24 fevereiro 2014

«conversa 2049» - bagaço amarelo

o edifício

Era estudante e estava sentado num muro à espera dum colega meu, na cidade do Porto. À minha frente uma série de prédios, relativamente recentes, pareciam alinhados para admirar a Lua cheia que surgira por trás deles. Nas ruas não havia quase nenhum movimento pedonal, mas sobravam automóveis para dar e vender.
Enquanto os prédios olhavam para a Lua, eu olhava para eles. As luzes interiores davam sinais de vida a um ritmo lento e, das janelas mais baixas, era possível ouvir alguns sons domésticos. As famílias que ali moravam começavam a jantar e eu, sozinho, continuava à espera que o meu colega chegasse. Dei-me conta de que, instintivamente, imaginara a vida de todas aquelas pessoas duma forma estereotipada. Para mim, todas as famílias que ali moravam eram compostas por um casal heterossexual e um ou dois filhos, com a mulher de avental e o marido a chegar a casa um pouco depois dela, já com a janta na mesa. Todos discutiam temas banais, como a política de panfleto ou um jogo de futebol qualquer.
O meu colega acabou por não aparecer e eu, sem perceber exactamente como, fiquei ali até os edifícios se confundirem com o céu escuro e cada uma das minhas famílias estereotipadas adormecer. A verdade é que não dei pelo tempo a passar.
Na noite seguinte saí com alguns amigos e fui a um bar perto da Ribeira que eu gostava muito. Era calmo o suficiente para se poder ter uma conversa e movimentado quanto baste para não nos sentirmos isolados do mundo. Quando me virei para o balcão, para pedir a segunda cerveja, uma mulher que estava noutra mesa levantou-se e veio ter comigo. Perguntou-me se tinha sido eu a passar a noite anterior inteira sentado num muro que dava para a janela dela. Que sim, respondi, e expliquei-lhe a história toda.
Também ela me tinha visto da mesma forma estereotipada. Estando eu ali, toda a noite sozinho em frente a um edifício, só podia estar apaixonado por alguém que não me ligava nenhuma. Estaria numa de sofrimento, à espera que um milagre se desse e a minha paixão viesse à janela.

- Estava só à espera dum colega que não apareceu... - disse.

Eu e a Ana ficámos amigos. Provavelmente, e digo isto sem certezas, vivemos uma amizade tão intensa quanto incomum. Sei que sempre que entrei na casa dela, durante os anos em que fomos próximos, pensei em como a minha percepção da vida naquele edifício tinha sido errada. Quanto mais não seja, a Ana mostrou-me isso. Agradeço-lhe.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Coelhinho, se eu fosse como tu…

Pegava essa cenoura e colocava ela na salada.



Boa recuperação, coelho!

Capinaremos.com

23 fevereiro 2014

Pénis variados no cinema


penes en el cine ...los penes mas famosos ! from sergio ariell arias on Vimeo.

Les Krims - Humor sombrio e provocador

Chèrie


Eu sou uma gaja boa. Uma chérie. Todos me dizem que sou uma querida e portanto sou. No mínimo é o que me dizem os que interessam e esses é que contam. E quase me liquefaço todinha nesse prazer de ter legiões de seguidores a quem fiz pequenos favorzinhos e que em troca me devolvem uma admiração desmedida que só não me lambem os pés em público porque eu só retiro os saltos altos para tomar banho. Qualquer boutade que me saia da boca vai ecoando por eles fora como o fogo pelas matas nacionais e eu deleito-me por criar moda para tal vassalagem.

Que é garantido que sou uma mulher honrada e de um só homem como publicamente se sabe e faço sempre questão de assinalar nas datas para isso convencionadas em pleno mural do Facebook. Ele é o meu quidinho, o mon petit lapin que claro que sim que tem um blogue que caso contrário cairia muito mal na minha ficha biográfica webiana e ninguém precisa de saber que quase o obriguei a isso e que o conheci lá fora no mundo exterior e me fixei nele por ser um magnífico exemplar de jovem loiro e alto com os glúteos rijinhos e muita energia para me revolver as entranhas e fornecer o orgasmo que me falta nos adeptos.

Mas apesar do meu simples e cómodo quiducho não perco a carruagem do prestígio e já o levei para o Twitter e o Facebook, que tenho pavor de estar sozinha e sem ninguém para me admirar. E nem tenho dúvidas de que se devia criar um novo canal de comunicação embora desta vez exclusivo para casais modernos, saudáveis e de sucesso como nós porque nestas coisas a páginas tantas aparece lá tudo e é uma chatice e uma trabalheira para nos distinguirmos e elevarmos acima dos outros.

Homens e seus sentimentos



Via Testosterona

21 fevereiro 2014

Desmond Kelly - «Babiachahige Bicycleka» (a bicicleta)

A cisterna de Cupido

Estou preocupado, tenho o reservatório do amor a transbordar e ainda posso provocar uma inundação disso ou assim.

«À glande e à francesa» - Patife

Andava na rua de rabo espetado, o que lhe dava uma certa graciosidade sexual. Já tinha reparado nesta sirigaita há algum tempo mas no outro dia aquela pandeireta estava para lá de espetada. Segui-a com os olhos com a mesma atenção que na primeira vez. Uma gaja que anda na rua daquela maneira a espetar o rabo tem de estar preparada para que um tipo fique com vontade de lhe espetar no rabo. É a ordem natural das coisas. Por isso, das duas uma: Ou era uma galdéria do anal ou queria experimentar coisas novas. Enquanto estudioso destes fenómenos senti o apelo da curiosidade e fui averiguar. Após duas horas de conversa fiquei logo a saber que estava mortinha para levar com este totem fálico. Não consegui perceber era onde. Por isso pedi esclarecimentos. Desatou-me aos berros, que era uma senhora, que não se dava assim, que o rabo era sagrado e que eu não a ia corromper. Quis explicar que ela tinha entendido tudo mal e que não a queria corromper. Apenas lhe queria romper o cu. É um nível completamente diferente. Mas achei melhor sossegá-la, afirmando que era apenas por curiosidade científica, sendo eu um estudioso do tema. Ficou claro com esta explicação que a minha inteligência tem limites. Já a burrice dela, não. Pois acreditou em tudo o que lhe disse. Daí a levá-la para a cama foi um tirinho. Quando finalmente viu sair de dentro das minhas calças esta colossal zarabatana, arregalou os olhos e disse que lhe tinha saído o Jackpot. Só me apetecia rematar com um “Oh filha, se o Pacheco se chamasse Jack estava sempre a ir-te ao pote”. Mas como se chama Pacheco acabou mesmo por ir-lhe ao pacote. Claro está que para acomodar este calhamaço a desgraçada da moça viu-se grega. Eu cá vim-me à glande e à francesa.

Patife
Blog «fode, fode, patife»