18 outubro 2013

A posta na plástica

É fácil rotular o cuidado (que se tem por excessivo) que algumas pessoas dedicam à sua aparência. Basta considerar coisas como o botox, o silicone ou o branqueamento anal.
É fácil porque é excessivo. Porém, é impossível traçar uma linha a partir da qual já podemos catalogar um excesso, salvo raras excepções, sobretudo num domínio em que cada um/a sabe de si e todos têm o direito a não levar com considerações de terceiros acerca de opções tão pessoais.
Claro que isto é muito claro na teoria. Na prática, apontamos o dedo a quem acrescenta as mamas enquanto reparamos que está na altura de cortar as unhas.

Onde quero eu chegar com isto? As tais linhas que todos gostamos de traçar relativamente às escolhas dos outros são imaginárias e subjectivas (quase mitológicas, portanto) e nunca coincidem com as das pessoas visadas.
Definimos os nossos próprios limites mas isso não nos impede de os alterar ao longo do caminho, nem que pelo efeito tramado da passagem do tempo no nosso visual.
Alguns dos que se chocam com o excesso de maquilhagem de outrem pintam o cabelo de outra cor que não a sua, deitando às urtigas o tal conceito do artificial que, bem vistas as coisas, veste os dois exemplos em causa ainda que com diferentes (e hipotéticas) gradações.

É o tal piso escorregadio dos limites e das avaliações quantitativas, nos outros como em nós. Às tantas, mesmo os que se afirmam alheios a essas coisas da aparência acabam um dia confrontados com a realidade da sua. E lá vão por água abaixo os argumentos “para fora”, na reacção hostil à verdade que qualquer espelho insiste reflectir.
A aparência, que não conta para ninguém, é lixada quando constitui uma clara desvantagem na interacção com os tais outros que também afirmam não ligar coisa alguma e depois a pessoa cai do céu quando percebe que falar é fácil e que toda a gente vai concentrar a atenção na borbulha feia por cima do nariz.

Para felizes contemplados com um visual agradável de origem o problema pode assumir proporções mais sérias, pela novidade da perda de confiança em si mesmos, o abanão num dado adquirido tão fácil de tombar pelo efeito da perda de um dente frontal ou de largas porções de cabelo. Ou das primeiras rugas. Ou de outra coisa qualquer que se imponha como um handicap potencial e seja demasiado óbvia para dissimular.
É nessa altura que a aparência passa de figurante a protagonista e o filme é quase de terror.

Tudo é muito relativo e de estanque já nem se safam as verdades ditas universais como, por exemplo, a que dizia que as pessoas e os livros não se julgam pela capa.
Nas bibliotecas como no resto da vida, são instintivamente escolhidos os mais apelativos, os mais perfeitos, os mais bonitos, os mais jovens e depois do que a vista selecciona, só depois, podem eventualmente impor-se outros detalhes a que chamamos “as coisas importantes” ou assim.
E o resto, perdoem-me a franqueza, não passa de mais um politicamente correcto folclore das boas intenções.

Postalinho lá de cima

"Será que foi feito para ser visto do espaço?
Quem sabe onde é?
beijos"
Luis B.


Por acaso consegui descobrir: é o Quebra Mar, um parque de skate em Santos (Brasil).

17 outubro 2013

Missy Jubilee -«Chain'D»


Missy Jubilee. Chain'D. from Missy Jubilee Films on Vimeo.

Abre-latas em metal com casal no bem bom

Abre-latas a gozar a vida... na minha colecção.


«Eu digo-te o que te quero meter» - Patife

Estou apaixonado. É com lamentável pesar que vos digo que estou apaixonado. Vi-a ontem, a passear pelo Chiado. E foi amor à primeira picha. Trazia anexada uma gaja que não usava cuecas e por isso é que a vi. A gaja semi inclinou-se e eu vi-a, em forma de dois papinhos dispostos de forma sublime. Parecia arte. Não demorei muito a entabular conversa com a dona, que eu cá só me apaixonei pela sua chona. A retórica do Patife dá cartas e não demorei a cair nas suas boas graças, apesar de eu querer era cair na suas bordas lassas. Claro que pensei isto alto e aí é que foi o sarilho. Começou logo a alardear não sei quê de ser mulher séria e disse para me pôr fino. Não sei se estava a falar comigo ou com o Pacheco, que tinha acabado de se pôr grosso. Não andasses de papo ao léu na rua e nada disto te acontecia. Assim é estar a pedi-las. Depressa emendei a mão, desviando subtilmente o assunto para o descomunal tamanho da minha verga. Mas tratou de responder: «Patife, não me metes medo!». Apeteceu-me responder-lhe: «Ó filha, não é medo que eu te quero meter.» E tal como me apeteceu, assim o disse. Ela sorriu e aí eu percebi que estava já meio caminho mamado. Para a outra metade do caminho foi preciso abrir a traqueia muito mais do que lhe seria exigido. Ainda tentei desonrar-lhe a senisga à lorde mas acabámos por ficar mesmo pelas artes chupistas. É que ela foder, fodia. Mas não era a mesma coisa.

Patife
Blog «fode, fode, patife»

Não há nada mais castigado do que a língua

Crica para veres toda a história
"Oh, sim... Chupa! Chupa!..."


1 página

16 outubro 2013

«Aconchega-te dentro de mim» - João

"Ao fim de vários dias intensos, que tínhamos tirado só para nós, para ficarmos juntos, nem sempre em casa mas fundamentalmente colados, chegaste-te ao pé de mim e disseste-me que estavas cansada. Eu também. Olhaste-me e com a mão no meu ombro disseste «amor, hoje vamos dormir? Só dormir? Pode ser?», e eu, optimista mas pouco confiante, disse-te que sim, que era preciso, que estávamos os dois demasiado cansados de tantos dias seguidos de suor por todo o lado, no chão, em quase todas as paredes, nos sofás e cadeiras, banheiras e lavatórios, elevadores e recantos de escada, espaços públicos, tudo.

Deitámo-nos bem intencionados, a distância segura, preparados no corpo para descansar, dar sossego aos músculos, e a olhar os olhos um do outro com outro brilho, e onde o corpo estava já sofrido, os olhos estavam frescos. E então disseste-me baixinho «anda cá amor, não te queres aconchegar um bocadinho dentro de mim antes de dormirmos?» – e eu fui, e enquanto me aconchegava dentro de ti dizia-te ao ouvido «não temos juízo nenhum»."

João
Geografia das Curvas

Mais na altura do lusco-fusco

Por acaso namora-se bem nos barcos do Campo Grande, em a pessoa estando empenhada e com alguma inspiração.

«conversa 2022» - bagaço amarelo

(ao telefone)

Eu - Ia convidar-te para vires beber uma cerveja comigo, mas suponho, se bem te conheço, que não deves querer sair com este calor...
Ela - Importas-te de me fazer o convite sem responderes por mim?! Que coisa irritante!
Eu - Queres vir beber uma cerveja comigo?
Ela - Não. Está demasiado calor...


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Ainda há bons empregos



Via Geral Viciado

15 outubro 2013

«suitably rewarded» (convenientemente recompensada) - Marc Blackie


suitably rewarded from Marc Blackie on Vimeo.

A FODA COMO ELA É - (II) Outros espasmos, outros prazeres

Sabeis do que falo. Um casal combate na leito, ambos alheados em plena fruição das alegrias naturais. A fulana, por cima na refrega, salta, pincha sobre um três-tetas em riste, veias salientes como hera em torno de um pelourinho atarracado. Eis que um formigueiro nasal a conduz a vários espirros consecutivos, acompanhados de  masculinas carantonhas sofredoras. O espasmo respiratório contraíra de tal sorte a pevide em torno do marsapo, que o mancebo julgou arrancarem-lhe o nabo pela raiz. Mais tarde verificou ser o mesmo aplicável a tosse e pigarreios (atire a primeira pedra quem jamais pigarreou enquanto retouçava). Nada disto é novidade para vós, que não tendes medo de experimentardes. Mas aqui vos digo que - graças as Deus! - semelhante inconveniência anatómica pode ser adestrada ao serviço do prazer. É questão de prática desportiva e trabalho de equipa. Cooperai, já que vos fodeis. Eu, por mim, sabei que já não me interno na alcova para o amor, sem me fazer acompanhar de toda a sorte de pimenteiros, mostardas, rapés, etc. E guardai estas palavras nos vossos corações, em jeito de divisa mal-sã: -"Alergia, constipação na consorte, é verga com sorte."

«Ondulação do ventre» - Susana Duarte

escrevi-te nas horas distraídas de ser,
e ondulei algas sobre o ventre.
na paixão, sobrevoei algas
mortas, e vi águas
azuis, vivas,
perenes.

seria um sonho,
ou, talvez, a água desperta que cai
nas rochas serenas da vontade. seria,
talvez, a eterna incompletude que cerceia
as águas onde, em repouso sereno, vivem braços
que, no dia a dia, se atomizam, desfazem, reduzem
a escrever, nas horas distraídas de ser,
onde as algas semeiam sobre o ventre.



Susana Duarte
Pintura de Nicoletta Tomas
Blog Terra de Encanto