21 setembro 2006
20 setembro 2006
CISTERNA da Gotinha
Castidade e amor em tons vermelhos.
Quem é que quer ter visão Raio-X?!
A menina não larga o xaile... deve ser da brisa outonal que se avizinha.
Yolanthe Cabau: alemã.
Eva Herzigova mostra o que é um decote à séria!
Com um vestido tão pindérico que mais parece um saco de batatas a única solução era mesmo esta!
Já te fizeram muitos bicos?

O pro metido é de vido (pro e vido?!), por isso aqui está a prova de que as minhas t-shirts, nomeadamente a «Faz-me um Bico», estão a ser um sucesso: se havia Lacostes, Armanis, Adidas,... pirateadas na feira de Carcavelos, agora também a «Faz-me um bico» teve direito a esta homenagem. Abençoado povo português que copia e mal!...
Entretanto, os DJ's porreiraços do blog Sorrisos em alta publicitaram a t-shirt «Faz-me um Bico» e mostram que até vão para o trabalho (rico trabalho...) com farda apropriada, como nesta actuação deles no Etílico:


E tu, estás à espera de quê para te fazerem bicos?
Tango e Vira

Apesar da hora tardia, estava um calor de ananazes como escreveria o Eça e o som do saxofone na drive do computador apenas o acentuava. Recostei-me mais na cadeira regulável e ajustei às orelhas os auscultadores sem fios. Regulei a posição da camarazita, testando a imagem e sabendo-o do outro lado comecei a desapertar o soutien, após a tradicional queda das alças do mesmo. Desci as mãos até à tanga para a encostar à perna e fazer deslizar o médio pela minha pista.
Imóvel na sua cadeira ele sussurou-me que retirasse a string e me virasse. Que de pés no chão me apoiasse na cadeira. Que me ajoelhasse em cima da cadeira. Que alçasse o traseiro. Que exibisse as aberturas com ajuda digital. Que gemesse. Que falasse francês. E não parava de ditar posições numa voz ofegante, com a peculiaridade de todas me imobilizarem de costas para o monitor como um crente nos tempos em que as missas eram ditas em latim.
Aquela sanfona constante parecia a tortura do pingo de água de torneira e com a minha falta de jeito para caniche amestrada não foi tarde nem cedo para me virar para o meco e dar com ele na janelita, de mãos pregadas ao pilarete. Obedecer-lhe mais seria tão obsceno como ser palestiniana na faixa de Gaza e ainda agradecer a penetração.
Imóvel na sua cadeira ele sussurou-me que retirasse a string e me virasse. Que de pés no chão me apoiasse na cadeira. Que me ajoelhasse em cima da cadeira. Que alçasse o traseiro. Que exibisse as aberturas com ajuda digital. Que gemesse. Que falasse francês. E não parava de ditar posições numa voz ofegante, com a peculiaridade de todas me imobilizarem de costas para o monitor como um crente nos tempos em que as missas eram ditas em latim.
Aquela sanfona constante parecia a tortura do pingo de água de torneira e com a minha falta de jeito para caniche amestrada não foi tarde nem cedo para me virar para o meco e dar com ele na janelita, de mãos pregadas ao pilarete. Obedecer-lhe mais seria tão obsceno como ser palestiniana na faixa de Gaza e ainda agradecer a penetração.
19 setembro 2006
Dá-mum beijinho...
Os Lábios são desde sempre um depósito por excelência de terminais nervosos. E depois, queixam-se que o ser humano se tenha tornado lascivo. Pergunto: se não era para isto... [ 1 | 2 | 3 | 4 | 5 ] porque é que a evolução da espécie lá colocou os supracitados terminais nervosos em abundância obscena? Hã? |
Ora longe de mim ir contra a mãe natureza, e portanto só posso aconselhar que se beijem, beijem-se muito, como se fora esta noite a última vez.
Com um bocado de sorte até aparece um estudo qualquer cientifico a provar que o beijo previne o cancro... ou as hemorróidas...
O Divórcio ou por que tem tudo de ser normal?
O meu advogado liga-me, tem urgência em falar comigo.
– Pode vir já?
– Posso.
Vou.
Faz-me esperar, mandam-me entrar, cumprimenta-me e avança:
– Há um problema com o seu divórcio.
– Um problema?!
– Sim, um problema.
– Qual problema?
– A sua mulher.
– A minha mulher não é um problema do divórcio, é do casamento.
O advogado sorri só para me fazer o jeito.
– Ainda bem que está bem disposto…
– Estava. Afinal qual é o problema?
– A sua mulher disse-me que já não se quer divorciar.
– Não?! Porquê?
– Diz que ainda o ama.
– A mim?
– A mim é que não é!
– Vejo que está bem disposto.
– Achei graça à sua cara. Desculpe lá.
– Mas quando é que ela lhe disse isso?
– No sábado à noite.
– À noite?! No sábado à noite!?
– Estivemos a jantar.
– Estiveram a jantar?
– Sim, estivemos.
– E?!
– E jantámos bem, fomos a um restaurantezinho simpático, sossegado. Correu bem.
– Oiça lá, ó doutor, há aqui qualquer coisa que me está a escapar.
– Diga, homem, desembuche!
– O doutor chama-me aqui para me dizer que a minha mulher lhe disse ao jantar que já não se quer divorciar…
– Não foi ao jantar.
– Não?! Então foi quando?
– Foi depois. Fomos beber um copo…
– Não! O doutor está a gozar comigo, não está? Foram beber um copo!?
– Foi…
– E ela disse-lhe que já não se quer divorciar?! Que ainda me ama?!
– Sim, disse. Disse depois.
– Depois de quê?! (Nem sei se quero saber.)
– Quer ou não?
– Não sei… Quero… Diga lá, depois de quê?
– Depois de bebermos uns copos no bar e de termos ido para casa…
– Para casa?! Para casa de quem?
– Ah! Hum… Acho que isso não é muito importante…
– Foram para a minha casa?!
– Para a casa dela.
– E minha, desculpe!
– E sua, sim.
– E ela já não quer o divórcio?
– Pois não.
– E disse-lhe que ainda me ama?
– Pois foi.
– E o doutor?
– Eu não o amo.
– Quanto a isso estamos descansados!
– Ah! Ah! Ah!
– O que é que o doutor fez?
– Vim-me embora.
– Vestiu-se e veio-se embora?
– Pois foi, vesti a camisa e vim-me embora. Ela ainda o ama.
– E não fizeram nada?
– Pouca coisa.
– Estou a ver… E ela já não se quer divorciar?
– Já lhe disse. Não, não quer.
– E está a contar-me isto tudo porquê?
– Como seu advogado tenho de ser completamente leal e franco.
– Ah! Tentar dormir com a minha mulher é ser leal?!
– Os senhores estão separados.
– Estou a ver.
– Ah! Ah! Ah!
– Está a rir-se de quê?
– É mentira! Ah! Ah!
– É mentira? O que é que é mentira?
– A parte de nós termos feito pouca coisa.
– Desculpe?
– Está desculpado!
– O doutor esteve a beber?
– A beber?!
– Sim, a beber bebidas alcoólicas, esteve?!
– Hum, ao almoço bebi qualquer coisita…
– Qualquer coisita, não me diga…
– Quer dizer, não foi bem qualquer coisita.
– Estou a ver e exactamente em que momento é que ela lhe disse que já não se queria divorciar?
– Em que momento? Em que momento exacto?!
– Sim, quando é que foi?
– Quer saber, mesmo?
– Quero, agora quero!
– Foi quando eu estava a tentar tirar-lhe o soutien e as cuecas.
– Foi?!
– Foi, mas não consegui. Já estava um bocadito tocado, sabe? E tentei fazer tudo ao mesmo tempo… Acho que fui um bocado desastrado.
– Estou a ver… E ela, então, disse-lhe que já não se queria divorciar?
– Pois foi. Veja lá! Levantou-se e disse que não conseguia trai-lo, que ainda o amava, que já não se queria divorciar e pediu-me para sair.
– E o doutor?
– Eu não estava em condições de a contradizer ou insistir no divórcio… Tinha de dizer mal de si, está a ver?
– De mim, porquê?
– Então, tinha de lhe dizer que você é um pulha, um animal, uma besta, sei lá, qualquer coisa para lhe mostrar que o único caminho é o divórcio…
– Não podia fazer a coisa por menos?
– Se a queria comer, não. Tinha de ser definitivo!
– Mas não disse?!
– Claro que não, afinal você é meu cliente, tenho ética, escrúpulos…
– Ainda bem…
– E além do mais, naquele estado já não conseguia comer nada. Ia fazer uma figura triste.
– E nós não queremos isso!
– Você não sei, mas eu não quero.
– E para pedir a conta é a quem?
– Qual conta?
– A sua, os honorários do doutor…
– Porquê?! Não me diga que ficou ressentido comigo. Olhe que eu acho…
– Não, não fiquei nada ressentido, mas se já não há divórcio, podemos arrumar o processo.
– Estou a ver, estou a ver, é capaz de ter razão. O melhor é reconciliarem-se. Olhe que não arranja melhor.
– Não?
– A sua mulher é um pedaço, com todo o respeito, mas é um pedaço… Foi uma pena eu não me ter controlado na bebida, tinha sido uma noite de sonho…
– (Mas não melhor que esta tarde.)
– Diga?
– Nada, nada. O doutor acha que a provisão que lhe dei chega?
– A provisão? Ah! Sim, sim, é capaz… Chega! Gosto quando as coisas acabam em bem. Ficamos assim e não se fala mais nisso.
– Então, boa tarde.
– Boa tarde, olhe!
– Diga?
– Mas se se quiserem divorciar outra vez, avise-me, está bem?
– Esteja descansado, doutor, esteja descansado. (Venho logo a correr.)
– Pode vir já?
– Posso.
Vou.
Faz-me esperar, mandam-me entrar, cumprimenta-me e avança:
– Há um problema com o seu divórcio.
– Um problema?!
– Sim, um problema.
– Qual problema?
– A sua mulher.
– A minha mulher não é um problema do divórcio, é do casamento.
O advogado sorri só para me fazer o jeito.
– Ainda bem que está bem disposto…
– Estava. Afinal qual é o problema?
– A sua mulher disse-me que já não se quer divorciar.
– Não?! Porquê?
– Diz que ainda o ama.
– A mim?
– A mim é que não é!
– Vejo que está bem disposto.
– Achei graça à sua cara. Desculpe lá.
– Mas quando é que ela lhe disse isso?
– No sábado à noite.
– À noite?! No sábado à noite!?
– Estivemos a jantar.
– Estiveram a jantar?
– Sim, estivemos.
– E?!
– E jantámos bem, fomos a um restaurantezinho simpático, sossegado. Correu bem.
– Oiça lá, ó doutor, há aqui qualquer coisa que me está a escapar.
– Diga, homem, desembuche!
– O doutor chama-me aqui para me dizer que a minha mulher lhe disse ao jantar que já não se quer divorciar…
– Não foi ao jantar.
– Não?! Então foi quando?
– Foi depois. Fomos beber um copo…
– Não! O doutor está a gozar comigo, não está? Foram beber um copo!?
– Foi…
– E ela disse-lhe que já não se quer divorciar?! Que ainda me ama?!
– Sim, disse. Disse depois.
– Depois de quê?! (Nem sei se quero saber.)
– Quer ou não?
– Não sei… Quero… Diga lá, depois de quê?
– Depois de bebermos uns copos no bar e de termos ido para casa…
– Para casa?! Para casa de quem?
– Ah! Hum… Acho que isso não é muito importante…
– Foram para a minha casa?!
– Para a casa dela.
– E minha, desculpe!
– E sua, sim.
– E ela já não quer o divórcio?
– Pois não.
– E disse-lhe que ainda me ama?
– Pois foi.
– E o doutor?
– Eu não o amo.
– Quanto a isso estamos descansados!
– Ah! Ah! Ah!
– O que é que o doutor fez?
– Vim-me embora.
– Vestiu-se e veio-se embora?
– Pois foi, vesti a camisa e vim-me embora. Ela ainda o ama.
– E não fizeram nada?
– Pouca coisa.
– Estou a ver… E ela já não se quer divorciar?
– Já lhe disse. Não, não quer.
– E está a contar-me isto tudo porquê?
– Como seu advogado tenho de ser completamente leal e franco.
– Ah! Tentar dormir com a minha mulher é ser leal?!
– Os senhores estão separados.
– Estou a ver.
– Ah! Ah! Ah!
– Está a rir-se de quê?
– É mentira! Ah! Ah!
– É mentira? O que é que é mentira?
– A parte de nós termos feito pouca coisa.
– Desculpe?
– Está desculpado!
– O doutor esteve a beber?
– A beber?!
– Sim, a beber bebidas alcoólicas, esteve?!
– Hum, ao almoço bebi qualquer coisita…
– Qualquer coisita, não me diga…
– Quer dizer, não foi bem qualquer coisita.
– Estou a ver e exactamente em que momento é que ela lhe disse que já não se queria divorciar?
– Em que momento? Em que momento exacto?!
– Sim, quando é que foi?
– Quer saber, mesmo?
– Quero, agora quero!
– Foi quando eu estava a tentar tirar-lhe o soutien e as cuecas.
– Foi?!
– Foi, mas não consegui. Já estava um bocadito tocado, sabe? E tentei fazer tudo ao mesmo tempo… Acho que fui um bocado desastrado.
– Estou a ver… E ela, então, disse-lhe que já não se queria divorciar?
– Pois foi. Veja lá! Levantou-se e disse que não conseguia trai-lo, que ainda o amava, que já não se queria divorciar e pediu-me para sair.
– E o doutor?
– Eu não estava em condições de a contradizer ou insistir no divórcio… Tinha de dizer mal de si, está a ver?
– De mim, porquê?
– Então, tinha de lhe dizer que você é um pulha, um animal, uma besta, sei lá, qualquer coisa para lhe mostrar que o único caminho é o divórcio…
– Não podia fazer a coisa por menos?
– Se a queria comer, não. Tinha de ser definitivo!
– Mas não disse?!
– Claro que não, afinal você é meu cliente, tenho ética, escrúpulos…
– Ainda bem…
– E além do mais, naquele estado já não conseguia comer nada. Ia fazer uma figura triste.
– E nós não queremos isso!
– Você não sei, mas eu não quero.
– E para pedir a conta é a quem?
– Qual conta?
– A sua, os honorários do doutor…
– Porquê?! Não me diga que ficou ressentido comigo. Olhe que eu acho…
– Não, não fiquei nada ressentido, mas se já não há divórcio, podemos arrumar o processo.
– Estou a ver, estou a ver, é capaz de ter razão. O melhor é reconciliarem-se. Olhe que não arranja melhor.
– Não?
– A sua mulher é um pedaço, com todo o respeito, mas é um pedaço… Foi uma pena eu não me ter controlado na bebida, tinha sido uma noite de sonho…
– (Mas não melhor que esta tarde.)
– Diga?
– Nada, nada. O doutor acha que a provisão que lhe dei chega?
– A provisão? Ah! Sim, sim, é capaz… Chega! Gosto quando as coisas acabam em bem. Ficamos assim e não se fala mais nisso.
– Então, boa tarde.
– Boa tarde, olhe!
– Diga?
– Mas se se quiserem divorciar outra vez, avise-me, está bem?
– Esteja descansado, doutor, esteja descansado. (Venho logo a correr.)
18 setembro 2006
Pó ano há mais.
As cunhadas.
- É bem feita! Já há muito tempo que eu andava desconfiada dela...
Ai mas isto foi uma coisa...!
- Tens razão, muito embora não tivesse muita ligação com ela, até porque fui sempre de manter a distância, achava que havia ali algo que mordiscava a minha sensibilidade. –
Mantiveram uns momentos de silêncio e deram mais uns passos.
- Sabes? Querida cunhada, é tudo uma questão de educação, de berço. Nós somos de outras famílias, de outros círculos. Enfim! Não nos fica mal dizê-lo porque estamos só aqui as duas, e ninguém nos ouve, mas sabes?...
- Nós somos a nata da sociedade, e ela... –
E rindo ligeiramente, sentindo a partilha e a cumplicidade consoladora a coroar o sentimento de distinção por pertencerem à mesma elite, levantaram ambas quase em simultâneo a chávena de chá de louça ultra fina em porcelana Japonesa.
Deram um sorvo delicado, olharam em redor ao longo do manto verde pintalgado de coloridos e continuaram em silêncio, caminhando devagar até ao balcão que separava o pátio do palacete do imenso jardim, enquanto afagavam com uma mão o calor na base do pires e com a outra a asa da chávena. Estávamos num dos últimos dias em que o fresco do ar anuncia a mudança de estação e em que o sol acaricia ainda com prazer as poucas horas claras do dia. Quase em simultâneo levantaram as chávenas, bebendo praticamente de seguida o resto do chá agora já menos quente a fazer sobressair o gosto a doce do açúcar que resta num fino manto, quase lençol de seda, revelado aos sentidos no salivar do último sorvo.
Detiveram-se nos desenhos de corpos em lascívias, emergentes através dos fundos translúcidos postos a nu pela luz que as atravessava e expunha corpos de amantes em entregas e volúpias de sonho. Estilizados e a seguir a configuração circular do fundo do recipiente, sugeriam muito levemente as posturas fetais. Felatios e cunilungus em imagens feitas de traços finos revelavam, após segundas ou terceiras leituras, novas imagens. Genitais envolvidos em línguas e peitos, em grande plano, que se viam durante uns instantes e perdiam-se novamente na leitura dos corpos inicialmente expostos ao primeiro contacto com os olhos e que se recuperavam outra vez, fazendo o olhar coincidir com as linhas mestras quase escondidas dessas outras e mais intensas intenções.
Pousaram as chávenas.
Olharam uma para a outra. De pensamentos gémeos, sem querer transparecer o que os seus olhares traíam irremediavelmente.
Em silêncio desviaram a atenção para o relvado e para mais além onde as imagens das recordações foram tomando o lugar da aguarela de tons e luz, de verde e sombras, pintalgados aqui e ali pelos pontos de cor a anunciar a despedida, o fim duma época.
Sim. O Pedro tinha andado em segredo com as duas. Nunca saberiam uma pela boca da outra dos encontros secretos na casa das arrumações, ao fundo do jardim, quase escondida pela vegetação, e onde ele dormia no meio dos apetrechos de jardinagem. Das cenas que agora uma e outra saboreavam intimamente em gostos de amargura ao sabê-lo agora com ela; a outra, cunhada por casamento em segundas núpcias do irmão bastante mais velho, entretanto falecido, e mulher sem qualquer traço de nobreza, ascendência familiar ou fortuna.
Como era possível o Pedro ter feito aquilo.?
E logo com ela!
Ainda há poucos dias havia estado com uma delas, tinha ele acabado de dar banho, hábito provençal e desusado, após ter terminado os trabalhos de jardim. Ainda nu, de toalha ao redor do tronco e cabelo molhado, desgrenhado.
Ela tinha entrado suavemente, vestida em trajes leves, verificando se não estava ninguém a ver, detendo-se no corpo musculado e nu do seu serviçal. Nem esperou mais. Atirou-se a ele de lábios e corpo em ebulição rebolando sobre o sofá vermelho que ele tinha quase como único adereço. Meu Deus. como aquele homem a preenchia...
Ai...! Como ele e só ele a sabia levar às nuvens! E em quinze anos a viver naquele palácio com um marido quase sempre ausente em Paris nos meandros da corte, tirando os banquetes mensais e as breves aventuras vividas com o jardineiro, toda a vida se resumia à rotina da criadagem e aos chás servidos às rodas de visitas em eternas maledicências. Na forma dissimulada como criavam e desfaziam as tricas entre si, cunhadas condenadas a viver juntas, pesasse embora a grandeza daquele espaço. Odiavam-se profundamente, embora partilhassem sem que uma da outra soubesse, as delícias daquele corpo agora ausente para sempre.
Voltaram para dentro.
- Temos de falar aos nossos maridos, para arranjarem um novo jardineiro, agora que o Pedro se foi. –
- Pois...- Respondeu a cunhada. Esperou um pouco e inspirou fundo.
- Os jardins estavam sempre tão bem cuidados... -
- Ele era ainda novo, mas tinha bom gosto e era cumpridor... -
E voltou a face para esconder o rubor enquanto se afastava rapidamente para os seus aposentos, deixando a cunhada só e a olhar para o fundo do jardim através da porta ainda meio aberta.
Ai mas isto foi uma coisa...!
- Tens razão, muito embora não tivesse muita ligação com ela, até porque fui sempre de manter a distância, achava que havia ali algo que mordiscava a minha sensibilidade. –
Mantiveram uns momentos de silêncio e deram mais uns passos.
- Sabes? Querida cunhada, é tudo uma questão de educação, de berço. Nós somos de outras famílias, de outros círculos. Enfim! Não nos fica mal dizê-lo porque estamos só aqui as duas, e ninguém nos ouve, mas sabes?...
- Nós somos a nata da sociedade, e ela... –
E rindo ligeiramente, sentindo a partilha e a cumplicidade consoladora a coroar o sentimento de distinção por pertencerem à mesma elite, levantaram ambas quase em simultâneo a chávena de chá de louça ultra fina em porcelana Japonesa.
Deram um sorvo delicado, olharam em redor ao longo do manto verde pintalgado de coloridos e continuaram em silêncio, caminhando devagar até ao balcão que separava o pátio do palacete do imenso jardim, enquanto afagavam com uma mão o calor na base do pires e com a outra a asa da chávena. Estávamos num dos últimos dias em que o fresco do ar anuncia a mudança de estação e em que o sol acaricia ainda com prazer as poucas horas claras do dia. Quase em simultâneo levantaram as chávenas, bebendo praticamente de seguida o resto do chá agora já menos quente a fazer sobressair o gosto a doce do açúcar que resta num fino manto, quase lençol de seda, revelado aos sentidos no salivar do último sorvo.
Detiveram-se nos desenhos de corpos em lascívias, emergentes através dos fundos translúcidos postos a nu pela luz que as atravessava e expunha corpos de amantes em entregas e volúpias de sonho. Estilizados e a seguir a configuração circular do fundo do recipiente, sugeriam muito levemente as posturas fetais. Felatios e cunilungus em imagens feitas de traços finos revelavam, após segundas ou terceiras leituras, novas imagens. Genitais envolvidos em línguas e peitos, em grande plano, que se viam durante uns instantes e perdiam-se novamente na leitura dos corpos inicialmente expostos ao primeiro contacto com os olhos e que se recuperavam outra vez, fazendo o olhar coincidir com as linhas mestras quase escondidas dessas outras e mais intensas intenções.
Pousaram as chávenas.
Olharam uma para a outra. De pensamentos gémeos, sem querer transparecer o que os seus olhares traíam irremediavelmente.
Em silêncio desviaram a atenção para o relvado e para mais além onde as imagens das recordações foram tomando o lugar da aguarela de tons e luz, de verde e sombras, pintalgados aqui e ali pelos pontos de cor a anunciar a despedida, o fim duma época.
Sim. O Pedro tinha andado em segredo com as duas. Nunca saberiam uma pela boca da outra dos encontros secretos na casa das arrumações, ao fundo do jardim, quase escondida pela vegetação, e onde ele dormia no meio dos apetrechos de jardinagem. Das cenas que agora uma e outra saboreavam intimamente em gostos de amargura ao sabê-lo agora com ela; a outra, cunhada por casamento em segundas núpcias do irmão bastante mais velho, entretanto falecido, e mulher sem qualquer traço de nobreza, ascendência familiar ou fortuna.
Como era possível o Pedro ter feito aquilo.?
E logo com ela!
Ainda há poucos dias havia estado com uma delas, tinha ele acabado de dar banho, hábito provençal e desusado, após ter terminado os trabalhos de jardim. Ainda nu, de toalha ao redor do tronco e cabelo molhado, desgrenhado.
Ai...! Como ele e só ele a sabia levar às nuvens! E em quinze anos a viver naquele palácio com um marido quase sempre ausente em Paris nos meandros da corte, tirando os banquetes mensais e as breves aventuras vividas com o jardineiro, toda a vida se resumia à rotina da criadagem e aos chás servidos às rodas de visitas em eternas maledicências. Na forma dissimulada como criavam e desfaziam as tricas entre si, cunhadas condenadas a viver juntas, pesasse embora a grandeza daquele espaço. Odiavam-se profundamente, embora partilhassem sem que uma da outra soubesse, as delícias daquele corpo agora ausente para sempre.
Voltaram para dentro.
- Temos de falar aos nossos maridos, para arranjarem um novo jardineiro, agora que o Pedro se foi. –
- Pois...- Respondeu a cunhada. Esperou um pouco e inspirou fundo.
- Os jardins estavam sempre tão bem cuidados... -
- Ele era ainda novo, mas tinha bom gosto e era cumpridor... -
E voltou a face para esconder o rubor enquanto se afastava rapidamente para os seus aposentos, deixando a cunhada só e a olhar para o fundo do jardim através da porta ainda meio aberta.
CISTERNA da Gotinha
Já conhecem a Eva Padberg ?!
Scarlett Johansson está cada vez mais requisitada.
Culinária: receitas com Viagra. (cozinhado pela Fresquinha)
O Cone sexual está a vir-se!!
Aquário é um bom signo, não concordam meninas??!
Eroticismo pela Wikipedia.
Boas vibrações

Desde pequenina que vou ao dentista e talvez daí advenha a minha satisfação por essas salas de prazer, tanto mais que as suas caminhas articuladas melhoraram substancialmente nas últimas décadas.
Tudo ali é filiforme: a broca vibratória, o tubinho de água para nos humedecer a boca, o aspirador de saliva, a torneirinha do spray da pré-anestesia, a seringa que usualmente tem um diâmetro considerável.
O meu primeiro dentista era um velhote simpático que na época tinha a enormidade de quarenta e muitos anos. Mas progressivamente foram-se tornando cada vez mais jovens e apetecíveis. O último era um moreno alto, gaiato no sorriso, no cabelo espetado e no capacete arrumado a um canto do consultório, mas com uma impressionante traseira nas calças que de maneira nenhuma se devia à marca das mesmas. O toque meigo dos seus dedos no meu pescoço sempre que me colocava o babete injectava-me logo um torpor coluna vertebral abaixo. Depois, deitava-me suavemente para a minha boca ficar à mercê de todos os utensílios que lá queria colocar, entreabrindo-me os lábios com os seus dedos. A distância do seu tronco ao meu era mínima enquanto os seus braços desenhavam arabescos na execução do seu trabalho no que me parecia mais a recriação de uma dança do ventre.
E já que era o homem que me deixava horas de boca aberta, apardalada a olhar para ele, no último tratamento, à despedida, já com a assistente do lado de fora do consultório, fixando-lhe alternadamente os olhos e o ponto onde se nota que as pernas arqueiam, referi que há muito não dava uma voltinha de mota e indaguei se podia experimentar a dele. E como numa velhinha canção do Fausto, ele disse que sim.
Tudo ali é filiforme: a broca vibratória, o tubinho de água para nos humedecer a boca, o aspirador de saliva, a torneirinha do spray da pré-anestesia, a seringa que usualmente tem um diâmetro considerável.
O meu primeiro dentista era um velhote simpático que na época tinha a enormidade de quarenta e muitos anos. Mas progressivamente foram-se tornando cada vez mais jovens e apetecíveis. O último era um moreno alto, gaiato no sorriso, no cabelo espetado e no capacete arrumado a um canto do consultório, mas com uma impressionante traseira nas calças que de maneira nenhuma se devia à marca das mesmas. O toque meigo dos seus dedos no meu pescoço sempre que me colocava o babete injectava-me logo um torpor coluna vertebral abaixo. Depois, deitava-me suavemente para a minha boca ficar à mercê de todos os utensílios que lá queria colocar, entreabrindo-me os lábios com os seus dedos. A distância do seu tronco ao meu era mínima enquanto os seus braços desenhavam arabescos na execução do seu trabalho no que me parecia mais a recriação de uma dança do ventre.
E já que era o homem que me deixava horas de boca aberta, apardalada a olhar para ele, no último tratamento, à despedida, já com a assistente do lado de fora do consultório, fixando-lhe alternadamente os olhos e o ponto onde se nota que as pernas arqueiam, referi que há muito não dava uma voltinha de mota e indaguei se podia experimentar a dele. E como numa velhinha canção do Fausto, ele disse que sim.
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