Millie Jackson - «Fuck you symphony» (anos 80)
09 maio 2012
«coisas que fascinam (140)» - bagaço amarelo

Aquela mulher é bonita. Tão bonita que agora mesmo, quando peguei no meu copo de cerveja para dar um gole, reparei que estava morta. A cerveja, não a mulher. Morto estive eu, durante não sei quanto tempo a olhar para ela sem me aperceber que tinha uma garrafa de Sagres à minha frente. Aliás, sem me aperceber de mais nada. O tlintar inquieto das moedas na bandeja do frenético empregado do café, o vapor da máquina expresso a aquecer mais um galão, o arrastar das cadeiras dos clientes que vão entrando e saindo. Não ouvi nada.
Agora levanto-me, vou à mesa dela e peço licença para me sentar. Digo-lhe que ela é bonita e agradeço-lhe a existência. Peço outra cerveja e bebo-a enquanto discutimos uma trivialidade qualquer. Era, de facto, o que me apetecia fazer. Mas não o faço. Fico aqui a sofrer os horrores de quem, sem contar, foi bombardeado e agora é um mero despojo esquecido duma guerra de que nem se deu conta. É assim que me sinto. O coração apertado, o estômago duro como uma pedra, as pernas tão enfraquecidas que tenho medo de cair quando tentar levantar-me. Estou ferido, pronto.
As mulheres não sabem, ou fingem não sabê-lo, mas o Amor é sempre uma operação de socorro a um homem ferido. Uma questão de vida ou de morte. Uma urgência. Esta também não o sabe, certamente, que agora se levanta deixando o dinheiro contado em cima da mesa, num desenho de moedas que se assemelha a uma flor qualquer. Como ela é. Vai-se. Desaparece pela porta de saída sem escutar os meus intensos e silenciosos pedidos de ajuda.
O café volta a ser isso mesmo. Apenas um café. E eu torno a sentir a ponta dos dedos dos pés. Lentamente apercebo-me de que o sangue recomeça a circular nas minhas veias e artérias. Abraço, com a palma da mão, a garrafa. Ainda está fria, apesar de tudo. Procuro um relógio para saber que horas são e, se possível, também que dia é, e de que mês e ano. São duas da tarde de um dia de Março de 2012. Sobrevivi.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Postalinhos do Japão
"Para o blog da São Rosas, seguem dois postalinhos do Japão com as respectivas informações de cada um, oferecidos pelo Alfredo e Daisy.
Fotos de quadros célebres que se encontram no Museu Nacional de Tokyo.
Abraços,
Alfredo e Daisy"
Fotos de quadros célebres que se encontram no Museu Nacional de Tokyo.
Abraços,
Alfredo e Daisy"
08 maio 2012
Atriz porno faz implante de silicone no cérebro
"Depois de fazer cirurgias de implante de silicone na batata da perna e nos seios, a famosa atriz porno Francielle Cristina resolve fazer uma operação revolucionária: colocar silicone no cérebro."
Eva portuguesa - «Hoje»
O dia de hoje está escuro... o dia está cinzento, o céu carregado...
E em termos de trabalho a situação é a mesma. Só lamento que aqui no meu cantinho do amor não se oiça o rugir igual ao dos trovões que cantam lá fora... seria sinal de que estaria a trabalhar, a ganhar dinheiro e a gozar...
O sexo é uma coisa fabulosa, sobretudo quando é bem feito ;)!
O roçar dos corpos, a mistura dos cheiros, pele a tocar na pele, suor com suor, língua na lingua, lábios que se roçam... suspiros profundos... de ansiedade, de prazer... gemidos abafados pela sofreguidão das bocas.
Corpos molhados, sedosos, sedentos, famintos, que se procuram, se consomem, se saciam...
Dor, prazer, luta, amor... uma mistura de fluidos e de sensações...
Ter um sexo duro e exigente na minha boca... indo fundo, cada vez mais fundo...
Sentir uma língua húmida a roçar o meu clítoris, primeiro levemente, depois com mais pressão...
As dentadas ora meigas, ora mais atrevidas nos meus mamilos... chupando... bebendo...
E depois aquele momento, ao principio quase imperceptível, em que começo a sentir um ligeiro arrepio a subir-me pela espinha... e as minhas ancas começam a mover-se mais depressa, como se tivessem vida própria... e entro num balanço frenético, imparável...
E nesses poucos segundos que dura um orgasmo, o mundo desaparece para mim e eu morro para o mundo... esvazio-me de líquidos e de mim própria... não tenho sentimentos nem pensamentos, apenas aquela sensação de voar, de sair de mim, de me entregar ao prazer doloroso de um tremor que mal começa acaba...
E este orgasmo, a que os franceses chamam de pequena morte, mata-me, sacia-me e faz-me querer mais...
Mas hoje... hoje ainda não tive clientes... e sem eles a hipótese de um orgasmo é inexistente...
Porque são eles que me saciam e colmatam as minhas falhas e necessidades...
A pequena morte... como eu queria sentir uma hoje!...
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
E em termos de trabalho a situação é a mesma. Só lamento que aqui no meu cantinho do amor não se oiça o rugir igual ao dos trovões que cantam lá fora... seria sinal de que estaria a trabalhar, a ganhar dinheiro e a gozar...
O sexo é uma coisa fabulosa, sobretudo quando é bem feito ;)!
O roçar dos corpos, a mistura dos cheiros, pele a tocar na pele, suor com suor, língua na lingua, lábios que se roçam... suspiros profundos... de ansiedade, de prazer... gemidos abafados pela sofreguidão das bocas.
Corpos molhados, sedosos, sedentos, famintos, que se procuram, se consomem, se saciam...
Dor, prazer, luta, amor... uma mistura de fluidos e de sensações...
Ter um sexo duro e exigente na minha boca... indo fundo, cada vez mais fundo...
Sentir uma língua húmida a roçar o meu clítoris, primeiro levemente, depois com mais pressão...
As dentadas ora meigas, ora mais atrevidas nos meus mamilos... chupando... bebendo...
E depois aquele momento, ao principio quase imperceptível, em que começo a sentir um ligeiro arrepio a subir-me pela espinha... e as minhas ancas começam a mover-se mais depressa, como se tivessem vida própria... e entro num balanço frenético, imparável...
E nesses poucos segundos que dura um orgasmo, o mundo desaparece para mim e eu morro para o mundo... esvazio-me de líquidos e de mim própria... não tenho sentimentos nem pensamentos, apenas aquela sensação de voar, de sair de mim, de me entregar ao prazer doloroso de um tremor que mal começa acaba...
E este orgasmo, a que os franceses chamam de pequena morte, mata-me, sacia-me e faz-me querer mais...
Mas hoje... hoje ainda não tive clientes... e sem eles a hipótese de um orgasmo é inexistente...
Porque são eles que me saciam e colmatam as minhas falhas e necessidades...
A pequena morte... como eu queria sentir uma hoje!...
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
07 maio 2012
«conversa 1888» - bagaço amarelo

Ela - Se eu estivesse com os copos, dizia-te uma coisa que assim sóbria não consigo.
Eu - Então deixa, que eu pago-te um copo. O que é que queres?
Ela - Um copo de vinho, por favor.
(um quarto de hora depois)
Eu - Então, precisas de mais vinho ou já tens coragem para me dizer o que querias?
Ela - Já tenho coragem.
Eu - Então diz lá. Estou curioso.
Ela - És um totó a quem é muito fácil cravar uma bebida quando não se tem dinheiro.
Eu - Era isso?
Ela - Era, mas sóbria não tinha coragem.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
De longo alcance
Ela: "Tás com uma língua muito afiada..."
Ele: "E atão, tás com medo que eu seja o Zorro?"
Ele: "E atão, tás com medo que eu seja o Zorro?"
06 maio 2012
Porta-Curtas - «A Arquitetura do Corpo»
Género: Documentário
Diretor: Marcos Pimentel
Duração: 21 min Ano: 2008
País: Brasil
Sinopse: Os bailarinos e suas formas. Suas dores. Seus sonhos...
Diretor: Marcos Pimentel
Duração: 21 min Ano: 2008
País: Brasil
Sinopse: Os bailarinos e suas formas. Suas dores. Seus sonhos...
Mais postalinhos do Japão
"Directamente do Japão, da cidade de Fukuoca, aqui vai uma foto carinhosamente tirada a pensar na São Rosas!
Segue outra foto com a placa a explicar o significado desta estátua!...
Alfredo e Daisy"
Segue outra foto com a placa a explicar o significado desta estátua!...
Alfredo e Daisy"
NOVO: Linda vai a noiva

Ora acontece que depois de uma conversa com um amigo, tão adúltero e experiente na matéria como ele e, a bem dizer, oitenta por cento da população portuguesa mas, nisso o especialista é o senhor Doutor, não lhe pareceu aconselhável estar comigo não sendo eu casada porque, digo eu, ainda me poderia dar o desejo peregrino de querer ocupar o lugar da legítima para lhe limpar a casa enquanto ele vê os jogos de futebol no computador, para todos os dias lhe preparar a roupinha para o dia seguinte como se faz aos miúdos pequenos, para fingir docemente que não sabia que era encornada amiúde e não lhe pagar da mesma moeda e, para ganhar todas as partes chatas de uma relação.
É que senhor Doutor, com todo o respeito pelo Trio Odemira e por igrejas engalanadas e festas para inglês ver, quero mesmo é a si pedir encarecidamente que me revele qual é a probabilidade estatística de encontrar em Portugal homens com mais de uma vintena de neurónios e que, não obstante, conseguem satisfazer mulheres sexualmente.
Allegro moderato
Ricardo - Vida e obra de mim mesmo
(crica na imagem para abrir aumentada numa nova janela)
05 maio 2012
«uma mulher por trás de qualquer história» - bagaço amarelo

Uma vez chegou a arfar. Sentou-se na cadeira à minha frente com o impacto dum tijolo e disse-me que eu não ia acreditar no que lhe tinha acontecido. Pois não, não ia. Mas mesmo assim queria ouvir. Uma tal de Ana tinha-se sentado ao lado dele no autocarro, no regresso a casa, e adormecido no seu ombro. Ele, para não a acordar, deixou-se ir algumas paragens para além da dele. Quando ela acordou e ele lhe contou isso mesmo, convidou-o para passar a noite em casa dela. E ele a olhar para mim fixamente, à espera dum sinal qualquer que indicasse que eu acreditava naquilo tudo. E eu a responder que ele era um homem cheio de sorte. Ele sorria quase sempre. Às vezes não.
Sempre soube que o Afonso era um homem solitário, principalmente porque eu também o era. A diferença é que ele vivia sozinho, sem mais ninguém em casa. Eu vivia sozinho, com a minha mulher de há mais de vinte anos em casa. Éramos os dois uns solitários, mas ele tinha espaço para imaginar todos o tipo de engates e romances. Eu não. Invejava-o.
Outra coisa que nos unia era uma enorme incapacidade de sedução. Todos os sábados à noite saíamos juntos e íamos aos mais concorridos bares da baixa da cidade. Íamos bebendo e desejando que uma mulher qualquer se sentasse na nossa mesa, por qualquer motivo que fosse. Mas nunca nenhuma se sentou, e eu ficava a ouvir as histórias dele ou, ainda pior, a falar de futebol. Depois voltávamos para casa, silenciados perante a terrível evidência de que a nossa vida era uma monotonia, e com o céu estrelado a rir-se de nós.
Foi numa dessas noites, já depois de umas cinco ou seis cervejas cada um, que ele deu um salto na cadeira. Estava uma mulher sozinha no balcão, de um moreno doce e cabelos suaves. Era bonita, e se já de si parecia inatingível, o facto de estar a beber um cocktail colorido de que eu nem o nome sabia ainda a tornava mais impossível. É a Ana, disse o Afonso mostrando um nervoso miudinho na sua voz acanhada.
- Aquela que te convidou para dormir em casa dela?! A do autocarro?! - Perguntei incrédulo.
- Chiuuuu... fala baixo! - e vi que uma dor qualquer se apoderara da cara dele.
Voltámos para casa como sempre, sozinhos e com um profundo e amargo sentimento de abandono. A Ana existia mesmo. De facto, tinha adormecido no ombro dele numa viagem de autocarro, e ele tinha mesmo saído algumas paragens depois para não a acordar e aproveitar aquela sensação única de ter um anjo a dormir ao lado. Confessou-me nessa noite que tinha voltado a pé, debaixo duma chuva forte e fria, aquecido sempre pela sensação do toque do sono dela. O resto é que tinha sido inventado por ele...
Estou habituado às histórias do Afonso. Aquelas que ele me conta todos os dias, de segunda a sexta, entre uma garfada de arroz à portuguesa ou massa com carne. Quando ele não vem eu fico apreensivo. Gosto das histórias dele. Sei que, por trás de cada mentira que diz, há sempre uma mulher verdadeira. Às vezes é uma que lhe pediu ajuda no supermercado para tirar uma lata de conserva da prateleira mais alta, outras vezes é uma que lhe pediu para apagar o cigarro num restaurante qualquer. Hoje, por exemplo, foi uma estrangeira que lhe perguntou uma indicação na zona histórica da cidade.
Sei que, como eu, o Afonso é um solitário e um incapaz de Amar. É por isso que cada mulher que passa por ele se transforma numa qualquer história de Amor. Invejo-o por isso. Admiro-o por isso. Até porque isso também é Amar. E não há melhor forma de dizer uma verdade do que inventando-a.
bagaço amarelo
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