Confundir o amor com a necessidade de amar é como afogares-te na sede quando estás em frente ao mar: se caíres na tentação do desejo de beber, mais depressa vais secar, mais depressa poderás morrer ou seco viver uma vida inteira; o sal entra nos olhos e o que te queima e arde é apenas a cegueira.
01 fevereiro 2011
Rasga-me
Rasga-me os sentidos
quando o nosso grito
ecoa uníssono
e as paredes vibram
no oportuno desenlance;
O punhal escondido
diz bem da tua condição
e, então:
rasga-me só mais uma vez.
Poesia de Paula Raposo


Cerveja «L'Alsacienne sans culottes»
A Daisy e o Alfredo Moreirinhas já me tinham oferecido esta base para copos. Agora ofereceram-me a garrafa. E depois a malta admira-se que eu ande sempre toda molhadinha...

Não sei porquê, adoro esta Alsaciana...
Não sei porquê, adoro esta Alsaciana...
31 janeiro 2011
Poliamorismos machões
É mais descarado o poliamoroso que traz outra mulher para casa para que as duas se possam revezar na satisfação dos seus desejos ou o que traz outro homem para casa no sentido de repartirem as tarefas mais pesadas, nomeadamente aturá-la?
Não a Mim, Domine
Não, é apenas uma ligeira melancolia nostálgica dos momentos em que os sentidos se trocaram. Acções jazidas. Não a mim Domine, não a mim, mas em Teu nome pela felicidade de alguém a quem me resumi. Em quem me resumi. Em palavras, em silêncio.
Cavalgo em estreito caminho de espinhos em permanente desvio, olhando para trás e vendo a Luz à frente. Salto as barreiras que me colocas aguentando o corcel erguido e agora a caminhar, aproximando-me do clarão cada vez mais apagado.
O rodopio em torno de mim traça sulcos na terra que piso. Perfeitas trincheiras solitárias de complexo acesso que sequer a visão chega.
Túneis de sentido único que outrora imperfeitos, deixam entrar brisas frescas augurando luzes de alegria do lado de lá.
Cavalgo em estreito caminho de espinhos em permanente desvio, olhando para trás e vendo a Luz à frente. Salto as barreiras que me colocas aguentando o corcel erguido e agora a caminhar, aproximando-me do clarão cada vez mais apagado.
O rodopio em torno de mim traça sulcos na terra que piso. Perfeitas trincheiras solitárias de complexo acesso que sequer a visão chega.
Túneis de sentido único que outrora imperfeitos, deixam entrar brisas frescas augurando luzes de alegria do lado de lá.
30 janeiro 2011
Dos elefantes no peito
Que tudo me doa assim, intensamente. Antes
a dor que o cinzento em todas as coisas;
que mordam o ódio, a dor, a verdade, entredentes
e que possam sair na fúria cega das palavras.
Serena-me mas nunca me acalmes. Por mais que tentes
eu agarro a violência, a chama, a paixão e as lágrimas;
na selva do peito hão-de ecoar como centenas de elefantes
em corrida, o forte estrondo da liberdade pelas florestas.
a dor que o cinzento em todas as coisas;
que mordam o ódio, a dor, a verdade, entredentes
e que possam sair na fúria cega das palavras.
Serena-me mas nunca me acalmes. Por mais que tentes
eu agarro a violência, a chama, a paixão e as lágrimas;
na selva do peito hão-de ecoar como centenas de elefantes
em corrida, o forte estrondo da liberdade pelas florestas.
«Quinze contos para nada» - por Rui Felício

O Alberto, caixeiro viajante, vivia em Coimbra, mas passava a semana fora, a vender os seus produtos por todo o País.
Sempre que calhava passar por Penamacor, hospedava-se na Pensão Alzira. Era como se já fosse da casa. A Alzira e o João, seu marido, tratavam-no como se fosse da família.
Certa noite, depois de jantar, sabendo que o João tinha ido a Lisboa tratar de um assunto e que o comboio da Beira Baixa só o traria de volta cerca da uma da manhã, dirigiu um lânguido olhar à Alzira e fez-lhe uma inesperada proposta. Dava-lhe 10 contos se ela fosse para a cama com ele antes de chegar o marido.
Ela saiu da sala esbaforida e voltou pouco depois com um enorme facalhão, com ar ameaçador.
Disse ao Alberto que até não lhe desagradava a ideia, mas que jamais faria nada sem que o marido concordasse. Por isso, iriam esperar pela sua chegada e ela perguntar-lhe-ia se ele a autorizaria a aceitar o negócio.
O Alberto, aflito, ainda lhe pediu várias vezes para ela esquecer a proposta que num momento de loucura ele lhe fizera.
Mas a Alzira estava decidida! Apontou-lhe a faca perto da garganta. Esperariam e ela faria aquilo que o marido achasse melhor.
Por volta das duas da manhã, o João entra em casa, beija a mulher, olha o Alfredo compungido e encolhido a um canto e perguntou o que se passava.
- Aqui o nosso amigo Sr. Alberto fez-me uma proposta muito interessante! - disse a Alzira.
- Ofereceu-me 10 contos para nos comprar aquela mula velha e meio cega que temos no quintal. Mas eu não quis decidir nada sem tu vires. Resolve tu! – continuou ela, dirigindo-se ao João...
O Alberto, até aí, calado e assustado, fez um sorriso rasgado, virou-se para o João e disse-lhe:
- A D. Alzira está equivocada Sr. João. Eu ofereci foram 15 contos.
O João, espantado, tartamudeou para a mulher:
- Oh Alzira, então era preciso esperares por mim? Aquela pileca nem um conto de réis vale, mulher!
Olhou o Alberto e disse-lhe:
- Meu amigo, a mula é sua! Dê cá os 15 contos!
No dia seguinte, o Alberto arrastou a mula por uma corda a caminho da fronteira. Dois quilómetros mais à frente, puxou da pistola que habitualmente trazia consigo, deu dois tiros no animal e encaminhou-se à estação de Fatela para apanhar o comboio...
Rui Felício
Blog Encontro de Gerações

Estas checas vão-me ajudar...
... a explicar-vos a diferença entre um museu do erotismo e a minha colecção de arte erótica.
Este museu do erotismo que elas apresentam é em Praga. É o Museu das Máquinas do Sexo. A minha colecção, embora tenha uma ou outra peça de brinquedos sexuais, é de arte erótica.
Agora... algum gajo ou alguma lésbica viu mais do que duas checas boazonas?
Este museu do erotismo que elas apresentam é em Praga. É o Museu das Máquinas do Sexo. A minha colecção, embora tenha uma ou outra peça de brinquedos sexuais, é de arte erótica.
Agora... algum gajo ou alguma lésbica viu mais do que duas checas boazonas?
29 janeiro 2011
Sol posto
Viu-a sair da porta com a certeza absoluta de que saía da sua vida também, mas nada fez para a impedir. Achou que precisava de decidir e ela não deixava porque sempre que ele pensava ela interrompia e o barulho que fazia era algo que impedia um pensamento de fluir.
Preferiu deixá-la sair, sem alarido, sem luta, pois não tinha nada em disputa que o motivasse para tentar barrar-lhe o caminho, apetecia-lhe ficar sozinho por algum tempo e isso proporcionava-se naquele momento em que ela agiu em conformidade com a dura realidade da sua relação moribunda, a vontade ausente, perdida, o hábito e pouco mais a justificar a presença de qualquer deles naquela ligação interrompida por alguma razão, ou várias, que nem conseguia agora encontrar por entre as vagas memórias do muito que correra mal.
Preferiu aceitar o final e entendê-lo como o mais lógico corolário de um amor cujo inventário há muito denunciava a escassez, sentia que perdia mais de cada vez que insistia e depois ela não saía mas apenas se prolongava de forma artificial um romance que correra mal logo à partida, anunciando a despedida que nem chegaria a acontecer porque ele preferiu deixá-la sair sem uma palavra proferir que pudesse levá-la a resistir ao apelo que esboçara ao longo dos meses em que bocejara o seu enfado indisfarçável e lhe provou ser inviável a manutenção de um amor sem emoção, abaixo das expectativas criadas.
Deixou correr as águas passadas e concentrou-se, apoiado no parapeito da janela, no horizonte de onde o sol se preparava igualmente para partir.
Hálito
Ficou-me na boca
o hálito dos teus beijos
-naquele final de tarde-
não mais resistindo
ao apelo instintivo
de nos amarmos.
Um dia seremos
as fiéis testemunhas
de nós próprios.
Poesia de Paula Raposo


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