Eu sei que a vida é feita de ilusões e desilusões, de altos e baixos, de quedas e continuação.
A vida é como um mar: tanto pode estar agitada como calma, com ondas fortes que parecem querer nos devorar ou como um lago de calmaria que se assemelha a um útero onde nos podemos refugiar...
A vida tanto nos puxa para a frente como nos empurra para trás.
Tanto bebe as nossas lágrimas como encoraja os nossos sorrisos.
Tanto nos dá esperança como nos entrega ao desespero...
O desespero... uma palavra que diz tanto e tão pouco ao mesmo tempo...
A vontade surda, a necessidade muda de alcançar algo, sentindo esse objectivo cada vez mais longe, mais inacessível...
Uma necessidade inalcançável mas premente, que nos desassossega a alma e nos tira o sono...
O desespero... quando um problema parece não ter solução, quando a esperança já morreu...
Desespero pelo que se perdeu, pelo que não se conseguiu ainda, pelo que se tem e receamos perder...
Desespero por não sermos quem queremos nem como queremos, desespero por tentarmos e mesmo assim falharmos...
Cada um de nós à sua maneira já se sentiu desesperado: por não conseguir pagar as contas; por vermos a casa pela qual tanto trabalhámos a ser-nos retirada pelo banco; por um desemprego inesperado e injusto; por uma relação que feriu e ainda fere, deixando feridas abertas na nossa alma doente; por uma doença súbita, má e inexplicável...
Há vários níveis de desespero e alguns estão num extremo tão elevado que felizmente não consigo imaginar... como aquela mãe que durante o tsunami no Japão agarrava os dois filhos nos braços e teve que escolher pois apenas podia salvar um deles... esse para mim é o pior dos desesperos.
Depois há o desespero que me assola com alguma frequência quando, após fechada 13h no meu apartamento, chego ao final do dia sem ter feito dinheiro nenhum. Começo a pensar nas contas... no miúdo... nas poupanças que queria fazer... nas dívidas por pagar... e começo a desesperar...
Percebo que este seja um nível quase que mesquinho de desespero frente ao exemplo anterior... mas é o meu...
Eu diria que o desepero é uma combinação de sentimento de fracasso e impotência, elevados numa escala de gravidade...
Mas existe, é real, sente-se e atinge-nos...
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
23 outubro 2012
Folha publicitária de um filme em 1968
Encontrei esta preciosidade e vai-se juntar a outros cartazes publicitários da minha colecção de arte erótica: Uma folha (formato A4) do Cine Alba, de Sever do Vouga, a promover o filme «Livre à 4ª Feira» com Jane Fonda ("bela, audaciosa, complicativa e com apartamento..."), para maiores de 17 anos.
"A engraçada história de um marido rico e infiel, e de uma esposa burlada, mas fascinante e vingativa!"
"Uma história pecaminosa, cheia de luz e alegria, limpeza moral e de um saboroso e belíssimo final!"
A sessão foi sábado, 7 de Dezembro de 1968 às 21 horas.
"A engraçada história de um marido rico e infiel, e de uma esposa burlada, mas fascinante e vingativa!"
"Uma história pecaminosa, cheia de luz e alegria, limpeza moral e de um saboroso e belíssimo final!"
A sessão foi sábado, 7 de Dezembro de 1968 às 21 horas.
22 outubro 2012
Ninguém disse quais
O homem morreu.
E tudo quanto na vizinhança, sorriso maroto, havia a dizer acerca do rasto da sua passagem é que deixou boa impressão tanto em mulheres como em homens.
Pelas mesmas razões.
«conversa 1921» - bagaço amarelo

Eu - Podes passar cá em casa esta noite.
Ela - Tens bolachas daquelas que tinhas a última vez que aí fui?
Eu - Bolachas?! Não, não tenho...
Ela - O.k. então está combinado. Passo aí às dez, pode ser?
Eu - Pode...
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Homem aranha ao resgate!
O Peter não sabe deixar uma donzela em apuros.

Se a janela tivesse aberta essa moça pegaria uma friagem.
Capinaremos.com
Se a janela tivesse aberta essa moça pegaria uma friagem.
Capinaremos.com
21 outubro 2012
Gastronomia - Crise 2012/13
1 - Fazer polvo fingido ou do povo, como indica o T & T Kitchen

2 - Realçar a sensualidade de umas asinhas de frango que sempre é o mais barato deste galináceo.

3 - Ou apresentar a única cereja que ainda sobra em casa num atraente prato de sobremesa.


2 - Realçar a sensualidade de umas asinhas de frango que sempre é o mais barato deste galináceo.

3 - Ou apresentar a única cereja que ainda sobra em casa num atraente prato de sobremesa.

20 outubro 2012
«coisas que fascinam (151)» - bagaço amarelo

Tenho uma gaveta para onde atiro coisas. É uma gaveta bem grande, numa cómoda que herdei do meu avô e que foi feita por ele há quase cem anos. Por exemplo, quando viajo e trago pequenas recordações como postais, bilhetes ou qualquer tipo de panfletos, atiro-os para ali. Faço o mesmo com algumas fotografias, pequenos objectos ou prendas. Não organizo nada, apenas atiro para lá coisas que, de outra forma, não saberia muito bem onde pôr. Na verdade é uma forma de sentir que organizo uma parte da minha vida que não é organizável.
Hoje de manhã, ao atirar para lá alguns panfletos da última viagem que fiz a Barcelona, decidi remexer naquele monte de pequenos pedaços soltos da minha vida. Meti a mão entre alguns papéis que se amontoavam e tirei um à sorte. Era uma fotografia da Marta.
A Marta deu-me uma vez boleia, de Aveiro para o Algarve, através dum site na internet. Eu andava um pouco perdido, sem estar bem em lado nenhum e, pior ainda, sem fazer ideia para onde devia ir. Vi num site alguém a oferecer boleia do Porto para a Fuzeta, com divisão de custos, e decidi ir passar o fim de semana àquela cidade do sul. Mandei-lhe um email e combinámos que ela me apanhava em Aveiro.
A meio do caminho ela perguntou-me o que é eu lá ia fazer e eu respondi, muito naturalmente, que nada. Só tinha decidido ir ao ver a oferta dela para uma boleia. Perante o silêncio curioso expliquei-me um pouco melhor, o mais que pude dizendo o menos possível, demonstrando que não tinha sítio nenhum para ir naquele fim de semana e por isso qualquer sugestão me parecia melhor do que ficar em casa. Não lhe expliquei que tinha acabado de me divorciar e que me estava ainda a habituar à ideia, tão triste quanto feliz, de ter fins de semana inteirinhos só para mim.
- Eu também só me pus a oferecer boleia para ver se alguém aceitava. Ando um pouco como tu. - respondeu.
Tanto quanto me lembro, depois desse diálogo fizemos grande parte da viagem em silêncio. Não um silêncio perturbador, mas sim um silêncio contemplativo. A sensação era a de que, de repente, se tinham encontrado naquele automóvel duas pessoas que vinham de caminhos similarmente tortuosos, e que naquele momento, pela primeira vez, seguiam numa auto-estrada a uma velocidade razoável e constante, exactamente como aquela que queriam nas suas vidas.
Passámos esse fim de semana juntos e, quanto mais não seja, foi nele que aprendi que a solidão se pode matar com alguém que não conhecemos de lado nenhum, que às vezes é mais fácil contarmos as coisas mais íntimas precisamente a quem até então nem sabia da nossa existência. Desta forma, não nos tornamos demasiado transparentes aos olhos de quem nos conhece mas sim aos olhos de quem não é suposto encontrarmos muitas mais vezes na vida.
De facto, não vi a Marta muitas mais vezes. Lembro-me de ter ido tomar café com ela ao café Ceuta, no Porto, numa ou outra tarde estéril. Mais nada. Mas hoje, quando olhei para a fotografia dela,tive a certeza de que foi uma mulher importante na minha vida. É isso que as mulheres têm a mania de ser: importantes na vida dos homens.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
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