jhdelatorre/Giovanni
19 setembro 2006
Dá-mum beijinho...
Os Lábios são desde sempre um depósito por excelência de terminais nervosos. E depois, queixam-se que o ser humano se tenha tornado lascivo. Pergunto: se não era para isto... [ 1 | 2 | 3 | 4 | 5 ] porque é que a evolução da espécie lá colocou os supracitados terminais nervosos em abundância obscena? Hã? |
Ora longe de mim ir contra a mãe natureza, e portanto só posso aconselhar que se beijem, beijem-se muito, como se fora esta noite a última vez.
Com um bocado de sorte até aparece um estudo qualquer cientifico a provar que o beijo previne o cancro... ou as hemorróidas...
O Divórcio ou por que tem tudo de ser normal?
O meu advogado liga-me, tem urgência em falar comigo.
– Pode vir já?
– Posso.
Vou.
Faz-me esperar, mandam-me entrar, cumprimenta-me e avança:
– Há um problema com o seu divórcio.
– Um problema?!
– Sim, um problema.
– Qual problema?
– A sua mulher.
– A minha mulher não é um problema do divórcio, é do casamento.
O advogado sorri só para me fazer o jeito.
– Ainda bem que está bem disposto…
– Estava. Afinal qual é o problema?
– A sua mulher disse-me que já não se quer divorciar.
– Não?! Porquê?
– Diz que ainda o ama.
– A mim?
– A mim é que não é!
– Vejo que está bem disposto.
– Achei graça à sua cara. Desculpe lá.
– Mas quando é que ela lhe disse isso?
– No sábado à noite.
– À noite?! No sábado à noite!?
– Estivemos a jantar.
– Estiveram a jantar?
– Sim, estivemos.
– E?!
– E jantámos bem, fomos a um restaurantezinho simpático, sossegado. Correu bem.
– Oiça lá, ó doutor, há aqui qualquer coisa que me está a escapar.
– Diga, homem, desembuche!
– O doutor chama-me aqui para me dizer que a minha mulher lhe disse ao jantar que já não se quer divorciar…
– Não foi ao jantar.
– Não?! Então foi quando?
– Foi depois. Fomos beber um copo…
– Não! O doutor está a gozar comigo, não está? Foram beber um copo!?
– Foi…
– E ela disse-lhe que já não se quer divorciar?! Que ainda me ama?!
– Sim, disse. Disse depois.
– Depois de quê?! (Nem sei se quero saber.)
– Quer ou não?
– Não sei… Quero… Diga lá, depois de quê?
– Depois de bebermos uns copos no bar e de termos ido para casa…
– Para casa?! Para casa de quem?
– Ah! Hum… Acho que isso não é muito importante…
– Foram para a minha casa?!
– Para a casa dela.
– E minha, desculpe!
– E sua, sim.
– E ela já não quer o divórcio?
– Pois não.
– E disse-lhe que ainda me ama?
– Pois foi.
– E o doutor?
– Eu não o amo.
– Quanto a isso estamos descansados!
– Ah! Ah! Ah!
– O que é que o doutor fez?
– Vim-me embora.
– Vestiu-se e veio-se embora?
– Pois foi, vesti a camisa e vim-me embora. Ela ainda o ama.
– E não fizeram nada?
– Pouca coisa.
– Estou a ver… E ela já não se quer divorciar?
– Já lhe disse. Não, não quer.
– E está a contar-me isto tudo porquê?
– Como seu advogado tenho de ser completamente leal e franco.
– Ah! Tentar dormir com a minha mulher é ser leal?!
– Os senhores estão separados.
– Estou a ver.
– Ah! Ah! Ah!
– Está a rir-se de quê?
– É mentira! Ah! Ah!
– É mentira? O que é que é mentira?
– A parte de nós termos feito pouca coisa.
– Desculpe?
– Está desculpado!
– O doutor esteve a beber?
– A beber?!
– Sim, a beber bebidas alcoólicas, esteve?!
– Hum, ao almoço bebi qualquer coisita…
– Qualquer coisita, não me diga…
– Quer dizer, não foi bem qualquer coisita.
– Estou a ver e exactamente em que momento é que ela lhe disse que já não se queria divorciar?
– Em que momento? Em que momento exacto?!
– Sim, quando é que foi?
– Quer saber, mesmo?
– Quero, agora quero!
– Foi quando eu estava a tentar tirar-lhe o soutien e as cuecas.
– Foi?!
– Foi, mas não consegui. Já estava um bocadito tocado, sabe? E tentei fazer tudo ao mesmo tempo… Acho que fui um bocado desastrado.
– Estou a ver… E ela, então, disse-lhe que já não se queria divorciar?
– Pois foi. Veja lá! Levantou-se e disse que não conseguia trai-lo, que ainda o amava, que já não se queria divorciar e pediu-me para sair.
– E o doutor?
– Eu não estava em condições de a contradizer ou insistir no divórcio… Tinha de dizer mal de si, está a ver?
– De mim, porquê?
– Então, tinha de lhe dizer que você é um pulha, um animal, uma besta, sei lá, qualquer coisa para lhe mostrar que o único caminho é o divórcio…
– Não podia fazer a coisa por menos?
– Se a queria comer, não. Tinha de ser definitivo!
– Mas não disse?!
– Claro que não, afinal você é meu cliente, tenho ética, escrúpulos…
– Ainda bem…
– E além do mais, naquele estado já não conseguia comer nada. Ia fazer uma figura triste.
– E nós não queremos isso!
– Você não sei, mas eu não quero.
– E para pedir a conta é a quem?
– Qual conta?
– A sua, os honorários do doutor…
– Porquê?! Não me diga que ficou ressentido comigo. Olhe que eu acho…
– Não, não fiquei nada ressentido, mas se já não há divórcio, podemos arrumar o processo.
– Estou a ver, estou a ver, é capaz de ter razão. O melhor é reconciliarem-se. Olhe que não arranja melhor.
– Não?
– A sua mulher é um pedaço, com todo o respeito, mas é um pedaço… Foi uma pena eu não me ter controlado na bebida, tinha sido uma noite de sonho…
– (Mas não melhor que esta tarde.)
– Diga?
– Nada, nada. O doutor acha que a provisão que lhe dei chega?
– A provisão? Ah! Sim, sim, é capaz… Chega! Gosto quando as coisas acabam em bem. Ficamos assim e não se fala mais nisso.
– Então, boa tarde.
– Boa tarde, olhe!
– Diga?
– Mas se se quiserem divorciar outra vez, avise-me, está bem?
– Esteja descansado, doutor, esteja descansado. (Venho logo a correr.)
– Pode vir já?
– Posso.
Vou.
Faz-me esperar, mandam-me entrar, cumprimenta-me e avança:
– Há um problema com o seu divórcio.
– Um problema?!
– Sim, um problema.
– Qual problema?
– A sua mulher.
– A minha mulher não é um problema do divórcio, é do casamento.
O advogado sorri só para me fazer o jeito.
– Ainda bem que está bem disposto…
– Estava. Afinal qual é o problema?
– A sua mulher disse-me que já não se quer divorciar.
– Não?! Porquê?
– Diz que ainda o ama.
– A mim?
– A mim é que não é!
– Vejo que está bem disposto.
– Achei graça à sua cara. Desculpe lá.
– Mas quando é que ela lhe disse isso?
– No sábado à noite.
– À noite?! No sábado à noite!?
– Estivemos a jantar.
– Estiveram a jantar?
– Sim, estivemos.
– E?!
– E jantámos bem, fomos a um restaurantezinho simpático, sossegado. Correu bem.
– Oiça lá, ó doutor, há aqui qualquer coisa que me está a escapar.
– Diga, homem, desembuche!
– O doutor chama-me aqui para me dizer que a minha mulher lhe disse ao jantar que já não se quer divorciar…
– Não foi ao jantar.
– Não?! Então foi quando?
– Foi depois. Fomos beber um copo…
– Não! O doutor está a gozar comigo, não está? Foram beber um copo!?
– Foi…
– E ela disse-lhe que já não se quer divorciar?! Que ainda me ama?!
– Sim, disse. Disse depois.
– Depois de quê?! (Nem sei se quero saber.)
– Quer ou não?
– Não sei… Quero… Diga lá, depois de quê?
– Depois de bebermos uns copos no bar e de termos ido para casa…
– Para casa?! Para casa de quem?
– Ah! Hum… Acho que isso não é muito importante…
– Foram para a minha casa?!
– Para a casa dela.
– E minha, desculpe!
– E sua, sim.
– E ela já não quer o divórcio?
– Pois não.
– E disse-lhe que ainda me ama?
– Pois foi.
– E o doutor?
– Eu não o amo.
– Quanto a isso estamos descansados!
– Ah! Ah! Ah!
– O que é que o doutor fez?
– Vim-me embora.
– Vestiu-se e veio-se embora?
– Pois foi, vesti a camisa e vim-me embora. Ela ainda o ama.
– E não fizeram nada?
– Pouca coisa.
– Estou a ver… E ela já não se quer divorciar?
– Já lhe disse. Não, não quer.
– E está a contar-me isto tudo porquê?
– Como seu advogado tenho de ser completamente leal e franco.
– Ah! Tentar dormir com a minha mulher é ser leal?!
– Os senhores estão separados.
– Estou a ver.
– Ah! Ah! Ah!
– Está a rir-se de quê?
– É mentira! Ah! Ah!
– É mentira? O que é que é mentira?
– A parte de nós termos feito pouca coisa.
– Desculpe?
– Está desculpado!
– O doutor esteve a beber?
– A beber?!
– Sim, a beber bebidas alcoólicas, esteve?!
– Hum, ao almoço bebi qualquer coisita…
– Qualquer coisita, não me diga…
– Quer dizer, não foi bem qualquer coisita.
– Estou a ver e exactamente em que momento é que ela lhe disse que já não se queria divorciar?
– Em que momento? Em que momento exacto?!
– Sim, quando é que foi?
– Quer saber, mesmo?
– Quero, agora quero!
– Foi quando eu estava a tentar tirar-lhe o soutien e as cuecas.
– Foi?!
– Foi, mas não consegui. Já estava um bocadito tocado, sabe? E tentei fazer tudo ao mesmo tempo… Acho que fui um bocado desastrado.
– Estou a ver… E ela, então, disse-lhe que já não se queria divorciar?
– Pois foi. Veja lá! Levantou-se e disse que não conseguia trai-lo, que ainda o amava, que já não se queria divorciar e pediu-me para sair.
– E o doutor?
– Eu não estava em condições de a contradizer ou insistir no divórcio… Tinha de dizer mal de si, está a ver?
– De mim, porquê?
– Então, tinha de lhe dizer que você é um pulha, um animal, uma besta, sei lá, qualquer coisa para lhe mostrar que o único caminho é o divórcio…
– Não podia fazer a coisa por menos?
– Se a queria comer, não. Tinha de ser definitivo!
– Mas não disse?!
– Claro que não, afinal você é meu cliente, tenho ética, escrúpulos…
– Ainda bem…
– E além do mais, naquele estado já não conseguia comer nada. Ia fazer uma figura triste.
– E nós não queremos isso!
– Você não sei, mas eu não quero.
– E para pedir a conta é a quem?
– Qual conta?
– A sua, os honorários do doutor…
– Porquê?! Não me diga que ficou ressentido comigo. Olhe que eu acho…
– Não, não fiquei nada ressentido, mas se já não há divórcio, podemos arrumar o processo.
– Estou a ver, estou a ver, é capaz de ter razão. O melhor é reconciliarem-se. Olhe que não arranja melhor.
– Não?
– A sua mulher é um pedaço, com todo o respeito, mas é um pedaço… Foi uma pena eu não me ter controlado na bebida, tinha sido uma noite de sonho…
– (Mas não melhor que esta tarde.)
– Diga?
– Nada, nada. O doutor acha que a provisão que lhe dei chega?
– A provisão? Ah! Sim, sim, é capaz… Chega! Gosto quando as coisas acabam em bem. Ficamos assim e não se fala mais nisso.
– Então, boa tarde.
– Boa tarde, olhe!
– Diga?
– Mas se se quiserem divorciar outra vez, avise-me, está bem?
– Esteja descansado, doutor, esteja descansado. (Venho logo a correr.)
18 setembro 2006
Pó ano há mais.
As cunhadas.
- É bem feita! Já há muito tempo que eu andava desconfiada dela...
Ai mas isto foi uma coisa...!
- Tens razão, muito embora não tivesse muita ligação com ela, até porque fui sempre de manter a distância, achava que havia ali algo que mordiscava a minha sensibilidade. –
Mantiveram uns momentos de silêncio e deram mais uns passos.
- Sabes? Querida cunhada, é tudo uma questão de educação, de berço. Nós somos de outras famílias, de outros círculos. Enfim! Não nos fica mal dizê-lo porque estamos só aqui as duas, e ninguém nos ouve, mas sabes?...
- Nós somos a nata da sociedade, e ela... –
E rindo ligeiramente, sentindo a partilha e a cumplicidade consoladora a coroar o sentimento de distinção por pertencerem à mesma elite, levantaram ambas quase em simultâneo a chávena de chá de louça ultra fina em porcelana Japonesa.
Deram um sorvo delicado, olharam em redor ao longo do manto verde pintalgado de coloridos e continuaram em silêncio, caminhando devagar até ao balcão que separava o pátio do palacete do imenso jardim, enquanto afagavam com uma mão o calor na base do pires e com a outra a asa da chávena. Estávamos num dos últimos dias em que o fresco do ar anuncia a mudança de estação e em que o sol acaricia ainda com prazer as poucas horas claras do dia. Quase em simultâneo levantaram as chávenas, bebendo praticamente de seguida o resto do chá agora já menos quente a fazer sobressair o gosto a doce do açúcar que resta num fino manto, quase lençol de seda, revelado aos sentidos no salivar do último sorvo.
Detiveram-se nos desenhos de corpos em lascívias, emergentes através dos fundos translúcidos postos a nu pela luz que as atravessava e expunha corpos de amantes em entregas e volúpias de sonho. Estilizados e a seguir a configuração circular do fundo do recipiente, sugeriam muito levemente as posturas fetais. Felatios e cunilungus em imagens feitas de traços finos revelavam, após segundas ou terceiras leituras, novas imagens. Genitais envolvidos em línguas e peitos, em grande plano, que se viam durante uns instantes e perdiam-se novamente na leitura dos corpos inicialmente expostos ao primeiro contacto com os olhos e que se recuperavam outra vez, fazendo o olhar coincidir com as linhas mestras quase escondidas dessas outras e mais intensas intenções.
Pousaram as chávenas.
Olharam uma para a outra. De pensamentos gémeos, sem querer transparecer o que os seus olhares traíam irremediavelmente.
Em silêncio desviaram a atenção para o relvado e para mais além onde as imagens das recordações foram tomando o lugar da aguarela de tons e luz, de verde e sombras, pintalgados aqui e ali pelos pontos de cor a anunciar a despedida, o fim duma época.
Sim. O Pedro tinha andado em segredo com as duas. Nunca saberiam uma pela boca da outra dos encontros secretos na casa das arrumações, ao fundo do jardim, quase escondida pela vegetação, e onde ele dormia no meio dos apetrechos de jardinagem. Das cenas que agora uma e outra saboreavam intimamente em gostos de amargura ao sabê-lo agora com ela; a outra, cunhada por casamento em segundas núpcias do irmão bastante mais velho, entretanto falecido, e mulher sem qualquer traço de nobreza, ascendência familiar ou fortuna.
Como era possível o Pedro ter feito aquilo.?
E logo com ela!
Ainda há poucos dias havia estado com uma delas, tinha ele acabado de dar banho, hábito provençal e desusado, após ter terminado os trabalhos de jardim. Ainda nu, de toalha ao redor do tronco e cabelo molhado, desgrenhado.
Ela tinha entrado suavemente, vestida em trajes leves, verificando se não estava ninguém a ver, detendo-se no corpo musculado e nu do seu serviçal. Nem esperou mais. Atirou-se a ele de lábios e corpo em ebulição rebolando sobre o sofá vermelho que ele tinha quase como único adereço. Meu Deus. como aquele homem a preenchia...
Ai...! Como ele e só ele a sabia levar às nuvens! E em quinze anos a viver naquele palácio com um marido quase sempre ausente em Paris nos meandros da corte, tirando os banquetes mensais e as breves aventuras vividas com o jardineiro, toda a vida se resumia à rotina da criadagem e aos chás servidos às rodas de visitas em eternas maledicências. Na forma dissimulada como criavam e desfaziam as tricas entre si, cunhadas condenadas a viver juntas, pesasse embora a grandeza daquele espaço. Odiavam-se profundamente, embora partilhassem sem que uma da outra soubesse, as delícias daquele corpo agora ausente para sempre.
Voltaram para dentro.
- Temos de falar aos nossos maridos, para arranjarem um novo jardineiro, agora que o Pedro se foi. –
- Pois...- Respondeu a cunhada. Esperou um pouco e inspirou fundo.
- Os jardins estavam sempre tão bem cuidados... -
- Ele era ainda novo, mas tinha bom gosto e era cumpridor... -
E voltou a face para esconder o rubor enquanto se afastava rapidamente para os seus aposentos, deixando a cunhada só e a olhar para o fundo do jardim através da porta ainda meio aberta.
Ai mas isto foi uma coisa...!
- Tens razão, muito embora não tivesse muita ligação com ela, até porque fui sempre de manter a distância, achava que havia ali algo que mordiscava a minha sensibilidade. –
Mantiveram uns momentos de silêncio e deram mais uns passos.
- Sabes? Querida cunhada, é tudo uma questão de educação, de berço. Nós somos de outras famílias, de outros círculos. Enfim! Não nos fica mal dizê-lo porque estamos só aqui as duas, e ninguém nos ouve, mas sabes?...
- Nós somos a nata da sociedade, e ela... –
E rindo ligeiramente, sentindo a partilha e a cumplicidade consoladora a coroar o sentimento de distinção por pertencerem à mesma elite, levantaram ambas quase em simultâneo a chávena de chá de louça ultra fina em porcelana Japonesa.
Deram um sorvo delicado, olharam em redor ao longo do manto verde pintalgado de coloridos e continuaram em silêncio, caminhando devagar até ao balcão que separava o pátio do palacete do imenso jardim, enquanto afagavam com uma mão o calor na base do pires e com a outra a asa da chávena. Estávamos num dos últimos dias em que o fresco do ar anuncia a mudança de estação e em que o sol acaricia ainda com prazer as poucas horas claras do dia. Quase em simultâneo levantaram as chávenas, bebendo praticamente de seguida o resto do chá agora já menos quente a fazer sobressair o gosto a doce do açúcar que resta num fino manto, quase lençol de seda, revelado aos sentidos no salivar do último sorvo.
Detiveram-se nos desenhos de corpos em lascívias, emergentes através dos fundos translúcidos postos a nu pela luz que as atravessava e expunha corpos de amantes em entregas e volúpias de sonho. Estilizados e a seguir a configuração circular do fundo do recipiente, sugeriam muito levemente as posturas fetais. Felatios e cunilungus em imagens feitas de traços finos revelavam, após segundas ou terceiras leituras, novas imagens. Genitais envolvidos em línguas e peitos, em grande plano, que se viam durante uns instantes e perdiam-se novamente na leitura dos corpos inicialmente expostos ao primeiro contacto com os olhos e que se recuperavam outra vez, fazendo o olhar coincidir com as linhas mestras quase escondidas dessas outras e mais intensas intenções.
Pousaram as chávenas.
Olharam uma para a outra. De pensamentos gémeos, sem querer transparecer o que os seus olhares traíam irremediavelmente.
Em silêncio desviaram a atenção para o relvado e para mais além onde as imagens das recordações foram tomando o lugar da aguarela de tons e luz, de verde e sombras, pintalgados aqui e ali pelos pontos de cor a anunciar a despedida, o fim duma época.
Sim. O Pedro tinha andado em segredo com as duas. Nunca saberiam uma pela boca da outra dos encontros secretos na casa das arrumações, ao fundo do jardim, quase escondida pela vegetação, e onde ele dormia no meio dos apetrechos de jardinagem. Das cenas que agora uma e outra saboreavam intimamente em gostos de amargura ao sabê-lo agora com ela; a outra, cunhada por casamento em segundas núpcias do irmão bastante mais velho, entretanto falecido, e mulher sem qualquer traço de nobreza, ascendência familiar ou fortuna.
Como era possível o Pedro ter feito aquilo.?
E logo com ela!
Ainda há poucos dias havia estado com uma delas, tinha ele acabado de dar banho, hábito provençal e desusado, após ter terminado os trabalhos de jardim. Ainda nu, de toalha ao redor do tronco e cabelo molhado, desgrenhado.
Ai...! Como ele e só ele a sabia levar às nuvens! E em quinze anos a viver naquele palácio com um marido quase sempre ausente em Paris nos meandros da corte, tirando os banquetes mensais e as breves aventuras vividas com o jardineiro, toda a vida se resumia à rotina da criadagem e aos chás servidos às rodas de visitas em eternas maledicências. Na forma dissimulada como criavam e desfaziam as tricas entre si, cunhadas condenadas a viver juntas, pesasse embora a grandeza daquele espaço. Odiavam-se profundamente, embora partilhassem sem que uma da outra soubesse, as delícias daquele corpo agora ausente para sempre.
Voltaram para dentro.
- Temos de falar aos nossos maridos, para arranjarem um novo jardineiro, agora que o Pedro se foi. –
- Pois...- Respondeu a cunhada. Esperou um pouco e inspirou fundo.
- Os jardins estavam sempre tão bem cuidados... -
- Ele era ainda novo, mas tinha bom gosto e era cumpridor... -
E voltou a face para esconder o rubor enquanto se afastava rapidamente para os seus aposentos, deixando a cunhada só e a olhar para o fundo do jardim através da porta ainda meio aberta.
CISTERNA da Gotinha
Já conhecem a Eva Padberg ?!
Scarlett Johansson está cada vez mais requisitada.
Culinária: receitas com Viagra. (cozinhado pela Fresquinha)
O Cone sexual está a vir-se!!
Aquário é um bom signo, não concordam meninas??!
Eroticismo pela Wikipedia.
Boas vibrações

Desde pequenina que vou ao dentista e talvez daí advenha a minha satisfação por essas salas de prazer, tanto mais que as suas caminhas articuladas melhoraram substancialmente nas últimas décadas.
Tudo ali é filiforme: a broca vibratória, o tubinho de água para nos humedecer a boca, o aspirador de saliva, a torneirinha do spray da pré-anestesia, a seringa que usualmente tem um diâmetro considerável.
O meu primeiro dentista era um velhote simpático que na época tinha a enormidade de quarenta e muitos anos. Mas progressivamente foram-se tornando cada vez mais jovens e apetecíveis. O último era um moreno alto, gaiato no sorriso, no cabelo espetado e no capacete arrumado a um canto do consultório, mas com uma impressionante traseira nas calças que de maneira nenhuma se devia à marca das mesmas. O toque meigo dos seus dedos no meu pescoço sempre que me colocava o babete injectava-me logo um torpor coluna vertebral abaixo. Depois, deitava-me suavemente para a minha boca ficar à mercê de todos os utensílios que lá queria colocar, entreabrindo-me os lábios com os seus dedos. A distância do seu tronco ao meu era mínima enquanto os seus braços desenhavam arabescos na execução do seu trabalho no que me parecia mais a recriação de uma dança do ventre.
E já que era o homem que me deixava horas de boca aberta, apardalada a olhar para ele, no último tratamento, à despedida, já com a assistente do lado de fora do consultório, fixando-lhe alternadamente os olhos e o ponto onde se nota que as pernas arqueiam, referi que há muito não dava uma voltinha de mota e indaguei se podia experimentar a dele. E como numa velhinha canção do Fausto, ele disse que sim.
Tudo ali é filiforme: a broca vibratória, o tubinho de água para nos humedecer a boca, o aspirador de saliva, a torneirinha do spray da pré-anestesia, a seringa que usualmente tem um diâmetro considerável.
O meu primeiro dentista era um velhote simpático que na época tinha a enormidade de quarenta e muitos anos. Mas progressivamente foram-se tornando cada vez mais jovens e apetecíveis. O último era um moreno alto, gaiato no sorriso, no cabelo espetado e no capacete arrumado a um canto do consultório, mas com uma impressionante traseira nas calças que de maneira nenhuma se devia à marca das mesmas. O toque meigo dos seus dedos no meu pescoço sempre que me colocava o babete injectava-me logo um torpor coluna vertebral abaixo. Depois, deitava-me suavemente para a minha boca ficar à mercê de todos os utensílios que lá queria colocar, entreabrindo-me os lábios com os seus dedos. A distância do seu tronco ao meu era mínima enquanto os seus braços desenhavam arabescos na execução do seu trabalho no que me parecia mais a recriação de uma dança do ventre.
E já que era o homem que me deixava horas de boca aberta, apardalada a olhar para ele, no último tratamento, à despedida, já com a assistente do lado de fora do consultório, fixando-lhe alternadamente os olhos e o ponto onde se nota que as pernas arqueiam, referi que há muito não dava uma voltinha de mota e indaguei se podia experimentar a dele. E como numa velhinha canção do Fausto, ele disse que sim.
SirHaiva, voltaste de férias, agora regressa ao trabalho!

Filmes indianos com legendas à SirHaiva
descobertos pela Matahary
17 setembro 2006
A nossa Maravilha...

Encontra-se em fase de acabamento, por parte de uma reconhecida empresa das Caldas da Rainha, o monumento com o qual esta FundaSão irá concorrer ao desafio “As novas 7 Maravilhas do Mundo”
raim's blog
de martelo gentil e agudo escopro
se dirige o artista ao alabastro
e num tempo que durou um leve sopro
empinou ao céu azul tremendo mastro
ninguém soube donde veio a sugestão
e o aplauso ressoou em tal arena
mas p´ra mim ali faltou inspiração
p´ra esculpir húmida cona nessa cena
pois que mastro sem continente estiola
e o alabastro fica mal se encolhido
mas se à mão tiver aquilo que o consola
para os céus permanecerá erguido."
E a Espectacológica vai-lhe logo atrás:
mas não deve passar duma redoma
preparada assim para o momento
e para que ninguém entre em coma
e quando chega à praça a bela cona
todos deixam de olhar para aquilo
ela veio-se para tirar a lona
e saudá-la em grande estilo
assim o monumento se mostrou
com essa tal redoma do caralho
todos a rir e assim se brindou
enquanto não se ia mascar alho."
ela: não.
ele: não, o quê?
ela: não, nada.
ele: não nada, o quê?
ela: nunca percebes nada...
ele: não percebo o quê?
ela: não.
ele (encolhendo os ombros): está bem.
Garfanho
[zb] ele: Ah, não te importas. Ok.
[espectacologica] ela (encolhendo os ombros): Nunca irias entender...
ele: não, o quê?
ela: não, nada.
ele: não nada, o quê?
ela: nunca percebes nada...
ele: não percebo o quê?
ela: nada.
ele: não?ela: não.
ele (encolhendo os ombros): está bem.
Garfanho
[zb] ele: Ah, não te importas. Ok.
[espectacologica] ela (encolhendo os ombros): Nunca irias entender...
Sátiros, Freiras e Gaiteiros
Alguma outra mistura poderá ser mais erótica?

Os Gaiteiros de Lisboa publicaram o CD «Sátiro», que inclui um tema popular delicioso, a que Carlos Guerreiro deu uns toques e fez um arranjo à Gaiteiros - «as Freiras de Santa Clara»:
As freiras de Santa Clara
Quando vão rezar ao coro
Dizem umas para as outras
Quem me dera um namoro
Cebolório
Bacalhau cozido
Bacalhau assado
Muito bem cozido com dentinho de alho
Resina para tirar calos
Ora pro nobis
As freiras de Santa Clara
Quando vão rezar matinas
Dizem umas para as outras
Quem nos dera amar meninas
As freiras de Santa Clara
Às quatro da madrugada
Dizem umas para as outras
Quem nos dera uma gaitada.
E os Gaiteiros dão-lhes mesmo a gaitada que estão a pedir. Como eles próprios dizem, "Porquê «Gaiteiros de Lisboa»? Talvez porque em Lisboa não há gaiteiros ... E daí, talvez responder afirmativamente. Gaiteiros, porque em bom português «gaita» tem um bom punhado de significados diferentes (sim também esse)". Eles sabem que gaja que é gaja gosta de gaita que é gaita.
E se a música é o espanto de sempre, as ilustrações da capa e do próprio CD - de João Lemos - deixam-me toda molhadinha... hmmm...
Quem me dera ter um desenho destes na minha colecção de arte erótica (não sei se já vos tinha dito que tenho uma colecção de arte erótica)...


Quando vão rezar ao coro
Dizem umas para as outras
Quem me dera um namoro
Cebolório
Bacalhau cozido
Bacalhau assado
Muito bem cozido
Resina para tirar calos
Ora pro nobis
As freiras de Santa Clara
Quando vão rezar matinas
Dizem umas para as outras
Quem nos dera amar meninas
As freiras de Santa Clara
Às quatro da madrugada
Dizem umas para as outras
Quem nos dera uma gaitada.
E os Gaiteiros dão-lhes mesmo a gaitada que estão a pedir. Como eles próprios dizem, "Porquê «Gaiteiros de Lisboa»? Talvez porque em Lisboa não há gaiteiros ... E daí, talvez responder afirmativamente. Gaiteiros, porque em bom português «gaita» tem um bom punhado de significados diferentes (sim também esse)". Eles sabem que gaja que é gaja gosta de gaita que é gaita.
E se a música é o espanto de sempre, as ilustrações da capa e do próprio CD - de João Lemos - deixam-me toda molhadinha... hmmm...
Quem me dera ter um desenho destes na minha colecção de arte erótica (não sei se já vos tinha dito que tenho uma colecção de arte erótica)...

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