22 julho 2020

Já vos disse que adoro publicidade?

A colecção de arte erótica «a funda São» integra um conjunto de pubiscidade (publicidade de cariz erótico) tanto em suporte físico como em suporte informático. Aqui, vou-te mostrando semanalmente alguns exemplos dessa «sexão».


21 julho 2020

Ode à desventura



HenriCartoon

Grande jarra muito rachada...

... mas, paradoxalmente, em muito bom estado!
Jarra grande de vidro preto com inserção em plástico. Relevos a toda a volta com formas de vulvas.
Um grande expositor de rachinhas na minha colecção!







A colecção de arte erótica «a funda São»...

... que já foi tema de reportagem no Jornal da Uma da TVI, em vários jornais e revistas, tem:
> 2.000 livros das temáticas do erotismo e da sexualidade, desde o ano de 1664 até aos nossos dias;
> 4.000 objectos diversos (quadros a óleo e acrílico, desenhos originais, gravuras, jogos, mecanismos e segredos, brinquedos, publicidade, artesanato, peças de design, selos, moedas, postais, calendários, antiguidades, estatuetas em diversos materiais e de diversas proveniências, etc.);
> muitas ideias para actividades complementares, loja e merchandising...

... procura parceiro [M/F]

Quem quiser investir neste projecto, pode contactar-me.

Visita a página da colecção no Facebook. Podes também pesquisar por tópicos e palavras-chave todo o cadastro da colecção disponível online:

19 julho 2020

«estendes uma ponte» - Susana Duarte

(...)

estendes uma ponte onde a noite
cai serena no tempo
-fantasma-


estrela de pontas ocultas
no fio de um gume
esticado na soturna
e silenciosa

escuridão da árvore
onde crescem hibiscos velhos e

laranjas dormem

Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
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Asfixia boa


Ivan Alifan

O fundo Baú - 78

O baú que deu início à colecção de
arte erótica «a funda São»
Em 5 de Agosto, publicámos um texto a ferver da Encandescente:

A mão

O corpo dela estendido na cama. Olhava-o.
Ele sentou-se:
- Toca-te para eu ver como gostas que te toque. Toca-te como eu te toco.

Ela fechou os olhos. Uma mão atrás da cabeça, com a outra tocou os lábios entreabriu-os,humedeceu os dedos.
Tocou o queixo, desceu pelo pescoço percorreu o trilho que se forma até aos seios.
Voltou atrás.

Respirava profundamente, o peito movia-se ao ritmo da respiração.
A mão rodeou o peito, circulou-o, apertou-o como ele sempre fazia, até doer um pouco, não muito, só um pouco.

Ouvia o silêncio atento, a respiração.
Sentia os olhos que seguiam a mão. Mostrou-lhe como tinha aprendido bem.

As costas formavam agora um arco, a mão bem aberta enquanto acariciava a barriga os dedos tocando onde começam os pêlos púbicos.
O barulho do pé deslizando no lençol.
Uma perna estendida a outra meio levantada.
A mão percorrendo a perna por fora. Parou no joelho. Voltou atrás. Apertou os músculos no interior das pernas, parou na coxa.

Ele respirou exigindo:
- Mais!
Aflorou o sexo, não o tocou, passou para a outra perna repetiu os gestos, o percurso, o caminho, o retorno.

Parou. A mão aberta sobre o sexo.
Olhou-o.
Ele inclinou-se beijou-lhe a mão, lambeu-lhe os dedos.
Comprimiu a mão com a dele.

Não a olhou. Disse:
- Mostra-me como me amas quando não estou.

Encandescente

18 julho 2020

Postalinho do Espesso

"Esta receita do suplemento do Espesso..."


"... tem uns lingueirões muito... sugestivos!"
Nelson S.

Educação sexual e moral da juventude

Ensaio de A. César Anjo, em edição da A.A.C., Coimbra, 1ª edição, 48 páginas, 1951.
Texto de uma conferência pronunciada em 4 de Maio de 1951 no Salão Nobre da Associação Académica de Coimbra.
Um documento histórico da minha terra adoptiva. Tinha que integrar a minha colecção.







A colecção de arte erótica «a funda São»...

... que já foi tema de reportagem no Jornal da Uma da TVI, em vários jornais e revistas, tem:
> 2.000 livros das temáticas do erotismo e da sexualidade, desde o ano de 1664 até aos nossos dias;
> 4.000 objectos diversos (quadros a óleo e acrílico, desenhos originais, gravuras, jogos, mecanismos e segredos, brinquedos, publicidade, artesanato, peças de design, selos, moedas, postais, calendários, antiguidades, estatuetas em diversos materiais e de diversas proveniências, etc.);
> muitas ideias para actividades complementares, loja e merchandising...

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Quem quiser investir neste projecto, pode contactar-me.

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17 julho 2020

Nós por cá...

Crica para veres toda a história
Fio de juta


1 página

«O quam suavis, o espírito e o beijo» - Paulo Mendes Pinto

“Beije-me ele com os beijos da sua boca: Porque teu amor é melhor do que o vinho”, Cântico dos Cânticos (Bíblia).

Há muito, muito tempo, beijar era um acto que se dividia em várias dimensões. Tudo podemos sistematizar e organizar julgando que assim criamos conhecimento. Podemos ir aos latinos: os romanos tinham 3 tipos de beijos: o basium, trocado entre conhecidos; o osculum, dado apenas em amigos íntimos; e o suavium, que era o beijo dos amantes.

No beijo ao anel dos bispos ainda temos uma herança do mundo romano. Contudo, é o suavium que aqui nos interessa, a mesma raiz linguística que nos remete para o belo texto religioso musicado para coros por muitos dos mais magistrais mestres em composição.

Livro «Cântico dos Cânticos»
Tradução do hebraico e introdução de
José Tolentino Mendonça,
1997, Cotovia Editores
na colecção de
arte erótica «a funda São»
Ao contrário da mundivivência latina, hierarquizada e quase por castas, o beijo nos lábios, na boca, remete-nos para o campo da partilha, e não da hierarquia. No beijo todos são iguais. No beijar, as duas bocas são a imagem da igualdade na dádiva.

E o que são dois amantes? Recordo um amigo que há uns meses dizia numa conferencia que a base da palavra francesa para conhecimento era exactamente a ideia de «nascer com…». “Connaître” = “con”+”naître”. No fundo, só conhecemos aqueles com quem nos damos de tal forma que tornamos a nascer. Se o êxtase sexual pode ser solitário, o beijo dificilmente é masturbatório. Há sempre um outro no beijar. É sempre com…

Há beijos que ficam na memória. A intensidade, a doçura, tudo neles nos deixa recordações inesquecíveis. Os lábios, a pele, os jeitos de entrega e de partilha. Sim, recordo a imagem do texto gnóstico em que o beijo de Jesus a Maria Madalena era… de amante ou de transmissão de sabedoria?…

Mais que igualdade, o beijo é, de facto, conhecimento – e agora não o cartesiano, não hierarquizador, mas interior, do ser irrepetível que cada um expressa no beijo. É do campo da Verdade, o in vino veritas, ou inebriamento desse mesmo néctar como o Cântico dos Cânticos nos indica.

O beijo possibilita, numa catadupa de sentimentos, acesso ao íntimo, ao recôndito e tantas vezes escondido ou esquecido. O beijo marca. Um beijo deixa marca como a que ficara no ombro – “toquei–te no ombro e a marca ficou lá”, dizia Sérgio Godinho; um beijo, numa esplanada junto a uma praia, mudou a minha vida. Tomei e deixe-me tomar nessa Estrela do Mar, que já não é do poeta, do Jorge Palma, mas somos nós!

No limite, na troca de um beijo intenso há um renascer com a parceira, há um baptismo vivido, uma imersão, na intensidade do Eu e do Tu que se misturam.

Sim, o Beijo é um conhecimento que é entrega, porque partilha. É o «Com» que dá sentido. Um sentido recíproco que torna todos os momentos verdadeiramente únicos, irrepetíveis e de constante re-nascimento.

Renascer, crescer, viver. Tudo se conjuga com beijar.

Paulo Mendes Pinto