Sim, quem é ele que navega por equinócios? E nas ondas geradas pelo mergulho no teu peito? Ondas que sobem a temperatura em contraste com o Outono amarelo das folhas caídas e brisas frescas.
Quem é ele?
É o mensageiro da vida que conta em fábula o passado que ainda não chegou. A vida que já viveu e ainda não mostrou.
Quem é ele que em sintonia com o universo, cerca o teu acontecer e expia o que dele é pérfido?
Ele é aquele que constrói nos solstícios e navega com os equinócios. Aquele que vive e acompanha os epílogos quando a própria essência deixou de ser manifestada.
23 fevereiro 2011
22 fevereiro 2011
Sujidade sexual
Tive uma colega na faculdade que teve uma educação tão rígida que era incapaz de ver a realidade. Não era mau ser virgem depois dos vinte, o que estava errado era achar que o sexo era algo de sujo!
Um dia, disse-lhe que a maioria das pessoas se masturbava mas que não admitia. Ela disse que nem pensar! Disse-lhe ainda que o irmão de certeza se masturbava (também já tinha mais de vinte) e ela respondeu-me, escandalizada, que nem pensar o irmão nunca faria isso! Perguntei-lhe que mal é que tinha o irmão masturbar-se e ela ficou muito perturbada, inclusive zangou-se comigo e a partir desse dia manteve-me sempre à distância.
Nunca mais soube dela, mas sempre que se fala em sexualidade, lembro-me dela. Espero sinceramente que a sua primeira experiência tenha sido boa e que tenha ultrapassado essa «sujidade» sexual...
Tranças
Quero ter tranças
e laços de cor rosa;
usar saia
e meias pelo joelho;
rir-me e brincar
no recreio da minha escola.
Não quero crescer,
quero ser eu.
Poesia de Paula Raposo


Equilibristas
Dei a mão ao Menino-Homem e avancei. Lisboa deve ser a cidade de todos os equilibristas, um pé aqui e um pé ali e vamos apenas avançando um pouco, sem tentar caminhar, sem conseguir dançar; ninguém aprendeu. Dizem que as calçadas são assim, as nossas, de pedras que lá caem embriagadas e já não existem bailarinas que nos ensinem a constante graça e beleza de andar em pontas, desafiando qualquer chão. Gosto de agarrar bem a mão, apertar o calor entre elas ou então agarrar um só dedo com força, fica escondido, inteiro, dentro da minha mão pequena, por vezes é preciso agarrar menos para conseguir agarrar mais. Dei a mão e a rua estava escura, os candeeiros tinham silêncio em vez de luz, o vento soprou-me a ausência do mundo e desenhava um desamparo assustador nas folhas das árvores que fazia cair, o vento tem dedos e puxa coisas, muitas coisas. Dei a mão ao Menino-Homem e avancei; pode-se oferecer a pele, um mapa e o caminho; secretamente chamei ali a minha solidão, é assim que se oferece o que só a ausência de tudo nos vê, só ela, verdadeiramente, nos conhece; ser apenas é ser só.
21 fevereiro 2011
Imporrta-se de repetirre?
Sempre que lhe perguntavam se estava melhorzinho do seu problema com a ejaculação precoce o imigrante alemão tentava sempre minimizar a coisa alegando que o prroblema não erra constante mas apenas esporrádico...
Quando o olho de trás vê
Foi notícia ontem na televisão.
Jessie e Reanin, duas modelos neozelandesas, puseram câmaras de filmar escondidas nos rabiosques das suas calças.
Assim, conseguiram filmar os olhares de quem passava. E no YouTube já têm quase 5 milhões de visualizações.
Jessie e Reanin, duas modelos neozelandesas, puseram câmaras de filmar escondidas nos rabiosques das suas calças.
Assim, conseguiram filmar os olhares de quem passava. E no YouTube já têm quase 5 milhões de visualizações.
O Altruísmo do Mocho e da Formiga
São seres atarefados que correm de um lado para o outro.
Meio mochos, meio formigas.
São sábios e trabalhadores que se deslocam em busca - quase fuga não sabem do quê - de um próximo mundo que pretendem salvar.
Cumprimentam-se de forma estranha, olham-se com a ternura de quem se conhece há muitas vidas e ajudam-se com a vontade de quem quer mudar o mundo.
São mochos nas decisões e no intelecto.
São formigas no trabalho que se predispõem a fazer.
Eles correm de um lado para o outro para fugir da areia movediça que lá fora querem cimentar.
Correm atarefados de um lado para o outro, raramente sem direcção, raramente sem apoio, raramente lembrando a sua própria existência.
Meio mochos, meio formigas.
São sábios e trabalhadores que se deslocam em busca - quase fuga não sabem do quê - de um próximo mundo que pretendem salvar.
Cumprimentam-se de forma estranha, olham-se com a ternura de quem se conhece há muitas vidas e ajudam-se com a vontade de quem quer mudar o mundo.
São mochos nas decisões e no intelecto.
São formigas no trabalho que se predispõem a fazer.
Eles correm de um lado para o outro para fugir da areia movediça que lá fora querem cimentar.
Correm atarefados de um lado para o outro, raramente sem direcção, raramente sem apoio, raramente lembrando a sua própria existência.
20 fevereiro 2011
Carta ao Viajante (VII)
Nunca consegui sentir-me uma forasteira, uma estrangeira; em qualquer sítio ou qualquer alma a que eu chegue tenho sempre aquela sensação de familiaridade, de paz de chegar a casa, como se já tivesse habitado, como se antes tivesse pertencido ali; uma lavadeira, uma professora, uma taberneira, alguém que tinha a espada pesada que carrego ainda na mão, parece-me que em todo o lado já vivi. A imaginação é coisa poderosa, entendes do que falo, sim? Vi os teus vídeos todos, estranhamente poderia falar-te de saudades desses sítios, de nostalgia, voltei aqui para te contar.
O feio é apenas um sítio onde o belo se escondeu; tento olhar tudo e até cada um desses esconderijos, sem medo, com medo; não existe feio verdadeiramente feio, até na boca roxa do macabro se contorce a mais singular e musical gargalhada que poderá ser escrita como poesia. Vim aqui para te contar que feio mesmo feio encontra-me quando não consigo escrever; talvez logo à noite consiga, finalmente, após tantos dias, encontrar a solidão antes que a solidão se esgote em mim e me esgote as linhas; é nela que encontro a tinta preta que levo comigo para desenhar momentos, pensamentos, emoções, histórias de outras pessoas. Eu não a quero inteira, só quero um pouco dela e, nestes dias, tem sido o preço que pago, a moeda de troca para tudo o que me chega de novo. Tenho que interromper, novamente; pessoas sempre a entrar e a sair, só tive estes (poucos) minutos. Sempre que me deixem sobrar um pouco que eu possa dar à solidão, voltarei para te contar.
O feio é apenas um sítio onde o belo se escondeu; tento olhar tudo e até cada um desses esconderijos, sem medo, com medo; não existe feio verdadeiramente feio, até na boca roxa do macabro se contorce a mais singular e musical gargalhada que poderá ser escrita como poesia. Vim aqui para te contar que feio mesmo feio encontra-me quando não consigo escrever; talvez logo à noite consiga, finalmente, após tantos dias, encontrar a solidão antes que a solidão se esgote em mim e me esgote as linhas; é nela que encontro a tinta preta que levo comigo para desenhar momentos, pensamentos, emoções, histórias de outras pessoas. Eu não a quero inteira, só quero um pouco dela e, nestes dias, tem sido o preço que pago, a moeda de troca para tudo o que me chega de novo. Tenho que interromper, novamente; pessoas sempre a entrar e a sair, só tive estes (poucos) minutos. Sempre que me deixem sobrar um pouco que eu possa dar à solidão, voltarei para te contar.
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