03 dezembro 2014

Postalinho do cante de galo

"Catavento erótico no Alentejo.
O galo em cima da galinha. Veja-se bem espalmada!
Saudações de continuação de boas publicações!"
Paulo Moreira


Nada como ver galar para o Bartolomeu oder:

"É no Alentejo, no Minho e no Algarve
Que o galo monta a galinha
Como se fosse um alarve
Mesmo só tendo pilinha.

Só em Freamunde, o capão
Se lixa ainda muito jovem
Capam-no, tiram-lhe o tesão
E depois, foder já não podem

Mas engordam como o caralho
e até ficam mais saborosos
Sempre lhes poupam o trabalho
Daqueles pitos caprichosos

Porque o tacho, está garantido
Seja com arroz, massa ou batata
Quer tenham ou não fodido
São comidos pela malta.

Sorte, têm outros galos
Que por aí andam contentes
Mesmo não possuindo falos
São a alegria das gentes

Dão entrevistas e discursos
em tudo o que é televisão
Mesmo que estejam murchos
ninguém lhes confere o tesão."

E a Mamãe não pode ver nenhum macho a cantar de galo que o ode também:

"Será que o Bartolo,
Meu... parceiro virtual,
Consegue ser como o galo,
Trepando no varal?

Ele fala de tesão
Como se mestre na arte fosse.
Parece-me cá, do Brasil.
Que pela galinha encantou-se.

Fode lá, ali, acolá.
No Bar, Tolo, ele fodeu.
Resta-me saber se a São,
Também ele a comeu.

Vou parando por aqui,
Antes que me apunhalem,
Já que a pica do Bartolo... teu
É maior que o Cometa Halley."

E a mim, aqui caladinha, também me oderam:

"A São ainda não fodi,
Nem a vou foder, sequer!
A São é virtual, não tem pi pi.
E não sei se é mulher..."

[Acordam da relação do Porto de 11 de Novembro de 1793 sobre a contenta do cano das Freiras d'Amarante com os Frades da mesma Vila]

"Acordam em Relação, vistos estes autos, etc.

As autoras, D. Abadessa, Discretas e mais religiosas do Real Convento de Santa Clara de Amarante, mostram ter um cano seu próprio por onde despejam as suas imundices e enxurradas, o qual atravessa de meio a meio a Fazenda dos Frades dominicos da mesma vila.
Provam elas autoras a posse em que estão de o limpar quando precisam. Os réus prior e mais religiosos do Convento de S. Gonçalo, assim o confessam e se defendem dizendo: que lhes parece muito mal que lhes bulam e mecham na sua Fazenda sem ser à sus disposição; que conhecendo a sus necessidade da limpeza do cano das Madres tinham feito unir o seu cano ao delas para mais facilmente se providenciarem as cousas, por cujo modo vinham a receber proveito.
Portanto e mais dos autos; vendo-se claramente que aquela posse só podia nascer do abuso; vendo-se mais a boa vontade com que os réus se prestam e obrigam a limpar o cano das Madres autoras e que outrossim da união resulta conhecido beneficio, conclue-se visivelmente que tais duvidas e questões da parte das autoras só podem nascer de capricho sublime e temperamento ardente que precisa mitigar-se para bem d'ambas as partes.
Pelo que mandam que o cano das Freiras autoras seja sempre conservado corrente e desembaraçado, unido ou não unido ao cano dos réus, segundo o gosto destes e inteiramente à sua disposição, sem que as Freiras, autoras, possam intrometer-se no dia e hora nem nos modos ou maneiras da limpeza, a qual desde já fica entregue à vontade dos réus, que a hão-de fazer com prudência e bem por terem bons instrumentos seus próprios o que é bem conhecido das autoras que o não negam nem contestam.
E quando aconteça, o que não é presumível, que os réus, de propósito ou por omissão, deixem entupir o cano das autoras, em tal caso lhes deixam o direito salvo contra os réus, podendo desde logo governar na limpeza do dito seu cano, mesmo por meios indirectos e usando de suspiros, ainda usando do cano dos réus, precedendo primeiro a uma visturia feita pelo Juiz de Fora com assistência de peritos louvados sobre o cano das autoras ... " [não se entende a parte final]

Via Almocreve das Petas

Sorte ao jogo?...


02 dezembro 2014

«Flintstones» - António Zambujo



O Bartolomeu inspira-se e ode:

"Vá lá, Wilma, abre a porta... das traseiras
e deixa o Fred Flintstone entrar
E se o fizeres com boas maneiras,
Podes crer que ele te irá enrabar.

Tu bem sabes como gostas
daquela moca grande e rija
Que te desce pelas costas
E só amolece quando mija.

Vai lá, Wilma, com um sorriso
Abrir a porta ao rapaz.
Põe esse teu ar submisso
e oferece-lhe a porta de trás!

Vê como ele se apresenta
tesinho como um carapau
Para te dar uma, bem lenta
E uma dose de tau, tau, tau!"

Postalinho da Estónia (3)

"Tallinn.
Aqui os portugueses são muito conceituados.
No Museu Marítimo temos o grande Vasco da Cama."
JCI


«Poema decadente» - Susana Duarte

poema:
lexema
desenhado nas costas das mãos;

costas
no ventre,
enfrentando a solidão.

poema:
mulher escrita no chão.

vento norte.

mulher-poema:
ventre-eterna solidão.

poema escrito nos olhos,
sopro de vida nos dedos,
manhã de agosto

a contragosto

antecâmara do desgosto.

não existes, aí, para onde foste,
ainda que creias ter reescrito

o poema
dos teus dias.

sonhaste.
mais depressa fugirias.
fantasma lúgubre dos meus dias.

tu, que não voltas:
poema decadente nas mãos da mulher
escrita no ventre.

Susana Duarte
Blog Terra de Encanto

O enlace dos deuses

Quadro original que veio do Tibete para a minha colecção.

Visita a página da colecção no Facebook (e, já agora, também a minha página pessoal)


01 dezembro 2014

«Everyone is gay» (todos somos gays) - 22º Mix Brasil Festival

Postalinho do Nepal (7)

"Templo de Changu Narayan, também Património Mundial da Humanidade."
Daisy Moreirinhas




«respostas a perguntas inexistentes (289)» - bagaço amarelo

À medida que os anos passam e vamos envelhecendo, as nossas memórias afastam-se e vão ficando cada vez mais pequeninas. É como se fossem objetos no espelho retrovisor dum automóvel em andamento que numa curva qualquer podem desaparecer para sempre. Às vezes apetece-me encostar e ficar a olhar para trás, na esperança de que alguma decida vir ter comigo, mesmo que apenas por alguns momentos.
Pelas minhas contas foi há vinte e seis ou vinte e sete anos que eu ganhei o hábito de, sempre ao fim da tarde, sair de casa e sentar-me num muro que ficava a uns dois quilómetros de distância. Não fazia mais nada do que ficar ali sentado a ver a vida a passar. Depois, quando a hora do jantar se aproximava, voltava para casa.
Nunca expliquei a ninguém, nem sequer a mim mesmo, por que motivo o fazia. Sei apenas que o fazia e que me sentia bem ao fazê-lo. Acho que sentia a capacidade de parar perante um mundo que continuava a mover-se indiferente a tudo. No fundo, sentia-me um observador, totalmente isolado e independente, como se fosse um cientista num laboratório a olhar para ratinhos brancos.
Os meus ratinhos brancos, claro, eram as pessoas que passavam por mim. Algumas em passo apressado, outras mais calmas e outras ainda que esperavam apenas pelo autocarro numa paragem que era mais ou menos concorrida.
Houve um dia qualquer em que a Joana se sentou ao meu lado. Quando digo ao meu lado, digo mesmo ao meu lado, naquilo que se pode considerar uma distância reservada a pessoas íntimas. A mão dela tocou na minha, que por sua vez abraçava uma das esquinas do muro. No princípio não disse nada, mas depois admitiu que estava curiosa por me ver sentado ali quase todos os fins de tarde. Não me via a andar nem depressa nem devagar, muito menos a entrar num autocarro. Apercebi-me que para ela, que vivia num dos apartamentos mesmo em frente e a janela do quarto dela dava para o muro onde eu me sentava, eu era o ratinho branco.
Vinte e seis ou vinte e sete anos é uma quantidade de tempo que não me parece tão grande como quando eu me sentava nesse muro, o que é natural. Como tinha vivido menos, o tempo que passava era sempre gigantesco, pelo menos quando comparado com a minha reduzida vida.
Ainda assim, esta memória estava a desaparecer. Só a recuperei num jantar que fiz a semana passada com a Joana, que ainda é minha amiga hoje em dia, depois de alguns períodos em que estivemos mais próximos e outros mais afastados. Ela lembrava-se de alguns pormenores, eu de outros, e acabámos por reconstruir um dos pequenos cantinhos da minha vida. Da dela também, claro.
A memória coletiva é sempre mais eficaz e certeira do que a singular. É por isso que, quando encosto o automóvel para olhar para trás e tentar recuperar alguma coisa perdida, gosto de levar alguém ao meu lado.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Adrenalina



Capinaremos.com

30 novembro 2014

O imoral Sr. Teas

The Immoral Mr. Teas (Russ Meyer, 1959), Teaser from Troy Bordun on Vimeo.

Luís Gaspar lê «Vem» de Lou Alma


Vem construir felicidades
no segredo dos entendimentos
Vem com tuas mãos
tocar a música
que só tu consegues retirar
do meu corpo.
Vem trocar as voltas ao vento,
calar as ondas do mar!
Finge-te Deus
dum destino
que só a nós cabe ditar.
Saudade doi!
A dor do silêncio,
a distância…
o tormento dum corpo calado.
A orquestra que espera
O reinicio da sinfonia…
A sintonia
de quem domou as tempestades

Calamos vaidades
Sabemos a_mar

Lou Alma
(Poema inserido ao abrigo do direito dos inscritos na Loja da Raposa, poderem propor para declamação um poema seu ou de um autor preferido)
Ouçam este texto na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

Camiliano



Àquela hora da manhã não sei que raio de impulso de nossa senhora dos aflitos me deu para largar a bica e me levantar a interpor-me entre o murro certeiro do grandalhão e a cara dele. Talvez a quase certeza de que os homens não batem numa mulher a não ser no recato doméstico sem audiências, mas adiante.

Ele agradeceu-me polidamente com um novo café e fiz das tripas coração para não lhe berrar que a mim gajo nenhum paga coisa alguma. E ele lá foi abrindo as suas asas de deputado desterrado para a capital e circundado de gente por todos os lados, com propostas de acção, de negócio e de troca de favores a abarrotar-lhe os dias. Nem lhe faltava sexo mesmo, para depois lhe pedirem um emprego melhor, para si ou alguém da família, ou um jeitinho para despachar uma licença na câmara junto daquele gajo que ele até conhecia. E tanto mais que choviam gajas a colarem-se com o corpinho todo pelo prazer de depois passearem o seu estatuto pelo braço. Às vezes até gastava umas notas valentes com meninas de preço tabelado só para escolher  o que pagava, à sua maneira.

Recolhi os instintos de o despir e de lhe apaziguar as mágoas com muita transpiração numa confusão de sexos na boca e mãos cravadas em nádegas e, até da magia de fazer crescer uma pila dentro de mim em toques sincronizados e espasmódicos de vagina porque ele não precisava de uma foda mas de um par de orelhas meigas e amorosas que lhe espantasse a solidão dos dias.



Postalinho «a do meu vizinho é que hera»



28 novembro 2014

Postalinho doce

"Encontrei este biscoito peculiar que gostava de partilhar com vocês.
Foi numa pastelaria em Bragança."
João Moreno Pinto

Se o Rafael soubesse...

Haviam de ver a gaja que passou agora por mim. O meu bordalo já estava maior que um pinheiro.

Patife
@FF_Patife no Twitter

«Música em mim» - João

"Há sons altos, porventura muito altos mas menos que os sons nos nossos olhares, e há luzes, são brilhantes, pulsam, e ainda assim pulsam menos que os corações e os nossos corpos. Tu tens um copo na mão e eu também, a custo, e estamos os dois colados numa pista de dança apinhada, tão apinhada que nos parece vazia porque só ajuda, só empurra, só nos cola mais, aproxima a um mesmo espaço, comprimidos, tu e eu, e a tua boca já se cola ao meu ouvido e diz-me “vamos sair daqui”, e as minhas mãos seguram-te, e os nossos corpos estão quentes, estão suados, e eu mordo-te ligeiramente a orelha e só pergunto que queres fazer comigo, que queres fazer comigo doutora? E o som continua alto, e toda a gente se mexe, e há mãos no ar, há vibrações no ar, gente a dançar em cima de colunas, luzes coloridas, e tu na confusão a meter a mão nas minhas calças, e o meu caralho a dançar contigo, e o teu rabo nas minhas mãos, e tu a insistir, que vamos sair daqui, vamos sair daqui que te fodo e não quero que te venhas no meio desta gente toda, porque te quero só para mim, só quero que te venhas sozinho comigo, não te partilho, não te entrego, não deixo ninguém entrar nas nossas cabeças, vamos sair daqui, que quero o teu caralho a entrar fundo na minha cona, e estou tão molhada João, estou a escorrer João, tira-me este copo da mão e agarra-me depressa, puxa-me pela mão e leva-me daqui para fora, para onde me possas encostar a uma parede qualquer, que eu já nem quero saber, e estamos os dois tão surdos e com tanta tesão, abram alas, e as gentes que se apinham na pista separam-se como as águas, e nós a fugir a pé seco, a largar as bebidas sem olhar a onde, e a correr dali, ora eu à frente, ora tu, um a puxar o outro pela mão, tu quase a tropeçar nos saltos altos e eu que te amparo e apalpo com gosto e ainda te digo que vais gostar, porque te vou foder, porque me vais foder bem, e os sons altos ficam mais longe e nós enfiamo-nos no escuro do carro e não dá mais, e tu saltas para cima de mim e dizes-me foda-se, que bom que isto é, João, que bom que isto é, e os vidros perdem a pouco e pouco a nitidez, até começarem a escorrer, como nós, até nos atirarmos de rastos encostados às portas, a ofegar, a dizer que isto não pode ser assim, foda-se pá, foda-se, não arranques ainda, vem cá, vem cá que ainda tenho música em mim…"
João
Geografia das Curvas

«Olha... byte!...»- Shut up, Cláudia!




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27 novembro 2014

A FODA COMO ELA É - Pugnette La Redoute

(Andei perdido uns meses pela América do Sul, estando agora de regresso ao Portugal, como dizem os emigrantes. Se estais curiosos, eis tudo o que precisais de saber: a América do Sul é um continente governado por uma chusma de déspotas infantilóides, reinando sobre hordas de labregos alienados e flatulentos - excesso de milho e feijão na dieta - cujo carácter oscila entre a bovinidade e extrema violência; tudo enquadrado por uma vertigem de beleza natural e excesso de fruta tropical. Não existe uma alheira num raio de 8000km. Não vão lá)

-"Oh, sim, brinca com as bolas, brinca" - nheca nheca nheca nheca nheca
Toda a homenagem costuma ser póstuma. Já se sabe que raras vezes se faz o elogio formal do homenageado em vida e plena actividade. Este caso não foge à regra e muito me entristece que haja caído nas abissais gretas da nossa lembrança e gratidão. Foda-se! - antes tarde que nunca. E quantos de uma inteira geração não devem boa parte da sua educação sexual às últimas páginas dessa bênção por correspondência, que foi a revista La Redoute? Quanta sarapitola e pasmo com os factos da vida à pala daquelas moças sem curvas nem sal, mas em cuecas e, como tal, fonte acessível de carne explícita para olhos ávidos de jovens punheteiros, imersos no impenetrável mistério da foda juvenil?... Milhões de punhos adolescentes se agitaram, em colectiva auto-descoberta peristáltica alimentada pela mesma fonte bibliográfica que nos trazia as malhas pelo Natal. Muito do que é hoje o Portugal sexual foi erigido lendo nos entrefolhos das últimas páginas da La Redoute. Como tal, pondo-me em hirta homenagem e batendo-lhe... continência, fica o panegírico esgalhado à sua saúde.

Postalinho do Nepal (5)

"Templo Pashupatinath em Bahktapur.
Património Mundial da Humanidade."
Daisy Moreirinhas





Lote de 7 notas e 6 moedas com motivos eróticos

A arte erótica também toca por vezes na pornografia. Nestes casos, na pornografia do dinheiro... humanizando-o... dentro do possível.


Um grande amigo meu, o Betes, visitou um dia a colecção e disse-me que tinha uma "nota" de um dólar que encontraram escondida na mesa de cabeceira do falecido avô. E ofereceu-ma. Aqui está:



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Postalinho de Tróia

26 novembro 2014

Dança do Sr. Peida


Booty dance from Cyril Helnwein on Vimeo.

Bocage à brasileira

Olás...

Oh, Coisa Boa!


Juntem um pau tesudo
E a espessa secreção da vagina mais vistosa.
Em segundos  todo enrijecido,
Indo ao caminho do orgasmo.

Na boca, um entra e sai desvairado,
Espermas num frenesi sem igual.
Passo-te as mãos, tocando-te,
Com a língua te provo, muda.

De joelhos, imploro-te,
Fode-me, sempre, como agora
Feitos animais no cio, sem demora.

Engole um  pau a macia boca,
É assim que se devora,
O tesão que nos bate à  porta...

Agora!

Postalinho da Estónia (2)

"Loja de bonecas de Talinn"
JCI


Desfolhada



25 novembro 2014

Daisy


Daisy from Agathe Bray-B on Vimeo.

Postalinho do Nepal (4)

"Templo Pashupatinath em Bahktapur.
Património Mundial da Humanidade."
Daisy Moreirinhas





«Asas» - Susana Duarte

partiste,
e ficaste no recanto escuro
do teu próprio inferno
sem asas.

não ouses voltar
a tirar, das flores,
as pétalas.

não ouses roubar
as asas das borboletas.

Susana Duarte
Blog Terra de Encanto

«Chupar não mata» e «Chupar relaxa»

Lote de 4 pacotes de chupa-chupas.
Uma campanha corajosa (e de certa forma polémica), há cerca de 15 anos, da marca «Chupa-Chups».
Adoro publicidade... e há tanta, na minha colecção...

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