26 março 2005

ovo de chocolate

Anke Meier

fiquei a pensar que te faria eu
se, por acaso, fosses
um ovo de chocolate
estarias embrulhado
num papel acetinado
de cores sedutoras
espreitaria, provocadora
para dentro destas cores
que logo rasgaria
gulosa, observaria
por que lado começar
com a ponta da língua
saborearia o primeiro pedaço
com os lábios roçaria
o teu corpo de chocolate
traçando caminhos
não resistiria
a uma suave mordidela
a provar um pedaço de ti
terias recheio de leite
doce e cremoso
que na minha boca
se derreteria
pedaço após pedaço
de prazer me encherias...

fiquei a pensar que a ideia nem era má
mas no fim, com nada ficaria
bem melhor será cobrir-te de chocolate!

Páscoa Feliz a todos

Aula prática de Ana Tomia


Obrigada, Gotinha, por teres oferecido
os teus préstimos à ciência

25 março 2005

Carta do Jorge Costa à Matilde Doroteia

"Há muito que não te ponho o olho em cima. Nem o olho... nem mais nada.
Lembras-te daquelas reuniões que tínhamos no gabinete do chefe, em que trocávamos memorandos, deitados no sofá do canto?
Não sei que raio de jeito demos... que o raio do sofá partiu. É uma verdade que naquela época... escrevíamos muito. Ó, se escrevíamos!
Ainda te lembras como eu fiquei enrascado, sem saber o que posteriormente dizer ao director,
quando ele chegasse e visse o sofá no chão? O que valeu foi o meu jeito p'rá bricolage.
Estava agora p'raqui a tecer estas linhas e uma coisa puxa a outra e lá lembrei (como também te lembrarás) daquela vez que fomos para casa de campo do J. e naquela noite de calor, após meia dúzia de saltos na cama, a porra da travessa lascou! Foi outra enrascadela. Lembras-te? Tive de lá voltar de martelo e parafusos para arranjar o catano da cama.
Isto para não falar daquela vez que quiseste à viva força - sim, que tu, Matilde Doroteia, és mulher de força - escrever uma carta no armazém das máquinas. Mas que raio! Logo havias de querer escrever deitada! E, não contente com isso, logo havias de, no fim da escrita, dar um pontapé na máquina da frente e fazer desmoronar tudo. Aquilo nao foi um pontapé... foi mais um esticão que te deu pela espinha e te provocou aquele espasmo! Mas que raio de espasmos que te davam!...

Aqui bem se lixaram. Eu arranjo muita coisa, mas amolgadelas... não. Olha, ainda me lembro de se ter reclamado p'rá fábrica que tinha vindo uma máquina amolgada.
Eras do piorio. Sim, que eu era até muito sossegado.
Só de lembrar que na mesa do refeitório, onde o maralhal comia a sopa e as migas que trazia de casa, tu mandaste tudo p'ra canto, só p'rá gente ter espaço para escrever dois memorandos seguidos... E sempre deitada. Muito gostavas tu de escrever deitada! Muito gostavas tu dos meus ditados!
Eras de força, Matilde Doroteia! Naquela altura, lembro que a marmita do J.A. ficou com a sopa misturada com as batatitas que o desgraçado trazia p'ra morfar ao almoço. Olha que ainda lembro os berros:
- CARALHO... quem foi que me virou o caralho da marmita?!
Coitado. Eu é que, coitadito de mim, ficava ali p'ra um cantito, com olhinhos de carneiro mal morto, sem saber o que dizer. Eu sabia o que fazer, mas tinha «horinhas»... que não sabia mesmo o que dizer. Mas que raio! Passavas a vida a escrever. E eu sempre com o tinteiro atrás... Pois é, Matilde Doroteia, lembrei-me de te dedicar estas letras em virtude de ter uma nova secretária. Esta, parte menos a mobília. Sempre me dá menos trabalho no fim de cada carta.
Se bem que tem a mania de rasgar lençóis...
Olha... seja tudo por môr'da escrita!

Jorge Costa"

Original gamado aos Pés Quentinhos

Video pascoal


Feliz Páscoa, visitos!

Trabalhar nas obras tem as suas vantagens...


... principalmente nas pausas.


(enviado por Faustino M.)

24 março 2005

"Early morning blogs 4"

Foto:Patrick Hoelck
Enquanto o computador liga
Bebo um café
Procuro o isqueiro perdido algures no meio da papelada
Acordei de mau humor e com pouca paciência
Para jogar de esconde-esconde com isqueiro e papéis.
Encontro o objecto fugidio
Acendo o cigarro e começo a passar páginas.
De repente deparo-me com uma das maiores pérolas
De estupidez, burrice e cretinice que já li
Na denominada blogoesfera:
“O maior problema dos ateus é não ter ninguém
A quem chamar durante o orgasmo.”
E pela primeira vez na vida dou graças a deus
Por ser ateia e nele não acreditar.
Sei que quem estivesse a meu lado no momento do orgasmo
Não gostaria de ouvir invocado um nome que não o dele.
E imagino quem escreveu esta pérola de sapiência
Depois do acto consumado
Ajoelhado na cama
As mãos juntas em oração:
“-Ah meu Deus, eu te agradeço
O corpo que puseste ao meu lado
E com quem tive um orgasmo mas que não lembro o nome.”
Diz o segundo mandamento:
“Não invocarás o nome de Deus em vão”
Eu diria mais ainda
Há alturas em que dois chegam e mais um é multidão.
Olho o cigarro e inalo o fumo profundamente:
Abano a cabeça e penso:
Definitivamente! Há piores formas de poluição.


Encandescente

Odes no Brejo - Se...

Alice
Alce esse cálice
Delicie-se
Ou cicie se apetece
Solte a alça
- Que chatice!...

Se-se-se-se-se-se-se...

Dê-se assim
Como quem fosse
Só Alice
Numa pressa
Deixe que o cio
Insinue
A sua sede de vício
No seu corpo
Que apetece.


Recomendação pascoal: Quem tiver ovos que se agarre a eles. Quem os não tiver, tente deitar a mão a alguns que estejam por perto, fazendo sempre o obséquio de ser felizes.

Sabores

Tá, Sãooo?... Desculpa estar a ligar-te a esta hora da madrugada e ainda por cima estou quase sem bateria no telemóvel, mas tenho de te perguntar uma coisa com urgência. Oh São, como é que se diz a um gajo... que ele sabe mal... mesmo muito mal... que até parece sopa azeda?... Isto de uma forma a que ele não fique magoado, claro está!...

É que tu não imaginas mas nunca tal me tinha acontecido!... Ele há uns doces, outros salgados, provavelmente de acordo com os temperos que gostam de usar na comida. Aliás São, recordo-me de um que até sal punha no pão com manteiga e efectivamente, sabia sempre a sal. Ou o caso do vegetariano que sabia sempre a dióspiro.

Ai que merda com efe, São!... E que achas se eu me calar e de mansinho, lhe atirar com a clássica «Não é nada contigo mas eu quero estar só e podemos sempre ficar amigos!»?... É que a verdade às vezes magoa muito!... Se ele fosse um tipo daqueles só para dar uma voltinha, tinha a vida muito mais facilitada. Tá feito, tá morto!... Só que o raio do homem até é interessante a nível físico, não um modelo de luxo mas digamos que é um familiar de linhas atraentes, sem arranques bruscos e até sabe falar.

Oh São valerá a pena convidá-lo para tomar uma sopa que lhe servirei azeda, para puxar a conversa?...

A solução para a indústria têxtil nacional


galado pela Gotinha

Exageros


m português, um francês e um americano conversam entre eles.
Diz o americano:
- Na América temos um porta-aviões que transporta 1.000 aviões.
Diz o francês:
- Em França temos um hotel que acomoda 20.000 pessoas.
Diz o português:
- Eu tenho uma pila onde cabem 200 passarinhos empoleirados.
Passado um bocado, diz o americano:
- Eu exagerei... o porta-aviões só leva 150 aviões!
Diz o francês:
- Eu também exagerei. O hotel só dá para 1000 pessoas!
O português confessa:
- Também exagerei um bocadinho. O último pássaro já fica com uma patita de fora ...

(enviado por J. Longo)

23 março 2005

A Cisterna da Gotinha

Mamas e mais mamas e ainda mais mamas...


Coelhinha: da Páscoa


Para quem gosta de
gémeas!


Galeria de Fotografias a preto e branco: são de tirar o fôlego!


Um bibe para sexo oral bem asseado!


Creamy-Babes: muitas meninas para os meninos...

Odes no Brejo - Sede

Gosto tanto de ti
De tutear o teu corpo
Tentear a tua alma
De tentar o teu olhar
Gosto de ti
Se calhar
Muito para além do mar
Para além do meu destino
Mais além do horizonte
Gosto de ti
Afinal
Por seres alguém só de amar
Do teu alguém que imagino
Ao beber da tua fonte.

OrCa

E o AnjoÉlico pimba:

Sacio-me em ti, bebo-te-nos.
Cristalino amor que jorra da vasilha que amparo, canto, cântaro onde armazeno a saudade do teu prazer.
Sequioso amor afinal?
Sempre (e desde o início)...

Diário do Garfanho - 57

dezaoito de javembro

Foda-se. Vai um gajo comprar um cd do Roberto Carlos (para pôr as baleias e outros paquidermes). Vai um gajo comprar uns bonboms Garoto. Mais. Um tipo dá-se ao trabalho de deixar o cd pronto e os bonboms abertos, como se gostasse de uns e outros (os garotos não são maus!). Um gajo arranja dois bons vinhos (um tinto Joanicas, do Cartaxo - nada mau, estou a gramá-lo agora - então não tive tempo...) e um verde branco gelado Alvarinho que me custou os olhos da cara (com brancos australianos tão bons no Lidl ao preço da uva mijona). Um tipo toma banho, põe desodorizante (só nos sovacos, claro) e perfume. Gel. E até lava os dentes (estou a brincar... quer dizer, não estou. Lavei-os. Só que os lavo frequentemente, não o fiz de propósito, apesar de). Um gajo põe o seu melhor estilo, na verdade, com tantas merdas um gajo parece uma gaja ponto final parágrafo
e para quê?
Vem a gaja traz um irmão. Um irmão?! Um gajo pensa, "se calhar no Brasil é assim, o gajo deve ir-se embora a todo o momento."
- Sabe, bem, o meu irmão teve um desgosto de amor - explica ela. - Está muito carente e eu não o quero deixar sozinho. Se importa que ele venha com a gente?
Penso: "tás a gozar! Foda-se. Bardamerda." e por aí adiante.
Digo: - Não, não me importo nada - mas ponho um sorriso o mais amarelo possível (tenho até pena de ter lavado os dentes).

Felizmente, o chapa se mancou - ou foi isso ou foi a dose cavalar de laxante, ou melhor, na dose que ingeriu, purgante de aloe vera que lhe tive de pôr nas caipirinhas, que "têm um paladar estranho, sabem a cactos" - e desandou, literalmente, a esvair-se em merda.
Benditas ervanárias que se encontram por todo o lado!

Atenção, que eu não me esqueci de o aconselhar a beber muitos líquidos, não sou nenhum animal (não sou a Dulce F.), a saúde e bem estar das outras pessoas preocupam-me. Tive até o cuidado de saber se o tipo tinha rede na casa de banho que era para a irmã ficar descansada e ligar-lhe para saber novidades... de merda (não resisti, peço desculpa).


Garfanho