Sinto-me traída! Por mim, pelos homens que conheci e que me prometeram tanto sem nada dar, pela vida que ajuda os que enganam e mentem e se esquece dos que lutam.
Traída pelo destino que não me permite sair desta vida, depois de me fazer sentir destinada a outra...
Traída pela morte, que nos rouba os que amamos, os que nos amam, os que nos poderiam vir a amar...
Traída por me ter permitido acreditar e sonhar numa vida bem melhor... traída pela minha confiança, esperança, ingenuidade e também egoísmo e ambição...
Traída por valores de que não me consigo libertar e que me impedem de ir mais longe...
Traída pela esperança, que deu lugar ao desespero... pela alegria, que deu ligar à tristeza... pela dúvida, que deu lugar a uma certeza nua, crua e fria...
Traída pelo meu optimismo, que me abandona tantas vezes e me deixa perdida no meio das lágrimas...
Traída por sentir dolorosamente a perda de alguém que nunca chegou a ser meu... traída pelos sonhos que não realizei mas que tanto desejei...
Traída por ser um joguete nas mãos de desconhecidos poderosos e endinheirados...
Traída por ter entrado num mundo do qual desconheço todo o tipo de regras e manhas...
"Os meus amores morrem mesmo antes de nascerem". Podia aplicar esta frase de uma personagem de um livro de Paulo Coelho a tantas coisas da minha vida... a algumas que literalmente aconteceram assim e outras de forma figurada...
Vejo constantemente a vida fugir-me por entre os dedos, sem eu ter forças ou meios para agarrá-la... vejo as promessas chegarem e partirem sem se concretizarem... vejo a esperança dos sonhos querer instalar-se mas eu não o permitir...
Sinto o amor bater à minha porta de uma forma tímida e apagada, e eu nem o ouvir...
Acredito que a nossa vida está nas nossas mãos. Acredito, por isso, que somos responsáveis por ela. E, assim sendo, em primeiro e último lugar, eu sou a minha principal traidora. Amo quando e quem não devo, acredito no irreal, espero o inalcançável. Fujo da responsabilidade de ser feliz; deixo que outros comandem os meus passos e os meus sentimentos; acredito nos mentirosos; desconfio dos honestos; duvido de mim; sonho com o impossível; não aceito o momento; espero que me salvem, esquecendo que a única pessoa que me pode salvar sou eu própria...
Vejo luz no meio da escuridão; não encontro a saída quando ela está mesmo à minha frente...
Traio-me constantemente, a cada passo, cada hora, cada minuto.
Traio-me, quanto mais não seja, quando permito que outros o façam...
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
24 julho 2012
Postalinho da horta da Suzana
"Olá, São Rosas,
Ora toma... tomates da minha horta.
Suzana R."
São Rosas - "São tomates com tomates"
Rafaelito - "São tomates directamente ligados à bexiga!" ou "É um balão do Benfica com duas bochechas..."
Gotinha - "A mim parece-me o Mickey em versão Benfica."
Ora toma... tomates da minha horta.
Suzana R."
São Rosas - "São tomates com tomates"
Rafaelito - "São tomates directamente ligados à bexiga!" ou "É um balão do Benfica com duas bochechas..."
Gotinha - "A mim parece-me o Mickey em versão Benfica."
Postais eróticos espanhóis com imagens diferentes conforme o ângulo de visão
São três postais diferentes. Vistos de frente, parecem postais inocentes, um deles com um desenho de um nu.
Inclinando os postais, as mulheres aparecem nuas.
Mais três delícias para a minha colecção.
Inclinando os postais, as mulheres aparecem nuas.
Mais três delícias para a minha colecção.
23 julho 2012
«orangotangos» - bagaço amarelo

Voltemos ao metro do Porto hoje de manhã. Entro na estação das Sete Bicas em direcção a Campanhã, uma estação depois entra uma das mulheres mais bonitas que já vi na minha vida. Sem exageros. Olho para ela e agradeço-lhe, em pensamento, o facto de ter tornado esta ordinária viagem de metro numa coisa extraordinária. Os olhos dela cruzam-se com os meus e eu desvio-me. Atrás de mim ouço um grupo de rapazes em risadas histéricas que são, obviamente, por causa dela. É uma atitude animalesca, de quem se manifesta fisicamente por ser incapaz de qualquer reacção intelectual à presença duma mulher bonita. Quando ela se levanta para sair, na Trindade, eles grunhem uma última vez. Depois calam-se. Um homem mais velho, embalado por aquela performance dantesca, grita-lhe qualquer coisa como: "Gandas marmelos!". É a primeira vez que tenho vergonha do meu género neste dia. Não será a última.
Chego ao meu local de trabalho e abro o meu email. Um amigo enviou-me um link para uma reportagem sobre abusos sexuais a orangotangos fêmeas na Indonésia. Os animais, uns, são capturados, acorrentados a camas e preparados para a prostituição. Outros, sempre homens, pagam esse abuso sexual. Por um momento faz-se luz. Há qualquer coisa comum nesta notícia e naquilo a que assisti no metro. É a ausência total de emoção e de razão. E isto, meus amigos, só acontece em homens.
No género masculino, há um número significativo de indivíduos cuja vida é totalmente aniquilada por uma hormona. Quando digo vida, digo também capacidade de Amar. É por isso que são sempre homens, os autores das notícias mais escabrosas sobre abusos sexuais. Ponto. As mulheres são diferentes. São melhores, e estranhamente mantêm a capacidade e paciência para viver no meio dos homens. Não as compreendo. Admiro-as.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
22 julho 2012
Chula fílmica
Quando terminamos e ele se deita de costas, a fumar um cigarro, sou capaz de ficar horas ali, de barriga para baixo, apoiada nos cotovelos, a brincar com os pelinhos grisalhos do seu peito, roçando os mamilos na sua barriga, a ouvir as histórias dos seus vinte anos. De como o «Último Tango em Paris» fez filas intermináveis às portas dos cinemas, com homens e mulheres de todas as idades, dias e dias a fio. De como corriam pelo país as campanhas de alfabetização, os grupos de teatro e de música e até amplas simultâneas de xadrez, acompanhadas de recolhas de fundos em autocolantes para isto tudo e até para a construção de creches e infantários. De como o tempo e o FMI , impuseram o aperto do cinto, o cancelamento do 13º mês e a tristeza solitária passou a encher as sessões contínuas do Odéon e no dia de finados de 1975 foi encontrado Pasolini assassinado numa praia.
Numa traquinice, enfio-lhe rapidamente a minha língua no umbigo e abraço-lhe as ancas escondendo a cara no seu baixo ventre, para levantar a cara de repente e lhe sorrir. Não lhe ofereço chocolates belgas em forma de búzio mas com as mãos em concha vou-lhe teclando as bolsinhas esponjosas e polindo o monumento digno de Cutileiro como se fosse um gelado a derreter no pino do verão, no vão desejo que esses breves instantes iludam a faixa cinzenta de Bruxelas que sustenta verbalmente o crescente preço da gasolina e da electricidade com tudo o resto a seguir o mesmo caminho em bichinha de pirilau, tal qual a falta de aumento de salário que ele ali à minha frente aguenta desde há uns anos com a perspectiva de ter ainda a reforma adiada para uma idade cada vez mais tardia.
Rogê, o Semmelier
Ricardo - Vida e obra de mim mesmo
(crica na imagem para abrir aumentada numa nova janela)
21 julho 2012
A Confraria do Príapo avança com diversas iniciativas

A Confraria do Príapo, de que faço parte com muito prazer, tem mostrado um forte dinamismo na promoção da tradição da louça erótica das Caldas da Rainha.
Na semana passada, houve um jantar da Confraria e a inauguração da exposição «Símbolos Fálicos do Mundo», com fotos de Zica Capristano, antropólogo falecido poucos dias antes. Esta exposição está a decorrer até 31 de Julho no Centro Cultural das Caldas.
A Confraria está a preparar um livro de investigação sobre o falo das Caldas, que será editado até ao final deste ano. Esta é uma excelente notícia, pois o nosso Charlie também está a preparar um estudo sobre «a religião e o culto fálico na região Oeste» e serão, certamente, duas obras que se irão complementar.
A Confraria do Príapo tem vindo a apoiar iniciativas de várias entidades, estudiosos, designers e artesãos, relacionadas com o falo das Caldas.
Entretanto, na notícia da «Gazeta das Caldas» sobre este jantar, abordaram também um tema que me interessa especialmente:
"Decisão sobre Museu do Erotismo nas Caldas está para breve
O Museu do Erotismo das Caldas da Rainha ainda não está decidido pela autarquia. Continuam as negociações com o coleccionador de Coimbra, Paulo Moura, que gostaria de ceder a sua colecção à cidade (com opção de compra para a Câmara após um período de dez anos).“O problema é o custo da instalação do museu, pois é necessário um edifício de alguma dimensão, várias salas e vitrines e esses encargos, segundo o coleccionador, devem ser a cargo da Câmara”, disse Fernando Costa. As peças continuarão a pertencer ao coleccionador por 10 anos e há em seguida uma opção de compra para a Câmara, mas segundo o edil o valor pedido de 300 mil euros “é muito elevado”.De qualquer forma, Fernando Costa afirmou que “a Câmara municipal vai decidir a curto prazo se vai haver museu ou não”."
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