18 Março 2012

Osso Vaidoso - «Animal»

‎"(...) mas tenho um vício animal,
de te comer no quintal,
de uivar à luz da lanterna,
de dar ao rabo e à perna

mas tenho um vício acrobata,
de te ferrar a omoplata,
vinda por baixo da coxa,
até ficar toda roxa (...)"

Como engatar um gajo


A primeira coisa a considerar quando se quer engatar um gajo heterossexual é aceitar a tradição que vigora há séculos de que os homens preferem as mamas maiores. E hoje em dia é fácil torná-las nutridas através do uso de um soutien de silicone que as arvora em monumento dando-lhes a aparência de maior firmeza e maior volume ou, através de uma cirurgia que as encha do milagroso produto. Qualquer que seja a opção este investimento é básico.

A segunda, é mostrar um modelo de comportamento e de diálogo que permita aos homens efabular sobre a sua abertura para o erotismo mas equilibrada de modo a não lhes aumentar as inseguranças, isto é, nunca os convencendo que sabe mais do que eles sobre a matéria. O melhor exemplo é assumir a postura de uma Scarlett Johansson, sensual na imagem e contudo vestindo sempre cores claras e neutras, ou até só branco para sugerir a virgindade primitiva que os homens anseiam conquistar. Inebriados pela imagem pouco ouvirão do que diz o que só lhe facilita a sua estratégia. De qualquer modo convém não esquecer que deve mostrar naturalidade numa conversa picante e exibir incómodo por palavras e expressões como caralho, cona da mãe ou foda-se já que a esmagadora maioria das mentes masculinas só concebe que tal linguagem tenha uso feminino na cama.

Apenas com duas minorias se torna absolutamente necessária a conversação: os intelectuais e os pais compulsivos. Para o primeiro grupo, caso não se sinta preparada para o embate, recomendamos a leitura prévia de alguns blogues da moda - aqueles com uma média diária de cerca de mil visitas porque abaixo disso é arriscado aceitar sugestões como consensuais -, para se inteirar dos livros, filmes, discos e comportamentos que estão in. Para o segundo conjunto basta contar todas as gracinhas dos seus filhos ou na ausência destes, recordar todas as histórias das suas amigas mães ou rebuscar as memórias dos seus sobrinhos, dos filhos dos vizinhos ou das criancinhas que viu na praia no último verão.

Por último, é fundamental dar-lhe a noção que foi seduzida por ele e que não foi você que o engatou. Lembre-se também que é feminino depilar-se nas pernas e axilas e ostentar a pele limpa de pêlos como se isso fosse natural porque eles precisam de acreditar que a conquistaram tanto quanto é de geração espontânea a sua falta de pêlos.

Mulher deitada...

... na minha colecção.

Queima de arquivo


Ricardo - Vida e obra de mim mesmo
(crica na imagem para abrir aumentada numa nova janela)

17 Março 2012

Homens, aprendam a fazer morangos cobertos com chocolate

Sexto Sentido

Abre os teus olhos como janelas de uma casa no topo de uma montanha e deixa fugir o olhar pelo mundo tão belo como o vês, segue-o de perto e percorre de lés a lés a paisagem de cortar a respiração.
Escuta o bater mais acelerado do coração que rufa como um tambor no silêncio em teu redor e decifra a mensagem que o vento vai entregando a cada momento dessa tua pausa observadora e percebe como a vida melhora só pelo prazer de conseguires absorver em pequenas porções de imagens e de sons as mais poderosas sensações que esses sentidos podem oferecer.
Saboreia nos lábios a memória de um beijo, deixa-te abraçar pelo desejo e liberta da caixa de pandora numa manhã radiosa de Primavera a anarquia da imaginação, o gosto salgado da paixão na tua boca, o corpo deixado à solta numa aventura arrojada que te sabe a amante beijada quando te lembras assim, sem amarras, de tudo aquilo que desejavas e às tantas ainda podes ter.
Aspira a brisa da madrugada que te faz recordar o odor de uma noite passada a amar sem reservas, abre de novo a gaveta onde encerras tudo aquilo que constitua evocação do que renegas sem querer, apenas no sentido de prevenir uma recaída, o descontrolo de uma doença mal curada que te possa ensandecer, quando amas isso pode doer, inspira fundo agora esse ar que transporta de fora o que escondes dentro de ti.
Sente a pele que reage por si num arrepio que sabes não ter nascido do frio porque no interior da tua mente há um corpo incandescente alojado no teu e agora abres os olhos para veres no céu desenhados pelos rastos de aviões os contornos dos amantes e o calor das emoções que te envolvem com a suavidade de braços feitos de cetim.

Pensa nas coisas postas assim e utiliza acima de tudo a intuição, concentra nela a tua atenção e deixa-te arrastar pela estrada que o instinto traçar enquanto tudo te é permitido pelo tempo que se faz esquecido de nos avisar que continua sempre a passar porque é como uma locomotiva sem travões que ignora apeadeiros ou estações, a vida não pode esperar pelo que se possa deixar para amanhã logo se faz e o tempo recusa andar para trás para recolher os atrasados para usufruírem da permanente celebração que é uma vida com a sede de paixão que tenhas reprimido.

Segue as pegadas desnudas do teu sexto sentido.

Brushstrokes 032



Um sábado qualquer... - «O grande momento!» (por Carlos Ruas)



Um sábado qualquer...

16 Março 2012

Kate Upton vai comer um hambúrguer num cinema ao ar livre...

«A foda treina-se à mesa» - Patife

Esta é a dedicada a um Puto Porreiro. Estive no outro dia num jantar em que à mesa estava também um adolescente. Conversa puxa conversa e percebo que o puto é fã do Fode Fode Patife. Isto tudo porque se falava de frigideiras e comentei com o puto: frigideira… essa doença que ataca as mulheres frígidas. O rapazola riu-se e começou a falar das aventuras e desventuras do Patife. Acabei por olhá-lo como um pupilo e tomei por missão instruí-lo, como bom samaritano educador que sou. Notei de pronto que o Puto Porreiro comia como se não houvesse amanhã, enfardando a comida com sofreguidão. Sempre achei que existe um paralelismo entre a forma como se come à mesa e a forma como se come uma pachacha. Por isso é que sou bom garfo, boa boca e apreciador de uma longa refeição com conversa porca pelo meio. A foda treina-se à mesa, Puto Porreiro. A comeres dessa maneira vais transformar-te numa debulhadora garganeira de chonas. Mas houve um momento da refeição em que a garfada era sobejamente atestada e não resisti a desafiá-lo: Se conseguires meter isso tudo na boca prometo que aplaudo. Agora que penso nisso, o mesmo disse eu a uma gaja que se preparava para me mamar no palhaço.

Patife
Blog «fode, fode, patife»

«a suficiência é insuficiente» - bagaço amarelo

Tenho vestidas três camisolas desalinhadas na zona do pescoço. A Raquel diz-me, em tom de brincadeira, que podia ter arranjado um namorado que se vestisse melhor. Rio-me. Penso, em tom mais sério, que eu não podia ter arranjado nenhuma outra namorada. Nem mais nenhuma.
O Amor duma mulher é suficiente? Sei que há quem discuta isto consigo mesmo desta maneira. A mim, a palavra "suficiente" nunca me chegou para adjectivar o Amor. Prefiro dizer que há homens para quem o Amor duma mulher é tudo. A palavra "tudo" é mais certeira que a "suficiente" para definir um Amor, pelo menos se for mesmo assim.
Há homens que procuram simultaneamente o Amor de várias mulheres. Esses, por estranho e contraditório que possa parecer, são os homens sós. O Amor duma mulher nunca é suficiente, o que quer dizer que nunca se chega ao tudo. Sofre-se mais, mesmo que pareça que se sofre menos. Estes são os homens mais injustiçados pela herança judaico-cristã da nossa cultura. As mulheres chamam-lhes invariavelmente sacanas porque não percebem que eles são sofredores. Nunca sentem que têm tudo e nada lhes é suficiente.
Fecho os olhos nesta floresta densa em que penso, aquecido pelo frágil frio dum Inverno que teima em não se fazer notar. Sei que já fui um pouco dos dois. Abro-os novamente. Por um momento percebo que tenho tudo e que a suficiência me seria insuficiente.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Preferências do Homem-Nariz


Alexandre Affonso - nadaver.com

15 Março 2012

As Caldas em grande

Os meus confrades da Confraria do Príapo aproveitaram a cerimónia de entrega de prémios, menções honrosas e diplomas de participação do Concurso de Ideias para a Identidade Visual da Confraria do Príapo, para inaugurarem no dia 3 de Março uma escultura fálica composta por vários materiais, desde a cerâmica, ao ferro e ao azulejo, com mais de 2 metros de altura, instalada no Casal da Eira Branca, aos Infantes, Caldas da Rainha.



A escultura fálica e os seus autores: Vítor Reis, Carlos Enxuto, Paulo Óscar, Mário Reis e Eduardo Pereira, com Edgar Ximenes, presidente da Confraria do Príapo e?... - foto Confraria do Príapo


Os ceramistas caldenses, autores da monumental escultura cerâmica fálica - foto «Jornal das Caldas»


Ver aqui um artigo no «Jornal das Caldas»

O MINI Cooper adora curvas

A Fisioterapia

– Hum… Já não nos encontrávamos desde o ano passado, David.
– Pois não. Bom ano, Lucília!
– Obrigado, bom ano para ti também.
– Ah!... Muito obrigado.
– Estás bom?
– Bom?! Bom?! Tu estás a gozar comigo, não estás?... Só podes!
– Não… eu…
– Como é que queres que eu esteja bom, Lucília? Como?... Eu não posso estar bom!...
– Não sabia… Desculpa.
– A gaja não te disse nada?
– Quem, a Cristina?
– Sim, essa gaja cujo o nome eu não vou repetir, não te disse nada?
– Não, acho que não.
– A gaja não te contou nada?!...
– Não. O quê?
– A gaja pôs-me fora de casa…
– Não posso… Quando?
– Na semana passada…
– A Cristina pôs-te fora de casa na semana passada?!
– Foi. A seguir à passagem de ano.
– Porquê?
– Sei lá porquê!... Porque é doida!
– Hum… Alguma coisa deves ter feito.
– Qual feito, qual carapuça. A gaja é doida. Não estás bem a ver…
– Doida?
– Sim, completamente doidinha.
– E pôs-te fora de casa?
– Foi mas eu voltei.
– Voltaste?
– Sim, dois dias depois.
– E não me disseste nada?
– Achei melhor não. E tu tinhas ido com o Leandro à terra.
– Pois foi, e ela?
– Ela não.
– Ela não, o quê?
– Não foi à terra contigo e com o Leandro.
– Isso sei eu, parvo!... O que é que ela fez?
– Não fez nada. É doida!
– Mas ela acusou-te de alguma coisa?
– A mim?
– Não, a mim!...Ó David, toda a gente sabe que tu não és nenhum santo…
– Eu nunca disse que sou!
– E até te digo mais, se eu fosse a ela já te tinha posto na alheta ao tempo.
– Mas eu não fiz nada, foi tudo um mal-entendido!
– Ah!... Sempre houve alguma coisa.
– Houve que a gaja é doida.
– E que mal-entendido foi esse?
– O mal-entendido é que a gaja é doida!
– Isso não é um mal-entendido, ou é ou não é.
– É!
– É a tua opinião e olha que eu trabalho com ela quase todos os dias e não me parece.
– Ela disfarça.
– E, afinal, do que é que ela te acusou?
– Que eu andava metido com uma gaja na fisioterapia.
– Tu andas na fisioterapia?!
– Não te disse?
– Não.
– Ando.
– Andas?
– Ando.
– A fazer o quê?
– Ando lá.
– Sim, isso já me disseste, mas andas lá exactamente para quê?
– Por causa da baixa. O seguro mandou-me e eu ando lá.
– E a gaja?
– Qual gaja?
– A gaja que a Cristina diz que tu andas metido.
– Deslocou um ombro.
– Um ombro?
– Sim, teve um acidente e deslocou um ombro, uma coisa simples mas depois imobilizaram-na como se tivesse partido e a seguir tiveram de partir para que ficasse deslocado e se pudesse curar. E agora tem de andar na fisioterapia…
– Coitadinha… Olha que, para quem não anda metido com ela, tu sabes muito sobre a gaja com quem não andas metido.
– A fisioterapeuta é a mesma.
– Sim, claro e foi ela que te contou.
– Foi.
– Porque tu não andas metido com ela.
– Eu não ando metido com ninguém, Lucília! Também tu, bolas?!
– Andas metido comigo.
– Mas tu não andas na fisioterapia.
– Pois não.
– E a Cris... E a gaja não sabe, nem desconfia.
– Esperemos que não. E a da fisioterapia sabe que tu andas comigo?
– Bolas, Lucília! Não há ninguém na fisioterapia! A gaja é doida, já te disse.
– Deixa lá, eu depois esclareço isso com a Cristina. Agora chega aqui, para eu ver se a fisioterapia te tem feito bem.

Xacáver se apanhei a ideia da coisa...


Brochestruque, by Shark

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14 Março 2012

«Ned sem Nel - ou de ginjeira» - por Daniel Abrunheiro

Por uma destas frias, áridas e maninhas noites de sexta-feira, fui a um baile-das-velhas. Vocês sabem: aquelas matinées de lázaros & lázaras que parecem ressuscitar os passamentos geriátricos través o milagre simples do organista-vocalista.
Mandei vir uma ginja e um pires de tremoços, acalentando durante um arremedo de esperança quanto a encontrar alguma avó divorciada que comigo aceitasse merengar um bocadito de Nelson Ned ou de Nel Monteiro. A bola-de-espelhos tinha a translacção avariada, pelo que as estrelas eram fixas no céu de popelina do estaminé.
Lá fora, as motorizadas e os táxis enregelavam à lua triste na antemão de cópulas só dérmicas, que a idade não doa nem perdoa, só dói.
Derredor, cavalheiros encanecidos como cisnes anacrónicos faziam pé-de-alferes (que o mesmo é cortejar d’arrastão) a araras aramaicas de rugas as mais cuneiformes. Havia botelhas de malvasia à base de beterraba sacarina (daquela que dizem vai voltar a haver em Coruche). Também havia tremoços. E mais próteses dentárias do que milímetros de asfalto na Rua das Manteigas da freguesia de S. Nicolau. Deixei-me estar naquele transe de melancolia atenta que confere a um pré-cinquentão, no referido contexto, toda uma aura de efebo o mais púbere, o mais sumarento e o mais acamável, se o ponto de vista fosse o de uma septuagenária comichosa ainda e ainda com dinheiro para o táxi, que eu nem motorizada tenho.
A septuagenária lá acabou por vir e chegar e pedir-me o obséquio (aos anos que eu, tirando a leitura do Altino Tojal de Os Putos, não ouvia o pedido, e aliás a fineza, de um “obséquio”!) de uma moda do Nelson Ned. Acabei a quarta ginja, palitei o interstício frontal e acrílico da placa de cima, levantei-me e fiz-me à pista.
Já manteiguenternecida, a dama (que era Ivone e reformada dos Correios, para mais com um netinho aviador nos alemães de Beja), perguntou-me que fazia eu. Eu disse-lhe que nada, que só escrevia no Ribatejo. Vai daí, diz-me ela assim: - Ah, então o senhor é aquele que escreve muito bem, o coiso, ai!, o Moita Flores?”
E eu rosnei-lhe que não, que quando escrevo é mesmo a sério e sem auto-beatificação, e sem projeto ou sem “projétil”, e que quando eu escrevo é mesmo mesmo a sério para ninguém. De modo que a seguir, já nem Nel Monteiro.

Daniel Abrunheiro [blog]

«conversa 1879» - bagaço amarelo

Ela - Não compreendo os homens.
Eu - Então porquê?
Ela - O meu namorado passou quatro anos a dizer que não queria compromisso nenhum sério comigo, que a nossa relação era só de passagem e tal. Agora, de repente, pediu-me em casamento.
Eu - Parabéns!
Ela - Parabéns, nada. Eu disse-lhe que no princípio até tinha casado, se ele me tivesse pedido, mas agora habituei-me à tal relação sem futuro e estou muito bem assim.
Eu - Ah!
Ela - Acho que à medida que um homem e uma mulher se vão conhecendo, há um processo de inversão sentimental.
Eu - Inversão sentimental?! Que é isso?
Ela - Ele vai gostando cada vez mais dela, ela vai gostando cada vez menos dele.
Eu - Nalguns casos é capaz de ser verdade. Isso quer dizer que há um momento excelente, em que ambos gostam igualmente um do outro.
Ela - Sim, o nosso foi há um ano, mais ou menos. A partir daí vejo-o cada vez mais frágil e carente. Detesto homens carentes.
Eu - Preferes homens que te digam que não querem nada a sério contigo?
Ela - Sim, definitivamente. Têm muito mais interesse.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Fruta 77 - Fruta magrinha

Frases do Ricardo Esteves - perspectiva



O Ricardo Esteves está no Facebook, no YouTube, no blog Quotidiano Hoje e no Tumblr

13 Março 2012

E damos tudo por uma boa vizinhança

Sempre achei que deve existir um elo de ligação forte entre nós, eu e o coiso agarrado a mim. De resto, ainda há dias numa troca de impressões com uma passarinha que frequento amiúde veio à baila a sua relação com a coisa agarrada a ela e, garanto-vos, se fosse de chorar tinha sido ali que me desfazia em lágrimas.
A prontidão com que a coisa agarrada a essa passarinha se predispunha a acolher-nos constituiu sempre uma grata constatação para mim. No entanto, nunca me deu para pensar acerca do que distinguia aquela coisa das outras apesar de achar recomendável todo aquele arejo que, toda a gente sabe, só dá saúde e boas cores.
Mas naquele dia a passarinha resolveu abrir-se ainda mais para mim e partilhou uma inconfidência, estava eu a louvar a atitude tão porreira da coisa que tantas vezes a libertava do tecido opressor quando fiquei a saber em segunda mão (a canhota tinha por lá passado um nadinha antes) que a passarinha era claustrofóbica. E a coisa agarrada a ela parecia sentir-lhe a aflição que tentava exprimir por todos os meios ao seu alcance, nomeadamente tentando até afogá-la (pelo que tenho visto até era bem capaz de conseguir…).
Felizmente nunca precisara de ir tão longe, tamanha a facilidade de comunicação, o tal elo de ligação que deve existir entre as partes e que tanta diferença faz na hora das decisões que só as coisas e os coisos podem tomar por nós e que permitia aquela maravilhosa sintonia, a passarinha a toda a hora fora da sua gaiola de pano e a coisa agarrada a ela sempre a irradiar alegria e boa disposição.
Quando me penso no contexto desta parceria forçada com o coiso tendo muitas vezes a negligenciar o culto de proximidade, os dias passam a correr e as noites ainda mais e uma pila acaba por não ter tempo nem cabeça (credo, que imagem horrível me aflorou a mente) para solidificar os tais laços que, bem vistas as coisas, facilitam a vida a toda a gente. Mas acabo por perceber que a nossa relação acabou por se moldar na mesma à semelhança da que a passarinha tanto louvou.
É que eu não sofro de claustrofobia mas não gosto nada de roupa e nunca soube manifestar esse desagrado sem ser à marrada. Todavia, a minha ligação com o coiso foi sendo construída sobre alicerces sólidos até se tornar num imponente edifício (sim, eu sempre fui o elevador…), chegando o dia em que a sua mais importante fracção mergulhou de cabeça na onda da propriedade horizontal e o coiso, que funciona como uma espécie de administração do condomínio, parece mesmo eu na forma como privilegia com entusiasmo o usufruto frequente e a liberdade inerente à partilha intensa de traseiras, de terraços e das outras partes comuns.  

Repensar o cancro da mama: «o teu homem relembra-te»

Eva portuguesa - «Taras»

Prometi já há tempos contar-vos algumas das situações mais esquisitas com que me deparei nesta vida de putaria. E como promessa é dívida, vou descrever algumas das mais bizarras taras que me foram pedidas... porque todos nós temos um lado "mais negro" mas alguns manifestam-no de uma maneira quanto a mim incompreensível e até escabrosa...
Sem ordem de acontecimentos e/ou importância.
Tive uma vez um cliente, boa pinta, quarentão, bem vestido, educado, ar de empresário bem sucedido. Nada disto me preparava para o que aí vinha... mas realmente as aparências iludem...
Pediu-me para forrar o chão do quarto com jornais, a que acedi. Na altura trabalhava noutro sítio e o quarto até nem era pequeno. A seguir mandou-me sentar na borda da cama, de perna fechada, vestida de lingerie e mantendo os sapatos calçados. Despiu-se, ficando todo nu e ordenou-me que lhe fixasse o "instrumento", não tirando de lá os olhos nem me podendo mexer. Ficou uma hora certinha (cronometrou-a) sem ter uma erecção nem uma ejaculação, fazendo uma espécie de dança em que punha as mãos nas ancas e rodava, deitando gotas de esperma em seu redor... (daí os jornais! Pelo menos era limpo!).
Só falou quando eu, já dormente, tentei discretamente mudar de posição: não te mexas! Assim perturbas o meu psicológico!
Desculpe, respondi eu. E pensei: calha-me cada maluco! Uma hora da dança do pinga-pinga!... Ao final, perguntou se podia ir-se lavar e depois de pronto perguntou quanto devia. Eu cobrei o valor de fantasia (que afinal foi do que se tratou).
Bem, foi a pior "não-queca" que já dei na vida!
Outro que também não me hei-de esquecer foi logo ao início desta minha actividade.
Ligou, disse que tinha uma fantasia, perguntou se podia ser e valores.
Passada cerca de meia hora aparece, acompanhado de uma senhora mais idosa.
Resumindo: era um miúdo de vinte e poucos anos que me queria comer com a mãe a assistir... a senhora ficou toda nua mas sem, em momento algum, se intrometer entre nós os dois; olhando fixamente para o que fazíamos...
Ora bem, evidentemente, entre aqueles dois tinha que existir algum tipo de relacionamento sexual ou pelo menos libidinoso.Se ela era mãe dele ou não, não sei, mas tinha idade para o ser e, não o sendo, era esse o papel que encarnava numa relação claramente incestuosa...
O meu papel no meio daquilo tudo, não o compreendi nem faço questão...
Com toda a certeza, Freud explicaria...
E por hoje acabo por aqui as histórias"sórdidas"...
Tenho muito mais para contar mas aguardem os próximos capítulos... ;)
Beijinhos.


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

Frasquinhos de perfume do Japão, em diversos materiais

Pequenos frascos em osso, porcelana e vidro.
O frasquinho em vidro é pintado por dentro, à mão, com paciência de Chinês (ou de Japonês), usando pincéis finíssimos.


12 Março 2012

Ah, sortudas crianças da Europa do Leste...

«respostas a perguntas inexistentes (194)» - bagaço amarelo

sobre a decisão de Amar

O maior equívoco sobre o Amor é acreditar que ele acontece sem mais nem menos. Não acontece. O Amor é sempre uma decisão, tal como o é deixar de pôr açúcar no café, fazer uma viagem à América do Sul ou ficar a dormir num Domingo à tarde. Decidimos aquilo que vai modelar em grande parte os nossos dias, e normalmente as pessoas que andam sempre mal de Amor são aquelas a quem falta a coragem de tomar uma decisão.
O problemas das decisões é que nem sempre estão certas, e isso deve-se à nossa condição humana. Errar é humano, dizem. Pois nesse aspecto eu devo ser o mais humanos de todos. Passei a vida a tomar decisões erradas das quais, no entanto, não me arrependo. Foram decisões que, apesar de tudo, me foram permitindo Amar. É verdade que talvez tenha tomado algumas decisões menos boas porque, em vez da solidão, sempre fui preferindo os Amores possíveis. À falta de melhor era por eles que me decidia. Ainda bem que o fiz, no entanto, pois foi com eles que aprendi isso mesmo: que o Amor é uma decisão.
Sempre que me acreditava apaixonado por alguém, o meu primeiro pensamento era o de ter esse Amor que estava ali à mão de semear. Foi assim toda a vida, e só percebi esse meu grande erro quando me apaixonei pela Raquel. Quero que este Amor me tenha, pensei. Nessa noite ela ensinou-me que o Amor é maior do que eu e tomei a decisão de a Amar.
A diferença entre um Amor que temos, por muito bom que seja, e um Amor que nos tem a nós, tem exactamente a ver com a capacidade de decidir sobre ele. Perdemos o controle sobre tudo o que nos tem a nós e, por isso, também a capacidade de decidir o seu fim. É que o fim de um Amor também é sempre uma decisão.
Percebem?


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

«A Imaginação Pornográfica» - livro de Susan Sontag


Neste pequeno ensaio (34 páginas) de 1967, Susan Sontag aborda a pornografia vista como "modalidade ou uso menor no interior das artes". Mais especificamente, "o género literário para o qual, na falta de um nome melhor, estou disposta a aceitar (na privacidade do debate intelectual autêntico, não nos tribunais) o duvidoso rótulo de pornografia".
Segundo Susan Sontag, "a avalancha de obras artísticas comerciais vendidas ilegalmente por dois séculos e, agora, cada vez mais, fora de mercado, não impugna a condição de literatura" de livros pornográficos como "Trois Filles de leur Mère, de Pierre Louys, Histoire de l’Oeil e Madame Edwarda, de George Bataille, e as pseudónimas História de O e A Imagem", por exemplo. E adianta: "A proporção de literatura autêntica em relação ao refugo, na pornografia, talvez seja um pouco menor que a proporção de romances de genuíno mérito literário face a todo o volume de ficção subliterária produzida para o gosto popular".
Susan Sontag alerta que "a pornografia é uma doença a ser diagnosticada e uma ocasião para julgamento. É alguma coisa frente à qual se é contra ou a favor". E em que os extremos se tocam: "a mesma abordagem fundamental do tema é partilhada por eloquentes defensores recentes do direito e da obrigação da sociedade em censurar livros sujos e por aqueles que antevêem as consequências perniciosas de uma política de censura, muito piores que qualquer dano causado pelos próprios livros. Tanto os libertários como os presumidos censores concordam em reduzir a pornografia a um sintoma patológico e a uma mercadoria social problemática".
Constata que "a pornografia raramente é vista como mais interessante que textos que ilustram uma interrupção deplorável no desenvolvimento sexual do adulto normal". "A crescente produção de livros “sujos” é atribuída a um legado maligno da repressão sexual cristã e à mera ignorância psicológica", ao "impacto dos drásticos deslocamentos nos modos tradicionais da família e da ordem política" e à "mudança anárquica nos papéis sexuais".
Susan Sontag identifica quatro razões apontadas pelos que excluem a pornografia da literatura:
1) "a maneira completamente unívoca em que os livros de pornografia se dirigem ao leitor, propondo-se a excitá-lo sexualmente, é antitética à complexa função da literatura";
2) "nas obras de pornografia falta a forma de começo-meio-e-fim característica da literatura. Uma peça de ficção pornográfica mal inventa uma indisfarçada desculpa para um início e, uma vez tendo começado, avança às cegas e termina nenhures";
3) "o texto pornográfico não é capaz de evidenciar nenhum cuidado com seu meio de expressão enquanto tal (a preocupação da literatura), uma vez que o propósito da pornografia é inspirar uma série de fantasias não-verbais em que a linguagem desempenha um papel secundário, meramente instrumental";
4) "o tema da literatura é a relação dos seres humanos uns com os outros, seus complexos sentimentos e emoções; a pornografia, em contraste, desdenha as pessoas plenamente formadas (a psicologia e o retrato social), é desatenta à questão dos motivos e de sua credibilidade, e narra apenas as transações infatigáveis e imotivadas de órgãos despersonalizados"...

... e rebate-as nas páginas seguintes deste estudo, acusando os padrões e a hipocrisia existentes: "os valores usualmente aplicados à pornografia são, afinal, os pertencentes à psiquiatria e aos estudos sociais, mais que à arte. (Desde que a cristandade elevou a fasquia e se concentrou no comportamento sexual como a raiz da virtude, tudo aquilo que pertença a sexo tem sido um “caso especial” na nossa cultura, provocando atitudes peculiarmente inconsistentes)". E faz uma comparação nada católica: "a pornografia que é autêntica literatura visa “excitar” da mesma forma que os livros que revelam uma forma extrema de experiência religiosa têm como propósito “converter”".
Defende "que “o obsceno” é uma noção primal do conhecimento humano, algo muito mais profundo que a repercussão de uma aversão doentia da sociedade ao corpo".
Em algumas constatações, Susan Sontag assusta-me. Por exemplo, esta: "Por domesticada que possa ser, a sexualidade permanece como uma das forças demoníacas na consciência do homem – impelindo-nos, de quando em quando, para perto de proibições e desejos perigosos, que abrangem do impulso de cometer uma súbita violência arbitrária contra outra pessoa ao anseio voluptuoso de extinção da consciência, à ânsia da própria morte". E defende que "o tema da pornografia não é, em última instância, o sexo, mas a morte". A morte "é o único fim para a odisseia da imaginação pornográfica quando ela se torna sistemática; vale dizer, quando ela se centra nos prazeres da transgressão, e não no mero prazer". Mas depois, sinto algum alívio: "A pornografia, considerada como uma forma artística ou criadora de arte na imaginação humana, é uma expressão daquilo que William James chamou “mentalidade mórbida”. Mas James, sem dúvida, estava correto quando propôs, como parte de sua definição de mentalidade mórbida, que essa abrangia “uma escala mais ampla” de experiência que a mentalidade saudável".
Susan Sontag conclui: "Se há tantos que oscilam à beira do assassinato, da desumanização, da deformidade e do desespero sexuais, e se devêssemos agir de acordo com esse pensamento, então uma censura que jamais imaginaram os inimigos indignados da pornografia pareceria adequada. Se é esse o caso, não somente a pornografia mas todas as formas de arte e conhecimento autênticas – em outras palavras, todas as formas de verdade – são suspeitas e perigosas".

O texto está disponível para descarregar aqui, em formato pdf.

Saber perdoar

É algo que nosso amigo Jesus Cristo ensinou.




Meninas estão permitidas para fazer cagadas no trânsito.

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