"(O que se passa na cama
é segredo de quem ama.)
É segredo de quem ama
não conhecer pela rama
gozo que seja profundo,
elaborado na terra
e tão fora deste mundo
que o corpo, encontrando o corpo
e por ele navegando,
atinge a paz de outro horto,
noutro mundo: paz de morto,
nirvana, sono do pénis.
Ai, cama canção de cuna,
dorme, menina, nanana,
dorme onça suçuarana,
dorme cândida vagina,
dorme a última sirena
ou a penúltima… O pénis
dorme, puma, americana
fera exausta. Dorme, fulva
grinalda de tua vulva.
E silenciem os que amam,
entre lençol e cortina
ainda húmidos de sémen,
estes segredos de cama."
Carlos Drummond de Andrade
Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
18 fevereiro 2013
«conversa 1948» - bagaço amarelo

Eu - Se puder...
Ela - O meu marido faz anos amanhã e não faço a mínima ideia do que é que lhe vou oferecer.
Eu - Eu também não.
Ela - Ele tem a tua idade, por isso...
Eu - Tem a minha idade mas eu não o conheço lá muito bem.
Ela - E depois? Os homens com quarenta e um anos querem o quê?
Eu - Depende do homem...
Ela - Depende mesmo?
Eu - Claro. Há homens que gostam de perfumes, outros de música assim ou assado, outros preferem um livro, outros preferem roupa. Sei lá... tu é que o conheces melhor.
Ela - É tão mais fácil oferecer prendas a uma mulher...
Eu - É?
Ela - É. Há coisas que todas nós queremos.
Eu - O quê?
Ela - Cremes, sapatos, carteiras...
Eu - Eu só quero paz e sossego.
Ela - Ah! Isso ele também deve querer, mas eu não lhe consigo dar...
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Oremos pelo pênis do João
Font: Metropolistv
Nada melhor do que ir ao santuário da Virgem Maria para tentar a cura para uma disfunção erétil (problema de ereção), não acham?
Nada melhor do que ir ao santuário da Virgem Maria para tentar a cura para uma disfunção erétil (problema de ereção), não acham?
João é um dos homens que sofrem desse mal e tenta com o milagre resolver o seu sério problema de não conseguir levantar o pau. E é um problema muito sério, que atinge milhares de homens no mundo inteiro. Mas será que Deus pode atender a esse pedido e resolver a impotência sexual? Oremos pelo João!
E se você tem esse problema, venha à Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro fazer umas compras de diversos artigos especiais na feirinha, como elixir para impotência. Mas, se não resolver, então, o jeito é apelar para a prece e consagrar uns pênis de cera que podem ser comprados na lojinha da Igreja na Penha.
Mas o Obscenatório indica ir ao urologista, que provavelmente indicará o viagra para a paumolecência.
Obscenatório
http://obscenatorio.blogspot.com.br/
Obscenatório
http://obscenatorio.blogspot.com.br/
17 fevereiro 2013
Memórias
A culpa não, não é da praia
Se o meu corpo se ferir
A culpa é da vontade
Que eu tenho de te sentir
(Humanos/António Variações)
Guardo muitos beijos na memória, sim, Senhor Doutor. São assim como os mon chéri que prontamente engulo em caso de carência de açúcar.
Lembro-me do primeiro beijo que dei a um namorado, aos nove anos. Os meus lábios todos esticaditos em pontas, pressionados contra os dele, ainda mais fechados que as pálpebras, na angústia e na incerteza de que alguém visse, talvez anichado dentro das caixas de correio do prédio.
A seguir, tenho a imagem dos beijinhos adolescentes dados no escurinho da discoteca lampejada pela bola de espelhos que já integravam mais uma componentezinha. Porque Senhor Doutor, nessa altura, já beijo que se prezasse acompanhava com um sentido encosto de ancas para as calças masculinas mostrarem que algo crescia nelas.
Depois, são aqueles milhares de beijos lânguidos em que nos afundamos, com a vontade compulsiva de despir o outro e apagar o resto do mundo. Naqueles em que as línguas dançam no céu da boca até fazerem tilt como nos flippers e o nosso corpo fica tão elástico que é capaz de espargata , pino, pirueta e outras inúmeras acrobacias.
E lembro-me disto tudo agora Senhor Doutor porque esta que vê aqui à sua frente, depois de todos copos do Tokyo e das horas de conversa corrente e fluída, alucinada que estava nos seus olhos sorridentes e corpo bamboleante, não lhe conseguiu roubar um beijo daqueles com licor de ginja.
Prostituição - A minha história (I)
Verão de 1997... Uma banal procura de emprego foi o berço deste meu eu. Percorro as páginas do Correio da Manhã sem imaginar que alguns pedidos de colaboradoras, aparentemente iguais, escondiam a chave das portas das célebres "casas da Luz Vermelha". O que sabia eu deste Mundo alternativo? Rigorosamente nada, apenas o que imaginava e o que tinha visto em filmes, tão longe da realidade, estava completamente "verde"... Eheheheheh Ora, escolho um que me pareceu bastante interessante, para colaboradora de um clube em tempo parcial, referia também que a remuneração seria excelente; pareceu-me bem, toca a marcar o número. A voz feminina que me atende faz-me poucas perguntas, é simpática, quer saber a minha idade, a minha estatura, se conheço e sei como chegar à Av. Columbano Bordalo Pinheiro, se tenho experiência. À última questão, respondo que não, a voz ri-se, divertida e diz-me que o melhor é continuarmos pessoalmente a conversa. O riso devia ter-me intrigado mais mas, como é óbvio, os incautos intrigam-se com pouco. E lá me arranjei, apanhei o autocarro indicado, algumas paragens depois estou no destino. Ah! Mas tão ingénua que eu estava! Engano-me no número da porta e vou bater ao clube de recreação de uma Igreja, pareceu-me perfeitamente provável que ali fosse. Quem me atende explica-me (hoje entendo perfeitamente o olhar estranho da pessoa) que esse número de porta é mais abaixo, outro tipo de "clube recreativo" e eu sem entender os "sinais" mas já a achar toda aquela situação algo curiosa. Desço a rua, finalmente a porta certa, toco à campainha e... (Querem saber mais? Fiquem que eu vou contando, agora, com a distância de quase dois anos de reforma, parece-me ter chegado a hora e a coragem de contar toda a história, se não por mim, por quem por aí ande, pela informação que contém, pelas ilusões e desilusões, pelo bom e pelo mau... )
Prostitutas oferecem 1 semana de sexo grátis por título da Nigéria
Matéria reproduzida do portal Terra
A Associação Nigeriana de Prostitutas propõe um incentivo para os jogadores da seleção de futebol da Nigéria rumo ao título da Copa Africana de Nações. A entidade oferece uma semana de sexo grátis caso a equipe conquiste o campeonato que está na fase semifinal e ocorre na África do Sul.
Segundo publica o jornal português O Jogo, a secretária da associação, Jessica Elvis, enviou representantes à África do Sul, que entraram contato com a comitiva nigeriana.
Segundo publica o jornal português O Jogo, a secretária da associação, Jessica Elvis, enviou representantes à África do Sul, que entraram contato com a comitiva nigeriana.
De acordo com a emissora Eurosport, também de Portugal, a Federação Nigeriana de futebol não deu uma resposta oficial, sendo que aceitar a oferta dependeria da consciência e vontade de cada jogador.
Obscenatório
16 fevereiro 2013
«pensamentos catatónicos (282)» - bagaço amarelo

Que merda, esta mania que o Amor tem de se deitar fora a si mesmo. Duas pessoas sós conhecem-se, apaixonam-se e decidem Amar-se nessa linha recta em direcção a lugar nenhum que é o tempo, como um longo beijo que se dá antes do precipício para o desconhecido. Depois zangam-se por questões de ordem prática: uma faneca mal frita, um copo na beira da banca da cozinha ou um buraco nas calças.
As questões de ordem prática são uma ditadura fascista sobre o que de melhor tem o Amor, que é essa forma incondicional de caminhar de mãos dadas para o desconhecido. São uma espécie de "vai lá sozinho que eu acho que as fanecas não se fritam assim".
Nunca me apaixonei por nenhuma mulher por questões de ordem prática, mas já vi o meu Amor terminar por causa delas. As questões de ordem prática são a primeira preocupação de quem nunca se apercebeu verdadeiramente da importância que Amar tem na nossa vida, aquela que, à escala universal, está para acabar já ali. De práticas não têm nada, portanto.
O índice ivariano cai para dezasseis, pela primeira vez em quatro anos.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
15 fevereiro 2013
Oral
– Eu perguntei-lhe: “E que tal
se me fizesses um fellatio enquanto lavo os dentes?” e ela respondeu-me: “Não
há pasta.”
– E não havia?
– O quê?
– Pasta de dentes.
– Sei lá. Achas que isso é
importante?
– Sim, se tu querias que ela
to fizesse enquanto lavavas os dentes…
– Mas eu respondi-lhe: “Lavo
só com a escova.”
– Mas isso não é lavar os
dentes, é escovar…
– Isso foi o que ela disse.
– Foi?
– Foi.
– E tu?
– Eu reformulei a questão: “E
que tal se me fizesses um fellatio enquanto escovo os dentes?”
– E ela?
– Ela olhou para mim como se
eu tivesse melancias presas às orelhas e perguntou-me…
– Como é que é isso?!
– O quê?
– Uma pessoa olhar para outra
como se aquela para quem ela olha tivesse melancias presas às orelhas?
– É um olhar entre a
perplexidade e o desencanto.
– Se eu tivesse melancias
presas às orelhas tu olhavas para mim com um olhar entre a perplexidade e o
desencanto?
– Provavelmente.
– Estás a gozar!
– Tu queres saber o resto da história
ou não?
– Tu é que disseste que a
mulher olhou para ti como se tivesses melancias presas…
– Às orelhas, eu sei, mas isso
não interessa nada!
– Então, o que é que ela te
perguntou?
– “Trouxeste escova?”
– Eu?
– Não! Ela! Ela é que me
perguntou se eu tinha levado escova de dentes.
– Ah!… E tinhas?
– Não.
– Não estou a perceber nada…
Mas, afinal, tu querias lavar os dentes?
– Não.
– Então, porque é que falaste
nisso?
– Sei lá, lembrei-me. Achei
que era engraçado.
– O quê? Dizê-lo só ou que ela
to fizesse enquanto tu o fazias?
– Sei lá, dizê-lo. Eu queria é
que ela mo fizesse, se era a lavar os dentes ou a fazer outra coisa qualquer
era-me totalmente indiferente.
– Mas tu tinhas de estar a
fazer alguma coisa, é isso?
– Não.
– Tu é que disseste…
– Eu sei. Já percebi. Mas não
tinha de estar a fazer nada. Queria é que ela mo fizesse.
– Um fellatio.
– Sim.
– E ela falava latim?
– Sei lá se ela falava… Não,
não falava.
– Como é que sabes?
– Porque eu disse-lhe: “O
melhor é esquecermos a minha higiene dentária e fazeres-me só o fellatio.”
– Disseste isso, assim?
– Disse.
– E ela?
– Disse-me que eu nunca devia
esquecer a higiene dentária, que isso era muito importante; que tinha sido
assistente de um dentista e que as pessoas não faziam ideia do estado em que as
outras pessoas tinham a boca e que se soubessem nem se beijavam ou que, pelo
menos, se tivessem sequer uma ideia, de certeza que não enfiavam as línguas nas
bocas umas das outras; e que quando as pessoas desprezam ou omitem a higiene
oral ou mesmo que quando só facilitam podem vir a ter muitos tormentos,
tribulações e padecimentos…
– Ela disse isso? Assim?
– Foi, foi mesmo assim e
continuou e, no fim, perguntou-me se eu ainda queria o fellatio e quando eu lhe
disse que sim, perguntou-me “Onde?” e eu respondi, “Pode ser aqui”, e ela olhou
para mim e perguntou-me como é que isso se fazia.
– Ela não sabia o que era?
– Não.
– Então, porque é que te disse
que não havia pasta de dentes?
– Se calhar porque eu disse
que os queria lavar.
– Se calhar… E explicaste-lhe?
– O quê?
– O que era o fellatio.
– Sim, disse-lhe o que era.
– E ela fez-te?
– Eu já não quis.
– E ela?
– Também não fez questão.
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