08 novembro 2013
Silvia Saint
Era uma criança rosada, de formas cheias, saudáveis, responsável por inesperadas aparições de tranças e tótós trigueiros na cozinha da avó, entre as giestas em flor do recreio na escola, ou no meio dos acólitos que apoiavam a liturgia da missa. Pequena aplicada, a sua disciplina favorita era o Meio Físico e Social, o seu passatempo o desenho com lápis de cera e nunca se furtava a cantilenas, sobretudo em tempo de janeiras, com o fito posto naquela rara malguinha de vinho quente com açúcar e canela. Esses, foram os dias de uma infância fantasiando com a pastelaria do porvir, onde pontificariam fortes em pastel, templos gregos de capitéis jónicos em chocolate branco, castelos bávaros com torres de caramelo ambarino.
Não suspeitava que anos depois seria ela mesma fonte de fantasia para milhões de pessoas, e que a sua padaria serviria de forno a múltiplos, grossíssimos cacetes.
Sempre que alguém conjecturar diante de vós sobre o futuro dos seus petizes, meditai nestas palavras.
Não suspeitava que anos depois seria ela mesma fonte de fantasia para milhões de pessoas, e que a sua padaria serviria de forno a múltiplos, grossíssimos cacetes.
Sempre que alguém conjecturar diante de vós sobre o futuro dos seus petizes, meditai nestas palavras.
É D'ArTesão
Ontem voltei a tentar fazer o amor.
Não sei se foi por ter usado plasticina, mas não ficou nada parecido.
Não sei se foi por ter usado plasticina, mas não ficou nada parecido.
«Os acrobatas» - Jaroslav Štika
Jaroslav Štika (1906-1940) - antiga Checoslováquia (actual República Checa)
Via my friend Bernard Perroud
07 novembro 2013
«La Pudicizia (a Modéstia)» - Antonio Corradini, 1751 - Cappella Sansevero - Museu de Nápoles
Desconhecia esta estátua mas o José Carlos Igreja apresentou-ma na minha página do Facebook (que já tem 1.100 gostos).
O seu autor é Antonio Corradini (1668-1752) e ficou conhecido principalmente pelas suas mulheres com véus, como é o caso desta «La Pudicizia», exposta na Cappella Sansevero, em Nápoles:
O seu autor é Antonio Corradini (1668-1752) e ficou conhecido principalmente pelas suas mulheres com véus, como é o caso desta «La Pudicizia», exposta na Cappella Sansevero, em Nápoles:
O coelho punk e o sapo aflito
Esta estatueta, com 45 centímetros de altura, fazia parte de um dos expositores do 1º Salão Erótico de Lisboa, realizado em 2005.
Quando a comprei, na minha visita ao SIEL, disse-me o vendedor:
- Leva a peça mais fotografada deste Salão.
Do primeiro Salão Erótico (que na altura baptizei de ExpoFoda) não tenho imagens. Mas do segundo há uma página de parceria com o Pedro Laranjeira e reportagens feitas pelo Luis Graça para a funda São.
Quando a comprei, na minha visita ao SIEL, disse-me o vendedor:
- Leva a peça mais fotografada deste Salão.
Do primeiro Salão Erótico (que na altura baptizei de ExpoFoda) não tenho imagens. Mas do segundo há uma página de parceria com o Pedro Laranjeira e reportagens feitas pelo Luis Graça para a funda São.
«As artes circenses do chupanço» - Patife

Patife
Blog «fode, fode, patife»
06 novembro 2013
«Tonight we Tanqueray» - João
"Há coisas que se desenvolvem com a idade. As nossas papilas gustativas crescem (envelhecem) connosco e descobrimos sabores que talvez não nos fossem agradáveis a princípio. É natural que estejam a pensar nisso. Eu também. O gosto por uma boa vulva pode não estar lá no começo, mas depois de se aprender a degustar tão delicioso fruto, quando o fruto é bom, dispõe sempre bem, deixa-nos a alma tranquila, e há algo de mágico nisso. Mas este apontamento breve é sobre Gin. O que não tem mal algum, porque não são coisas incompatíveis. Há vários anos atrás a ideia arrepiar-me-ia porquanto, por um lado, não sou apreciador de bebidas destiladas puras, e, por outro, o sabor da água tónica nem sempre me cativou. Mas hoje, confesso, sou adepto incondicional. E gosto particularmente do Tanqueray. Sei que não é o Gin, e que possivelmente não reúne a horda de seguidores confessos do Plymouth, mas para mim, para as minhas papilas, cai sempre bem, e deixa-me mais feliz do que o omnipresente Gordon’s.
Para mim, beber um GT é qualquer coisa próxima de um ritual. E o que me agrada nos rituais é, muitas vezes, o que se subentende. E nesse tanto, para além do sabor, adoro a mensagem com que promovem o Tanqueray: Tonight we Tanqueray. É uma mensagem malandra. O gajo (ou gaja) que pensou na frase Tonight we Tanqueray estava provavelmente a pensar, ao mesmo tempo, em coisas como “Tonight we fuck”, “Tonight you’ll fuck me hard”, ou qualquer coisa nessa linha. Em português também funciona. Esta noite parto-te toda. Ou tu a mim, para não ser sempre o mesmo a partir. Esta noite agarro-te por trás. Esta noite vens-te comigo. Esta noite agarro-te pelos tomates. Esta noite faço-te um bico. Esta noite… Dá para tudo. Não me canso disto. E não consigo olhar para o raio da garrafa sem sorrir, de forma mais ou menos expressiva, porque penso sempre, sempre, nisto."

João
Geografia das Curvas
Para mim, beber um GT é qualquer coisa próxima de um ritual. E o que me agrada nos rituais é, muitas vezes, o que se subentende. E nesse tanto, para além do sabor, adoro a mensagem com que promovem o Tanqueray: Tonight we Tanqueray. É uma mensagem malandra. O gajo (ou gaja) que pensou na frase Tonight we Tanqueray estava provavelmente a pensar, ao mesmo tempo, em coisas como “Tonight we fuck”, “Tonight you’ll fuck me hard”, ou qualquer coisa nessa linha. Em português também funciona. Esta noite parto-te toda. Ou tu a mim, para não ser sempre o mesmo a partir. Esta noite agarro-te por trás. Esta noite vens-te comigo. Esta noite agarro-te pelos tomates. Esta noite faço-te um bico. Esta noite… Dá para tudo. Não me canso disto. E não consigo olhar para o raio da garrafa sem sorrir, de forma mais ou menos expressiva, porque penso sempre, sempre, nisto."
João
Geografia das Curvas
Um a um, com pinça
Qualquer apoiante deste Governo deve proceder à depilação das partes como forma de dispensar os excedentes na função púbica.
«pensamentos catatónicos (301)» - bagaço amarelo

Não foi neste país que eu nasci. Na verdade, já nem sei onde é que está esse país em que eu nasci, mas um dia destes saio daqui e vou procurá-lo noutro sítio qualquer. Talvez o encontre, talvez não, mas sei que está exactamente onde as pessoas acordam umas ao lado das outras todas as manhãs porque gostam uma da outra. Só por isso, não por outro motivo qualquer.
O Amor não é um contrato, nem sequer uma promessa. É cada suspiro que damos quando estamos afastados de quem Amamos, cada gota de suor que partilhamos. No final é cada dia que passa. Não cada ano financeiro. Mais um bocadinho e os contabilistas começam a ter uma alínea orçamental para o Amor. Este ano podemos Amar-nos até duzentos e cinquenta euros. Depois disso acabou porque temos que comer qualquer coisa. Nada mau.
Um país é tanto pior quanto o número de ombros que se encolhem para não enfrentar a vida, e Portugal é um país de ombros encolhidos perante tudo e mais alguma coisa. Encolhemo-nos agora perante a evidência que, depois de perder tudo, perdemos também a capacidade de Amar..
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
05 novembro 2013
Alguns momentos da Folsom Fair de 2013
A Folsom Street Fair, realizada todos os anos em San Francisco, é um evento para os membros da comunidade BDSM (acrónimo para a expressão "Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo") de todo o mundo, proporcionando um espaço para expressar orgulhosamente perversões sexuais e fetiches.
Folsom Fair Highlights (NSFW) from Daily Xtra on Vimeo.
Folsom Fair Highlights (NSFW) from Daily Xtra on Vimeo.
A FODA COMO ELA É (IV) - Trágicas Espiritualidades
Conheceram-se na Internet, num fórum sobre comida de gato. Verificaram partilhar entre si certos interesses mundanos, pelo menos em quantidade suficiente para que acertassem janta num antro vegetariano, escolhido por ela, no centro da capital.
As primeiras impressões foram de agradável promessa mútua. -"A gaja é bem boa." - pensou o rapaz, lambendo mentalmente os beiços. Por outro lado, o repasto foi uma monumental bosta à base de verduras e legumes insípidos, moldados em forma de deliciosas vitualhas carnívoras. Para ele e para sempre, a desilusão tinha agora a silhueta de um presunto de Chaves. A conversa, essa, escorreu no sentido de recíprocas tesões, tendo os dois acordado saltar os intermédios copofónicos, passando directamente à arena fodengal, situada nas águas-furtadas que a jovem habitava. Foi no sofá que começaram a lide. Muita saliva trocada, vianda sopesada e arfanço canino depois, estava tudo nu e pronto para outras oralidades. Eis que ela o pára, mão de unha pintada no peito. Desejava acender um pau de incenso, não obstante topar-se nesse instante com uma verdadeira tocha carnuda de veias pulsantes. Ele mordia-se por dentro, mas aguentou. Porém, ela também quis que lessem em conjunto um livro sobre sexo aiurvédico. O desgraçado sentia o artimanho rebentar-se-lhe nas peles enquanto via aquela musa de curvas generosas e em pelota integral, oferecendo-se à vista em sortidas perspectivas, enquanto recolhia incensos, cristais de ametista, espanta-espíritos, literatura new-age, discos com vocalizações de golfinhos na migração do solstício, sininhos budistas, óleos essenciais da Natura e outra quinquilharia porno-espiritual. -"A trepa valerá isto e muito mais!" - reflectiu o entesoado, acercando-se dela com a moca em riste, estava a moça curvada sobre o leitor de CD, o rotundo, rosadíssimo viegas espetado. Mas, mal sentiu a flauta pingante aflorar-lhe os pequenos lábios da moela, saltou alarmada. -"Que é isso? Não sei que fiz para lhe dar essa ideia tão brega. Queria oferecer-lhe um momento de alívio espiritual! Alinhará os chacras, vem-se para dentro, e o caralho, reagrupando-se com a sua essência vital." Gritava, desgrenhava-se, tapando-se com o que apanhava; gatos e peluches avulsos, que lhe atulhavam os cantos da casa.
Foi então que, à medida que lhe murchava o Orlando Furioso, o rapaz percebeu que ninguém naquela casa foderia e levitou até ao bar mais próximo.
As primeiras impressões foram de agradável promessa mútua. -"A gaja é bem boa." - pensou o rapaz, lambendo mentalmente os beiços. Por outro lado, o repasto foi uma monumental bosta à base de verduras e legumes insípidos, moldados em forma de deliciosas vitualhas carnívoras. Para ele e para sempre, a desilusão tinha agora a silhueta de um presunto de Chaves. A conversa, essa, escorreu no sentido de recíprocas tesões, tendo os dois acordado saltar os intermédios copofónicos, passando directamente à arena fodengal, situada nas águas-furtadas que a jovem habitava. Foi no sofá que começaram a lide. Muita saliva trocada, vianda sopesada e arfanço canino depois, estava tudo nu e pronto para outras oralidades. Eis que ela o pára, mão de unha pintada no peito. Desejava acender um pau de incenso, não obstante topar-se nesse instante com uma verdadeira tocha carnuda de veias pulsantes. Ele mordia-se por dentro, mas aguentou. Porém, ela também quis que lessem em conjunto um livro sobre sexo aiurvédico. O desgraçado sentia o artimanho rebentar-se-lhe nas peles enquanto via aquela musa de curvas generosas e em pelota integral, oferecendo-se à vista em sortidas perspectivas, enquanto recolhia incensos, cristais de ametista, espanta-espíritos, literatura new-age, discos com vocalizações de golfinhos na migração do solstício, sininhos budistas, óleos essenciais da Natura e outra quinquilharia porno-espiritual. -"A trepa valerá isto e muito mais!" - reflectiu o entesoado, acercando-se dela com a moca em riste, estava a moça curvada sobre o leitor de CD, o rotundo, rosadíssimo viegas espetado. Mas, mal sentiu a flauta pingante aflorar-lhe os pequenos lábios da moela, saltou alarmada. -"Que é isso? Não sei que fiz para lhe dar essa ideia tão brega. Queria oferecer-lhe um momento de alívio espiritual! Alinhará os chacras, vem-se para dentro, e o caralho, reagrupando-se com a sua essência vital." Gritava, desgrenhava-se, tapando-se com o que apanhava; gatos e peluches avulsos, que lhe atulhavam os cantos da casa.
Foi então que, à medida que lhe murchava o Orlando Furioso, o rapaz percebeu que ninguém naquela casa foderia e levitou até ao bar mais próximo.
«Estranheza» - Susana Duarte
serás sempre a face trilobada das folhas de ar onde volteio
danças de serenidade e luz; as flores das folhas dos prantos
de manhãs antigas, e a luz cadente do sol que navega.
serás sempre a face lunar das ondas de onde veio
a luz estranha das manhãs de névoa; os encontros e os recantos
dos dias em que a chuva nos encantou, e a estranheza
do choro incessante sobre o qual a barca da aurora chega.
poderás ser o que quiseres, se romperes a luz clara
das tuas noites, e viajares sobre o brilho das estrelas de então.
serás, nesse momento, o brilho vermelho e o pulsar
intermitente do que te agita o peito e te vive (n)o coração.

Susana Duarte
Poema e foto, como (quase) sempre =)
Blog Terra de Encanto
danças de serenidade e luz; as flores das folhas dos prantos
de manhãs antigas, e a luz cadente do sol que navega.
serás sempre a face lunar das ondas de onde veio
a luz estranha das manhãs de névoa; os encontros e os recantos
dos dias em que a chuva nos encantou, e a estranheza
do choro incessante sobre o qual a barca da aurora chega.
poderás ser o que quiseres, se romperes a luz clara
das tuas noites, e viajares sobre o brilho das estrelas de então.
serás, nesse momento, o brilho vermelho e o pulsar
intermitente do que te agita o peito e te vive (n)o coração.
Susana Duarte
Poema e foto, como (quase) sempre =)
Blog Terra de Encanto
Jesus Cristo sorridente
Estatueta em resina de uma artista dos EUA que pediu o anonimato (e eu respeito).
Quando a minha Mãe - católica que por ela nem se importava de viver numa sacristia - visitou a minha colecção, vi-a muito pensativa e não fez qualquer comentário. Eu perguntei-lhe:
- Então, minha Mãe? O que achou da colecção?
- Gostei...
- Mas...
- Só não gostei da imagem do crucifixo.
Quando a minha Mãe - católica que por ela nem se importava de viver numa sacristia - visitou a minha colecção, vi-a muito pensativa e não fez qualquer comentário. Eu perguntei-lhe:
- Então, minha Mãe? O que achou da colecção?
- Gostei...
- Mas...
- Só não gostei da imagem do crucifixo.
04 novembro 2013
«conversa 2028» - bagaço amarelo

Eu - Tens a certeza?
Ela - Tenho.
Eu - Como é que podes ter a certeza?
Ela - O meu marido, antes de casar comigo, era namorado da minha melhor amiga.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
03 novembro 2013
«Webcam Venus» - projecto de Pablo Garcia & Addie Wagenknecht
"Questionada se havia uma diferença entre a pintura do Renascimento «O Nascimento de Vénus» (1486) e uma revista Playboy, a maioria pode dizer que não há comparação: uma é a arte e a outra é pornografia exploradora. Uma é um tesouro dos ideais humanos e das suas realizações, a outra é obscenidade. Serão Botticelli e Hugh Hefner realmente diferentes? Ambos projectam fantasia e imagens eróticas através dos meios de comunicação dos seus dias. Ambos são veículos de política de género, definindo padrões de beleza e sexualidade. E se artistas adultos - já objectos sexuais - representassem poses clássicas? Em «Webcam Venus», pedimos a actores de «sexcam on-line» para reproduzirem obras icónicas da arte.
Esta peça é uma homenagem experimental, tanto para obras de arte como do fenómeno das webcams da internet, a que os utilizadores acedem para verem homens, mulheres, transexuais, casais e grupos a transmitir os seus corpos e a sua sexualidade ao vivo para o público, muitas vezes por dinheiro. Para criar esta experiência, passámos algumas horas por dia durante um mês pedindo anonimamente a artistas: «Você gostaria de posar para mim?»"
Webcam Venus [NSFW] from Pablo Garcia on Vimeo.
Esta peça é uma homenagem experimental, tanto para obras de arte como do fenómeno das webcams da internet, a que os utilizadores acedem para verem homens, mulheres, transexuais, casais e grupos a transmitir os seus corpos e a sua sexualidade ao vivo para o público, muitas vezes por dinheiro. Para criar esta experiência, passámos algumas horas por dia durante um mês pedindo anonimamente a artistas: «Você gostaria de posar para mim?»"
Webcam Venus [NSFW] from Pablo Garcia on Vimeo.
«Teatro amador (no Clube Recreativo do Calhabé)» - por Rui Felício
Nas cenas de maior suspense só se ouvia o estalar das pevides e dos amendoins a serem descascados ou os papeis coloridos dos rebuçados de frutas a serem desembrulhados pelos cachopos. Uma miscelânea de perfumes baratos inundava a sala.
Num ou noutro rosto das mulheres percebiam-se lágrimas a correr pelas faces, misturadas com esgares de raiva e de condenação.
Os semblantes dos homens denotavam ansiedade, os maxilares cerrados, tentando conter a comoção. Porque chorar não é próprio dos homens. Os pais iam contendo o irrequietismo das crianças, à custa de uns sopapos disfarçados ou com promessas de um bolo ou de uma laranjada no intervalo.
No palco, os actores, todos vizinhos e conhecidos dos espectadores, representavam a peça o melhor que podiam, em tom declamatório e grandiloquente, enfarpelados em guarda roupa renascentista, alugado numa loja da Rua das Figueirinhas. Um drama cujo enredo era construído à volta da infidelidade de uma mulher que traía o marido com o fidalgo Dom Diogo de Alencastre, rico senhor e dono de grandes propriedades, tido como impenitente mulherengo, sobranceiro e indiferente à quebra dos ancestrais pergaminhos que o seu comportamento indigno lhe acarretava.
Na plateia, de onde em onde, eram irreprimíveis e audíveis alguns comentários:
- Malandro!- sussurrava uma mulher magricela, com o cabelo armado em avantajada forma de ninho de cegonha, para a amiga que se sentava ao lado, na cadeira de pau desengonçada que rangia ao peso dos seus movimentos.
- Uma porca é o que ela é! – retorquia a outra, em voz baixa, abanando a cabeça e as banhas da barriga que lhe inchava o vestido às flores, como se fosse um pudim acabado de desenformar.
- Eu cá, se fosse ao marido, matava-a era a ela, grande vaca!, acrescentava a Dona Leonilde sentada na fila de trás. Solteirona, a Dona Leonilde, sentenciou:
- Um homem não é de pau e o Dom Diogo não fez mais que a obrigação dele!
Um homem que estava na fila da frente, virando a cabeça, beata pendurada nos queixos, de dedo indicador esticado ao pé do nariz, reprimiu-as, sibilando:
- Chiiiuu!
Por vezes conseguia-se ouvir a voz do ponto, encafuado debaixo do palco, que elevava a voz rouca quando os actores se esqueciam das suas falas ou das deixas.
A tensão era grande! Desenrolava-se a última cena do 3º acto.
Em palco, apenas o Felisberto, que era o marido enganado, com um revolver na mão e o fidalgo mulherengo, aterrorizado, procurando uma escapatória para as árvores desenhadas no cenário.
- Vou-te matar como a um cão, desgraçado!, dizia o Felisberto apontando-lhe a arma.
- Não! Não faças isso! Perdoa-me!, suplicava o Dom Diogo com as mãos levantadas.
- Dou-te aquele terreno ao pé do rio para amanhares, se me perdoares!
Mas já louco, fora de si, os olhos raiados de sangue, o Felisberto estava decidido a lavar a sua honra. Puxou o cão da pistola e carregou no gatilho. Mas nada! O fulminante não percutiu e o que se ouviu foi um estalido metálico seco e quase imperceptível.
O fidalgo, deu um pulo para trás, cambaleou e levou a mão ao peito, donde jorrou um líquido vermelho, representando a sua morte, tal e qual como inúmeras vezes tinham ensaiado.
Porém, não tendo saído o som do disparo, endireitou-se à pressa e esperou por novo tiro, para então sim, morrer e estatelar-se no palco.
O Felisberto ainda carregou no gatilho mais duas vezes, sem êxito. Definitivamente os fulminantes deviam estar estragados pela humidade, porque o estrondo do disparo nunca chegou a sair.
O actor, demonstrando um enorme sangue frio, pegou então no revolver pelo cano, dirigiu-se ao Dom Diogo, com o braço levantado, a mão enclavinhada no cano da pistola. Afivelou um ar ameaçador e berrou:
- Não te mato com um tiro, mas mato-te à coronhada, grandessíssimo pulha!
E caiu o pano, sob uma estrondosa salva de palmas.
______________________________________________________________
Uma homenagem, fraca é certo, mas sincera, ao Teatro Amador e aos homens e mulheres que depois dos seus dias de trabalho árduo para ganharem a vida, ainda encontravam ânimo e tempo para, à noite, irem ensaiar e representar no Clube Recreativo do Calhabé.
O protagonista desta peça era meu vizinho no Bairro. Era o Senhor Alberto Bastos, um dos maiores entusiastas do teatro amador e do associativismo a quem o Clube Recreativo do Calhabé muito deveu.
Rui Felício
Blog Encontro de Gerações
Blog Escrito e Lido
Foi em Setembro...
E ao som da concertina de roga entre parras amadurecidas lá íamos trec-trec cortando os cachos daquele ritual como se trabalhar todos os dias naquela rotina de socalcos sobe e desce fosse divertido e o desporto preferido daqueles moçoilos que carregavam os pesados contentores de plástico negro ao ombro. E foi aí que me passou pela vistinha aquele pedaço de néctar dos deuses de peito descoberto mas sem a paneleirice de ter rapado os pêlos do peito e com as cuecas a espreitar das jeans como se fosse um cordel a sussurrar puxa-me. Aquele moreno latino exalava a pujança da juventude sem músculos excessivamente vincados e a cada passagem sua lá eu desferia cotoveladas ou pisadelas adolescentes na minha amiga entre risinhos e gula aparada quando ela me fechava a boca para não entrar mosca.
Chegada a hora de almoço do tradicional bacalhau frito no chão daquelas vinhas alapei-me a seu lado para beber directamente da sua boca a história de que não era romeno como a maioria dos que ali acartavam mas filho de emigrantes em França que seguindo conselho da sua tia empregada de longa data naquela casa vinícola aproveitava as férias para juntar um pecúlio de 30 euros ao dia para as noitadas parisienses do resto do ano e como quem não quer a coisa deixou escorregar no seu português adocicado de sotaque gaulês que tinha mais de 18 anos. E naquela encosta puxei então da minha predilecção por chats até falar do pisar de uva deles nas roupas da dona em noites enluaradas para o convidar a terminar aquele dia vinhateiro com uma dobradinha alfacinha em que me podia esmagar todos os bagos. E ele disse que sim.
02 novembro 2013
«Jack Sparks» - João
"Jack Sparks. Placa prateada na porta do prédio, com o nome gravado. Campaínha. A entrada de aspecto lúgubre e ao fundo um elevador estreito e de aspecto pouco seguro. Caixas de correio claramente violadas, com sinais óbvios de abandono, onde nenhuma correspondência repousa. Alguns ladrilhos partidos e plantas muito mais mortas que vivas, pardacentas, falta de luz e de água. Jack avança depois de empurrar a porta pesada e pensar, pela enésima vez, que precisa colocar óleo. Profere, para dentro, imprecações várias, e carrega no botão. Sétimo andar. Solavanco, e incerteza caixa acima, enquanto o motor de pouca confiança iça o cubículo onde ele segue, encostado a um canto, enquanto vê passar os pisos e resmunga sozinho “eh… já nem sei se sou eu que subo ou o prédio que se afunda”.
A mão no bolso agita um molho de chaves, algumas das quais herança de passados que se perderam da memória, e agora contribuem apenas para um tilintar irritante, e um peso desnecessário. Chave escolhida, pés vigorosamente esfregados no tapete, e porta aberta. Casaco atirado com desprezo para cima do sofá ignorando o armário de onde havia sido retirado nessa manhã e passos cansados em direcção à janela, com o Sol do final do dia a entrar já oblíquo e alaranjado, descrevendo sombras do mobiliário em padrões longos nas paredes e no soalho. O ar está numa temperatura que beija a pele, mas Jack Sparks não nota. Está longe, com o olhar detido em linhas desenhadas pelas coberturas dos prédios no horizonte, recortadas aqui e ali por antenas antigas, algumas dobradas pelo vento ou quebradas por ferrugem, e cabos coaxiais que ondulam quando lhes bate o vento, caídos sobre as fachadas, testemunhos abandonados.
- Jack!
Silêncio cortado. Que raio!?
- Jack.
A sala é rectangular e muito ampla, com um sofá de duas pessoas, perpendicular à porta de entrada, onde o casaco de Jack jaz, e um outro, maior mas do mesmo modelo e côr, de canto, com uma mesa de apoio entre os dois. Em frente, a janela generosa, desenvolvendo-se em toda a fachada do edifício com vista para a cidade e o rio. O recorte da sala esconde o canto onde está o maior sofá para quem ali entra, e Jack não via nada naquele dia. Estava tudo longe e os sentidos estavam todos reduzidos ao mínimo.
- Jack!
Virou-se com o nome dele a ecoar nas paredes e, mais que isso, nos seus ouvidos. Mas a voz que neles entrava fê-lo esquecer a dor de cabeça. Percebeu que o seu cérebro ordenou aos seus músculos faciais que experimentassem uma expressão de espanto, mas não sabia dizer qual era, e que olhar era o dele. Sapatos pretos, de salto, no chão. Deixados com precisão, junto do sofá. Pernas em meias pretas, interrompidas já muito perto das ancas por uma camisa sua, larga, branca, mal abotoada. Cabelo longo. Gin tónico com gelo quase derretido na mesa de apoio. O espanto deu lugar a um sorriso nervoso, levou a mão à cabeça, esfregou o cabelo, e…
- Jack, Jack… está bom assim para ti?
- Não posso crer. Tu não existes!
- Existo sim. E o teu Gin também existe. Não to bebi todo. Vai buscar gelo para ti, anda. E traz-me duas pedras.
- Então mas isto é assim? Chegas aqui, atiras-te para o meu sofá quase nua, bebes o meu Gin, e ainda me dás ordens?
- Tens algum problema com isso?
- Com que parte?
- Quase nua?
- Não. Estás bem assim.
- Beber o teu Gin?
- Não. Sabes que compro sempre do melhor para ti.
- Dar-te ordens?
- Ora… depende. Se for para te segurar contra a parede podes ordenar à vontade.
- Uma coisa de cada vez. Paredes temos. Não tenho é gelo Jack! Despacha-te!
Passos velozes e uma pulsação galopante. Ela estava ali, a sorrir-lhe, bonita como sempre, e os metros entre a sala e o congelador ficaram reduzidos a centímetros, de tão veloz que se fez, esquecendo o dia de merda e a dor que vinha com ele na cabeça desde pelo menos a hora do almoço. Enquanto preparava o Gin dele e as pedras de gelo para o dela, tentava lembrar-se se tudo estava arrumado. Tinha baixado a tampa da sanita? Teria deixado as toalhas no sítio? A cama estava feita? Paciência. Pensou nas paredes. E voltou à sala. A camisa dele, que a princípio estava pouco abotoada, agora não estava de todo. Botões e casas para cada lado. Sem aprumo.
- Toma amor. Duas pedras. Já agora, estás cá há muito tempo?
- Não, cheguei meia hora antes de ti.
- Conta-me tudo!
- Temos tempo.
- Temos?
- Temos.
- Como assim?
- Olha para cima.
Da sala projectam-se degraus que dão lugar a um piso superior, e uma mezzanine. Há quartos, casa de banho e ainda um escritório. Renovado em tempos, o apartamento desafiava em muito o aspecto paupérrimo do edifício. Algum tempo antes tinha tentado sair dali. Vender. Ir embora. Desaparecer. Mas ninguém fazia negócio. O edifício estava claramente mal tratado, e nas contas de sumir que todos faziam, não apetecia comprar. As pessoas querem prédios bonitos. E novos. E aquele já fora bonito em tempos. E já fora novo. Mas o tempo tinha passado por ele, assim como vidas de gente, e no fim ficaram eles. O prédio. E Jack. Num apartamento grande, renovado, mas num contexto quase industrial e pouco atractivo, à medida que a cidade evoluiu e se deslocou, levando a nobreza para longe.
E olhando para cima viu malas no topo da escada.
- Não me gozes!
- Não estou a gozar. Tens espaço para elas, certo?
- Tenho. E a cama é larga.
- E as paredes? Achas que o prédio aguenta connosco?
- É antigo. Está bem construido!
- Hm. E as janelas? Aguentam que me fodas contra elas?
- Olha lá… mais depressa me partes todo a mim do que ao raio da casa.
- Eu sei.
- Ursa!
- Patife. Fode-me.
- Assim? E o Gin?
- Deita-mo sobre o corpo e lambe-me.
- Doida!
- Tu sabes. A culpa é tua. Mas falas muito tu. Faz juz ao teu nome depressa, pá.
E como tantas vezes, trocando frases em inglês, ela disse-lhe ao ouvido,
- Ignite me, Jack Sparks!
- Give way…"
João
Geografia das Curvas
A mão no bolso agita um molho de chaves, algumas das quais herança de passados que se perderam da memória, e agora contribuem apenas para um tilintar irritante, e um peso desnecessário. Chave escolhida, pés vigorosamente esfregados no tapete, e porta aberta. Casaco atirado com desprezo para cima do sofá ignorando o armário de onde havia sido retirado nessa manhã e passos cansados em direcção à janela, com o Sol do final do dia a entrar já oblíquo e alaranjado, descrevendo sombras do mobiliário em padrões longos nas paredes e no soalho. O ar está numa temperatura que beija a pele, mas Jack Sparks não nota. Está longe, com o olhar detido em linhas desenhadas pelas coberturas dos prédios no horizonte, recortadas aqui e ali por antenas antigas, algumas dobradas pelo vento ou quebradas por ferrugem, e cabos coaxiais que ondulam quando lhes bate o vento, caídos sobre as fachadas, testemunhos abandonados.
- Jack!
Silêncio cortado. Que raio!?
- Jack.
A sala é rectangular e muito ampla, com um sofá de duas pessoas, perpendicular à porta de entrada, onde o casaco de Jack jaz, e um outro, maior mas do mesmo modelo e côr, de canto, com uma mesa de apoio entre os dois. Em frente, a janela generosa, desenvolvendo-se em toda a fachada do edifício com vista para a cidade e o rio. O recorte da sala esconde o canto onde está o maior sofá para quem ali entra, e Jack não via nada naquele dia. Estava tudo longe e os sentidos estavam todos reduzidos ao mínimo.
- Jack!
Virou-se com o nome dele a ecoar nas paredes e, mais que isso, nos seus ouvidos. Mas a voz que neles entrava fê-lo esquecer a dor de cabeça. Percebeu que o seu cérebro ordenou aos seus músculos faciais que experimentassem uma expressão de espanto, mas não sabia dizer qual era, e que olhar era o dele. Sapatos pretos, de salto, no chão. Deixados com precisão, junto do sofá. Pernas em meias pretas, interrompidas já muito perto das ancas por uma camisa sua, larga, branca, mal abotoada. Cabelo longo. Gin tónico com gelo quase derretido na mesa de apoio. O espanto deu lugar a um sorriso nervoso, levou a mão à cabeça, esfregou o cabelo, e…
- Jack, Jack… está bom assim para ti?
- Não posso crer. Tu não existes!
- Existo sim. E o teu Gin também existe. Não to bebi todo. Vai buscar gelo para ti, anda. E traz-me duas pedras.
- Então mas isto é assim? Chegas aqui, atiras-te para o meu sofá quase nua, bebes o meu Gin, e ainda me dás ordens?
- Tens algum problema com isso?
- Com que parte?
- Quase nua?
- Não. Estás bem assim.
- Beber o teu Gin?
- Não. Sabes que compro sempre do melhor para ti.
- Dar-te ordens?
- Ora… depende. Se for para te segurar contra a parede podes ordenar à vontade.
- Uma coisa de cada vez. Paredes temos. Não tenho é gelo Jack! Despacha-te!
Passos velozes e uma pulsação galopante. Ela estava ali, a sorrir-lhe, bonita como sempre, e os metros entre a sala e o congelador ficaram reduzidos a centímetros, de tão veloz que se fez, esquecendo o dia de merda e a dor que vinha com ele na cabeça desde pelo menos a hora do almoço. Enquanto preparava o Gin dele e as pedras de gelo para o dela, tentava lembrar-se se tudo estava arrumado. Tinha baixado a tampa da sanita? Teria deixado as toalhas no sítio? A cama estava feita? Paciência. Pensou nas paredes. E voltou à sala. A camisa dele, que a princípio estava pouco abotoada, agora não estava de todo. Botões e casas para cada lado. Sem aprumo.
- Toma amor. Duas pedras. Já agora, estás cá há muito tempo?
- Não, cheguei meia hora antes de ti.
- Conta-me tudo!
- Temos tempo.
- Temos?
- Temos.
- Como assim?
- Olha para cima.
Da sala projectam-se degraus que dão lugar a um piso superior, e uma mezzanine. Há quartos, casa de banho e ainda um escritório. Renovado em tempos, o apartamento desafiava em muito o aspecto paupérrimo do edifício. Algum tempo antes tinha tentado sair dali. Vender. Ir embora. Desaparecer. Mas ninguém fazia negócio. O edifício estava claramente mal tratado, e nas contas de sumir que todos faziam, não apetecia comprar. As pessoas querem prédios bonitos. E novos. E aquele já fora bonito em tempos. E já fora novo. Mas o tempo tinha passado por ele, assim como vidas de gente, e no fim ficaram eles. O prédio. E Jack. Num apartamento grande, renovado, mas num contexto quase industrial e pouco atractivo, à medida que a cidade evoluiu e se deslocou, levando a nobreza para longe.
E olhando para cima viu malas no topo da escada.
- Não me gozes!
- Não estou a gozar. Tens espaço para elas, certo?
- Tenho. E a cama é larga.
- E as paredes? Achas que o prédio aguenta connosco?
- É antigo. Está bem construido!
- Hm. E as janelas? Aguentam que me fodas contra elas?
- Olha lá… mais depressa me partes todo a mim do que ao raio da casa.
- Eu sei.
- Ursa!
- Patife. Fode-me.
- Assim? E o Gin?
- Deita-mo sobre o corpo e lambe-me.
- Doida!
- Tu sabes. A culpa é tua. Mas falas muito tu. Faz juz ao teu nome depressa, pá.
E como tantas vezes, trocando frases em inglês, ela disse-lhe ao ouvido,
- Ignite me, Jack Sparks!
- Give way…"
João
Geografia das Curvas
«She didn't miss - or fun at the world's fair» - Tijuana bible
Tijuana bibles - bíblias de Tijuana (também conhecidas como eight-pagers, bluesies, gray-backs, Jiggs-and-Maggie books, jo-jo books, Tillie-and-Mac books e two-by-fours) eram pequenos livrinhos de banda desenhada pornográfica produzidos nos Estados Unidos da América entre os anos 1920 e início dos anos 1960.
Para quem tiver curiosidade em saber mais, recomendo o livro «Tijuana Bibles» de Bob Adelman publicado pela editora Taschen (que tenho na minha colecção).
Já tinha mostrado um dos dois exemplares na minha colecção. Aqui está o outro.
Para quem tiver curiosidade em saber mais, recomendo o livro «Tijuana Bibles» de Bob Adelman publicado pela editora Taschen (que tenho na minha colecção).
Já tinha mostrado um dos dois exemplares na minha colecção. Aqui está o outro.
01 novembro 2013
Alguém tem a gentileza de me explicar o que é o "tantra agudo"?
Aprende-se muito com a publicidade.
Ainda há alguns dias me intrigou uma menina que adora "canoar no sexo" e agora esta outra, que adora "gramar com ele" (quem?), diz que adora "fazer tântra agudo".
Ora foda-se, que cada vez percebo menos disto...
Ainda há alguns dias me intrigou uma menina que adora "canoar no sexo" e agora esta outra, que adora "gramar com ele" (quem?), diz que adora "fazer tântra agudo".
Ora foda-se, que cada vez percebo menos disto...
31 outubro 2013
«O Serviço de Inspecção de Toleradas em 1938» - A. Tovar de Lemos
Publicação do Dispensário de Higiene Social da Direcção Geral de Saúde - Lisboa, 1939.
Trata-se de um relatório dos serviços de Inspecção das toleradas (na época em que a prostituição era legal em Portugal, desde que praticada de acordo com os regulamentos em vigor), no ano de 1938. Contém gráficos e estatísticas com os tratamentos feitos, serviços clínicos e o movimento mensal do Dispensário.
Oferta de Lourenço Moura, a juntar a outras publicações do género, da minha colecção.
Trata-se de um relatório dos serviços de Inspecção das toleradas (na época em que a prostituição era legal em Portugal, desde que praticada de acordo com os regulamentos em vigor), no ano de 1938. Contém gráficos e estatísticas com os tratamentos feitos, serviços clínicos e o movimento mensal do Dispensário.
Oferta de Lourenço Moura, a juntar a outras publicações do género, da minha colecção.
«A católica» - Patife

Patife
Blog «fode, fode, patife»
30 outubro 2013
«Lembrei-me de ti» - João
"Lembrei-me de ti como se precisasse de motivo para isso. Lembrei-me de ti como se precisasse pensar para beber água quando estou ressequido no deserto. Lembrei-me de ti como se não fosse isso uma constante, uma letra da equação que nunca muda, aquela coisa que agarra à vida e expande os sorrisos. Onde eu estou, tu estás. Pode ser um som. Um cheiro. Uma imagem de um sítio ou um nome. Onde eu estou, tu permaneces. No teu cabelo que continuo a afagar, quando em mim repousas a tua cabeça. É filme que roda em contínuo, algo que nunca deixei de fazer, quando durmo e muitas vezes até acordado.
Estas mãos, onde se marca o que se pensa, se dá traço ao que se sente, são força que te agarra. De manhã, à tarde, na noite. E se agora se erguem muralhas, são de outra pedra. As correntes, sabes, foram caindo. A princípio, eram pesadas e numerosas. Uma a uma foram tombando, fechos abrindo, ainda que teimosamente a querer fechar, a querer voltar. Mas o sofrimento na queda, o esforço no passo, foi muito para agora ser pouco. Rompeu-se o que era sagrado. Rasgaram-se escrituras. Voltaram-se páginas de livros que nunca voltarão a fechar-se como um livro nunca lido, que nunca devolverão ao papel o cheiro de uma página nunca virada. O que se avançou não se recua. Deixar a terra segura, deixar os pais, deixar aquilo em que se cresceu. Maturar. Ser maior. Fazer travessias, navegando atento a um farol que se conhece bem, que se vê mesmo apagado, a luz que até o tacto sente.
Dizem-me que vá. Que vá à luta. Não se sabe bem como, ou com que rapidez. Mas que vá. Que é de ir. Que não se desiste de algo assim, que o mar é revolto e muito salgado, que o desespero dê lugar à força para empurrar, e puxar, e sacudir, e andar, andar, andar. Que estime, dizem. Que é isto. Que é isso. À minha frente, cruzam os dedos das mãos, dizendo-me que é peça que encaixa, que é a moldura que enquadra a tela. Lembrei-me de ti. Sem necessidade. Não se lembra quem não desaparece em nós. Nem precisam dizer-me que estime, navegue ou lute. Eu sei.
O negro e o pavor alastram, o buraco alarga-se e não existe mais onde segurar o corpo. Os dias são tempo que corre, apenas, na vida parada, no vento que não sopra, do Sol que não aquece. Do Inverno veio um frio de ausência. Dos dias pequenos, escuros nos fins destas tardes agora longas, vieram os murmúrios, as memórias da perfeição, a falta de ti, de nós, de tudo. Lembrei-me de ti quando pensei que não há nada acima do cume, que não há nada mais fresco nas dunas desertas, que sou eu sentado a olhar-te, a sofrer por ti se te magoas, na telepatia dos nomes que se cruzam. Lembrei-me de ti, como se precisasse de motivo para isso. Lembrei-me de ti quando morri. Como se precisasse de motivo para isso."
João
Geografia das Curvas
Estas mãos, onde se marca o que se pensa, se dá traço ao que se sente, são força que te agarra. De manhã, à tarde, na noite. E se agora se erguem muralhas, são de outra pedra. As correntes, sabes, foram caindo. A princípio, eram pesadas e numerosas. Uma a uma foram tombando, fechos abrindo, ainda que teimosamente a querer fechar, a querer voltar. Mas o sofrimento na queda, o esforço no passo, foi muito para agora ser pouco. Rompeu-se o que era sagrado. Rasgaram-se escrituras. Voltaram-se páginas de livros que nunca voltarão a fechar-se como um livro nunca lido, que nunca devolverão ao papel o cheiro de uma página nunca virada. O que se avançou não se recua. Deixar a terra segura, deixar os pais, deixar aquilo em que se cresceu. Maturar. Ser maior. Fazer travessias, navegando atento a um farol que se conhece bem, que se vê mesmo apagado, a luz que até o tacto sente.
Dizem-me que vá. Que vá à luta. Não se sabe bem como, ou com que rapidez. Mas que vá. Que é de ir. Que não se desiste de algo assim, que o mar é revolto e muito salgado, que o desespero dê lugar à força para empurrar, e puxar, e sacudir, e andar, andar, andar. Que estime, dizem. Que é isto. Que é isso. À minha frente, cruzam os dedos das mãos, dizendo-me que é peça que encaixa, que é a moldura que enquadra a tela. Lembrei-me de ti. Sem necessidade. Não se lembra quem não desaparece em nós. Nem precisam dizer-me que estime, navegue ou lute. Eu sei.
O negro e o pavor alastram, o buraco alarga-se e não existe mais onde segurar o corpo. Os dias são tempo que corre, apenas, na vida parada, no vento que não sopra, do Sol que não aquece. Do Inverno veio um frio de ausência. Dos dias pequenos, escuros nos fins destas tardes agora longas, vieram os murmúrios, as memórias da perfeição, a falta de ti, de nós, de tudo. Lembrei-me de ti quando pensei que não há nada acima do cume, que não há nada mais fresco nas dunas desertas, que sou eu sentado a olhar-te, a sofrer por ti se te magoas, na telepatia dos nomes que se cruzam. Lembrei-me de ti, como se precisasse de motivo para isso. Lembrei-me de ti quando morri. Como se precisasse de motivo para isso."
João
Geografia das Curvas
União Zoópila
Ainda ninguém perguntou quantas passarinhas se pode ter num apartamento, isso preocupa-me.
Postalinho da panificação criativa
«conversa 2026» - bagaço amarelo

Eu - E qual é?
Ela - Um homem apaixona-se por uma mulher, uma mulher apaixona-se pelo facto desse homem estar apaixonado por ela.
Eu - E é tudo?
Ela - É.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
O cúmulo do fracasso sexual
Pior que isso só se a esposa dele o trair com o cara que está pegando a amante dele
Capinaremos.com
29 outubro 2013
Desabafo do Triângulo Felpudo
A propósito da Colecção digitalizada de revistas porno portuguesas (à qual o servidor onde as tenho bloqueou o acesso por excesso de tráfego), comentou o Triângulo Felpudo:
"Lá se foi a oportunidade. E eu que estava prestes a fazer uma edição de autor, de capa dura, páginas convenientemente plastificadas e em vários tomos da Gina...
E os jornais? Era algo que me fascinava quando era miúdo e me acercava dos quiosques forrados com títulos como «Sexy Club» e «Sexus»: como seria a redacção desses jornais? Qual era a periodicidade dos mesmos? Teria uma secção com correio dos leitores? Imaginava uma reunião do conselho editorial, escolhendo as peças, decidindo reportagens, montando a capa... Invejava a arte do jornalismo. Claro que o mamaçal em barda, cricas que pareciam castores cantando tirolês e os títulos onde a palavra 'orgasmo' abundava, eram também focos de atracção para o petiz que fui. Que é feito do jornal porno? Toda a gente lamenta o definhar da revistinha canholeira, mas... e o periódico do refustedo, o saudoso Sexy Club?
... Onde tornaremos a ler textos que começam com «Lothar estava a ter um dia difícil, quando bateram à porta»?
Numa recente tertúlia em pelota com uma delegação escandivana, durante o intervalo dos trabalhos, defendi a minha convicção de que atravessamos uma idade média na pornografia, não obstante a abundância e facilidade de acesso. Depois não pude desenvolver, por não ser capaz de simultaneamente me entregar ao espasmo e à metafísica (Escandinava, obviamente)."
"Lá se foi a oportunidade. E eu que estava prestes a fazer uma edição de autor, de capa dura, páginas convenientemente plastificadas e em vários tomos da Gina...
E os jornais? Era algo que me fascinava quando era miúdo e me acercava dos quiosques forrados com títulos como «Sexy Club» e «Sexus»: como seria a redacção desses jornais? Qual era a periodicidade dos mesmos? Teria uma secção com correio dos leitores? Imaginava uma reunião do conselho editorial, escolhendo as peças, decidindo reportagens, montando a capa... Invejava a arte do jornalismo. Claro que o mamaçal em barda, cricas que pareciam castores cantando tirolês e os títulos onde a palavra 'orgasmo' abundava, eram também focos de atracção para o petiz que fui. Que é feito do jornal porno? Toda a gente lamenta o definhar da revistinha canholeira, mas... e o periódico do refustedo, o saudoso Sexy Club?
... Onde tornaremos a ler textos que começam com «Lothar estava a ter um dia difícil, quando bateram à porta»?
Numa recente tertúlia em pelota com uma delegação escandivana, durante o intervalo dos trabalhos, defendi a minha convicção de que atravessamos uma idade média na pornografia, não obstante a abundância e facilidade de acesso. Depois não pude desenvolver, por não ser capaz de simultaneamente me entregar ao espasmo e à metafísica (Escandinava, obviamente)."
«Quadrifólio» - Susana Duarte
Nascem trevos das pontas dos teus dedos, e de teus trevos nascem flores
azuis. Dedilhando canções ou…trocando segredos, as flores são sonhos,
as flores são medos, litania cantada em noite de trovoada e as palavras…segredos
( de noites sem fim).
Segredos sussurrados onde demos a mão e seguimos na eira, povoada
por fantasmas de outra canção. Saio de ti, em ti saio de mim, e entro na água
que me percorre, no seio da lua onde deixei a Luz incerta abrigada
(e os trevos me deram a mão).
As barcarolas seguem caminho onde sonhei… nascem segredos da ponta
dos dedos. Fico de mão dada contigo, e de ti leio sinais. Sinais de passagem,
sinais de ilusão… sinais de sinais na ponta da mão onde o sol desponta
(e a noite entoa-te em mim).
Nas palmas, nas palmas das mãos, tens trovas invulgares e séculos de paixão,
cantados num Cancioneiro onde agitei a luz e te disse que estou aqui, de vento
na lua e dedos na alma, onde um sábio guerreiro parou e lavou a voz da solidão
(de trevos que nascem da tua, de trevos que nascem da minha mão).
És o Romanceiro onde o sol flutua e a noite é a voz que acalma o canto
da coruja. Pois és vida e saber, reflectidos na água, sussurrados na planície
onde a estrela branca do dia encantou e sussurrou a promessa e o encanto.
(E ali, jurou… ).
E da jura, nas pontas dos dedos nasceram trevos. Erva-do-amor. Flor
eterna, eterno trovador, que as asas do sol e o azul do mar, fizeram terna luz.
(Nascem trevos)
…………………das pontas dos teus dedos……………………

Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
azuis. Dedilhando canções ou…trocando segredos, as flores são sonhos,
as flores são medos, litania cantada em noite de trovoada e as palavras…segredos
( de noites sem fim).
Segredos sussurrados onde demos a mão e seguimos na eira, povoada
por fantasmas de outra canção. Saio de ti, em ti saio de mim, e entro na água
que me percorre, no seio da lua onde deixei a Luz incerta abrigada
(e os trevos me deram a mão).
As barcarolas seguem caminho onde sonhei… nascem segredos da ponta
dos dedos. Fico de mão dada contigo, e de ti leio sinais. Sinais de passagem,
sinais de ilusão… sinais de sinais na ponta da mão onde o sol desponta
(e a noite entoa-te em mim).
Nas palmas, nas palmas das mãos, tens trovas invulgares e séculos de paixão,
cantados num Cancioneiro onde agitei a luz e te disse que estou aqui, de vento
na lua e dedos na alma, onde um sábio guerreiro parou e lavou a voz da solidão
(de trevos que nascem da tua, de trevos que nascem da minha mão).
És o Romanceiro onde o sol flutua e a noite é a voz que acalma o canto
da coruja. Pois és vida e saber, reflectidos na água, sussurrados na planície
onde a estrela branca do dia encantou e sussurrou a promessa e o encanto.
(E ali, jurou… ).
E da jura, nas pontas dos dedos nasceram trevos. Erva-do-amor. Flor
eterna, eterno trovador, que as asas do sol e o azul do mar, fizeram terna luz.
(Nascem trevos)
…………………das pontas dos teus dedos……………………
Susana Duarte
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