Entrou no autocarro e seguiu para o sítio habitual onde ela estava.
Todos os dias repetia os mesmos gestos que já se haviam tornado rotina.
Vestido com o fato de macaco, de cor azul, sujo de manchas de óleo já secas e indefinidas.
Por onde passava deixava um leve aroma a gasóleo misturado com os cheiros do corpo.
Mas chegou-se a ela como fazia todos os dias.
De pé e atrás, com os cabelos dela quase enfiados no nariz, aspirando o gostoso sonho que há no cabelo de uma mulher.
Segurou bem na pega superior e encostou o sexo a ela.
Devagar, sentindo como ela consentia.
Encostou mais e reparou como mais uma vez ela se entregava toda no desejo que a tomava.
Esfregou-se por ela e fez descer a mão para a anca pressionando levemente.
Deu-se conta como o seu respirar tinha aumentado de ritmo, e como ela mordia o lábio.
Encostou-se mais e fez descer a mão, que tremia ao ritmo das pedras da rua debaixo das rodas. A cada travagem e aceleração do veículo os corpos respondiam com uma coreografia em uníssono.
O autocarro parou. Saíram os dois sem dizer nada um ao outro.
Ela nem olhou para trás.
Ele encetou o caminho de regresso a pé.
Dois quarteirões depois entrou na garagem de um prédio.
O fato-macaco bem enquadrado no ambiente.
Olhou bem para todos os lados e foi direito ao elevador.
Tirou um cartão de acesso restrito e entrou.
Parou no último andar.
Despiu-se, tapou a roupa com um grande plástico e pendurou-a num armário.
Tomou um duche rápido e vestiu-se.
Penteou o cabelo curto com critério e ajeitou um pouco melhor a vestimenta.
Pôs um pouco de perfume e sorriu para o espelho.
Regressou ao armário onde tinha o fato-macaco.
Levantou o plástico e remexeu no bolso das calças.
Guardou o dildo na mala e foi novamente para o quarto onde tinha os sapatos de salto alto para a noite.
Charlie
16 outubro 2005
15 outubro 2005
O 4º Encontra-a-Funda será no centro do universo: em Beja, nos dias 26 e 27 de Novembro, com um patrocínio de luxo: a Mad e o Nikonman.
No sábado (26/11) haverá um jantar com animação cultural . Já está confirmada a presença da Tuna Meliches, que nos oferecerá uma sesSão de karalhoke. O OrCa irá mostrar-nos o seu novo livro e oder-nos como só ele sabe... hmmm... e ainda estão em curso negociações para mais eventos. Providenciar-se-á (até custa a escrever) alojamento para quem quiser ficar para Domingo, em que faremos uma (ar)Rota dos Vinhos e um almoço à moda da Coisa da Mana (seja lá o que isso for soa delicioso). Depois de almoço, vai cada um para sua casa.
Para já, marquem nas vossas agendas. Os detalhes (transportes, alojamento, ementas, preços, etc.) vir-se-ão depois.
100.000 Jahre Sex - Über Liebe, Fruchtbarkeit und Wollust (*)
100.000 anos de sexo, amor, fertilidade e luxúria
de 6.10.2005 a 8.1.2006
Landesmuseum für Vorgeschichte - Dresden
Para quando em Portugal?
Aqui tens um artigo em inglês.
A propósito, recomendo a leitura deste artigo em inglês do Spiegel: «Pornografia em barro».
(*) que é como quem diz: "não percebo a ponta de um corno de alemão"
Gravata de braguilha exposta
Quando estudei na Faculdade de Letras, ali no Campo Grande, era hábito tomar-se café e sobretudo, coisa fundamental, jogar matrecos, nos cafés da ruazinha do Colégio Moderno, descendo do lado de Direito pelo carreirinho rural ladeado de árvores que na época, dava acesso à artéria empedrada.
Sobre as horas do início da manhã e do final da tarde, em que se acumulavam os últimos modelos de automóveis familiares, estacionados em segunda e terceira fila nesse arruamento, era apregoada de boca em boca a perigosidade do caminho campestre. Era a história da rapariga de Direito a quem tinham rasgado o vestido e que voltou em cuecas e soutien para dentro da escola em busca de auxílio. Eram os milhentos relatos do gajo engravatado, todo ele fatinho engomado, com o material fora da braguilha, a acariciá-lo em garrote de dedos, tecendo-lhe amplos elogios, numa entoação mais ou menos saltitante, à passagem de estudantes do sexo feminino.
E claro Sãozinha que sendo eu também filha de Deus, um dia me calhou a vez de assistir ao vivo à representação. Mal entrei no carreiro vi o marmelo em fato cinzento, encostado à última árvore antes da descida. Um arrepio a descer a espinha abrandou-me os passos. Em fracções de segundo passa-nos tudo pela testa. Que raio havia de fazer?... E se o gajo me agarrasse?... Passar como se nada visse com os olhos postos no chão e os ouvidos tamponados a seriedade?... Dar-lhe uma joelhada à altura do seu mais-que-tudo?... Completamente baralhada continuei a andar automaticamente na direcção do exibicionista. Já muito perto dele ouvi-o distintamente recomendar-me que olhasse o seu avantajado e monumental membro. Segui o conselho e pousei as vistas no seu penisinho, pouco maior que os Definitivos que eu fumava na altura e depois, olhos nos olhos, escapuliu-se-me da boca um «Já vi maior!... E aquele miúdo que está ali em baixo a olhar para nós não é seu filho?». Ele imediatamente desviou a atenção para lá enquanto o sexo lhe caía da mão e eu desatei a correr por ali abaixo para só parar na primeira cadeira livre do primeiro café de matraquilhos, a sentar a respiração ofegante.
Sobre as horas do início da manhã e do final da tarde, em que se acumulavam os últimos modelos de automóveis familiares, estacionados em segunda e terceira fila nesse arruamento, era apregoada de boca em boca a perigosidade do caminho campestre. Era a história da rapariga de Direito a quem tinham rasgado o vestido e que voltou em cuecas e soutien para dentro da escola em busca de auxílio. Eram os milhentos relatos do gajo engravatado, todo ele fatinho engomado, com o material fora da braguilha, a acariciá-lo em garrote de dedos, tecendo-lhe amplos elogios, numa entoação mais ou menos saltitante, à passagem de estudantes do sexo feminino.
E claro Sãozinha que sendo eu também filha de Deus, um dia me calhou a vez de assistir ao vivo à representação. Mal entrei no carreiro vi o marmelo em fato cinzento, encostado à última árvore antes da descida. Um arrepio a descer a espinha abrandou-me os passos. Em fracções de segundo passa-nos tudo pela testa. Que raio havia de fazer?... E se o gajo me agarrasse?... Passar como se nada visse com os olhos postos no chão e os ouvidos tamponados a seriedade?... Dar-lhe uma joelhada à altura do seu mais-que-tudo?... Completamente baralhada continuei a andar automaticamente na direcção do exibicionista. Já muito perto dele ouvi-o distintamente recomendar-me que olhasse o seu avantajado e monumental membro. Segui o conselho e pousei as vistas no seu penisinho, pouco maior que os Definitivos que eu fumava na altura e depois, olhos nos olhos, escapuliu-se-me da boca um «Já vi maior!... E aquele miúdo que está ali em baixo a olhar para nós não é seu filho?». Ele imediatamente desviou a atenção para lá enquanto o sexo lhe caía da mão e eu desatei a correr por ali abaixo para só parar na primeira cadeira livre do primeiro café de matraquilhos, a sentar a respiração ofegante.
14 outubro 2005
Cisterna da Gotinha
Taco de Baseball: sem palavras...
Anjinha de asas e varinha na mão...
Sperm Wars: um jogo com o bebé da série “Family Guy”.
Morenaça a cuidar do jardim.
Samantha Wolov: fotografia erótica.
Que raio de educação damos às novas gerações?
Um amigo meu está a comprar para o filho um atlas - «Geografia Universal» - vendido juntamente com um jornal diário. Nesta semana saiu o 6º volume. Pois vejam lá o que descobriram para pôr na capa:
Crica aqui para veres
a fodografia em detalhe
Crica aqui para veres
a fodografia em detalhe
muito à frente...
Sem rodeios: "a gaja tinha ar de puta".
Neutro: "a gaja tinha um sorriso muito simpático".
Sem contemplações: "a gaja tinha mau aspecto".
Neutro: "a gaja tinha um belo par".
Sem diplomacia: "a gaja parecia alucinada".
Neutro: "a gaja era muito gira".
Sem vergonha: "a gaja parecia um bocado badalhoca".
Neutro: "a gaja falava bem".
Sem respeito: "a gaja tinha ar de dar umas belas fodas".
Neutro: "a gaja tinha ar de dar umas belas fodas".
– E afinal? – Perguntei eu, depois de meia hora a ouvir o Picoto a desfiar "the pros and cons" de uma gaja qualquer que conhecera na férias.
– Afinal, merda – rosnou ele, com cara de poucos amigos.
– Então?
– Então?! – O homem parecia que se preparava para confessar um crime hediondo, tal era a expressão facial de vencido e quebrado, o arquear dos ombros e a imobilidade dos braços ao longo do corpo e o olhar baço e fixo num ponto qualquer da sua memória da situação. Respirou fundo e soltou o ar pelo nariz, enquanto engolia em seco.
Tive pena dele e decidi avançar:
– Mas não foi ela que foi falar contigo?
– Mais ou menos – disse ele. – A gaja veio pôr-se ao meu lado no balcão, encostada, 'tás a ver?
Acenei que sim, ainda que não percebesse se ela se tinha encostado a ele ou ao balcão. A informação era relevante, crucial, até, mas decidi não o interromper. Ele ia embalado e continuou:
– A rir e a roçar-se, 'tás a ver?
Não estava, definitivamente, não estava a ver.
– Em ti ou no balcão?
– Em mim, foda-se. – O gajo afinou. – Achas que se a gaja se estivesse a roçar no balcão eu lhe ligava, caralho?
"Tu és maluco e a gaja também não devia ser muito certa, para te escolher a ti para se roçar", pensei mas não lhe disse, acho que a conversa não fluiria da mesma forma.
– E depois?
– Depois? Depois mamou-me três imperiais, uma tosta de galinha e um whisky velho, e ainda me disse que gostava muito de aguardente velha, a puta.
– O que é que isso interessa?
– Interessa, porque se eu não pedisse o whisky, tinha mamado mais 3 ou quatro euros na aguardente, uma Rainha qualquer.
– Rainha?
– A aguardente. Rainha não sei do quê. A gaja a dizer que era muito boa e que não se via muito e que ali havia e o caralho que a foda.
– Rainha do Joanicas? – Perguntei eu, que aprecio. (Não tem nada a ver, mas viram o Sideways? Sim, vocês, os leitores, viram? Bom filme, hã?) Ele acenou que sim, era Rainha do Joanicas. Eu pus o meu ar de entendido e disse em voz de bagaço, ainda que a aguardente em causa seja vínica e não bagaceira. – Boa aguardente, pá. Muito boa escolha. A gaja sabia.
– Sabia, sabia... – concordou ele, sem sorrir. – A gaja sabia-a toda.
A Patrícia olhava para nós do fundo da Repartição, estávamos na nossa hora de almoço, mas a gaja fitávamo-nos como se fosse irmã do Sócrates. Decidi encurtar a conversa.
– Mas afinal, comeste-a?
– A gaja é que me comeu, Pereira, comeu-me por parvo que é para aprender a não ser guloso.
– Então?
– Ó pá, a puta do caralho foi à casa de banho – disse ele, a custo e para fim de conversa.
– E? – Insisti eu.
– Nunca mais a vi, pá – disse ele, irritado, – é preciso fazer-te um desenho?!
– Bardamerda, meu...
– Bem o podes escrever – disse ele, – foram mais de 30 euros...
podes visitar-me em Garfiar, só me apetece e prometo que o tempo que lá perderes não volta mais... o resto são promessas!
Neutro: "a gaja tinha um sorriso muito simpático".
Sem contemplações: "a gaja tinha mau aspecto".
Neutro: "a gaja tinha um belo par".
Sem diplomacia: "a gaja parecia alucinada".
Neutro: "a gaja era muito gira".
Sem vergonha: "a gaja parecia um bocado badalhoca".
Neutro: "a gaja falava bem".
Sem respeito: "a gaja tinha ar de dar umas belas fodas".
Neutro: "a gaja tinha ar de dar umas belas fodas".
– E afinal? – Perguntei eu, depois de meia hora a ouvir o Picoto a desfiar "the pros and cons" de uma gaja qualquer que conhecera na férias.
– Afinal, merda – rosnou ele, com cara de poucos amigos.
– Então?
– Então?! – O homem parecia que se preparava para confessar um crime hediondo, tal era a expressão facial de vencido e quebrado, o arquear dos ombros e a imobilidade dos braços ao longo do corpo e o olhar baço e fixo num ponto qualquer da sua memória da situação. Respirou fundo e soltou o ar pelo nariz, enquanto engolia em seco.
Tive pena dele e decidi avançar:
– Mas não foi ela que foi falar contigo?
– Mais ou menos – disse ele. – A gaja veio pôr-se ao meu lado no balcão, encostada, 'tás a ver?
Acenei que sim, ainda que não percebesse se ela se tinha encostado a ele ou ao balcão. A informação era relevante, crucial, até, mas decidi não o interromper. Ele ia embalado e continuou:
– A rir e a roçar-se, 'tás a ver?
Não estava, definitivamente, não estava a ver.
– Em ti ou no balcão?
– Em mim, foda-se. – O gajo afinou. – Achas que se a gaja se estivesse a roçar no balcão eu lhe ligava, caralho?
"Tu és maluco e a gaja também não devia ser muito certa, para te escolher a ti para se roçar", pensei mas não lhe disse, acho que a conversa não fluiria da mesma forma.
– E depois?
– Depois? Depois mamou-me três imperiais, uma tosta de galinha e um whisky velho, e ainda me disse que gostava muito de aguardente velha, a puta.
– O que é que isso interessa?
– Interessa, porque se eu não pedisse o whisky, tinha mamado mais 3 ou quatro euros na aguardente, uma Rainha qualquer.
– Rainha?
– A aguardente. Rainha não sei do quê. A gaja a dizer que era muito boa e que não se via muito e que ali havia e o caralho que a foda.
– Rainha do Joanicas? – Perguntei eu, que aprecio. (Não tem nada a ver, mas viram o Sideways? Sim, vocês, os leitores, viram? Bom filme, hã?) Ele acenou que sim, era Rainha do Joanicas. Eu pus o meu ar de entendido e disse em voz de bagaço, ainda que a aguardente em causa seja vínica e não bagaceira. – Boa aguardente, pá. Muito boa escolha. A gaja sabia.
– Sabia, sabia... – concordou ele, sem sorrir. – A gaja sabia-a toda.
A Patrícia olhava para nós do fundo da Repartição, estávamos na nossa hora de almoço, mas a gaja fitávamo-nos como se fosse irmã do Sócrates. Decidi encurtar a conversa.
– Mas afinal, comeste-a?
– A gaja é que me comeu, Pereira, comeu-me por parvo que é para aprender a não ser guloso.
– Então?
– Ó pá, a puta do caralho foi à casa de banho – disse ele, a custo e para fim de conversa.
– E? – Insisti eu.
– Nunca mais a vi, pá – disse ele, irritado, – é preciso fazer-te um desenho?!
– Bardamerda, meu...
– Bem o podes escrever – disse ele, – foram mais de 30 euros...
podes visitar-me em Garfiar, só me apetece e prometo que o tempo que lá perderes não volta mais... o resto são promessas!
Pensamento de política do desporto
Era uma gaja tão assobiada lá na rua
que as amigas, com inveja,
até lhe chamavam Peseiro.
(Vizinho)
que as amigas, com inveja,
até lhe chamavam Peseiro.
(Vizinho)
13 outubro 2005
Cisterna da Gotinha
100 fotos de....
Quem é que não gosta da Scarlett Johansson?
Palmadinhas no rabiosque: vídeo.
Ó meninos sentem-se atraídos por estas meninas?!
The Body Bouncer: quem quer comprar?
Jesse Capelli com rosa vibrante.
Quem é que não gosta da Scarlett Johansson?
Palmadinhas no rabiosque: vídeo.
Ó meninos sentem-se atraídos por estas meninas?!
The Body Bouncer: quem quer comprar?
Jesse Capelli com rosa vibrante.
Ela gostava
Ela gostava
De olhares cúmplices
De palavras doces
E juras molhadas.
Ela gostava
Do enrolar no corpo
Do desenrolar do corpo
Do acordar da pele.
Ela gostava
De carícias longas
De mãos demoradas
Gestos pausa
Expectativa.
Ela gostava
Do calor nas coxas
De colar as coxas
De trocar sentidos.
Ela gostava
Da palavra Amor
Da palavra Um
Da palavra Juntos
Da palavra Nós.
Foto:ëssëncë
BEJA - FESTIVAL DO AMOR
Hedonista - por Anukis
Soraia nascera para o prazer desde que se lembrava de ser gente. Já em criança adorava ir para debaixo da mesa por causa das traves da mesa que formavam uma cruz e nas quais sentia especial gozo em roçar-se. Saboreava cada quadradinho de chocolate e comia afincadamente cada gelado até à última lambidela. O seu corpo tinha sido talhado para o hedonismo e ela sabia-o bem.
Soraia era uma deusa sexual. Longo cabelo negro, seios generosos, corpo provocador. No dia a dia, vestia clássico, mas para a noite, tinha reservado uns minivestidos pretos bem decotados para arrasar com a concorrência. Tinha todos os homens a seus pés e as algumas mulheres também. Conseguia sempre o que queria. Ninguém lhe resistia. E assim ia vivendo os dias, parecendo uma mulher respeitada com o seu namorado de há muitos anos, dando uma escapadinha sempre que lhe apetecia.
Um dia, ele encheu-se e deixou-a: o drama! Procurou todos os amigos do namorado para saber o que se passava. Ela, ser deixada? Absurdo! Foi assim que conheceu a Ana. Quer dizer, já a tinha visto antes mas nunca tinha reparado nela. Não era nada de especial aparentemente, mas era a doçura em pessoa. Havia nela uma sensualidade castrada que a seduzia. Sempre que estava com ela, ficava com ganas de a beijar, de a acariciar toda, de despertar aquele clítoris fechado ao mundo, possuí-la, fazê-la gemer de prazer. Passava os dias a imaginar cenários para a seduzir e sempre que podia enfiava-se lá em casa para estar com ela. Porém, ela nem a via. Considerava-a apenas como uma amiga.
Para grandes males, grandes remédios. Qualquer meio serve para atingir fins hedonistas. Já que Ana nem dava conta que ela existia, porque amava o marido, Paulo, teria de passar por ele. Seduzi-lo a ele, foi fácil: canja de galinha. Paulo ficou completamente louco por ela. Quando ela aparecia lá em casa, começou a arranjar forma de manter a intimidade. Pedia à mulher para verem filmes, os 3, deitados no sofá-cama. A mulher, que o amava e confiava cegamente nele, tudo acatava. Paulo, para disfarçar, fazia com que a mulher ficasse no meio deles, como se eles fossem as fatias do panrico e ela o fiambre. Isso convinha a Soraia, que assim podia se encostar na Ana e respirar o cheiro natural do seu corpo que tanto a excitava. A resistência de Ana aguçava-lhe ainda mais o desejo de a possuir, mas não conseguiu. Ana vivia no mundo das ideias e estava completamente alheia ao próprio corpo e à cobiça que despertava. Soraia, por despeito, pensou: se não te posso ter, também não serás de ninguém.
Paulo andava enlouquecido. Passou a viver obcecado por Soraia. Desleixou a mulher, a família e o trabalho. Arranjava todas as desculpas para se encontrar com ela, saber o que ela fazia, com quem estava. Passava o tempo enciumado e desconfiado de tudo e de todos, sempre mal-humorado, porque Soraia tanto se dava como já se escapava.
Ana foi compreendendo que o seu mundo se estava a desmoronar. Não podia crer que duas das pessoas que mais gostava a estavam a trair, pior ainda, a mentirem-lhe descaradamente. Tentou segurar nas pontas, recolar os bocados partidos. Prova hérculea para as suas emoções. Não foi capaz. Um dia, decidiu pôr fim a essa tortura. Paulo era incapaz de escolher entre as duas. Ana escolheu por ele: fez-lhe as malas e mandou-o embora. E ele foi.
Soraia, pela primeira vez na vida, não conseguiu o que queria e isso enraiveceu-a. Ganhou ódio a Ana e jurou acabar com ela. Como podia ela ter-se negado a ela? Pior ainda, recusava-se a vê-la de todo. Ela havia de pagá-las!
Soube mais tarde pelo Paulo que a Ana se prestava ao sexo por obrigação. Fazer amor para ela era mais um fardo que cumpria com sacrifício. Era como se o seu prazer estivesse enclausurado num corpo fechado. Afinal, a Ana não a tinha desprezado a ela, Soraia. A Ana era apenas a sua antítese: a eterna virgem. E agora tinha-a perdido para sempre...
Anukis
Soraia era uma deusa sexual. Longo cabelo negro, seios generosos, corpo provocador. No dia a dia, vestia clássico, mas para a noite, tinha reservado uns minivestidos pretos bem decotados para arrasar com a concorrência. Tinha todos os homens a seus pés e as algumas mulheres também. Conseguia sempre o que queria. Ninguém lhe resistia. E assim ia vivendo os dias, parecendo uma mulher respeitada com o seu namorado de há muitos anos, dando uma escapadinha sempre que lhe apetecia.
Um dia, ele encheu-se e deixou-a: o drama! Procurou todos os amigos do namorado para saber o que se passava. Ela, ser deixada? Absurdo! Foi assim que conheceu a Ana. Quer dizer, já a tinha visto antes mas nunca tinha reparado nela. Não era nada de especial aparentemente, mas era a doçura em pessoa. Havia nela uma sensualidade castrada que a seduzia. Sempre que estava com ela, ficava com ganas de a beijar, de a acariciar toda, de despertar aquele clítoris fechado ao mundo, possuí-la, fazê-la gemer de prazer. Passava os dias a imaginar cenários para a seduzir e sempre que podia enfiava-se lá em casa para estar com ela. Porém, ela nem a via. Considerava-a apenas como uma amiga.
Para grandes males, grandes remédios. Qualquer meio serve para atingir fins hedonistas. Já que Ana nem dava conta que ela existia, porque amava o marido, Paulo, teria de passar por ele. Seduzi-lo a ele, foi fácil: canja de galinha. Paulo ficou completamente louco por ela. Quando ela aparecia lá em casa, começou a arranjar forma de manter a intimidade. Pedia à mulher para verem filmes, os 3, deitados no sofá-cama. A mulher, que o amava e confiava cegamente nele, tudo acatava. Paulo, para disfarçar, fazia com que a mulher ficasse no meio deles, como se eles fossem as fatias do panrico e ela o fiambre. Isso convinha a Soraia, que assim podia se encostar na Ana e respirar o cheiro natural do seu corpo que tanto a excitava. A resistência de Ana aguçava-lhe ainda mais o desejo de a possuir, mas não conseguiu. Ana vivia no mundo das ideias e estava completamente alheia ao próprio corpo e à cobiça que despertava. Soraia, por despeito, pensou: se não te posso ter, também não serás de ninguém.
Paulo andava enlouquecido. Passou a viver obcecado por Soraia. Desleixou a mulher, a família e o trabalho. Arranjava todas as desculpas para se encontrar com ela, saber o que ela fazia, com quem estava. Passava o tempo enciumado e desconfiado de tudo e de todos, sempre mal-humorado, porque Soraia tanto se dava como já se escapava.
Ana foi compreendendo que o seu mundo se estava a desmoronar. Não podia crer que duas das pessoas que mais gostava a estavam a trair, pior ainda, a mentirem-lhe descaradamente. Tentou segurar nas pontas, recolar os bocados partidos. Prova hérculea para as suas emoções. Não foi capaz. Um dia, decidiu pôr fim a essa tortura. Paulo era incapaz de escolher entre as duas. Ana escolheu por ele: fez-lhe as malas e mandou-o embora. E ele foi.
Soraia, pela primeira vez na vida, não conseguiu o que queria e isso enraiveceu-a. Ganhou ódio a Ana e jurou acabar com ela. Como podia ela ter-se negado a ela? Pior ainda, recusava-se a vê-la de todo. Ela havia de pagá-las!
Soube mais tarde pelo Paulo que a Ana se prestava ao sexo por obrigação. Fazer amor para ela era mais um fardo que cumpria com sacrifício. Era como se o seu prazer estivesse enclausurado num corpo fechado. Afinal, a Ana não a tinha desprezado a ela, Soraia. A Ana era apenas a sua antítese: a eterna virgem. E agora tinha-a perdido para sempre...
Anukis
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