Júlia Ramalho, neta da famosa Rosa Ramalho e por mérito próprio reconhecida na sua arte cerâmica, é uma grande senhora. E uma artista que faz obras de arte em barro vidrado numa cor tão doce que até apetece comer.
Em 2003, uma professora, amiga minha do coração, foi a Barcelos fazer uma encomenda à Júlia Ramalho e trouxe-me fotos da sua colecção privada, destacando duas das suas peças que ela se recusa vender, baseadas na expressão « os tomates do Padre Inácio».
Foram precisos vários contactos ao longo destes anos, em feiras de artesanato e por telefone, até ela aceitar fazer especialmente para a minha colecção uma peça que os filhos dela e o senhor padre lhe pediram para não voltar a fazer.
E, segundo me contou ao entregar-ma na feira de artesanato de Pombal, um filho descobriu a peça que ela escondeu ao canto do forno, onde ela guarda as peças quando o forno não está a ser usado. E ficou muito aborrecido com ela.
Júlia Ramalho é, como diz uma canção popular, «uma senhora mulher».
E esta peça é uma das que mais orgulho me dá, pela sua história e pela artista que a fez. Um luxo!

Júlia Ramalho e a sua colecção privada

Os tomates do padre Inácio - versão a solo

Versão em trioA peça da minha colecção é um duo, com o Padre Inácio, de guarda-chuva e coroa, e a freira, a fazer-se de envergonhada, a abrir-lhe a sotaina.
A Júlia Ramalho fez-me ainda um Adão e uma Eva especiais para a minha colecção, com as parras caídas:
"A Eva envergonhada, mas ele não", como me explicou.