Alexandre Affonso - nadaver.com
03 dezembro 2009
02 dezembro 2009
O Castigo
Quando ele entrou no quarto, de toalha pelos ombros, ainda ela estava nua, junto aos pés da cama, de pele húmida, limpando as últimas gotas com uma toalha amarela, turca, que combinava bem com o seu tom de pele e com o cabelo. De costas para ele, sentiu-o entrar no quarto pelo ranger da madeira. Mas não se inquietou. Houve, sim, hesitação nos passos dele, um momento breve em que os passos passaram a centímetros. Mas então, resoluto, avançou para ela e deixando cair a toalha, com engenhosa manobra de mão no ombro e outra na nuca, virou-a para si e puxou-a para um beijo. Tocaram-se os lábios, invadiram-se as bocas com línguas sedentas, os corpos juntos e frescos, os mamilos dela erectos e a pele vagamente arrepiada.
No final do beijo, medido com precisão, entre a ânsia do ter e do não atrasar demasiado o depois, empurrou-a com aparente violência para cima da cama. A expressão dela transformou-se por um instante, uma face de surpresa que num instantâneo fotográfico pareceria reacção a violência gratuita. Mas logo se alterou, e do espanto motivado pelo abrupto do empurrão passou a um sorriso matreiro, e depois, mordendo ligeiramente o lábio, provocante. Estava caída na cama, de tronco ligeiramente erguido, apoiada sobre os cotovelos. Uma perna totalmente estendida, a outra dobrada num ângulo quase recto, como recto estava ele com a visão daquela nudez disponível. Perna essa que ela deixou tombar, e caíndo de lado revelava a sua vulva, bonita, tratada, com sinais discretos de uma humidade apetitosa.
Debruçando-se sobre a cama, mas sem lhe tocar demasiado, aproximou-se dos seus ouvidos e disse-lhe “és tão doce”. Ela sorriu enquanto a cabeça acompanhava o movimento e se aproximava dele, e com os lábios juntos à orelha perguntou-lhe «é por ti que o dizes? provaste-me ou ouviste dizer?». E ele repetiu “és tão doce”. Para não se esquecer. Porque as coisas que se dizem duas vezes gravam mais fundo. E então ela cruza uma perna por trás dele, e aperta-o. E como o pé vai subindo e descendo sobre a perna dele, e os braços agarram-no. E de novo lhe diz, baixinho e ao ouvido «prova-me agora. Possui-me!». Nada disto era discurso contemporâneo. As pessoas já não se possuem. Comem-se, fodem-se, amam-se. Mas não se possuem. Mas ela sabia que ele queria ouvir isso. E ela queria muito ser possuída, entregar-se, abrir-se, perder o controlo de si mesma e deixar-se comer e foder, talvez amar, à sua maneira, à maneira dele.
Deslizando, beijando-lhe o pescoço, os ombros, os mamilos, a barriga, provou-a. Naquele calor e sumo venerandos, o sabor que nunca cansa, de um fruto delicado. Tinha para ele, e nada ali o fazia duvidar, que as vulvas eram presente divino, banquete real, para degustar sem fim. Sem o poder ver, porque se deleitava de olhos cerrados, para intensificar o sabor, imaginava que ela se transfigurasse, que a sua boca assumisse muitas formas, que a sua face sofresse muitas transformações enquanto os seus músculos se confundiam na discussão sobre a melhor forma de demonstrar o prazer, ou como se controlar perante estímulos tão intensos. Pelo movimento das pernas dela, tudo o fazia crer. Começaram tensas, mas depois quebraram-se num estilhaço, abrindo para lá do que era de abrir, arqueando-se as costas, ondulando a barriga, comandando ela o rigor com que a sua vulva se castigava contra ele. E as mãos, uma repuxando pêlos púbicos, outra repuxando os cabelos dele – mais um pouco e ficariam carecas, os dois, cada um ao seu jeito -.
Quando o orgasmo se abateu sobre ela, saiu-lhe das cordas vocais um gemido longo e quase agudo. Apertou-lhe a cabeça entre as pernas, e depois deixou-se cair sem cair. Sem mudar de plano, estendida sobre a cama, deu de si, relaxou todos os músculos e sentiu-se rendida, rindo nervosamente. E a sua vulva, mais bela que nunca, viva, pulsante, e a face, ruborizada, perdida do mundo, perdida de tudo. Ele recompôs-se e disse-lhe, pela terceira vez “és tão doce. Muito doce”. «Então beija-me». E depois. «E fode-me». E acrescentando «toda!».
Receita
Prepara-te para a mudança.
Traz as malas e o essencial
De sobrevivência,
Pasta de dentes,
Escova do cabelo,
Apetrechos para fazeres a barba,
Roupa, sapatos
E os óculos.
Traz amor e vontade de foder
Mistura-os e dispõe-nos
Em camada intercaladas.
Não leves ao forno,
Deixa-o ao ar
Até que atinja o ponto.
O ponto de não retorno…
Foto e poesia de Paula Raposo
Papel Higiénico

Veja os capítulos anteriores:
Guerra dos Sexos #1
Guerra dos Sexos #2
Guerra dos Sexos #3
Guerra dos Sexos #4
Guerra dos Sexos #5
Guerra dos Sexos #6
Guerra dos Sexos #7
Capinaremos.com
01 dezembro 2009
Ainda há quem se lembre que o Pai Natal nu existe!

O Herculanito escreveu uma carta ao Pai Natal e "decorou-a" com esta t-shirt da funda São da autoria do mestre Raim.
Que seja bom na tal também para vocês... mas não andem com "ela" de fora, que pode congelar. Oh oh oh...
Retalhos
que eu sirvo-te estremeções,
que eu sirvo-te a dor,
que eu sirvo-te rasgões,
por uma gota de amor;
as termas doces e os olhos toscos
que me sondaram;
as temperaturas que arranharam
testemunharam
o milagre dos líquidos nossos.
Hoje não me apetece escrever
porque não me apetece saber
mais do que o sabor do teu cheiro;
lembro-me de te morder para não gemer,
sinto a memória para não prever
que nem chegaríamos a Janeiro.
E se eu te der razão? A que nos condeno?
À falta de sentido que sei que existe
na ausência de pertencer a lugar em nós.
E se eu disser que sim, que entendo?
Eu entendo. Mas não entendes que eu tente
dizer que não e até perder a minha voz?
«Amours secrètes des Bourbons»
A corte francesa na época era danada para a brincadeira. E o povo lá fazia os seus epigramas, caricaturas, canções... como estes versos:
D'Artois le débauché,
Tous deux, sans moindre gène,
Font le joli péché...
Eh! Mais oui-dà!
Louis trouverait-il du mal à ça?
Cette belle alliance
Nous a bien convaincus
Que le bon roi de la France
Est le roi des cocus
Eh! Mais oui-dà!
Nous ne saurions trouver du mal à ça!"


Agora, faz parte da minha colecção.
30 novembro 2009
Beijo
Lembro-me perfeitamente, numa manhã, em que eu me dedicava à tarefa prosaica mas necessária de lavar a loiça do pequeno almoço e tu cirandavas na cozinha, à procura de um tempero para a carne que irias confeccionar mais tarde.
Eu tinha o cabelo apanhado num rabo de cavalo e, ambos calados, como tantas vezes que não precisávamos de falar, passaste rente a mim para abrires o armário que estava por cima da minha cabeça.
Num lapso de segundo, deste-me um beijo no meu pescoço, inesperadamente, gesto nada vulgar em ti.
Arrepiei-me.
Aquele arrepio bom que me percorreu de alto a baixo, me acariciou, e me fez estremecer de paixão. E disse : “Que bom!”.
Os meus olhos brilhavam, olhaste para mim, sorrimos um para o outro e ambos continuámos o que estávamos a fazer.
Confessa que existiram breves momentos em que me conseguiste amar... porque, eu, senti-os todos.
Foto e texto de Paula Raposo
Danae(da para a brincadeira...)

Danae é uma figura da mitologia Grega, mãe de Perseu (o "moçoilo" que matou a Medusa - aquela com um mau penteado de cobras) por quem Zeus se enamora. Preocupado com um oráculo que dizia que seria morto pelo próprio filho, Acrísio, pai de Danae, encarcera a filha numa torre de bronze para que esta nunca pudesse gerar herdeiro. Ora como a luta era desigual - homem vs deus nunca corre de feição para os humanos - Zeus arranjou forma de possuir a sua amada transformando-se numa chuva de ouro, banhando Danae e engravidando-a por fim. O resto é "ancient history". Acrísio ordena que mãe e filho sejam deitados ao mar (para que Zeus não pudesse culpá-lo por ter tirado a vida ao seu filho e pudesse atirar as culpas para o mar) mas estes sobrevivem e, anos mais tarde, a profecia acaba por cumprir-se quando, nuns jogos em que participava o neto, Acrísio acaba por ser assassinado involuntariamente por um dardo "perdido".
São várias as representações desta alegoria na pintura e na escultura mas nenhuma delas, a meu ver, emana o erotismo desta, onde Danae abandona o aspecto virginal e inocente das representações anteriores em que é engravidada involuntariamente por Zeus, e adopta uma postura de mulher feita, numa pose que indicia a masturbação e a busca do prazer em si mesmo.





