18 abril 2015

«Beer Buddies» (amigos da cerveja) filme em VHS de Kris Studios (Chicago)


Beer Buddies a film by Kris Studios Chicago. from Leather Archives & Museum on Vimeo.

«A casa assombrada» - por Rui Felício


Era na única rua do Chão do Bispo que morava o Dr. Sebastião Nunes, chefe de secção no Banco de Portugal, à Portagem.
A casa era própria. Tinha-a comprado, ainda novo, aos herdeiros do antigo proprietário, o fidalgo D. Thomaz de Noronha. Ficou-lhe barata porque ninguém a queria. Dizia-se que estava assombrada.
Colocou-lhe na cimalha um dístico pretensioso em letras metálicas douradas cravadas no granito:
Villa Sebastiana.
Na frente havia um jardinzinho que se encurvava para a esquerda, debruado a bucho de uns oitenta centímetros de altura, rasgado a meio por um pequeno portão de ferro forjado.
Os arbustos bordejavam todo o jardim, como um muro vegetal, sob o vão da varanda lateral do primeiro andar, que corria em volta de toda a mansão.
O Dr. Sebastião nunca casou. Não que acreditasse na maldição da casa onde, contava-se em surdina, o fidalgo D. Thomaz de Noronha tinha sido degolado pela sua mulher que em seguida se suicidou.
Mas à cautela, achava que era melhor não desafiar os espíritos malignos que o povo dizia que pairavam pelo casarão para levar para os infernos quem ali se atrevesse a viver maritalmente.
Para além de que, com a sua figura, teria sido difícil encontrar companheira.
O Sebastião era um homem grave, circunspecto, sisudo, de ventre proeminente e calvície brilhante.
As mãos popudas, de dedos curtos, seguravam uma eterna pasta de cabedal engraxado, feita de encomenda em pele de vaca, pelos presidiários da Penitenciária de Coimbra.
Nela trazia papéis da repartição, não com o fito de os ler, mas para agradar ao Director do Banco que assim ficaria a pensar que o zeloso funcionário levava trabalho para casa.
Na ponta do nariz abatatado onde medrava uma verruga, encavalitavam-se umas cangalhas de aros grossos.
Pesado e asmático, ajoujado ao peso da pasta e balouçando-se ao traulitar cadenciado do bastão encastoado a ouro, em que se apoiava para disfarçar o manquejar, era com grande esforço que vencia os dois degraus da porta de entrada.
Certo dia, enquanto esperava o trolley do Calhabé, uma prostituta sorriu-lhe, encostou-lhe o seio libidinosamente ao braço, sussurrou-lhe que o queria, e o Dr. Sebastião endoidou, sentiu o corpo estremecer de desejo, depois de tantos e tantos anos de abstinência e convidou-a a pernoitar na sua casa.
No dia seguinte, o Diário de Coimbra titulava a toda a largura da primeira página, que o ilustre Dr. Sebastião e uma mulher ainda não identificada, foram encontrados numa poça de sangue, abraçados um ao outro, no leito de um quarto da Villa Sebastiana, bárbaramente degolados.

Rui Felicio
Blog Encontro de Gerações
Blog Escrito e Lido

Príapo magnético

Pequeno íman de frigorífico.
Veio da Turquia para a minha colecção.



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«Aula de educação sexual» - Adão Iturrusgarai


17 abril 2015

Bacchus Racchus - «The Watt»


Bacchus Racchus - The What from Lucas Revolution on Vimeo.

Postalinho de Santiago (2ª série - 1)

"Coisas que se encontram ao longo do Caminho Português pela Costa para Santiago de Compostela"
Antonino S.




«Papel de embrulho» - João

"A pornografia é sempre fácil. É a parte mais fácil, a coisa mais simples. Pegar em dois corpos despidos ou a caminho da nudez, descrever um cenário onde eles possam ondular em conjunto, salpicar os parágrafos de conas, caralhos e manteiga, pintar danças com gemidos e frases derretidas. A pornografia é sempre fácil, é o que de superficial existe, está à flor da pele, toda a gente a percebe, desde os mais argutos aos mais limitados. Mas eu não escrevo na prateleira de baixo, eu imagino-me sempre noutro sítio qualquer, e a minha pornografia é apenas o embrulho, o papel para rasgar, o somatório de entrelinhas reservadas a quem é sagaz. Porque difícil, muito difícil, é escrever sem escrever, dizer mais numa vírgula que numa frase inteira, esconder na pornografia que parecia simples, fácil, tanta coisa que afinal está dentro dela. Assim, bem se vê, a pornografia já não é sempre fácil. Já não é a coisa mais simples. Só para quem veja mal, porque quem veja bem, quem tenha o tacto apurado, percebe. Percebe que a pornografia esconde coisas muito mais profundas. E de uma frase ou duas, tira páginas e páginas de gente, de sangue veloz, daquilo que se encontra no fundo do olhar. E isso já não é fácil. É preciso quem consiga rasgar o papel de embrulho. E ver (muito) além."

João
Geografia das Curvas

Gerações em choque



HenriCartoon

«Relaxa» - Shut up, Cláudia!




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16 abril 2015

Josephine Witt

a activista freelance
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Viva o desporto da Europa de Leste!

Cheerleaders sérvias dos Red Star Belgrade:



Cheerleaders lituanas dos Zalgiris Kaunas:





... e na Europa de Leste ainda há Albanesas, Bielorrussas, Bósnias, Búlgaras, Checas, Croatas, Eslovacas, Eslovenas, Estónias, Húngaras, Kosovares, Letãs, Macedónicas, Moldavas, Montenegrinas, Polacas, Romenas, Russas, Ucranianas,...

«respostas a perguntas inexistentes (298)» - bagaço amarelo

o meu Amor e o mundo

Espantam-me os apaixonados que não sentem ciúmes. Eu cá sou um homem ciumento, apesar de não ter ciúmes de ninguém. É com o mundo que me zango constantemente, por ter mais do meu Amor do que eu próprio. Chamo-lhe nomes, mas ele não me liga nenhuma. Filho da puta!
É que é sempre assim quando me apaixono. Vem o mundo e zás, estraga tudo. Tem a mania de atrair as atenções e eu que me lixe. Fico como um cão abandonado enquanto o meu Amor e Ele se divertem. É a merda do trabalho, dos programas baratos da tv por cabo, do livro que nunca acaba por mais páginas que passem e até da gastronomia.
Ainda há dias estávamos juntos na cama, acabadinhos de acordar, eu e o meu Amor, quando se decidiu levantar para ir comer torradas com doce. E eu com ciúmes daquilo tudo, à espera que eles decidam descansar um do outro para conseguir um pouco de atenção. Passei-me!
A única coisa que eu queria era que o mundo desaparecesse cada vez que me apaixono, mas isso nunca acontece. É um chato. O mundo parece um vendedor ambulante, sempre a tocar à campainha nos piores momentos.
Quando alguém me diz que nunca teve ciúmes, então é porque nunca esteve apaixonado. O Amor é isso: ter ciúmes do mundo.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Erotismo em miniatura

4 pequenas peças em metal dourado: pénis alado, anel com mulher, mulher sentada e colher com duas mulheres.
Peças com uma grande minúcia, da minha colecção.





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Assim não dá pra ser feliz



Capinaremos.com

15 abril 2015

Burlesque Punk Rock - «Dirty Martini»


Dirty Martini [Sub Esp] from Kimuak on Vimeo.

«Boa noite» - Rogier Willems


Rogier Willems

Novo postalinho da Ilha dos Caralhos

"Olá, São Rosas
Nas sextas feiras santas, fazemos uma festa na mata. Consta de almoço de raia de pitéu e jantar de papas laberças. Entre as duas refeições temos uma procissão à Ilha dos Caralhos, um local na Quinta de Fôja, Santana, Figueira da Foz. Lembras-te do postalinho dos pneumatóforos que te enviei? São os "caralhos" da ilha.
Pneumatóforos são raízes respiratórias de plantas adaptadas a viver em regiões alagadiças que possuem um solo lamacento, rico em detritos, porém pobre em oxigénio. Nesse tipo de ambiente desenvolvem-se raízes que crescem verticalmente, possuindo pequenos furos que permitem a entrada do oxigénio do ar e realizando a sua fixação e absorção.
A banda dos músicos é totalmente improvisada, sem qualquer ensaio anterior e tocam as músicas populares por todos conhecidas!
Bebe-se muito e come-se melhor.
Para o próximo ano convido-te."
Mário Rui C.















Mais que evidente!


14 abril 2015

«Corporate Occult»


"CORPORATE OCCULT" Huoratron Music Video from Cédric BLAISBOIS on Vimeo.

Falta de classes


A treta do dia dos namorados é uma armadilha capitalista para quem não respeita a monogamia.

Sharkinho
@sharkinho no Twitter

«luxúria dos amantes» - Licínia Girão

«Casal com violino», P. Cardoso, 1997 - óleo sobre tela
- colecção de arte erótica «a funda São»


seria pobre o horizonte
se não fosse a luxúria dos amantes
os verbos irregulares
com as badaladas sonhadas
teus beijos são fortes
como a tormenta das águas
meu corpo anseia teu afago
como a folha anseia o vento para voar
sonho os teus lábios nos meus numa dança sem ensaio
a tua pele na minha pele
como as borboletas nas flores
o teu destino sou eu
como as conchas são do mar
És a música da minha vida
o meu sonho mais profundo
minha paixão carnal delirante
meu amante de palavras e sentidos

Licínia Girão

«O Avisador de Estações»

Livro da nossa Aliciante Madalena Palma.
A Mad é uma das muitas pérolas que tive e tenho o privilégio de conhecer graças ao blog «a funda São». E esta publicação é mais do que merecida. Por ela e por nós todos. Os seus poemas e os seus textos combinam muito bem com o cheiro do papel que emana deste livro quando se passa cada página.
Mas aviso já que não conseguimos ler «O Avisador de Estações» relaxados. Não podemos, com poemas como este:

Senta-te e relaxa...

Encosta-te na cadeira e repousa a cabeça.
Não tires nunca os olhos do meu corpo.
Segue os meus dedos.
Vê o poder que exerces em mim e a vontade que sinto.
Não te mexas.
Mantém-te aí.
Nunca pares de seguir os meus dedos e as ondas do meu corpo.
Vê como as minhas mãos navegam sôfregas pelo mar revolto em que me transformo quando me apeteces.
Não saias daí.
Continua a olhar.
Delicia-te.
Não feches os olhos mesmo que eu feche os meus.
Vem
Demoras muito?

O exemplar da minha colecção tem uma dedicatória da Madalena que me deixa toda molhadinha. Mas também podes encomendar o teu exemplar à Madalena, comprá-lo na Chiado Editora ou em algumas livrarias (como a Bertrand ou a Wook).



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13 abril 2015

VH1 - «Dating Naked presents: Dancing Naked Stunt»

«Pausa para te vires» - João

"Milhares passam por ali, é espaço de bulício, de pressa, de pessoas que correm para um lado qualquer, lados distintos dos nossos, e nós a passar, com tempo, com algum tempo ainda, e com a tesão nos corpos, e tu puxas-me pelo braço e dizes-me que é ali, é ali, mas que loucura, ali não podemos, não, dizes, ali podemos, vamos, e nós vamos, e entramos, e fechamos a porta atrás de nós, trancamos a porta, e empurro-te contra a parede mais próxima, colo a minha boca à tua, subo apressado a tua saia, enfio a minha mão na tua lingerie sem delicadezas e massajo vigorosamente a tua cona enquanto te beijo e as tuas mãos me agarram, me seguram, eu em pé e tu de pé, descomposta, descompostos, amparada por mim quando depressa te vens, e depois, depois num rearranjo da roupa e num ar aprumado, irrepreensível, abrimos a porta e caminhamos depressa, com rostos inocentes como que gente ao engano, e lá vamos, a esconder um segredo em sorrisos, misturados na mole de gente em pressa, de um lado para o outro, que a vida afinal é isto."

João
Geografia das Curvas

Henry Miller e Anais Nin - foto de Man Ray


Um sábado qualquer... - «Beleza relativa»



Um sábado qualquer...

12 abril 2015

Paolo Pasolini - «Salo 120 Giornate di Sodoma» (filme completo)


Paolo Pasolini Salo 120 Giornate di Sodoma from Vitruvius Technologos on Vimeo.

Luís Gaspar lê «Os lagartos ao sol» de Alexandre O’Neill


Expõe ao sol a perna escalavrada,
no jardim do Príncipe Real,
uma velha inglesa. Não há nada
tão bonito (pra mim), so natural.

E conversamos: “Helioterapia
medicina barata em Portugal”.
Accionista do sol, ajudo à missa:
“But, não muito, que senão faz mal”.

Gozosos, eu e a velha, ali ficamos
à mercê de meninos e marçanos.
Ela, a inglesa, de perninha à vela;
e eu, o português, à perna dela.

Talvez que, se Briol nos conservara,
alguém um dia nos ajardinara.

Alexandre O’Neill
Alexandre Manuel Vahía de Castro O'Neill (Lisboa, 19 de Dezembro de 1924 - Lisboa, 21 de Agosto de 1986), ou simplesmente Alexandre O'Neill, descendente de irlandeses, foi um importante poeta do movimento surrealista.
Ouçam este texto na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

Elevador do Lavra


(Foto © J.P. Sousa, 2007, Creep)

Desde que a pila passou a despertar todas as manhãs como um relógio suíço optou pelas mulheres mais velhas para se livrar da camada de rococós necessários para uma miúda fazer uma coisa tão simples como abrir as pernas e deixá-lo ir.

Mais a mais, o tempo ensinou-lhe ainda estudante que as mulheres independentes em matéria financeira não se importavam com a falta de dinheiro nos bolsos desde que não faltasse o afluxo sanguíneo à charrua e pagavam tudo e mais umas botas. E para manter o trabalho de campo bastava fingir agrado em satisfazer o mais pequeno capricho, como uma inenarrável visita a uma loja para escolher uma roupinha.

Lavrando nestes procedimentos conseguiu da sua primeira chefe privilégios no trabalho e muitas farras até com férias pagas mas nada em seu nome pelo que começou a amanhar as amigas da casa com mais de sete anos de casamento e rapidamente aumentou o seu património com muita saliva e crescente técnica de retenção do produto mais tempo na fonte.

Neste efeito bola de neve conheceu e finalmente casou com uma viúva proprietária de um império hoteleiro onde combate o tédio dando aulas de golfe a jovenzinhas de pernas esguias com um capitel de calçõezinhos flutuantes e palas na testa a fazerem sombra no peito que estrebucha no pólo porque cada um é para o que se faz e é isto que ele sabe cultivar.


É o fado...

A minha maior desilusão é só ter 30cm de pila. Fiquei a um escasso centímetro de poder usar a expressão “31 de boca” com toda a legitimidade

Patife
@FF_Patife no Twitter