03 janeiro 2015

«Curriculum invejável» - por Rui Felício



Já fui mar já fui navio
Já fui chalupa escaler
Já fui moço, já sou homem
Só me falta ser mulher.
Zeca Afonso

O Pedro ia casar e o Eugénio, pai dele, falou com o seu grande amigo Polibio para o convidar para ser padrinho de casamento.
O Polibio ficou muito sensibilizado com a honra do convite mas disse-lhe que já tinha feito de quase tudo na vida e que padrinho de casamento já tinha sido e não queria repetir.
Preferia que ele escolhesse uma outra função que ele pudesse acrescentar ao seu longo curriculum de que tanto se orgulhava.
Na verdade, o Polibio começou a enumerar-lhe a lista de profissões e funções que já tinha exercido:
pedreiro, latoeiro, policia, ladrao, ladrilhador, escriturário, arqueólogo, mineiro, motorista, agricultor, desinfestador, enfermeiro, segurança, vendedor, militar, carroceiro, encadernador, ferreiro, pescador, carteiro, repórter, jardineiro, barman, empregado de mesa, terapeuta, tradutor, detective, treinador, jogador, politólogo, fotógrafo, electricista, bombeiro, locutor, cozinheiro, chulo, podador, mecânico, bate-chapas, coveiro...
No que respeita a funções específicas relativas a casamentos, já tinha sido padrinho, testemunha, escrivão, mestre de cerimónias, fotógrafo, organista, florista...
O Eugénio ouviu, matutou e raciocinou tentando conciliar a vontade do Polibio com o seu próprio desejo inabalável de que ele participasse destacado no casamento do filho.
Murmurando alto:
- Bem, não podes celebrar o casamento porque não és padre, não queres ser o padrinho porque já foste uma vez, transportares as alianças não dá porque é tarefa destinada a duas crianças.
Com o dedo espetado na testa e os olhos em alvo, rematou:
- Sobra apenas seres Dama de Honor.
O Polibio escutou-o com atenção, mas perante a conclusão a que ele chegou ripostou admirado:
- Oh pá, as Damas de Honor têm que ser mulheres.
- Não é bem assim, meu amigo.
O meu filho Pedro vai casar com o Paulo.
Ora, neste caso, parece-me que não fará diferença que vás de Dama de Honor...

Rui Felício
Blog Encontro de Gerações
Blog Escrito e Lido

«A liberdade de imprensa é um valor de sempre»

Publicidade do Sindicato dos Jornalistas na revista Visão, nos anos 80.
Recorte de revista, emoldurado na minha colecção.

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Um sábado qualquer... - «A infância de Jesus 3»



Um sábado qualquer...

02 janeiro 2015

Viktoria Modesta - «Prototype»

Viktoria Modesta chama ao seu corpo «Modelo do futuro» e está a redefinir o que é ser sensual.
A sua perna ficou ferida durante o parto e passou por 15 cirurgias para tentar corrigir isso. Aos 20 anos, ele fez uma amputação voluntária da perna para melhorar a sua mobilidade.

Vai-lhe comer o cabelo?!


"Assim que toquei o teu cabelo fiquei com a certeza de que ia comer-te."
Quem disse que as mulheres não conseguem ter o nosso romantismo?


Sharkinho
@sharkinho no Twitter

«Há quem se cumprimente fodendo» - João

"Os tempos são de urgência. De pressa. Há tantos apelos à satisfação imediata que perdemos o jeito para os rituais, para nos prepararmos para dar e para receber o prazer. Parecemos ter perdido o jeito para tocar um corpo com as mãos quentes, percorrendo todos os pontos que sabemos que vão levar a outra pessoa ao seu espaço muito particular de loucura, onde vai perder ou expandir os seus limites, onde vai arrepiar-se ou apreciar a dor de um prazer sublime. Parecemos ter perdido o tempo para nos agarrarmos longamente, para deixar que nos pousem a cabeça sobre o coração, para o ouvir bater e sentir que o amor está ali, vivo. Queremos a gratificação imediata, rápida, que faz ter tudo logo ali, logo à mão. O pragmatismo impera. Há pessoas que se cumprimentam com um aperto de mão. Outras cumprimentam-se com beijos. Mas outras cumprimenta-se fodendo. Dir-se-ia que é sinal dos tempos de urgência. Da perda de jeito para os rituais. Poderá ser. Mas não com todos. Há gente que se cumprimenta fodendo porque é diferente dos demais. Porque foder lhes é natural e não viola em nada o tempo da preparação, o tempo das mãos quentes ou dos pontos sensíveis. É pragmatismo romântico. Inversão do tempo. Fode-me já, depressa e com força. E depois disso, agarra-te a mim, tapa-me, aconchega-me, e beija-me suavemente quando nos ficamos, no nosso ritual de calor, tu a procurar-me nos olhos, eu a escutar-te o coração."
João
Geografia das Curvas

«Centro de Emprego»- Shut up, Cláudia!




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01 janeiro 2015

de volta ao preto


Back in Black from The Darlings on Vimeo.

Eva portuguesa - «Fogueira»

Envolvo-me no frio que me arrepia a pele.
Procuro a posição que me permita adormecer mas o corpo está quente, irrequieto, ansioso.
Fecho os olhos para não sentir. Para adormecer os sentidos.
São longas as noites em que me perco no desejo do teu cheiro, do teu sabor.
Horas de sadismo que tento afastar, sem na realidade querer deixar partir.
Como se a tua recordação fosse esta fogueira que arde sem temor, para logo depois se transformar em cinza e desaparecer levada pelo vento.
Essas cinzas que me cobrem o corpo, enchem a alma e lambem o sexo.
Desejo-te. Aqui. Agora. Com fúria. Com intensidade.
Fizeste de mim uma mulher de sorriso fácil; uma alma colorida; um arco íris onde antes só existia cinzento.
Chegaste. E tudo mudaste...


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

Calorzinho africano...

Pintura em tecido com motivos eróticos africanos, emoldurada na minha colecção.

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E fez beicinho...


Tens noção que ao dizeres que estás embeiçada só me dás motivação para te meter a gaita nas beiças, certo?

Patife
@FF_Patife no Twitter

31 dezembro 2014

«Quer saco ou leva no pacote?» - Paulo Freitas

"Não sou gajo de fazer balanços do ano que passou no fim do ano, até porque seria muito optimista da minha parte acreditar que apenas o que se passou nos últimos 365 dias faz com que esteja onde estou neste preciso momento. Mas às vezes há pequenas coisas que mudam radicalmente a vida dum gajo. É o caso da supra enunciada pergunta.
Somos gente de hábitos profundamente enraizados. Hábitos que só mudam por força da adversidade das circunstâncias.
Levar no saco é um desses hábitos. Enraizou-se em tempos de abundância e nem o melhor pacote dispensava a sua utilização. O pretérito do verbo dispensar foi intencional visto que agora temos que preterir uma das opções, temos que optar entre levar no pacote e levar no saco. A escolha até parece simples mas tem consequências cuja profundidade desafia os limites da imaginação do comum dos mortais.
É certo que esta a tendência pela opção já vinha ganhando terreno na nossa rotina diária e nós, conscientes disso, sabíamos de antemão quando é que a opção de levar no pacote se impunha e fazíamos os preparativos em função dessa circunstância.
Acontece que a partir do momento em que as rolhas das garrafas de espumante comecem a saltar para dar as boas vindas ao ano que entra, entra com ele a opção levar no pacote e a opção levar no saco, que não desaparece, passará a ser equivalente a levar no pacote mas de forma nada erótica pois perderá a graciosidade de outrora passando a fazer parte do buraco que nos acompanha na nossa rotina diária que já é em larga medida dedicada à sua contenção. É ser como fodido sem a devida provocação.
Como na vida nem tudo São Rosas, às vezes vêm só os limões sem a Rosinha (a dos limões), temos que fazer como a Rosinha (a do pacote): levar no pacote com a mesma satisfação com que ela o faz, pegar nos limões e transformá-los numa bela limonada.

Um Bom Ano e, como alguém disse e muito bem, Fodamos! com a devida provocação"

Paulo Freitas
Cu_laborador da nossa página no Facebook (que já tem 2.346 gostos)

Boas entradas... e saídas!

Olás...

Desejo a todos muitos orgasmos, seja usando as mãos, os pés, a língua, viagra, catuaba...mas que tenham prazer. Ambos. Ou mais do que ambos, para quem gosta de sexo grupal. 

Que os preconceitos e tabus sejam deixados no lixo, naqueles vasilhames que não serão reciclados. 

Desejo aos homens muito tesão, para aguentarem as fêmeas fogosas. Desejo às fogosas múltiplos orgasmos, porque isso, sim, é um tipo de droga que é bom se viciar.

Desejo que as mulheres se descubram enquanto há tempo. Que se toquem, que se masturbem, que sintam estarem nas nuvens, ou subindo paredes. Não importa o lugar. Só importará com quem.

Precisamos de saúde para gozarmos esses prazeres da vida. Nada de sexo irresponsável, portanto.

Mas, quando na cama, no chão, no sofá, no mato, no mar, no rio, na areia, o tesão chegar... não adie esse momento. Não tenham pudores de experimentar todos os sentidos na hora do amor.

Sintam o cheiro. Sintam o toque. Lamentem, somente, quando o tempo para isso terminar.

Peçam, implorem, gemam, gritem. Tudo é permitido e nada há para se envergonhar. Importante é gostar. Ter prazer. Gozar.

Mas se o gozo não chegar... que importa? As carícias, os beijos, as lambidas, chupadas... conversas, risadas...bom humor...Caramba! Isso também é pleno gozo.

Deem-se ao prazer de conversarem sacanagens na cama, ou fora dela. Chamem-se de adjetivos que gostariam de serem chamados, mas têm medo de ofender.  Caralho! Isso tudo é tempero para uma boa "comida".

Esperem o namorado, marido, o amante, o vizinho sem a peça  íntima, alguma vez. Surpreendam-o sempre. Saiam da rotina chata das coisas certinhas, das regras, dos padrões. Isso faz brochar!

Conduzam as mãos, a boca... digam como e onde querem. Vergonha? Ah! Vergonha é passar uma vida inteira sem ter tido coragem de confessar que nunca sentiu um orgasmo.

Na verdade, em 2015 e sempre... eu quero mais é que todo mundo se foda, da melhor maneira possível.

Mamãe Coruja