13 outubro 2012
«fecho éclair» - bagaço amarelo

No avião teve o primeiro remorso e até chegou a pronunciar o nome dela, Ana, atraindo por instantes a atenção do passageiro ao seu lado. Pensou em como o corpo dela se está a transformar com a gravidez de quem vai ser, em breve, o seu primeiro filho. Os seios como frutos maduros, as pernas como raízes grossas e a barriga em forma de balão parecem pertencer já mais a esse filho do que a ele mesmo. Não fazem Amor há dois meses e as conversas entre ambos também não têm fugido muito às questões de organização doméstica. Contas por pagar, roupa por passar, louça por lavar, etc. Ana.
Mal saiu do avião e se pôs a passear pela cidade, a primeira sensação de novidade que teve foi a de poder olhar para todas as mulheres que passavam por ele como se fossem suas potenciais amantes. Talvez por isso precisasse de estar sozinho, para sentir de novo essa chama do sexo a arder-lhe no corpo. Andou toda a manhã alegremente perdido, até se meter num comboio e ir dar ao parque de diversões onde se encontra agora.
O Rui detesta fumar. Enjoou aquele sabor artificial do tabaco e a constante sensação de estar intoxicado, fartou-se daquele cheiro a fumo impregnado na roupa todas as manhãs (é sempre de manhã, ao vestir-se, que dá por ele) e até já se esqueceu do prazer que teve nos primeiros cigarros da sua vida. Mesmo assim acaba de acender um cigarro, talvez porque também deteste não fumar.
Para além do tabaco, detestar uma coisa e o seu contrário só lhe aconteceu no Amor. Lá está, sente-se cansado de Amar Ana mas também detestaria não Amá-la. Ri-se sozinho entre duas passas sem sabor e diz para si mesmo que não está maluco. Malucos estão aqueles que gritam na Montanha Russa que se agita mesmo por trás de si, cujos carros quando passam vão fazendo um ruído idêntico ao que seria o dum fecho éclair gigante.
Hoje parece ser o dia dos contrários para ele. Fuma detestando fumar, não Ama adorando Amar. Além disso, num dia em que se sente tão cinzento quanto a própria vida, acabou a passear sozinho num parque de diversões nos subúrbios de Madrid.
É neste lento contar do tempo que uma mulher se aproxima dele e lhe pede lume. A primeira coisa em que ele repara é que ela é bonita, ou melhor, que lhe apetece achá-la bonita. Tem os cabelos pretos, talvez pintados, e os olhos de um castanho claro contrastante. Depois de acender o cigarro dela no dele não se vai embora, mas antes decide sentar-se no mesmo banco a contemplar a diversão dos outros. Os gritos na Montanha Russa, mesmo por trás deles, continuam a intercalar o fecho éclair gigante.
Ali, à frente do silêncio de ambos, desfilam famílias de pais e mães que tentam divertir-se divertindo os filhos. Ele sabe que um dia fará exactamente o mesmo, com Ana e o seu filho. Talvez até venha a disputar com ela o colo da criança, como vê agora dois pais fazerem num momento em que a criança decide chorar. Mas neste momento, olhando para aquela mulher sentada mesmo ao seu lado, a fumar um cigarro cuja chama nasceu no mesmo fogo, apetece-lhe amá-la.
O fecho éclair atrás deles corre mais uma vez, salpicado de gritos de pessoas que lhe parecem tão assustadas quanto felizes. Também o das calças dele parece querer abrir, dada a pressão que o falo, entusiasmado pela simples imaginação de poder levar a estranha para o Hotel, lhe causa. Vai esperar que ela acabe o cigarro e convidá-la para uma bebida. Se ela aceitar, tentará ter sexo. A vida é uma montanha russa.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
12 outubro 2012
Mais literatura histérica
Lembras-te deste tema da literatura histérica, quando o abordámos aqui? Mulheres lêem um livro, em voz alta, com um vibrador introduzido na vulva e ligado.
Experiência 4
Aprecia como se safa a Danielle a ler «Still Life With Woodpecker», de Tom Robbins:
Experiência 5
Esta senhora, Stormy Leather, nem consegue passar da segunda página de «American Psycho», de Bret Easton Ellis:
Experiência 4
Aprecia como se safa a Danielle a ler «Still Life With Woodpecker», de Tom Robbins:
Experiência 5
Esta senhora, Stormy Leather, nem consegue passar da segunda página de «American Psycho», de Bret Easton Ellis:
Entre dunas
Em cada poro respiro-te o perfume marinho
que ondula pela tua encosta de pedra,
mas polida pelas mãos de espuma branca
desse corpo salgado e imenso
sob a claridade do dia
e a vigília prateada da lua...
Ergues-te entre as dunas de areia macia,
sorvendo-me o licor de mel
que se destila em cada uma das minhas concavidades
de veludo e seda...
E quando o vento refresca esse sol quente de Primavera
começa a chover sobre a nudez que nos tinge a pele...
Ardemos sob esta água fria!
Enlaço-te uma e outra vez entre a foz do meu rio
até me alimentares de sémen e saliva!
Lua Cósmica
http://luacosmica.blogspot.pt/
11 outubro 2012
Antecipação
Entreabro as minhas
coxas
no início dos teus beijos
imagino as tuas
pernas
guiadas pelo desejo
oiço o teu
gemido
calado pelos meus dentes
imagino a tua boca
rasgada
sobre o meu ventre
Maria Teresa Horta in As Palavras do Corpo
blog A Pérola
coxas
no início dos teus beijos
imagino as tuas
pernas
guiadas pelo desejo
oiço o teu
gemido
calado pelos meus dentes
imagino a tua boca
rasgada
sobre o meu ventre
Maria Teresa Horta in As Palavras do Corpo
blog A Pérola
«Vade retro Satana!» - Patife

Patife
Blog «fode, fode, patife»
A posta que Jesus saiu à mãe
A hipótese de Jesus (o Cristo, não o do Benfica) ter sido um homem casado, novamente ressuscitada a partir de um papiro descoberto por uma investigadora de Harvard, Karen King, continua a ser contestada pelo Vaticano.
De resto, a maioria dos entendidos parece privilegiar a hipótese de estarmos perante uma fraude, embora ainda não existam factos científicos consensuais que confirmem ou desmintam o pressuposto.
O Vaticano, tal como muitas "igrejas" empoleiradas na figura desse homem extraordinário da Nazaré (a do Médio Oriente, não a nossa), insiste em rejeitar toda e qualquer prova que possa atribuir a Jesus uma ligação íntima a fêmeas da espécie, revelação que embora não pudesse desmentir o brilhantismo da postura e da determinação desse homem único e mesmo a sua progenitura divina, poderia demolir muitos dos dogmas que baseiam a própria estrutura da Igreja Católica.
Esta reacção urticária do Vaticano a qualquer espécie de humanização de Jesus, nomeadamente no que concerne a qualquer evidência capaz de beliscar a sua (com ésse maiúsculo, na grafia católica-apostólica-romana) imprescindível virgindade, constitui uma teimosia tão imbecil (pela motivação) quanto compreensível (pela motivação) porque uma versão mais terrena de Cristo deixaria em maus lençóis toda uma interpretação da coisa, mais puritana, menos carnal e sobretudo sem gajas no primeiro plano da hierarquia.
Para mim, falso católico porque baptizado à força antes sequer de saber falar, presumo que precisamente para evitar alguma contestação da minha parte ao ritual, um dos maiores pecados da Igreja Católica passa precisamente pelo mal que fizeram ao mundo quando decidiram afastar as mulheres do palco principal. Muito do que de mau acontece no nosso tempo e no nosso Ocidente cristão deriva da concepção nada imaculada desta construção de um Jesus à medida dos interesses de uns quantos gabirus.
Engolir uma mulher no cenário, mesmo santa, só mesmo com gravidez por obra e graça do Espírito Santo (o dos milagres, não o dos créditos à habitação) podia assumir algum tipo de protagonismo num tempo e num mundo para homens que se queriam à imagem e semelhança de um deus que toda a gente intui ter pila.
Dá-me jeito, admito, porque estou do lado certo da barricada num contexto de hierarquias entre os géneros tal como a Igreja Católica as define na essência e na dimensão prática da sua intervenção. No entanto, custa-me perceber a intrujice na génese desta forma de ver as coisas como me custa a aceitar as respectivas repercussões do ponto de vista menos religioso e mais social. Nesta religião como nas outras, que isto das gajas serem apenas figurantes numa película muito machona interessa imenso às pessoas com pila independentemente do nome pelo qual O chamam...
E por isso não estranho a reacção do Vaticano, a sua descrença veiculada por todos os crentes mais ilustres ao dispor no meio académico, ainda por cima tendo sido uma mulher a dar a cara pelo tal papiro que, sendo genuíno, desmentiria tantos pressupostos que poucas religiões conseguiriam evitar uma autêntica revolução nas suas estruturas.
Dou graças, embora sem saber a quem (com maiúscula, em havendo), por mais esta hipótese de desmistificação de uma importante fonte de bafio e até de injustiça para com o papel que as mulheres devem poder assumir na construção da Igreja que também é a sua.
E acima de tudo por imaginar este mundo livre da canga demoníaca que a relação homem/mulher e o sexo nela implícito têm merecido por parte de quem recusa entender que por detrás do sagrado papel de uma mãe existe o de uma mulher para assumir.
10 outubro 2012
Subscrever:
Comentários (Atom)






