21 dezembro 2009

Limbo....



Uma breve aragem atravessa o espaço.
Tem o sabor morno de mãos que se sentem de olhos fechados
a meros instantes de rasar a pele.
Levemente e sem ruído, uma das abas do cortinado enche-se de ar
desdobrando-se depois num drapejo
onde todo o seu interior se espalha
sobre o sono
em lances de água à beira-mar.
Roda um pouco sobre si mesma,
a pele suada de repente tornada fria
no contacto com as línguas,
subitamente mares, que de dentro de si a envolvem.
Sente o vermelho doce que nasce nos olhos
antes do despertar e diz:
Não!...
Não desperta!
e afunda-se numa sinfonia de mãos
onde as suas são gaivotas
num céu acabado explodir
em sóis e estrelas de silêncio e gritos.
E o ar passa...
Traz o escuro morno
através do sono do corpo
em remanso

da espuma

em descanso ...

Charlie

A Traição de Psiquê


“A Traição de Psiquê” é uma colectânea com textos de 37 autores reunidos numa obra de 90 páginas, com 70 textos e poemas sobre amor e erotismo.
O júri de apreciação foi constituído por Henrique Monteiro (professor e poeta), Paulo Melo-Lopes (psicólogo e escritor) e Alzira Cavalheiro (professora e pintora).
A capa (e a foto) é da autoria do designer Aurélio Mesquita.
Estes são os autores:
Adolfo Fonseca
Alice Santos
Ana Maria Mendonça
António Sem
Ausenda Hilário
Bruno Miguel Resende
Conceição Bernardino
Daniel Orge
Dinah Raphaellus
Fernando Neto
Fernando de Sousa Pereira
Florbela de Castro
Francisco Grácio Gonçalves
Glória Costa
Isabel Reis
João Bosco da Silva
João Cordeiro
João Filipe Pimentel
Joe Outeiro
José António Pinto
Luís Manuel Ferreira
Manuel M. Oliveira
Maria Escritos
Modesto Nogueira
Mónica Correia
Náiade
Namibiano Ferreira
Nazarith
Octávio da Cunha
Paulo Alexandre e Castro
Paulo César Gonçalves
Rafael Atalaio
Romeu Braga
Silvério Calçada
Sílvia Soares
Silvino Figueiredo
Vieira Calado

O Lançamento da Colectânea “A Traição de Psiquê” teve lugar no passado sábado, dia 5 de Dezembro, às 16 HORAS, na Biblioteca Municipal de Gondomar (Avenida 25 de Abril, GDM).
O evento decorreu no âmbito de uma Tertúlia de Amor e do Erotismo, promovida pela Argo - Associação Artística de Gondomar, entidade promotora do IV Prémio Nacional de Arte Erótica, em parceria com a Lugar da Palavra.
Esta obra estará à venda a partir de Janeiro em algumas livrarias do país. Até lá, todas as encomendas terão de ser feitas através do site da Editora.
Nesta colectânea estão incluídos dois poemas da minha autoria.

Maria Escritos
Blog Escritos e poesia
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Nota da rede à São (Rosas): Já comprei o livro. Uma delícia.

Nocturnus

São os nossos hemisférios flectidos
tão fortes, porém apunhalados
até formarem ângulos agudos.
Dobrei! Pela minha alma, dobrei,
até não haver mais de mim para dobrar
e já dobrada, então te alberguei
até não ter mais espaço para ocupar;
mas não foi só depois que pensei
que não tinha com que te alimentar,
então, fome e sede te matei
com o meu corpo que afoguei
lançado a ferver no teu frio mar.
As pernas molhadas pingavam
para nunca mais as fechar
no teu suor denso a nadar
do corpo fiz taça e te transbordei.

Rui Unas e a abordagem às gajas

Os 3 CDs da Rosinha já moram na minha colecção

Falámos aqui do CD «Eu levo no pacote» da Rosinha.
Entretanto, na página dela descobri que a Rosinha já tinha editado mais outros dois CDs: «Com a boca no pipo...» e «Só quer é fruta».


A Rosinha é muito simpática e enviou-me os CDs com dedicatórias bem malandrecas, à imagem da sua música:

«Com a boca no pipo...» - "À São Rosas que também gosta de pôr a «boca no pipo». Ah! Ah! Ah! Rosinha"
«Só quer é fruta» - "Para a São Rosas que é uma bela malandra. Só quer é fruta. Rosinha"
«Eu levo no pacote» - "São, afinal sabes apreciar que «levar no pacote» também é bom. Beijo, Rosinha"
Como sou vossa amiga (e a Rosinha também) tomem aí excertos de duas músicas dela:

«Ai que olhões»
«Eu [Rosinha] levo no pacote»

E siga o baile!

Hamburguer grelhado - alternativa à depilação

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20 dezembro 2009

A porta



Completam-se hoje dois meses da minha primeira colaboração neste espaço, onde eu já comentava há muito tempo. Quero agradecer à São Rosas todo o carinho para comigo, mas não querendo ser lamechas aqui vai:

A porta está sempre aberta para ti;
basta tocá-la – como sabes tão bem –
ao de leve, delicadamente:
ela abre-se para ti.

Quando te fores embora,
tem o cuidado de a fechar;
nunca a deixes entreaberta,
fecha-a com a tua certeza.

Quando regressares
(eu sei que sim),
toca-a suavemente
e ela tornar-se-á a abrir:
só para ti.

Foto e poesia de Paula Raposo

Deriva

Talvez a inspiração me tenha abandonado,
talvez se tenha, trémula, escondido
num qualquer corpo calado
que a não aqueceu
e entristeceu;
É tão triste o nosso toque de lábios frios
vermelho vivo a render-se ao tom acinzentado
um desmaio de esperanças que chega para afundar navios;
e os navios somos nós, agora destroços de um qualquer nosso pecado.

«Na praia» - desenho original... com bónus no verso

Mais um desenho original que, quando comprei, tinha post-its a tapar as partes fodengas. Aqui, mostro-o com tudo... a bronzear ao sol:


... e até tem um esboço a lápis na parte de trás:

Novas oportunidades


crica para visitares a página John & John de d!o

19 dezembro 2009

«Do mal o menos» - diz a Didas

O governo aprovou hoje na passada sexta-feira uma proposta de lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Felizmente e com a iluminação do Senhor que é grande e tudo sabe, teve a decência de excluir a possibilidade de adopção de crianças por parte desses depravados que vão ao rabo uns aos outros. Como sabemos, é extremamente prejudicial ao crescimento saudável duma criança viver numa casa em que, no quarto mesmo ao lado do seu, está um gajo a levar no cu ou então duas fufas a embrulharem-se uma na outra, mesmo que lhe tenham dado, durante o dia, atenção, almoço e jantar, escola, roupa e carinho. O normal é terem uma mãe e um pai como manda a santa madre igreja, mesmo que lá em casa haja porrada e abusos todos os dias. Ou terem uma mãe e um pai mesmo que sejam abusadas diariamente, ou até mortas, por quem devia cuidar delas, como às vezes acontece. Outra opção interessante é manter uma criança abandonada e carente institucionalizada, mesmo que haja um casal de pessoas do mesmo sexo a querer adoptá-la, porque é assim que se vai fazer um homenzinho ou uma mulherzinha, não é cá com paneleirices.
Abençoado seja o nosso governo.

Didas
Blog Farinha Amparo, a padaria da família