02 junho 2010

Mulher em vidro de Murano

Uma beldade que veio de Veneza para a minha colecção.





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O OrCa não pode ver curvas que as ode logo:

"é de vidro de Murano
é de leite a criatura
e frágil é por engano
de tão exposta postura

rubros lábios afinal
mamilos rubros por fim
de vagina rubra tal
abrindo as pernas assim

frágil vidro de Murano
de Veneza belo ofício
mas malvado do fulano
que se esqueceu do orifício..."

Astro_Lógico

Há lençóis chorados por um sol inteiro
onde dorme a noite que acorda primeiro
para lhe adormecer o choro
que desperta passageiro
das ancas quebradas e perdidas
e dançam no corredor de músicas anoitecidas
e molham o chão de mãos em estrelas soltas
de rosto na mão que se descreve às pautas.
E quando desliza os raios pela noite estendida
logo, logo, espreita a manhã estremunhada
que rasga e finda a noite em amanhecida
e logo, logo, mais uma cama chorada.


01 junho 2010

a propósito da temática do livro "HomosseXuais no Estado Novo", da autoria da jornalista São José Almeida

Ora aí está um tema sexossocial estimulante. O que terá passado um homossexual no Estado Novo que um homossexual no estado em que estamos não passe ainda?

Confesso que ainda não li o livro mas que pretendo fazê-lo, quando tiver oportunidade, que mais não seja por curiosidade e ilustração. Mas não é do livro que falarei agora, pelo que peço, desde já, desculpas à autora pela fonte de inspiração.

Primeira observação assustadora: Então que me dizem do casamento de homossexuais? Também aqui me perturba algum desnorte, a saber:

- No Estado Novo, qualquer elemento dito progressista que se prezasse - notem que já nem digo antifascista... fiquemo-nos, então, pelo meramente progressista - considerava o casamento (pelo civil, entenda-se) como uma instituição a combater e, porventura, a abater, pelo que continha de retrógrado, reaccionário e castrador de uma sã relação entre dois seres viventes e pensantes...

(se considera o assunto e este meu tratamento do mesmo digno de leitura até ao fim, por favor, leia-o integralmente aqui)

Projecto Mulheres Reais


Fui seleccionada para integrar este projecto (mulheres com excesso de peso, estrias, celulite, sem silicone e sem photoshop!), pela Helena e pelo Ricardo do MyMoments.pt, de onde saíram 25 fotografias da minha pessoa.
Deixo-vos aqui uma delas.

Maluco da...



... Pinha


2 páginas - clicar em «next page» a partir da 1ª página

oglaf.com

Paradoxos do ensino em Portugal

Na mesma semana em que o país parou porque uma professora do ensino básico, boazuda (e nariguda e com um certo ar de porno-star, mas curvilínea à mesma), resolveu despir-se para uma revista de renome internacional, e coitadinhas das criancinhas, que aquilo ainda se pegava e blábláblá, vamos lá enfiar a fulana nas catacumbas de uma biblioteca (isto na hora de serviço, porque da festa já ela tratou, a Miss Mirandela não dorme na forma), onde só estará em contacto com livros em que ninguém mexe, tirando os tarados que passarão a intelectuais num ápice, outra notícia houve.

Um professor, também de área da Educação Musical (coincidência?!), respondeu com um "entra lá, ó preto", quando lhe foi solicitada, por um aluno, a licença para entrar na sala. A pena?! Foi afastado do ensino por manifesta incapacidade social?! Foi considerado uma vergonha para a classe docente e para a espécie humana em geral?! Abriu o telejornal da TVI, provocando uma onde de horror nacional?! É o foste!!! Processo disciplinar na escola, mil euros de multa e volta lá mas é ao trabalho, meu bom homem, que desabafos toda a gente os tem.


De um país em que não vale tirar a roupa mas é legítimo discriminar pela cor, tudo se pode esperar.

Entre família



HenriCartoon

31 maio 2010

'xa passar o Arraial!


eu não vou faltar!
e tu?

Tradução de mim

Quero. Quero saber a que cheiras em cada momento. Como fazes. Saber. Como és. Como falas. Como cheiras: como te chamas? Como te chamas; em que chamas te chamas quando gritas quem chamas; quem chamas? O que são os teus gritos, quando gritas, quem gritas; quem chamas que chamas em chamas; o nome de quem, o nome inteiro teu inteiro em cada grito? Tudo. Aprender sem apreender. Nunca prender. Mesmo com o medo, o medo de perder o pássaro que voa. Porque, se prendesse, perderia ainda assim. Perderias tu o que quero aprender, o voo do pássaro. A lição de ti. A fome tua e a que te dão. Tudo. Cada milímetro. Ver tudo, quando estou, quando não estou, quando estão, quando ninguém está e o mundo, quem és? Que cores tens em cada céu, no céu meu e no céu alheio, a que cheiram, a que cheiras, como voas aqui e ali, quando vejo, quando não vejo? Sim, quero cheirar-te, dissecar-te, analisar-te, extrair-te aos bocadinhos para te descobrir quando te vou colando no meu peito, nu, despido, meu em todo um pouco mais em cada vez. Porque não te peço que entres na gaiola, peço-te muito pouco. Ainda assim, muito pouco. Sim, muito pouco te peço: tu todo.E que sejas tudo quando tudo me fores porque tudo tu és.

Este filme fez-me lembrar uns versos dos tempos de escola

"Os passarinhos
tão engraçados
fazem os ninhos
com mil cuidados"



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O OrCa não pode ver um passarinho que ode logo às passarinhas:

"ao ver-se assim passarinho
a resvalar pelo seio
quem me dera fazer ninho
como ele ali no meio

e mais descendo a preceito
maior a ventura minha
se descendo sempre a eito
encontrasse a passarinha

havia de asas bater
feliz ridente dos olhos
e para sempre viver
no calor dos entrefolhos"

Opções


Alexandre Affonso - nadaver.com

30 maio 2010

Os compadres da Covilhã



HenriCartoon

Permanência

Agora que te sei aqui,
sinto-te a peça essencial
que faltava na montagem,
na engrenagem,
na construção final
do ritual.

Mesmo não te vendo,
ainda consigo rir
e posso usufruir
do teu olhar perdido;
da tua saudade.

Percorro - então - o meu corpo
numa descoberta:
a permanente ilusão
de te saber sempre aqui.

Foto e poesia de Paula Raposo