25 dezembro 2013

E depois admiram-se que o Pai Natal se atrase!



O Pai Natal sempre
demora meia horinha
a deixar as prendas
à minha vizinha

Depois nunca chega
e eu sei porque é:
fica a piça entalada
na minha chaminé"

Excerto de 
«(ainda não) É Natal» da
Tuna Meliches

Natal porno para toda a família



«Os sonhos de Freud» - Ana Markl

"Quando chega ao Natal, a especialidade de Freud são sonhos de abóbora. A abóbora deita-se no divã e escancara o subconsciente, revelando as suas mais íntimas pevides. Essa visão excita o psicanalista.
A abóbora tem um sonho recorrente: está muito sossegada na cozinha, eis senão quando chega uma fada madrinha e, através do toque de uma varinha mágica, transforma-a não em sopa, mas numa carroça puxada por ratos, que por sua vez se transformam em cavalos, e que transporta uma tipa qualquer com nome de travesti enfiada num sumptuoso vestido branco e sapatos de cristal.
Freud explica-lhe que se trata de um sonho erótico. A abóbora, contrariada, só não encolhe os ombros porque não os tem. “Onde raio está a pulsão sexual?”, pergunta. “Todos os Natais venho aqui ouvir a mesma coisa”, reclama. “Não sou nenhuma tarada, doutor”, declara. Enquanto discorre sobre o significado dos garanhões que a puxam e da rapariga que entra dentro de si, Freud avança intimidante em direcção à abóbora, como quem lhe vai arrancar um pedaço.
A abóbora acorda, aflita e suada. Respira fundo. Conclui, aliviada: “era só um sonho”. Olha em seu redor e percebe que está numa frigideira cheia de óleo a ferver: é só um sonho."

Ana Markl
Jornalista e guionista
Texto vencedor do 19º Campeonato de Escrita Criativa

«Sonhos de Freud» - montagem de São Rosas

Postalinho natalício com prenda no sapatinho



Feliz Natal Oglafiano!

Crica para veres toda a história
Natal 2013


1 página

24 dezembro 2013

Uma imagem do Raim vale por três palavras



Boa observação, Maria

Tá aí um pensamento razoável.



Não há nada escrito aqui. Prossiga.

Capinaremos.com

Feliz Natal, meninas!

As melhores referências



É sempre gratificante o primeiro postal de Natal que um gajo recebe vir da Rapidinha Sex Shop.

Boas Frestas, são os votos de Triângulo Felpudo




Só para desejar um Feliz Natal a todos os leitores e companheiros de deboche d'A Funda São. Nelo, não te enchas de enrabanadas.
É tradição enviar isto a todos os contactos, sem excepção. Ainda não fui despedido, nem a avó teve uma síncope. Eis um vídeo natalício com mulas, anões e o caralho. Frestas Felizes!

«Isto não é o que parece!» - Sou burro




"A minha mulher 
apanhou-me a montar o 
Pinheiro de Natal"


23 dezembro 2013

«Show Your Joe» - anúncio da Joe Boxer, roupa interior para homem da Kmart

«conversa 2053» - bagaço amarelo

(em minha casa)

Ela - Tens uns vasos no meio da tua casa...
Eu - Estou a experimentar uma coisa que vi na internet. Colocas umas velas a aquecer um vaso pequeno, virado ao contrário, com outro vaso maior por cima. Parece que aquece o ambiente...
Ela - E aquece mesmo?
Eu - Aquece, embora ainda não esteja satisfeito com os resultados obtidos.
Ela - Mas porque é que estás a usar velas perfumadas para esta experiência?
Eu - Só tinha essas velas em casa quando me decidi a fazer isso.
Ela - Mas estas velas são caras, sabias?
Eu - Estou-me nas tintas. Não servem para nada. Tenho-as aí há que tempos. Foi alguém que mas deu num aniversário, num Natal, ou coisa parecida...
Ela - Pois foi, eu sei. Fui eu que tas ofereci...


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Luís Gaspar lê «Envelhecer» de Jorge de Sena

I
Nesta claridade silenciosa e pálida os vultos
deslizam como sombras no entanto nítidos e
contornados por um brilho que entontece o
olhar.

Há uma distância incomensurável entre nós. E
dir-se-ia que nenhum gesto é bastante para os
atingir. O tempo se fez distância.

Paralisado em transparência gélida eu não
mudei porém. Pelo contrário é como se
contido o ardor fosse maior.

E doloroso mais. Porque de antigamente o
não-ter e o perder ainda eram certeza de
atingir, senão de amor.

II
De amor eu nunca amei senão desejo visto ou
pressentido. Um corpo. Um rosto. Um gesto. E
nunca de paixão sujei o meu prazer ou o de
alguém. Por isso posso

mesmo as audácias recordar sem culpa.
Tudo o que fiz ou quis que me fizessem o
paguei comigo ou com dinheiro. E só
lamento as vezes que perdi

retido por algum respeito. Errei

por certo — mas foi nisso. O que me dói
não é tristeza de quem dissipou

no puro estéril quanto esperma pôde gastar
assim. O que me mata agora é este frio que
não está em mim.

Jorge de Sena
Jorge Cândido de Sena (Lisboa, 2 de Novembro de 1919 — Santa Barbara, Califórnia, 4 de Junho de 1978) foi poeta, crítico, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, tradutor e professor universitário português.

Ouçam este texto na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

O Pai Natal é um génio

Esse cara sabe como atender pedidos.



E se a tia usa a tabelinha?

Capinaremos.com

22 dezembro 2013

A agência Victor & Spoils mostra como o Photoshop ajuda a desejar um Feliz Natal


A beleza dos corpos de todos os tamanhos e medidas


Josie Bunnie's Nudie Cuties: Teaser from Josie Bunnie on Vimeo.

Segunda-feira


Acordei tarde para não variar com o corpo a estender o sono até deglutir toda a nicotina nocturna. Saltei para o duche de poucos minutos que nestes dias os segundos andam sempre mais depressa. À minha espera lá tinha a blusa nova de decote em vê com fecho éclair de lado. Enfiei-a e tudo corria bem até puxar o fecho. O danado não subia acima da cintura. Fiz força para baixo, fiz força para cima mas o desgraçado dali não se mexia a fazer pirraça aos ponteiros do relógio. Num repente puxei a blusa para fora e vá de experimentar o fecho que corria na perfeição nos dois sentidos. Voltei a vesti-la e pimba, o gajo parava no mesmo sítio como se fosse ali paragem de autocarro ou lugar cativo de estacionamento. Ao contrário do poema de António Gedeão o que eu não queria ter era um fecho éclair. Expirei fundo, bufei como um gato ameaçado e peguei na patilha com toda a genica a medir forças com aquele energúmeno que me estava a atazanar a manhã. Certamente com pena de mim ele lá condescendeu subir um bocadinho mas por mais que eu teimasse, não ia até ao fim.

Conferi as horas e percebi que não me apetecia ir escolher outra roupa nem sequer procurar combinar as cores das calças com outra blusa e outros sapatos para já não falar da suprema chatice de despejar o conteúdo da mala para arrumar noutra. Pespeguei a mala no ombro do lado do fecho e ala moça que se faz tarde para o local de trabalho onde a primeira colega caridosa que encontrei com as duas mãos em riste o puxou todo para cima e me acabou com o problema.

E é nestas alturas Senhor Doutor que me parece que até pode fazer falta um homem em casa.

Na turista


Objetos (espaço dedicado aos nossos amigos diários)

21 dezembro 2013

Um anúncio a preservativos com... crianças!

«Máquinas que enganam» - João

"Caminhos, amor. São caminhos. Olha as cascas que se soltam de mim. Já nem cabelo tenho, foi-se todo, e a barba que me cobre começa a ser branca. Olha os pés, que se picam nas pedras angulosas. São máquinas, amor. Torcem, contorcem, esticam e comprimem. São cabos, é aço, é arame farpado. Olha o meu relógio, doce. Os ponteiros são corações com arritmia. Como extrassístoles do tempo. Joelhos. Esfolados. Olha as minhas mãos. As minhas mãos amor. Segura-me a cabeça e deixa-me tombar devagarinho. Dá-me mimo. Endireita-me o mundo, coloca-me o Norte no Norte, acerta-me o compasso, esbofeteia-me até voltar à vida, abana-me. Arranha-me à procura de dôr, de sangue. Senta-te em mim e deixa cair os cabelos no peito, faz-me cócegas, respira junto a mim. Não desistas de mim. Não antes de todos os outros. Uma linha recta é só isso, não estou morto, são máquinas que enganam. Não deixes que te puxem para fora de mim. Deixa-te estar sentada ao meu colo. A aquecer-me. Esfrega-me as mãos amor. Aquece-mas. Beija-mas e encosta-as à tua face. Não deixes que me levem."
João
Geografia das Curvas

Pequeno pendente com pénis em ouro

Peça de ourivesaria das Caldas da Rainha feita por encomenda para a colecção.


Sociologia Freestyle (no Brasil como cá)




Ricardo - Vida e obra de mim mesmo

20 dezembro 2013

«SWOON - an ode to the boob» (uma ode às mamocas)


SWOON from Benjamin Santiago on Vimeo.

O milhór broshe da minhia vida, um broshe eculójicu

... logu entrou-me açim uns calores perque çe á coiza quéu tenhu medu é de ratus, e ishto pra nam falare em ratas…ui ui ui ui. Mash cum dildu infiadu no trazeiru e a bocâ sheia de carne, á lá coiza milhor pra uma melhér bisha paçar uma nôte beim paçada?...

discobri quele hera eculojista da Grinpiça
O milhor broshe da minha vida, melhéres, çe é cu um broshe podi çer milhor du coutro, fôi na minhia nova discuberta da vida há nôite.
Melhéres, Badajós!
Uma çidade çeim peruconseitos e açim, quinté paresse cajenta ta´numa daquelash çidades onde as melhéres bishas andóm há vontadi, comu per izemples Nova Iorqui, ou Londris ou na Califórmia. Hihihiiii melhéres, queu éi çó chegare há feronteira e cumesso logu a cantare “ efe iu come tu sam fransiqu, bi shudu uére a felóuer êne iór hér..” …Nam çei çé açim cu çe canta a muziqa mash nam fash mal melhéres, o cuma melhér pressiza ei de çe çentire felish e açim, e asdepios us Ispanhóis nam çam açim nada bonsh a línguash, çalvo çeija, melhéres, cu çobre línguash a jente vai conversar de çeguida, já, jazinho hihihhi.

Beim… çobre o ingate, a coiza fôi cuase há intrada do Bare Guei; riparei no mossôilo, lindu e altu e açim, us olhus muinto clarus, quinté pençei cu fôsseim lentis de comtacto  e devu confeçar cu me çenti um becadinhu injevosa e açim perque  asho caquelas lentis nu meu ôlhu éi cu ficavóm beim. Hihihiiii já tou a vere vossezes harmadus em marotus, co eça coiza du ôlhu e açim hihihiiiii mash tenhóm calma melhéres cu já la vamus.
Ai ai, mas fofos,  puzos olhus nas bolas do rapash,  livantei u olhare pra çima e us nóços olharis...., melhéres..., num mumento de majia, crusaram-çe eim sheio e  fôi logu tiru e queca,  ai… melhéres, digu queda, mash nu fim, vai a dare no mejmo hihihihihi- ( aiai quéu çou terríveim). Aprezentei-me: - Melhéri, ió mi iamu Nelo, i ushtéi? Comu çe iama? Quiéries tumar iuna cópa ?

Aí falámus tantu melhéres, ele nu çeu setaque istranjeiro i éu a crere imitare o çéu Ispanholi, e discobri quele hera eculojista….Uma çurpreza melhéres, perqueu disse-le quera tameim eculojista e coizo e diçe-le pormenores,  mazele isplicou-me ca eculojia nam é a jente handare na rua a fasere de lojinha a vemder o pacoti, mash çim aqueli coizo na natureza e açim e a poluição e mais nam çei o quéim, ca converça ficôu um becado aburreçida, mas asdespois paçou logu quele comessou a aprofumdar pró broshe eculójico.
Diçe-me eli açim: - Nelo, yo hago parte del Greenpeace y me gustan las cosas al natural.
Ai melhéres, Rispondi-le logu: -Carinhio, ió nó agu parti dela Grinpiça, peru  mi suona goçtóça, eça cósa dé piça e açi, i çé tu hiéris déça cósa, ió tambieni quierio çieri.
E açim foi. Melhéres, nu apartemento dele bezentou os nóços curpinhus com aseite virjeim çalvo çeija e ai, logu aí a jenti lambeu-çe todas umas hás ôtras quei uma coiza cu dá uma tuza…. Xi……melhéres…

Olheim fofos, melhéres, ai cum broshe a um home todu bezuntadu e iscorregadiu e açim, aiaiai melhéres…. Cu coiza tam bôa… xi… us tomatinhos todus brilhantes e a piça de ingual modu, e a minhia mãu a mecher eim tudu com eshta arte cu Deush me déu… E fôi cuando ia a abucanhar a pessa, digu a piça quele me disse: “Nelo, carinho, aguarda um ratito.”
Melhéres, logu logu entrou-me açim uns calores perque çe á coiza quéu tenhu medu é de ratus, e ishto pra nam falare em ratas…ui ui ui ui.
Mas nam! Nam avia porblemas. O méu home era ispiçtacular perque fôi bushcar uma coiza cas lambisgoitas aviam de uzar mais e açim, : um dildu!
Mash nam hera um dildu deças cu vossezes tam há pinçar.
Nam çenhor, o méu home hera eculójicu: a açim u dildu hera um belu pupino, ca medida çerta, lizinho e goshtozo.
Shupa! Shupa Nelo, antis cu çe apague hihihi
E fôi açim u milhor broshe da minhia vida.
Ai melhéres: co o dildu infiadu no trazeiru e a bocâ sheia de carne, á lá coiza milhor pra uma melhér bisha paçar uma nôte beim paçada?
Olheim, melhéres, çe les diçer cu asdespois  fômus cumere uma çalada çó de vardura e açim: alefasse, agriãus, rudelas de senoura, becadinhus de seboila e açim, tudu regadu co um belu aseite. Ai melhéres, ca vontade cu me deu fôi de faser-le ali mejmo um ôtro broshe, mejmo mejmo eim peleno ristórante e açim. Mazólheim. Fôi logu de seguida.
Neim shigámos ao apartemento, fôi mejmo nu carru dele, melhéres, e deshta vesh com iogurete tudu naturale e açim. Ai ai,, Cuma melhér neim çabe çé lête da piça, çé o lête du pacote, ai ai hhihihhi ehihihiiii, ai ai  cu belu trucadilhu melhéres hihihi cu çou uma pueta hihihhi……
Melhéres, dispois deshta isperiênsia tôu au vóço dispor pra les oferecer um broshe eculójico. Çó fis duash veses, mash póço deser cu tôu já um verdadêru ispiçalishta.
Çe quizereim ispirimentare, melhéres? Mi liguim hihihihihi .

Robôs



Não esperava por isso.

Capinaremos.com

18 dezembro 2013

«Mente porca» - João

"Não sou puritano. Os meus neurónios deliciam-se com erotismo e sensualidade, e, não raras vezes, mesmo com pornografia. As coisas que eu imagino cá dentro não são para cabeças sensíveis. Tenho o que podem chamar mente porca, perversa, twisted mind, o que quiserem. Mas, na verdade, a ser alguma coisa, esta mente, creio que não será “porca”, na medida em que tenho requinte naquilo que imagino, sexualmente. E, no mais, tenho grande facilidade em transportar quase tudo (nunca tudo, há limites) para o domínio do sexo, mesmo as coisas mais inocentes.
Quando me dizem que tenho uma mente porca, talvez estejam a ver a coisa ao contrário. Talvez isto revele, apenas, que enquanto todos os outros se dão ao trabalho de fugir à verdade, eu aceito, sem combater, que na vida vai tudo dar ao mesmo. Ao sexo. Entre aqueles que teriam gostado de me conhecer, conto Kinsey, Masters, Johnson e Freud. Não tivemos tempo. E haverá muitos mais, eu é que sou limitado no conhecimento."

João
Geografia das Curvas

«pensamentos catatónicos (299)» - bagaço amarelo

Hoje de manhã estava um casal de idosos a tomar o pequeno-almoço no café. Entre o ruído mais ou caótico das chávenas, dos talheres e da máquina de café expresso, era como se uma bolha de silêncio os envolvesse. Olhei-os de lado e fiquei com a sensação que não diziam nada um ao outro porque as palavras já se tinham esgotado há muito. As palavras esgotam-se com a vida? - Perguntei-me. Restava-lhes um incógnito olhar para duas chávenas de café vazias e uma presença ausente.
Do outro lado, na mesa à minha direita, um homem começou a levantar a voz à companheira. Não num tom violento, mas numa tentativa óbvia de a anular. Percebi que a conversa vinha já da noite anterior e se baseava toda na futilidade dela como companheira de vida dele. O Amor deve ser útil? - Perguntei-me. Restava-lhes uma ar desconsolado para duas chávenas de café nervosas e tristes.

- Nunca dizes nada de jeito! - repetia ele.

Ela nada dizia.
O Amor é antidemocrático, eu sei. Pior ainda, é um golpe de Estado e uma usurpação do nosso trono. O poder do povo termina no momento exacto em que se apaixona. Compreendo bem a coisa. A sério que sim. O que não aceito é esta mania de viver em casamentos cansados e violentos. As revoluções nunca fizeram mal a ninguém. Muito menos ao Amor.
O casal de idosos levantou-se e saiu. Fiquei a vê-los pelo canto do olho. Deram as mãos e desapareceram lentamente na primeira curva levando com eles o seu silêncio único. Ao meu lado direito a discussão agravou-se. Ela decidiu responder. Talvez as palavras não se esgotem sempre, mas era bom que às vezes o fizessem. Pelo menos foi o que pensei.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Que tal um Cinemotel?

Que tal um Cinemotel?



Só não confunda pipoca com piroca. Ou confunda!

Obscenatório
obscenatorio.blogspot.com

17 dezembro 2013

«Know your body» (conhece o teu corpo - filme em "stop-motion")

"O Sam não está muito feliz com o seu corpo. Mas o que acontece quando ele começa a ouvir o que seu corpo está a tentar dizer-lhe?
Filmado com 100 pessoas durante mais de 3 dias, foram necessárias mais de 2.000 fotografias que foram reunidas para criar esta animação"

A FODA COMO ELA É (VI) - A Aldeia dos Tarados


Um conhecimento alemão convidou-me certa vez a visitar e ver com os meus olhos uma comunidade fetichista, que é o nome fino e estrangeiro para "tarado assumido", porque os outros somos todos nós. Acedi, sempre curioso do género humano, e guiaram-me vendado até ao local onde se encontrava tão peculiar aldeia, cuja provável localização e arquitectura me absterei de comentar. Eis alguns excertos do meu diário, exprimindo impressões que recolhi durante o passeio.

«Fui recebido pelo burgomestre, indivíduo de meia idade, que se apresentou completamente nu, com um sapo pendendo-lhe da pila, cuja glande abocanhava. Sei pouco de alemão, idioma que visceralmente detesto, com a licença de Goethe, Hölderlin e Mozart, tendo-me servido de tradutora a minha amiga alemã. Soube que o burgmeister se chamava Theotonius e que o seu maior prazer na vida consistia em retirar prazer sensual de batráquios, causa primeva da sua subtracção à sociedade e consequente internamento naquela comunidade. Poucos viviam ali sem que semelhante antecedente os houvesse empurrado. Conduziram-me então pelas ruas da aldeia.»

(...)

«Mostraram-me a vacaria, fonte de leite para toda a aldeia e de espasmos para um tipo específico de tarado, que se recreava chupando as tetas das malhadas em plena masturbação. Vários daqueles estranhos punheteiros actuavam na ampla nave, entre mugidos e góticas exclamações de júbilo sexual. Faziam também grandes provisões de iogurte. Quando me ofereceram um copo de leite, recusei com a desculpa de não tolerar a lactose.»

(...)

«Seguimos para a horta comunitária, onde apenas encontrei mulheres trabalhando. Colossais matronas, de queixos quadrados, braços e pernas peludas, despidas da cintura para baixo, afadigavam-se entre as hortaliças. Fizeram-me saber que toda a cultura se compunha de vegetais oblongos, já que a sua inclinação libidinosa se traduzia na inserção vaginal e anal de leguminosas. Uma das amazonas do sacho garantiu-me ter experimentado no passado relacionar-se com bananas, mas que não dera resultado, já que lhe pesara na consciência a traição que infligia às suas adoradas courgettes. Outra, mais velha e calejada, fez desaparecer diante de mim um pepino inteiro na sua cona, para o retirar de seguida perfeitamente descascado e isento de sementes. Fiquei assombrado e muito agradado com tão requintado espectáculo.»

(...)

«Inseriram-me numa sala despida de móveis, fortemente iluminada pela poalha áurea daquele fim de tarde estival, que entrava em grossas faixas pelas janelas de sacada dispostas ao longo de uma das paredes. Pensava no que significaria aquilo, quando entrou por uma porta na extremidade oposta da divisão a encarnação própria da beleza e do casto amor. A fluidez com que os cachos de cabelos loiros lhe desciam até aos seios, omitindo os delicados ombros, parecia suavizar a força da gravidade, na sua carícia descendente. Na alva face, de contorno ligeiramente ovalado, pontificava um par de esmeraldas tranquilas, sem chegarem a raiar a dolência; olhos que professavam a inocência de quem nada vira e se oferecia ao mundo com a relutância dos ingénuos. A boca cor de romã, pequenina, lábio inferior mordido a um canto - digna de um querubim. A  sua estatura média vestia-se com uma túnica de linho branca, insinuando-se um colo arrebitado e de pequenas dimensões. Tinha os pés descalços. Numa palavra: um anjo.
Veio na minha direcção, deslizando, atravessando os mantos doirados que as janelas estendiam à sua passagem e parou tão perto de mim que podia sentir o seu hálito de amoras silvestres. Então, com toda a singeleza e num Português abrasileirado, perguntou-me:

- Posso fazer cócó na tua boca?»

(...)

«Assim que os vi juntos, foram três as observações que de imediato fiz: a suavidade dos gestos dela, os hematomas que decoravam a cara dele e a expressão apaixonada de ambos. A sua relação remontava ao tempo em que trabalhavam como engenheiros numa conhecida empresa de programas informáticos. Desde o princípio, assentaram o cerne do prazer para cada um: ela gostava de arrear, ele de apanhar. Mas o rapaz, sentira que algo faltava e impedia a plenitude do seu gozo. A procura de respostas ao seu problema levara-o a trair a amada, recebendo porrada fora do domicílio conjugal. Insultara cabeças-rapadas, atirara-se para dentro de lavagens automáticas, sem que nada preenchesse o seu vazio. Até que, um dia, passara em frente de um stand da John Deere e soubera onde estava a sua felicidade. Vivem em constante lua-de-mel, desde que Helga aplicadamente espanca Ludovico com sortidas alfaias agrícolas.»

(...)

«Despedi-me do burgomestre Theotonius, que agora trazia uma salamandra na ponta da gaita, imerso em profundíssimas reflexões sobre a humana condição. Que prazeres, que variedades da felicidade sensorial enchem o mundo privado com a treva do medo, imposta pela tirania da convenção, fazendo do Homem uma besta insatisfeita, perigosa e sanguinária? Estava nestas, quando me vendaram de regresso a Leipzig, onde me esperava um espectáculo de variedades com anões hermafroditas da Abecásia.»

«Sal, sol e fogo» - Susana Duarte

procuro folhas por entre o sal
e o fogo
da existência das noites

e sei do sal e do fogo
das ausências,

como se fossem vida e morte
e toda a noite que temos dentro
ainda que dela fujamos.

sei da noite e do sal,
como sei do azul e dos teus dedos,
sabedores do sabor dos meus segredos

e das toadas e
das luzes
e das vielas

serás sempre o sal e o sol e o fogo
e todas as ruas por onde caminho



Susana Duarte
Blog Terra de Encanto

«Penis Migratoris»

Estatueta em barro pintado com a mascote da SAPEC - Sociedade Anónima dos Polidores de Esquinas de Caria, da autoria de Paulo Santos (Betes)
Desde 1985, durante vários anos, uma imagem do «Penis Migratoris», um pénis alado, manteve-se na portada em madeira de uma janela de uma casa abandonada em frente do adro da igreja matriz de Caria. Esta estatueta é uma réplica desse desenho e foi oferecida pelo autor, para a minha colecção.




16 dezembro 2013

Rihanna - «Stay» com Mikky Ekko


Rihanna - Stay ft. Mikky Ekko from Official Videos HD on Vimeo.

«conversa 2035» - bagaço amarelo

Ela - É tão bom quando um palerma tenta engatar uma mulher à noite.
Eu - Bom?! Porquê?!
Ela - Não há maior prazer nesta vida do que dar falsas esperanças a um homem durante uma noite inteira e, no fim, dizer-lhe simplesmente adeus com a mão e ir embora.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Luís Gaspar lê um excerto de «Pantagruel» de Rabelais

Já que nos sobeja o tempo, não será de todo inútil nem ocioso revelar a origem e extracção do bom Pantagruel. Foi assim que, nas suas crónicas, procederam todos os bons historiógrafos, não só árabes, bárbaros e latinos, mas também gregos, que foram borrachos de primeira, e os autores das Santas Escrituras, S. Lucas e S. Mateus.
Sabei pois que, nos alvores do mundo (quer dizer há mais de quarenta quarentenas de noites, se contarmos como os antigos druidas), pouco depois de Abel ter sido morto por seu irmão Caim, a terra, regada com o sangue do justo, vicejou e floresceu como um vero paraíso. Dos seus flancos, cresciam todas as árvores e havia fruta a dar com um pau. Sobretudo nêsperas. Dessa época ficou o dizer-se «ano das nêsperas gordas», porque três pesavam um alqueire.
Nesse ano também se descobriram as calendas nos breviários dos gregos, e viu-se então que Março calhava na quaresma e os meados de Agosto em pleno mês de Maio. Em Outubro, se bem me lembro, ou em Setembro, se não me engano (Deus me livre!) correu a semana ditosa entre as ditosas, tão afamada nos anais e hoje conhecida pela semana dos nove dias, porque o ano era bissexto: o sol desandou da direita para a canhota, a lua mudou de cinco toesas o seu curso e viu-se perfeitamente o tremelicar das estrelas fixas no firmamento. Foi então que uma das Três Marias, mandando as outras à fava, deu uma carreirinha até o Equinócio e a Espiga deixou a Virgem para se encafuar na Balança. Foram coisas tão pasmosas, tão terríveis e difíceis que os astrólogos quedaram estarrecidos, sem poderem meter o dente em tão especiosa matéria. De resto, só com dentes de cavalo chegariam até lá.
Sabei pois que o mundo inteiro apanhava grandes barrigadas de nêsperas, porque eram lindas de se verem e gostosas ao paladar. Mas, tal como Noé, santo entre os santos a quem devemos a plantação da vinha de onde nos vem este licor deleitável, delicioso, precioso, celestial e divino que se chama vinho, foi enganado ao bebê-lo, ignorante da sua virtude e força, as mulheres e os homens desse tempo empanzinaram-se à porfia com esse belo e sumarento fruto. O que foi motivo de muitas e diversas moléstias, sendo a mais importante um horrível inchaço nas partes mais inesperadas do corpo.

Rabelais
Françhois Rabelaiche (Chinon, 1494 — Paris, 9 de abril de 1553) escritor, padre e médico francês do Renascimento, que usou, também, o pseudónimo Alcofribas Nasier (um anagrama de seu verdadeiro nome).
Ficou para a posteridade como o autor das obras primas cómicas Pantagruel e Gargântua, que exploravam lendas populares, farsas, romances, bem como obras clássicas. O escatologismo é usado para condenação humorística. A exuberância da sua criatividade, do seu colorido e da sua variedade literária asseguram a sua popularidade.


Ouçam este texto na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

Não tá fácil pra ninguém

Todo mundo é vadia de alguém.



Sei que seu chefe cobra de você, mas olhe pelo lado bom, alguém manda nele também.

Capinaremos.com

15 dezembro 2013

Filme «Un Chant D'Amour» (Dir. Jean Genet, 1950)


Un Chant D'Amour (Dir. Jean Genet, 1950) from CAJ on Vimeo.

Arqueologia sacra

(Foto © Patologista)

Em miúda, o que eu gostava de fazer furinhos naquelas caixas da Regina para saírem chocolates mas com o avançar do tempo passei antes a preferir a exaltação de usar a pressão dos meus dedos para fazer saltar aquele creme pastoso que sai das borbulhas.

E se ele outros predicados não tivesse bastar-me-ia este. Ele alongava-se de barriga para baixo expondo toda a sua pele macia e como um gato permitia que lhe afagasse todo o pêlo e até a traquinice de lhe tactear as bolinhas de râguebi enquanto a minha respiração acelerava sentindo na polpa dos dedos estendidos aquela suavidade e a mínima protuberância digna de extirpar, alucinada ainda mais pela visão daquele rabinho soerguido a que encostava as minhas ancas antes de me debruçar sobre ele a espremer cada um dos maravilhosos achados e creio mesmo que o ouvia ronronar.

Esgotado o espólio, serpenteava sobre o seu corpo e delineava-lhe um rasto de saliva da primeira vértebra cervical até ao sacro, murmurando que já lhe espetara um dorsal e podíamos começar a correr a maratona.

Fecha dura


Objetos (espaço dedicado aos nossos amigos diários)

14 dezembro 2013

«Burlesque-ooh-rama»

Espectáculo de burlesco com Tronicat la Miez, Belle La Donna e Xarah von den Vielenregen.


Burlesque-ooh-rama from Zismo on Vimeo.

E aqui ficam umas musiquinhas excelentes para ambientes de burlesco, de bónus:








«O motor do desenvolvimento tecnológico» - João

"Não sei se existem mais homens ou mulheres nos domínios de investigação relacionados com computação e tecnologia em sentido lato. Arrisco dizer que seja maior o número de homens, talvez pela ideia que tenho de que nos cursos tecnológicos há mais homens do que mulheres. Poderá ser uma concepção errada, mas que me ajuda muito a suportar a ideia chave que vos quero apresentar: o mundo tecnológico desenvolve-se por uma única razão. Gajas.
Não me venham com tretas. A internet, os computadores, os telefones, a televisão de alta definição existem porque queremos ver gajas. Eu lembro-me de usar computadores com 20MB (sim, vinte megabytes) de disco rígido, e com monitores de apenas 4 tons de verde (CGA). Em relativamente poucos anos a ciência informática deu saltos de gigante. Alguém se lembra de que foi há poucos anos (menos de 10) que ainda se usavam muitos processadores 486 e que os discos rígidos tinham capacidades de poucos gigabytes? E querem convencer-me de que tudo isso evoluiu porque era preciso ter máquinas de maior capacidade para fazer documentos e folhas de cálculo? Para registar correspondência? Ou até mesmo para… jogar? Não! Os computadores evoluíram muito porque a horda de homens engenheiros por detrás do seu desenvolvimento queriam desenvolver algo que lhes permitisse ver mais gajas. Os discos rígidos aumentaram em capacidade para poder guardar mais gigabytes de gajas nuas, em fotos ou em vídeos. Querem convencer-me de que as placas gráficas evoluíram para melhorar a performance tridimensional dos jogos de computador? Não! As placas gráficas evoluíram porque era preciso reproduzir com maior fidelidade os finos detalhes da pele das gajas! O resto veio por acréscimo, só para disfarçar.
Mais… os telefones. Para falar ao telefone em qualquer canto do mundo basta que o dito aparelho permita atender chamadas, e fazê-las. Ter uma agenda é conveniente para não escrever sempre os números, mas desde que tenha essa dita agenda, permita digitar números, atenda e marque, cumpre a sua função. Certo? Certo. Mas nós temos telefones com displays a cores, muitas cores, com câmara fotográfica, com chamadas de video, com comunicação bluetooth, etc. E querem dizer-me que isso serve para comunicar melhor, para ser mais produtivo, para ter a informação na mão em qualquer lado? Não! Isso serve para contactar gajas, para fotografar gajas, para enviar e receber fotos de gajas nuas, para nós enviarmos fotos das nossas pendurezas (das quais elas se vão rir se estiverem, de facto, penduradas) por MMS, e para fotografar gajas desprevenidas na rua ou na praia.
A internet. Alguém se lembra da internet por dial-up? Olhem que não passou muito tempo. Há 7 anos por exemplo ainda se usava muito. Com modems de 56K. Em 2001 ou 2002 havia ainda pouca gente com banda larga (o próprio nome é parecido com bunda larga, lá está, de novo, a ligação às gajas) e a maioria dos acessos à internet fazia-se por linha telefónica em sistema dial-up, para consultar e-mails e fazer alguma pesquisa. Alguém precisa de banda larga para ler e-mail? São precisos 10, 20 ou 100Mbit de downstream para ler e-mail? Não! Isso serve para fazer download de gajas. A gente quer internet rápida para sacar muitas gajas da net. E se alguém disser “ah bom, mas mesmo para ler o e-mail, é bom ter banda larga”, isso é apenas porque o e-mail está cheio de gajas. São powerpoints com gajas. Videos com gajas. Gajas em todo o lado. Porque se o e-mail fosse usado para texto, sem anexos, a banda estreita chegaria quase sempre (há excepções, claro… enviar informação geográfica por e-mail exige mais. Mas se fosse só por isso, ninguém apostava na banda larga).
A televisão. Querem convencer-me de que a televisão de alta definição serve para ver melhor os jogos de futebol? Alguém quer ver com detalhe a relva dos estádios? As caretas dos jogadores ou os brincos do Ronaldo? Alguém precisa ver as manchas de sangue do CSI com maior detalhe para entender a história? Não!!!! A alta definição na televisão serve para levar para o sofá da sala aquilo que nos monitores dos PCs já existia: imagens de gajas com detalhe! Videos com detalhe, imagem com detalhe, gajas nítidas. Só isso. Note-se, a esse propósito, como um dos principais iscos dos sites eróticos é oferecer imagens cada vez maiores. Imagens de gajas em resolução 1024×768 é fraquinho, não entusiasma ninguém. O que os machos querem é imagens enormes, de 4000 ou 5000 pixeis no lado mais largo da imagem, imagens de muitos, muitos megapixeis, que num zoom de 100% permitem ver todos os sinais da pele da gaja, e até permitem ver qual o método que ela usa para se depilar. Podem ser um exagero, e para se conseguir ver a gaja completa é preciso ver a imagem com um zoom de 10 ou 15%, e cada imagem pode ter vários megabytes, mesmo comprimida em JPG. Mas isso não interessa. Porque a gente quer é gajas, e ter o poder de fazer zoom e ver a gaja ainda mais perto do que se estivessemos lá encostados com o nariz… é colossal.
Por isso, não me venham com tretas. O motor do desenvolvimento tecnológico é apenas um: gajas. Os computadores servem para ver gajas, os discos externos servem para transportar gajas, os telefones servem para receber e enviar gajas, a televisão serve para ver melhor as gajas, e a internet é o veículo das gajas. Não há nenhum segredo nisto.
O que eu não sei é o que seria da tecnologia se as gajas fossem as principais responsáveis por ela. Mas seria diferente."

João
Geografia das Curvas