23 outubro 2012
Folha publicitária de um filme em 1968
Encontrei esta preciosidade e vai-se juntar a outros cartazes publicitários da minha colecção de arte erótica: Uma folha (formato A4) do Cine Alba, de Sever do Vouga, a promover o filme «Livre à 4ª Feira» com Jane Fonda ("bela, audaciosa, complicativa e com apartamento..."), para maiores de 17 anos.
"A engraçada história de um marido rico e infiel, e de uma esposa burlada, mas fascinante e vingativa!"
"Uma história pecaminosa, cheia de luz e alegria, limpeza moral e de um saboroso e belíssimo final!"
A sessão foi sábado, 7 de Dezembro de 1968 às 21 horas.
"A engraçada história de um marido rico e infiel, e de uma esposa burlada, mas fascinante e vingativa!"
"Uma história pecaminosa, cheia de luz e alegria, limpeza moral e de um saboroso e belíssimo final!"
A sessão foi sábado, 7 de Dezembro de 1968 às 21 horas.
22 outubro 2012
Ninguém disse quais
O homem morreu.
E tudo quanto na vizinhança, sorriso maroto, havia a dizer acerca do rasto da sua passagem é que deixou boa impressão tanto em mulheres como em homens.
Pelas mesmas razões.
«conversa 1921» - bagaço amarelo

Eu - Podes passar cá em casa esta noite.
Ela - Tens bolachas daquelas que tinhas a última vez que aí fui?
Eu - Bolachas?! Não, não tenho...
Ela - O.k. então está combinado. Passo aí às dez, pode ser?
Eu - Pode...
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Homem aranha ao resgate!
O Peter não sabe deixar uma donzela em apuros.

Se a janela tivesse aberta essa moça pegaria uma friagem.
Capinaremos.com
Se a janela tivesse aberta essa moça pegaria uma friagem.
Capinaremos.com
21 outubro 2012
Gastronomia - Crise 2012/13
1 - Fazer polvo fingido ou do povo, como indica o T & T Kitchen

2 - Realçar a sensualidade de umas asinhas de frango que sempre é o mais barato deste galináceo.

3 - Ou apresentar a única cereja que ainda sobra em casa num atraente prato de sobremesa.


2 - Realçar a sensualidade de umas asinhas de frango que sempre é o mais barato deste galináceo.

3 - Ou apresentar a única cereja que ainda sobra em casa num atraente prato de sobremesa.

20 outubro 2012
«coisas que fascinam (151)» - bagaço amarelo

Tenho uma gaveta para onde atiro coisas. É uma gaveta bem grande, numa cómoda que herdei do meu avô e que foi feita por ele há quase cem anos. Por exemplo, quando viajo e trago pequenas recordações como postais, bilhetes ou qualquer tipo de panfletos, atiro-os para ali. Faço o mesmo com algumas fotografias, pequenos objectos ou prendas. Não organizo nada, apenas atiro para lá coisas que, de outra forma, não saberia muito bem onde pôr. Na verdade é uma forma de sentir que organizo uma parte da minha vida que não é organizável.
Hoje de manhã, ao atirar para lá alguns panfletos da última viagem que fiz a Barcelona, decidi remexer naquele monte de pequenos pedaços soltos da minha vida. Meti a mão entre alguns papéis que se amontoavam e tirei um à sorte. Era uma fotografia da Marta.
A Marta deu-me uma vez boleia, de Aveiro para o Algarve, através dum site na internet. Eu andava um pouco perdido, sem estar bem em lado nenhum e, pior ainda, sem fazer ideia para onde devia ir. Vi num site alguém a oferecer boleia do Porto para a Fuzeta, com divisão de custos, e decidi ir passar o fim de semana àquela cidade do sul. Mandei-lhe um email e combinámos que ela me apanhava em Aveiro.
A meio do caminho ela perguntou-me o que é eu lá ia fazer e eu respondi, muito naturalmente, que nada. Só tinha decidido ir ao ver a oferta dela para uma boleia. Perante o silêncio curioso expliquei-me um pouco melhor, o mais que pude dizendo o menos possível, demonstrando que não tinha sítio nenhum para ir naquele fim de semana e por isso qualquer sugestão me parecia melhor do que ficar em casa. Não lhe expliquei que tinha acabado de me divorciar e que me estava ainda a habituar à ideia, tão triste quanto feliz, de ter fins de semana inteirinhos só para mim.
- Eu também só me pus a oferecer boleia para ver se alguém aceitava. Ando um pouco como tu. - respondeu.
Tanto quanto me lembro, depois desse diálogo fizemos grande parte da viagem em silêncio. Não um silêncio perturbador, mas sim um silêncio contemplativo. A sensação era a de que, de repente, se tinham encontrado naquele automóvel duas pessoas que vinham de caminhos similarmente tortuosos, e que naquele momento, pela primeira vez, seguiam numa auto-estrada a uma velocidade razoável e constante, exactamente como aquela que queriam nas suas vidas.
Passámos esse fim de semana juntos e, quanto mais não seja, foi nele que aprendi que a solidão se pode matar com alguém que não conhecemos de lado nenhum, que às vezes é mais fácil contarmos as coisas mais íntimas precisamente a quem até então nem sabia da nossa existência. Desta forma, não nos tornamos demasiado transparentes aos olhos de quem nos conhece mas sim aos olhos de quem não é suposto encontrarmos muitas mais vezes na vida.
De facto, não vi a Marta muitas mais vezes. Lembro-me de ter ido tomar café com ela ao café Ceuta, no Porto, numa ou outra tarde estéril. Mais nada. Mas hoje, quando olhei para a fotografia dela,tive a certeza de que foi uma mulher importante na minha vida. É isso que as mulheres têm a mania de ser: importantes na vida dos homens.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
19 outubro 2012
E mais literatura histérica, agora por outra brasileira
Página em branco
Quero ver-te como a uma mulher nua deitada na cama à espera de mim.
Depois quero aproximar-me e tactear o caminho certo para te preencher com tudo aquilo que faça sentido para ti que o descobres apenas nesses momentos de interacção a dois.
Quero ver-te disponível e sentir-te impossível de satisfazer sem todo o empenho que a tua generosidade bastaria para justificar. Quero também transmitir na perfeição tudo aquilo que me permites sentir, mais a minha gratidão pela forma como te entregas, vulnerável mas poderosa, o poder do fogo numa rosa dos ventos que me compete soprar.
Quero ver-te cheia de vida, a expressão completamente alterada pelo efeito que consigo provocar, o meu prazer e aquele que queres partilhar com terceiros, indiscreta, só tu conheces a receita secreta que confidencio aos poucos na intimidade dos nossos encontros casuais.
Quero ver-te assim, misteriosa. No silêncio da minha contemplação, mesmo antes de estender a mão para começar um novo capítulo da nossa história na tua pele como numa folha de papel dos primórdios desta nossa relação promíscua. Quero que me deixes tatuar-te com mensagens que transportes contigo para terras distantes onde as exibas a outros amantes que te saibam merecer, capazes de entenderem a magia desta nossa relação e de te olharem com tanta atenção que te faça sentir possuída sem o seres.
Quero ver-te assim, despida. À espera de mim e do que tenho para dar, ansiosa, a beleza serena de uma prosa ou o simulacro de um poema nas palavras e nas imagens que gravo na memória daqueles a quem te mostras depois de te sentires preenchida por mim, a pele marcada pelo registo do tempo em que foste minha, uma curta passagem, que exibas orgulhosa como um diamante que só eu saberia lapidar.
Quero saber que te dás a olhar aos outros porque te gostas cobiçada, não te aceitarias privada dessa emoção que acaba por ser a principal razão da tua existência, vaidosa, maquilhada por mim, esculpida a partir de um nada aparente que vale por um infinito à medida de quem queira e possa e consiga prolongar a exploração desse enorme ponto de interrogação que o teu silêncio induz e me lanças à cara em tom de desafio.
Sim, gosto de ver-te despida e incomoda-me a ideia de deixar-te à mercê do frio.
Ser mulher
Se me esquecesse de mim
do corpo em que me materializo
e me faço carne e cinzas,
não seria eu nem o meu espelho
mas um lago turvo onde me liquefazia...
... seria um Outro apático, indefinido,
incapaz de sentir dor ou alegria!
Se misturasse a transparência numa paleta
com tinta vermelha, verde e azul,
novas cores nasceriam com aromas desconhecidos,
indecifráveis pelo verbo ou o substantivo da língua...
Só a tela vazia lhe sente o sabor e a intensidade do pigmento,
que em manchas de luz e sombra
despe o branco dessa inocência cândida, clara, inútil,
dando-lhe a beber a seiva quente
que jorra do meu ventre!
Se me abandonasse neste voo fresco da manhã
que desperta as damas da noite
recolhidas no perfume que emana das suas pétalas,
seria a cantiga de criança com que adormecia
num embalo de rosas doces e alecrim!
E só me tornaria mulher quando anoitecesse
e o oceano me resgatasse os sentidos em suspenso
neste emaranhado de fios invisíveis
que escravizam marionetas sem alma,
corpos fantasma que se arrastam no asfalto,
seguindo essas mãos assassinas que manipulam inocentes!
Lua Cósmica
http://luacosmica.blogspot.pt/
18 outubro 2012
A rainha careca
De cabeleira farta
De rígidas ombreiras
De elegante beca
Ula era casta
Porque de passarinha
Era careca.
À noite alisava
O monte lisinho
Co’a lupa procurava
Um tênue fiozinho
Que há tempos avistara.
Ó céus! Exclamava.
Por que me fizeram
Tão farta de cabelos
Tão careca nos meios?
E chorava.
Um dia...
Passou pelo reino
Um biscate peludo
Vendendo venenos.
(Uma gota aguda
Pode ser remédio
Pra uma passarinha
De rainha.)
Convocado ao palácio
Ula fez com que entrasse
No seu quarto.
Não tema, cavalheiro,
Disse-lhe a rainha
Quero apenas pentelhos
Pra minha passarinha.
Ó Senhora! O biscate exclamou.
É pra agora!
E arrancou do próprio peito
Os pelos
E com saliva de ósculos
Colou-os
Concomitante penetrando-lhe os meios.
UI!UI!UI! gemeu Ula
De felicidade.
Cabeluda ou não
Rainha ou prostituta
Hei de ficar contigo
A vida toda!
Evidente que aos poucos
Despregou-se o tufo todo.
Mas isso o que importa?
Feliz, mui contentinha
A Rainha Ula já não chora.
Moral da estória:
se o problema é relevante,
apela pro primeiro passante.
Hilda Hilst (1930-2004)
blog A Pérola
De rígidas ombreiras
De elegante beca
Ula era casta
Porque de passarinha
Era careca.
À noite alisava
O monte lisinho
Co’a lupa procurava
Um tênue fiozinho
Que há tempos avistara.
Ó céus! Exclamava.
Por que me fizeram
Tão farta de cabelos
Tão careca nos meios?
E chorava.
Um dia...
Passou pelo reino
Um biscate peludo
Vendendo venenos.
(Uma gota aguda
Pode ser remédio
Pra uma passarinha
De rainha.)
Convocado ao palácio
Ula fez com que entrasse
No seu quarto.
Não tema, cavalheiro,
Disse-lhe a rainha
Quero apenas pentelhos
Pra minha passarinha.
Ó Senhora! O biscate exclamou.
É pra agora!
E arrancou do próprio peito
Os pelos
E com saliva de ósculos
Colou-os
Concomitante penetrando-lhe os meios.
UI!UI!UI! gemeu Ula
De felicidade.
Cabeluda ou não
Rainha ou prostituta
Hei de ficar contigo
A vida toda!
Evidente que aos poucos
Despregou-se o tufo todo.
Mas isso o que importa?
Feliz, mui contentinha
A Rainha Ula já não chora.
Moral da estória:
se o problema é relevante,
apela pro primeiro passante.
Hilda Hilst (1930-2004)
![]() |
| Howard Schatz |
blog A Pérola
«Longe da picha, longe do coração» - Patife

E com isto o Patife vai para um cruzeiro terapêutico para revitalizar a energia do mangalho. Eu não preciso de férias mas, tal como os atletas de alta competição, o Pacheco precisa de umas pausas para conseguir manter uma performance de alto rendimento ao longo da temporada sexual. E depois inicio o meu périplo para atingir o meu objectivo de dar a Volta ao Mundo em 80 Cricas. Obrigado por uma terceira temporada fantástica. Fiquem com a imagem do Pacheco a acenar-vos num pendular até breve.
Patife
Blog «fode, fode, patife»
«Nicole» - por Luis Quiles
"Este dibujo lo hice para una persona muy especial para mi, que como yo es un poco alienígena.
Vive en un lejano pais donde no hay pobres ni vagabundos porque todos mueren de frio al llegar el invierno...cada año se reciclan y nacen nuevos vagabundos y así sucesivamente...
Un pais amable y extraño con paisajes exuberantes donde las martas (animal parecido a una comadreja) sabotean los coches comiendose los cables del motor.
Un pais donde los camareros te cambian el cenicero antes de que apagues el cigarrillo.
Un pais donde la gente pasea por la calle disfrazada de oso.
Pero sobretodo un pais donde habita gente de buen corazon como en Freienwill."
Luis Quiles
17 outubro 2012
«coisas que fascinam (150)» - bagaço amarelo

Tenho ido almoçar a um restaurante onde a dona me trata por menino. Não me lembro da última vez que me chamaram menino da maneira que ela o faz, mas isso chegou para ter ficado cliente assíduo logo na primeira vez que lá fui. A cozinheira saiu da copa com um prato de sopa fumegante e perguntou alto para quem era. "É para aquele menino!", disse a dona. Eu sorri. É que vou fazer em breve quarenta e um anos.
Uma vez, em criança, recusei-me a comer um prato de sopa assim, também fumegante. Pior, recusei-me a almoçar. Não tinha fome. A minha tia disse-me que eu estava com cara de menino apaixonado e que era por isso que não queria comer. "Já está um menino!", concluiu ela olhando para o meu tio, que acenava com a cabeça concordando. Na altura não percebi como é que ela adivinhou uma das minhas primeiras paixões, mas liguei imediatamente as palavras "menino" e "apaixonado". Pelos vistos era preciso ser a primeira para sentir a segunda.
Não me sinto velho. Na verdade sinto-me mais novo do que velho, embora não seja nem uma coisa nem outra. O que eu sei é que estou continuamente apaixonado há três anos e meio, mais coisa menos coisa, e para ser franco acho que isso nunca me tinha acontecido na vida. Deve ser da idade, lá está. Pelo menos é o que penso de vez em quando. Talvez finalmente tenha aprendido a Amar. Ou então foi sorte, sei lá.
Já estive apaixonado na vida durante mais de três anos e meio, claro, mas nunca assim desta maneira: ininterruptamente. Admito que isto às vezes me dá medo, mas o que me dá mais vezes, quase sempre, é o oposto. Uma coragem qualquer que não sei explicar bem. Pela primeira vez na vida sinto-me, de facto, menino outra vez.
Quando era novo, menino mesmo, fartei-me de ouvir incentivos para me tornar homem. "Faz-te um homem", "Vê lá se cresces e arranjas uma mulher!" ou "Estás um homem feito!". Cheguei a pensar que ser menino é ser inconsistente, que é um limbo entre a criancice e a vida a sério. Aquela em que, lá está, arranjamos uma mulher para a vida. Depois cheguei à vida a sério e apeteceu-me ser menino outra vez. É que é uma desilusão descobrir que o Amor pode morrer devagar.
Tem piada, agora que penso nisso acho que foi a maior desilusão que tive na vida, essa de acordar de manhã e descobrir que o Amor morreu. Tive que estar agora mais de três anos ininterruptamente apaixonado para o voltar a ser. Menino, digo. Menino!
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
A censura é fodida!
Isto já foi na semana passada mas fica para memória futura.
Já tive uma conta no Facebook que foi eliminada. Depois, criei lá uma página minha, identificada com conteúdo para adultos e com acesso reservado a maiores de 18 anos. As 418 pessoas que "gostam" da página só lá estão porque... gostam! Então, que caralho tem a gerência do Facebook a ver com o que a malta lá publica?

Deve ter sido por não gostarem de amarelo...
Já tive uma conta no Facebook que foi eliminada. Depois, criei lá uma página minha, identificada com conteúdo para adultos e com acesso reservado a maiores de 18 anos. As 418 pessoas que "gostam" da página só lá estão porque... gostam! Então, que caralho tem a gerência do Facebook a ver com o que a malta lá publica?

Deve ter sido por não gostarem de amarelo...
16 outubro 2012
A «Love Me More» tem agora uma deliciosa página internet
De Lagos para o mundo, as ideias sensuais da «Love Me More» estão agora disponíveis na nova página internet.
A Joyce Craveiro pode orgulhar-se do resultado. E explica ela própria:
"A minha exótica mistura leva as pessoas a perguntarem-me frequentemente - “De onde és?”, pergunta para a qual não tenho uma resposta simples.
Nascida em Moçambique, criada em Portugal mas educada nos E.U.A., é natural que me sinta como sendo um pouco de cada um desses lugares, e às vezes, de nenhum.
A Love Me More nasceu há muitos anos no meu imaginário mas começou a tomar forma pouco depois da crise financeira se começar a instalar em Portugal e eu ter perdido o emprego. (...) Foi da necessidade de criar algo diferente que resolvi embarcar neste projecto.
A ideia, desde o início, foi a de abrir um espaço glamoroso dedicado à sexualidade e sensualidade; um espaço que inspirasse as pessoas e que as fizesse sentir sedutoras e sexy.
Abri assim a primeira Love Me More num espaço magnífico no Centro Histórico de Lagos. “Love Me More” é um “Ama-me mais”, que tanto pode ser um pedido feito a outrem como um relembrar da importância de nos amarmos a nós próprios.
Com a Love Me More comecei a promover eventos como encontros para solteiros, workshops a que chamei de “Ero-Lúdicas”, durante as quais falo de sexo, emoções e ligações amorosas, de auto-estima, e apresento um leque colorido dos produtos que vendo.
Apercebi-me também que as pessoas se viravam para mim para pedir conselhos ou simplesmente desabafar, e foi assim que nasceram as secções “Apaixonados Anónimos” e “Desabafos de Amor” do site - para quem quiser partilhar, desabafar e, quiçá, aprender algo com as situações e opiniões dos outros.
Quando consegui finalmente reunir a equipe e o dinheiro para ter um website como queria, comecei a aperceber-me que Lagos é uma cidade demasiado pequena para um projecto que eu quero ambicioso: a Love Me More já se tinha mudado para um espaço mais visível no Centro Histórico de Lagos e, apesar de receber diariamente elogios acerca do projecto, continuava também a ouvir de pessoas que tinham vergonha de entrar na loja. Foi então que tomei a dolorosa decisão de fechar a loja para me dedicar ao website e à divulgação da Love Me More através de eventos.
Creio que a Love Me More ficará para sempre como uma memória positiva para todos aqueles que alguma vez lá entraram e o novo website abrirá a possibilidade a um maior número de pessoas de conhecer e usufruir dos produtos, dicas e do espírito da mesma Love Me More.
Ame-se mais!
Joyce Craveiro"
A página de entrada (do site que está também disponível em inglês):
Na página da cultura (literatura), há ali um livro cujos autores me são familiares...
A Joyce Craveiro pode orgulhar-se do resultado. E explica ela própria:
Nascida em Moçambique, criada em Portugal mas educada nos E.U.A., é natural que me sinta como sendo um pouco de cada um desses lugares, e às vezes, de nenhum.
A Love Me More nasceu há muitos anos no meu imaginário mas começou a tomar forma pouco depois da crise financeira se começar a instalar em Portugal e eu ter perdido o emprego. (...) Foi da necessidade de criar algo diferente que resolvi embarcar neste projecto.
A ideia, desde o início, foi a de abrir um espaço glamoroso dedicado à sexualidade e sensualidade; um espaço que inspirasse as pessoas e que as fizesse sentir sedutoras e sexy.
Abri assim a primeira Love Me More num espaço magnífico no Centro Histórico de Lagos. “Love Me More” é um “Ama-me mais”, que tanto pode ser um pedido feito a outrem como um relembrar da importância de nos amarmos a nós próprios.
Com a Love Me More comecei a promover eventos como encontros para solteiros, workshops a que chamei de “Ero-Lúdicas”, durante as quais falo de sexo, emoções e ligações amorosas, de auto-estima, e apresento um leque colorido dos produtos que vendo.
Apercebi-me também que as pessoas se viravam para mim para pedir conselhos ou simplesmente desabafar, e foi assim que nasceram as secções “Apaixonados Anónimos” e “Desabafos de Amor” do site - para quem quiser partilhar, desabafar e, quiçá, aprender algo com as situações e opiniões dos outros.
Quando consegui finalmente reunir a equipe e o dinheiro para ter um website como queria, comecei a aperceber-me que Lagos é uma cidade demasiado pequena para um projecto que eu quero ambicioso: a Love Me More já se tinha mudado para um espaço mais visível no Centro Histórico de Lagos e, apesar de receber diariamente elogios acerca do projecto, continuava também a ouvir de pessoas que tinham vergonha de entrar na loja. Foi então que tomei a dolorosa decisão de fechar a loja para me dedicar ao website e à divulgação da Love Me More através de eventos.
Creio que a Love Me More ficará para sempre como uma memória positiva para todos aqueles que alguma vez lá entraram e o novo website abrirá a possibilidade a um maior número de pessoas de conhecer e usufruir dos produtos, dicas e do espírito da mesma Love Me More.
Ame-se mais!
Joyce Craveiro"
A página de entrada (do site que está também disponível em inglês):
Na página da cultura (literatura), há ali um livro cujos autores me são familiares...
«Dança-me» - Susana Duarte
dança-me na ponta dos teus dedos
e desabita-me dos meus fantasmas
sussurra-me os segredos das casas brancas
e habita-me na noite de todos os segredos
dança-me. dança-me na ponta dos teus dedos
e remove-me a seda dos olhos e dos medos
habita-me nas zonas escuras das mãos
e leva-me ao sol dos dias e à rosa-chá da emoção
habita-me na noite de todos os segredos
e desabita-me
de mim
e do esquisso dos meus medos
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
e desabita-me dos meus fantasmas
sussurra-me os segredos das casas brancas
e habita-me na noite de todos os segredos
dança-me. dança-me na ponta dos teus dedos
e remove-me a seda dos olhos e dos medos
habita-me nas zonas escuras das mãos
e leva-me ao sol dos dias e à rosa-chá da emoção
habita-me na noite de todos os segredos
e desabita-me
de mim
e do esquisso dos meus medos
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
Manifestantes despidas de preconceitos
Para ontem, a Meteorologia dava forte arrefecimento nocturno. Mas formou-se um micro-clima lá para os lados de S. Bento.
"Manifestantes despem-se em frente à Assembleia da República para protestar contra a austeridade e o Orçamento do Estado"
RTP notícias (com video)
"(...) quatro manifestantes despiram-se em frente da Assembleia da República (...)"
JN
"Portugueses protestam sem roupa diante do parlamento nacional, nesta segunda-feira (15), em Lisboa. Os planos de austeridade do governo tem aprofundado a crise no país, gerando descontentamento em grande parte da população"
UOL Notícias (imagem 74)
"Protestantes cercam Assembleia e até se despem contra austeridade"
Correio da Manhã (que fez disso a primeira página)
"Cerco ao Parlamento termina de forma violenta - Polícia carregou sobre manifestantes depois de terem sido lançados pedras e outros objetos"
TVI24 (com video)
"Houve alguns incidentes e duas mulheres e dois homens chegaram a retirar a roupa como forma de protesto."
Diário Digital
"Esta noite tivemos uma originalidade, a senhora da fotografia decidiu despir-se de preconceitos e manifestar-se da forma que podemos ver... será que andava por ali o mesmo policia que se deixou abraçar pela menina da outra vez? E será que esta também vai fazer uma produção fotográfica para uma revista cor de rosa qualquer?... Por certo, a da outra vez apesar de estar mais vestida, era bem mais gira.
Agora a sério, qual é que era mesmo o objectivo dela?"
Jorge Soares (blog «O que é o jantar?»)
"Manifestantes despem-se em frente à Assembleia da República para protestar contra a austeridade e o Orçamento do Estado"
RTP notícias (com video)
"(...) quatro manifestantes despiram-se em frente da Assembleia da República (...)"
JN
"Portugueses protestam sem roupa diante do parlamento nacional, nesta segunda-feira (15), em Lisboa. Os planos de austeridade do governo tem aprofundado a crise no país, gerando descontentamento em grande parte da população"
UOL Notícias (imagem 74)
"Protestantes cercam Assembleia e até se despem contra austeridade"
Correio da Manhã (que fez disso a primeira página)
"Cerco ao Parlamento termina de forma violenta - Polícia carregou sobre manifestantes depois de terem sido lançados pedras e outros objetos"
TVI24 (com video)
"Houve alguns incidentes e duas mulheres e dois homens chegaram a retirar a roupa como forma de protesto."
Diário Digital
"Esta noite tivemos uma originalidade, a senhora da fotografia decidiu despir-se de preconceitos e manifestar-se da forma que podemos ver... será que andava por ali o mesmo policia que se deixou abraçar pela menina da outra vez? E será que esta também vai fazer uma produção fotográfica para uma revista cor de rosa qualquer?... Por certo, a da outra vez apesar de estar mais vestida, era bem mais gira.
Agora a sério, qual é que era mesmo o objectivo dela?"
Jorge Soares (blog «O que é o jantar?»)
Eva portuguesa - «O sexo e o vinho»
Ontem, sozinha no aconchego da minha casa, depois de um dia infrutífero de (não) trabalho, pensei cá para comigo que bem merecia relaxar e mimar-me depois de 13 horas no apartamento sem atender ninguém!... Liguei uma luz suave, pus a tocar a Luz Casal, comecei a encher a banheira para um reconfortante banho de imersão e nisto recordo-me que tinha sobrado um pouco do excelente vinho tinto que me tinham oferecido no Sábado para bebermos num jantar com amigos que fiz lá em casa.
Enchi um copo e deitei-me na espuma quente que me mimou o corpo, saboreando aquele momento de profundo não pensar, aquela voz divina e triste e aquele vinho do nosso maravilhoso Alentejo.
E deixei a minha mente divagar ao sabor das sensações que me íam invadindo e dos sentidos que elas despertavam... E concluí que o sexo é muito semelhante ao vinho!...
(Eu sei, as coisas que me passam pela cabeça depois de um dia frustante!...)
O sexo pode ser como um vinho tinto carrascão: é mau, sem qualidade, mas na falta de melhor bebemo-lo à mesma. E tentamos que passe o mais rápido possível. Logo a seguir pedimos um café para tirar aquele sabor amargo da boca....
Pode ser como um vinho rosé: tão leve que nem nos apercebemos o que é nem sentimos nenhum sabor que fique...
Pode identificar-se com um bom vinho branco: refresca, alivia, sacia, é aromático e não pesa... É leve e com uma sensação de leveza nos deixa..
Ou pode ser como um bom vinho tinto (como aquele que estava a saborear): primeiro apetece cheirar, sentir o seu aroma para tentar identificar de onde vem a sua pureza. Depois apetece ir apenas molhando os lábios, muito lentamente, quase com receio de perdermos a sua composição nas nossas papilas gustativas, muitas vezes pouco refinadas... A seguir, quase sofregamente mas ao mesmo tempo com moderação, deixamo-lo entrar na nossa boca, sentindo a sua rude suavidade no nosso palato, deixando que nos escorregue pela garganta, deixando um rasto ligeiramente picante mas também adocicado...
Por último, deixamo-lo enrolar-se na nossa língua, impregnando-nos com o seu sabor, deixando que o saboreemos em toda a sua plenitude, sentindo a sua essência e deixando que aqueça a nossa alma...
E, mesmo depois do último golo, nada mais pomos na boca, para continuarmos a sentir aquele sabor, aquele prazer orgásmico, mesmo depois deste já se ter ido...
Realmente,o sexo bem pode ser comparado a um copo de vinho...
E, de todos, é comprensível por que nada para mim substitui um bom vinho tinto... ;)
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
Enchi um copo e deitei-me na espuma quente que me mimou o corpo, saboreando aquele momento de profundo não pensar, aquela voz divina e triste e aquele vinho do nosso maravilhoso Alentejo.
E deixei a minha mente divagar ao sabor das sensações que me íam invadindo e dos sentidos que elas despertavam... E concluí que o sexo é muito semelhante ao vinho!...
(Eu sei, as coisas que me passam pela cabeça depois de um dia frustante!...)
O sexo pode ser como um vinho tinto carrascão: é mau, sem qualidade, mas na falta de melhor bebemo-lo à mesma. E tentamos que passe o mais rápido possível. Logo a seguir pedimos um café para tirar aquele sabor amargo da boca....
Pode ser como um vinho rosé: tão leve que nem nos apercebemos o que é nem sentimos nenhum sabor que fique...
Pode identificar-se com um bom vinho branco: refresca, alivia, sacia, é aromático e não pesa... É leve e com uma sensação de leveza nos deixa..
Ou pode ser como um bom vinho tinto (como aquele que estava a saborear): primeiro apetece cheirar, sentir o seu aroma para tentar identificar de onde vem a sua pureza. Depois apetece ir apenas molhando os lábios, muito lentamente, quase com receio de perdermos a sua composição nas nossas papilas gustativas, muitas vezes pouco refinadas... A seguir, quase sofregamente mas ao mesmo tempo com moderação, deixamo-lo entrar na nossa boca, sentindo a sua rude suavidade no nosso palato, deixando que nos escorregue pela garganta, deixando um rasto ligeiramente picante mas também adocicado...
Por último, deixamo-lo enrolar-se na nossa língua, impregnando-nos com o seu sabor, deixando que o saboreemos em toda a sua plenitude, sentindo a sua essência e deixando que aqueça a nossa alma...
E, mesmo depois do último golo, nada mais pomos na boca, para continuarmos a sentir aquele sabor, aquele prazer orgásmico, mesmo depois deste já se ter ido...
Realmente,o sexo bem pode ser comparado a um copo de vinho...
E, de todos, é comprensível por que nada para mim substitui um bom vinho tinto... ;)
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
Pin-Upchka - matrioshka francesa dos anos 60
Nem mesmo o facto de lhe faltar a peça mais pequena lhe tira charme.
A partir de agora, junta-se à matrioshka sado-masoquista na minha colecção.
A partir de agora, junta-se à matrioshka sado-masoquista na minha colecção.
15 outubro 2012
A poluição obscena, um pleonasmo
A descaracterização da natureza a favor da especulação imobiliária, que resulta no aumento do valor dos imóveis, no desmatamento e no fim do habitat natural de muitos animais, como a poluição dessas lagoas, são uma das maiores obscenidades do ser humano.
Fonte: O Globo
Obscenatório
«conversa 1920» - bagaço amarelo

Eu - Sobre um casal de checoslovacos que casa antes da ascensão do Hitler ao poder , sendo que ele é um judeu rico, e de tudo o que lhes acontece com a invasão dos nazis à Áustria e à Checoslováquia.
Ela - Não parece muito interessante. Estou farta de guerras.
Eu - Ele tem uma amante que acaba por fugir, com ele e a própria mulher, para a Suiça. A história é também um pouco sobre ele e essa amante.
Ela - Amante?! Então deve ser giro. Emprestas-me quando acabares?
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
14 outubro 2012
«O último tango em Paris» - por Quito Pereira

João Pires aconchegou a gola do casaco, naquela tarde fria de Janeiro. Sentado num banco da Estação de Santa Apolónia, olhava a chuva miudinha e enervante que caía sobre Lisboa. No seu olhar errante, mirava as carruagens na gare, enquanto um altifalante roufenho, debitava informações sobre a chegada e partida dos comboios. Depois, fixava-se nos carris a perder de vista, até à curva onde o olhar lhe consentia. Eram os carris do Destino. Estava de partida para Paris, agora que o país que o vira nascer, o empurrava para a fronteira. Na Beira - Baixa, deixou a mãe viúva, encostada à soleira da porta, limpando as lágrimas ao avental negro que era o espelho da sua alma. Abraçaram-se em silêncio e João partiu, levando na mala em partes iguais, um quinhão de esperança e outro de desespero.
Ao apito estridente do chefe – da - estação, o comboio partiu, com um solavanco. Depois, foram dois dias de viagem, com transbordos e paisagens diversas. Mas João ia absorto nos seus pensamentos, recordando a família e a aldeia que deixara para trás, o berço da sua infância. No bolso, ciosamente guardado, o pecúlio que a mãe lhe dera e tirara do fundo da arca onde guardava o centeio, fruto de muita poupança. Também uma carta – de - chamada, que lhe compraria a força dos braços, numa qualquer obra de Paris.
Tudo correu bem. Apesar de dividir a camarata com três companheiros, João Pires deixou-se embalar ao ritmo da grande cidade. À tarde, depois do trabalho, percorria com os amigos as ruas da capital, ao som dos acordeons que despontavam em cada rua e em cada viela. Era o perfume francês, que lhe embriagava a alma.
Num Sábado, pleno de sol, mais afoito e conhecedor dos segredos da grande metrópole, João saiu sozinho à conquista de Paris. Novo e bem - parecido, João percorreu os Campos Elísios, em direcção ao Arco do Triunfo. A correria dos automóveis, o movimento dos passantes, o clamor da cidade, tudo era uma nova realidade a que se ia acostumando.
Até que, numa pequena esplanada se sentou. Precisava de um café retemperador. Foi então, que uma rapariga se acercou dele. Era empregada do pequeno estabelecimento e a barreira da língua, que poderia ser um entrave ao diálogo, mais não foi que a troca de uma gargalhada. Riram. Riram muito. Depois, mais sérios, olharam-se nos olhos e Nicole apressou-se a trazer a bebida requerida. João ficou ali, sentado, a sorver o café em pequenos tragos e a observar todos os movimentos da bela francesa de olhos grandes e cabelo loiro. E ela, de faces ligeiramente roborizadas, escondia que naquele momento o seu coração batia forte. Decididamente, juntara-se gasolina à fogueira, ao som arrebatador de um entusiasmante tango em Paris.
Nessa noite, João dormiu mal. E, no emprego, trabalhava maquinalmente, fazendo contas aos dias que faltavam para Sábado e de novo encontrar Nicole, no simpático bar de uma esquina da cidade. Durante meses, foi assim. Mais conhecedor da língua, João esperava que ela saísse do trabalho e ela, um dia, confidenciou-lhe que morava numa mansarda, numa rua próxima dos Campos Elísios. João acompanhou-a até lá. Subiram a escada escura, até à porta da habitação. Depois beijaram-se. E ele, fez menção de entrar. Ela, porém, suave e delicadamente, empurrou-o com uma mão no peito, impedindo-lhe a passagem e, devagar, fechou a porta. João ficou ali, parado e sozinho, a esbracejar em ondas de desespero. Depois partiu, para junto dos companheiros, trazendo na mente a ideia que os dias de férias a passar em Portugal, ficariam para outra ocasião. Seriam passadas com Nicole. Iria propor-lhe que ela também pedisse dispensa na mesma altura, para voarem nas asas da paixão. Se assim o pensou, melhor o fez. E ela, louca de amor por ele, concordou.
Foi num dia de Setembro, que, de mãos dadas, se passearam pelos jardins do “Trocadero”, mesmo junto à Torre Eiffel. As férias estavam no fim e João preparava-se para regressar ao trabalho. Para trás, ficavam as caminhadas nas margens Sena e as noites passadas na mansarda, naquele ninho de amantes. Ali, em momentos escaldantes e sôfregos, trocavam de alma, trocavam de corpo e trocavam de beijos ardentes. Antes, ao som do gira – discos, dançavam o tango, ao ritmo da voz temperada e envolvente de Carlos Gardel.
Numa tarde cinzenta de Outubro, João Pires foi confrontado com o destino. Um pé mal colocado, o desequilibrar de um andaime e o estatelar- se desamparado na calçada. Correram os companheiros, aflitos, em sua ajuda, mas João não dava sinal de vida. Rapidamente, foi levado para um hospital de Paris. Em coma, permaneceu vários dias. Até que acordou. Porém, o seu estado de saúde era grave e a sua recuperação muito lenta. Por vários meses, permaneceu internado. Mas, num dia de Abril, já recomposto mas ainda débil, João regressou ao estrondo da cidade. Porém, a rota dos seus pontos – cardeais, apenas lhe lembrava um destino: o bar de Nicole. Ainda meio trôpego e magro, João partiu na procura da sua amada. No estabelecimento entrou, mas não viu Nicole. Do lado de lá do balcão, em silêncio, Pierre, o dono do pequeno bar, olhava-o, num misto de surpresa e de compaixão. Então, João sentou-se e perguntou por ela. Pierre olhou-o, taciturno, e, de uma gaveta, retirou um pequeno envelope fechado, que, sem explicações entregou a João. Com um ar grave e as mãos trémulas, João abriu o envelope que continha um pequeno bilhete e leu:
João
Não estou certa que leias estas linhas. Nunca mais voltaste e desesperei de esperar por ti. É estranho que neste tempo que passámos juntos, nunca me ter preocupado em saber onde moravas ou o que fazias. De saber tão pouco de ti. Foi pecado meu. Restou-me esperar. Penso, agora, que tudo não passou de uma fugaz ilusão e que tu rumaste a outras paragens ou, talvez, a outra mansarda. Já não estou em Paris. Parti para Itália, com Ângelo. Apesar da diferença de idades, decidi viver com este italiano cortês, com quem me sinto segura e a tua ausência fez-me ter a certeza que tudo terminou entre nós. Deixei a minha casa e o café do Pierre, onde não tinha futuro. Tal como tu, que deixaste do teu país, também eu atravessei a fronteira, na procura de uma vida melhor. Gosto do Ângelo, mas apenas gosto, porque é amável e leal para comigo. Mas foi por ti que um dia me apaixonei e guardarei para sempre a recordação dos momentos felizes que contigo vivi.
Sempre tua
Nicole
Por minutos, João ficou de olhos fixos no chão, meditabundo. Pierre, varria o chão do bar, num mutismo comprometido. Então, levantou-se com dificuldade, apertou a mão a Jean Pierre e partiu.
Por Paris deambulou, até que a noite o cobriu com a sua capa de escuridão. Sentado num lugar isolado, nas margens do Sena, a carta amarfanhada entre os dedos, João escutava o rio, com um olhar ausente. No seu cérebro, em turbilhão, lembrava o rosto da bela Nicole. Também a penumbra da velha mansarda, os tangos dançados no auge da paixão e a voz inesquecível de Carlos Gardel. Com a cabeça entre as mãos, no zénite do desespero, deu um grito e atirou-se ao rio, que rapidamente o tragou e acolheu no seu ventre.
Depois, o silêncio. Apenas o lúgubre murmurar do Sena, em sentido pranto. Até a voz argentina de Gardel, de triste, emudeceu. João Pires acabara de dançar, em passada lenta e sofrida, o seu último tango em Paris.
Quito Pereira
Blog Encontro de Gerações

Boa, rapaz!
Ricardo - Vida e obra de mim mesmo
(crica na imagem para abrir aumentada numa nova janela)
13 outubro 2012
«fecho éclair» - bagaço amarelo

No avião teve o primeiro remorso e até chegou a pronunciar o nome dela, Ana, atraindo por instantes a atenção do passageiro ao seu lado. Pensou em como o corpo dela se está a transformar com a gravidez de quem vai ser, em breve, o seu primeiro filho. Os seios como frutos maduros, as pernas como raízes grossas e a barriga em forma de balão parecem pertencer já mais a esse filho do que a ele mesmo. Não fazem Amor há dois meses e as conversas entre ambos também não têm fugido muito às questões de organização doméstica. Contas por pagar, roupa por passar, louça por lavar, etc. Ana.
Mal saiu do avião e se pôs a passear pela cidade, a primeira sensação de novidade que teve foi a de poder olhar para todas as mulheres que passavam por ele como se fossem suas potenciais amantes. Talvez por isso precisasse de estar sozinho, para sentir de novo essa chama do sexo a arder-lhe no corpo. Andou toda a manhã alegremente perdido, até se meter num comboio e ir dar ao parque de diversões onde se encontra agora.
O Rui detesta fumar. Enjoou aquele sabor artificial do tabaco e a constante sensação de estar intoxicado, fartou-se daquele cheiro a fumo impregnado na roupa todas as manhãs (é sempre de manhã, ao vestir-se, que dá por ele) e até já se esqueceu do prazer que teve nos primeiros cigarros da sua vida. Mesmo assim acaba de acender um cigarro, talvez porque também deteste não fumar.
Para além do tabaco, detestar uma coisa e o seu contrário só lhe aconteceu no Amor. Lá está, sente-se cansado de Amar Ana mas também detestaria não Amá-la. Ri-se sozinho entre duas passas sem sabor e diz para si mesmo que não está maluco. Malucos estão aqueles que gritam na Montanha Russa que se agita mesmo por trás de si, cujos carros quando passam vão fazendo um ruído idêntico ao que seria o dum fecho éclair gigante.
Hoje parece ser o dia dos contrários para ele. Fuma detestando fumar, não Ama adorando Amar. Além disso, num dia em que se sente tão cinzento quanto a própria vida, acabou a passear sozinho num parque de diversões nos subúrbios de Madrid.
É neste lento contar do tempo que uma mulher se aproxima dele e lhe pede lume. A primeira coisa em que ele repara é que ela é bonita, ou melhor, que lhe apetece achá-la bonita. Tem os cabelos pretos, talvez pintados, e os olhos de um castanho claro contrastante. Depois de acender o cigarro dela no dele não se vai embora, mas antes decide sentar-se no mesmo banco a contemplar a diversão dos outros. Os gritos na Montanha Russa, mesmo por trás deles, continuam a intercalar o fecho éclair gigante.
Ali, à frente do silêncio de ambos, desfilam famílias de pais e mães que tentam divertir-se divertindo os filhos. Ele sabe que um dia fará exactamente o mesmo, com Ana e o seu filho. Talvez até venha a disputar com ela o colo da criança, como vê agora dois pais fazerem num momento em que a criança decide chorar. Mas neste momento, olhando para aquela mulher sentada mesmo ao seu lado, a fumar um cigarro cuja chama nasceu no mesmo fogo, apetece-lhe amá-la.
O fecho éclair atrás deles corre mais uma vez, salpicado de gritos de pessoas que lhe parecem tão assustadas quanto felizes. Também o das calças dele parece querer abrir, dada a pressão que o falo, entusiasmado pela simples imaginação de poder levar a estranha para o Hotel, lhe causa. Vai esperar que ela acabe o cigarro e convidá-la para uma bebida. Se ela aceitar, tentará ter sexo. A vida é uma montanha russa.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
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