19 maio 2010

Isto é um escândalo!!!!


Fotografia de Libélula Purpurina.

[blog Libélula Purpurina]

Blenorragia ou Gonorréia


BLENORRHAGIA

1. A blenorrhagia ou esquentamento apega-se com muita facilidade, é uma doença muito contagiosa. Um individuo atacado desta doença, em nome da moral social, não deve ter relações sexuaes.
2. O doente terá cuidado de lavar as mãos sempre que tocar no membro, deve evitar, chegá-las aos olhos; o pus blenorrhagico produz uma inflammação nos olhos tão forte que já muitas pessoas têm ficado cegas, por ignorancia ou descuido deste preceito de hygiene.
3. O doente deve abster-se de carne de porco, comidas salgadas e apimentadas ou fortemente condimentadas, bebidas alcoolicas (vinhos finos, cognac, cerveja, aguardente, etc.). Pode beber às refeições um pouco de vinho tinto traçado com muita agua.
4. O doente não deve andar a cavallo, não deve dançar, não deve andar em bicycleta nem de automovel.
5. É muito conveniente usar um suspensorio para os testiculos.
(..)
8. A blenorrhagia que merece pouco cuidado da gente moça, póde ser causa de muitos desgostos para o individuo e para a familia. (…) Um individuo que se case, tendo a gota militar (blenorrhagia ou esquentamento chronico) contagiará fatalmente a esposa. (…) Muitas doenças próprias das mulheres reconhecem como causa a gota militar dos maridos que estes desprezaram ou não quizeram tratar em solteiros. (…) Nos casos chronicos favoraveis, o marido fica sujeito a ser reinfectado a cada passo pela mulher, na occasião das relações sexuaes.
(…)
10. É de maxima urgencia que os individuos, atacados de blenorrhagia, procurem um medico, única pessoa competente para os tratar não com drogas maravilhosas e secretas, mas com remedios conhecidos pelos médicos de todos os paizes.

Prophylaxia sanitaria e moral: II Blenorrhagia
Porto: Typographia Santos, 1913 – 2.ª Edição, pp.1-7

Ouvir é andar o discurso dos passos

Não, eu não quero, não quero desmanchar. Sei que se mancha com ilusões. Sei que... Anda, perto. Não, mais não, ainda não. Sim, já a sei. Não, não me contes. Ele veio e dizia: "deixa que respire pelo teu peito". Ouvir. Ouvir é andar o discurso dos passos. Tu agora só falas com palavras. Eu, antes, não. Não me toques mais assim, por baixo da roupa. Assim. Direito à pele, sem sequer despir e assim só te misturas na multidão. Os passos não andam e andam as tuas mãos; apertam o meu peito, vermelhas, e deixam o cheiro dos animais com dedos que gostam de arranhar.Agora és surdo como um mudo. Agora és feio. Eras? Não vi.

18 maio 2010

E por falar em (in)docente

O escândalo Bruna Real, a professora de Mirandela que a Playboy agora celebrizou, faz-me sentir a mesma sensação desconfortável de todos nós os que podemos colocar-nos a questão de quanto a vida pode ser injusta nos seus timings.
Sim, porque é que a Playboy não tinha uma edição portuguesa no tempo das aulas com a minha professora de Inglês do décimo primeiro ano?
Porquê, digam-me?!

______________
Joao: "Em complemento à pergunta do Shark, tenho igual interrogação acerca da minha professora de matemática do 5º ano, em cujas aulas havia um disparate de lápis e canetas a cair ao chão apenas para um vislumbre daquelas pernas, das minhas professoras de Francês, do 8º e 9º anos, e, finalmente, da minha professora de informática, no 10º ano. Teria sido interessante.
Quase me esquecia da professora de Educação Visual, no 5º ano.
Só teria precisado de 5 números da Playboy para resolver estas curiosidades. Todos estes anos volvidos, pergunto-me se alguma delas ainda guardará os seus predicados. (...) Apercebi-me, de repente, que assumindo que elas teriam, naquela altura, trinta e poucos anos, já serão todas cinquentonas ou muito perto disso. Bolas, que o tempo passa... e se tiver errado na estimativa, pode até acontecer que alguma delas já tenha cruzado os 50 muito a caminho dos 60. Caramba."
Gomalaca: "«É quando começam a ter rugas que as uvas são mais doces» - Confúcio"
PortugalEstáFodido: "Esta professora é uma «lasca», aquilo que chamo de verdadeira mulher, daquelas que enchem o olho e não só! Esta mulher é um monumento à beleza feminina, até me dá vontade de chorar.
Deviam era substituir aquela figura triste e deprimente que nas procissões levam nos andores, por esta mulher de carne e osso, capaz de fazer milhares de crentes percorrer imensos quilómetros de joelhos!"
OrCa: "Ah... e a minha professora de Ciências Naturais, do 4º ano liceal, que apoiava o ventre à esquina da minha carteira - era assim que se chamava - na primeira fila, sempre que se dirigia aos galfarros... E eu fiquei sempre sem saber se aquelas aulas lhe davam mais gozo a ela ou a nós... E quando levantava os braços para pendurar o mapa do esqueleto do coelho ou do pombo, a bata e a saia, já de si curtas, alçavam-se a esplendores anatómicos que produziam um incontrolável bru-á-á na rapaziada que seria impossível não ouvir... Chegaram a oferecer-me dinheiro para trocar de lugar comigo, na aula de Ciências Naturais!"
shark: "É bom, uma pessoa ter assim memórias do tempo de escola em que éramos tão sedentos de aprendizagem e assim..."
São Rosas: "Eu hei-de sempre lembrar-me de uma professora, de cabelos compridos, que passava a aula enrolar os cabelos e depois deixava-os cair soltos pelo corpo todo.
Se na altura já eu era lésbica assumida, depois disso assumi a irreversibilidade e assim..."
Santoninho: "Olha, eu tive um professor que partia nozes com a piça em cima do tampo da secretária e nunca ninguém o chamou à atenção por isso..."
__________________________________
Entretanto, criei no Facebook o grupo Bruna Real a ministra da Educação». Quem vota a favor?

da professora toda despida e desta apagada e vil tristeza que nos veste a todos...

Mirandela resolveu rivalizar com Bragança. Pelo menos na sanha pseudo moralista com que fez cair o gládio das virtudes balofas em defesa da «honra e integridade da Pátria», desta feita sobre uma professora de música que decidiu posar nua para a revista Playboy.

O director do Agrupamento de Escolas da Torre de Dona Chama, clarinho como a água de tanta ribeira poluída deste País, nos afiançou: "Aparecer numa revista sem roupa não é compatível com a função de professora e de educadora". E daí a anunciar a rescisão do respectivo contrato foi um ápice.

E logo sequenciado por pudibunda e pressurosa vereadora que de pronto retirou a senhora da escola e catrafiou-a num arquivo, a bem da moral e dos bons costumes, quiçá ao abrigo dos olhares concupiscentes, protegendo-a a ela da gula dos concidadãos e aos concidadãos do pecado da gula (para além de outros menores, claro). Fica-me, confesso, a inveja dos bichinhos-de-prata, useiros e vezeiros nestas coisas dos livros e papéis velhos e que poderão desfrutar à vontade de quanto ao comum cidadão foi sonegado…

(Se gostou do que leu até aqui, veja, por favor, o restante em FREEZONE)

Precisamente


Precisamente hoje:
embala-me, abraça-me,
aguça-me o apetite;
volta, meia volta,
volta e meia
preciso que venhas
e me aguces assim.

Um verbo, um delírio,
o som e o gemido audível,
preciso - precisamente - hoje
que me perturbes o sono.

Foto e poesia de Paula Raposo

Conto do desencontro

Tradução do que foi assim como foi. Falámos. Sim, tu falaste e eu falei. Não sei se a ordem foi esta. E combinámos. Combinámos em nenhum dia a horas diferentes. Combinámos o desencontro. Ah! Se ao menos quem chegasse primeiro esperasse. Eu esperava? Tu esperavas? Mas, como podemos saber, ao chegar, se alguém não esperou ou se ainda nem chegou?

Privilégio diplomático



Santuário


1 página

oglaf.com

A dolorosa decisão de Cavaco



HenriCartoon

17 maio 2010

Pensamento do dia

Revendo um caderno de notas, encontrei algumas pérolas, anotações soltas e alguns desenhos. Nesta reunião, de há 5 anos atrás, participava uma mulher, já confortavelmente nos seus 40 (e tantos) e de lábios muito sensuais. Foi então que me ocorreu escrever isto:



Tradução: "Pensamento do dia: A percepção do mundo e da convivência social altera-se profundamente quando percebemos que na boca das mulheres com quem falamos já entraram um ou mais pénis".

Contos já sem pontes no azul

O frio dos dias queima a página das horas. O fogo. Eu tentei escrever-te o fogo.
Sou apenas um fósforo. E tu sabes. Eu sei, agora sei.
Ele deu-me amor. Mas tu deste-me azul. E azul é mais que amor. É mais que qualquer amor.
É mais que todos os amores. É azul. E tu sabes.
E eu? O que te dei? Dizes-me? E tu sabes?
Quem vai aumentar as palavras para te demorares nelas? Se não lês, o silêncio pode não demorar. Diz-me do princípio. Prometo não contar a ninguém. Nem a mim. Eu não conto. Quem vai domar os versos para te servirem? O que foi feito dos pássaros que escrevi na tua gaiola?
Fala-me do princípio.
O gelo no azul queima os olhos presos nas páginas. O fogo sempre procurou os teus para se escrever; agora, acredita que não tens. Saberás? Não.

Postalinho com vários postais

A Teresa B. falou-me de uns postais seus do mestre José Vilhena.
Bem que tentei "trazê-los" para a minha colecção, mas...

"Acredito que gostasses dos postais... mas eu também!
Enquanto eu não me fartar deles, contenta-te com as cópias...
Teresa B."


(crica nas imagens para as aumentar)





Boneca inflável


Alexandre Affonso - nadaver.com