"Estas gravuras do Museu de Stykkishólmur são especialmente para o Museu da São Rosas.
Temos pena de não poder levar-te as originais!...
Beijo da Daisy e abraço do Alfredo"
06 junho 2013
05 junho 2013
«Lago» - João
"Observei-te durante muito tempo. Cheguei muito antes da hora combinada e fiquei, ao longe, a observar o banco de madeira com vista para a água, onde havíamos combinado encontrar-nos. Vi-te chegar. Sentar. Olhar à volta, procurando-me. Depois fixaste o teu olhar na água e assim te detiveste, até me sentar ao teu lado. Abriste-me o teu sorriso. Foi luminoso. Foi bonito. Foi muito bonito mesmo, agora que o recordo melhor na minha memória fotográfica, onde estão os detalhes todos, alguns em fotograma que congelou o momento, outros em pequenas sequências animadas, com som, com cheiro, com tacto.
Ao caminhar em direcção a ti lembrava-me…
Sou tão tua. Acordei assim, vês, sonhando que me dizias isso. Sou tão tua. Sentada ao meu colo, de olhos fechados e cabelo caído sobre o corpo, dizendo que és tão minha. Acordei assim, pensando que tinhas a tua mão na minha face enquanto me beijavas numa escada qualquer, em jeito de despedida, como quem vai ali e já volta. Ou que juntaste as mãos perto do peito, enquanto te abraçava, como menina doce que procura um carinho. Sonhei. Pensei nas coisas que não vivi, onde não estive, o que não vi. Pensei nas coisas que nunca ouvi, que nunca disseste. Nunca escreveste. A menina e as palavras, a cansar-se, a desejar a telepatia que a poupasse de ir de A até B, verbalizando, levando aos lábios os sons que levariam tempos infindos por comparação ao pensamento. Ao sentimento. Que é tão mais rápido. Que num suspiro sai tudo. Mostra tudo. É tudo.
Deixei-me cair várias vezes sem cair. Sem levantar. Sonhando apenas. Tropeçando. Tombando. Levantando e tombando de novo. Morrendo vezes seguidas. Fazendo morrer vezes seguidas. Sonhei com lagos, sonhei com água agitada ao vento, com pressa. Sonhei com a pressa de chegar, acelerando estrada fora. Sonhei com neve. Com chuva. Com dias pequenos e escuros. Sonhei com néctares e manteiga. Com coisas pequenas que fazem pensar em vastos Impérios. Com lojas de bairro e kanimambo. Com gargalhadas sonoras perdidas de loucas. A menina não existe. Nem eu existo.
… e então sentei-me ao teu lado nesse banco, e ficámos os dois a olhar as águas do lago. As mãos tocaram-se, e disseste baixinho “quero explicar-te”. E eu, “nada”. Não expliques nada. Não é preciso. Eu entendo, eu sei."
João
Geografia das Curvas
Ao caminhar em direcção a ti lembrava-me…
Sou tão tua. Acordei assim, vês, sonhando que me dizias isso. Sou tão tua. Sentada ao meu colo, de olhos fechados e cabelo caído sobre o corpo, dizendo que és tão minha. Acordei assim, pensando que tinhas a tua mão na minha face enquanto me beijavas numa escada qualquer, em jeito de despedida, como quem vai ali e já volta. Ou que juntaste as mãos perto do peito, enquanto te abraçava, como menina doce que procura um carinho. Sonhei. Pensei nas coisas que não vivi, onde não estive, o que não vi. Pensei nas coisas que nunca ouvi, que nunca disseste. Nunca escreveste. A menina e as palavras, a cansar-se, a desejar a telepatia que a poupasse de ir de A até B, verbalizando, levando aos lábios os sons que levariam tempos infindos por comparação ao pensamento. Ao sentimento. Que é tão mais rápido. Que num suspiro sai tudo. Mostra tudo. É tudo.
Deixei-me cair várias vezes sem cair. Sem levantar. Sonhando apenas. Tropeçando. Tombando. Levantando e tombando de novo. Morrendo vezes seguidas. Fazendo morrer vezes seguidas. Sonhei com lagos, sonhei com água agitada ao vento, com pressa. Sonhei com a pressa de chegar, acelerando estrada fora. Sonhei com neve. Com chuva. Com dias pequenos e escuros. Sonhei com néctares e manteiga. Com coisas pequenas que fazem pensar em vastos Impérios. Com lojas de bairro e kanimambo. Com gargalhadas sonoras perdidas de loucas. A menina não existe. Nem eu existo.
… e então sentei-me ao teu lado nesse banco, e ficámos os dois a olhar as águas do lago. As mãos tocaram-se, e disseste baixinho “quero explicar-te”. E eu, “nada”. Não expliques nada. Não é preciso. Eu entendo, eu sei."
João
Geografia das Curvas
«conversa 1983» - bagaço amarelo

Eu - Na capa dizia que tinha tudo sobre bonsais, mas de facto não tem quase nada. Fiquei desiludido, não a torno a comprar.
Ela - Pois... quem promete tudo, normalmente não tem quase nada para dar.
Eu - Pois... sobre bonsais tem quatro ou cinco parágrafos pobrezinhos...
Ela - És homem, já devias saber que não se deve acreditar em quem promete tudo...
Eu - O que é que isso tem a ver com ser homem?!
Ela - Já alguma vez prometeste Amor total a uma mulher?!
Eu - Já...
Ela - E cumpriste?
Eu - Bem... não propriamente, mas quando prometi estava a falar a sério...
Ela - Pois...
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Sexo no cinema só se não for ao vivo
Fonte: jornal Meio Norte
Seis são presos após show de sexo ao vivo em sala de cinema nos EUA
Na cidade de Syracuse, em Utah (EUA), seis pessoas foram detidas na última quinta-feira, dia 23, por fazerem um show ao vivo de sexo em uma sala de cinema.
Provavelmente o cinema não pode exibir nada ao vivo.
O mais curioso é que além da prisão dos envolvidos, um homem também foi preso por estar assistindo. Um homem. Isso quer dizer que o sexo deveria estar tão ruim que apenas um homem estava assistindo ao espetáculo. Talvez tenha sido a péssima qualidade da exibição o motivo da prisão.
Obscenatório
www.obscenatorio.blogspot.com
Seis são presos após show de sexo ao vivo em sala de cinema nos EUA
Na cidade de Syracuse, em Utah (EUA), seis pessoas foram detidas na última quinta-feira, dia 23, por fazerem um show ao vivo de sexo em uma sala de cinema.
Provavelmente o cinema não pode exibir nada ao vivo.
O mais curioso é que além da prisão dos envolvidos, um homem também foi preso por estar assistindo. Um homem. Isso quer dizer que o sexo deveria estar tão ruim que apenas um homem estava assistindo ao espetáculo. Talvez tenha sido a péssima qualidade da exibição o motivo da prisão.
Obscenatório
www.obscenatorio.blogspot.com
04 junho 2013
Eva portuguesa - «Gata borralheira»
Sinto-me a Gata Borralheira.
Não só hoje mas nos últimos tempos...
Sinto-me como aquela rapariga com tanta coisa linda para dar e mostrar (e não me refiro apenas ao físico) mas que se vê obrigada a esconder-se atrás de algo que não é, vivendo uma vida que não é a sua...
Não, não é mais uma choraminguice minha.
É um desabafo mas, assim como a história da gata borralheira, cheia de sonho, beleza, esperança e com um final feliz...
Simplesmente sinto que ainda não estou a viver aquela que será a minha vida...
Porque eu quero transformar-me na Cinderela, encontrar o príncipe que se vai apaixonar perdidamente por mim e me vai fazer feliz para sempre....
Nada disto é novo, certo?...
De uma forma ou de outra, numa altura ou noutra, todas as meninas sonham com o príncipe encantado; desejam ser a Cinderela; e acreditam num "e foram felizes para sempre".
Bem, nós, prostitutas, não deixamos de ser mulheres como as outras. Algumas, assim como eu, continuam inclusive a manter viva a rapariguinha que existia quando liam a história da Cinderela...
Quero encontrar o meu príncipe. Aquele que me vem buscar e me vai amar como eu sou, mesmo sendo agora a Gata Borralheira. Aquele que me vai fazer feliz para sempre. Aquele que me vai transformar na sua Cinderela e dançar comigo no palco da vida à frente de toda a gente, com orgulho, com amor.
Porque o amor, quando é verdadeiro, transforma... uma Gata Borralheira numa Cinderela; quebra um feitiço, acorda uma Branca de Neve...
Então, é isso que eu quero... ser amada. Como sou, com o meu presente, o meu passado e os meus sonhos de futuro. Ser amada com orgulho por um príncipe que queira mostrar ao mundo o quanto me ama. Ser amada por alguém que saiba o que isso quer realmente dizer. Alguém que se consiga entregar e me consiga aceitar... sem "ses"...
Quero ser amada, respeitada, protegida....
Quero ser a Cinderela...
Mas hoje, e por enquanto, continuo a ser a Gata Borralheira...
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
Não só hoje mas nos últimos tempos...
Sinto-me como aquela rapariga com tanta coisa linda para dar e mostrar (e não me refiro apenas ao físico) mas que se vê obrigada a esconder-se atrás de algo que não é, vivendo uma vida que não é a sua...
Não, não é mais uma choraminguice minha.
É um desabafo mas, assim como a história da gata borralheira, cheia de sonho, beleza, esperança e com um final feliz...
Simplesmente sinto que ainda não estou a viver aquela que será a minha vida...
Porque eu quero transformar-me na Cinderela, encontrar o príncipe que se vai apaixonar perdidamente por mim e me vai fazer feliz para sempre....
Nada disto é novo, certo?...
De uma forma ou de outra, numa altura ou noutra, todas as meninas sonham com o príncipe encantado; desejam ser a Cinderela; e acreditam num "e foram felizes para sempre".
Bem, nós, prostitutas, não deixamos de ser mulheres como as outras. Algumas, assim como eu, continuam inclusive a manter viva a rapariguinha que existia quando liam a história da Cinderela...
Quero encontrar o meu príncipe. Aquele que me vem buscar e me vai amar como eu sou, mesmo sendo agora a Gata Borralheira. Aquele que me vai fazer feliz para sempre. Aquele que me vai transformar na sua Cinderela e dançar comigo no palco da vida à frente de toda a gente, com orgulho, com amor.
Porque o amor, quando é verdadeiro, transforma... uma Gata Borralheira numa Cinderela; quebra um feitiço, acorda uma Branca de Neve...
Então, é isso que eu quero... ser amada. Como sou, com o meu presente, o meu passado e os meus sonhos de futuro. Ser amada com orgulho por um príncipe que queira mostrar ao mundo o quanto me ama. Ser amada por alguém que saiba o que isso quer realmente dizer. Alguém que se consiga entregar e me consiga aceitar... sem "ses"...
Quero ser amada, respeitada, protegida....
Quero ser a Cinderela...
Mas hoje, e por enquanto, continuo a ser a Gata Borralheira...
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
«Asas» - Susana Duarte
escrevo-te sobre os poros___________e sob a pele,
enquanto me habitas as sombras____e os recantos
luminosos____________________de noites antigas
são antigas as ruas onde passámos_________vidas
inteiras, abertas, marinheiras_____do infinito luzente
______________que nos habita o centro do corpo e
o centro_______da vida, e o centro dos olhos_____
serias a águia e o grito______a água e o parto____
se, querendo, me quisesses._____se, querendo, me
_______amasses as terras longínquas de onde sou.
serias, se quisesses, as asas todas do meu corpo.
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
enquanto me habitas as sombras____e os recantos
luminosos____________________de noites antigas
são antigas as ruas onde passámos_________vidas
inteiras, abertas, marinheiras_____do infinito luzente
______________que nos habita o centro do corpo e
o centro_______da vida, e o centro dos olhos_____
serias a águia e o grito______a água e o parto____
se, querendo, me quisesses._____se, querendo, me
_______amasses as terras longínquas de onde sou.
serias, se quisesses, as asas todas do meu corpo.
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
03 junho 2013
Red Light District - as raparigas das montras começam a dançar
"Às vezes as coisas não são o que parecem.
Homens, mulheres e crianças são traficados - enganados, forçados e explorados na indústria do sexo.
Campanha de sensibilização de apoio a Stop the Traffik. Visite http://www.stopthetraffik.org/"
«conversa 1982» - bagaço amarelo

Eu - Ainda bem.
Ela - Sinto-me calma e equilibrada, algo que nunca me aconteceu antes, muito por culpa dos homens que se atravessaram na minha vida.
Eu - Como te conheço há muitos anos, percebo o que dizes. Ainda bem que agora estás melhor.
Ela - Sim... a única coisa que me tira do sério, apesar de tudo, continuam a ser alguns homens que conheci.
Eu - Saudades?
Ela - Não. Raiva.
Eu - Raiva?!
Ela - Sim, quando me dou conta que perdi alguns anos da minha juventude por causa de homens que não o mereciam. Quando me ponho a pensar nisso, lá se vai a paz...
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Luís Gaspar lê «O que é amar?» de Cristina Miranda
"É ser capaz de abraçar a tranquilidade do por de sol que me deste.
Aparto-me do corpo,
Abandonando a voz num grácil descanso.
Eu sou o teu silêncio.
Sente,
Devagar…
Como me enleio pela tua imaginação,
Como se de ti fizesse parte.
Dela,
Não te separarias por nada!
E porque a saberias fina,
Delicada,
Qual folha de papel de arroz,
Apartar-te-ias do corpo,
Abandonando a voz num não menos dócil emudecimento…
E assim,
Incorpóreos,
Existiríamos!
Seríamos de quando em vez
Movimento,
De quando em vez
Tacteio leve…
Era assim que nos víamos,
Quando no céu deste lugar
Nos contámos do que iríamos fazer,
Quando por fim nos encontrássemos!
Estamos juntos…
Acendamos a magia deste momento
E sob a luz doce que dela imana,
Vamos emocionar-nos,
Vamos tocamo-nos sem nos tocar,
Causando com que a pergunta que nos fizemos,
Se deite,
E adormeça, feliz.
Vamos ser a certeza de nos termos,
Deitando fora a distancia,
Saboreando o prazer de ver a resposta acordar
Espalhando-se por nós,
Tornando-se na nossa pele,
Tal como este por de sol que vem aquecer-nos,
Depondo no parapeito do desejo
A certeza de que o amanhã é agora
Tão certo,
Tão vivo,
Tão quente,
E tão só nosso!"
Cristina Miranda
Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
Aparto-me do corpo,
Abandonando a voz num grácil descanso.
Eu sou o teu silêncio.
Sente,
Devagar…
Como me enleio pela tua imaginação,
Como se de ti fizesse parte.
Dela,
Não te separarias por nada!
E porque a saberias fina,
Delicada,
Qual folha de papel de arroz,
Apartar-te-ias do corpo,
Abandonando a voz num não menos dócil emudecimento…
E assim,
Incorpóreos,
Existiríamos!
Seríamos de quando em vez
Movimento,
De quando em vez
Tacteio leve…
Era assim que nos víamos,
Quando no céu deste lugar
Nos contámos do que iríamos fazer,
Quando por fim nos encontrássemos!
Estamos juntos…
Acendamos a magia deste momento
E sob a luz doce que dela imana,
Vamos emocionar-nos,
Vamos tocamo-nos sem nos tocar,
Causando com que a pergunta que nos fizemos,
Se deite,
E adormeça, feliz.
Vamos ser a certeza de nos termos,
Deitando fora a distancia,
Saboreando o prazer de ver a resposta acordar
Espalhando-se por nós,
Tornando-se na nossa pele,
Tal como este por de sol que vem aquecer-nos,
Depondo no parapeito do desejo
A certeza de que o amanhã é agora
Tão certo,
Tão vivo,
Tão quente,
E tão só nosso!"
Cristina Miranda
Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
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