o mundo. A maior parte das pessoas ali presentes tinha um cravo vermelho reluzente ao peito. Reparei como todas tinham articulações. Os braços e as pernas mexiam-se ao som de músicas contemporâneas da revolução trocando abraços tão suaves quanto genuínos.
Tal como numa revolução, decidi pela primeira vez olhar para o futuro e deixar de Amar estátuas de pedra.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Quem fala merda...

... ouve merda.


Chupa, magrela.

Capinaremos.com

03 agosto 2014

Citizens! - «True Romance»


True Romance - Citizens! from WE ARE FROM L.A on Vimeo.

Postalinho com chaminé

"Esta chaminé, de uma casa em Moura (Alentejo), é um ONVI - Objecto Não Voador Identificado."
PM


Linda vai a noiva


A língua dele a bordar-me espirais num mamilo enquanto dedilhava o outro fazia-me gotejar e, procurar afincadamente apanhar-lhe o animal para o agitar, para lhe garrotear a glande em espasmos, até nas voltas desta dança de acasalamento o conseguir engolir, com o prévio cuidado de o lamber todinho até à linha mediana dos testículos. Ou para abreviarmos caminho senhor Doutor, sempre lhe digo que o homem sabia de preliminares e era bom todos os dias.

Ora acontece que depois de uma conversa com um amigo, tão adúltero e experiente na matéria como ele e, a bem dizer, oitenta por cento da população portuguesa mas, nisso o especialista é o senhor Doutor, não lhe pareceu aconselhável estar comigo não sendo eu casada porque, digo eu, ainda me poderia dar o desejo peregrino de querer ocupar o lugar da legítima para lhe limpar a casa enquanto ele vê os jogos de futebol no computador, para todos os dias lhe preparar a roupinha para o dia seguinte como se faz aos miúdos pequenos, para fingir docemente que não sabia que era encornada amiúde e não lhe pagar da mesma moeda e, para ganhar todas as partes chatas de uma relação.

É que senhor Doutor, com todo o respeito pelo Trio Odemira e por igrejas engalanadas e festas para inglês ver, quero mesmo é a si pedir encarecidamente que me revele qual é a probabilidade estatística de encontrar em Portugal homens com mais de uma vintena de neurónios e que, não obstante, conseguem satisfazer mulheres sexualmente.

Minha vida pós morte



Renan Lima
Dentro da Caveira