10 julho 2013

«A esposa maria» - João

"Minha Maria e Esposa. Sinais de que um casamento está podre, ou de que um homem pretende que fique. Aceleradamente. Das piores coisas que um homem pode fazer é chamar à mulher com quem vive, tendo casado ou amigado que para este concreto é razoavelmente irrelevante, ”a minha maria” ou “a minha esposa”. Tenho dito, desde que me lembro e mesmo correndo o risco de me lembrar já muito pouco, que os homens precisam, nas suas fêmeas, de mães, amigas e putas. É a trindade sagrada de uma relação de longo prazo, nem sempre como vasos comunicantes que equilibram, mas com doses variáveis de alguma dessas qualidades conforme a hora do dia e do dia da semana. Chamar a uma mulher “a minha maria” é matá-la como puta e talvez mesmo como amiga. A minha maria é aquela que me limpa a casa e esvazia o cesto da roupa suja, aspira o cotão do chão e lava os pratos. A minha maria é aquela que me passa a roupa a ferro. A minha maria é, em suma, muito mais uma espécie de mãe do que qualquer outra coisa. As mães, já se sabe, não se fodem. Acarinham-se. Mas o carinho não faz ninguém feliz por si só ao longo de uma vida inteira. Tem de haver sempre algo mais.

As esposas também não servem. A esposa é porcelana no armário. A esposa é aquela mulher que se trata com luvas de silicone, sempre a uma distância segura. Uma esposa será porventura amiga, mas dificilmente puta. Talvez também sobretudo mãe. Uma esposa não se faz vir, vezes e vezes seguidas. A uma esposa concede-se uma foda de calendário, para marcar território. Mas as esposas não fazem vibrar. As esposas são assépticas, são universos de cheiro a éter, são seres quase assexuados. Quase, porque, bem se sabe, o tempo sobre o tempo que passa, de se ser maria e esposa, faz delas, um dia, mulheres de outros, e a nós, machos de outras fêmeas também.

Matilha, homens de tomates bravos, ouvi-me. As mulheres com quem se vive não são marias nem esposas. São mulheres. As vossas mulheres. São aquelas gajas que fodem contra as paredes, que vos chupam como se o amanhã estivesse condensado nos vossos falos, que vos cravam as unhas na pele sem medo de vos magoar ou arranhar, que vos mordem a boca quando vos beijam. São as mulheres que vos oferecem o corpo e vos dizem “anda cá” para entrarem nelas a gosto. E uma maria, ou uma esposa, nunca será isso, nunca vos levará daqui a acolá sem saberem como, nunca vos deixará com cara de idiota quando se sentem deslizar como faca quente em manteiga."

João
Geografia das Curvas

«conversa 2000» - bagaço amarelo

Ela - Estou completamente apaixonada!
Eu - A sério?! Fixe! Há muito tempo que não te via com essa luz.
Ela - Acho que vou fazer uma tolice!
Eu - Que tolice?
Ela - Perco o Amor a noventa euros e compro uns sapatos que vi hoje numa montra.
Eu - Espera aí. Estás apaixonada por uns sapatos?!
Ela - Claro. Achas que ainda me consigo apaixonar por homens?
Eu - Nem sei que te diga...
Ela - Uns sapatos, pelo menos, nunca desiludem...


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Só pelas risadas

Não tem outra razão.



Acho que deveriam ser arqueólogos ai, mas tudo bem.

Capinaremos.com

09 julho 2013

Isto é que são poderes sobrenaturais!

Eva portuguesa - «Para mim...»

"Sentei-me à beira-mar
O sol batia-me no rosto
O vento fazia-me arrepiar...
Olhei em teus olhos
Vi-me reflectido em ti.
Suavemente tocaste na minha mão.
Estremeci... corei... sorri...
Ninguém controlava aquela situação
Ninguém sabia onde ia parar...
Um leve suspiro...
Uma momentânea troca de um olhar...
E tanto que te queria dizer...
Dei por mim na tua boca
Um toque... um beijo...
Nada mais ficaria por dizer
Sentias o meu desejo
Era mais do que podias saber...
Queria-te mais que tudo...
E ali ficámos... olhando o horizonte
Abraçados... longe do mundo
Entre beijos e olhares e carinhos
E palavras sinceras que saíam...
É assim que me fazes sentir
É assim que quero estar
Junto a ti... sentir-te... beijar-te...
Estarei a sonhar? Sim, estou...
Mas estamos quase a acordar
E um no outro vamo-nos saciar..."

Este texto foi uma dedicatória que me foi feita.
Quis partilhá-la convosco.


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

«Água» - Susana Duarte

________enxuga os dias sobre os olhos da noite____________

a noite aproxima os deuses da aragem madura
das amoras

e pernoita sobre o teu ventre

_______enxuga os dias sobre as lágrimas da noite________

e refaz as pedras de todos os passos alados
das aves

onde demoras a semente,
onde a foz se espraia na boca
e a boca se perde nas flores

da água

que tens nos olhos.


Susana Duarte
Blog Terra de Encanto

Bastão com sexo oral

Que tal este bastão que chegou agora à minha colecção?





08 julho 2013

Sqweel 2 - a reinvenção da roda

«conversa 1999» - bagaço amarelo

Eu - Queres um bocado de chocolate?
Ela - Não, obrigado.
Eu - Não queres?! Eu não resisto a uns quadrados dum Cadbury, de vez em quando...
Ela - Estou um bocadinho gorda e entrámos na Primavera. Não posso.
Eu - O que é que a Primavera tem a ver com isso?
Ela - Vem aí o calor e as roupas mais curtas...
Eu - Ah! Percebo...
Ela - Percebes?!
Eu - Sim, queres poder usar umas t-shirts sem se notar o pneu da barriga...
Ela - Dá-me aí um bocadinho. Estou a ficar deprimida.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Luís Gaspar lê «O dia seguinte do amor» de Vicente Augusto de Carvalho

Aves fugidias que passais em bando
Pelo azul da tarde sobre o azul do mar,

Aves fugidias que passais cantando,
que fazeis? Passar.


De repente surgis. No vasto céu
Um turbilhão de alvura de repente cresce;
Passa, afasta-se, e ao longe, e como apareceu

Desaparece.
Brancura macia de plumas, rumor leve

De asas que ruflam devagar,

Passais como flocos de neve
Que sussurram no vento e se desfazem no ar.


De tudo isso que resta? Um quase nada: apenas
Em meu olhar distraído
A vaga impressão de uma alvura de penas,

E o eco de um rumor cantando em meu ouvido.

Vicente Augusto de Carvalho
(Santos, 5 de abril de 1866 — Santos, 22 de abril de 1924) foi um advogado, jornalista, político, abolicionista, fazendeiro, deputado, magistrado, poeta e contista brasileiro.

Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

Pare de olhar meus peitos

Acontece também com homens.



homens mutantes.

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