19 abril 2005

Hot Line

E não é que ele declarou que eu tinha uma voz bonita?!... Ai menina, imediatamente coloquei a voz num tom quente, pestanejei duas ou três vezes e pupilas nas pupilas, repliquei-lhe que ia investir numa linha de valor acrescentado para usar em pleno essa minha capacidade e poder repetir a toda a hora que o lambia de alto a baixo, murmurar-lhe que o dele era tão grande e o maior que já tinha visto e gemer alto e bom som uns ós e ás, roucos, densos e prolongados.

O espanto mudo dele a pegar no maço de tabaco e a molhar os lábios na cerveja, apenas fez pontuar a interrogação se não me custaria fazê-lo com estranhos. Fingi não perceber a lógica subjacente e teorizei sobre as boas práticas de qualquer linha de atendimento ao público em que apesar de não se conhecer intimamente cada cliente, se procura a satisfação deste como forma de garantir a sua fidelização. E como se não bastasse Sãozinha, acrescentei que é fácil excitar um gajo desfiando de forma sussurrante e arrastada a ladaínha «vou passar a minha língua, toda, da ponta da tua glande até às tuas bolinhas e do meio delas, vou voltar devagarinho, até cá cima e vou lamber toda a cabecinha, chupar só a pontinha e depois, pedacinho a pedacinho, engolir-te todo».

Oh São, eu fui sadicazita mas o galanteio da voz bonita é como o dos olhos bonitos, como se mais nada houvesse para elogiar.

Já há o Virtual Bartender II

Se uma empregada de mesa no Virtual Bartender já era interessante, agora com duas empregadas de mesa à espera das tuas instruções ainda fica melhor:

Virtual Bartender II
Testei com "show your boobies" e deu resultado. Bem, quase...
O Kasam sugere "2 strip", "ass" e "hands" (esta última surpreendeu-me).

18 abril 2005

Preso

Lutz Behnke

Tenho-te na ponta da língua
Não te solto.
As tuas mãos agitam-se
O teu corpo contorce-se
Não te solto.
Arquejas
Gemes
Não te solto.
Tenho-te preso na ponta da língua.
E preso dizes-me:
Não me soltes
Quero ficar.

Literatura fora da cadeia, já!

Libertem a literatura destas cadeias!
Os acusa-Cristos foram o OrCa, a Gotinha e o AdamastoR.
Mas como não gosto de ver ninguém de_pau_parado aqui me venho:

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Tive que ir pesquisar sobre o "Fahrenheit 451" para saber o que é (sim, sim, eu sou analfabruta): "Num Estado totalitário num futuro próximo, os 'bombeiros' têm como função principal queimar qualquer tipo de material impresso, pois foi convencionado que literatura é um propagador da infelicidade. Mas o protagonista do livro, um bombeiro, começa a questionar tal linha de raciocínio quando vê uma mulher preferir ser queimada com sua vasta biblioteca ao invés de permanecer viva."
Bem, visto isto... eu não quereria ser nenhum livro, especialmente pornográfico (que têm montes de páginas coladas).

Já alguma vez ficaste apanhadinha por um personagem de ficção?
Tantos e tantas vezes! De ficção e de fricção. Aliás, os livros de que gosto "lêem-se só com uma mão". Recordo-me sempre em especial de um agente da alfândega que, depois de pouca retórica (como eu gosto) teve esta deixa fenomenal para uma senhora que queria passar a fronteira: "Toma lá caralho e cala-te!"

Qual foi o último livro que compraste?
Acabei de receber três livros da Tusquet Editores, da colecção "La Sonrisa Vertical". O difícil foi escolher, entre tantos e tão bons. Aliás, desde há 25 anos que eles atribuem um prémio de literatura erótica:"El Bajel de las Vaginas Voraginosas" (com uma capa que é um miminho), "Kurt" e "El vizconde Pajillero de los Cojones Blandos" (erotismo surrealista).

Qual o último livro que leste?
"How to Make Love Like a Porn Star: A Cautionary Tale", um grande livro de uma grande senhora da pornografia: Jenna Jameson.

Que livros estás a ler?
"Uma História do Corpo na Idade Média", de Jacques Le Goff e Nicholas Truong.

Que livros levarias para uma ilha deserta?
Todos os livros (mais de mil) da minha colecção de arte erótica (alguém interessado em servir de mecenas?). Aliás, por causa do peso dos livros é que a porra do barco foi ao fundo... ou à funda?!

A quem vais passar este testemunho e porquê?
A ninguém, porque quero libertar a literatura desta cadeia!

Actriz do Amor, por AdamastoR

Tenho sérias dificuldades em concentrar-me na trama de um filme com a Asia Argento. E quanto mais o revejo, pior fica, porque ela só melhora.

Por isso aguardo com expectativa, o novo filme de Gus Van Sant - Last Days. Argento fará de Courtney Love e o filme, está bem de ver, conta os últimos dias da vida de Kurt Cobain, ainda que o personagem principal se chame Blake [interpretado por Michael Pitt - irmão de Brad].

A obra será apresentada no Festival de Cannes e, garante Van sant, não pretende lançar polémicas sobre o suicídio, ou não, do líder dos Nirvana. O filme é apenas a visão muito particular que o realizador fez da vida de Kobain, principalmente dos atormentados momentos que antecederam a sua morte, em Abril de 1994.

Muito possivelmente, ajudará à minha concentração, o facto de Asia surgir loira e de olheiras no queixo. Mas não é certo.

Publicidade Fenomenal





POWA - People Opposing Women Abuse
Uma ONG que luta contra o abuso das mulheres.
"Quando o leitor tenta folhear a revista, percebe que duas páginas estão coladas. É possível ver apenas parcialmente que há uma imagem de pernas femininas sob um lençol. Ao abrir a página, a cola vai cedendo, rasgando-a. Então, entendemos o anúncio: uma mulher nua deitada de pernas abertas e abaixo o título:
«If you have to force, it’s rape» (Se você forçar, é violação)."

Video de porrada

Toma! Toma! Toma!

Diário do Garfanho - Heaven Knows I'm Miserable Now

Num autocarro, em Lisboa, vou mais de 39 minutos ao lado de uma belíssima mulher - mais adjectivação é desnecessária e seria, sempre, redutora.
39 minutos a pensar, a reflectir, a questionar.
39 minutos a agravar uma úlcera (se a tivesse), com palpitações (se as sentisse).
39 minutos de angústia, de dúvida, de embaraço.
39 minutos a perscrutar os insondáveis caminhos do Senhor (se fosse crente).
39 minutos de desejo, de esperança, de devaneios.
39 minutos de olha, não olha; fala, não fala; sorri, não sorri.
39 minutos de cálculos, de considerações, de especulação.
E, um minuto depois de ela sair, a dúvida sufoca-me e já estou arrependido, para a vida!, de nunca vir a desatar o nó que se me formou na garganta:
Que roçou roçou. Agora se se roçou ou se apenas roçou... Aí é que está o cerne, o fulcro, o busílis da questão.

Uma Rosa é uma Rosa é uma Rosa (São Rosas)

17 abril 2005

Dick Hard no Centro de Estética

Dick Hard não podia ser considerado minimamente um metrossexual. Em primeiro lugar porque não gostava de andar de metropolitano. Depois, porque nunca tinha tido sexo em plena carruagem.
Por isso, quando a sua amiga Lolita lhe disse que não era preciso ser metrossexual para a acompanhar ao Centro de Estética, Dick Hard encolheu os ombros e deixou-se guiar, de braço dado, pelas labirínticas ruas de uma Lisboa antiga que já se mentalizara em aceitar um centro de estética.
O «Miminhos do Corpo» era um centro bem catita, com clientela do mais seleccionado. Esposas de gestores, viúvas de ex-traficantes de droga arrependidos, namoradas de seguranças de escritoras de livros de auto-ajuda, funcionárias de organismos estatais em vias de decomposição.
E como um centro de estética não tem de ser necessariamente dedicado às senhoras, o «Miminhos do Corpo» era bissexual, por motivos financeiros: tinha uma secção para senhoras e outra para cavalheiros. Era importante não descurar o negócio.
Lolita tocou à campainha e ouviu-se a voz de Vincent Price no filme de terror «O gato miou três vezes». Dick não percebeu bem a frase, mas era assim a modos que a atirar para o horripilante. Se fosse levada a sério. Com o Vincent Price era difícil levar o terror a sério. Que raio de ideia para um toque de campainha!
A porta abriu-se e na recepção estava uma loira do mais terrífico que se podia imaginar. Ver aquela menina e não poder saltar-lhe para a espinha com imediatismo era algo digno de um filme de terror com Boris Karloff ou Cristóvão Lee.
O Dick mais pequenino pôs-se aos saltos dentro das calças de ganga do dono:
- Ó pá, eu quero! Ó pá, eu quero! Ó pá, eu quero!
Dick deu-lhe a meia-volta do costume (como indicado no livro de Alberto Moravia, «Eu e ele») e sossegou o personagem.
Lolita dirigiu-se à Vânia Vitória (a menina da recepção que provocava erecções à velocidade da luz) e sorriu:
- Olá, o meu nome é Lolita Esplendores e tenho marcação de «Revisão Total Especial» para as 16 horas. Hoje trouxe um amigo meu. Gostaria de saber se é possível inscrevê-lo num programa especial de «Trate de si, cavalheiro».
- Pois é, D. Lolita, sem marcação para o seu amigo vai ser um pouco difícil. Hoje é um dia mau. Tem estado tudo cheio. Sabe como é, sexta-feira, dia de sol, vésperas de Primavera. As pessoas saem de casa com vontade de se tratar bem.
- Veja lá o que se pode fazer. Eu quase arrastei o meu amigo...
...
Será que ela abre a vaga para o Dick Hard? E será desta que a história acaba bem para o nosso herói? Duvido, mas lê o resto...

Nítido


Oh São, foi como voltar à adolescência!... A nítida frescura da pele dele e o sorriso genuíno que imprimia na cara incentivavam-me a rebolar pela humidade dos relvados da noite de Belém, preparada previamente de saia e isenta de cuecas, para o reconhecer explodindo em mim, na pressa de não sermos apanhados.
Era a brincadeira contínua do duche quente em que nos ensaboávamos para ele remexer em todas as direcções geodésicas da minha cavidade, defendendo que assim ficaria bem lavadinha enquanto engolia as gotinhas de água que me escorriam dos mamilos, para não se perder nada, obviamente. Eu afiançava-lhe que precisava do duche mais próximo para me matar a sede e engolia-o como bebida isotónica, com a água a salpicar-me os cabelos enquanto lhe sopesava as recargas que depois serviam de fio dental.
Era a pressa de responder a mais um sms que marcava encontro num sítio recôndito da cidade, para onde partia aos pulos, dançando em sapatos voadores, mesmo que fosse o escurinho do cinema, onde os beijos lânguidos e as mãos desassogadas e continuamente espalmadas na carne, por entre fechos e tecidos e lãs, impediam de apreciar condignamente a obra do realizador.
Mas, oh São, eu não estava preparada para encarar as coisas de forma séria como quando ele se ofereceu para fazer uma vasectomia.

Tomai e bebei: este é o meu prazer derramado por vós


(enviado por Roxy)
(título da Maria Árvore)