12 março 2010
Falta-lhe em estilo o que lhe sobra em entusiasmo
11 março 2010
A posta cortada rente
Pedófilos e violadores ocupam os lugares cimeiros dos meus factores de repulsa. Nunca aceitarei, entenderei ou desculparei qualquer pretexto que um desses inventar como desculpa para o seu inaceitável desvio.
A questão é pacífica para mim. Não existem atenuantes. E quando, como no caso do engenheiro trintão conhecido como o violador de Telheiras, invocam alegadas doenças e ainda têm a lata de pedirem ajuda não hesito: castração. Química ou propriamente dita, tanto faz. É mesmo de cortar o mal pela raiz e assim ajudar os pobres coitados, doentes e tal, a pouparem-se a tamanho martírio.
Claro que os pudores de muita gente chegam ao ponto de tornar a castração numa solução drástica, desumana e mais não sei o quê. Não falta quem prefira as soluções mais brandas, a fé num sistema judicial que liberta estes desgraçados, doentes e assim, ao fim de um anito ou dois, condenando-os a terem que enfrentar na rua os seus apetites pela aberração. E eu não consigo pactuar com essa corrente cruel que tende a dar cabo da vida a homens como o tal engenheiro de telecomunicações que guardava as terças feiras para ameaçar garotas, adolescentes, com uma faca e assim as obrigar a satisfazê-lo nas suas necessidades terapêuticas. Porque, como o próprio alega em sua defesa, é um doente e precisa de ajuda.
Eu gostava muito de poder ajudar as pobres criaturas reféns de tais maleitas, salvando-as dessa gente que acredita na reinserção social destas vítimas de um cérebro capaz de congeminar esquemas para abusar de gente pequena mas, estranhamente, sem neurónios que consigam processar a repulsa inata de qualquer ser humano perante tentações tão medonhas quanto nojentas.
Dessa ajuda, considerando o óbvio fracasso dos paninhos quentes do costume que dão tanto que fazer a psicólogos, assistentes sociais, polícias, advogados e por aí fora, e sobretudo tendo em conta que se trata de pessoas doentes, constaria a entrega dos pacientes à Medicina.
E nesse contexto eu privilegiaria sem dúvida como terapia uma cura definitiva, com fármacos eficazes. Mas acima de tudo com a misericórdia absoluta de um bem afiado bisturi.
Verdades simples
aquela que consegues ouvir
que te grito pelas mãos quando te beijam
(escuta)
mesmo que eu não diga
É essa a verdade que aninho em mim
aquela que consegues sentir
quando te beijo pelas mãos que te tocam
(sente)
mesmo que eu não diga
É essa a verdade e o princípio e o fim
aquela que sentes sorrir
quando os corpos simplesmente se beijam
(sou)
mesmo que eu não diga
Porque a verdade é sempre simples
(meu amor, tão simples)
quando se (re)conhece a luz
na pele de corpos nus.
Nu Piano Toca Uma Cítara
O dia para mim começa numa ogiva sôfrega (pálpebras abertas) penso em ti...
Por ti elevam-se os meus lábios, tocados.
O sexo, num manancial erecto. Fogo. Atrás de palavras, com a mão numa palavra, onde estou verdadeiramente debruçada. A mão fecha. Pede à boca que vibre. Um pensamento. Na substância deste meu instante carnal. Nu pensar.
Sobre a pele, o falo alto. O rosto queima-se. Num ritmo pensante, que inunda os sonhos. A fantasia queima.
Genitais em seda, apuram-se altos, nos nós dos dedos, na escrita suprema, no sentimento, tu. Colina em espuma, que a escrita arranca à mão que o escreve.
Agora.
Vibram pés, crus, carnais, ofegantes e vivos.
Sinto o plural, escondido na fluência dos movimentos. Atrás das noites, nas minhas noites, das nossas noites, onde a carne se une perfeita como um livro...
Gosto de pensar em ti, em cada um dos teus dedos, suspensos no meu corpo, entre folhas inspiradoras, enchendo-me de cardumes quentes, correntes de ar extremas e únicas.
Existe em mim um piano, quente e rápido. Que estala e aumenta o silêncio, tremente na minha boca pequena, coberta de entoações e poemas.
Existe em ti uma cítara, que me faz tremer do princípio ao fim, onde te amo, lentamente, entre o meu sexo e a tua boca, onde o silêncio é aplainado a cada beijo nosso...
Beijo,
10 março 2010
«Autoputaria» - poema de Ildásio Tavares
Foi o Ildásio quem prefaciou a minha antologia «Música do Mundo» editada no Brasil.
Casimiro de Brito, 4/3."
Autoputaria
O poeta é um fodedor
fode tão completamente
que chega a foder atrás
o que não fode na frente,
E os que fodem o que ele fode
na fodida sentem bem
não a foda que ele deu
mas as fodas que não têm.
E assim nas rodas da cona
gira a entreter a razão
este comboio de esperma
que se chama meu colhão.
Ildásio
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Esta maltinha não pode ler nada de que goste, que ode logo:
"O Ildásio tem mesmo ar de quem gosta tanto de «bifes» que até lambe a frigideira... eita macho brabo!
Tesão é fogo que arde sem parar,
é ferida que dói, e não se acalma;
é um contentamento para dar
três ou quatro fodas com muita calma.
É um não querer mais que bem foder
é um andar de pau-feito entre a gente;
é nunca contentar-se só por ver;
Um cu, uma boca, uma cona bem ardente(s).
É querer estar com "ele" bem entalado;
É foder um cu bem apertado
Ou fazer um minete bem caprichado
Saber como causar forte desejo
Nas conas e nos cus humanos, o mesmo ensejo
Peço desculpa ao Luís Vaz, por lhe ter avacalhado as rimas...
Bartolomeu"
O Santoninho até ode a dobrar:
"Ah! Ildásio, poeta do caralho,
Que chamas foder a enrabar!
Certo é que vais ter muito trabalho
Para estes conceitos explicar!
No Brasil se fode na buceta,
E enrabar... é comer o cu!
Não sei o que chamam à punheta
Mas... podes explicar-me tu?"
"Um poeta fode como os outros
Em rimas mais ou menos apressadas!
Fode no céu, na terra, até na lua...
Em redondilhas, sonetos e quadras!
O poeta é quem come o cu da musa
Que lhe inspira os versos desbragados!
E pede um broche quando está com tusa
E vem-se em ais e uis declamados!
Um poeta fode noite e dia sem parar,
Esteja sol, vento, chuva ou neve!
O tesão de um poeta é poetar...
E a poesia cantar em foda breve!"
Como anda tudo de saco cheio, o Bartolomeu dá uma segunda (ode):
"Sem cuecas vou p'rá cama
Já de pixota bem dura
Vou comer a cona à Ana
Aquela cona tão pura
Levo o caralho na mão
E a língua aos saltinhos
Ela já geme de tesão
Eu, exibo os pergaminhos
- Dá-me o teu bacamarte -
Com voz rouca, diz-me ela
- Fode-me com toda a arte
Ou atiro-te pela janela
Foi-se-me abaixo o tesão
Perante tão grande ameaça
Mas para não lhe dar razão
Mandei-lhe a língua à conaça
Nas suas mãozinhas de prata
Depositei-lhe o mangalho
Depois, espetei-lho na rata
Nunca tive melhor trabalho
- Come-me o cu depressinha -
Ordenou-me com precisão
Fui buscar óleo à cozinha
E lambuzei-lhe o cuzão
Depois bem devagarinho
Apontei-lhe a carola
Comi-lhe o cu com carinho
E acabei na ratola!"
O Santoninho não pode ver nada e ode outra também:
"Um poeta faz amor, rimando...
Dedilhando os lábios pelos seios,
Sentindo o coração da musa, arfando...
E usando os dedos, sem receios!
Ah! O que o poeta não faz pela mulher...
Ao ouvido lhe diz versos por que ela anseia...
E lhe deixam os membros a tremer!
A mulher, para um poeta, é uma teia...
Segreda versos, canta-lhe a beleza...
De carícias quentes, o corpo lhe regala!
Em cada gesto que a prende, há certeza
De que o poeta quer a musa, p'ra mimá-la!"
O OrCa odeu lá em cima, mas vale a pena repetir a ode aqui:
"ó palavras que me encheis a boca tanto
quanto o pranto preenche a alma vazia
ó palavras que me encheis de tal quebranto
quanto a fome de comer me dá azia
ó palavras que abocanho verso a verso
num poema sem tamanho apetecido
ó palavras com que mordo o universo
ao ficar de tanta fome remordido
ó palavras vinde a mim – tomai-me todo
tende em mim no corpo todo uma guarida
ó palavras dai-me alento se não fodo
pois sem vós nem sei bem que faça à vida
ó palavras de cumprir cada destino
elegantes ou de perfil curto e grosso
ó palavras contra a fome que abomino
dai-me alento que estou pr’àqui que nem posso
ó palavras minhas irmãs ou amantes
masturbáticas solenes coniventes
ó palavras que não fique como dantes
tudo em volta ao sairdes dos meus dentes!"
Julgavam que isto ia arrefecer? O Santoninho não deixa:
"Olha! As palavras que se fodam!
Os pensamentos que se enterrem.
Os cus e as conas que se comam
E os lábios e as línguas... desemerdem!
E que os falos profanem os lugares sagrados,
Num contínuo vaivém de mete e tira...
E deixem cus e conas lambuzados
E a paisagem seja linda, p'ra quem mira!
E beija, beija a flor que se te oferece!
E deixa em cada beijo... um suspiro...
E aquece aquela boca que arrefece!"
Deuses
Versos no meu corpo

Sopra um poema
Desnudo no meu corpo
Caminho gravado em mim
Sob o silêncio da lua
Versos sensuais
Em ondas de paixão
Intensa volúpia
Escrita na minha pele
Forte desejo
Dedilhado com luxúria
Implorado na tua boca
Estrada insaciável de amor
Ardentes chamas
Provocadas por teus beijos
Vontades supremas
Queimando meus segredos
Teu olhar quebra quimeras
Invade a privacidade latente
Do meu corpo excitado
Estrofe lasciva de cobiça
Quero para mim
Esse poema esquecido
Essência derramada
Sorvida no prazer
Sopra um poema
No meu peito aberto
Que escorre molhando o papel
Dos versos gravados no meu corpo
Maria Escritos
http://escritosepoesia.blogspot.com
Lucía, gabinete de sexologia -"Riem-se de mim!"

09 março 2010
O que é ouro sobre azul?
Aí têm ouro sobre azul:


